quarta-feira, setembro 09, 2009

Summit for the Future Report Released

The Summit for the Future Report covers issues related to: Trade / Service Industry, Energy, Healthcare, Media & Entertainment and Science & Technology Testimonials about the Summit:E.P. Cassee, Managing Director, HES Amsterdam School of Business: We are very glad to host you this year, but also in the years to come: Davos is the World Economic Forum and Amsterdam is the Summit for the Future!" Stefan Schneider, Chief International Economist, Head of Macro Trends, Deutsche Bank Research" The conference is very thought provoking especially since we have people here from so many diverse backgrounds - bringing their experience together - that really makes a very inspiring atmosphere." Prof. Vasco Garcia, University of the Azores, former Member of the EU Parliament: I think that the years to come will show us a tremendous progress and change in technology, in science, in the way the organizations are to relate themselves with the surrounding world. This is of extreme importance. Im really very pleased with the way the works [at the Summit] are going on." Katie Begg, Principal Lecturer, Institute of Energy & Sustainable Development, De Montfort University: This conference is absolutely perfect, because what its doing is implementing trans-disciplinarity and thats exactly what we need." Manfred Kern, Bayer CropScience: From the viewpoint of a person working for Bayer CropScience, it is satisfying and challenging that the Club of Amsterdam with its agenda and visions and the platform Summit for the Future" is closing a long lasting gap. There is now a center in the world for unconventional thinkers with courage and self-confidence, for interdisciplinary working groups pursuing common objectives, sharing common values, following the same rules, and enjoying a certain freedom of scope and even protected areas". A platform which needs people who possess the ability to communicate, who have a questioning culture, who are big enough to allow mistakes, who are willing to take risks, and who ultimately have confidence in a positive future." Our first Summit for the Future was visited by more than 100 delegates from Belgium, Canada, China, France, Germany, Greece, Hungary, Iceland, Indonesia, Israel, Latvia, Luxembourg, New Zealand, Portugal, Russia, Saudi Arabia, Spain, Switzerland, The Netherlands, UK and the USA. The Opening Event was attended by 230 persons and in January we had more than 40.000 visitors on our website. 22 Partners: Bayer CropScience, Infolution, HES Amsterdam School of Business, cole Polytechnique, Paris, the Medical Faculty, University Basel, Media Academie, Hilversum and the Corvinus University of Budapest, musik.woche with musik.lounge, KnowledgeBoard, The Association for International Broadcasting, Fuel Cell Markets, H2World, Promedia, Medical Knowledge Institute, The World Future Society, Health Management Forum, Shaping Tomorrow, European Health Telematics Association, World Summit Award, World Futures Studies Federation, Gemeente Amsterdam Economische Zaken and the Embassy of Switzerland in The Hague. The general feedback was very positive - the participants es- pecially appreciated the inter- disciplinary aspect as well as the global presence at the Summit. The outstanding quality of the 40 speakers and stream leaders ensured inspiring lectures and workshops. Some key speakers were: Glen Hiem- stra, leading futurist from USA, Simon Jones, director of the former M.I.T. Lab Europe, Frank-Jrgen Richter, former director of the World Economic Forum in Davos, Tom Lambert, lead- ing consultant, Gerd Eisenbeiss, leading energy advisor to the German government as well as to the EU - to name just a few.

Information about the Summit for the Future Report is available at:http://www.clubofamsterdam.com/press.asp?contentid=473&catid=61 See also a short video about the Summit:http://www.clubofamsterdam.com/press.asp?contentid=460&catid=61 About the Club of AmsterdamThe Club of Amsterdam is an independent, international think-tank that organises regular high-level discussions on preferred futures. It involves those who are not just talking about the future - but those who are active participants in shaping the outcome.

So far weve organised more than 25 specialised events, each tackling a different sector within industry and society.
(Author Information Felix Bopp CLUB OF AMSTERDAM)

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quarta-feira, agosto 19, 2009

INE vai criar 1726 ‘empregos’

