sexta-feira, junho 19, 2009

Sustentabilidade da produção leiteira nos Açores (3)

José Estevam da Silveira Matos (*)



CAPÍTULO III – A SUSTENTABILIDADE AMBIENTALO LICENCIAMENTO DAS EXPLORAÇÕES E OS CONDICIONAMENTOS AMBIENTAIS
No futuro a principal limitação à expansão das explorações leiteiras será certamente o problema ambiental, sendo já disso exemplo o actual regime de licenciamento das explorações leiteiras.
A sustentabilidade ecológica só poderá ser alcançada pela limitação no uso dos recursos não renováveis e a valorização dos produtos gerados em processos que contribuem para o equilíbrio ambiental, o que implicará ajustes ao actual sistema de produção, privilegiando-se práticas que combinam qualidades essenciais para a sustentabilidade, como sejam o baixo consumo de energia fóssil, quer directa, quer indirectamente – menor consumo de adubos, valorizando-se a fixação simbiótica de azoto; menor consumo de cereais importados, valorizando-se a produtividade da pastagem, através de práticas agrícolas mais adequadas, selecção de cultivares de forrageiras mais eficientes na captação da energia solar; e a cria de animais melhor adaptados ao pastoreio e à produção de sólidos do leite (Por ex. Jersey, Normanda, SRB). Nesta perspectiva lança-se a questão para debate se os produtores de leite dos Açores poderão vir a ser contribuintes positivos para o mercado global do carbono e também actores na produção de energias renováveis?

Por outro lado perguntamo-nos até que ponto os nossos produtores pecuários podem também contribuir para a produção de energia, minimizando o impacto ambiental das suas explorações, aproveitando a vantagem da sua localização no terreno. Afinal eles estão lá todos os dias, no sítio do vento; estão habituados a manter máquinas; são eles próprios utilizadores de energia, para a ordenha e para a refrigeração do leite. Haveria que garantir apenas um preço justo e ajudas à instalação de geradores eólicos!
Regime jurídico de licenciamento das explorações bovinas da Região Autónoma dos AçoresEncontra-se em vigor na Região o Decreto Legislativo Regional nº 16/2007/A que cria o regime de licenciamento das explorações bovinas dos Açores. Neste Decreto dispõem-se orientações de ordenamento do território que obrigam a respeitar e a criar condicionalismos em relação a questões ambientais importantes como seja, por exemplo, a protecção dos recursos hídricos superficiais. Também o Decreto-Lei nº 235/97 transpõe para o direito nacional a Directiva Comunitária nº 91/676/CC ( do Conselho de 12 de Dezembro de 1991), conhecida como a “Directiva dos Nitratos”, que diz respeito à protecção das águas contra a poluição causada por nitratos de origem agrícola. Esta directiva originou a elaboração do “Código de Boas Práticas Agrícolas”, a delimitação das Zonas Vulneráveis e a criação dos respectivos “Programas de Acção”. Como se depreende desta legislação, o licenciamento das explorações leiteiras encontra-se condicionado não só ao cumprimento de regras relativas à higiene e sanidade dos rebanhos (brucelose, tuberculose, mamites, etc.) e do bem-estar animal, mas também a normas que procuram minimizar os impactos ambientais da pecuária (eco-condicionalidade).
Mas, enquanto que a monitorização das Boas Práticas, relativas à higiene e sanidade animal e ao bem-estar animal, se encontram consolidadas por rotinas mais antigas, não se passa o mesmo com monitorização dos impactos ambientais. Importa também neste aspecto definir muito claramente que parâmetros devem ser monitorizados e quais os seus limites críticos, devendo ser estes quantificáveis e de simples determinação.

VIABILIDADE DA PRODUÇÃO DE LEITE BIOLÓGICO NOS AÇORES

De há muito que a agricultura biológica deixou de ser um sistema alternativo de produção apenas defendido por meia dúzia de líricos idealistas paladinos de utopias.
O mercado dos lacticínios bio, na Europa, ultrapassou já os 2 biliões de euros, manifestando um crescimento de 26,2% ao ano. A sua importância varia consideravelmente entre os vários países, sendo líder do sector a Dinamarca, onde 65% do mercado dos produtos biológicos cabe aos lacticínios. O leite é o produto mais procurado (50%), seguido do iogurte (30%) e o queijo (10%).
São várias as motivações que podem levar o agricultor a reconverter o seu tipo de exploração, bem como os factores que fazem aderir o retalhista e o consumidor, ou que o inibem. Por exemplo, os factores relacionados com o grande aumento da produção biológica na Áustria, Alemanha e Dinamarca, são 5: 1. Incentivo financeiro aos produtores por parte dos governos2. Informação dos produtores e consumidores – existência de institutos de investigação exclusivamente dedicados à investigação e promoção dos produtos biológicos3. Acesso e disponibilidade de produtos biológicos no mercado4. Marketing (Logomarca) e protecção legal – serviços de inspecção eficazes5. Existência de planos de desenvolvimento para o sector.
Ora, porque razão os nossos produtores não aderem a este modelo, uma vez que até o sistema de produção praticado nos Açores lhe está muito próximo?! Essencialmente, porque a quebra de rendimento nos primeiros três anos de conversão ao modelo de produção biológico - período em que o produtor ainda não beneficia das mais-valias associadas ao rótulo “bio” - é substancial: cerca de 25% e não há qualquer apoio para que o produtor possa fazer frente a tal quebra no seu rendimento. Torna-se assim necessário o apoio financeiro no período de transição à semelhança do que acontece a Alemanha, Áustria e Dinamarca, bem como, também agora, no Continente (MADRP – pacote de apoio ao leite biológco – artigo 68º); com apoio científico e técnico, necessário a um maneio diferente do solo e da pastagem, sem o uso de fertilizantes sintéticos, e ao maneio sanitário dos animais sem o uso de antibióticos e pesticidas, para que o modo de produção “BIO” seja encarado como uma alternativa pelos nosso produtores de leite.
Sistemas integrados de produção de leite, “grass fed”, ou leite da ervinha verde dos Açores, permitiriam uma evolução por etapas, no sentido de uma produção mais sustentável, com produção de um leite mais rico em sólidos, com menos água, com menor impacte ambiental, com custos de produção mais baixos, sem que as margens brutas sejam afectadas. O segredo estará em gerir diminuindo os imputes e maximizando os outputs, à custa dos recursos próprios – da erva. Um leite mais competitivo.
INOVAÇÃO: EXTENSÃO RURAL, INVESTIGAÇÃO E EXPERIMENTAÇÃO AGRÍCOLA

O que dizer da extensão, da investigação e experimentação agrícola, ou melhor, da sua falta?! Seguro é que não possível competir no mercado global do leite, em igualdade com países como, por exemplo, os EUA, a Nova Zelândia, o Canadá, ou, ainda mais próximo de nós, a Holanda, sem que se aposte na inovação e, para que esta seja conseguida, é fundamental o investimento na formação profissional e na extensão rural, através de uma maior ligação da Universidade dos Açores ao mundo rural e no caso, à produção de leite e à indústria de lacticínios. Certo é que o tão propalado “divórcio” , o isolamento em “torre de marfim”, das universidades, de que muitas vezes se fala, resulta mais da falta de recursos, do que da exiguidade das vontades dos universitários!
CONCLUSÕES

