Colóquio - História
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Este blog é da responsabilidade do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores e pretende dar conta das actividades desenvolvidas ao longo de 2006 - Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação, bem como das actividades realizadas na mesma área temática,ou não, nos anos posteriores.
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Vistas as coisas desta forma, o crescimento orçamental da Universidade dos Açores é afinal de 0%. Porém, 2009 ainda vem longe! Antes disso, a manter-se a intransigência do Governo da República, já no próximo mês, a Universidade dos Açores até poderá ser o primeiro instituto público a engrossar o conjunto de entidades privadas que sentem dificuldades em pagar salários. Nestas circunstâncias, se pode, ou se sabe, faça também alguma coisa, porque quanto ao dever esse pertence-lhe, já que é deputado dos Açores na Assembleia da República, com responsabilidades acrescidas na Educação.Recorda o Deputado Duarte, não se entende bem a que propósito, o tempo da sua fugaz passagem pela Direcção Regional da Cultura, quando encomendara sem sucesso, e não se sabe bem a quem, projectos de um valor financeiro tão avultado, que transfigurariam as finanças de uma qualquer Universidade. Neste caso, como diz o povo, o melhor é sempre dar nomes aos bois, para que nunca incorra o autor das afirmações em suspeita de menos verdadeiro. Porém, já que sou historiador, e porque de História também se fala, sempre acrescentarei que há escassas semanas tive o gosto de prefaciar uma História dos Açores, da autoria de Susana Costa, da Universidade dos Açores, que vai ser publicada pela actual Direcção Regional da Cultura. Além disso, até finais de 2008, publicará o Instituto Açoriano de Cultura uma outra História dos Açores, obra colectiva de que sou co-director, grandemente redigida por universitários dos Açores. Tomara o Deputado Duarte, na produção científica, na gestão universitária, ou em qualquer outro sector, equiparar-se da actividade que já desenvolvi, em benefício da Terceira e dos Açores. Que me lembre, é a terceira vez que o Deputado Duarte se mete com a Universidade! Diz-se que esta fixação é uma questão de dor! De dor de cotovelo! Segundo os entendidos, mais fina e insuportável do que a mais abjecta de todas as dores, que por decoro me escuso de mencionar! No passado, o processo de construção da Universidade muito ficou a dever à colaboração de reputados docentes de instituições universitárias do continente. Só que parece que nunca ninguém reparou nas qualidades do Deputado Duarte, que também nunca terá perdoado uma tal afronta. Senhor Deputado, a ser verdade, poupe-me. Não são contas do meu rosário!Não tenho por hábito “lavar roupa” em praça pública. Esta reacção é, por isso, pessoalmente penosa. Mas que não duvide o Deputado Duarte da minha capacidade de com ele esgrimir argumentos, à moda do actualíssimo século XXI, à maneira do anteposto século XX, se necessário for, com recurso aos métodos mais genuínos, mas sempre e só os pacíficos, do século XIX.