O Instituto Nacional de Estatística vai criar 1726 postos de trabalho, durante seis meses, para conseguir levar a cabo o Recenseamento Agrícola de 2009.
São 186 os técnicos locais e 1540 os entrevistadores necessários em todo o País para a realização do inquérito, obrigatório em todos os países da União Europeia. O trabalho tem por objectivo traçar o panorama da agricultura nacional, fazendo uma ‘radiografia’ às suas características. A recolha da informação será feita durante cerca de seis meses, entre Novembro deste ano e Maio de 2010. Para o lugar de técnico, o INE exige aos candidatos habilitações, preferencialmente superiores, na área das Ciências Agrárias e carta de condução, oferecendo-lhes um contrato de trabalho a termo. O salário será pago de acordo com a tabela em vigor no instituto. Em termos de distribuição, 35 técnicos seriam contratados para a região de Entre Douro e Minho, 34 para Trás-os-Montes, 38 para a Beira Litoral, 22 para a Beira Interior, 27 para as áreas do Ribatejo e Oeste, 16 para o Alentejo, oito para o Algarve e seis para os Açores.
Quanto aos entrevistadores, o trabalho funciona em regime de part-time e é prestado a recibo verde, sendo exigido o 11º ano. Cada entrevista vale 15 euros. Entre Douro e Minho, Trás-os-Montes e Beira Litoral são as zonas onde há mais vagas.
(in Diana Ramos - Correio da Manhã)

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sexta-feira, agosto 07, 2009

O trigo

Joaquim Leça

Uma semana depois da 25.ª edição do festival de folclore "48 Horas a Bailar", realizado em Santana e dedicado ao trigo, o "Agricultando" de hoje versa sobre esta gramínea. É proveniente da região do Crescente Fértil no Médio Oriente, na zona actualmente constituída pela Síria, Jordânia, Turquia e Iraque. Em 2007, de acordo com a FAO, organismo das Nações Unidas para a agricultura e alimentação, este cereal é a terceira cultura agrícola mundial liderada pelo milho e seguida pelo arroz. A China, a Índia, os EUA, a Rússia, a França, o Paquistão e a Alemanha são os principais produtores. Na Madeira, esta cultura foi instalada de imediato aquando do seu povoamento, como alimento base dos nossos antepassados. O "Elucidário Madeirense" do Pe. Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, confirma essa importância de outrora, dizendo que “o trigo existe em todas as freguesias do arquipélago, (...)”. No presente, a área e a produção deste cereal são muito reduzidas, devido aos custos de produção elevados, optando-se pela importação da totalidade da farinha aqui utilizada. Mesmo assim, segundo o "Recenseamento Geral de Agricultura" de 1999, destacam-se os concelhos da Calheta (freguesias dos Prazeres, Fajã da Ovelha, Ponta do Pargo), Santana, Porto Moniz e Porto Santo, com alguma produção e vestígios nos restantes municípios. Como curiosidade, refira-se que um agricultor, Eleutério Gonçalves Martins da Nóbrega, da freguesia de Santa Maria Maior, concelho do Funchal, dedica-se ao cultivo do trigo há 28 anos, sendo o último a fazê-lo nesta cidade. É por isso, motivo de uma exposição organizada pelo Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova, no Centro Cívico de Santa Maria Maior. Em termos culturais, a sementeira realiza-se de Dezembro a Março, conforme a localização geográfica, a altitude e as condições climatéricas locais e, a ceifa decorre em Junho e Julho. É rústica quanto às pragas e doenças, podendo ocorrer no armazenamento dos grãos, ataques do gorgulho e da traça dos cereais, bem como dos ratos e murganhos. Atendendo à diversidade de tipos de trigo existentes na Região e no âmbito do Germobanco Agrícola da Macaronésia da responsabilidade da Associação de Agricultores da Madeira e da Universidade da Madeira e, demais congéneres açorianas e canarianas, procedeu-se ao levantamento, recuperação, conservação, caracterização e aperfeiçoamento dessas espécies e variedades regionais, pela qualidade e produtividade únicas que possuem. Neste momento, o interesse no seu cultivo local serve sobretudo, para garantir a genuinidade dos derivados típicos, como o pão caseiro, o bolo do caco, o bolo de noiva, a sopa de trigo, o cuscuz, o "frangolho" (papas de trigo), entre outros. E, por outro lado, assegurar palha para a cobertura das casas de colmo, características do concelho de Santana. É pois, uma parte do património agrícola regional que deve ser acautelada, através da certificação dos produtos tradicionais atrás mencionados, onde o nosso trigo deve constar como ingrediente obrigatório.