Os grandes desafios da pecuária açoriana passam em grande parte pelo melhoramento qualitativo dos sistemas já praticados, maximizando-se a utilização dos recursos locais, o que não significa atingir necessariamente uma maior produtividade biológica, mas, produzir em respeito pelas limitações do meio ambiente e das condições estruturais, culturais e sociais existentes - sustentabilidade. Produzir bem, com qualidade, transformando-se localmente os produtos da agricultura; exportando-se produtos de maior valor acrescentado; privilegiando-se os procedimentos biológicos, em detrimento de tecnologias esbanjadoras em energia fóssil, que a Região não possui, enfim, uma Produção Natural. Vender melhor, melhor distribuindo o que se produz, reequacionando-se o custo dos transportes e a comercialização do produto acabado com recurso a técnicas de “marketing”, mas, fidelizando-se o consumidor ao produto “Produzido nos Açores” através de uma imagem que corresponda à verdade, a elevada qualidade e com selo de garantia de origem.
A ultrapassagem destes desafios exigirá um esforço no sentido de serem vencidas algumas das limitações que contribuem para uma menor competitividade do sector. A saber: EMPRESÁRIO: Impõem-se medidas que ajudem a rejuvenescer o tecido empresarial agrícola e contribuam para a sua formação e valorização profissional; EMPRESA AGRÍCOLA: O emparcelamento da propriedade, apoiada em nova legislação sobre a propriedade da terra; INDÚSTRIA: Diversificação e mais inovação produtos transformados; QUALIDADE: Implementação de medidas de controlo de qualidade, em todas as suas vertentes, construindo-a da produção ao consumo (“do prado ao prato”), reforçando-se a fiscalização e só certificando o que realmente possui qualidade; INVESTIGAÇÃO-EXTENSÃO-FORMAÇÃO: O apoio a projectos que optimizem o binómio animal-pastagem e que contribuam para um melhor conhecimento dos produtos tradicionais e melhoria da sua qualidade e ainda para a introdução de novas tecnologias; na agricultura e nas pescas. MARKETING – COMERCIALIZAÇÃO: Comercialização dos produtos lácteos regionais, mormente, o queijo, a manteiga e o leite, com Indicação Geográfica Protegida (IGP), à semelhança do que acontece com o produto denominado “Carne dos Açores” , fazendo-se valer a imagem do sistema natural de produção, à base de erva, com animais em liberdade, que resulta na produção de um leite e em produtos transformados com características químicas e organolépticas beneficiadas por este modo de produção.
(*) Professor Catedrático da Universidade dos AçoresSíntese da comunicação apresentada no 9º Encontro de Química dos AlimentosQualidade e Sustentabilidade - Uma abordagem integrada. Angra do Heroísmo. 29 de Abril a 2 de Maio 2009.

(In Diário Insular)

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domingo, maio 24, 2009

Falta de Chuva na Terceira - Entrevista a Cota Rodrigues

quarta-feira, maio 06, 2009

Potencialidades da agricultura biológica

Praticante da agricultura biológica desde 1991, o engenheiro Victor Gomes esteve, recentemente, durante dois dias no pólo de Angra da Universidade dos Açores para ensinar a cultivar de forma biológica e respondeu a algumas perguntas de DI-Revista.


Durante um dia e meio os participantes do mini-curso “Horta Biológica” aprenderam a cultivar produtos biológicos na sua própria horta. É preciso muito conhecimento e grandes investimentos para o fazer?
Não. O objectivo da horta biológica é realmente a pessoa conseguir ser o máximo auto-suficiente possível, ou seja, estar o menos possível dependente dos factores externos. Com o mínimo de investimento a pessoa consegue fazer uma horta biológica. Fica até mais barato do que fazer uma horta convencional.
As pessoas têm a ideia de que a agricultura biológica não é tão lucrativa economicamente. Isso é verdade ou é um mito?
No meu caso, em termos de exploração, a agricultura biológica é que foi a salvação da empresa. De facto foi com a agricultura biológica que conseguimos superar as crises do mercado. Neste momento, conseguimos, nalguns casos, factores de produção mais baratos e, depois, conseguimos estabilidade de preços, em termos de garantia de escolha de um produto muito melhor. Há uma procura crescente dos produtos biológicos, tanto a nível nacional como internacional. O mini-curso teve bastante adesão.
Os participantes mostraram-se apenas curiosos ou há alguns com vontade de apostar na agricultura biológica como oportunidade de negócio?
Uma maioria deles tem uma segunda actividade. São pessoas informadas e como não há muita agricultura biológica aqui nos Açores, não têm onde comprar agricultura biológica. Se não têm onde comprar e já que têm uma pequena hortinha em casa, querem produzir os seus próprios alimentos. E já que estamos em altura de crise, querem produzir. Outros não. Têm uma actividade convencional e têm alguma dificuldade em escoar os seus produtos e querem uma alternativa para a sua produção.
Está ligado à Biofrade, desde 1991. Como é que surge o interesse pela agricultura biológica?
Por duas razões: uma, porque nós já éramos apologistas de não utilizar produtos químicos, quando fazíamos agricultura convencional. Tínhamos uma exploração convencional, mas, depois, quando íamos vender, vendíamos pelo mesmo preço do que os outros, que utilizavam tudo e mais alguma coisa. Por outro lado, em 1990/1991 estávamos com grandes problemas de escoamento do produto. Foi quando começámos a sentir a maior influência da nossa Comunidade Europeia, com a concorrência de outros países como Espanha, França… e não conseguíamos escoar o nosso produto. A agricultura biológica, realmente era um produto novo. Até que começámos com a exportação. Começámos só a exportar para a Alemanha, até porque cá em Portugal não havia consumo, as pessoas nem sabiam o que era a agricultura biológica e as coisas correram muito bem. A partir daí, nunca mais parámos, fomos aumentando, aumentando e, desde 1998, só trabalhamos com agricultura biológica.
A Biofrade foi uma quinta pioneira nesta actividade em Portugal. Na altura, que entraves é que encontraram?
Os principais entraves tinham a ver com a dificuldade em arranjar alguns factores de produção. Hoje, existem insecticidas biológicos e alguns fertilizantes biológicos que não existiam na altura. Também não havia grandes apoios para a agricultura biológica. Neste momento, realmente, as coisas já estão mais facilitadas, porque já estamos numa era em que já há mais produção, mesmo em Portugal, e já começa a haver mais interesses pela agricultura biológica. Por outro lado, também nos produtos fitofármacos, as grandes empresas multinacionais já começam a voltar-se para as soluções biológicas, em vez de serem tão químicas. Então esses produtos, que já estão a utilizar para a agricultura tradicional de origem biológica, nós também já os podemos utilizar.
Estamos a falar de guerras biológicas, ou seja, com fungos, bactérias e outros organismos naturais, que nós, sem dificuldade, podemos comprar e utilizar na nossa agricultura.
Actualmente existem apoios à agricultura biológica?
Em termos de apoios comunitários tem havido alguns, na Europa é onde há mais apoios. Em Portugal, a parte burocrática é tão grande que nós simplesmente abdicámos dos apoios. Neste momento, estamos a produzir sem apoios financeiros, porque a parte burocrática era bastante complicada e então abdicámos. Com o passar dos anos, as pessoas foram tomando consciência da importância dos produtos biológicos. Hoje em dia, já há uma percepção dos benefícios destes produtos?Infelizmente, por razões menos boas, as pessoas já começaram a tomar conhecimento. Os problemas oncológicos cada vez são maiores e a própria comunidade médica já tomou consciência que, em muitos casos, tem a ver com os produtos que as pessoas ingerem. Quem teve problemas oncológicos é aconselhado a não comer produtos químicos. Realmente, o produto biológico é uma solução mais segura. Não quer dizer que no convencional não haja produtos bons, mas nunca se sabe muito bem como é que aquilo está produzido. No biológico, há um controlo, há uma certificação, há uma estabilidade melhor. Sabemos que o resultado final disso vai dar um produto de alta qualidade, com baixos valores residuais e então as pessoas estão voltadas para aí. Por outro lado, também temos outra questão: cada vez mais as pessoas estão informadas sobre os bebés. As pessoas, hoje em dia, não se importam de investir tudo no bebé e a alimentação é essencial e realmente cada vez mais as mães estão a alimentar os miúdos com produtos biológicos. Em comparação com o resto do país, a Terceira está em que grau de desenvolvimento?Neste momento, há pelo menos três agricultores a produzir cá alguns produtos, em pequena escala, mas é um ponto de partida. Tivemos cá um agricultor (no mini-curso), que nos veio dar o seu contributo e que veio mostrar às outras pessoas que realmente é possível fazer agricultura biológica e ser economicamente viável.
Os Açores têm condições preferenciais para o cultivo destes produtos?
Em qualquer sítio é possível fazer agricultura biológica, independentemente de ter condições ou não. A grande desvantagem que tem é o clima, ou seja, consegue-se produzir mais cedo e com baixos problemas noutras partes do país. Por outro lado, pelo que eu vejo, mesmo aqui na Terceira, há uma produção agrícola muito baixa. De tudo o que as pessoas consomem aqui, a maior parte vem do exterior. É uma maneira de potenciar a agricultura biológica. Já que as pessoas não conseguem produzir mais barato do que o que vem do exterior, pelo menos que consigam produzir com qualidade. Para que as pessoas vejam que para além de ser um produto local, é uma mais-valia pela qualidade e para que os produtores consigam arranjar melhor mercado por essa via.
E pensa que haveria mercado na região para produtos biológicos?
Acho que sim. Há em todo o lado, acresce que a Terceira cada vez mais está com potencial turístico. Os turistas que vêm da Alemanha, de Inglaterra, vêm com grandes hábitos nessa área. Se arranjarem um restaurante, se forem a uma mercearia com produtos biológicos, de certeza que eles compram. Não compram porque não têm, mas se encontrarem eles compram. Hoje, cada vez mais as pessoas estão mais informadas. Hoje em dia, os consumidores biológicos não são consumidores que têm um grande poder de compra. O produto biológico é um pouco mais caro, por diversas razões, porque temos de pagar certificação, tem menos produtividade porque não intensificamos tanto a produção, mas as pessoas preferem gastar e investir um pouco mais da sua economia em casa, mais na parte da alimentação, do que, por exemplo, num perfume caro ou numa roupa de marca. “Não me importo de gastar mais dinheiro na alimentação, mas numa alimentação com cuidado” – ouvimos, muitas vezes, dizer. E hoje em dia temos consumidores de vários estatutos sociais, principalmente são pessoas informadas. A classe dos professores, por exemplo, é uma classe que consome muito, a classe jornalística, alguns médicos, também… E, a partir daí, as outras pessoas começam a ir atrás e a consumir. Com a conjuntura económica actual fala-se muito na inovação e na criatividade no combate à crise.
A agricultura biológica também pode ser uma arma?
Pode ser uma boa arma. Se não for para um mercado interno mesmo, já que em termos económicos não conseguimos tanto, temos grande potencial para exportarmos. Os países nórdicos consomem grande quantidade de produtos biológicos frescos, uma vez que, durante o Inverno, estão congelados e nós aqui podemos produzir em grande quantidade e mandar para lá. E só nesse ponto de vista temos essa possibilidade. E do ponto de vista do agricultor, da maneira que os pesticidas, os fertilizantes, os combustíveis estão caros, a agricultura biológica neste momento pode ser uma solução mais barata do que a agricultura convencional.
(in DI Revista)

