sexta-feira, março 27, 2009

Lajes: LNEC estuda contaminação dos solos

A autarquia da Praia da Vitória vai pagar mais de 600 mil euros ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) para estudar a eventual contaminação dos solos do concelho, por combustíveis dos depósitos norte-americanos da Base das Lajes.
Em declarações à Agência Lusa, Roberto Monteiro, presidente da edilidade praiense, adiantou que «os trabalhos começam no próximo mês de Abril» e foram co-financiados pelo governo regional através de um contrato de cooperação com a autarquia.
«O estudo visa o diagnóstico e análise, através de perfurações em locais pré seleccionados, da situação dos solos e consequente revelação dos resultados sobre a contaminação, ou não por combustíveis», explicou o autarca.
Roberto Monteiro garantiu que «se pretende apurar até ao máximo do pormenor qual a situação dos solos e da qualidade da água para consumo público».
No ano passado, Félix Rodrigues, investigador da Universidade dos Açores, confirmou que «tinha contactado com um estudo hidrológico de 2005, efectuado por empresas norte-americanas, cujos valores eram preocupantes quanto à contaminação» [dos solos].
«A confirmar-se uma elevada contaminação dos solos com hidrocarbonetos e metais pesados há perigo para a saúde humana», frisou o investigador.
Também em declarações à Agência Lusa a professora da Universidade dos Açores, Adelaide Lobo, garantia que «ao longo de duas décadas e meia de análises às águas de consumo público na ilha Terceira nunca foram detectados hidrocarbonetos ou metais pesados».
«Foram realizadas análises rigorosas até 2005 nos aquíferos profundos e águas superficiais, incluindo no Instituto Fresenius (Wiesbaden-Alemanha), por cromatografia gasosa, e nunca foi detectada a presença daqueles produtos poluidores», sublinhou.
Adelaide Lobo justificou a inexistência de hidrocarbonetos e metais pesados nas águas e solos da ilha pelo facto de «os solos serem vulcânicos o que permite uma absorção elevada à superfície o que impede qualquer contacto com os aquíferos ou nascentes».
Também a consulesa dos EUA assegurou que «nenhuma análise efectuada às águas do consumo público revelou sinais de contaminação», classificando como «irresponsabilidade» as notícias que indicavam a existência da contaminação daquelas águas.
Para terminar com as dúvidas, apurar responsabilidades e encontrar soluções a autarquia decidiu avançar para um estudo realizado por entidade competente na matéria.
Roberto Monteiro conseguiu ultrapassar as reservas iniciais da consulesa dos EUA nos Açores, Jean Manes, sobre a capacidade técnica e cientifica do LNEC para elaborar o estudo.
«O acordo com Jean Manes assegura que os resultados serão indiscutíveis e que as recomendações apontadas serão implementadas», acrescentou.
O estudo deverá estar concluído no primeiro trimestre de 2010.
(In Portugal Diário)

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segunda-feira, março 16, 2009

Acordo Antigo - Câmara da Praia pode vender água aos americanos

Paulo Messias, vereador na Câmara Municipal da Praia da Vitória, revelou ontem, em conferência de imprensa, que existe um protocolo antigo que permite a venda de água aos americanos estacionados nas Lajes. O documento, assinado nos primeiros mandatos de José Fernando Gomes (ex-presidente da autarquia), prevê o licenciamento dos furos abertos pelos militares no concelho e em contrapartida os americanos comprometem-se a comprar uma certa quantidade de água à autarquia.Este acordo, com assinaturas da Força Aérea Portuguesa e dos americanos, era desconhecido dos actuais autarcas praienses. Quanto ao facto da câmara nunca ter vendido água às forças americanos nas Lajes, Paulo Messias explicou que “provavelmente” nunca houve água disponível com abundância para poder vender à base. Situação que, segundo o autarca, com os caudais actuais, ainda é impossível”. A informação foi dada aos jornalistas num encontro em que a Praia Ambiente anunciou que este ano pretende melhorar significativamente a quantidade e a qualidade da água no concelho. Com um plano de investimentos superior a dois milhões de euros, esta empresa municipal pretende “aperfeiçoar o sistema de desinfecção e tratamento de água captada e abrir novos furos”. O reforço dos caudais disponibilizados para as freguesias abastecidas pelo sistema Ribeirinha/Cabo Praia (que fornece água às freguesias de Porto Martins, Fonte do Bastardo e Cabo da Praia) é uma prioridade.No ano transacto algumas destas localidades foram prejudicadas com o plano de cortes de água implementado pelo concelho de Angra. A autarquia praiense pretende agora resolver o problema com a realização de um furo no início da freguesia da Fonte do Bastardo e a ligação à rede de outro que existe no Pico da Favas. Nos Biscoitos também estão previstos investimentos.A Praia Ambiente vai ligar à rede um furo existente, na zona alta da freguesia, para reforçar os caudais que servem a localidade e as freguesias de Altares e Raminho. “Esta captação intercepta uma aquífero suspenso, bastante produtivo e com água de boa qualidade”, revelou Paulo Messias.Para melhorar a qualidade de água no centro da cidade da Praia da Vitória, que é captada em furos e (alguns meses) em pequenas nascentes da Casa da Ribeira, a empresa municipal vai canalizar água das nascentes da Ribeira da Agualva.De acordo com os responsáveis pela Praia Ambiente a mistura da água da Agualva no sistema da Praia vai “melhorar significativamente a qualidade da água captada nos furos (à qual estão associados fenómenos de intrusão marinha).A Praia Ambiente divulgou ainda que vai proceder, em parceria com a Universidade dos Açores, à abertura de um furo para identificação de aquíferos nas Fajãs (junto ao Clube do Golfe). “Suspeita-se que existe água de qualidade naquela zona”, explicaram.LNEC na Praia em Abril O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) deverá começar o estudo sobre a eventual contaminação dos solos e aquíferos da Terceira na primeira semana de Abril.Paulo Messias, responsável pela Praia Ambiente, revelou ontem que este Laboratório será a única entidade responsável por este estudo para evitar especulações e diminuir a morosidade dos concursos públicos parcelares em tarefas, que numa fase inicial, estavam definidas como sendo da responsabilidade da autarquia.O vereador garantiu que a inclusão destes pormenores no acordo com o LNEC, bem como a inserção de algumas tarefas solicitadas pelo governo e a aprovação do Plano e Orçamento da Região (que permite o financiamento previsto no contrato ARAAL) foram as causas do atraso na assinatura do contrato com o LNEC. “Estas questões já estão ultrapassadas”, disse.Paulo Messias assegura que a água para consumo na Praia da Vitória tem sido monitorizada com rigor e regularidade e, por isso, pode afiançar que não há qualquer suspeita de contaminação. Contudo, o estudo é fundamental para perceber se no futuro existe, ou não, perigo de contaminação dos aquíferos.O principal objectivo do estudo é a avaliação ambiental da qualidade dos recursos hídricos subterrâneos, onde existam captações, “que estejam a ser ou possam vir a ser afectadas por situações de poluição associadas às infra-estruturas da Base das Lajes”. Incluindo instalações militares fora do perímetro da militar.A equipa responsável por este estudo propõe a execução de 14 furos de ensaio (dois por perímetro) e de sete sondagens de amostragem (uma por perímetro).O LNEC, na proposta apresentada, definiu como perímetros: “ Areeiro, Pico Celeiro; Vale Farto; Canada da Saúde; Juncal; Fontinhas e nascente da Caldeiras das Lajes”. Contudo o Laboratório admite alterações das localizações em função dos dados “que venham a ser obtidos nas campanhas de campo”. Este estudo, intitulado “análise e parecer sobre a situação ambiental nas áreas de captação dos furos de abastecimento do concelho da Praia da Vitória”, deverá estar concluído num prazo de 9 meses.

(In A União)

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Praia Ambiente investe 2 Milhões

A Praia Ambiente vai investir dois milhões na captação de água.O presidente da empresa explicou, também hoje, os atraso no estudo do LNEC sobre a alegada contaminação do aquífero base da Terceira.