(In Agricultando)

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quinta-feira, agosto 06, 2009

A papaia

Joaquim Leça
Na Madeira, mas não nos Açores – à semelhança de outras regiões produtoras mundiais – a papaieira frutifica ao longo do ano, em maior quantidade no Verão, até aos 250 metros de altitude na costa sul, em pés dispersos e em pequenas plantações. Prefere zonas abrigadas dos ventos e temperaturas amenas, superiores a 20ºC, tendo a particularidade de produzir a partir do primeiro ano de plantação. Cultiva-se ao ar livre ou em estufa, sendo que a segunda opção possibilita uma maior uniformidade da produção no decorrer do ano, bem como uma maior longevidade da planta. A sua propagação é obtida através de semente, por estaca e mais recentemente por micro-propagação, isto é, plantas produzidas em laboratório pela Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a partir de tecidos vegetais seleccionados e que são vendidas na Divisão de Fruticultura. Como é sabido, esta espécie apresenta uma diversidade de tipos diferentes de flores, masculinas, femininas e hermafroditas que se manifestam na mesma papaieira ou em papaieiras diferentes, pelo que é importante adquirir plantas que garantam uma boa produção. No que respeita às doenças que a afectam, a mais prejudicial é a do "vírus-dos-anéis-da-papaieira", que provoca manchas e malformações nas folhas e, manchas em forma de anéis nos frutos e nos "troços" (pecíolos) das folhas. Além disso, a planta atrofia e a qualidade e o tamanho dos frutos diminuem, podendo ocorrer a sua morte. O oídio ou "mangra" como é conhecida entre nós, também surge nas folhas e nos frutos. Quanto às pragas, destacam-se os afídeos ou "piolhos" e os ácaros ou "aranhiços". A papaia que apresenta formas arredondadas ou alongadas, de polpa amarela, laranja ou avermelhada, pode ser saboreada como entrada ou sobremesa. Há quem lhe adicione sumo de limão ou Vinho Madeira, para melhorar o seu paladar. Em alternativa ao seu consumo em fresco, é possível apreciá-la transformada, num apetecível sumo, pudim, gelado ou "doce" (compota). Noutras zonas do mundo, utilizam-se as folhas para envolver uma peça de carne, tornando-a mais tenra. As folhas ao serem amarradas, partem-se e libertam uma seiva leitosa, que contém uma enzima, a papaína, que é responsável por essa tenrura. A papaína, também presente em elevados teores na casca dos frutos verdes, tem inúmeras aplicações na indústria farmacêutica e alimentar. No livro "A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses" do Professor Engenheiro José Mendes Ferrão, atribui-se a origem da papaieira, às regiões andinas de altitudes médias da zona tropical. Nesta obra, aponta-se que “os portugueses, que acabaram por apreciar esta fruta, a introduziram em África e na Índia”. O Brasil é o principal produtor e exportador mundial. No continente americano, o México é outro dos países com uma produção assinalável, enquanto que em África é o Zaire e na Ásia, são a Índia e a Indonésia.
(In Agricultando)

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quarta-feira, agosto 05, 2009

A ginja

Joaquim Leça

É um fruto originário da Europa de Leste e do Sudoeste Asiático. Os gregos e os persas conheciam e apreciavam a ginja, mas foram os romanos que distribuíram esta cultura por vários pontos do continente europeu, aquando do seu império. Segundo dados recentes da FAO, o organismo das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação, a Rússia, a Turquia, a Polónia, a Ucrânia e a Sérvia e Montenegro, são responsáveis por quase dois terços da produção mundial. Em diversos países, a ginja ou cereja ácida, pela qual também é conhecida, é utilizada na gastronomia, em sopas, pratos de carne de porco, tartes e na obtenção de bebidas. Em Portugal, este fruto é sobretudo transformado em ginjinha ou licor de ginja. Quem nunca a bebeu em Lisboa, na "Ginjinha" do Largo de São Domingos ou na "Ginjinha sem Rival" da Rua das Portas de Santo Antão, com ou sem "elas", ou seja, com ou sem ginjas. A Região Oeste, é a zona produtora de excelência desta bebida, sendo afamadas, a Ginjinha de Óbidos e a de Alcobaça. Na Madeira, as freguesias do Jardim da Serra e do Curral das Freiras, pertencentes ao concelho de Câmara de Lobos, produzem ginjas e o nosso licor de ginja, que é muito procurado durante todo o ano pelos madeirenses e pelos turistas. Refira-se a título de curiosidade que, no livro "Fomento da Fruticultura na Madeira" de 1947 da autoria do Professor Engenheiro Joaquim Vieira Natividade, a ginjeira é mesmo considerada uma espécie típica do Curral das Freiras. Nos últimos anos, tem-se realizado ali uma Mostra da Ginja, organizada pela respectiva Casa do Povo, onde são divulgados alguns derivados daquele fruto como o bolo, o "doce" (compota), entre outros, estando a edição de 2009, marcada para 12 de Julho. Na Região, esta cultura tem as melhores condições de cultivo a partir dos 500 metros na costa sul. À semelhança da cerejeira – que hoje se celebra no Jardim da Serra em mais uma Festa da Cereja – floresce de uma forma exuberante em Abril e Maio e, a colheita decorre em Junho e Julho. Quanto a pragas e doenças, a ginjeira é mais rústica que a sua "irmã" doce. Uma vez que o aspecto destas duas espécies é muito idêntico, o que as distingue, é o porte da primeira que é mais pequeno e os seus ramos que são mais curtos que a segunda fruteira. Acrescente-se ainda que ao paladar, a ginja é agridoce e a cereja é doce.

