sábado, novembro 28, 2009

Abertura do 2º Fórum de Pedagogia da UEPB registra recorde de público


Evento segue até esta sexta-feira, com palestras, mesas-redondas, 32 oficinas e 36 grupos de trabalho
O 2º Fórum Internacional de Pedagogia (Fiped) foi aberto na noite da quarta-feira (25) no Centro de Convenções do Garden Hotel, em Campina Grande, registrando um público recorde. O evento, promovido pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), incentiva o debate entre alunos, professores, pesquisadores e demais interessados, acerca de ações de fomento que estimulem a prática da iniciação científica no campo pedagógico, durante a graduação.O evento teve início com uma calorosa recepção aos participantes, realizada pela Orquestra Filarmônica Epitácio Pessoa. Durante a execução do Hino Nacional, o comitê organizador inovou ao realizar um canto ‘celebrado’, que aconteceu graças ao trabalho conjunto e harmônico da intérprete em Libras, Helena Virgínia, e da cantora Shirley Barbosa, professora da UEPB.Em suas palavras iniciais, a presidente do comitê, Cristina Nepomuceno, agradeceu a participação e a presença de todos, além do número recorde de inscritos. Ela destacou ainda o apoio da reitora da UEPB, professora Marlene Alves, para a realização do evento e disse que o 2º Fiped representa “a consolidação da Pedagogia na vanguarda das ciências e da pesquisa em educação, reunindo, em torno de um único objetivo, pesquisadores de todo o Brasil e de outros países”.O ponto alto da noite foi a conferência de abertura com o professor doutor Félix Rodrigues, da Universidade dos Açores, em Portugal, que abordou o tema ‘A escolha do objeto de pesquisa’. No encerramento da solenidade, houve a apresentação cultural do grupo da UEPB, ‘Acauã da Serra’.O 2º Fiped acontece até esta sexta-feira (27) e conta com uma programação vasta de palestras, mesas-redondas, 32 oficinas e 36 grupos de trabalhos. Mais informações pelo site www.forumdepedagogia.com.Compuseram a mesa de abertura do encontro, além da presidente do comitê, Cristina Nepomuceno, o pró-reitor de Planejamento da UEPB, professor Rangel Júnior; a presidente da Associação Internacional de Pesquisa de Graduação em Pedagogia, doutora Maria Lúcia Sampaio; os professores do Centro de Educação da UEPB, Alberto Moura, Antônio dos Santos e Inácio Macedo; o presidente do Sindicato dos Docentes da UEPB, José Cristóvão; e representando a prefeitura de Campina Grande, a doutora Kátia Cristina.
Da Assessoria de Imprensa da UEPB.

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terça-feira, novembro 10, 2009

"Na Lua Cheia, não cortes pau nem veia"

Félix Rodrigues
Na medicina medieval recorria-se ao uso do horóscopo e à astrologia, porque se acreditava que a posição dos planetas nos 12 signos do Zodíaco, afectava de algum modo a saúde humana, do mesmo modo que a Lua condicionava as marés, o Sol, era responsável pelas boas safras.Na Idade Média, cada órgão do corpo humano obedecia aos humores de um signo: Carneiro e a lua, por exemplo, regiam a cabeça, Sagitário as pernas, e Peixes conduzia os pés.
O médico Avicena (980-1037) afirmava que era “a má disposição dos céus quem rapidamente empeçonhentava os corpos”. A doença devia-se ao ar corrompido pelos astros que também eram responsáveis pelos surtos de epidemias que apavoravam e devastavam a sociedade medieval.Hoje em dia ainda há termos como aluado ou lunático que resultam da crença de que a lua influência a cabeça.Exactamente por isso, os estudantes de medicina da Universidade de Bolonha estudavam astrologia durante quatro anos, para que, quando aplicassem a sangria num paciente ela não fosse feita durante um estágio não conveniente da Lua (a Lua cheia, estavam certos, provocava uma hemorragia em excesso). Popularmente ainda se diz, fundamentados nessa crença medieval que “Na Lua cheia não cortes pau nem veia”. Não havia, príncipe, conde ou barão daqueles tempos que não tivesse um astrólogo à sua disposição, mesmo que a Igreja Católica o proibisse. Mesmo no Renascimento, o matemático e astrónomo Kepler obtinha o seu rendimento preparando almanaques com previsões e elaborando mapas astrais para a corte do duque de Wallenstein.Versos do Regimen Sanitatis Salernitanum apareciam com frequência nos Lunários Perpétuos dos Séculos XVII e XVIII e pretendiam estabelecer relações entre os astros e a saúde. Os lunários eram calendários perpétuos baseados nas fases da Lua. Essas publicações preocupavam-se com as questões da saúde e a previsão do tempo pela observação dos astros, das plantas e do comportamento dos animais. Tais ensinamentos estão presentes no livro “As geórgicas”, do poeta Virgílio (século I a.C.). Esta obra erudita influenciou os popularíssimos livrinhos “lunários perpétuos” editados em Portugal desde a Idade Média destinados à classe rural. As Geórgicas, de Virgílio, são um poema didáctico sobre trabalho. Constavam de quatro livros sobre agricultura e com indicações consideradas científicas na época.Muitos provérbios populares sobre o ciclo lunar ou sobre a sua influência na saúde ou agricultura podem ser encontrados, destacam-se os seguintes:"A lua não fica cheia num dia." – Referência explícita ao ciclo lunar (29,5 dias)."Não há Entrudo sem lua nova, nem Páscoa sem lua cheia." – Acentua o carácter móvel dessas duas festividades, cuja marcação se rege pelo calendário lunar.Provérbios como "Quando a Lua minguar, nada deves começar.", "Quando a lua minguar, não deves regar.”, "Lua cheia, abóboras como areia.", "Quando minguar a lua, não comeces coisa alguma." e "Quando a Lua minguar, nada hás-de semear.", traduzem crenças de que a Lua influencia as colheitas agrícolas.O provérbio, "A lua é calma e tem vulcões no seio." refere-se a aspectos da morfologia da sua superfície, erradamente associados a crateras vulcânicas em vez de crateras de impacto.
(in Desambientado)

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quarta-feira, novembro 04, 2009

O modelo IDIOTA de previsão da gripe A nos Açores

Félix Rodrigues

A gripe A (H1N1) não é tão pouco importante como se quer fazer crer nas conversas de café entre não especialistas. A gripe A pode paralisar a sociedade durante períodos relativamente longos, com grandes impactos na saúde e economia familiar ou regional. Trata-se de um vírus com uma elevada taxa de infecção. Por outro lado, a mortalidade deste vírus não pode ser comparada à de outros vírus da gripe, pois a taxa de mortalidade da gripe sazonal incide essencialmente em pessoas com mais de 60 anos enquanto que a gripe A incide na faixa etária dos 20 aos 49 anos. São dados muito distintos. É também importante referir que uma taxa de ataque de 50% significaria uma taxa de infecção muito superior (cerca de 85%) devido ao facto de existirem muitas pessoas com infecções assintomáticas (pessoas que não apresentem sintomas). Assim, para uma taxa de ataque média de 25% a 35%, tem-se uma taxa de infecção de 50% da população, tendo em conta as infecções assintomáticas.
Para gerir a pandemia, é pertinente possuírem-se cenários e adequar as acções a cada uma das fases dessa mesma pandemia. É neste contexto que se considera importante a criação de modelos que descrevam a evolução da gripe A, em cada uma das regiões do mundo. Na figura seguinte, apresenta-se o modelo pandémico irlandês para a evolução da gripe A nesse país, que seria certamente considerado pelo Sr. Secretário da Saúde, de IDIOTA.

É a evolução da gripe A, ao nível endémico, que agrava o problema do H1N1 numa dada região. A fase de aceleração da gripe A no Arquipélago dos Açores, mais propriamente em São Miguel, iniciou-se mais cedo do que a do modelo pandémico irlandês, ou outros europeus, ou seja, sensivelmente a 1 de Agosto. Assim sendo, copiar soluções de outros locais não é adequado.
O modelo matemático construído na Universidade dos Açores, a pedido do CDS-PP, dá conta da fase de aceleração da infecção na Região Açores a partir de 1 de Agosto de 2009, quando o vírus se tornou endémico, e descreve essencialmente essa fase de aceleração, não sendo possível prever quando ocorrerá o Pico máximo de infecção. A fase de desaceleração também será facilmente modelada, quando se conhecer o instante em que a infecção começa a decrescer. Na figura seguinte, apresenta-se o modelo obtido e a sua adequação até 1 de Setembro de 2009, dados reais que permitem calibrá-lo. Entende-se por dia juliano, a contagem crescente dos dias, em que o número 365 corresponderá ao último dia do ano.