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sexta-feira, janeiro 16, 2009

Detonações e Falta de Água

O rebentamento de explosivos numa pedreira localizada a cerca de um quilómetro da Furna da Água não terá sido a causa dos danos detectados na estrutura daquela nascente do concelho de Angra do Heroísmo.Essa é a convicção de Cota Rodrigues, especialista em recursos hídricos, que argumenta que nenhuma das estruturas que ficam perto da pedreira (escritórios, armazéns, paredes com pedra solta e uma ermida) apresenta sinais de danos provocados pelas vibrações dos rebentamentos de explosivos.“Não é fisicamente possível que as vibrações da pedreira se tivessem apenas dirigido para as nascentes e aquíferos”, afirmou. Cota Rodrigues aponta como causa mais provável para o desabamento de parte de um túnel da Furna da Água da nascente as vibrações provocadas pelo trânsito de veículos. O túnel artificial está localizado por debaixo de uma estrada.No entanto, o especialista em recursos hídricos fez questão de frisar que as suas convicções não assentam “em registos sísmicos” mas na análise dos dados disponíveisReferiu, ainda, que as arroteias que estão a ser efectuadas na Caldeira Guilherme Moniz estão a ter um impacto negativo na retenção e infiltração de água nos aquíferos.Quanto à diminuição dos caudais, assegura que o facto de se ter registado menos 50 por cento de precipitação entre Agosto e Dezembro do ano passado pode ser o motivo porque há escassez de água nas nascentes.

(In Diário Insular)

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sábado, janeiro 10, 2009

Contaminação na Praia da Vitória ainda sem estudo

A Câmara Municipal da Praia da Vitória não avança uma data para a adjudicação ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) do estudo sobre a eventual contaminação de solos e aquíferos no concelho.De acordo com informação adiantada pelo chefe de gabinete do município, Osório Silva, “a câmara municipal não tem nada a acrescentar e o processo está a decorrer na normalidade”, sendo que “em breve se irá pronunciar sobre o contrato e o projecto”.Segundo a mesma fonte, aquando da assinatura do contrato viajarão até à Terceira responsáveis pelo LNEC, sendo, nessa altura, revelados mais detalhes sobre o estudo em si.Recorde-se que a 26 de Novembro do ano passado o presidente da câmara praiense afirmava esperar ter, em Dezembro, as condições para adjudicar ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) o estudo sobre a eventual contaminação de solos e aquíferos do concelho. Na altura, a câmara municipal aguardava a aprovação do orçamento necessário, ao que se seguiria a assinatura do contrato que daria ao município os meios para adjudicar o estudo ao LNEC. Só depois seria feita a adjudicação.Roberto Monteiro adiantava que, apesar dos atrasos na adjudicação, a demora seria compensada. “Tudo está reunido para que, até ao final de 2009, se conheçam os resultados”, concluiu.Mais de meio milhão de euros, cerca de 180 mil para o trabalho do LNEC e mais 350 mil para processos que o laboratório de engenharia contratará com outras empresas, é quanto se prevê que custe o estudo.Contactado por DI, o professor da Universidade dos Açores, Cota Rodrigues, que esteve na origem da denúncia da eventual contaminação, recusou comentar os atrasos no arranque do estudo do LNEC, afirmando que o seu dever está cumprido e que resta agora às autoridades responsáveis conduzirem bem o processo.Na origem desta eventual contaminação de solos e aquíferos estará o facto de os norte-americanos estacionados na Base das Lajes terem depositado no solo da ilha Terceira, entre os anos cinquenta e meados dos anos noventa do século passado, lamas compostas por hidrocarbonetos, metais pesados e água, que resultam da lavagem dos tanques de combustível, do Tank Farm.

(In Diário Insular)

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sábado, janeiro 03, 2009

Principais notícias regionais de 2008

Janeiro
Lei do tabaco é bem recebida

O início do ano de 2008 fica marcado pela entrada em vigor da nova lei do tabaco. A maioria dos estabelecimentos de restauração e bebidas da Terceira adere ao regime de não fumador, com os clientes a encararem bem a mudança. No hospital de Angra do Heroísmo, as consultas de desabituação tabágica disparam.A entrada no novo ano é também acompanhada de um aumento dos preços de bens e serviços, como energia, farinha e transportes públicos. Em Janeiro, a Universidade dos Açores vê-se sob ameaça de gestão controlada por parte dos ministérios do Ensino Superior e das Finanças. O estabelecimento de ensino superior açoriano debate-se com um défice previsional de 4,4 milhões de euros para o ano que começa. Uma onda de assaltos varre várias freguesias da ilha Terceira, com o PSD a pedir a reactivação dos conselhos municipais de segurança e o CDS/PP a defender criação de polícias municipais.Ainda em Janeiro, é anunciada a existência de negociações entre Portugal e os EUA para a criação de uma zona de treino aéreo no Atlântico, com base nas Lajes. Carlos César reconfirma a sua candidatura à liderança do PS/Açores e prepara o programa eleitoral que colocará a sufrágio em Outubro. A fechar o mês de Janeiro, é inaugurado o Terminal de Combustíveis da Praia da Vitória.
Fevereiro
César reeleito paraa liderança do PS
O mês de Fevereiro arranca com as danças e bailinhos de Carnaval a animarem os salões terceirenses. Face ao clima de insegurança que se vive na Terceira, o Conselho de Ilha pede o reforço das acções de patrulhamento realizadas pela PSP.O SABCES-Açores ameaça interpor um processo cível contra o Estado português, caso não seja encontrada uma solução para o problema dos aumentos salariais na Base das Lajes.Carlos César vence com 99,6 por cento dos votos as primeiras eleições directas do PS/Açores. A CGTP propõe a criação de uma comissão açoriana que estude a Base das Lajes e garanta informação constante à Região num eventual processo de revisão do Acordo com os EUA. EUA e Portugal confirmam a vontade de Washington em usar as Lajes para o treino de aviões a Norte da Terceira. Os Açores assistem, no mês de Fevereiro, a um eclipse total da Lua. Ainda no segundo mês do ano, os sindicatos que representam os trabalhadores portugueses na Base das Lajes apertam o cerco a Portugal exigindo o cumprimento do Acordo Laboral naquela infra-estrutura militar. As estruturas sindicais confirmam que vão avançar para os tribunais, reivindicando aí que Portugal assuma a factura laboral, já que os EUA não cumprem.
Março
TAP e SATA sob averiguações
O início do mês de Março fica marcado pela decisão da Comissão Nacional de Protecção de Dados de proibir a TAP e a SATA de digitalizar os documentos pessoais dos passageiros residentes nos Açores e na Madeira. A TAP recorre da decisão e a Comissão Nacional de Protecção de Dados abre um processo de averiguações para apurar se as companhias aéreas mantêm essa prática.Dados divulgados no mês de Março revelam que Portugal registou em 2007 uma descida do rendimento agrícola de cinco por cento, contra um aumento de 5,4 por cento da média comunitária. A falta de formação é uma das causas apontadas.O PS apresenta no parlamento açoriano uma ante-proposta de lei que visa a criação de um regime especial das polícias municipais nos Açores e a existência de forças intermunicipais.Um Relatório da Autoridade Marítima Nacional conclui que o acidente do navio “Ilha Azul” na Graciosa, em Agosto de 2007, foi provocado pelo vento.O Comandante americano da Base das Lajes defende a reactivação de um grupo de representantes dos trabalhadores portugueses. Os sindicatos contestam, alegando “ilegalidade gravíssima”.No final do mês, o primeiro-ministro José Sócrates anuncia uma descida da taxa do IVA, que nos Açores passa de 15 para 14 por cento.
Abril
Água em risco de contaminação
O mês de Abril arranca com a aprovação unânime por parte da Assembleia da República da proposta açoriana para a revisão do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, na generalidade. O documento baixa à Comissão dos Assuntos Constitucionais para o debate na especialidade.O PSD/Açores pede explicações à SATA e ao Governo Regional sobre os contornos do negócio com a Bombardier para a renovação da frota da transportadora açoriana, na sequência do recurso da ATR, preterida no concurso.Um temporal sentido a meados do mês de Abril provoca estragos no molhe do Porto Comercial da Praia da Vitória.Cota Rodrigues, professor da Universidade dos Açores, alerta para uma mancha de poluição no nível superficial do aquífero das Lajes, que terá sido provocada pelo derrame de combustível. A água consumida no concelho da Praia da Vitória pode estar em risco de contaminação por hidrocarbonetos. A autarquia praiense diz que vai estudar o assunto.Carlos César admite pela primeira vez liberalizar os céus dos Açores, no encerramento do XIII Congresso Regional do PS/Açores.No final do mês, as obras no porto da Graciosa obrigam ao encerramento da infra-estrutura a navios com mais de 60 metros, como é o caso do “Ilha Azul”.
Maio
Tomás de Borba Inaugurada