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quarta-feira, abril 22, 2009

Mini-curso de agricultura biológica

Cerca de 26 pessoas participaram no passado fim-de-semana num mini-curso “Horta Biológica”, no pólo de Angra da Universidade dos Açores. A formação, organizada pelo departamento de Ciências Agrárias da universidade, foi ministrada pelo engenheiro Victor Santos, da Biofrade, uma quinta de produtos biológicos, pioneira no país. Entres os participantes havia quem procurasse apenas adquirir conhecimentos para transformar a actividade convencional em biológica ou mesmo criar apenas uma horta doméstica. De acordo com Ana Maria Simões da organização, o curso, destinado ao público em geral, teve bastante adesão. “Tivemos até duas pessoas de São Miguel, ligadas ao turismo rural, que se interessaram sobre o tema”, revela. A iniciativa foi integrada num conjunto de “Mini-cursos agro-ambientais”. O próximo evento decorre a 6 e 7 de Junho sob o tema “Aromáticas e Medicinais”. Realizado por Luís Alves, o curso tem como objectivo a identificação e caracterização das principais plantas aromáticas e medicinais. Para trás, neste ano lectivo, ficaram ainda um curso sobre “Arte floral”, no qual foi ensinado a secar flores, para arranjos florais, utilizando diversas técnicas e ideias de decoração, e ainda um curso com o tema “Proteger e propagar as plantas”, que consistia no ensino da construção de estufins túneis, como técnica de proteger e propagar as plantas durante o Inverno.
(in Diário Insular)

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segunda-feira, abril 20, 2009

Joaninhas

Um dos animais de que mais gosto, a joaninha...simpático devorador de afídeos que sugam a seiva às roseiras e árvores de fruto. Na Ilha Terceira (Angra do Heroísmo, Cidade Património mundial) no polo da Universidade dos Açores "cultivam-se" joaninhas para o combate biológico aos afídeos.

(In 1000 imagens)

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terça-feira, abril 14, 2009

Mini Curso HORTA BIOLÓGICA

Terá início o Mini Curso HORTA BIOLÓGICA no próximo dia 18 de Abril de 2009 das 10 ás 18h com 1h de almoço, e domingo dia 19 das 10 ás 13h.
Conhecimentos para implantação de uma horta familiar serão transmitidos pelo Eng. Victor Gomes ligado á Biofrade (http://biofrade.com/).
Inscrição: 60€ contactar 295402245
Nota: o local do curso será nas instalações da Universidade na Terra-Chã, sala 3, e não no Pico da Urze como havia sido divulgado.

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quinta-feira, março 12, 2009

Epitrix em batateira

Jorge Carvalho - Engenheiro Agrícola licenciado pela Universidade dos Açores

Estamos no início das plantações de uma das culturas mais importantes no nosso país em termos horto-industriais - a batateira! Desta forma, agricultores, técnicos e demais agentes envolvidos na fileira, deverão estar atentos a novas pragas e doenças que, cada vez mais estão na ordem do dia, resultamtes de diversas conjugações de factores tais como a mobilidade de produtos acabados, sementes, transportes, embalagens e também das alterações climáticas. Assim, já não são só as pragas e doenças "tradicionais" que nos apoquentam pois, a par delas, vão surgindo outras que, pelo facto de serem desconhecidas, causam, nos primeiros anos, estragos económicos consideráveis.A Epitrix similaris é uma praga recente na europa que causa prejuízos avultados, pelo que há que estar muito atento e vigilante. É oriunda da América do Norte e foi detectada em Portugal em 2007.