De acordo com o Secretário da Saúde, Miguel Correia, este modelo é idiota, porque não prevê os dados que ele possuía a 22 de Outubro. É evidente que não prevê, mas o problema não é do modelo, classificado de IDIOTA, que se supõe ser Inferência de Dados de Infecção Omitidos e não Tratados nos Açores, mas dos dados do Senhor Secretário tinha.
Vejamos a razão pela qual os dados são diferentes:
Em epidemiologia, caso de gripe A, corresponde a uma situação clínica confirmada em laboratório.
A 22 de Outubro de 2009, o Senhor Secretário afirmava existiram apenas 1346 casos de gripe A nos Açores, com confirmação laboratorial. É verdade, mas convêm referir que o Secretário da Saúde decidiu, a partir de 2 de Outubro que os testes de gripe A em Ponta Delgada só seriam realizados aos doentes cujo quadro clínico se justificasse, bem como às crianças até aos cinco anos, tal como já acontecia na Ribeira Grande, desde 21 de Setembro de 2009.
Segundo o Secretário Regional da Saúde, esta medida fica a dever-se ao facto de a maior parte dos resultados dos testes realizados em Ponta Delgada serem positivos e de o número de casos enviados para investigação pelo Serviço de Atendimento à Gripe do Centro de Saúde de Ponta Delgada e pelo Hospital do Divino Espírito Santo ter triplicado. Assim sendo, nos 1346 casos reportados não estão contabilizados todos os doentes diagnosticados com gripe A nos Açores, e relativamente aos quais não foram realizados testes. É claro que o modelo IDIOTA não pode prever os casos que não são analisados. Por outro lado, uma forma de deixar de ter casos de gripe A nos Açores, será pura e simplesmente deixar de fazer análises, passando a ter-se única e simplesmente “doentes com sintomas gripais, independentemente do vírus em causa”. Para vermos a diferença entre números, considere-se a situação da gripe A nos Açores na semana de 19 a 25 de Outubro de 2009, só para Ponta Delgada.
Existiu no Concelho de Ponta Delgada 111 casos de gripe A, ou seja, confirmação laboratorial do vírus H1N1. Haverá mais algum doente com gripe A nesse Concelho, nessa semana? Existiu ainda nesse período 237 doentes diagnosticados com sintomas gripais, independentemente do vírus em causa. Uma vez que, de acordo com o Secretário “a maior parte dos resultados dos testes realizados em Ponta Delgada são positivos para a gripe A”, existem efectivamente nesse Concelho, no período de 19 a 25 de Outubro, 348 doentes com gripe A, mas apenas 111 casos de gripe A.
Nas semanas anteriores quantos doentes com gripe A existiam nos Açores? Pelos vistos só existiam casos de gripe A e esqueceram-se de contabilizar os doentes diagnosticados com sintomas gripais independentemente do vírus em causa.
A Direcção Geral de Saúde contabilizava para Portugal, até 18 de Outubro, 4814 casos de gripe A, ou seja, este é o número de casos confirmados em Laboratório no nosso país. A 21 de Agosto, a DGS passou a realizar análises apenas aos grupos de risco. Quer isso dizer que no nosso país temos 20644 de doentes com sindroma gripal independente do vírus em causa até essa data. Nesse número estão os casos de gripe A (confirmados em laboratório) e os inferidos a partir do número de doentes a quem foi diagnosticado gripe A. Assim, quando se pergunta quantos casos de gripe A há em Portugal, a resposta técnica é 4814 casos e não 20644 casos, pois este últimos são doentes com sintomas gripais independente do vírus em causa. Trata-se de um subterfúgio técnico.
Quando a DGS afirma, no relatório semanal sobre a gripe A em Portugal que “A maioria dos novos casos de síndrome gripal (80%) registou-se em Portugal Continental, que na Região Autónoma dos Açores se verificaram 19% dos casos e 1% na Região Autónoma da Madeira”, quer dizer que essa percentagem não diz respeito a essa semana mas ao total acumulado, pois todo o caso, mesmo os antigos, são novos casos, e refere-se exclusivamente aos casos confirmados em laboratório.
Consegue-se deixar de ter gripe A no nosso país, se não fizermos qualquer tipo de análises.
O modelo IDIOTA não consegue dar resposta a este tipo de informação, pois o “número de casos de gripe A em Portugal” está dependente apenas da contabilização política do problema. A realidade é outra completamente diferente.
Os modelos de previsão servem para gerir melhor os problemas e centrar os esforços onde produzirão melhores resultados. Nem sempre as previsões meteorológicas acertam, mas a probabilidade de tal acontecer é elevada.
Baseado no modelo IDIOTA avançam-se as previsões de casos de “gripe, independentemente do vírus em causa” para a Região Açores no período de 28 de Outubro a 6 de Novembro de 2009. Essa previsão assenta na probabilidade de contracção de gripe A, pelos residentes de cada um dos Concelhos dos Açores.



Pior do que uma má previsão, é não ter previsão nenhuma. Isso sim, é que me parece ser verdadeiramente idiota.

(in A União)

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terça-feira, novembro 03, 2009

“Sol de Junho, madruga muito”, “No Outono, o Sol tem sono”

Félix Rodrigues

Se o Sol “madruga muito” em Junho, isso deve-se ao facto de ser observado mais cedo no horizonte do que no Inverno. Devido à inclinação do eixo da Terra, a época estival é o período de maior de luminosidade natural. É também pela mesma razão, mas em sentido oposto, que surge o provérbio “No Outono, o Sol tem sono”, isto é, o astro-rei encontra-se numa declinação, mais baixa, mais uma vez resultado da inclinação do eixo da Terra, dando a impressão, a um observador terrestre localizado no hemisfério Norte, de que efectivamente, o Sol está mais baixo.É senso comum que o dia e a noite têm durações idênticas com períodos de 12 horas. Isso só acontece no equador (em todas as estações do ano) e duas vezes por ano, durante os equinócios, noutras latitudes. A latitudes diferentes da do equador, a duração dos dias e das noites são diferentes ao longo do ano. Os solstícios de Inverno e Verão podem ser definidos a partir dos dias mais curtos e mais longos, respectivamente, tal qual como o fazem os provérbios anteriores. Como é sabido, são os equinócios e solstícios que marcam o início das estações do ano (Verão, Outono, Inverno e Primavera), tanto no hemisfério Norte como no hemisfério Sul, e podem ser obtidos através da duração do dia solar, medida a partir do momento em que metade do Sol cruza o horizonte, a nascente, e o momento em que cruza o poente, com excepção, evidentemente dos observadores localizados sobre a linha do equador.Se calcularmos a duração dos dias ao longo do ano para a latitude dos Açores, verificamos que os dias mais longos, com 13 horas e 51 minutos, ocorrem no mês de Junho, enquanto que os mais curtos ocorrem no início do Inverno, com apenas 10 horas e 27 minutos de luz. Assim, o Sol de Junho, começa mais cedo do que o habitual (madruga muito) e também se deita mais tarde. Quanto ao segundo provérbio, é a partir do início do Outono que os dias começam a ficar com menos de 12 horas, ou seja, o Sol começa a ficar com “sono”, tendo os dias, em pleno Outono (31 de Novembro), uma duração de 10 horas e 35 minutos.Os princípios físicos subjacentes aos provérbios anteriores estão correctos para a latitude dos Açores e para as latitudes de Portugal continental, todavia, perdem sentido se aplicados a outros países de língua oficial portuguesa.O provérbio “Janeiro fora cresce uma hora” precisa de ser devidamente interpretado para se entender o que efectivamente traduz. Se “fora” for entendido como início do mês de Janeiro, ou seja, que começa a vigorar o mês de Janeiro, o provérbio não se adequa, uma vez que se subentende que Janeiro terá uma hora a mais do que o mês de Dezembro. Janeiro tem sensivelmente 27 minutos a mais de luz por dia do que os dias de Dezembro, ou seja, aproximadamente meia hora. Entendendo “fora”, como terminado que é Janeiro, Fevereiro tem dias com mais uma hora de luz do que Janeiro, assim tal provérbio já será verdadeiro, pois a diferença entre as horas de sol dos primeiros dias de Janeiro e os últimos dias de Fevereiro é de 1 hora e sete minutos, ou seja, aproximadamente uma hora.O provérbio “Em Janeiro uma hora por inteiro e, quem bem olhar, hora e meia há-de achar” não faz muito sentido do ponto de vista científico. Falta-lhe, para o precisar, do mês de comparação ou de referência. Se compararmos com Dezembro ou Fevereiro, tal não é verdade, todavia se a comparação for feita com Novembro, será verdadeiro, mas não faz muito sentido porque as comparações, para serem estendíveis, ou são feitas com o mês anterior ou com o mês posterior, ou até entre estações do ano. Ditado semelhante ao anterior “Janeiro tem uma hora por inteiro”, não parece ter, tal como o anterior, qualquer enquadramento científico à latitude dos Açores, pois afirma que é em Janeiro que aparece uma hora a mais. Tal não é verdade. Para que se possa verificar essa conclusão, basta consultar a tabela que se apresenta no final deste documento.A duração dos dias e das noites pode ser calculada em função da latitude de um dado lugar e de um dia do ano específico, pela expressão:
ondeTd é a duração do dia, em horas,φ é a latitude do local,δ é a declinação do local na data pretendida,A declinação, por sua vez, pode ser calculada pela próxima expressão:
onde n é o número correspondente ao dia juliano pretendido (o dia juliano é um dos números da série consecutiva de 365 dias ou 366, consoante o ano seja bissexto ou não, por exemplo: 1 de Janeiro = 1; 31de Dezembro = 365).Todos os ângulos e resultados parciais de ângulos devem ser expressos em graus, para que as expressões forneçam resultados correctos.
Na tabela seguinte apresenta-se a duração do período de luz na ilha Terceira, para cada dia do ano de 2009 e que permite justificar a veracidade, ou não, dos provérbios anteriormente referidos.Se pretendermos, por oposição, calcular a duração da noite em cada dia do ano, torna-se evidente que esta será 24 horas menos a duração do dia.
(in Desambientado)