(*) Reitor da Universidade dos Açores
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Evento, onde os presentes puderam ainda deliciar-se com esta iguaria de origem oriental acompanhada de vários doces e salgados, entre eles os famosos ‘scones’ como manda a tradição do ‘chá das cinco’.José Pacheco, responsável pela Confraria de Chá do Porto Formoso, lembra que a Camellia Sinensis surgiu há 150 milhões de anos, entre o noroeste da China e o sul da Índia, tendo o hábito de beber chá “mais de 3000 anos”, sublinha. E hoje, “o chá é a bebida mais bebida em todo o mundo”.A “7 de Abril de 1878”, revela, chegaram a S. Miguel dois chineses para “ensinar” aos locais o cultivo do chá, o que levou a uma história de “mais de 100 anos” do chá nos Açores.Citando um chinês, José Pacheco salienta que “apreciar o chá só é possível num ambiente de amizade, lazer e sociabilidade”.João Madruga, investigador e docente da Universidade dos Açores, afirma que o desenvolvimento e estabilidade dos solos micaelenses encontram-se “altamente dependentes” das condições climáticas. Eduardo Brito de Azevedo, do Centro do Clima, Meteorologia e Mudanças Globais da Universidade dos Açores, salienta não haver bebida mais “evocativa” do clima, do que o chá. O clima, por sua vez, é a razão “diferenciadora” do ambiente e recursos regionais e parte “intrínseca da nossa sociedade”.Caracterizado por “chuvas abundantes e regulares” ao longo do ano e por um regime de ventos “vigorosos” que rondam as ilhas, acompanhando o evoluir dos padrões de circulação atmosférica à escala da bacia do Atlântico Norte, o clima da Região apresenta uma sazonalidade “medianamente” marcada, que se reflecte nos seus elementos.“A conjugação das características climáticas das ilhas dos Açores com a diversidade de tipos de Oslo e de relevo conduzem a aptidões culturais distintas, que vão desde as culturas típicas dos climas subtropicais até culturas características dos climas temperados”- evidencia, avançando que neste quadro as características climáticas de S Miguel revelaram-se, desde meados do séc. XIX, “propícias” à cultura da planta do chá. Mesmo assim, a “diversidade” climática existente ao longo das vertentes da ilha manifesta-se sobre o “volume e qualidade” das colheitas.Além disso, “a evolução das condições de altitude favorece” de certa forma uma “melhoria da qualidade”e a distribuição regular da precipitação conjugada, com “elevados teores da humidade do ar”, são factores benéficos à “elasticidade e delicadeza dos rebentos desta planta. Aspectos estes que no seu todo são “reconhecidos” como sinónimos de um produto de qualidade “superior".José Baptista, membro do Departamento de Ciências Tecnológicas e Desenvolvimento da Universidade dos Açores, começa por dizer que a própria dieta mediterrânica é rica em “antioxidantes naturais”, o que reduz a incidência das patologias do foro cardiovascular. Estes antioxidantes contêm elementos, justifica, capazes de “travar” a acção dos radicais livres, “retardando” o progresso das doenças típicas das sociedades industrializadas ocidentais.O investigador conta também ter trazido para os Açores chás de várias partes do mundo, para os comparar com o chá regional, isto de modo a “inibir a enzima do cancro”. O composto com mais “capacidade” inibitória eram os folineflóis, que se encontram no chá regional em “maior” quantidade.’Aproveita ainda para dizer que tem sido grande o interesse em “identificar” as propriedades terapêuticas e estudar os efeitos fisiológicos do Camellia Sinensis. Daí terem desenvolvido uma metodologia para “separar e quantificar” os componentes do chá, de modo a estudar a sua “estabilidade” a diferentes temperaturas e comparar os seus teores com os dos chás de outras partes do mundo. Aliás,“Desde os tempos mais remotos que se afirma que beber chá promove relaxamento”- enfatiza, acrescentando que a L-teanina é o aminoácido responsável por esta sensação, pois reduz o “stress mental e físico”. Elemento que o chá dois Açores apresenta em “maiores” quantidades.João Anselmo, nutricionista, começa por