(in Agricultando)

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Mirtilo

Engª Ana Silva

Mirtilo O mirtilo é um arbusto pertencente à família Ericaceae, género Vaccinium. Em Portugal existem espécies silvestres do género Vaccinium: o V. myrtillus (mirtilo Europeu) na Serra do Gerês, o V.padifolium na Ilha da Madeira e o V. cylindraceum (também conhecido por uva-da-serra) no arquipélago dos Açores. As cultivares existentes e comercializadas, são, na sua maioria, híbridos de espécies norte americanas e estão divididas em vários grupos entre os quais se encontra o grupo Highbush (Northern e Southern) – V. corymbosum.CaracterísticasO sistema radicular é fasciculado e composto por 2 tipos de raízes, umas mais finas e superficiais responsáveis pela absorção de água e nutrientes, e outras maiores, cuja função é fixar o arbusto ao solo. As raízes do mirtilo apresentam a particularidade de não terem pêlos radiculares, estruturas da raiz cuja função é aumentar a superfície de absorção de água e nutrientes.Os ramos têm origem na coroa (zona de transição entre raízes e ramos), são erectos e podem atingir os 2,5m de altura para a maior parte das cultivares.
As flores encontram-se agrupadas em cachos, são brancas e têm as pétalas soldadas entre si, formando uma campânula invertida. Devido às suas características, as flores do mirtilo favorecem a polinização cruzada assumindo a polinização entomófila (realizada por insectos) uma grande importância na rentabilidade da cultura.FRUTO
fonte: Frutas, Legumes e Flores nº 94
Baga de tamanho e tom de azul variável, dependendo da cultivar, revestida por uma camada cerosa.Quando ocorre a maturação do fruto, dá-se uma diminuição do teor em clorofila e aumenta o teor em antocianinas e açúcares, fazendo com que a cor mude de verde para azul. As antocianinas são pigmentos naturais que têm propriedades antioxidantes e às quais se atribuem uma série de benefícios para a saúde, valendo ao mirtilo denominações tais como “Rei dos Antioxidantes”, “fruto da juventude”, “fruto da saúde” ou “fruto da longevidade”.
Fonte: Correio da ManhãAlém das antocianinas o mirtilo tem também vitaminas e minerais, tais como vit. A, B, C e K, potássio, magnésio, cálcio, fósforo e ferro.O cultivo do mirtilo
O solo ideal para uma plantação
O mirtilo prefere um solo arenoso ou franco-arenoso, bem drenado, rico em matéria orgânica e com pH ácido (4,5 a 5,5).
A preparação do solo
A preparação do solo deve ser iniciada, pelo menos, um ano antes da plantação, começando por se realizar análises ao solo no sentido de averiguar se é necessário efectuar previamente correcções no pH ou incorporar matéria orgânica.As infestantes deverão ser totalmente eliminadas, podendo utilizar-se herbicidas sistémicos não residuais.Em locais em que a drenagem da água possa estar comprometida, após as devidas correcções e operações de preparação do solo, é aconselhável a realização de camalhões onde se irão plantar os mirtilos. A escolha da cultivar
A escolha da cultivar deverá ter em atenção vários factores nomeadamente: o clima, a possibilidade de ocorrência de geadas tardias, a resistência a doenças e pragas e ainda, se se tratar de uma plantação comercial, à produção e à qualidade do fruto.De um modo geral, as cultivares do grupo Northern Highbush, por necessitarem de um maior nº de horas de frio durante o repouso invernal, são mais adequadas para o norte e centro de Portugal e as cultivares do grupo Southern Highbush para o sul.Cultivares Northern Highbush: Bluetta, Earliblue, Patriot, Duke, Bluecrop, Spartan, Bluejay, Brigitta, Lateblue, Darrow.Cultivares Southern Highbush: Sharpblue, O’Neal, Misty, Biloxi, Cape Fear, StarPlantação
Deve ser feita na Primavera ou no Outono. O compasso de plantação deverá ser ajustado ao vigor das cultivares escolhidas e às condições do local, podendo variar de 1m a 1,5m na linha e 3m a 3,5m na entrelinha.Quanto às plantas, sempre que possível, dever-se-á preferir estacas enraizadas com 2 anos de idade, provenientes de um viveiro idóneo.Rega
Existem algumas características do sistema radicular do mirtilo que deverão ser conhecidas, pois condicionam a forma como a rega deverá ser feita:
1) As raízes que asseguram a absorção de água (as raízes mais finas) encontram-se, normalmente, nos primeiros 30 a 40 cm do solo. Este facto, juntamente com a inexistência de pêlos radiculares, torna o mirtilo particularmente susceptível ao stress hídrico.A água deverá então ser distribuída de forma a manter o solo junto às raízes permanentemente húmido mas sem encharcamento, pois a planta de mirtilo também não tolera bem o excesso de água.
2) Ao contrário do que sucede na maior parte das plantas, o movimento de translocação de água e nutrientes através da planta de mirtilo não ocorre de forma uniforme. Se a água e os nutrientes forem distribuídos apenas de um dos lados da raiz da planta, então apenas esse lado da parte aérea do mirtilo se desenvolverá.Temos então necessidade de um sistema de rega capaz de formar um bolbo húmido uniforme em torno da planta.Fertilização
Deverá ser sempre feita com base em análises ao solo e análises foliares, e tendo sempre em atenção que os nutrientes, à semelhança da água de rega, devem ser distribuídos uniformemente em redor da planta.Na escolha dos fertilizantes, não utilizar cloretos nem Azoto sob a forma de nitrato.
Controlo de infestantes