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sábado, outubro 31, 2009

CLIMA NOS AÇORES FAVORECE AS PLANTAS MEDICINAIS


Os Açores têm condições climáticas favoráveis à produção de ervas aromáticas e medicinais durante todo o ano.A Região conta com cerca de 350 espécies de plantas que podem ser utilizadas para fins medicinais. “Na Região, como em todo o país, a utilização destas plantas é recorrente: na alimentação, em chás e tisanas ou para ornamentação, cada vez mais se usam plantas aromáticas e medicinais”, afirma Ana Simões, professora e coordenadora dos mini-cursos que se têm realizado na Universidade dos Açores.Contudo, “pormenores quanto à constituição das plantas e técnicas que passam pelo modo de produção precisam ainda ser esclarecidos”.É neste sentido que a 22 de Novembro A Universidade dos Açores realiza um novo mini-curso, aberto a todos os insteressados, ministrado por Luís Alves, técnico de agricultura biológica, sobre “A utilização das principais plantas aromáticas e medicinais”.De facto, de acordo com Félix Rodrigues, autor de um estudo sobre as plantas locais, a utilização de plantas medicinais requer cuidados especiais desconhecidos por muitos.Assim,“são aconselhadas doses específicas para o uso deste tipo de plantas”.“O alho crú, por exemplo,, utilizado para problemas de herpes ou para ajudar a emagrecer, se utilizado em demasia pode originar infecções ou outros problemas”, afirma.De acordo com o professor universitário, “as plantas medicinais dos Açores têm uma utilização muito variada e dependem dos problemas de cada um. É o caso da folha do abacateiro que pode ser utilizado em casos de retenção urinária, hipertensão ou colestrol”.“Há também plantas que utilizamos sem sequer reconhecermos as suas propriedades. É o caso do agrião, benéfico para o sistema digestivo e sanguíneo”, continua.Félix Rodrigues acredita na importência destas plantas e relembrou ainda o facto de a ONU ter decretado que “o uso das plantas medicinais é uma mais valia, principalmente para os países mais pobres, porque contribuem para a resolução de problemas de saúde”.Apesar disso, o professor partilha da opinião que as gerações actuais têm desacreditado o poder destas plantas.“As plantas têm até um grande potencial económico, sendo que a nível mundial existem espécies com um valor acrescido”.Assim, diz o profressor, “a sua utilização contribui para a sustentabilidade regional”.

(In Diário Insular)

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segunda-feira, outubro 26, 2009

NA UNIVERSIDADE DOS AÇORES Observação astronómica às sextas-feiras


A partir de amanhã e nas próximas quatro sextas-feiras será possível observar o céu na sua componente astronómica. Trata-se da actividade de divulgação científica designada “Ciência à sexta”, que vai ter lugar no auditório da Universidade dos Açores, Pico da Urze, em Angra do Heroísmo.
A palestra “Moléculas interestelares e vida extra-terrestre”, por Célia Silva e Lurdes Dapkevicius (UAç, DCA), vai marcar o início de um programa de conversas, mesas redondas e sessões de observação do céu a desenvolver no âmbito da iniciativa “Ciência à sexta”, pelas 21h00.
Esta actividade de divulgação científica, que arranca amanhã, 23 de Outubro, pretende dar a conhecer a astronomia como o ponto de partida para levar a reflectir sobre a origem da vida e a sua procura fora da Terra; conhecer o desenvolvimento tecnológico e científico da Europa numa área de ponta como é a astronomia; e discutir a relação entre Arte e a Ciência ficando a conhecer melhor o Universo.
Assim, durante as próximas quatro semanas, às sextas-feiras, esta iniciativa conjunta da Universidade dos Açores, Direcção Regional da Ciência Tecnologia e Comunicações e do Ano Internacional de Astronomia 2009 prevê reunir no auditório da Universidade dos Açores, Pico da Urze, em Angra do Heroísmo, especialistas em astrofísica, a nível regional e nacional.
As outras sextas-feiras serão preenchidas com os temas “Astronomia "made in europe", por Teresa Lago (Centro de Astrofísica da Universidade do Porto), 30 de Outubro; “Arte e Ciência”, José Nuno da Câmara Pereira (artista plástico), Rogério Sousa
(Associação Cultural Burra de Milho), Filomena Ferreira (actriz), Félix Rodrigues
(UAç e moderador), João Pedro Barreiros (UAç), 6 de Novembro; e “Os últimos calhaus a contar do sol”, Nuno Peixinho (Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, Observatório Astronómico), 13 de Novembro.
“Noites Galileu”
Entretanto, as acções serão seguidas de uma sessão de observação astronómica integrada no projecto global “Noites de Galileu” (http://www.galileannights.org/), cujo objectivo é repetir algumas das observações feitas por Galileu há 400 anos e que revolucionaram o mundo ao separar a Ciência da Religião.
As observações ocorrerão das 20h às 21h e das 22h às 23h30, se as condições meteorológicas forem favoráveis, segundo informa a organização, e a entrada é livre.
Recorde-se que Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009) consiste numa celebração da astronomia à escala mundial estimulando o interesse de todos na e na ciência em geral, com particular incidência nas camadas mais jovens da população.
Há três anos a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2009 como Ano Internacional da Astronomia.
Vida extra-terrestre
Segundo a nota informativa sobre o projecto “Ciência à sexta”, a primeira palestra, intitulada “Moléculas interestelares e vida extra-terrestre”, Célia Silva e Lurdes Dapkevicius, tem como ideia base a eventual existência de vida em outros ambientes localizados nas profundezas da Terra e no espaço do Universo.
“As profundezas da Terra também abrigam comunidades microbianas que são independentes duma fonte de luz – utilizam, em seu lugar, energia química do basalto, uma rocha que abunda na Terra... e em Marte. A descoberta destes ecossistemas de profundidade levou alguns cientistas a pensar que a vida na Terra poderá ter principiado nas profundezas, tendo posteriormente migrado para a superfície, quando as condições da Terra primitiva se tornaram mais hospitaleiras. E em Marte? Poderá ter acontecido o mesmo?”, refere o documento.

(In A União)

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domingo, outubro 25, 2009

Lançamento da 2ºedição do CD «Madrugada das Cagarras»


No âmbito da Campanha SOS Cagarro, as Ecotecas de Angra do Heroísmo, Pico e São Jorge, geridas pela Associação «Os Montanheiros» com o apoio da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, tomaram a iniciativa de proceder à segunda edição do CD «Madrugada das Cagarras» da autoria de Paulo Henrique Silva com a colaboração do professor universitário Félix Rodrigues. Dada a elevada procura deste recurso audiovisual, o qual contém uma recolha exaustiva de imagens, sons e informação escrita sobre o ciclo de vida do Cagarro, as Ecotecas de Angra do Heroísmo, Pico e São Jorge, que integram a Rede Regional de Ecotecas, associaram-se para contribuir com mais um elemento de sensibilização ambiental no âmbito da Campanha SOS Cagarro.Este recurso multimédia pretende também envolver e esclarecer os cidadãos e entidades da importância no salvamento dos cagarros juvenis encontrados junto às estradas e na sua proximidade. Mais informações sobre a aquisição do CD em http://soscagarro.azores.gov.pt ou junto da Associação «Os Montanheiros».

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quarta-feira, outubro 21, 2009

Ciência à Sexta


A actividade de divulgação científica Ciência à sexta tem início esta sexta-feira, dia 23 de Outubro.Do Miguel Tavarela recebemos este texto:Esta iniciativa consiste em palestras, mesas redondas e sessões de observação do céu durante 4 semanas, à sexta-feira, nas instalações do Pico da Urze da Universidade dos Açores. A astronomia é o ponto de partida para nos levar a reflectir sobre a origem da vida e a sua procura fora da Terra, conhecer o desenvolvimento tecnológico e científico da Europa numa área de ponta como é a astronomia, discutir a relação entre Arte e a Ciência e ficar a conhecer melhor o nosso canto do Universo.