revelar que o consumo de chá diário ‘per capita’ é actualmente de “120 ml”, sendo maioritariamente de chá preto (76 a 78%) na Europa, América do Norte e Norte de África, contra 20 22% para o chá verde.O chá, enfatiza, previne a morte por doenças “coronárias, trombose, enfarto do miocárdio e reduz a tensão arterial”. Além disso, é rico em termos de saúde oral, pois tem “muito flúor e fortalece o esmalte” dentário; “inibe” o crescimento de bactérias da cárie e “diminui” os açúcares na cavidade oral.Urbano Bettencourt, escritor e docente da Universidade dos Açores, lembra que o chá regional foi já várias vezes abordado e elogiado na literatura portuguesa, nomeadamente em obras de Eça de Queirós (1845-1900), como é o caso d’ “A ilustre casa de Ramirez”, um romance realista da terceira fase do escritor nascido na Póvoa do Varzim, que fala no chá verde. O próprio Antero de Quental deixou um documento datado de 1888, onde refere que o chá preto teria “mais venda que o preto”.“A china fica ao lado” (1968) e “Angustia em Pequim” (1984), ambas de Maria Ondina Braga, são outros exemplos de obras que abordam o chá, tal como acontece com “Five o’clock tea” de Vitorino Nemésio, que defende o chá como um “elemento congregador de pessoas e desencadeador de rituais”.À margem do evento, falamos com José Pacheco, responsável pela Confraria de Chá do Porto Formoso. Esta iniciativa integra-se nos objectivos da Confraria do Chá do Porto Formoso, que são a divulgação do chá nas suas vertentes “histórica, turística, gastronómica e social”- sublinha. O evento é constituído por palestras sobre os referidos temas, mas o chá irá “elevar” o espírito também através da música clássica e do teatro.Apesar da colheita do chá nos Açores ser “sazonal”, tendo a duração de apenas “seis meses”, durante a época de produção a ilha tem condições benéficas à produção de chá e realmente produz um chá de “grande” qualidade. “O chá hoje em dia é um produto turístico”- salienta, avançando que, em 2007, a fábrica recebeu “27 mil visitantes” que tiveram a oportunidade de conhecer um pouco esta cultura agrícola, a sua “história e etnografia” e ainda saborear o produto.A Confraria do Chá do Porto Formoso nasceu em 2006, recorda, e é composta por 26 confrades, reunindo assim os estudiosos, apreciadores e amigos do chá. “Em 2008, já tivemos a nossa terceira eternização, onde se reuniram nove confrades efectivos temos também vários confrades honorários que muito nos honram”- salienta, avançando que todos os anos, no mês de Abril, a Confraria é aberta à vinda de “novos” elementos que estejam dispostos a defender, dentro do espírito do chá, uma cultura agrícola regional e típica que merece todo esse “esforço”. Estes recebem o traje da Confraria, composto por uma capa azul-escura “inspirada” no traje regional ‘capote e capelo’ e por um chapéu de feltro azul, cujo design é “baseado no tradicional chapéu de palha” da apanhadeira de chá. A insígnia, uma fita com uma medalha cunhada com o botão e primeiras folhas do rebento do chá, o “símbolo” da colheita fina e dos chás de grande qualidade, completam o traje.José de Almeida Mello, historiador, começa por abordar a história do chá nos Açores, explicando que esta remonta aos séculos XVIII e XIX, altura em que chegam as primeiras plantas, que servem de “peças ornamentais”. Ao surgir um “fungo” que cobre “grande parte dos laranjais” de S. Miguel, dá-se um “decréscimo brutal” desta produção, que tem de ser “substituída” por outra. É neste contexto que surge o chá, salienta, acrescentando que foram criadas no séc. XIX “diversas” plantações deste produto na costa Norte da ilha, mais precisamente na Ribeira Grande e em S. Vicente, além das Sete Cidades.Muitas destas plantações tiveram uma grande “produtividade” em finais da segunda metade do séc. XIX e em parte do séc. XX. Hoje, lembra, a produção de chá resume-se a duas fábricas. A da Gorreana, que data do séc. XIX e é a mais “antiga”. Fundada por Maria Hermínia Gago da Câmara, esta encontra-se actualmente na posse dos seus fundadores. A Fábrica de Chá do Porto