Maio é marcado pela inauguração da Escola EBS Tomás de Borba, em São Carlos. A escola é considerada uma das melhores do país e promete aliar o ensino regular ao artístico.Este é também o mês em que a nova presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Andreia Cardoso, apresenta o elenco camarário que a irá acompanhar ao longo do mandato. O escândalo da possível contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória continua na ordem do dia. A um de Maio, DI avança que o aquífero de base da Terceira já foi atingido por hidrocarbonetos e metais pesados na zona da Praia da Vitória e que há grandes áreas de terrenos também contaminados.Este caso teve repercussão em vários órgãos de comunicação social nacional.Depois de este jornal ter apresentado a confirmação de que esta contaminação já existia desde, pelo menos, 1995 e ter avançado dois documentos norte-americanos que a provavam, o presidente do Governo Regional, Carlos César, veio a público garantir que os “responsáveis serão punidos”.A torrente de notícias sobre o caso não deixou de provocar polémica. O general Luís Araújo, responsável máximo pela Força Aérea, veio à Terceira estranhar o tempo e a motivação na divulgação da provável contaminação.
Junho
Patrimónioem festa e debate

Há entrevistas que marcam a opinião pública. É o caso da concedida pelo filósofo Mário Cabral a DI, a encerrar o mês de Junho. Mário Cabral confessava que nada lhe parece verdadeiro em Angra, que mais não é do que “um cenário de bonecas”.“Angra fazia bem em conhecer-se a si própria e, deste modo, continuar aquilo que é a sua essência, em vez de estar a fingir tolamente ser uma cidade contemporânea. O êxtase parolo com que as pessoas referem a hora de ponta (...) Procurar fazer de Angra uma Lisboa em miniatura é kitch. Ninguém minimamente elaborado vem procurar metrópole na província”, afirmou o filósofo, avançando ainda que vê “as elites responsáveis divertirem-se com vulgaridades”.No ano em que se comemora os 25 anos da classificação de Angra do Heroísmo como Património Mundial da Humanidade, a cidade recebeu não só o debate sobre a matéria, mas ainda umas festas Sanjoaninas dedicadas a este tema.Por Angra, multiplicaram-se os restaurantes e actuações vindos de várias cidades portuguesas Património Mundial.Junho é ainda o mês em que a nova presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Andreia Cardoso, apresenta os objectivos para o seu mandato. Um terminal de cruzeiros para a cidade é uma das promessas.
Julho
Lusitânia bate no fundo
Após um longo arrastamento, a crise no Lusitânia atinge um dos seus pontos mais negros, com o dirigente João Orlando Rebelo a admitir, em declarações exclusivas a DI, que “existe o sério risco de o clube não participar na Série Açores de futebol e nas competições nacionais de basquetebol”.Na altura já era público um passivo de cinco milhões de euros, sem soluções à vista. O clube depositava esperança na direcção regional do Turismo disponibilizar as verbas pela utilização da palavra Açores na época finda e no possível êxito de negociações com o Banco Português de Gestão (BPG).A 21 surgiam informações de que o Lusitânia devia ver desbloqueada em pouco tempo, por parte do Governo Regional, a transferência de 400 mil euros, o que viabilizaria a época desportiva de 2008/2009.O certo é que o clube acabaria mesmo por não competir nas competições nacionais de basquetebol.O final do mês é marcado pelo chumbo do Tribunal constitucional a oito normas do Estatuto Político Administrativo dos Açores, obrigando o documento a regressar à Assembleia da República.Impulsionada pela falta de concorrência, a subida do preço dos bens alimentares na Região, a mais alta do país, revela que a crise está a ganhar contornos cada vez mais pesados no arquipélago.
Agosto
Falta de água atinge Angra

Agosto é o mês em que a falta de água começa a atingir o concelho de Angra do Heroísmo, com o inicio do plano de cortes diários em 17 freguesias. Quando anunciou o plano de cortes, a presidente dos Serviços Municipalizados, Sofia Couto, justificou a escassez de água com a falta de chuva, que não cairia abundantemente na ilha desde Junho. Os caudais de água no concelho estavam na altura entre cerca de 15 a 29 por cento do seu máximo de captação. Poucos dias depois do anúncio do inicio do plano de cortes, o PSD de Angra do Heroísmo acusou os serviços municipalizados de falta de investimentos na rede de água, alegando desperdícios e cortes no abastecimento público, críticas que a câmara recusou.Para além dos cortes que prejudicavam a população, também a lavoura se afligia com a situação. No final de Agosto, a Associação Agrícola da Ilha Terceira avançava estar preocupada com a possibilidade de a água se esgotar na Lagoa do Cabrito, quando as previsões não apontavam para chuva.Este foi ainda o mês em que a Praia da Vitória recebeu, em festa, as “Sete Maravilhas de Portugal”. Ficou também marcado pela subida do crime violento nos Açores, sobretudo em contexto familiar, conforme alertava o sociólogo da PSP, Alberto Peixoto.
Setembro
Economia paralela AFECTA EMPRESAS
Com a crise mundial a ecoar pelo mundo, a Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo veio a terreiro, ameados de Setembro, denunciar algo comentado em surdina: a economia paralela estava a afectar, consideravelmente, as empresas açorianas. Segundo a mesma fonte, os negócios para lá da lei já representavam 40 por cento do Produto Interno Bruto regional.O mês começara com a conclusão do relatório da Assembleia Regional sobre o impacto da Base das Lajes na economia açoriana. O documento defendia que os custos pela presença americana na Terceira deviam ser assumidos por Lisboa.Isto quando a falta de água continuava a afectar os angrenses. No meio dessa polémica, que se arrastou por vários meses, vários especialistas defendiam a gestão integrada desse recurso na ilha, actualmente dividida por cinco entidades. O IROA, entretanto, anunciava investimentos para garantir água à Lavoura em 2009.A 12 de Setembro, quantro helicópteros Puma regressavam às Lajes, para safar os EH-101 Merlin, a braços com falta de manutenção.Na recta final do ano, o Governo Regional anunciou a classificação da vasta colecção de arte de Francisco Oliveira Martins e a Assembleia da República, por unanimidade, aprovava uma nova revisão do Estatuto dos Açores, entretanto vetado por Belém.
Outubro
César renova MAIORIA ABSOLUTA
Outubro ficou marcado pelas eleições regionais, que garantiram a Carlos César a reeleição para a Presidência do Governo (o seu quarto e último mandato) e ao PS nova maioria absoluta na Assembleia Legislativa dos Açores.As eleições ocorreram a 19, com o PSD a ficar sem líder: Costa Neves aceitou a derrota e abandonou a liderança do partido e, dias depois, confirmou deixar o parlamento regional.No final do mês, os social-democratas açorianas viram Berta Cabral anunciar a sua candidatura à presidência do PSD/Açores, que veio a ganhar no início de Dezembro.No final de Outubro é anunciado pelo Presidente da República o segundo veto - desta vez, político - ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores.Cavaco Silva acusava o documento de atentar contra os seus poderes. Na resposta, César criticou o “dramatismo” do chefe de Estado.O início do mês ficou marcado pelo aviso do presidente da Câmara Municipal da Calheta para o risco de derrocada nas fajãs de São Jorge e pela confirmação de que duas mil empresas açorianas tinham ordenados em atraso, o que mostrava que a crise mundial estava nas ilhas.O Governo Regional, entretanto, anunciava, a meio do mês, que o Orçamento de Estado era simpático para com a Região.
Novembro
Bens do Estado A RUIR OU À VENDA
O mês de Novembro começou com o líder parlamentar do PSD na Assembleia da República a ameaçar o Estatuto dos Açores com um pedido de fiscalização sucessiva do artigo 114º, um dos dois contestados pelo Presidente da República.Dias depois, o ex-presidente do Governo Regional e deputado do PSD no parlamento, Mota Amaral, defendia publicamente uma aliança entre a Madeira e os Açores pelo aprofundamento constitucional da Autonomia.A 04, os Estaleiros de Viana do Castelo confirmavam que o projecto de um dos navios encomendados pela Região tinha defeitos e que a conclusão da embarcação ia atrasar.Na segunda semana de Novembro, a muralha do Castelinho voltada à baía das Águas ruiu, demonstrando a falta de conservação a que estão votados vários bens do Estado na Região. Dias depois, o Ministério da Defesa anunciou a lista de património disponível para venda ou alienação. Nela destacava-se o hospital da Boa Nova, há muito reivindicado pela Região.Nessa semana, o X Governo Regional tomou posse, assim como os deputados na Assembleia Legislativa dos Açores.No final do mês, vários especialistas da Universidade dos Açores, num colóquio no pólo no Pico da Urze, garantiram que a chuva caiu nas quantidades normais na ilha Terceira durante 2008.
Dezembro
Estatuto avançano meio de críticas