BIOECOLOGIA

A Epitrix similaris Gentner, é um coleóptero negro brilhante com patas posteriores muito desenvolvidas. O corpo de forma oval e a cabeça e o protórax são estreitos com olhos moderadamente proeminetes. É um insecto que mede de 1,6 a 1,9 mm. Hiberna no solo sobre os resíduos das culturas e/ou das infestantes e na primavera migra para as folhas da cultura onde acasalam.Os ovos são microscópicos e ovais e as posturas são feitas na zona do colo da planta.Após a eclosão dos ovos, as larvas migram para os tuberculos. As larvas são de cor branco creme medem entre de 2 a 3 mm, e têm 6 pares de patas pouco visiveis; após o seu completo desenvolvimento pupam em galerias feitas no solo. As pupas são de cor branco e medem de 6 a 8 mm.Consoante as condições climatéricas podem ter duas a três gerações no caso de Portugal continental.

Luta Cultural
- Rotação cultural;
- eliminação dos restos de cultura e dos hospedeiros (erva moira, figueira do inferno. São também hospedeiros o tomateiro, beringela e pimenteiro).
Luta química
Esta deverá ser a última opção até porque só agora (4 Março 2009) é que foram homologadas as substâncias activas bifentrina e acetamiprida (nº máximo de aplicações 2), no âmbito do alargamento de espectro.

(In Horticularidades)

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terça-feira, março 10, 2009

João Pires e Paulo Miranda:Apicultura na Terceira

Sabia que 70 por cento do alimento humano depende da intervenção das abelhas? E que 86 por cento das espécies vegetais são polinizadas por este insecto produtor de mel? E que Einstein disse que, se as abelhas desaparecessem, restava à Humanidade quatro anos de subsistência?
João Pires, professor, e Paulo Miranda, engenheiro, apicultores a tempo parcial, sabem tudo isso. Fazem parte das perto de seis dezenas de apicultores registados que, na Terceira, exploram cerca de 900 colmeias.

E pertencem à nova geração da apicultura na ilha. Uma geração com mais conhecimento, mais formação, novas técnicas. “Existem apicultores que estão nesta actividade há 30, 40 anos, e nunca mudaram as suas técnicas, mesmo com a evolução que se tem verificado. Hoje apostamos no melhoramento genético das abelhas e na multiplicação das colónias de forma artificial”, explica Paulo Miranda, que entrou na apicultura há ano e meio.
Muitas vezes, os velhos apicultores pedem ajuda aos dois mais novos. João Pires, na sala da Casa de Pasto da freguesia do Posto Santo, localidade onde tem um dos seus apiários, explica o que se pretende actualmente na cultura das abelhas. “Apesar de isto ser algo que fazemos nos tempos livres, levamos a exploração a sério, com rigor, método e uma aposta no melhoramento genético”.
Como se melhoram geneticamente as abelhas?

A chave está, em grande parte, na rainha, explica o apicultor: “Numa colónia de abelhas existem os zangões, que são os machos, as obreiras e a rainha. Esta última domina tudo dentro da colmeia, produz uma feromona que mantém tudo organizado. É a única fêmea fecunda, que põe ovos que darão novas abelhas. Se melhorarmos a rainha, melhoramos toda a população da colmeia. A rainha é fecundada uma vez na vida, por sete a 14 zangões, e armazena o sémen numa bolsa específica, de três a cinco anos. Por isso, também é importante a qualidade dos zangões”.
Paulo Miranda, que ouve atentamente o colega, interrompe para explicar que a vida numa colmeia é de facto controlada e organizada. Uma autêntica sociedade sem falhas, em que tudo o que for acessório é eliminado. “É o caso dos zangões. Quando chega o Inverno, a produção da colmeia decresce e o alimento fica mais escasso. Estes são expulsos e acabam por morrer. Isto porque não são necessários”. Também o intrincado dos alvéolos construídos pelas obreiras tem funções específicas. Os mais estreitos acolherão ovos que darão fêmeas, os maiores, os que darão machos”.
O engenheiro que trabalha na direcção regional do Desenvolvimento Agrário fala com entusiasmo da cultura que já considera um vício. Até porque as abelhas são fascinantes. “A temperatura da zona de criação tem de estar a 34 graus estáveis. Para descerem a temperatura, por exemplo, as abelhas colocam-se à entrada da colmeia e batem as asas, para fazer o ar circular”.

Os benefícios do mel
Mas as abelhas não são apenas interessantes pela complexa e eficaz sociedade em que vivem. Os produtos que se conseguem extrair da apicultura revelam-se também valiosos para a saúde humana. E não se limitam ao mel. “Existe também a geleia real, que tem um efeito regulador do organismo humano. Aliás, é de geleia real que se alimenta a abelha rainha, a única que é fecunda. Só isso já quer dizer alguma coisa”, lança João Pires.
Também não existem problemas para quem estiver de dieta. “O mel é constituído por açúcares simples. É um alimento sobretudo energético, não é tóxico para as células e promove a saúde controlando agentes agressivos. Estamos a falar da gripe, por exemplo. O mel é muito eficaz a prevenir”, explica Paulo Miranda, que acrescenta que alguns estudos apontam também o facto deste conter propriedades anti-cancerígenas.
João Pires dá ainda mais exemplos de utilização para o mel. “Muita gente não sabe, mas tem efeitos muito bons na pele. Ajuda a cicatrizar feridas, por exemplo”, diz.
“A geleia-real, o alimento da rainha, é útil para combater a fadiga mental, provocada pelo trabalho ou pelo estudo. É também um bom alimento para as crianças”, prossegue.