Formoso, aparece nos anos 20 e depois é “recuperada” pelos actuais proprietários.Actualmente, o chá faz parte do “património” cultural da ilha e como tal deve ser “preservado e valorizado”, no contexto das agriculturas açorianas.Os açorianos “não” têm o hábito de tomar o ‘chá das cinco’, esclarece, avançando que fazem mais do que isso. Os açorianos tomam chá “ao longo das suas refeições”, em todos os “quadrantes” sociais. Nas freguesias rurais da ilha, revela, bebe-se ainda “muito” chá e nas classes mais favorecidas também se faz o famoso ‘chá das cinco’, que as senhoras faziam. Existem encontros de chá e há todo um “aparato social” em torno do chá. Inclusive, a cidade já dispõe de uma Casa de Chá, sendo o chá um hábito “bem enraizado” na cultura açoriana.João Anselmo, nutricionista, fala sobre “o chá na Saúde” e recorda que nos últimos tempos se tem assistido a uma “reabilitação” do seu consumo na alimentação. O homem bebe chá há “mais de 5000 anos” e actualmente já se percebe a importância do seu consumo “regular”. Este possui uma grande capacidade de “diminuir o risco de doenças cardiovasculares”, que constituem a primeira causa de “mortalidade” no mundo ocidental. “Só por isso, todo o esforço que seja feito para que se beba mais chá é bastante importante”- reconhece.Na sua opinião, qualquer chá, principalmente o regional, tem componentes que promovem o “relaxamento” e actuam como tranquilizantes, ressalva, avançando estar a falar do Camellia Sinensis.Maluquices com cháO capítulo “O chá maluco”, do conhecido clássico da literatura inglesa “Alice no Pais das Maravilhas” de Lewis Carroll, fechou a tarde de painéis neste seminário. Trata-se de um texto que faz “brincadeiras e enigmas lógicos” próprios da cultura de Inglaterra, explica Marina Vieira, do grupo “Vamos fazer de conta”. Estiveram em palco Ana Rochate; Eugénia Cabral; Justina Silva; Margarida Almeida e; Marina Vieira.O grupo “Vamos fazer de conta” iniciou a sua actividade em “Novembro de 1998”, relata, e apesar de ser preferencialmente dirigido ao público “infantil”, muitos adultos já se renderam à magia destas actrizes em palco.“Os quatro músicos de Bremmen” e mais recentemente”A galinha verde”, foram outras peças levadas ao palco por este grupo, que ao longo de uma década de existência já actuou em diversas ilhas da Região.Um chá dançanteO Seminário terminou com um espectáculo do grupo Danç’Arte intitulado “O Segredo do Chá”, ideia original de Sofia Bélchior e António Machado. Sofia Belchior, membro da referida companhia, conta que esta se encontra sedeada no teatro de S. João, em Palmela, e apresentou um ciclo relacionado com alguns ingredientes, entre eles, o chá. "Criámos este espectáculo, cuja temática tem a ver com as raízes, os rituais e a história do chá", agora pela mão da Confraria do Porto Formoso, lembra.O convite para apresentar este espectáculo em São Miguel, constituiu, sublinha, um motivo de "orgulho" para a Companhia, pois nesta vivem pessoas que convivem e sabem "muito" sobre o chá, que faz parte do seu quotidiano.Trata-se de um espectáculo de "dança contemporânea", mas cujo motivo e principal "motor da criação", foi efectivamente "tudo" o que gira à volta do chá.A actriz afirma ser um espectáculo "agradável" de se ver, que inclui uma "viagem à volta do chá", onde se passa por "várias zonas" do mundo, em termos de dança e de "ambientes". No ciclo onde este "bailado abstracto" está integrado, os actores trabalharam também o "café, chocolate, açúcar, sal e especiarias", elementos que os criadores utilizaram como "motivo de criação"."Estudamos os elementos, as suas origens, a forma como os utilizamos, os rituais que possam existir, algumas lendas e crenças"- esclarece, avançando serem elementos "muito ricos", que utilizam no seu dia-a-dia, que não conhecem e que, neste caso, representam a forma como "encontram" a dança contemporânea para a levar ao palco, para o mais "comum" dos mortais. E, alerta, "mesmo as pessoas que, muitas vezes, não estão habituadas a ver dança contemporânea, com este espectáculo conseguem chorar".
