segunda-feira, novembro 02, 2009

MINI-CURSO DE PLANTAS AROMÁTICAS Reaproximar a população dos modos caseiros


O mini-curso de plantas aromáticas, medicinais e condimentares surge no âmbito do projecto Aprendizagem ao Longo da Vida da Universidade dos Açores. Decorrerá nos dias 28 e 29 de Novembro, nas instalações do Pico de Urze, e pretende retomar usos antigos.
Jovens, reformados, domésticas, médicos, professores, entre outros participantes de diferentes actividades profissionais e de várias idades, renderam-se aos “mistérios” de variadas plantas e ervas aromáticas que temos à ‘mão de semear’. Pretendem conhecer todas as suas características e aplicações no jardim, na culinária ou na chamada “medicina caseira”.
É com este propósito, aliás, que surge o Mini-curso de Plantas Aromáticas e Medicinais (PAM) integrado na iniciativa Mini Cursos Agro Ambientais, promovida pelo Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores (UAç).
“Pode participar qualquer pessoa que esteja interessada em conhecer e saber utilizar determinadas plantas na confecção de chás, cosmética, óleos e loções aromáticas, por exemplo, e retomar a filosofia de antigamente em que primeiro se recorria à medicina caseira para curar um mal”, explica a responsável pela iniciativa.
Ana Maria Simões acrescenta que as aprendizagens e os conhecimentos serão transmitidos no sentido de motivar a produção caseira, sublinhando as condições climatéricas favoráveis do clima dos Açores. “Temos um bom clima para produzir [PAM] nos nossos quintais. Uma vez sabendo como devem ser plantadas, tratadas e colhidas, e em que melhores épocas do ano, é só tirar partido”, considera a docente universitária.
Este curso, continua, surge na sequência de outros já realizados pela UAç em outras ilhas, tendo por filosofia a Aprendizagem ao Longo da Vida. “Há 10 anos que este projecto está a ser feito em Ponta Delgada, aqui, na Terceira, começámos agora desde que adquirimos as novas instalações”, diz.
Com as inscrições abertas até 22 de Novembro, o curso decorrerá a 28 e 29 do mesmo mês, respectivamente das 10h00 às 18h00 e das 10h00 às 13h00, pela mão de Luís Alves, especialista em PAM, presença assídua no programa de televisão “Praça da Alegria” transmitido pelo Cana1 da RTP, e autor do Blog “cantinhodasaromaticas”.
Assim, o programa deverá abordar aspectos como as diversas formas de secagem; propagação das plantas; as principais plantas aromáticas e condimentares e suas utilizações – monografia individual; tipos de multiplicação vegetal; propagação por via sexuada e vegetativa; equipamentos e utensílios; agricultura biológica; e abordagem etnofarmacológica. Deverá ainda abordar a utilização das PAM para fins ornamentais; aspectos relacionados com conservação e biodiversidade; em espaços verdes; e componente prática no exterior.
“Esperamos organizar quatro cursos por ano, no mínimo, e diferentes workshops”, revela Ana Maria Simões, adiantando que as temáticas previstas para 2010 poderão incluir Poda e Artes florais. “Verificamos o interesse por parte de muitas pessoas”, justifica. Neste sentido, a responsável acrescenta que a equipa coordenadora aceita sugestões nos temas de cursos que poderão vir a ser organizados, bem como dos que actualmente apresentamos.

(In A União)

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sábado, outubro 31, 2009

CLIMA NOS AÇORES FAVORECE AS PLANTAS MEDICINAIS


Os Açores têm condições climáticas favoráveis à produção de ervas aromáticas e medicinais durante todo o ano.A Região conta com cerca de 350 espécies de plantas que podem ser utilizadas para fins medicinais. “Na Região, como em todo o país, a utilização destas plantas é recorrente: na alimentação, em chás e tisanas ou para ornamentação, cada vez mais se usam plantas aromáticas e medicinais”, afirma Ana Simões, professora e coordenadora dos mini-cursos que se têm realizado na Universidade dos Açores.Contudo, “pormenores quanto à constituição das plantas e técnicas que passam pelo modo de produção precisam ainda ser esclarecidos”.É neste sentido que a 22 de Novembro A Universidade dos Açores realiza um novo mini-curso, aberto a todos os insteressados, ministrado por Luís Alves, técnico de agricultura biológica, sobre “A utilização das principais plantas aromáticas e medicinais”.De facto, de acordo com Félix Rodrigues, autor de um estudo sobre as plantas locais, a utilização de plantas medicinais requer cuidados especiais desconhecidos por muitos.Assim,“são aconselhadas doses específicas para o uso deste tipo de plantas”.“O alho crú, por exemplo,, utilizado para problemas de herpes ou para ajudar a emagrecer, se utilizado em demasia pode originar infecções ou outros problemas”, afirma.De acordo com o professor universitário, “as plantas medicinais dos Açores têm uma utilização muito variada e dependem dos problemas de cada um. É o caso da folha do abacateiro que pode ser utilizado em casos de retenção urinária, hipertensão ou colestrol”.“Há também plantas que utilizamos sem sequer reconhecermos as suas propriedades. É o caso do agrião, benéfico para o sistema digestivo e sanguíneo”, continua.Félix Rodrigues acredita na importência destas plantas e relembrou ainda o facto de a ONU ter decretado que “o uso das plantas medicinais é uma mais valia, principalmente para os países mais pobres, porque contribuem para a resolução de problemas de saúde”.Apesar disso, o professor partilha da opinião que as gerações actuais têm desacreditado o poder destas plantas.“As plantas têm até um grande potencial económico, sendo que a nível mundial existem espécies com um valor acrescido”.Assim, diz o profressor, “a sua utilização contribui para a sustentabilidade regional”.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, abril 22, 2009