(in Astronomia no Meio do Atlântico)

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quarta-feira, setembro 23, 2009

Natureza revelada


Da Serra de Santa Bárbara ao caracol da Fonte da Telha, passando pelo Pico Matias Simão, são 13 os aspectos em destaque no CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Características naturais únicas ou de grande raridade, que o município quer salientar aos olhos de turistas e residentes. Não há terceirense que não conheça o Monte Brasil. Ponto de paragem obrigatória para quem visita a ilha, o espaço é procurado durante todo o ano pelos locais, quer para desfrute da vista sobre Angra do Heroísmo, quer pelo contacto com a natureza. Ainda assim, poucos são os que conhecem os fósseis do Monte Brasil. “Grandes orifícios, antes ocupados por troncos de árvores são bem visíveis nas cinzas vulcânicas das falésias do Fanal, em plena Angra do Heroísmo. Esses fósseis são relíquias do passado natural da Terceira, e um património que interessa preservar, porque conta a história de uma ilha em evolução, e porque neles é visível a violência deste ambiente, construído a partir do fundo do mar. Os fósseis do Monte Brasil são uma raridade a nível nacional mas também a nível internacional, não pela sua idade, mas pela juventude e génese”.Foi o Tenente-coronel José Agostinho, o primeiro a referir-se aos fósseis vulcânicos do Monte Brasil. Hoje, alguns fazem parte do espólio d’ “Os Montanheiros”. Esses fósseis têm particular importância por se referirem à flora de ilhas ainda não ocupadas por mamíferos. O estudo dos fósseis do Monte Brasil, anteriores à ocupação dos Açores pelos portugueses, permite perceber o real impacto do homem em ilhas virgens ou espaços ainda não intervencionados. Este é apenas um exemplo das riquezas naturais que Angra possui e que continuam desconhecidas para a maioria dos seus habitantes. Foi para captar a atenção de turistas e residentes para estes pormenores que escapam ao primeiro olhar que a Câmara Municipal de Angra lançou o CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Apresentado no passado dia 11, o CD reúne fotos, textos e vídeos sobre 13 aspectos do património natural do concelho, únicos ou muito raros. A par dos fósseis do Monte Brasil também o caracol da Fonte da Telha é realçado, uma espécie com 6 milímetros que é um endemismo da freguesia do Posto Santo. Outra espécie endémica em destaque é a aranha cavernícola do Algar do Carvão. Existente unicamente naquela zona, tem apenas 3 milímetros. As Furnas do Enxofre são uma raridade do ponto de vista biológico. É pela quantidade de plantas, briófitos, líquenes, algas e de alguma fauna adaptadas a condições específicas que se distingue a nível mundial. É também nas Furnas do Enxofre que encontramos a usnia krogiana, uma espécie de líquenes ou usneas, endémica dos Açores, rica em beleza natural e raridade.No Porto Judeu, a Gruta das Agulhas salienta-se pela sua importância biológica, dada a quantidade, variedade e qualidade de biofilmes decolónias de bactérias, que servem de investigação à Universidade dos Açores. Na mesma freguesia podemos encontrar os maiores ilhéus dos Açores. Os Ilhéus das Cabras apresentam uma fauna e flora marinha de interesse relevante não só para cientistas, mas também para mergulhadores recreativos e curiosos.Com uma grande quantidade de vegetação luxuriante, sobretudo endémica na Região, a Ribeira do Além é uma das ribeiras mais bonitas dos Açores. Situa-se na freguesia da Serreta. Mais acima, os Altares apresentam um cone vulcânico, de escórias soldadas, com características únicas no contexto da geodiversidade do planeta. O Pico Matias Simão assemelha-se apenas a formações vulcânicas existentes na Sicília, em Espanha e o arquipélago do Havai, no Oceano Pacífico. A serra de Santa Bárbara é um dos lugares com maior riqueza natural do país. A sua caldeira é o local com mais endemismos por unidade de terreno dos Açores e de Portugal. Na apresentação do CD multimédia, o professor catedrático António Firas Martins disse mesmo que se Darwin tivesse visitado a serra de Santa Bárbara, quando esteve na Terceira, não teria necessitado de ir às Galápagos para descobrir a teoria da evolução. É também na Serra de Santa Bárbara que se encontra a Lagoa Funda, uma das lagoas da ilha e dos Açores que não apresenta qualquer tipo de intervenção humana mantendo os seus habitats inalteráveis desde a formação das ilhas. O trevo de quatro folhas “marsilea azorica” é uma das plantas mais raras e ameaçadas do mundo. O feto endémico só existe no charco temporário da zona do Pico da Bagacina. Também o musgo “echinodium renauldii” é um dos mais raros da Europa. Fica na zona da Matéla, na freguesia da Terra Chã. O trabalho contou com a colaboração a título individual de vários professores da Universidade dos Açores. Francisco Cota Rodrigues, Eduardo Dias, Álamo Meneses, Félix Rodrigues, Maria de Lurdes Enes, Cecília Melo, João Pedro Barreiros, Rosalina Gabriel, Paulo Borges, Victor Hugo Forjaz e António Frias Martins deram testemunhos em vídeo sobre as diferentes espécies e locais salientados. A coordenação ficou a cargo de Félix Rodrigues, a nível de textos, e de Paulo Henrique Silva, que recolheu fotografias e vídeo. Rosalina Gabriel falou sobre o musgo neste trabalho. Para a professora da Universidade dos Açores, o trabalho serve para dar a conhecer o que existe de bonito no concelho. “Eu penso que qualquer pessoa que conhece as florestas naturais tem a certeza que elas seriam muito diferentes se não houvesse musgos. A biomassa que ali está é muito grande, eles estão em todo o lado, desde as rochas até aos troncos, até às folhinhas mais lá em cima, onde há menos quantidade de água. É importante que as pessoas comecem a olhar para eles. É bonito”, refere.Já Eduardo Dias, acredita que a divulgação destas espécies pode promover a sua protecção, mas pode também provocar o oposto. “É verdade que se não divulgarmos as pessoas não gostam, não apreciam e consequentemente não vão justificar a sua conservação, mas por outro lado o conhecimento leva a um maior interesse, que por vezes pode levar à destruição”, defende.Segundo o professor, os Açores começam já a dar os primeiros passos na conservação das espécies endémicas. “As medidas de conservação nos Açores são muito recentes e acho que ainda se está a fazer um percurso neste sentido. Estão a sair os parques de ilha e uma série de medidas de conservação básicas e estruturantes, que a Região não tinha. A gente tem de esperar que, de facto, este surto de interesse que a população e a comunidade estão a ter sobre a natureza dos Açores corresponda a uma devida proporção em termos da conservação, que no passado não era muito fundamentado, porque as pessoas desconheciam e não se interessavam e que agora começa a ser dramático, porque as duas coisas têm de andar a par e passo, divulgação/ promoção e conservação da natureza”, revela.

(in Diário Insular)

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terça-feira, setembro 22, 2009

Biodiversidade dos Açores

José Lourenço
Tema de abertura: em 1836, de regresso das Galápagos, o Beagle atracou em Angra, possibilitando que Charles Darwin (pai da Teoria da Evolução das Espécies) visitasse a ilha. Contudo, após o pequeno périplo, o naturalista decretou que os Açores não tinham motivo de interesse para as teorias da evolução. Quase dois séculos depois, os cientistas açorianos querem provar que Darwin errou. Os estudos da biodiversidade dos Açores têm vindo a provar que as ilhas são um laboratório natural para estudar a evolução das espécies e a dinâmica e a ecologia dos espaços insulares. Em entrevista ao DI, Paulo Borges, que lidera estudos sobre a biodiversidade açoriana na Universidade dos Açores, fala sobre o momento actual da Ciência nas ilhas. Reportagem: da Serra de Santa Bárbara ao caracol da Fonte da Telha, passando pelo Pico Matias Simão, são treze os aspectos em destaque no CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Características naturais únicas ou de grande raridade, que o município quer salientar aos olhos de turistas e residentes. É um trabalho da Câmara de Angra, coordenado por Félix Rodrigues e Paulo Henrique Silva. Reportagem: o proprietário da Olaria Simas falou a DI-Revista sobre a sua profissão, explicando as principais características da mesma, bem como do trabalho diário que esta envolve. Uma perspectiva de passado, presente e futuro de quem trabalha o barro há mais de uma década. Figura do Desporto: Juliana Paim foi das atletas que mais contribuiu para o sucesso das juvenis da ADREP na época anterior. Foram as mãos desta jovem que embalaram o belo jogo protagonizado pelas pupilas de Luís Maciel. Ao DI, confessa a sua paixão pela modalidade. Encerra esta edição um trabalho do nosso fotógrafo António Araújo com imagens sempre extraordinárias da peregrinação deste ano à Serreta, que ocorreu no passado fim-de-semana.

(in Diário Insular)

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terça-feira, setembro 15, 2009

ATRAVÉS DE UM CD Câmara apresenta tesouros naturais de Angra

Conhece a ribeira do Além na freguesia da Serreta ou a gruta das Agulhas no Porto Judeu, sabia da existência de uma espécie única de caracol na zona da Fonte da Telha ou de um trevo de quatro folhas no Pico da Bagacina que é das plantas mais raras do mundo? São estes e outros segredos que o CD multimédia “ Ícones Ambientais do Concelho de Angra do Heroísmo”, lançado pela Câmara Municipal, pretende dar a conhecer.