É de primordial importância dado que pelas características do seu sistema radicular (raízes superficiais sem pêlos radiculares), os mirtilos encontram-se em desvantagem em relação às infestantes na competição por água e nutrientes.Na entrelinha pode utilizar-se herbicidas, mobilização do solo (com especial atenção para não danificar as raízes dos mirtilos) ou recorrer à sementeira de um revestimento permanente adequado.Na linha, na largura de um metro, deve efectuar-se o empalhamento da cultura aplicando uma camada de 10-15cm de material vegetal como casca de pinho, serradura, palha, folhas, etc. ou, em alternativa, plástico ou tela.
O empalhamento da cultura cumpre 3 funções importantes:1) Protecção contra infestantes2) Manutenção da humidade do solo.3) Redução da temperatura do solo no Verão, de forma a favorecer a actividade radicular. O desenvolvimento das raízes do mirtilo é influenciado pela temperatura do solo, verificando-se uma maior actividade entre os 6ºC e os 16ºC.
Poda
Feita em Janeiro/Fevereiro, no fim do repouso Invernal.Tem como objectivo remover ramos danificados, doentes ou com pouco vigor, eliminar ramos que frutifiquem muito perto do solo (dificultando a colheita), abrir a copa para permitir o arejamento e a entrada de luz no interior do arbusto e manter a produção e a qualidade dos frutos, controlando eventuais excessos de carga de flor.Em plantas mais velhas, compreende também o corte de ramos com mais de 6 anos para dar lugar a outros mais jovens e produtivos (poda de rejuvenescimento).Nos primeiros três anos após a plantação, recomenda-se a remoção da maior parte dos botões florais para que a planta se “concentre” apenas em crescer e em estabelecer-se correctamente.