Dezembro terminou com a promulgação do Estatuto Político-Administrativo dos Açores pelo Presidente da República.Numa mensagem ao País, Cavaco Silva anunciava a assinatura do documento, mas endereçava duras críticas à Assembleia da República.Esta, a 19, confirmara o documento pela 3ª vez, sem atender aos apelos do chefe de Estado.O mês, na Região, começou com o presidente do Governo Regional, Carlos César, a anunciar menor pressão fiscal sobre os açorianos em 2009, assim como um pacote de medidas para ajudar as empresas insulares a enfrentarem a crise financeira.Em paralelo, o chefe do executivo açoriano foi enviando recados à líder do maior partido da oposição.Berta Cabral, a 16, venceu as eleições internas no PSD/Açores e anunciou que pretende abrir o partido à população. Pelo meio, foi garantindo - em resposta a César - que para ela os Açores estão primeiro.Por essa altura, a Assembleia Municipal de Angra aceitou o Orçamento da autarquia para 2009, com o abastecimento de água no concelho a merecer a maior fatia de verbas.No final do mês, o presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira, Paulo Simões, veio a terreiro avisar que mais descidas no preço do leite punham em risco várias explorações na ilha.

(In Diário Insular)

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domingo, dezembro 28, 2008

O Relatório Hidrogeológico

Félix Rodrigues
Na passada terça-feira, o Doutor João Lopo Mendonça, Hidrogeólogo, escreve um artigo de opinião neste jornal, intitulado “Ainda a questão da água no Concelho de Angra do Heroísmo”. Nele tece um conjunto de críticas, directas e indirectas, à minha pessoa e aos meus colegas Francisco Cota Rodrigues e Eduardo Brito de Azevedo. Não me compete defender os colegas do Departamento de Ciências Agrárias anteriormente mencionados, pois eles sabem-no fazer muito bem, nem tão pouco a Doutora Emília Novo, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, também visada e escarnecida nesse artigo, apesar de nunca se ter pronunciado sobre o relatório produzido pelo Doutor Lopo Mendonça.Pensei numa primeira fase em não responder à provocação, todavia, não me pareceu adequado virar as costas a comentários e opiniões que beliscam a minha integridade, apesar da época natalícia, de fraternidade e de perdão.O Doutor Lopo Mendonça afirma, referindo-se à sua última passagem pela ilha Terceira que: “Desta vez, porém, parece que a minha vinda foi completamente desnecessária e aparentemente não muito apreciada por alguns. Ou será que os comentários vêm camuflados como técnicos e têm razões políticas? Se assim for, este esclarecimento é desnecessário, o tempo gasto a escrevê-lo considero-o como perdido e os comentários não dignificam os eminentes técnicos e cientistas que os emitiram.”.Pelo que me diz respeito, a sua vinda não foi depreciada, nem tão pouco o seu trabalho. Não me competia recebê-lo de forma entusiástica, nem tão pouco, pelo facto de o não ter recebido, ter que omitir qualquer opinião sobre um documento tornado público numa conferência de imprensa, na qual esteve presente. Há dois aspectos que gostaria de tornar claros:1- Sou docente universitário e investigador;2- Sou membro da Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo.Nesse contexto, não consigo distinguir, como o fazia a Ivone Silva na Olívia Empregada e Olívia Patroa, os dois aspectos. Sempre tive o cuidado de, consoante o contexto, me posicionar numa posição mais política ou numa posição mais técnica. Não vem mal nenhum ao mundo por se assumir ter uma postura política, onde se assume também que há um conjunto de deveres ao qual um indivíduo, seja investigador ou não, está sujeito em relação à sociedade em que vive. A minha cidadania é um direito e um dever.Quanto aos comentários proferidos que não dignificam os eminentes técnicos e cientistas, acho estranho que seja o primeiro citado nesse artigo quando produzo a seguinte opinião, também ela tornada pública: “…. as causas avançadas pelo professor Lopo Mendonça já foram referidas quer por mim, quer pelo professor Brito de Azevedo ou pelo professor Cota Rodrigues”. O senhor Doutor Lopo Mendonça entra muito tardiamente nessa discussão. Ela começa muito antes da sua vinda à Terceira. É exactamente na sequência dessas discussões públicas que ele acaba por entrar em palco. Não quererá ele, certamente, que paremos de discutir as questões da água no nosso Concelho só porque não está presente ou vive em Lisboa. Antes da sua vinda, já se tinham discutido as questões climáticas, as questões da precipitação oculta e arroteamento, a possível ruptura do imperme dos aquíferos e as questões da gestão integrada da água na ilha Terceira, entre outras. Assim sendo, não percebo a razão pela qual teria que afirmar que o relatório que produzido e tornado público, era inovador. No relatório, aparecem as mesmíssimas hipóteses explicativas que tinham anteriormente sido apresentadas em público. Nada tenho contra a pessoa ou técnico, que diz não me conhecer pessoalmente, apesar de eu o conhecer pessoalmente de discussões semelhantes, há anos atrás, aqui mesmo na ilha Terceira, e em encontros científicos da área noutros locais. Faz algum tempo, é verdade, e todos nós lembramo-nos melhor de umas pessoas do que de outras.O Doutor Lopo Mendonça afirma, ainda, referindo-se à minha pessoa, que “a verdade é que, apesar de tão douto conhecimento, Angra do Heroísmo continuou com cortes de água durante muitos meses”. Essa observação ou essa acusação é, no mínimo, estranha. Teria que ser eu, no exercício da minha cidadania, a resolver o problema de falta de água no Concelho de Angra do Heroísmo? E o Doutor resolveu-o com o seu estudo pago pelo erário público?O Doutor Lopo Mendonça afirma ainda outras coisas estranhas, que só se compreendem pelo facto de ter sido mal informado: “Por outro lado, é altamente reconfortante ver o meu trabalho escrutinado por tanta gente e num encontro científico que, de acordo com os relatos, teve entre outros objectivos contrariar as minhas opiniões ou aprofundá-las por professores da Universidade dos Açores”.O Doutor Lopo Mendonça está-se a referir a um evento realizado durante a Semana da Ciência e Tecnologia”, organizada pelo Departamento de Ciências Agrárias, cujo temática era “Teorizar as crises”. Nessa semana abordaram-se questões sobre alterações climáticas globais, crise da biodiversidade, e entre outros aspectos, também os recursos hídricos na Terceira.No evento que menciona, onde estive presente, não ouvi uma única vez ser proferido o seu nome. Também não foram feitas menções, nem uma única vez, ao relatório que o Doutor Lopo Mendonça produziu para a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.Quando no artigo de opinião a que me refiro, o Doutor Lopo Mendonça afirma “Tivessem-me dito, pelo menos o professor Cota Rodrigues sabia da minha presença e até trocámos impressões sobre o tema, e teria abandonado imediatamente o espaço que, pelos vistos, já pertencia a outros”, até parece que alguém tem algo contra ele ou que havia negócios escuros com a encomenda desse estudo. Se os há ou houve, desconheço. Se alguém sabe de algo que se pronuncie.Todos os comentários que ouvi, sobre a escolha da Câmara Municipal, de ser o Professor Lopo Mendonça a realizar o estudo, foram abonatórios, o que não quer dizer que esse estudo tivesse trazido algo de novo em termos de hipóteses interpretativas, pois todas elas já tinham sido levantadas. Nada acrescentei sobre a qualidade científica do trabalho, para merecer tal ataque desconcertado.Também da minha parte, este assunto fica encerrado.