Com textos de Félix Rodrigues e fotografias de Paulo Henrique da Silva, o CD apresenta 13 pontos de interesse natural do concelho de Angra que vão desde a fauna à flora passando pela geologia e a vulcanologia.
A aranha cavernícola do Algar do Carvão, o caracol da Fonte da Telha, fósseis no Monte Brasil, furnas de enxofre, a gruta das Agulhas, os ilhéus das Cabras, a Serra de Santa Bárbara e a sua lagoa Funda, o pico Matias Simão, a ribeira do Além, as Usneas, o musgo Broth e o trevo de quatro folhas Marsilea azorica são os elementos em destaque.
Para além dos textos e fotografias, cada ícone é acompanhado por depoimentos em vídeo de especialistas da Universidade dos Açores e a Sociedade de Exploração Espeleológica “Os Montanheiros”.
Na apresentação do CD à comunicação social, Andreia Cardoso, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (CMAH) destacou os elementos naturais que distinguem o concelho, afirmando que a autarquia pretende que estes sejam uma chamariz turístico e de promoção de Angra a par da sua componente histórica e cultural.
“ Este CD vai dar a conhecer elementos únicos desconhecidos da maioria das pessoas que se encontram em lugares muito visitados como o Algar do Carvão e ao mesmo tempo mostrar outros elementos que se desejam preservar sem o risco da sua destruição”, acrescentou a autarca.
Este CD estará disponível nos Paços do Concelho onde está também patente uma exposição fotográfica sobre estes ícones ambientais.
A aposta da CMAH na promoção do património natural do concelho passa, para além do CD, pela exposição “Património Subaquático da Baía de Angra do Heroísmo”, de Luís Quinta, patente no Palácio dos Capitães Generais e pelo espaço Angrosfera, disponível no novo portal da internet da edilidade que vai permitir visualizar estes e outros elementos ambientais de Angra.Para o futuro a autarquia irá levar a cabo um projecto para a melhoria da sinalização em muitos dos locais apresentados no CD, uma forma dos visitantes tomarem contacto “in loco” com os mesmos, funcionando com uma mais valia turística para um publico “ cada vez mais sensível às questões da Natureza”, considerou Andreia Cardoso.
(in A União)

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sábado, setembro 12, 2009

Identificado nos Açores elemento radioactivo em quantidade assustadora

Estrôncio 90 - é assim que que se chama o elemento radioactivo identificado nos Açores em ossos humanos e no queijo, em quantidades consideradas "assustadoras" - revelam dados de um estudo norte-americano.
A presença de estrôncio radioactivo nos Açores não surprende os cientistas porque já tinham sido detectadas altas concentrações de trítio, proveniente de actividade nuclear: as causas possíveis têm a ver com a deposição nas ilhas de radioactividade, proveniente de experiências nucleares, por via da circulação dos ventos e das chuvas. O que se pode fazer agora é estudar bem esses fenómenos para se tentar minimizar os efeitos na saúde humana e na gestão ambiental - afirma o cientista Félix Rodrigues, da Universidade dos Açores, especialista em Ambiente.
Este investigador tem acompanhado os fenómenos de poluição das ilhas por elementos radioactivos e outros contaminantes, e é por essa razão que não fica surpreendido com as descobertas de altas concentrações de estrôncio 90, num estudo que envolve a Região Autónoma dos Açores.

(in Armando Mendes / Carlos Tavares- RDP Açores)

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sábado, setembro 05, 2009

Universidade com novo modelo de financiamento

O cabeça de lista do CDS-PP Açores às eleições legislativas, Félix Rodrigues, defendeu ontem, uma alteração “às regras de financiamento do ensino superior público” em Portugal. Nesta defesa destacou a necessidade de se “dar prioridade”, ou seja, “uma discriminação positiva” ao financiamento da Universidade dos Açores e às universidades com pólos.Após uma reunião com o representante do Reitor da Academia Açoriana, Brandão da Luz, em Ponta Delgada, o candidato centrista justificou a sua proposta com números: “o Governo da República é responsável por 69 por cento do financiamento das receitas da Universidade dos Açores; no entanto, as despesas que a Universidade tem 90 por cento são com pessoal (salários de docentes e funcionários). Significa isto que a Universidade dos Açores tem que andar sempre de mão estendida para pagar salários dos últimos meses do ano”.Félix Rodrigues lembrou ainda que “a Constituição da República Portuguesa diz que o ensino superior em Portugal deve ser tendencialmente gratuito, mas na prática o ensino superior em Portugal é tendencialmente pago e bem pago”. Acrescentando que, “há aqui uma incompatibilidade de lógicas e políticas de direita e esquerda”. O cabeça de lista popular, preconizou ainda que a “competitividade dos docentes seja premiada”, isto é, avançou, “o desempenho dos docentes não é compensado, mas os docentes são estimulados a apresentarem desempenhos diferentes”.O candidato deixou ainda uma crítica ao Governo da República, esta relacionada com as infra-estruturas físicas da Universidade. Segundo Félix Rodrigues, “o Governo da República demitiu-se completamente das suas responsabilidades em financiar a tripolaridade da Universidade dos Açores”.Afirmou que, “se não fosse o Governo Regional a substituir as competências do Governo da República hoje não teríamos quaisquer instalações de qualidade na Universidade dos Açores”.
(in Diário Insular)

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quarta-feira, setembro 02, 2009

Artur Lima promete indemnizar moradores da Grota do Vale, caso seja eleito

O candidato do CDS-PP Açores à presidência da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Artur Lima, assumiu que se for eleito presidente vai “acabar com os processos a decorrer em tribunal entre moradores (da Grota do Vale) e autarquia e indemnizar justamente as pessoas, vítimas de um atroz sofrimento durante a última década e pedir-lhes desculpa”. Numa conferência de imprensa realizada ontem junto à ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) de Angra do Heroísmo, na Grota do Vale, freguesia de São Bento, o candidato centrista lamentou que “a teimosia” do anterior presidente da edilidade, Sérgio Ávila, se tenha sobreposto “à ciência”. Aliás, acrescentou, “apenas e só por teimosia da autarquia, presidida por Sérgio Ávila, a ETAR foi construída neste local, contrariando todos os pareceres científicos, concretamente de Eduardo Brito de Azevedo, actual Mandatário da lista do PS”, assim como de outros cientistas como “Félix Rodrigues, do CDS-PP, e de Adelaide Lobo, independente”. Artur Lima afirma que “sobra razão aos moradores que foram inaceitavelmente prejudicados e afectados física, psicológica e materialmente”, lembrando que hoje “ninguém compra aqui uma casa”, mas hoje “há gente que ainda vive aqui”. Por isso, o cabeça de lista, que se fez acompanhar por Graça Silveira e Alonso Miguel – outros elementos que compõem a sua lista – e por Rogério Nogueira – candidato popular à Junta de Freguesia de São Bento –, assume que não quer que o conflito judicial que opõe a Câmara aos moradores nas imediações desta ETAR seja prolongado, para além “destes 10 anos que já dura”. Para Artur Lima, “as obras públicas devem fazer-se no total respeito pelo cidadão e pelo ambiente”, sobretudo obras desta natureza e impacto, salientando que “estas obras devem servir para melhorar a qualidade de vida das pessoas e não para as prejudicar, como, infelizmente, é manifestamente o caso da ETAR de Angra do Heroísmo”. “A ETAR foi mesmo construída neste local, com as consequências que hoje se conhecem. A prepotência venceu a ciência”, lamentou o candidato do CDS-PP à Câmara Municipal angrense.


(in Diário dos Açores)

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quarta-feira, agosto 26, 2009

Projecto Barqueira - Apresentação Final (parte II)

O Projecto Barqueira foi uma iniciativa desenvolvida em Área de Projecto no ano lectivo 2008/2009 pelo grupo Forças Ondulatórias Com Aplicações Marítimas (F.O.C.A.M.), constituído por Ana Rocha, Cl...
O Projecto Barqueira foi uma iniciativa desenvolvida em Área de Projecto no ano lectivo 2008/2009 pelo grupo Forças Ondulatórias Com Aplicações Marítimas (F.O.C.A.M.), constituído por Ana Rocha, Cláudia Ávila, Diogo Brandão e Rui Ormonde, alunos da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade de Angra do Heroísmo (ilha Terceira, Açores).

A iniciativa consistia na tentativa empírica de aproveitar o potencial energético associado às ondas para, armazenando-o sob a forma de energia potencial elástico, fazer locomover uma embarcação. Um dos produtos finais foi, portanto, uma maqueta funcional que tentasse demonstrar este princípio, sendo o outro um manual descritivo da sua estrutura e funcionamento (disponível, juntamente com esta apresentação, em http://cid-cbbc13fc6f2f7609.skydrive....

Esta apresentação contextualiza e explica o projecto, nomeadamente a nível das aplicações que uma embarcação de porte real, inspirada na nossa maqueta, poderia ter na sociedade, do perfil ecológico da mesma, do impacto negativo que as ondas sempre tiveram na navegação, dos materiais usados (essencialmente reutilizados) para a construção do protótipo e, por fim, da construção da maqueta, com os diversos desafios técnicos, testes e subsequentes aprimoramentos.