(Raquel Moreira in Divagações e Realidade)
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No contexto deste Congresso, teve lugar uma Mesa Redonda sobre Biotecnologia, onde foram discutidas as potencialidades dos Açores no desenvolvimento de biotecnologias, e que contou com os contributos de muitos especialistas e investigadores que participaram no Congresso. Este debate foi concebido para criar sinergias entre investigadores, investidores, industriais e público em geral. Os trabalhos foram orientados pelos professores Euclides Pires e Carlos Faro da Universidade de Coimbra e participantes no parque Tecnológico de Cantanhede (Biocant) e dos professores da Universidade dos Açores, Artur Câmara Machado e José Baptista, ambos participantes no IBBA. Também participou João Luís Gaspar, como presidente da Comissão Instaladora do IBBA.
(In Jornal Diario)
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Um dos últimos documentos a admitir essa possibilidade é o livro do jornalista português Nuno Simas, que revela documentos oficiais americanos, entretanto desclassificados.
“A 29 de Julho de 1957, um avião C-124 carregado com duas bombas nucleares «em rota para os Açores» teve problemas mecânicos e a tripulação optou por lançar a carga ao mar, ao largo de New Jersey. «As implicações são óbvias: se não tivessem havido problemas, o avião teria aterrado nos Açores com as duas bombas nucleares», afirma Hans Kristensen [director do projecto de informação nuclear da Federação dos Cientistas Nucleares, autor de várias investigações académicas sobre o arsenal nuclear dos Estados Unidos e da NATO ao longo da Guerra-fria, e que, em 2007, recebeu um documento desclassificado intitulado “Broken Arrow”, o nome de código dos acidentes com material atómico], admitindo que as Lajes tenham sido utilizadas, ao longo dos anos da Guerra-fria, para trânsito de aviões com carga idêntica”, escreve o jornalista Nuno Simas, autor do livro “Portugal Classificado - documentos secretos norte-americanos, 1974-1975” (2008).
Admite, contudo, segundo a mesma fonte, que “as bombas teriam como destino final, para armazenamento permanente, bases norte-americanas no Norte de África e não os Açores”.
O investigador afirma que Portugal autorizou nos anos cinquenta o depósito de armas nucleares na ilha Terceira, pelos norte-americanos, em caso de necessidade, o que, em seu entender, significa que a Base das Lajes terá sido, pelo menos, preparada para receber tais armamentos.
Adianta também que estudos independentes norte-americanos permitem concluir pela presença na ilha Terceira de cargas nucleares de luta anti-submarina utilizadas pelos aviões P3-Orion que patrulhavam o Atlântico a partir das Lajes até ao início dos anos noventa.
«Os Açores estavam reservados a ser uma base de armamento nuclear em situação de crise, emergência ou guerra. Autorizações foram válidas desde os anos 60 até à década de 80», refere William Arkin, ex-analista do exército norte-americano, citado por Nuno Simas.
O responsável, aliás, segundo a mesma fonte, revelou, em 1985, que a “base açoriana estava nos planos norte-americanos para «instalação condicional» de armamento nuclear, o que causou manifesto mal-estar no Governo português.
Da parte governamental portuguesa, qualquer um destes dados nunca foi confirmado. Quando, em 1985, três investigadores (ver abaixo) revelaram que os Açores estavam incluídos nas localizações onde os norte-americanos poderiam manter ou fazer passar material nuclear, responsáveis portugueses alegaram que “tudo não passava de especulações”, logo não merecedoras de comentários.
“Um antigo chefe das Forças Armadas portuguesas” – escreve Nuno Simas – afirma que «não há registo de terem passado pelas Lajes armas nucleares». Os acordos entre os Estados Unidos e Portugal não são, de todo, exaustivos nessa matéria, mas o mesmo ex-chefe militar, com funções na hierarquia das Forças Armadas nas décadas de 70 e 80, afirma que a tese prevalecente, entre os militares, era que «preferencialmente por lá não passassem». Um comandante português da base açoriana descreveu as preocupações dos militares portugueses: «Colocámos a questão da existência das armas nucleares na base. A resposta: montadas não há. Se calhar os americanos têm os componentes. Mas é preciso notar que os Estados Unidos colocam [na base] todo o material necessário em 12 horas”, afirma Nuno Simas, na página 205 do “Portugal Classificado - documentos secretos norte-americanos, 1974-1975”.
