Graciosa está a caminho de ser uma ilha tutelada

Esteve alguns dias na Graciosa, uma das ilhas que atingiram níveis populacionais mínimos históricos nos censos de 2011. O que primeiro ressalta à vista experimentada do cientista numa ilha que pode estar a caminhar para uma espécie de comunidade falhada?
Se assumirmos como postulado que "qualquer sociedade aspira ao desenvolvimento", entendido como um processo dinâmico de melhoria das condições de vida ou do meio, e que isso implica uma mudança, uma evolução, um crescimento ou um avanço, a Graciosa necessita rapidamente de um planeamento estratégico para que se possa desenvolver.
Sem aparente sustentabilidade (sobretudo económica), com que fios se tece a sobrevivência quotidiana na Graciosa?
Eu não falaria apenas de sustentabilidade económica, por ser demasiado redutor. Falaria sim de um sustentabilidade socioeconómica e ambiental, já que todos esses vetores condicionam o desenvolvimento da Graciosa. Não há economia sem pessoas, por isso, a urgente necessidade de fixar população jovem. Não há pessoas numa ilha sem água, daí a necessidade de ter e garantir à população água de qualidade. O desenvolvimento da Graciosa bebe desse trinómio.
As elites (lê-se na História) costumam "respingar" com violência quando os poderes instituídos lhes retiram a "chupeta", mas se mantiverem privilégios são capazes de deixar queimar tudo à sua volta. Neste particular, o que se passa na Graciosa?
Estudando um pouco a Estratégia dos Atores na Graciosa (grupos ou organizações que têm influência no desenvolvimento da ilha), verificamos que os três grandes atores com influência ativa nesse desenvolvimento são o Governo Regional, muito distanciado dos outros atores, os transportes, especialmente a SATA, a Câmara Municipal, e por último, os políticos. Os grupos de cidadãos têm uma reduzidíssima participação nas questões do desenvolvimento.
O cientista é privilegiado na observação, sobretudo se dominar a análise transdisciplinar, por exemplo. Partindo dessa análise, há ainda esperança na Graciosa ou o ponto sem retorno já terá sido atingido?
Quando comparamos as influências ativas dos diversos atores com as influências passivas das diversas organizações locais, só três atores aparecem como preponderantes para o desenvolvimento da ilha: o Governo Regional, os investigadores e os agentes ligados aos transportes marítimos, especialmente aéreo, ou seja, a SATA. Não existe propriamente um tecido empresarial com grande potencial, e dada a reduzida população da ilha, a afirmação económica em qualquer área parece só ser possível com inovação, daí o papel importante dos investigadores (entendidos como atores capazes de inovar).Neste momento a Graciosa é refém do Governo Regional, na medida em que depende quase exclusivamente das suas políticas e investimentos. Sem um plano de desenvolvimento estratégico, a Graciosa tenderá a ser uma ilha tutelada e sem autonomia.
Se assumirmos como postulado que "qualquer sociedade aspira ao desenvolvimento", entendido como um processo dinâmico de melhoria das condições de vida ou do meio, e que isso implica uma mudança, uma evolução, um crescimento ou um avanço, a Graciosa necessita rapidamente de um planeamento estratégico para que se possa desenvolver.
Sem aparente sustentabilidade (sobretudo económica), com que fios se tece a sobrevivência quotidiana na Graciosa?
Eu não falaria apenas de sustentabilidade económica, por ser demasiado redutor. Falaria sim de um sustentabilidade socioeconómica e ambiental, já que todos esses vetores condicionam o desenvolvimento da Graciosa. Não há economia sem pessoas, por isso, a urgente necessidade de fixar população jovem. Não há pessoas numa ilha sem água, daí a necessidade de ter e garantir à população água de qualidade. O desenvolvimento da Graciosa bebe desse trinómio.
As elites (lê-se na História) costumam "respingar" com violência quando os poderes instituídos lhes retiram a "chupeta", mas se mantiverem privilégios são capazes de deixar queimar tudo à sua volta. Neste particular, o que se passa na Graciosa?
Estudando um pouco a Estratégia dos Atores na Graciosa (grupos ou organizações que têm influência no desenvolvimento da ilha), verificamos que os três grandes atores com influência ativa nesse desenvolvimento são o Governo Regional, muito distanciado dos outros atores, os transportes, especialmente a SATA, a Câmara Municipal, e por último, os políticos. Os grupos de cidadãos têm uma reduzidíssima participação nas questões do desenvolvimento.
O cientista é privilegiado na observação, sobretudo se dominar a análise transdisciplinar, por exemplo. Partindo dessa análise, há ainda esperança na Graciosa ou o ponto sem retorno já terá sido atingido?
Quando comparamos as influências ativas dos diversos atores com as influências passivas das diversas organizações locais, só três atores aparecem como preponderantes para o desenvolvimento da ilha: o Governo Regional, os investigadores e os agentes ligados aos transportes marítimos, especialmente aéreo, ou seja, a SATA. Não existe propriamente um tecido empresarial com grande potencial, e dada a reduzida população da ilha, a afirmação económica em qualquer área parece só ser possível com inovação, daí o papel importante dos investigadores (entendidos como atores capazes de inovar).Neste momento a Graciosa é refém do Governo Regional, na medida em que depende quase exclusivamente das suas políticas e investimentos. Sem um plano de desenvolvimento estratégico, a Graciosa tenderá a ser uma ilha tutelada e sem autonomia.
(In Diário Insular)

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