(In Diário Insular)

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segunda-feira, dezembro 01, 2008

Chuvas intensas, via-rápida, furos geotérmicos e arroteias

O aumento das chuvas intensas, as obras na via-rápida, a realização de furos geotérmicos e as arroteias (transformação de zonas florestais em pastos) foram algumas das causas apontadas para a falta de água no concelho de Angra, no colóquio promovido ontem pela Universidade dos Açores no Campus de Angra do Heroísmo, na Semana da Ciência e Tecnologia.
Segundo Francisco Cota Rodrigues, especialista em recursos hídricos, “há uma relação directa entre a precipitação e o caudal dos aquíferos suspensos, que têm uma capacidade de armazenamento muito baixa, da ordem de dias”. “Em períodos muito longos de precipitação, esses caudais desaparecem”, explicou. O especialista referiu, por outro lado, que os problemas verificados num dos furos do aquífero dos Cinco Picos deveu-se à entrada em funcionamentos dos três furos situados a sul “muito mais cedo”, como consequência de perdas provocadas pelas obras da via-rápida. Acrescentou ainda que “todos os furos geotérmicos realizados na Caldeira do Guilherme Moniz, na zona do Cabrito, intersectaram lençóis de água subterrânea, uma vez que são compatíveis com a sua quota”. A diminuição da precipitação oculta provocada pelas arroteias em zonas florestais e turfeiras foi outra das questões abordadas no colóquio.
(In Diário Insular)

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sexta-feira, novembro 21, 2008

Proposta de plano geral de abastecimento de água para Angra

Os vereadores do PSD em Angra do Heroísmo vão propor a realização de um plano geral de abastecimento de água para o concelho, uma iniciativa que será apresentada na reunião camarária agendada para esta noite e que surge na sequencia "dos graves constrangimentos derivados de problemas no abastecimento de água em Angra e também em algumas zonas do concelho da Praia da Vitória", bem como "da falta de uma intervenção pronta e eficaz da autarquia mediante uma situação que é bastante grave", explicou a social-democrata Carla Bretão.
O plano deverá constituir "uma base estratégica para melhorar a qualidade da distribuição de água e, como o próprio nome indica, deverá ser considerado como um instrumento de trabalho indispensável para orientar a câmara, através dos seus serviços municipalizados (SMAS), no planeamento de tudo o que diz respeito ao abastecimento de água ao concelho, para que não se repita, a curto ou a longo prazo, a actual crise", esclarece a autarca.
Referindo-se a uma situação "que ainda se vive, e após sucessivas explicações, insuficientes, avançadas pela autarquia", os representantes do PSD consideram ser fundamental "investir, com perspectiva de futuro, mas conhecendo o presente", um objectivo que só será alcançado "se existir um plano orientador", sendo que Carla Bretão e Paulo Marcelino dizem que o estudo recentemente apresentado pela câmara sustenta "uma série de supostas explicações, mas apenas indicando soluções de actuação que são pontuais", explicam.
Assim, e face a um problema "vivido e sentido pela população e pelas empresas do concelho", os social-democratas consideram ser necessário "muito mais do que um simples elencar de investimentos desprovidos de qualquer enquadramento estratégico", de modo a que esses mesmos investimentos "que vão sendo realizados, não sejam de puro remendo, como agora acontece", diz Carla Bretão.
A iniciativa dos vereadores laranja compreende "caracterizar, diagnosticar e fazer uma análise prospectiva dos recursos hídricos, superficiais e subterrâneos, do concelho", de onde deverá constar "a apreciação do estado actual desses recursos e da evolução prevista das necessidades de água", de acordo "com a expansão demográfica, urbanística, comercial e industrial", sustentam.
A proposta a apresentar esta noite fará "o levantamento, a caracterização e o diagnóstico do estado actual do sistema de distribuição de água", identificando "as necessidades imediatas de investimento, acompanhadas de uma análise prospectiva dos investimentos a médio e longo prazo, com a respectiva programação". Querem ainda os vereadores laranja ver definidas "orientações estratégicas que estabeleçam as linhas de rumo para o planeamento e a gestão dos recursos hídricos no concelho".
O PSD recorda que "para além do envelhecimento da rede de distribuição de água", que tem determinado, nos últimos anos, "sucessivos rebentamentos em diversas zonas do concelho", se vêm verificando, desde o ano passado, "inúmeras interrupções, não programadas, no fornecimento de água", que culminaram "num calendário rigoroso – 24 horas por dia / 48 horas por semana - de interrupções nesse mesmo fornecimento de água à população", embora, "também se tenha verificado a existência de cortes não programados no referido calendário derivados, segundo explicação dos SMAS, de avarias pontuais".
Com a presente proposta direccionada para o abastecimento de água ao concelho, "neste momento, mais urgente e fundamental", a vereação social-democrata entende que a autarquia deverá "complementar a feitura deste plano com uma iniciativa idêntica no âmbito do saneamento de águas residuais e pluviais", acrescentando a sugestão de que a câmara "contacte a Universidade dos Açores, no sentido de perceber se a instituição pode realizar os planos propostos", já que, em caso contrário, "existem, no nosso país, várias empresas habilitadas para a feitura do que agora propomos", concluem.


(In Canal de Notícias dos Açores)

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Crise da água em Angra do Heroísmo

Os dirigentes do PSD e do CDS-PP na Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo assumem que as soluções apresentadas no estudo sobre a falta de água no concelho pecam por defeito, ao não espelharem acções a longo prazo e, no caso dos novos furos, insistirem nas opções actuais.Carla Bretão, pelos social-democratas, defende que a implementação de um plano estratégico de abastecimento de água é a solução mais sensata.“Mais do que soluções pontuais, Angra precisa de ter identificados os seus recursos hídricos e os investimentos necessários a médio e longo prazo para que se evitem novos problemas”, argumenta.A responsável social-democrata diz que a falta de água no concelho não resulta apenas da diminuição do recurso na origem, mas também da falta de investimentos e planeamento na rede de distribuição.“A Câmara limitou-se a distribuir a água que apareceu em abundância. Mas esqueceu-se de precaver o futuro”, sublinha Carla Bretão, que, amanhã, apresenta em reunião de câmara uma proposta para a elaboração do plano estratégico de abastecimento.
Aquífero basal
Da parte do CDS-PP, Félix Rodrigues docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores reconhece a validade do estudo, mas sublinha que as conclusões apresentadas “não fogem ao que já havia sido dito pela Universidade dos Açores”.“Sem ter lido o documento, e partindo do que foi divulgado pela Comunicação Social, a minha atenção vai para a solução que defende novos furos de captação. Concretizá-los para a exploração de aquíferos suspensos é, em minha opinião, um erro. Porque se os furos em actividade incidem sobre aquíferos suspensos e esses falharam, insistir na mesma solução é um erro”, alega.“Fará mais sentido que esses furos avancem até ao aquífero basal. Reconheço que a água daí extraída tem menor qualidade, mas será útil para os períodos estivais. Portanto, parece-me que é fundamental pensar-se com muita cautela a localização de novos furos”, explica. Relativamente à possibilidade de recarga artificial dos aquíferos, Félix Rodrigues diz tratar-se de uma “solução tecnicamente muito difícil e que exige um estudo muito aprofundado” do sistema de aquíferos no concelho. Esta segunda-feira, a Câmara de Angra divulgou as conclusões do hidrogeólogo Lopo Mendonça, que estudou as origens da falta de água em Angra nos últimos meses.
(In Diário Insular)

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quarta-feira, novembro 19, 2008