Revelações
William Arkin, Robert Norris e William Burr, autores de um artigo sobre o uso de armas atómicas por parte dos militares americanos, publicado, em 1999, no Bulletin of the Atomic Scientists, revelaram, baseando-se em autorizações presidenciais, que armamento nuclear norte-americano “deveria ser depositado em Espanha, Filipinas, Açores, e na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico.
“Robert Norris, perito em armamento nuclear, é da opinião de que «nada aponta para a existência, na Base das Lajes, de armazenamento permanente» de armas nucleares. Mas significa isto que, ao longo dos anos da Guerra-fria, as Lajes nunca armazenaram armamento nuclear?”, pergunta Nuno Simas.
“Não” – responde de seguida – “William Arkin admite que armas deste tipo tenham sido depositadas nos paióis da Base da ilha Terceira, «ainda que temporariamente», devido à avaria de um avião, por exemplo, ou a uma situação de emergência.
Certa era a utilização da base terceirense no “Chrome Dome Program”, o programa americano de utilização de armamento nuclear para um contra-ataque contra a União Soviética, em que uma das rotas passava a 300 quilómetros a Norte dos Açores.
O “Chrome Dome Program” envolvia 12 super-bombadeiros B-52, que levavam nos seus porões bombas termo-nucleares, que seriam atiradas sobre alvos soviéticos ou países integrados no Pacto de Varsóvia, caso a URSS atacasse os Estados Unidos.
Estas aeronaves permaneceram no ar constantemente nas décadas 50, 60 e 70.
“Neste programa “Chrome Dome”, a base das Lajes (…) ao serviço dos Estados Unidos e da NATO, serviria como ponto de apoio, em caso de avaria ou acidente”, revela Nuno Simas, citando a investigação de Hans Kristensen.
Episódios
Há poucos anos, um antigo trabalhador português ao serviço dos militares na base das Lajes, em declarações ao DI, embora pedindo o anonimato, revelou ter visto “homens vestindo fatos semelhantes aos que se usa para retirar o mel das colmeias nos paióis do Cabrito”, envoltos em enorme secretismo e grandes cuidados de segurança.
“Quando esses homens ali estavam, os seguranças portugueses eram mandados sair do local, e eram substituídos por militares armados”, recorda, embora desconhecendo se se tratava de armamento nuclear.
Nessa zona da ilha, os militares norte-americanos mantiveram, durante vários anos, um vasto campo de paióis, hoje abandonado.
Entre esse campo e um outro, hoje propriedade da Força Aérea Portuguesa, situa-se o “Pico Careca”, uma pequena elevação sem vegetação no seu cimo.
Foi nessa área, aliás, rezam as descrições populares, que, em Janeiro de 1968, um segurança português – Serafim Viera Sebastião – terá avistado um Objecto Voador Não Identificado (OVNI).
Vários académicos assumem que a inexistência de vegetação no topo do “Pico Careca” indicia a presença de substâncias que poderão resultar de radioactividade, ou outra qualquer actividade “secreta” que tenha destruído a vida vegetal ali existente.
O professor Félix Rodrigues, do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, confirma – em declarações recentes ao DI - a presença na Terceira de vestígios de urânio, tório e água com níveis de trítio ligeiramente superiores aos níveis ambientais, que não indiciam uma origem geológica, mas não confirmam nem desmentem a hipótese de armas nucleares na ilha. Preconiza, por isso, mais investigações de pormenor e em larga escala.
Investigações
No início deste mês, uma notícia publicada pelo DI dava conta de que, nos anos 90, uma comissão do Senado norte-americano investigou uma queixa de militares americanos, à altura doentes com cancro, onde alegavam terem estado expostos a radiações nucleares na Base das Lajes.
A informação foi confirmada ao jornalista Armando Mendes por Orlando Lima, hoje empresário na ilha Terceira e à altura um dos responsáveis pela segurança ambiental das Feusaçores (era funcionário dos norte-americanos nas Lajes).