Esperamos que gostem!

Grupo F.O.C.A.M.

Agradecimentos:
Professora Tânia Fonseca
Professora Margarida Alves
Universidade dos Açores Professor Félix Rodrigues
EDA Engenheiro Miguel Aires
LAMTec Engenheiro Emanuel Barcelos
Ecoteca Hélder Xavier e Ricardo Ávila
Câmara Municipal de Angra do Heroísmo Dra. Andreia Cardoso
PSP de Angra do Heroísmo
Bombeiros Voluntários de Angra do Heroísmo
Casa Cristal
Auto Simosa
Ananias Contente
Carlos Ormonde
Fábio Lemos
Família Brandão
Família Ávila - Emanuel e Marcelo Ávila

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Projecto Barqueira - Apresentação Final (parte I)

O Projecto Barqueira foi uma iniciativa desenvolvida em Área de Projecto no ano lectivo em Área de Projecto no ano lectivo 2008/2009 pelo grupo Forças Ondulatórias Com Aplicações Marítimas (F.O.C.A.M.), constituído por Ana Rocha, Cláudia Ávila, Diogo Brandão e Rui Ormonde, alunos da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade de Angra do Heroísmo (ilha Terceira, Açores).

A iniciativa consistia na tentativa empírica de aproveitar o potencial energético associado às ondas para, armazenando-o sob a forma de energia potencial elástico, fazer locomover uma embarcação. Um dos produtos finais foi, portanto, uma maqueta funcional que tentasse demonstrar este princípio, sendo o outro um manual descritivo da sua estrutura e funcionamento (disponível, juntamente com esta apresentação, em http://cid-cbbc13fc6f2f7609.skydrive....

Esta apresentação contextualiza e explica o projecto, nomeadamente a nível das aplicações que uma embarcação de porte real, inspirada na nossa maqueta, poderia ter na sociedade, do perfil ecológico da mesma, do impacto negativo que as ondas sempre tiveram na navegação, dos materiais usados (essencialmente reutilizados) para a construção do protótipo e, por fim, da construção da maqueta, com os diversos desafios técnicos, testes e subsequentes aprimoramentos.

Esperamos que gostem!

Grupo F.O.C.A.M.

Agradecimentos:
Professora Tânia Fonseca
Professora Margarida Alves
Universidade dos Açores Professor Félix Rodrigues
EDA Engenheiro Miguel Aires
LAMTec Engenheiro Emanuel Barcelos
Ecoteca Hélder Xavier e Ricardo Ávila
Câmara Municipal de Angra do Heroísmo Dra. Andreia Cardoso
PSP de Angra do Heroísmo
Bombeiros Voluntários de Angra do Heroísmo
Casa Cristal
Auto Simosa
Ananias Contente
Carlos Ormonde
Fábio Lemos
Família Brandão
Família Ávila - Emanuel e Marcelo Ávila
Categoria: Ciência e tecnologia

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terça-feira, agosto 25, 2009

A Política também é para nós?

Celina Miguel
Sou professora do primeiro ciclo do ensino básico e este ano, na minha escola, foi-nos sugerido que organizássemos o trabalho da turma em torno dos interesses e necessidades dos alunos, mas procurando desenvolver um valor humano. Optei por abordar o valor da “diferença”, porque entendo que a diferença é um valor a respeitar e a promover!
Posteriormente, Félix Rodrigues, pediu-me que, de forma desapaixonada, discorresse sobre o tema “como a política é importante para nós”. Aceitei o desafio e centrei-me na minha experiência educativa. Neste artigo procurarei ressalvar o valor da diferença que existe na política e que se plasma, nomeadamente, na variedade de ideais, partidos e pessoas – especialmente aquelas que manifestam publicamente discordância face a uma posição do governo ou do respectivo partido.O político, em particular, deve, a meu ver, marcar a diferença na forma como defende os direitos e deveres do nosso País, mas é aos adultos, em geral, que cabe a tarefa de “politizar”, ou seja, trabalhar pela formação política dos indivíduos e pela sua consciencialização relativamente à realidade política que os cerca.Enquanto cidadã, em geral, e professora, em particular, procuro que os meus alunos percebam que quando ouvem um qualquer vizinho comentar – “Eu não voto porque os políticos são todos iguais!” – devem saber discernir se aquela generalização extremista é merecedora de atenção. Isto é, se reflecte insatisfação de alguém que se sente “lesado” porque penalizado por uma determinada lei ou se é apenas uma frase-feita ao “sabor da onda” usada para camuflar ignorância política. Qualquer que seja o caso importa reter que é possível manifestarmo-nos a favor ou contra uma determinada decisão política em locais e momentos apropriados para esse efeito. Uma definição de “política” dada pelos meus alunos classifica-a como “a habilidade de alcançar objectivos através de relações humanas” pois é isso que mais observam nas campanhas eleitorais: políticos a cumprimentar “o povo” e o povo a enunciar as suas angústias e preocupações, muito embora não possamos afirmar se essas relações em concreto irão surtir os efeitos desejados.É por isso que acho que a política também é para nós, para que saibamos ler nas entrelinhas destes cenários, perceber o que se pretende com eles, se contribuem de alguma forma para a política que há-de ser seguida daí em diante ou se são meros espectáculos de ilusionismo dissimulado. Não obstante a finalidade das campanhas eleitorais o que importa reter é que nesses momentos também nós – “o povo” – podemos e devemos dar, como os políticos, a cara pelos nossos ideais. Num País como o nosso qualquer cidadão (político ou eleitor) tem o direito – se não o dever – de manifestar conscientemente o seu agrado ou descontentamento relativamente a uma decisão sobre qualquer questão, mas sobremaneira naquelas que se repercutem no futuro do seu país – e a isso chamamos Democracia!Os actores deste palco que é a política são tão necessários quanto os dos restantes palcos da vida, pois todos nós, para vivermos em sociedade temos de representar um determinado papel! Contudo, se formos capazes de reclamar, também temos de ser capazes de reconhecer a coragem e perseverança com que alguns políticos se dedicam a determinadas causas que defendem com unhas e dentes. Para que nos tornemos cidadãos conscientes é preciso ouvir notícias do nosso País e do Mundo, assistir a debates entre candidatos, oposição e aspirantes a qualquer um destes cargos, tomar conhecimento das suas intenções, interpretar discursos de modo a perceber se as promessas que eles veiculam são pura demagogia, ou antes anseios de algum sonhador (que merece ou não o benefício da dúvida já que alguém disse que “o sonho comanda a vida”!)… ou se são puras trocas de benesses (e neste caso para o conseguirmos interpretar temos de dominar termos como astúcia/ardil/lobby/complô/corrupção, entre tantos outros…). Só então estaremos aptos a formar opinião, com base em argumentos concretos e não “ao sabor da onda”. É por isso que penso que a política também é para nós, porque são os políticos que elegemos que vão representar a nossa vontade nas tomadas de decisão que determinam o futuro do nosso País e, por conseguinte, a qualidade da vida que nele poderemos ter. Ora se a política do País em que vivemos define a forma como viveremos, então precisa da nossa intervenção activa, como políticos ou como eleitores! Na minha opinião o valor da diferença na política reside precisamente na quantidade de pareceres que possam garantir a qualidade das decisões que contribuem para o desenvolvimento do nosso País… e quantos mais pensadores houver melhor organizo o meu próprio pensamento.Um cidadão consciente toma parte em cada acto político da sociedade em que se integra: vota a favor ou contra, ou em branco, mas não deixa de manifestar a sua opinião, demitindo-se deliberadamente da abstenção porque a assumi-la seria a ausência total ou a inexistência de consciência. Dubito, ergo cogito, ergo sum: "Eu duvido, logo penso, logo existo" era já a conclusão do filósofo e matemático francês Descartes, pelo que, se tanto duvida, aquele cidadão nosso vizinho, como todos nós, deve votar!