Apicultura nos Açores
O apicultor age como um elemento controlador, numa sociedade já ela muito eficaz. Introduz os estímulos necessários para que, sem perturbar as abelhas, seja possível retirar o melhor produto possível. No apiário da freguesia do Posto Santo, vestido com o equipamento branco necessário, João Pires retira de uma das caixas um quadro de madeira cheio de mel e de abelhas, atarefadas, sempre a deixar e a regressar à colmeia. Mostra a meia-lua onde é feita a criação, identifica zangões e obreiras e dá a provar um pouco do mel. Doce como nos frascos.
No ano passado, João Pires fez 160 rainhas para distribuir por vários apicultores. Defende que a forma artificial de multiplicação da colmeia é preferível à natural enxameação, que traz perigo de perder as abelhas e até de causar transtornos às casas vizinhas.
Paulo Miranda, também vestido a rigor, com as luvas e o “chapéu” largo com uma rede à frente, lembra no entanto que é preciso cuidado ao introduzir material genético. “Por exemplo, aqui na Terceira, não se deve introduzir material de fora da ilha”. Isto para a combater a varroa, que tem destruído colónias inteiras em Portugal Continental, mas também em ilhas como o Pico, Faial e Flores. “No Pico já foram tomadas medidas e a situação estará controlada. No Faial essas medidas estão a arrancar. Quanto às Flores não tenho dados, mas a palavra de ordem para todos os apicultores é prevenir”.
Quer Paulo Miranda como João Pires continuam a conciliar as suas vidas profissionais com a apicultura. Para ambos é um vício saudável. O engenheiro tem um apiário e 12 colmeias e o professor tem três apiários, com 40 colónias. O objectivo de ambos é ir aumentando a produção, mas não avançar para a actividade a tempo inteiro.
“A legislação obriga os apiários a terem determinada distância da via pública e das casas, bem como limita a densidade populacional. Isso obriga os apicultores a terem maior número de apiários e menor produção por cada um deles, o que implica alugar terrenos e um grande investimento. Por isso, é difícil avançar para a produção a tempo inteiro”, considera Paulo Miranda.
Por agora, Paulo Miranda distribui o mel que produz pelo seu círculo privado de amigos, família e conhecidos. João Pires é associado da Fruter e é aí que vende o que produz. Mas Paulo Miranda assegura que, quem estiver mesmo determinado, tem condições para viver da apicultura.
“Primeiro seriam necessárias pequenas acções de formação, para que os interessados tomassem conhecimento das técnicas que existem. O mais importante neste ponto é rejuvenescer esta actividade, que tem gente muito envelhecida. Depois, existem apoios, e o acesso a estes até é fácil. No entanto, defendo que as pessoas só devem recorrer a eles quando tiverem a certeza de que querem mesmo estar na apicultura. O Programa de Apicultura Nacional canaliza apoios para a Associação de Produtores e apenas os associados podem usufruir dessas verbas. Existem também apoios da União Europeia, para quem se queira estabelecer como apicultor, e do Governo Regional, para a aquisição de equipamentos”, esclarece.
O mel da Terceira – e dos Açores - está também em vantagem em relação a muitos outros, que aparecem nas prateleiras dos hiper e super mercados. “Muitas vezes vemos mel de fora muito barato, mas é preciso ver que mel é esse. O nosso mel tem vantagens, porque aqui não temos doenças e, por isso, não entram antibióticos para a constituição do mel. Temos o mar que serve como uma grande barreira fitossanitária e toda a natureza que nos rodeia, todo este verde, que depois se reflecte no produto final”.
No entanto, o passo para a produção de mel biológico é praticamente impossível. “As abelhas tem um raio de acção de três quilómetros e toda essa área tem de estar de acordo com as regras. Só é possível em grandes planícies, sem casas à volta. Aqui basta que as abelhas tomem contacto com a plantação de alfaces de alguém que colocou pesticida para que o produto esteja comprometido”, adianta.
João Pires concorda. “Mas podemos dizer que temos um mel de extrema qualidade”, diz, empunhado um frasco de mel à base de incenso, bastante claro. “O mel escuro é multiflora”, esclarece.
Num dia chuvoso, depois de ter deixado o apiário do Posto Santo, João Pires arruma os equipamentos e vai explicando que a apicultura encerra um grande potencial na Terceira e nos Açores. Lembra também o papel das abelhas, sempre desconhecido da grande maioria das pessoas. Quase nenhumas sabem que 70 por cento do alimento humano depende delas, que a Humanidade teria poucos anos de vida se esta espécie fosse pura e simplesmente erradicada. “Pensam apenas que é um insecto que dá mel e que, sobretudo, pica, quando isso não é verdade, apenas o fazem para defesa. É o que eu digo sempre: Há umas centenas que as amam, uns milhares que as odeiam e uns milhões que as ignoram”. João Pires e Paulo Miranda fazem parte das centenas.
(In DI-Revista)

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sexta-feira, janeiro 23, 2009

MINI CURSOS AGRO-AMBIENTAIS Incutir na população o gosto pela produção hortícola ecológica

Humberta Augusto
“Proteger e Propagar Plantas”, assim se chama o segundo mini-curso agro-ambiental que o Campus de Angra do Heroísmo vai implementar na próxima sexta e sábado no pólo universitário do Pico da Urze da Universidade dos Açores (UA) e cujas inscrições terminam hoje.
Ana Maria Simões, professora do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da UA e responsável pelas formações fala na importância de se chamar a atenção para a produção hortícola ecológica: “esta formação servirá para as pessoas passarem a ter o gosto por produzirem os seus próprios produtos, controlando todo o processo”.
Aberto à população em geral, pelo valor de 55 euros, o curso, acrescenta, pretende fornecer às pessoas “as bases” para poderem desenvolver futuramente outros trabalhos hortícolas numa perspectiva de agricultura biológica, no campo da aromática e das medicinais.
“Apesar de ser um curso curto, tem uma componente prática, porque é muito importante as pessoas terem os conhecimentos de base”, explica.
Hobby “verde”
Noutra perspectiva, os cursos agro-ambientais são, refere a docente, uma forma de as pessoas adquirirem um hobby, “de plantarem as suas próprias plantas e flores”.
“Esta é também uma forma de as pessoas saberem o que estão a produzir”, reforça Ana Maria Simões, referindo-se à importância que actualmente é colocada nas questões da segurança alimentar.
Seja para consumo doméstico ou para comercialização, a docente aconselha a frequência do curso por todas as pessoas, independentemente do seu nível de conhecimento sobre a matéria.
Os cursos terão seguimento nos próximos tempos, nomeadamente nos dias 17 e 18 de Abril com o curso “Horta Biológica”, ministrado pelo engenheiro Victor Gomes, e a 10 e 11 de Julho com o curso “Aromática e Medicinais” por Luís Alves. O primeiro curso agro-ambiental trouxe Beatriz Bigotte Chorão ao curso “Arte Floral” em Outubro do ano passado.
Presente no curso estará a responsável pelos mini-cursos de jardinagem que funcionam em Lisboa, no Jardim da Tapada da Ajuda, e que, segundo a coordenadora, têm tido “grande êxito”.
A engenheira divulgará técnicas para proteger e propagar as plantas durante o Inverno, dando exemplos de construção de estufins, túneis bem como documentação escrita sobre os assuntos abordados.
O mini curso funcionará das 10h às 18h com uma componente teórico/prático. Os interessados poderão obter mais dados através da seguinte página electrónica: http://www.angra.uac.pt/MiniCursos/MiniCursos.htm.

(In A União)

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sábado, janeiro 10, 2009

Cooperativa Bio-Azórica

Fomentar a produção biológica e facilitar os processos de certificação aos empresários açorianos que investem neste sector é um dos principais objectivos da cooperativa BioAzórica que promove o curso “Controle de qualidade em modo de produção biológica MPB”.
A formação, ministrada pela SGS, decorre nos dias 22 e 23 de Janeiro, em Angra do Heroísmo e apesar de direccionada a técnicos, está aberta a empresários e aos produtores da região que actualmente totalizam 31 explorações biológicas certificadas.
Os números oficiais, recolhidos junto da Direcção Regional do Desenvolvimento Agrário, apontam para a existência de 31 produtores biológicos com certificação (treze em São Miguel, dez na Terceira e 8 em São Jorge), ocupando 100 hectares no território açoriano.
Comparando com dados de 2006, que apontavam para a existência de 15 explorações certificadas nas ilhas (9 em São Miguel, 3 na Terceira e 3 em São Jorge), o crescimento duplicou, porém, as entidades promotoras da agricultura biológica acreditam que este número possa ser maior.