Segundo esta fonte, a comissão do Senado deslocou-se à Terceira com secretismo, mas a sua presença nas Lajes foi bem notória. Na altura soube-se que a deslocação teve a ver com a alegada exposição de militares a radiação.
O próprio Orlando Lima adiantou que o dossier foi considerado secreto, informação confirmada por altas patentes militares portuguesas que pediram o anonimato e garantiram nunca ter tido conhecimento dos resultados da investigação.
Os documentos relativos a esta visita, segundo as mesmas fontes, estarão classificados por um período de trinta anos.
Todos estes indícios têm servido para vários investigadores e comentadores da presença americana na ilha Terceira advogarem a necessidade de um estudo aprofundado desta situação. Nem que seja para sossegar as populações, argumentam.
(In DI-Revista)
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O principal obstáculo à participação das tunas prende-se com o custo das passagens para a Terceira. “Um preço exorbitante, não percebemos como é que dentro do próprio país viajamos por 300 Euros. Tendo as aulas começado há poucos meses é complicado para as tunas dinheiro para cá vir”, afirma o líder da TUSA
Perante este cenário a TUSA decidiu realizar o festival nos dias 19,20 e 21 de Março, o que marca um regresso à data em que o Ciclone foi realizado nas suas primeiras três edições.
Quinta edição promete novidades
Nesta altura já está confirmada a presença de quatro tunas no Ciclone, duas portuguesas e duas espanholas.
A TUSA procurou trazer para esta 5ª edição toda os antigos vencedores do festival “mas tal não foi possível por indisponibilidade das tunas”, diz Luís Godinho.
Nesta edição uma das novidades prende-se com o facto de o festival não ficar confinado apenas às actuações no Teatro Angrense e ao desfile na Rua da Sé.
Durante os quatro dias que antecedem o Ciclone as tunas participantes irão actuar num bar de Angra do Heroísmo, uma forma de “promover o convívio e a interacção entre as tunas”, refere Luís Godinho.
Além disso, diz o dirigente da TUSA, “ achamos que não faz sentido as tunas virem à Terceira só pelos dias do festival. Desta forma ficam cá uma semana onde terão oportunidade de conhecer a nossa ilha. Este ano, vamos também finalmente levar a cabo um Jantar Regional para todas as tunas onde vamos mostrar a nossa gastronomia aos nossos convidados do Ciclone”.
(In A União)
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Por outro lado, segundo Francisco Branco, a mosca-da-azeitona mostrou-se uma das pragas mais preocupantes para a sua produção. “Este ano perdemos um pouco por causa da mosca-da-azeitona. Além disso, outras pragas manifestaram-se como o caruncho, a lagarta, as térmitas e o cancro da oliveira”, revela ao nosso jornal. E continua: “A minha colheita foi feita até finais de Setembro, o que não acontecia antigamente, era muito mais tarde, em Outubro”.
Em números, o produtor do Porto Martins, no ramo desde a década de 80, revela que a quantidade de azeitonas sofreu uma diminuição na ordem dos 10 por cento, embora este ano tenha havido um acréscimo de 40 por cento na produção comparando ao ano anterior. Um número que no seu entender poderia ter sido muito superior. “Infelizmente é necessário a utilização dos pesticidas, caso contrário seria difícil colher azeitonas em bom estado. Precisávamos de um químico que afastasse a mosca em definitivo”, sugere.
Na área de cultivo de Francisco Branco, chamada “O Mato do Ti’ Manuel Branco”, existem três variedades de oliveiras, a cobrançosa, a cordovil e, atingindo a maioria, a galega, que originam a azeitona preta, escoada na ilha Terceira. A sua quinta, localizada na freguesia do Porto Martins, recebe com frequência a visita de alunos das escolas básicas para conhecer e aprender o cultivo, a história e a produção das azeitonas. Práticas desenvolvidas entre as crianças que o olivicultor considera determinantes para dar continuidade à tradição.