(in Horticularidades)

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sábado, julho 25, 2009

Modelo de Apoio à decisão para gerir a lavoura e água - Poluição luminosa

quarta-feira, julho 15, 2009

Gestão de Recursos Hídricos em Pequenas Bacias Hidrográficas com Intensificação Agrícola

Concorreu ao Prémio durante o 15º Congresso da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional, de 6 a 11 de Julho de 2009, na Universidade Piaget na cidade da Praia, Cabo Verde,o trabalho de V. SILVA; L. CALADO e T.P. DENTINHO*, com o título: Gestão de Recursos Hídricos em Pequenas Bacias Hidrográficas com Intensificação Agrícola.
O Prémio Bartolomeu é atribuído a cientistas com menos de 33 anos no dia 15 de Julho de cada ano, que apresentem um trabalho individual em sessões do Congresso da APDR. O prémio é atribuído pela apreciação de um júri constituído pelo director da Revista Portuguesa de Estudos Regionais e mais dois cientistas por ele nomeados. Os critérios de apreciação são: a coerência conceptual, a relevância para a ciência regional e o impacto no desenvolvimento regional.

Resumo da comunicação
Cada paradigma científico tem o seu próprio sistema de valoração. Os técnicos de recursos hídricos definem zonas de protecção das águas subterrâneas, normalmente associadas a nascentes e furos, assumindo que estas áreas demonstram a relevância para a manutenção da qualidade e da quantidade da água. Os cientistas socio-económicos também valorizam as coisas de acordo com o seu papel para a sociedade, ao longo do espaço e do tempo. Os economistas têm preferência pela análise custo – benefício, onde tudo pode ser traduzido para valor monetário. Logo a questão que se põe por detrás de todas estas filosofias e métodos de avaliação, é como tratar todos estes valores num sistema de apoio à decisão consistente.
Este trabalho pretende apresentar uma metodologia que permite usar diferentes filosofias e metodologias de valoração no mesmo sistema de apoio à decisão, possibilitando uma tomada de decisão mais informada, não descartando logo de início uma ou mais perspectivas. Assume-se uma perspectiva de complementaridade entre os valores económicos, ambientais e culturais, e que estas valorações podem ser afectadas espacialmente, permitindo a determinação de uma Taxa de Câmbio entre as diferentes escalas de valor.

(In Cabo Verde, Redes de Desenvolvimento Regional)

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terça-feira, junho 23, 2009

Lucros de explorações agrícolas podem aumentar nos Açores

Podem aumentar o lucro de uma exploração agrícola, entre 10 a 25%, num ano. Chamam-se equipas multidisciplinares de apoio à produção leiteira, uma ideia americana que a Universidade dos Açores e a Assosciação Agrícola da Ilha Terceira procuram concretizar na Região.
Esta semana, técnicos na Universidade norte-americana de Pensilvânia estiveram no arquipélago para explicar como funcionam e que benefícios trazem essas equipas de apoio. As equipas multidisciplinares de apoio aos produtores agrícolas colocam-se no terreno como conselheiras da actividade e o apoio técnico pode ir do alimento ao gado à contabilidade da exploração ou à sua vertente jurídica.Na prática, o agricultor abre as portas da sua exploração para um diagnóstico e, depois disso, um conjunto de soluções é-lhe apresentado para melhorar a produção e maximizar os lucros.O modelo de funcionamento destas equipas norte-americanas está amplamente difundido na Pensilvânia, daí que a Universidade local esteja a apoiar a Universidade dos Açores e a Associação Agrícola da Ilha Terceira, na implementação de idêntico modelo no arquipélago.Esta semana, investigadores americanos reuniram com agricultores e técnicos em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira e também na ilha de São Miguel, para explicar o funcionamento dessas equipas: o principal atractivo da ideia é a rentabilização que oferece, como é o exemplo colhido naquele Estado norte-americano, em que cada vaca rende mais 250 dólares por ano ao agricultor.A Associação Agrícola da Ilha Terceira e a Universidaqde dos Açores lideram este projecto sem o apoio governamental, mas ambas as instituições esperam ter as equipas no terreno, muito em breve.