Falta de chuva, avarias e arroteias deixaram Angra sem água

A falta de chuva, as arroteias na Caldeira Guilherme Moniz, uma grave avaria nas principais condutas que ligam a nascente do Cabrito à rede de abastecimento de água do concelho e, eventualmente, as explosões na pedreira existente nessa zona são apontadas pelo hidro-geólogo Lopo Mendonça como as causas para a falta de água em Angra do Heroísmo desde o Verão deste ano. O especialista apresentou, ontem à tarde, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, as conclusões do estudo que, em Setembro, realizou sobre os caudais das nascentes e furos de captação que abastecem o concelho.Na sessão pública de apresentação, Lopo Mendonça garantiu que, em termos hidrológicos, o ano de 2008 foi o “mais seco” dos últimos cinco anos.“Inclusivamente, o ano de 2008 é pior que o ano de 2000, que se conseguiu identificar como ano com dificuldades no abastecimento dos Serviços Municipalizados de Angra”, explicou o hidro-geólogo.Em declarações aos jornalistas, após a apresentação das suas conclusões, Lopo Mendonça especificou que houve uma redução, “na ordem dos 250 litros por metro quadrado”, na pluviosidade registada na ilha.“Esta é a principal causa para a falta de água. Ou, pelo menos, aquela que maior contributo deu para o problema”, sublinhou o especialista. Lopo Mendonça assumiu ainda que o arroteamento na Caldeira Guilherme Moniz foi outro factor a contribuir para a descida dos caudais que abastecem o concelho de Angra de água,“O arroteamento de áreas da Caldeira Guilherme Moniz – Pico Alto é uma prática totalmente indesejável e prejudica o regime das águas superficiais e subterrâneas. Agora é impossível recuperar essas zonas. Tal recuperação implica voltar a colocar naquele local todas as espécies vegetais que contribuíam para a retenção da água. E isso, parece-me muito improvável”, afirmou. Além disto, segundo Lopo Mendonça, até à Primavera deste ano, ocorreram perdas na rede de abastecimento do concelho.“Cruzando estes dados [água extraída dos furos, que trabalharam entre o Outono de 2007 e a Primavera de 2008] com os da água turbinada [que segundo o especialista são um bom indicador da água disponível para consumo naquela área] na estação hidroeléctrica da Nasce Água, verifica-se que, de Novembro de 2007 e Junho de 2008, houve excedentes de água que foram turbinados e que poderiam ter sido utilizados no abastecimento. Como conclusão, a dificuldade do abastecimento no Inverno e Primavera de 2008 não terá a ver com questões climatéricas e alteração do regime hidrológico das nascentes; pode ser atribuído a avaria grave no sistema de adução que recebia a água das nascentes e não a aduzia para o sistema distribuidor”, explicou Lopo Mendonça. O hidro-geólogo assumiu ainda que as explosões ocorridas na pedreira na área dos Cinco Picos “pode ter afectado os aquíferos do Cabrito”.“Como não existem registos da intensidade das explosões ali ocorridas (que provocam ondas de choque semelhantes às de um sismo), não é possível determinar até que ponto elas contribuíram para alargar as fissuras existentes nos aquíferos. Mas não se excluí a hipótese de que isso possa ter ocorrido e, assim, provocado perda de água dos aquíferos ali existentes”, argumenta.
Soluções
Para Lopo Mendonça, face às conclusões a que chegou, a resolução do problema (que pode repetir-se no futuro) passa pela abertura de novos furos de captação de água, pela implementação de um sistema informatizado de tele-gestão dos caudais e pela protecção (por lei) das áreas onde existem nascentes e furos de captação. “No continente existe essa legislação, que delimita áreas em redor dessas zonas de água, que impedem intervenções humanas que podem pôr em risco esse recurso”, explica o especialista.“A longo prazo, deve ser estudada a viabilidade de recarga artifical dos aquíferos, aproveitando os excedentes da água das nascentes do Cabrito”, sugeriu ainda.
Investimentos
Após as explicações de Lopo Mendonça, a presidente da Câmara Municipal de Angra apresentou à centena de angrenses que assistiram à apresentação do relatório um conjunto de investimentos que, segundo ela, vão contribuir para minimizar este problema.Andreia Cardoso confirmou que, já em Dezembro, vai iniciar-se a abertura de quatro furos para captação de água subterrânea (um em São Sebastião, dois no Porto Judeu e um na Terra-Chã). “Espero ter esses furos a funcionar em Março de 2009”, explicitou a autarca aos jornalistas. Além disso, Andreia Cardoso garantiu que, quando houver caudais suficientes nas nascentes, os Serviços Municipalizados vão substituir as bombas de dois furos, para garantir mais capacidade de extracção.“Vamos implementar um sistema de telegestão e proceder ao tratamento terciário das águas da ETAR, que podem ser aproveitadas pela indústria e pela lavoura”, adiantou. Andreia Cardoso disse ainda que, em paralelo, a autarquia – com o apoio da Universidade dos Açores – vai estudar a possibilidade da recarga artificial dos aquíferos e “encetar diligências juntos de várias entidades, públicas e privadas, para garantir medidas que permitam proteger as captações de água”. Quanto a responsabilidades, a autarca adiantou aos presentes que “a Câmara de Angra pretender apurá-las, mas que o fará em paralelo com os investimentos necessários”. “Esses investimentos são superiores a cinco milhões de euros”, enfatizou a presidente da autarquia.“Nos últimos dois dias, conseguimos não proceder a cortes de água. A captação de água no Cabrito está a melhorar. Mas ainda é-me impossível dizer quando será possível suspendermos o plano de cortes. O sistema ainda está muito frágil”, concluiu Andreia Cardoso.

(In Diário Insular)

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À espera de ler o estudo sobre falta de água em Angra

Félix Rodrigues, Professor do Departamento de Ciências Agrárias e Membro da Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo pelo CDS/PP considera que as reflexões do professor Lopo Mendonça, sobre as causas que provocaram a diminuição dos caudais nas nascentes da ilha Terceira neste Verão, são meras “hipóteses explicativas”.
Algumas das causas avançadas pelo professor já foram referidas “quer por mim, quer pelo professor Brito de Azevedo ou pelo professor Cota Rodrigues”, docentes do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, afirma.
Segundo o popular é importante começar a perceber as causas explicativas. “Este problema da falta de água em Angra surgiu em parte pela falta de chuva e em parte pela falta de planeamento”.
O representante do partido popular desconfia que os consumos não estão devidamente estudados em Angra (segundo a autarquia os níveis de consumo de água mantiveram-se praticamente idênticos nos últimos 10 anos) e suspeita ainda que a perda de água na rede deva ser superior a 30 por cento (nível óptimo nas redes urbanas de distribuição de água).
Em relação à análise do professor, Félix Rodrigues espera ter oportunidade de ler atentamente o documento, mas para já, numa primeira análise, considera que são apenas “hipóteses explicativas”.
Carla Bretão, vereadora do PSD, diz não conhecer as conclusões do estudo porque a autarquia não forneceu atempadamente o documento aos partidos da oposição. Recusando falar sobre as recomendações do professor Lopo Mendonça, a autarca garante que o PSD de Angra vai avançar, brevemente, com propostas no sentido de se ter “mais cuidado” com a gestão da água no concelho.
Carla Bretão sugere que Angra do Heroísmo crie rapidamente um Plano Geral da Água para identificar todos os recursos hídricos, proteger as nascentes, enumerar os problemas da rede, os investimentos a médio e a longo prazo e que perspective os consumos para os próximos anos. “É preciso perceber bem o que temos de fazer para manter o abastecimento público de água”, lembra.
Em relação ao relatório do professor Lopo Mendonça, o PSD rejeitou, para já, pronunciar-se sobre o assunto, contudo admite que todas as medidas de protecção das nascentes são boas e revelam que o Plano Regional da Água não está a funcionar na Terceira.

(In A União)

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domingo, outubro 26, 2008

Cortes de água sem fins à vista

A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo vai manter, por tempo indeterminado, o plano de cortes no abastecimento de água às populações do concelho.“Não houve qualquer alteração na situação, pelo que se mantêm os cortes”, afirmou ontem a presidente dos Serviços Municipalizados, Sofia Couto, em declarações ao DI, adiantando contudo que, “com a chegada do Inverno, espera-se mais chuva”.Segundo Sofia Couto, “não tem chovido o suficiente para rebentar as nascentes e os caudais mantêm-se como estavam”.De acordo com a responsável, “todos os furos de água estão neste momento em exploração máxima possível”.Quanto ao estudo encomendado recentemente pela autarquia a um especialista na área, Sofia Couto referiu esperar a chegada do respectivo relatório ainda esta semana.Entretanto, Francisco Cota Rodrigues, especialista em recursos hídricos, considera que as hipóteses levantadas recentemente para explicar a falta de água no concelho de Angra, que apontavam para os furos geotérmicos e para o rebentamento de pedreiras como possíveis causas do problema, são “meras especulações”. Para Cota Rodrigues, a explicação para a falta de água nas nascentes que abastecem o concelho está nos baixos níveis de pluviosidade registados nos últimos meses.“Trata-se de meras especulações, na medida em que ninguém tem provas de nada”, afirma, defendendo, no entanto, a “necessidade de detectar as causas do problema”.Em relação às pedreiras, o especialista diz não acreditar que “as vibrações resultantes dos rebentamentos afectem o aquífero do Cabrito”.Quanto aos furos geotérmicos, admite que “podem afectar” as reservas de água, mas sublinha que, aquando dos planos de perfuração, “foram salvaguardadas as medidas necessárias para evitar eventuais fugas de água”.No entender do professor universitário, “o grande problema são as baixas precipitações, agravadas pelas temperaturas anomalamente altas que se verificaram este Verão”.“Em Março, que é um mês determinante para a recarga do aquífero do Cabrito, choveu muito pouco”, disse.“Em Setembro, a precipitação foi também extremamente baixa e, em Outubro, verifica-se a mesma situação”, acrescentou, salientando que “os caudais naturalmente ressentem-se disso, fazendo com que a recarga da água no aquífero demore”.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, outubro 08, 2008

Pedreiras e geotermia podem ser responsáveis pela falta de água

A falta de água no Concelho de Angra do Heroísmo pode ser consequência da exploração de pedreiras junto aos aquíferos ou da abertura de furos geotérmicos.