(In Diário Insular)

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sexta-feira, agosto 21, 2009

Até as crianças percebem: Uma opinião Ilustrada

Félix Rodrigues


Há falta de esclarecimento político na nossa sociedade, tendo-se, por vezes, uma visão estereotipada da política, dos partidos políticos e dos políticos.A diversidade de pensamento, os distintos graus de ingenuidade, os diferentes graus de distracção e a divergente capacidade crítica, tornam a população portuguesa dissemelhante, tendo, como é sabido, influências pré-indo-europeias da Ibéria (como tartessos e outras anteriores) e seus descendentes (como os cónios, posteriormente “celtizados”); protoceltas e celtas (tais como os lusitanos, gallaici, celtici); alguns fenícios e cartagineses; romanos; suevos, búrios e visigodos, bem como alguns vândalos e alanos; bizantinos; berberes com alguns árabes e saqaliba (escravos eslavos); judeus sefarditas, africanos subsarianos e asiáticos. Politicamente, somos muito homogéneos, apesar de na hora do voto, anuirmos pela concordância das ideias, pela roupa que se usa, pela cara do candidato, pelo mérito do candidato, pela família dos candidatos e pela venda do voto, entre outras razões.Conclui-se que é importante a diversidade de opiniões e de éticas, pois só assim se tem uma correcta representatividade da população portuguesa.Uma menina do 4º ano de escolaridade consegue ter essa percepção e consegue captar também os diferentes estereótipos de políticos que existem na sociedade portuguesa.
Percebe-se, na ideia gráfica apresentada que a função da política é promover o bem-estar da população através de abaixamento de preços, aumento dos ordenados, aumento do emprego, políticas sociais de não marginalização de cidadãos, melhor saúde, melhor habitação, entre outras, mas também se percebe que é impossível cumprir em simultâneo todos esses objectivos. Assim, prometer o que se quer ouvir, não custa, o que custa é fazê-lo correctamente. A descrença ou o descontentamento com a política e com os políticos resulta da não correlação entre as expectativas criadas pelos cidadãos que elegeram determinados políticos e as políticas por eles implementadas.Há necessidade de tornar o discurso político realista e não contraditório. A crítica serve para o encontro da razão e de soluções que optimizem as estratégias. Se nenhum partido político está contra o abaixamento dos preços, porque razão não o fazem ou discordam entre si? Tal está relacionado com os impactos directos ou indirectos que uma política pode ter, uma vez que o abaixamento dos preços, por exemplo, leva a uma perda de rendimento dos produtores e comerciantes e como tal, a uma diminuição do emprego, a uma perda de rendimento de algumas famílias e a uma diminuição da qualidade dos produtos distribuídos. A solução passa pelo ponto óptimo dessa questão onde se equilibram distintas visões. Exige-se assim abertura de espírito, debate e capacidade de diálogo para encontrar esse ponto de equilíbrio. As oposições deveriam ser mais construtivas, se o executivo do momento for capaz de integrar diferentes perspectivas. O que verificamos é que nem sempre as oposições são construtivas, ou seja, não apresentam soluções credíveis, e quando o fazem, os governos não as aceitam. Tal tipo de acção política até é percebido por crianças de dez anos. O “carneirismo” ou “seguidismo” surge com o partidarismo, mas nem todo o “partidarista” é “carneirista”. Os estereótipos políticos resultam de cópias dos líderes e o que vemos, por vezes, é que as cabeças pensantes são actuantes, muitas outras, nem com chapéus ou turbantes. A política interessa-nos a todos, pois dela depende o nosso dia a dia, a nossa qualidade de vida, o nosso desenvolvimento. Não há desenvolvimento, sem envolvimento da sociedade. Compete a cada um de nós escolher modelos e actores políticos, distinguir a verdade da mentira ou o ilusionista do transparente.Votar é fácil, o que é difícil é escolher, e isso, até as crianças percebem. Os adultos devem utilizar a sua capacidade de decidir, pois já estão habituados a escolher entre os dilemas da sua vida.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, agosto 20, 2009

ATÉ 27 DE NOVEMBRO Angra comemora 475 anos de elevação a cidade

No ano em que se comemoram 475 anos da elevação de Angra do Heroísmo a cidade, autarquia vai levar a cabo um programa de celebrações até Novembro com actividades desportivas, exposições, espectáculos musicais, lançamento de Cd´s comemorativos entre outras actividades.
As celebrações têm o seu início no próximo dia 21 de Agosto e estendem-se até 27 de Novembro.
Na conferência de imprensa de apresentação das comemorações da elevação a cidade, Andreia Cardoso, presidente da Câmara de Angra do Heroísmo realçou que o programa pretende destacar “ o papel histórico da cidade e algumas das suas características culturais e naturais mais distintivas no contexto regional e nacional”. Potenciar recursos naturais

Questionada sobre o que entende ser o papel actual de Angra no contexto regional e nacional, a autarca afirmou não concordar com os que dizem que a cidade perdeu peso, defendendo que “ se transformou em função da realidade económica e da própria sociedade, não podemos é continuar a olhar para a Angra do século XVI”. Andreia Cardoso foi mais longe, dizendo que a cidade “”apresenta características únicas no contexto da região e do país”.
Assim, a presidente defende que Angra do Heroísmo deve apostar em explorar o seu património arquitectónico e natura, argumentando que o futuro do turismo no concelho não pode passar apenas pela zona classificada como Património da Humanidade no centro da cidade, mas necessariamente, por divulgar a riqueza natural do concelho.
“ Angra tem características ideias para a prática de mergulho, não só na baia da cidade mas ao largo do concelho, pelo que temos que potenciar a nossa zona costeira”, afirmou Andreia Cardoso.

Programa

As comemorações começam a dia 21 de Agosto pelas 18h15 com a cerimónia de abertura da III Taça das Nações de Futsal- Angra 475 anos no Pavilhão Municipal. Este torneio, que junta Sporting Clube de Portugal, KMF Dínamo de Moscovo, FC Southern Maryland, Futbol Sala Cartagena, GDB BIC e UFC Munster decorre até ao próximo domingo.
Dia 21 de Agosto abre também ao público a exposição “ Património Subaquático da baía de Angra do Heroísmo” de Luís Quinta, patente na galeria do Palácio dos Capitães Generais, até 30 de Setembro.
Neste dia, nos Paços do Concelho, tem lugar a abertura do posto filatélico com o selo comemorativo da elevação a cidade (20h30) e meia hora depois tem inicio a sessão solene dos 475 anos em que serão entregues medalhas de mérito municipal a Luís Brito de Azevedo, Marcelo Bettencourt e José Ribeiro Pinto. O primeiro dia encerra com um concerto na Praça Velha da Orquestra Angrajazz com a convidada especial Paula Oliveira, a partir das 22h30.
No sábado, 22, pelas dez da manhã tem lugar a cerimónia de atribuição do nome de Luís Bretão ao Pavilhão Multiusos e pelas 18h00 são distribuídos os prémios do concurso escolar “ Angra do Heroísmo – 475 anos de História” nos Paços do Concelho.
Dia 3 de Setembro pelas 18h00 é lançado o CD “ Pezinho dos bezerros da Terceira”, de Paulo Henrique da Silva, às 21h30 no edifico da Câmara Municipal. No mesmo local e à mesma hora, a 11 de Setembro, é apresentado o CD multimédia “ Ícones Ambientais do Concelho de Angra do Heroísmo”, de Paulo Henrique Silva e Félix Rodrigues e uma conferência do professor António Frias Martins.
A 18 de Setembro é a vez do lançamento do livro “ Angra do Heroísmo: Arquitectura do Século XX e Memória Colectiva”, da autoria de Paulo Duarte Melo Gouveia.
Já em Novembro, no dia 6 abre ao público a 1ª Mostra Filatélica “ Pérolas do Atlântico”, em exposição no Centro Cultural e de Congressos, até 15 do mesmo mês. No domingo seguinte, 8 de Novembro, a Sé de Angra recebe pelas 21h00 o concerto comemorativo dos 475 anos de Angra Cidade e Diocese e no dia seguinte tem lugar a conferência “ A música na corte do Rio de Janeiro – Memória de D. Pedro IV em Angra”, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
Do programa fazem ainda parte as aulas abertas sobre História, a cargo de Mário Cabral, dia 25 de Setembro, Mário Rodrigues a 30 de Outubro e Avelino Meneses a 27 de Novembro, sempre no pequeno auditório do Centro Cultural e de Congresso a partir das 20h30.
(in A União)

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terça-feira, agosto 18, 2009