Em declarações à “União”, Marcela Sobral, colaboradora da BioAzórica e aluna de Mestrado em Educação Ambiental da Universidade dos Açores, afirma que a cooperativa que promove, dias 22 e 23 deste mês, em Angra, o curso “Controle de qualidade em modo de produção biológica MPB”, refere que “na realidade existem mais produções biológica do que as que estão certificadas”.
Ajudar os produtores no processo legal de certificação dos seus investimentos é o principal objectivo da formação, bem como a compreensão dos processos de controlo para a obtenção dessa certificação e dos critérios que são avaliados para a garantia de qualidade da produção.
Ao longo do verão de 2008, a cooperativa realizou um levantamento sobre as práticas agrícolas locais, deslocando-se a cinco ilhas do grupo central, para avaliar as especificidades e potencialidades da agricultura biológica nessas ilhas.
O investimento em acções de formação para a certificação desses produtos relevou-se uma necessidade levantada pelos próprios produtores.
A “falta de informação”, aponta, acaba por ser um dos entraves.
“Queremos incentivar o processo de certificação, não só pelo carácter legal, mas no sentido de incentivar os produtores nas suas explorações e garantir a qualidade dos bens ao consumidor”, explicou a mestranda em educação ambiental da Universidade dos Açores.
Culturas “holísticas”
De acordo com a FAO (Food and Agriculture Organization), a definição de agricultura biológica traduz-se num “sistema de produção holístico, que promove e melhora a saúde do ecossistema agrícola, ao fomentar a biodiversidade, os ciclos biológicos e a actividade biológica do solo”.
Ou seja, trata-se de uma produção que privilegia o uso de boas práticas de gestão da exploração agrícola, em lugar do recurso a factores de produção externos, conseguido, “através do uso de métodos culturais, biológicos e mecânicos em detrimento da utilização de materiais sintéticos.”
Aumentar o número de produtores biológicos é, pois, uma das principais metas da cooperativa BioAzórica nos Açores, com base na sustentabilidade económica e ambiental deste mercado no arquipélago.
Criar sustentabilidade e valor acrescentado
Segundo a BioAzórica, o crescimento dos produtos biológicos vai acabar por trazer valor acrescentado quer aos produtores, quer aos consumidores.
“Todos têm a ganhar a médio/longo prazo”, aponta a colaboradora da cooperativa.
A formação, de 16 horas, informa, é dirigida a técnicos do sector, mas está aberta à população em geral.
O Grupo SGS (Société Générale de Surveillance S.A), entidade formadora do curso que será ministrado na DRDA e cujas inscrições já se encontram abertas, é uma das maiores organizações mundial no domínio da inspecção, verificação, análise e certificação.
Nos Açores, a entidade certificadora com maior implantação é a SOCERT - PORTUGAL - Certificação Ecológica, Lda.
Bioazórica com banca no mercado de Angra
A cooperativa BioAzórica detém actualmente 20 sócios, e apesar de ter sido criada em 2001, só no início de 2008 desenvolveu com regularidade as suas actividades.
Actualmentem um dos espaços mais visíveis da sua acção está na banca com produtos biológicos que ocupam no Mercado Municipal de Angra do Heroísmo.
“Temos à venda os produtos biológicos que os nossos agricultores produzem e criamos vantagens para os nossos associados na aquisição dos mesmos”.
Marcela Sobral explica que a cooperativa é composta por produtores e por consumidores.
Além de um serviço de entrega à porta desses produtos, a cooperativa tem acordado parcerias para a venda dos seus produtos em mercados e estabelecimentos de venda locais, bem como em restaurantes.
(In A União)

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quinta-feira, janeiro 08, 2009

LEITE BIOLÓGICO E UHT - Lavradores querem construir nova fábrica de lacticínios

A Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT) está a preparar um estudo económico para avançar com a construção de uma fábrica de lacticínios para produzir leite biológico e UHT.
O recente abaixamento no preço ao produtor terceirense e “a necessidade de se criarem novos produtos com o nome da ilha” levam a Associação a ponderar seriamente a hipótese de entrar no “negócio”.Paulo Simões Ferreira, presidente da AAIT, julga ser possível criar novos produtos e apostar na marca “Açores” e na qualidade do leite da ilha. Esta associação de agricultores garante que já encontrou eventuais mercados para quantidades projectadas.Apesar do projecto ainda estar numa “fase embrionária”, a AAIT já definiu que o leite biológico será vendido no mercado nacional e o leite UHT será comercializado preferencialmente no mercado internacional. Neste projecto, os agricultores contam com o apoio da Comunidade Europeia e do governo regional. Contudo vão tentar sensibilizar a Universidade dos Açores para prestarem o apoio técnico. “Queremos vender o melhor que o Açores produzem e criar novos canais para escoar os produtos da ilha”, referiu, ao nosso jornal, Paulo Simões. A capacidade científica do Departamento de Ciências Agrárias, da Universidade dos Açores, “é reconhecida e num projecto desta natureza é fundamental”. A universidade já, por várias vezes, admitiu ter "capacidades técnicas" para desenvolver estudos e trabalhos que contribuem para a modernização da actividade agro-pecuária.Além do trabalho de avaliação, este Departamento universitário tem ainda capacidade de apresentar “propostas para a introdução de inovações e diversificação das produções que valorizem os produtos regionais”. Segundo conseguimos apurar, a Associação Agrícola já começou a reunir com algumas entidades para apurar a viabilidade deste investimento.Entretanto, os representantes da agricultura açoriana e Governo Regional vão reunir para discutirem o Plano Anual para 2009 e as orientações a médio prazo para o período 2008-2012.O reforço dos apoios à agricultura açoriana será uma das questões a abordar neste encontro. A Federação Agrícola dos Açores já defendeu a necessidade de um aumento substancial nas verbas destinadas a apoiar os investimentos na lavoura açoriana.
IFAP já pagou apoios da campanha
O IFAP - Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas já efectuou pagamentos aos agricultores de 494 milhões de euros referentes à campanha 2008-2009, segundo dados disponíveis no site do instituto.A informação, actualizada a 29 de Dezembro, aponta para a transferência de ajudas no continente num total de 494,079 milhões de euros, sendo a maior parcela a da primeira parte do Regime de Pagamento Único (RPU), com 301,591 milhões de euros.Este pagamento do RPU foi efectuado a 23 de Dezembro, dentro do prazo estipulado no calendário divulgado pelo IFAP - Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas.A maior parte dos pagamentos já realizados foi concretizada durante Dezembro.Para a manutenção da actividade agrícola em zonas desfavorecidas, o IFAP já pagou um adiantamento (até 70 por cento) de 73,2 milhões de euros.O adiantamento de 60 por cento da ajuda a vacas aleitantes, efectuada, segundo a informação do IFAP, no início de Dezembro, atingiu 41,4 milhões de euros, enquanto o primeiro pagamento aos produtores de ovinos e caprinos chegou aos 21,9 milhões de euros. O prémio específico ao arroz foi de 8,6 milhões de euros.O calendário apresentado pelo IFAP revela também que o último pagamento efectuado foi a ajuda transitória ao tomate, a 26 de Dezembro, num montante de cerca de 11 milhões de euros.

(In A União)

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segunda-feira, dezembro 29, 2008

Certificação separa Açores do mercado biológico

“Os Açores são uma Região essencialmente rural, em que existem todas as condições para produzir de forma biológica, mas os agricultores ainda vêem isso como algo quase impossível. Quando se fala de certificar é ainda pior, olham sempre o processo como muito complexo e caro. Acabem por decidir que não vale a pena”. Quem o diz é Marcela Sobral, da BioAzorica, organização que promove um curso de “Controlo de qualidade em modo de produção biológico” e aluno do Mestrado em Educação Ambiental do Departamento de Ciências Agrárias e Departamento de Ciências da Educação do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. O curso, que decorre a 22 e 23 de Janeiro, nos Serviços de Desenvolvimento Agrário, na Vinha Brava, é ministrado pela SGS, uma empresa líder mundial na área da certificação e inspecção.“O objectivo é quebrar os mitos que existem em torno da produção e certificação de produtos biológicos. É uma formação dirigida aos agricultores, mas também a técnicos, estudantes e professores, que servirão como disseminadores do conhecimento, uma vez que não podemos chegar a todos os produtores”, explica. Na opinião de Marcela Sobral a produção biológica nos Açores ainda está numa fase muito inicial. “No passado Verão estivemos nas cinco ilhas do grupo Central e fizemos um inquérito a agricultores. Percebemos que existem alguns a produzir de forma biológica, principalmente no Pico, São Jorge e Faial, bem como na Terceira, mas a maioria não está certificada. Isto é algo que deve mudar, sobretudo numa altura em que, no próprio mercado regional, são cada vez mais as pessoas que procuram produtos de maior qualidade, para si e para os seus filhos”. O enquadramento legal (nacional e comunitário) do modo de produção biológico e a metodologia de controlo de certificação são os dois temas centrais do curso com duração de 16 horas, cuja inscrição custa 45 Euros, 15 para estudantes. Entretanto, os Açores vão passar a ter entidades certificadas para aconselhamento agrícola e florestal. Associações, cooperativas agrícolas, empresas e associações florestais podem candidatar-se à obtenção de certificação para prestação dos serviços previstos pelos sistemas de aconselhamento agrícola e florestal que o Governo Regional criou para “promover o desenvolvimento sustentado do meio rural”. As regras para as entidades interessadas estão numa portaria da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, agosto 14, 2008