Mini-curso de agricultura biológica

Cerca de 26 pessoas participaram no passado fim-de-semana num mini-curso “Horta Biológica”, no pólo de Angra da Universidade dos Açores. A formação, organizada pelo departamento de Ciências Agrárias da universidade, foi ministrada pelo engenheiro Victor Santos, da Biofrade, uma quinta de produtos biológicos, pioneira no país. Entres os participantes havia quem procurasse apenas adquirir conhecimentos para transformar a actividade convencional em biológica ou mesmo criar apenas uma horta doméstica. De acordo com Ana Maria Simões da organização, o curso, destinado ao público em geral, teve bastante adesão. “Tivemos até duas pessoas de São Miguel, ligadas ao turismo rural, que se interessaram sobre o tema”, revela. A iniciativa foi integrada num conjunto de “Mini-cursos agro-ambientais”. O próximo evento decorre a 6 e 7 de Junho sob o tema “Aromáticas e Medicinais”. Realizado por Luís Alves, o curso tem como objectivo a identificação e caracterização das principais plantas aromáticas e medicinais. Para trás, neste ano lectivo, ficaram ainda um curso sobre “Arte floral”, no qual foi ensinado a secar flores, para arranjos florais, utilizando diversas técnicas e ideias de decoração, e ainda um curso com o tema “Proteger e propagar as plantas”, que consistia no ensino da construção de estufins túneis, como técnica de proteger e propagar as plantas durante o Inverno.
(in Diário Insular)

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quarta-feira, agosto 08, 2007

Preservação do conhecimento empírico das populações açorianas

Quase duas centenas de plantas das ilhas Terceira, São Jorge e São Miguel estão a ser alvo de estudos para permitir «preservar os conhecimentos empíricos da sua utilização» medicinal, alimentar e etnográfica nos Açores.
Félix Rodrigues, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, sustentou hoje «fazer sentido preservar o conhecimento empírico das populações sobre as plantas medicinais, e as de interesse alimentar e etnográfico». O estudo que resulta de três teses de mestrado sobre Etnobotânica são orientadas por este docente e pela professora Maria de Los Angeles Mendiola da Universidade Politécnica de Madrid, que esperam compilar em livro os resultados obtidos.

Uma das primeiras conclusões aponta para que «muitas das aplicações daquelas plantas dadas no arquipélago também se verificarem no continente português e na América no Sul, o que resulta de uma ligação ao povoamento das ilhas e à época dos Descobrimentos», revelou o professor universitário.
Félix Rodrigues realça que as teses de mestrado confirmam «o desaparecimento de muitos desses conhecimentos empíricos, uma vez que a sua transmissão era apenas oral o que, com a urbanização dos espaços rurais, está a perder-se». Nesse sentido, acrescentou, a Etnobotânica permite a recolha dos hábitos e costumes tradicionalmente usados com diversas espécies de plantas. Estas tradições poderão estar, agora, ameaçadas «pela massificação de uma cultura predominante», pelo que «é fundamental preservar o que é nosso e diferente num mundo cada vez mais igual», defendeu Félix Rodrigues.
As teses de mestrado realizadas por Ana Vilela, em São Jorge, Marco Botelho, em São Miguel, e Cristina Mendonça, na ilha Terceira, aludem ainda «ao diverso vocabulário das plantas usados pelas diferentes comunidades das ilhas». Os trabalhos, que se inserem nas áreas da Educação Ambiental e Saúde, Ambiente e Segurança, alertam para «os riscos associados» ao consumo das espécies medicinais, uma vez que é necessário «conhecer o grau de toxicidade de cada planta». Segundo Félix Rodrigues, «as doses, regras de segurança e a parte da planta que se utiliza» são importantes para «a sua aplicação terapêutica». O investigador adianta ser já possível concluir, também, que «para a generalidade dos tratamentos utilizados pelas populações das ilhas de São Miguel e São Jorge, existem suportes científicos que validam o conhecimento empírico». No entanto, chama a atenção para outras aplicações, que não especificou, «sobre as quais é necessário aprofundar os estudos para que se possa recomendar o seu uso adequado e não de forma indiscriminada».
Quanto às plantas com interesse alimentar, Félix Rodrigues preconiza a sua recuperação, nomeadamente do Jarro e da Serpentina, cujas raízes «eram usadas para fazer farinha em tempos de crise alimentar». Já a Uva da Serra, cujos frutos se destinavam à confecção de doces e aguardentes, é uma planta protegida mas que, segundo Félix Rodrigues, tem possibilidades de «expansão e cultivo com sustentabilidade».

Os estudos sobre estas áreas de investigação poderão ser alargados às restantes seis ilhas do arquipélago.
(In Lusa/Sol/Açoriano Oriental/A União/Diário Insular)

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