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sexta-feira, outubro 03, 2008

Colapso de aquíferos pode dever-se a exploração de pedreira

A exploração de pedreiras pode estar na origem do colapso dos aquíferos, no concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, afirma o Professor do Departamento de Ciências Agrárias, Eduardo Brito de Azevedo.
Para ouvir a notícia na integra aceda aqui.
(In Armando Mendes RDP-Açores).

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quinta-feira, setembro 04, 2008

"A falta de água em Angra é uma situação pontual"

Francisco Cota Rodrigues, professor da Universidade dos Açores, apresentou em 2002 doutoramento em Hidrogeologia da Ilha Terceira e é actualmente um dos membros do conselho de administração da Praia Ambiente. Este especialista procurou responder ao nosso jornal sobre as principais dúvidas que frequentemente ocorrem em relação aos recursos hídricos em regiões insulares, abordando igualmente questões sobre o modo como o abastecimento de água é feito no concelho da Praia da Vitória.
As entidades responsáveis afirmaram que a principal causa para os problemas de água no concelho de Angra do Heroísmo prende-se com o facto deste ano ter sido especialmente seco. Os níveis de precipitação foram assim tão baixos que criassem esta situação?
Pelos dados que tenho este foi um ano relativamente normal, quer em termos de precipitação, quer em termos da sua distribuição. O período estival prolongou-se, tivemos um mês de Março excessivamente seco e essa poderá ser uma das causas deste processo. Parece-me que esta carestia é pontual e que está a ser excessivamente empolada. Repare, ainda bem recentemente, em Barcelona e na região da Catalunha verificou-se uma situação incomparavelmente pior. Entende que o modelo de captação de água em Angra do Heroísmo é o mais apropriado para a estrutura hídrica da ilha?
Como já referi, (ver caixa) temos na ilha aquíferos suspensos e o aquífero de base. A água dos aquíferos suspensos apresenta melhor qualidade. O concelho de Angra do Heroísmo é o que apresenta aquíferos suspensos mais produtivos, daí ter-se apostado na sua captação. As necessidades actuais impõem, contudo, um maior aproveitamento do aquífero de base.Nos últimos anos, investiu-se na construção de uma série de furos, alguns dos quais interceptam este aquífero. Destes, julgo que 11, quatro revelaram-se improdutivos, dois deles com fortes influências geotérmicas o que inviabilizou a sua exploração para abastecimento doméstico e os outros com elevada intrusão salina. Dos cinco restantes, só dois interceptam o aquífero base, o mais produtivo. A cidade de Angra e as suas imediações parece existir uma zona influenciada por fluxos geotérmicos, cujos contornos não são ainda bem conhecidos. A prova disso é ter surgido um furo com água quente (mais de 40ºC) e outro com água muito mineralizada. Este é um factor que condiciona a construção de furos.Uma das maiores dúvidas que surgiu da questão dos cortes de água é o porquê do concelho da Praia da Vitória não ter o mesmo problema.
Quais as diferenças na captação de água para a rede pública nos dois concelhos?
O concelho da Praia da Vitória é abastecido, em parte, por nascentes associadas a aquíferos suspensos (Quatro Ribeiras, Agualva, Vila Nova de S. Braz) e por furos que captam o aquífero de base. A principal fonte de abastecimento é o aquífero de base, explorado por uma série de furos dispostos nas imediações da cidade da Praia da Vitória. Em Angra, as principais fontes de abastecimento são os aquíferos suspensos, com vantagens em termos de qualidade, complementados por água proveniente de furos que captam o aquífero de base. Há que apostar mais na captação do aquífero de base, sacrificando, eventualmente, a qualidade.
A Praia da Vitória tem níveis de captação de água que lhe permitam estar a salvo de cortes no futuro?
O aquífero de base em toda a ilha Terceira apresenta grandes reservas de água doce, ou seja, quer no concelho da Praia como em Angra existe água para abastecer o dobro da população actual. Temos é que investir em novas captações, tendo em consideração que muitas das vezes poderá aparecer água não própria para consumo. È um risco que se corre.
Estão previstos investimentos na rede de abastecimento do concelho da Praia da Vitória?
A Praia Ambiente planeia uma série de investimentos a curto prazo que passam pela melhoria da qualidade da água através da captação de novas nascentes na Agualva e na zona dos Biscoitos pretende-se melhorar o abastecimento da zona alta da freguesia, que tem problemas, através da reabilitação de um furo já existente ou do aproveitamento de uma nascente que tem excesso de caudal. Pretende-se ainda reforçar um furo localizado na Fonte Bastardo.
Alguns estudos climatológicos apontam para o agravamento das condições climatéricas no arquipélago. Se não forem descobertos novos pontos de captação de água a situação terá tendência a complicar-se?
Existem várias previsões para alterações climáticas nos Açores. Algumas delas apontam para alterações apenas na distribuição da precipitação, com Verões mais secos e prolongados e Invernos mais chuvosos. Neste cenário, a recarga mantém-se mas vão surgir problemas para os aquíferos suspensos que tem uma capacidade de armazenamento baixa. No aquífero de base a situação não deverá sofrer grandes alterações, pelo que a sua exploração continuará a ser viável. A situação na Terceira, em termos de Açores, não é das piores, temos outras ilhas onde, a médio prazo, irão surgir problemas quer qualitativos, quer quantitativos de abastecimento.
O que pensa da ideia já avançada de uma gestão única para os recursos hídricos da Terceira?
Essa era sem dúvida a situação ideal. A gestão de água devia ser feita ao nível de ilha e não só para consumo doméstico, mas também a da lavoura e de outras actividades. No entanto, dados os condicionalismos que temos, talvez nesta fase não seja o modelo mais adequado.Entendo que a cooperação excelente que actualmente existe entre as entidades que gerem a água deverá ser cada vês mais aprofundada.Falou na agricultura.
Considera que deveriam existir mais locais de captação de água para a lavoura?
A agricultura é a principal actividade económica da Terceira e por isso é essencial que se pense em armazenar maior quantidade de água. A água é um recurso natural, mas não chega pelo seu pé às explorações agrícolas e aos locais de captação. Só sentimos a falta de um recurso quando este escasseia. Veja-se a questão do petróleo. É necessário que os agricultores assumam que é imoral desperdiçar um recurso fundamental como este e cabe-lhes, também, a responsabilidade de zelarem pelas instalações onde se processa o abastecimento.

(In Renato Gonçalves em A União)

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sexta-feira, maio 30, 2008

LNEC apresenta projecto de estudo de aquíferos das Lajes em Julho

O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) vai apresentar até 15 de Julho o projecto para análise dos solos e aquíferos do concelho da Praia da Vitória, disse hoje o presidente da autarquia, Roberto Monteiro.
Em declarações à Agência Lusa, Roberto Monteiro, que reuniu em Lisboa com os responsáveis do LNEC, adiantou que "o projecto terá três fases, a primeira das quais termina a 15 de Julho com o cronograma dos trabalhos e a estimativa de custos".