Agricultura açoriana pode vir a apostar em compostos orgânicos

Um estudo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, realizado pelo Professor João Batista e a Investigadora Edite Batista revela que a produtividade pode aumentar 30 por cento com a futura utilização de compostos orgânicos.
Os compostos orgânicos, são, em boa verdade, estrume. A utilização desses compostos pode significar ganhos de 30 por cento para a Agricultura açoriana, segundo revela um estudo efectuado por investigadores da Universidade dos Açores.Os compostos orgânicos podem, de futuro, substituir mesmo os adubos químicos que estão cada vez mais caros, e a ideia é bem aceite pela Lavoura, segundo afirmou à RDP / Açores o Presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira. Para Paulo Ferreira trata-se de um projecto com pernas para andar e, atentendo que os adubos químicos estão cada vez mais caros, a alternativa é considerada bem vinda e a Lavoura está sensível a uma solução destas, mas é necessário que sejam dados mais passos nesse sentido.

(In Armando Mendes / Carlos Tavares RTP-RDP Açores)

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terça-feira, abril 08, 2008

Lançamento do Livro Compostagem - Utilização de Compostos em Horticultura

A Universidade dos Açores procedeu ao lançamento do livro Compostagem - Utilização de Compostos em Horticultura, da autoria do do Prof. Doutor João Ferreira Batista e da Engª. Edite Romana Bessa Batista, docentes desta academia.

A reciclagem de resíduos orgânicos através da compostagem, garantindo a sua reinserção nos grandes ciclos ecológicos, vitais para o planeta, constitui, conjuntamente com outras biotecnologias ambientais, a chave para o sucesso da transformação. A utilização de compostos é importante e indispensável no contexto de uma agricultura moderna e sustentável. Na verdade, uma das realidades das sociedades modernas, é que os ciclos nutritivos estão interrompidos, devido à negligência que se verifica no domínio da recuperação de resíduos orgânicos. Foi nesta perspectiva que os autores resolveram produzir um trabalho que reflectisse o estado do conhecimento na produção de compostos em geral e em particular para utilização em horticultura, incorporando também a sua própria experiência, que julgam poder contribuir para melhorar o conhecimento dos leitores, quer eles sejam técnicos, estudantes ou simples curiosos atraídos pelo saber.

A cerimónia de lançamento do livro realizou-se no dia 4 de Abril de 2008, pelas 17h00, no Anfiteatro do Complexo Pedagógico do Campus de Angra do Heroísmo, ao Pico da Urze. A obra foi apresentada pelo Prof. Doutor José Estevam de Matos.

(In Universia)

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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

A opção por produtos biológicos

É um fim de manhã numa tarde chuvosa de sábado. Descemos as escadas molhadas do Mercado Duque de Bragança, seguimos pela peixaria, onde os vendedores já arrumam as bancas, e viramos à esquerda. É fácil identificar o novo espaço. As letras estão pintadas na parede, entre bocados de verde e uns ramos escuros: “Produtos biológicos”. Além, disso, presos nos cestos de verga, alguns já quase vazios, bocados de papel tiram as dúvidas: “Kiwi biológico”, “Laranja Biológica”, “Repolho biológico”... Todos os produtos são certificados, garante Francisco Dinis, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e empresário que se encontra à frente do novo estabelecimento. Explica que tudo começou em 2005, com um grupo de pessoas, que se “preocupava com o assunto”. “Começámos a trabalhar umas terras nas Doze Ribeiras, mas de uma forma esporádica. No Verão fazia-se algumas coisas... Mas, aos poucos, fomo-nos organizando e as ideias foram-se definindo. Além disso, trabalho já desde 2005 com a BioFontinhas. Ia lá todos os sábados e aprendia sempre alguma coisa”. Muitos membros desse primeiro grupo eram estudantes universitários, que depois se foram embora, mas os alicerces para o projecto estavam lançados. Francisco Dinis explica o que se pretende: “A nossa ideia é pôr as coisas a andar na Terceira. Depois, vamos contactando os diferentes agricultores. Com alguns produtos de cada, já conseguimos alguma variedade. E isso é o que as pessoas querem. Existem já a BioFontinhas, a BioBiscoitos, uma senhora em São Mateus também tem produtos certificados e há a Quinta do Martelo, que é mais para consumo interno. Mas, agora que começámos neste espaço, apareceram pessoas jovens que têm terrenos da família e que estão interessadas em desenvolver agricultura biológica. Vêem que há esta banca e que existem consumidores e acreditam que é possível apostar neste ramo. Esse é um dos nossos grandes objectivos e as coisas estão-se a mexer”. O próximo passo para pôr as “coisas a mexer” é a reactivação de uma cooperativa dedicada à agricultura biológica, a BioAzorica. “É uma cooperativa que já existia, mas que nunca avançou. Tínhamos duas hipóteses, ou formávamos uma cooperativa de raiz ou aproveitávamos a estrutura que já existia. Estamos em contacto com os sócios e, em princípio, a maior parte mostrou-se interessada em prosseguir. Para o fim do mês existirá uma Assembleia Geral”. Um dos aspectos inovadores desta cooperativa é o objectivo de unir produtores e consumidores num único organismo. “Queremos fazer uma espécie de registo de todos os potenciais consumidores e estes, ao fazerem parte da cooperativa, terão regalias, como preços especiais. Por outro lado, existindo consumidores, isso é também um estímulo para os agricultores, que têm uma garantia de que vão escoar os produtos”. Outro ideal é estabelecer uma espécie de “economia democrática”. “Podíamos apenas avançar com uma loja, mas, numa cooperativa, todos os produtores, dos mais pequenos aos maiores, têm dividendos e todos têm uma palavra a dizer”. Não têm faltado palavras às pessoas que passam pela banca de produtos biológicos. Muitas já sabem do que se trata, mas bastantes fazem perguntas. “Tiramos sempre todas as dúvidas. Explicamos que se tratam de coisas simples, naturais e saudáveis sem adubos químicos”, explica Francisco Dinis, já há anos ligado ao yoga e à meditação, e para quem a boa alimentação é um elemento muito importante. “As pessoas já sabem os benefícios. Começam normalmente por adquirir produtos biológicos para fazer a sopa para o bebé, ou levam a fruta para os filhos. Pensam sempre primeiro nas crianças. Depois, acabam por consumir também e o hábito estende-se a toda a família. Já muita gente ouviu falar de produtos biológicos”.