“As escrituras desta propriedade remontam a 1932 e 1934, pois era dividida em duas. Herdei esta actividade do meu pai e espero que os meus filhos e netos prossigam com o trabalho até agora desenvolvido”, confessa.
Recuando no tempo, desde 1985 que não se verifica uma grande produção de azeitonas idêntica às que haviam na década de 50, considerado o período áureo no Porto Martins. Mas mais antigas revelam-se algumas árvores, que segundo Francisco Branco se situam entre os 150 e 170 anos de idade.
O cultivo da oliveira, introduzida nos Açores pelos primeiros povoadores, requer trabalho e dedicação, durante todo o ano, que para este olivicultor significam “vida” e “amor”.
Actualmente existem cerca de 35 olivicultores no Porto Martins com produções para venda e auto-consumo.
Novas pragas
Contactado pelo nosso jornal, David Horta Lopes, do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores revela que para além destas pragas existe o algodão-da-oliveira, uma outra nova que apareceu este ano. “Trata-se de uma psila que é muito abundante no Continente mas que apenas foi identificada no Porto Martins este ano, em Junho, afectando a mancha de oliveiras que ali existe”.
A origem da mosca-da-oliveira e o seu aparecimento anual, por vezes com níveis populacionais elevados, segundo o professor da Universidade -Centro de Biotecnologia dos Açores, surge como consequência dos frutos infestados que caem no solo.
“Este ano, em Setembro, foram capturados perto dos 2000 adultos em apenas seis parcelas que estamos a monitorizar. Estas populações provem do facto de parte dos frutos caírem para o solo infestados com larvas desta mosca no seu interior, e servirem de material para assegurar da existência e viabilidade de populações futuras desta praga”, sustenta.
No Continente os maiores problemas da oliveira são causados pela praga da “traça-da-oliveira” e a “gafa”, esta última uma doença que não existe nos Açores.
Este ano as condições climatéricas foram “óptimas” para o desenvolvimento da oliveira, razão pela qual a produção tenha aumentado e para que se registe um adiantamento nas colheitas da azeitona. “Isso leva a um avanço no desenvolvimento dos diferentes estados fenológicos da cultura, diferentes fases desde o aparecimento de novas folhas e gomos florais até à floração e formação do fruto”, explica David Horta Lopes, acrescentando que “Já em 2003, como o nosso clima tem um Inverno ameno e a temperatura é mais ou menos constante ao longo do ano, se registava um adiantamento de cerca de um mês em relação à colheita no continente”.
Estudos da UA
Segundo David Horta Lopes, a Universidade dos Açores (UA) realizou, em 2003, um trabalho de estágio em oliveiras “pioneiro na identificação e monitorização dos problemas fitossanitários que afectam a produção da mancha olivícola do Porto Martins”. Esse trabalho, retomado em 2008, em colaboração com os Serviços de Desenvolvimento Agrário da Terceira (SDAT), consiste no “acompanhamento de seis parcelas seleccionadas dentro de toda a mancha, a diferentes cotas altimétricas, onde foram observados e monitorizados a traça, mosca, algodão, tripes e cochonilhas, quinzenalmente, através da colocação de armadilhas com atractivo alimentar e feromona sexual”, especifica o professor.
Na monitorização da mosca foram inclusive realizados testes de diferentes tipos de armadilha e atractivos alimentares, sendo que foram também avaliados os prejuízos causados pela mosca através da recolha de frutos no início e maior altura da colheita. Dados que, de acordo com David Horta Lopes, permitiram já determinar a curva de voo da mosca para este ano e definir o mês de Setembro como a altura de registo do maior pico populacional da mosca. “Pretendemos com este estudo ajudar o olivicultor do Porto Martins na definição da oportunidade de tratamento desta praga e mostrar-lhe que existem outros meios de protecção capazes de lhe dar essa informação e limitar esta praga para além dos químicos numa perspectiva de trabalho que se denomina de protecção integrada”, conclui.
(In Sónia Bettencourt - A União)
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