"A segunda fase será a análise dos solos e aquíferos de toda a área do concelho que atinge os 200 quilómetros quadrados", explicou o autarca.
O estudo que o LNEC vai efectuar resulta de uma denúncia pública de uma eventual contaminação dos solos e aquíferos do concelho da Praia da Vitória devido a combustíveis utilizados pelo destacamento militar norte-americano estacionado na base das Lajes.
Segundo Roberto Monteiro, o objectivo "é não só conhecer os problemas que existem, mas também preparar acções correctivas, se as houver, e estabelecer uma mapa geográfico dos locais onde no futuro se possa captar água de qualidade".
"Quanto às acções correctivas a empreender, se forem necessárias, elas serão descriminadas com os respectivos custos", explicou.
Roberto Monteiro adiantou que recebeu "seis relatórios das autoridades norte-americanas relativos a estudos que foram efectuados entre 1995 e 2006", mas recusou-se a adiantar pormenores dos documentos alegando que "os originais, de que não foram feitas cópias, já estão na posse do LNEC".
Nas análises efectuadas pela autarquia às águas de consumo público nunca foram detectadas contaminações por hidrocarbonetos e metais pesados.
A professora da Universidade dos Açores, Adelaide Lobo, disse também à Lusa que "ao longo de duas décadas e meia de análises às águas de consumo público na ilha Terceira nunca foram detectadas aquelas substâncias".
Adelaide Lobo justifica a inexistência de hidrocarbonetos e metais pesados nas águas e solos da ilha pelo facto de "os solos serem vulcânicos o que permite uma absorção elevada à superfície o que impede qualquer contacto com os aquíferos ou nascentes".
Um comunicado do Departamento de Relações Públicas da Força Aérea Portuguesa (FAP) admitiu que "existem identificados na Base Aérea das Lajes [Ilha Terceira] solos contaminados com hidrocarbonetos mas superficialmente e pouco preocupantes".
De acordo com o esclarecimento da FAP, "seria de esperar de uma infra-estrutura com estas características nalguns locais muito específicos, onde estiveram ou estão instalados tanques de combustível ou linhas de abastecimento que existam solos contaminados com hidrocarbonetos".
Porém, "há já alguns anos que decorrem planos e acções concretas para correcção da situação, referidos em vários relatórios sobre os quais não existe nenhuma intenção conhecida, quer das autoridades portuguesas ou norte-americanas em mantê-los secretos", acrescenta o esclarecimento.
Roberto Monteiro reafirmou hoje à Lusa que "as análises à água de consumo público são excelentes" e por isso o autarca garantiu que irá aguardar "com serenidade o estudo do LNEC".
JAS.
(In Lusa)

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quinta-feira, maio 22, 2008

Adelaide Lobo nega poluição na Terceira

A professora universitária Adelaide Lobo nega que o aquífero principal da ilha Terceira esteja poluído, mas admite que há uma zona de solos contaminados em torno da Base das Lajes.

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terça-feira, maio 20, 2008

Questões inquinadas e patrióticas

A questão da Poluição de Solos, Subsolos, Unidades e Sistemas Geo-hidrológicos e Redes de Abastecimento Público de Águas na Praia da Vitória continua a marcar a actualidade regional e nacional, mas dando já alguns sinais de abrandamento ou redireccionamento de mira…– Todavia e apesar da louvável (conquanto, infelizmente, não idêntica nem simétrica!) prudência assumida, reserva crítica e relativa firmeza de princípios de soberania e até de constitucionais deveres e obrigações de missão patriótica, de salvaguarda e protecção territorial e mesmo de obrigação de zelo e escorreita protecção populacional e defesa civil de algumas das principais entidades mais directamente comprometidas ou co-responsabilizáveis neste complexo problema – Câmara da Praia da Vitória, Governo dos Açores, Governo da República/Ministério da Defesa/FAP e Governo dos EUA/DoD/Feusaçores –, não se vislumbra, para já, nenhum consenso ou plataforma de entendimento que permitam clarificar e assentar razões, argumentos ou ângulos integrados e sistemáticos deste não subestimável assunto.Por outro lado, dados confrontados e leituras contraditórias analisadas, que vão chegando da UA (veja-se, para síntese de registos, o Home-Blog do DCA), através de pareceres, consultas, depoimentos e opiniões oscilatórias e mais ou menos objectivas ou probabilísticas – por entre díspares, complementares e interessadas hipóteses de enquadramento ou retoma de piso… –, apontam afinal – exactamente por isso mesmo! – no sentido da justeza e da maturidade da gestão global e do sensato equilíbrio específico das medidas e das posturas responsavelmente adoptadas tanto pelo Presidente Carlos César como pelo autarca Roberto Monteiro. – É claro que houve já, no decorrer de tudo isto, um acendimento público, que parece muito menos sustentável agora, de uma série de dúbias pistas, posses e interpretações documentais, alardeadas mas porventura menos sólidas e relevantes, com as decorrentes aberturas de alguns incautos poços de argumentação fintada, como ressalta à evidência dos resultados da alimentada crispação de brios entre o LNEC e o balanço, talvez intencionalmente enviesado, menos hábil e menos esclarecido, da afogueada e pouco diplomaticamente trabalhada e assessorada visita relâmpago de Jean Manes à CMPV, pese embora a doçura cândida e construtiva do seu modo de olhar e gerir esta amarga e inesperada (?) situação.Este imbróglio, já o dissemos, tem múltiplas dimensões e alcances de acompanhamento local conveniente e de procura trabalhada e escalonada de soluções partilhadas – contemplando logo aquelas esferas imediatamente evidentes (a começar pelo necessário e integral apuramento exaustivo e rigoroso de todos os contornos do caso, nos tempos e nos espaços físicos, institucionais, técnico-científicos, ambientais e sociopolíticos adequados.Porém e assim é bom nunca esquecer – por inocente ou precipitada retórica, voluntarismo de intervenção ou desconhecimentos de causa –, os espartilhos de Direito e todas as outras conflituais condicionantes instrumentais, políticas e financeiras (regionais, nacionais, europeias, norte-americanas e mundiais) que se prendem formal, legítima e adequadamente não só com genéricas ou específicas legislações e quadros normativos (in)existentes ou em vigor, quanto com aquele melindroso (e muito exigente!) domínio das articulações, prioridades e interesses jurídico-diplomáticos, financeiros e de Defesa e de Cooperação, entretanto e também decorrentes dos termos e do real impacto dos Acordos Bilaterais (em balanço prático ainda pendente na ALRAA e em paralelo processo de renegociação nacional…), entre Portugal e os Estados Unidos da América – acentue-se, e relembrando-se bem – Nação amiga, aliada e em contínua evolução em todos os centros, órgãos e cenários de decisão estadual e federal da sua Administração.E isto é tanto mais importante quanto, todos eles, são quase sempre e indubitavelmente permeáveis a concertadas sensibilizações estratégicas e mediáticas, em conjugação com magistraturas de influência, pressão nevrálgica dos seus Representantes eleitos e vitais influências de Poder, hard e soft, at home and overseas, envolvendo também organizações não-governamentais e cívicas…, até porque, com certeza, no pleno e fundamentado uso de exigíveis faculdades de análise e de conhecimento histórico-institucional, militar e político, ninguém de bom senso haveria de parecer ou querer efectivamente confundir sempre os USA com o DoD, as suas diferentes armas ou ramos, e os seus múltiplos e hierarquizados aparelhos e graus de imputação directiva ou mandatária… Tal como, aliás, é exigível quando se trata de Portugal! – Nem por isso, obviamente, as alianças, as solidariedades e as amizades deixariam de ter validade e vigência democrática e patriótica universal, antes pelo contrário… – E assim também o respeito pela dignidade das Nações e dos seus Povos, a começar por casa, isto é, neste caso, pelo Povo Açoriano, doa a quem doesse essa precisiva identificação geo-histórica e antropológico-cultural, lá nos alforges rotos ou no que resta dos fundões enevoados e nos fumos falidos e imperiais de outrora, no Terreiro do Paço, claro, onde quem, amiúde e ao longo da nossa História comum, nem a si tendo sabido prestigiar-se sempre, como é que haveria de reconhecer-nos e defender-nos a nós, ou por nós, agora?

(Eduardo Ferraz da Rosa In Azores Digital)

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domingo, maio 18, 2008

Professora Adelaide Lobo considera aquífero basal contaminado

Tudo contaminado : é a expressão utilizada por Adelaide Lobo, especialista en análises da Universidade dos Açores, para classificar as amostras do aquífero basal da ilha Terceira, estudadas por uma empresa norte-americana
Perita em análises, a professora da Universidade dos Açores, Adelaide Lobo, nunca tinha visto nada parecido na água da ilha Terceira.

As análises já tornadas públicas pela empresa americana CH2M Hill são claras, quanto à contaminação do aquífero basal, nas proximidades da Base das Lajes. A especialista garante, porém, que, durante 25 anos, tantos quantosos anos em que Adelaide Lobo fez análises à água de consumo público da Terceira, a contaminação não apareceu nas amostras, enviadas para laboratório.Adelaide Lobo, especialista em análises de água acredita que a contaminação do aquífero basal, detectada na Praia da Vitória, tenderá a não circular pela base da ilha, salvo se acontecer algum imprevisto fora do comum.A professora da Universidade dos Açores entende que é necessário conhecer bem a composição dos aterros de lamas químicas, provenientes da lavagem de tanques de combustível para que seja dada uma opinião fundamentada sobre esta matéria.

Armando Mendes / Carlos Tavares

(In RDP-Açores)

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