AGRICULTURA SAUDÁVEL

Não é difícil saber exactamente o que é agricultura biológica. Uma rápida pesquisa pela Internet esclarece as dúvidas. Em causa está uma cultura saudável: Para o ser humano e para o próprio planeta, visto que a produção de alimentos e produtos animais e vegetais não assenta na utilização de produtos químicos sintéticos, não aceita os alimentos geneticamente modificados e costuma caracterizar-se por um tipo de agricultura sustentável. A atenção é colocada sobre o solo, para aproveitá-lo e fazê-lo produzir eficientemente sem fertilizantes e pesticidas artificiais. Daí resulta outra vantagem, explica Francisco Dinis: “São alimentos saudáveis, com um sabor mais puro. Têm uma qualidade superior aos convencionais, aos simples vegetais ou frutas que se vendem nas prateleiras dos hipermercados”. Em países como o Brasil, Estados Unidos da América, Suíça ou Japão, a agricultura biológica é já regulamentada por lei. O mesmo sucede no seio da União Europeia, o que limita as desconfianças que possam existir em relação a este tipo de produtos. Um argumento contra costuma ser o preço mais elevado, mas Francisco Dinis afasta-o. “O que queremos com esta cooperativa é garantir também preços razoáveis. Pode-se estar a falar de uma ligeira subida em relação aos produtos convencionais, mas não é muito significativa. O poder de compra das pessoas da ilha foi tido em conta”, garante. Naturais e de sabor genuíno, os produtos estão na banca. Cestos de vime claro com laranjas pálidas e ligeiramente mais pequenas, mas de paladar forte, batata-doce, repolho, cenouras, cebola, ovos, compotas de uva e de kiwi... A opção biológica já existe no mercado de Angra.
(In DI - Revista)

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sexta-feira, janeiro 18, 2008

Agricultura biológica está a ganhar espaço

A agricultura biológica está lentamente a conquistar interessados na Terceira.Trata-se de uma agricultura que não faz uso de produtos químicos sintéticos, nem de pesticidas artificiais, para a produção de todo o tipo de frutas, vegetais, incluindo ervas aromáticas e ovos. Com uma nova loja a comercializar produtos biológicos no mercado de Angra do Heroísmo, a suscitar a curiosidade da população, nomeadamente dos jovens e dos idosos, Francisco Diniz, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e responsável por este projecto, refere que com a abertura do novo espaço pretende-se «por em contacto os consumidores e ao mesmo tempo incentivar os produtores deste género de agricultura», uma vez que a realidade do mercado dos produtos biológicos é «praticamente inexistente» na ilha Terceira. O empresário acrescenta que havia uma faixa etária interessada, mas que não encontrava os produtos com regularidade. Neste sentido Francisco Diniz considera que há «poucos produtores e pouco produzem», não existindo mesmo mais do que meia dúzia. Embora destes apenas três ou quatro estão a produzir com uma certa dimensão, e refere a «Bio Fontinhas e a "Bio Biscoitos". Questionado sobre os incentivos governamentais existentes sobre esta matéria, o empresário defende «o trabalho independente», sendo que em termos de economia «as coisas devem existir porque há consumidores». Contudo, acrescenta, «no arranque do negócio faz sentido os apoios financeiros, mas não criando qualquer tipo de dependência». Aliás, diz ainda Francisco Diniz, as pessoas envolvidas na agricultura biológica tentam sempre ser o mais auto-suficientes possíveis em relação ao exterior «reduzindo os “in-puts”, menos adubos, menos pesticidas» e tentando arranjar soluções «dentro do nosso espaço e da nossa parcela». Desde há dois anos para cá Francisco Diniz diz que a curiosidade das pessoas aumentou em relação aos produtos biológicos, mas quanto a perspectivas futuras nada poderá adiantar. No que concerne a preços, adianta o empresário, a tendência «é para que os produtos biológicos sejam mais caros», sendo que no Continente atingem «valores exorbitantes». Em contrapartida, aqui na ilha, «tentamos que os preços sejam acessíveis» dado que as pessoas não possuem muito poder de compra, acrescenta.
A cooperativa de produtos biológicos foi criada em 2001 e envolveu na altura 17 pessoas. Mas na prática «adormeceu» e nenhum projecto acabou por ser desenvolvido. Actualmente com este novo projecto, explicou Francisco Diniz, havia duas hipóteses, em que uma consistia em «criar uma cooperativa nova e a outra em activar a já existente». O empresário adiantou que no final do mês de Janeiro está previsto uma reunião com a assembleia-geral, no sentido de dar continuidade ao projecto inicial. Esta cooperativa é ao mesmo tempo de consumidores e de produtores, o que nas palavras de Francisco Diniz, trata-se de um modo «perfeito» para o funcionamento do projecto.
Intuitivamente percebemos que um produto que não leva adubos nem pesticidas, para ter uma velocidade de crescimento mais rápido, só poderá ser mais saudável, refere Francisco Diniz. Geralmente dentro da família, explica o empresário, o padrão observado são os bebés, «porque os pais querem o melhor para os filhos». A partir dali seguem os hábitos e o consumo de alimentos mais benéficos. Pelas mesmas razões o impacto da utilização da agricultura biológica será menor para o ambiente do que a convencional.


(In A União)

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quarta-feira, janeiro 16, 2008

Produtos biológicos em Angra do Heroísmo

Maçãs, laranjas, batata-doce, repolho, kiwis, cebola, couves, cenouras, ervas aromáticas, saladas e ovos... biológicos. Existe uma nova loja, aberta no Mercado Duque de Bragança, em Angra do Heroísmo, que pretende, para além de oferecer uma maior variedade de produtos biológicos, incentivar o crescimento deste tipo de agricultura na ilha.
À frente do novo espaço está Francisco Diniz, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores que explica que o projecto se encontra ligado a uma cooperativa. “No fundo, não se trata de uma cooperativa nova, porque esta está formada desde 2001, mas estava desactivada. Trata-se de reactivar essa cooperativa, a BioAzorica. Pretendemos unir consumidores e produtores. Consumidores, para garantir bons preços. No caso dos agricultores, uma vez que já existirão consumidores, estes terão mercado para escoar o seu produto”. Os produtos biológicos à venda na nova loja são provenientes do mercado local e nacional: “Actualmente, existem no mercado terceirense poucos produtos e pouca variedade. Estamos em contacto com vários agricultores locais para obter a maior quantidade de produtos possível, mas também importamos do Continente. Noventa e nove por cento do que vendemos é certificado”, adianta. Além disso, a loja coloca à venda produtos da “BioFontinhas” e “BioBiscoitos”, para além de outros, produzidos em terrenos que Francisco Diniz tem nas Doze Ribeiras.

QUESTÃO DE SAÚDE

Quanto às vantagens de consumir produtos biológicos, Francisco Diniz coloca os benefícios para a saúde em primeiro lugar: “As pessoas já têm essa noção. Começam primeiro por comprar vegetais para fazer as sopas do bebé, fruta para as crianças e depois começam a consumir e estendem esse hábito a toda a família, porque entendem que existem mais-valias. Para além disso, o sabor é menos artificial, mais vivo. Por fim, existe a questão ambiental, uma vez que se trata de uma agricultura menos agressiva, que não faz uso de produtos químicos sintéticos”. Um argumento geralmente apontado contra este tipo de produtos é o preço mais elevado. Francisco Diniz garante que está a ser tido em conta o poder de compra dos terceirenses. “É certo que se tratam de produtos ligeiramente mais caros, mas a diferença não é assim tão grande, as pessoas podem vir e verificar por si. Estão em causa produtos mais saudáveis e de qualidade”, lembra.

(In Diário Insular)

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