Ruralidade terceirense

A ruralidade terceirense foi alvo de um estudo por parte de professores da Universidade dos Açores. " A Ruralidade em Contexto Insular: a sustentabilidade edificada ao ritmo dos afectos" deu nome à tese de mestrado de Eva Vidal, em Educação Ambiental. O trabalho centrou-se na freguesia do Raminho, uma das mais rurais da ilha, de acordo com os investigadores. Eva Vidal admite que o facto de ser professora no Raminho também pesou na escolha da freguesia, mas foram as características da população local que a chamaram à atenção. O estudo, que contou com a orientação de Félix Rodrigues, do departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e de Cristina Palos, do departamento de Ciências da Educação, foi apresentado no 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, em Cabo Verde, com o nome “Desenvolvimento sustentável no mundo rural insular - Caso de estudo de uma comunidade da ilha Terceira”. O objectivo foi perceber como é que se reconfigurava a ruralidade na actualidade. Eva Vidal confessa, no entanto, que partiu de uma matriz errada quando começou a realizar o estudo. Cedo a investigadora se apercebeu que teria de a adaptar ao contexto rural insular. “A matriz de desenvolvimento que se preconizava para esta comunidade, numa fase inicial, inscrevia-se na linha de alguns modelos de análise utilizados na descrição de interpretação das transformações does espaços rurais”, revela.De acordo com a investigadora, a matriz inicial apelava a uma noção de desenvolvimento, baseada num modelo urbano, que defendia que a transformação dos meios rurais deveria ser feita segundo uma lógica de modernização, recorrendo à industrialização da agricultura e provocando a metamorfose da cultura local, por via da difusão tecnológica e dos valores urbanos. “Colocámos ênfase na dimensão económica do desenvolvimento”, explica.
OUTROS VALORESFoi no contacto com a população da freguesia, que Eva Vidal se apercebeu que para os raminhenses o desenvolvimento económico não se apresentava como uma prioridade. As crenças religiosas, o convívio inter-geracional e a preservação do ambiente são exemplos do que a população valoriza, acima dos bens materiais. Numa primeira análise, os investigadores interpretaram algumas das características do local de forma pejorativa. De acordo com a análise feita, o Raminho apresentava “ausência de emprego local, numa estrutura económica predominantemente baseada na agro-pecuária e na exploração leiteira”. A população apresentava também uma “elevada taxa de analfabetismo” e “baixos níveis de qualificação ou formação”, assim como uma “tendência demográfica recessiva”. Os investigadores registaram ainda uma “alteração da estrutura de emprego sinalizada pela importância que os sectores secundário e terciário assumem em detrimento do sector primário”. Estas características de “desvalorização dos problemas económicos e sociais locais” foram interpretadas como um sinal de “inércia, passividade, alheamento”, associados a “subdesenvolvimento e resistência à mudança”.No entanto, um conjunto de outros factores dava uma leitura contraditória da freguesia. Os habitantes defendiam, por exemplo, a “preservação do património natural, geomorfológico e cultural” e apresentavam “uma manifesta capacidade de mobilização dos movimentos associativos locais de cariz social e cultural”, assim como a “persistência de traços comunitários ancestrais, códigos de conduta e de valores marcados pela entreajuda, a união e a solidariedade inter-geracional”. Perante os dados contraditórios, os investigadores chegaram à conclusão de que era necessário adoptar um modelo que tivesse em consideração as singularidades do meio rural. “A sustentabilidade do espaço rural insular açoriano deve perspectivar-se nas dimensões temporais do presente e do futuro, em que a intervenção esteja conectada com a realidade de cada território. Devem procurar-se políticas de reconversão e não de ajustamento”, defende. Félix Rodrigues resume a constatação a uma frase. “A gente procurava uma lógica de desenvolvimento, mas eles procuravam uma lógica de envolvimento”, salienta. De acordo com o professor, a população não quer que o seu meio seja “artificializado”. O que os raminhenses querem é sentir-se mais “envolvidos” e “comprometidos” com a sua terra. SOLUÇÃOO estudo concluiu que o desenvolvimento da freguesia deve ser feito, tendo em conta a opinião dos seus moradores. “A abordagem tem de ser feita de modo informal, face a face, ombro a ombro com os habitantes, para percepcionar os sentidos e os significados que atribuem ao seu território”, defende a autora. É por isso que os raminhenses dão mais importância ao poder local. Em muitos casos, os populares sentem que existe falta de diálogo com outros decisores políticos, o que não lhes permite participar como desejam na tomada de decisões sobre a sua terra. Eva Vidal salienta também a existência de “líderes” na freguesia, pessoas admiradas e respeitadas por outras, que assumem essa posição de uma forma natural. “As orientações estratégicas comunitárias de desenvolvimento rural, através de alguns programas, introduzem possibilidades de governação inovadoras, baseadas em planos de desenvolvimento local, a partir de abordagens do tipo ‘bottom-up’, no desenvolvimento de parcerias, numa aproximação multi-sectorial, na implementação de cooperação e no desenvolvimento de redes inter-locais”, reforça.Os habitantes do Raminho têm ideias bem definidas sobre o que não querem ver implementado na sua freguesia. Para eles o desenvolvimento local não pode desestruturar as relações interpessoais nem as características típicas do local, como a paisagem e a tranquilidade, o ambiente e a liberdade, a harmonia e qualidade de vida ou a segurança.Félix Rodrigues salienta mesmo que muitos dos habitantes sugerem serem eles próprios a proporcionar visitas guiadas ao Raminho, serem guias turísticos de uma terra que conhecem melhor do que ninguém. Está vincada na população da freguesia a intenção de dar a conhecer a sua terra a quem passa por lá de visita. Fazem questão que os turistas guardem boas recordações do Raminho. “É necessário reforçar legitimidades, valorizar a capacidade interventiva, de mobilização e de decisão da população local, em quem reside a oportunidade de perseguir e acreditar na transformação e revitalização do seu espaço, com a vontade e as iniciativas locais, daqueles actores que melhor conhecem o seu território e o sentem como espaço de afectos. É necessário e inadiável unirem-se esforços, criarem-se compromissos com o poder público e incentivos externos para decidir a realização de projectos sustentáveis e indutores do progresso”, adianta a autora.O estudo centrou-se apenas numa freguesia do concelho de Angra, no entanto, os autores estão convencidos que tirariam conclusões semelhantes em outras freguesias rurais dos Açores, especialmente em ilhas de menor dimensão. A FREGUESIAOutrora Raminho dos Folhadais, a freguesia que serviu de base ao estudo, situa-se na costa noroeste da ilha Terceira, entre os Altares e a Serreta. O nome foi-lhe atribuído por ser uma terra fértil, mas de pequena dimensão, por oposição à fertilidade do Ramo Grande. Apesar dos transportes tornarem, hoje em dia, qualquer freguesia da Terceira próxima do centro urbano, noutros tempos, o Raminho estava isolado de Angra do Heroísmo. Foi esse isolamento que a tornou na freguesia mais rural da ilha. No entanto, o que distingue o Raminho de outras freguesias rurais é o facto de ter conseguido manter os mesmos valores e costumes ao longo dos anos. Eva Vidal salienta que hoje os raminhenses não vivem na terra por falta de opções. Fazem-no por escolha própria. Muitos dos que hoje habitam no Raminho, já passaram por cidades internacionais. A maior parte emigrou para os Estados Unidos da América. No entanto, apesar de lhes ter sido dada a hipótese de viver noutro sítio, voltaram à sua terra natal. Álamo de Oliveira é um desses habitantes. Natural do Raminho, o escritor já viveu fora da freguesia, mas optou por voltar. Vive no Raminho por escolha própria e não por obrigação. É a povo que lá vive que o cativa.“A terra tem sobretudo a sua gente, que é uma gente trabalhadora, afável, não são propriamente exploradores de intrigas, antes pelo contrário e isso quer a gente queira quer não, independentemente dos afectos que vamos criando com as pessoas, acaba por nos atrair”, revela.Álamo de Oliveira confirma que o Raminho soube trazer até aos dias de hoje as tradições de antigamente. “Já houve épocas de entusiasmos maiores, mas de qualquer maneira continuam a manter as suas tradições de forma quase exaustiva, mas ao mesmo tempo introduzindo algumas inovações, que vêm não só fazer com que essa tradição se perpetue e continue, como também vêm a melhorá-las em termos de qualidade”, salienta.“Quando eu falo em tradições estou a falar sobretudo da forma como eles ainda festejam o carnaval, há sempre um ou dois grupos a fazer bailinhos de carnaval, a maneira com ainda festejam as suas festas de verão, a maneira como realizam ainda os seus bodos…”, enumera.O escritor raminhense realça, no entanto, as capacidades intelectuais da população da freguesia. “Há outra particularidade extremamente interessante. É que o Raminho apesar de ser uma freguesia iminentemente rural, é uma freguesia com uma grande apetência cultural e intelectual. É talvez das freguesias da ilha, embora sendo pequena, que maior percentagem tem de gente formada nas áreas mais variadas das ciências e das letras”, reforça.Uma das tradições mais vincadas na sociedade do raminho é a procissão dos abalos. O evento decorre todos os anos a 31 de Maio, desde 1967, de forma a assinalar a crise sísmica decorrida nesse ano.“A procissão dos abalos mantém-se com a mesma força que tinha. Vai gente de todas as idades, crianças, jovens…Continua a ser uma procissão altamente participada. Trata-se de facto de uma promessa feita por pessoas do Raminho, há mais de 100 anos, que quer chova quer faça vento, continua a ser realizada naquele dia”, afirma Álamo de Oliveira.A procissão tem no entanto um cariz diferente das comuns manifestações religiosas da ilha. As diferenças são evidentes desde já no horário A procissão ocorre por volta das 6h00. Mas também vestuário é invulgar. Ao contrário do que é habitual, a população não se veste de forma mais requintada para celebrar o acontecimento. Vestem as roupas de trabalho, até porque mal acaba a procissão retornam às suas casas, ou em muitos casos, hoje em dia, às paragens de transportes públicos. Ninguém sai da Igreja e ninguém volta à Igreja. “Mudaram a hora inicial exactamente para que os jovens que tinham vontade de ir pudessem ir, porque aquela ruralidade que o Raminho já possuiu e já viveu está um pouco mais diluída, evidentemente. Há menos gente a trabalhar no campo, porque há muito mais gente a trabalhar fora. E portanto teve que se olhar aos horários dessas pessoas”, acentua.Esta passagem do testemunho de geração em geração ocorre de uma forma natural. A juventude mantém um diálogo aberto com os mais velhos, sem que seja necessário existir uma imposição. Para Eva Vidal, a Escola Primária do Raminho assume um papel fundamental, na continuidade desses valores.

(in DI-Revista)

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