(in Rui Messias / Carlos Tavares Antena 1 -Açores)

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segunda-feira, junho 22, 2009

Equipas de apoio à lavoura maximizam os rendimentos

LISA HOLDEN, da Universidade da Pensilvânia, explicou a técnicos da Terceira a formulação das equipas de apoio.
Universidade dos Açores e a AAIT importam para a Terceira as equipas técnicas de apoio à produção agrícola, modelo em uso nos EUA, e que maximiza os rendimentos.
Está em curso a formação de equipas de apoio técnico aos produtores agrícolas da Terceira, no âmbito da extensão rural.Estas equipas, segundo DI apurou, vão ajudar os agricultores terceirenses a diagnosticarem as suas explorações e a encontrarem soluções para maximizar os seus lucros.“Estas equipas são requisitadas pelo próprio agricultor, em função das suas necessidades, que podem ir do alimento do gado até à contabilidade ou a questões jurídicas. No fundo, os técnicos funcionarão como uma espécie de conselho de administração. Perante os problemas, os técnicos sugerem soluções e o agricultor decide se as quer implementar ou não. nas nossas explorações perde-se muito dinheiro. Estas equipas ajudam a evitar isso”, explica Paulo Ferreira, da Universidade dos Açores.A academia e a Associação Agrícola da Terceira (AAIT) promovem este projecto, contando com a ajuda da Universidade da Pensilvânia.“Esta universidade é nossa parceira porque tem vindo a desenvolver este modelo ao longo de vários anos, com benefícios reconhecidos naquele estado norte-americano”, adianta Paulo Ferreira.Segundo os promotores, várias empresas e entidades locais mostraram interesse no projecto, caso da Unicol.O Governo Regional não aderiu oficialmente à iniciativa.
Mais lucros
Esta semana, Alan Bair e Lisa Holden, da Universidade da Pensilvânia, explicaram a agricultores e técnicos da Terceira e de São Miguel o modelo.“Para nós, este programa é muito importante para a lavoura. Aliás, a adesão dos agricultores terceirenses à reunião com os especialistas americanos prova o reconhecimento de que estas equipas lhes podem ser muito benéficas”, assume Paulo Simões, presidente da AAIT.O principal atractivo do programa é a rentabilidade que permite às explorações.“Na Pensilvânia, onde estas equipas trabalhararam, cada vaca rendeu mais 250 dólares por ano ao produtor”, adianta Paulo Ferreira.“É nossa convicção que o trabalho destas equipas cá podem aumentar os lucros anuais das nossas explorações entre dez a 25 por cento”, sublinha Paulo Simões.Ambos adiantam que a Universidade, a AAIT e a Unicol disponibilizam os seus técnicos para este projecto e que, agora, depende dos agricultores o início dos trabalhos no terreno.
(in Diário Insular)

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sexta-feira, junho 19, 2009

Sustentabilidade da produção leiteira nos Açores (3)

José Estevam da Silveira Matos (*)



CAPÍTULO III – A SUSTENTABILIDADE AMBIENTALO LICENCIAMENTO DAS EXPLORAÇÕES E OS CONDICIONAMENTOS AMBIENTAIS
No futuro a principal limitação à expansão das explorações leiteiras será certamente o problema ambiental, sendo já disso exemplo o actual regime de licenciamento das explorações leiteiras.
A sustentabilidade ecológica só poderá ser alcançada pela limitação no uso dos recursos não renováveis e a valorização dos produtos gerados em processos que contribuem para o equilíbrio ambiental, o que implicará ajustes ao actual sistema de produção, privilegiando-se práticas que combinam qualidades essenciais para a sustentabilidade, como sejam o baixo consumo de energia fóssil, quer directa, quer indirectamente – menor consumo de adubos, valorizando-se a fixação simbiótica de azoto; menor consumo de cereais importados, valorizando-se a produtividade da pastagem, através de práticas agrícolas mais adequadas, selecção de cultivares de forrageiras mais eficientes na captação da energia solar; e a cria de animais melhor adaptados ao pastoreio e à produção de sólidos do leite (Por ex. Jersey, Normanda, SRB). Nesta perspectiva lança-se a questão para debate se os produtores de leite dos Açores poderão vir a ser contribuintes positivos para o mercado global do carbono e também actores na produção de energias renováveis?

Por outro lado perguntamo-nos até que ponto os nossos produtores pecuários podem também contribuir para a produção de energia, minimizando o impacto ambiental das suas explorações, aproveitando a vantagem da sua localização no terreno. Afinal eles estão lá todos os dias, no sítio do vento; estão habituados a manter máquinas; são eles próprios utilizadores de energia, para a ordenha e para a refrigeração do leite. Haveria que garantir apenas um preço justo e ajudas à instalação de geradores eólicos!
Regime jurídico de licenciamento das explorações bovinas da Região Autónoma dos AçoresEncontra-se em vigor na Região o Decreto Legislativo Regional nº 16/2007/A que cria o regime de licenciamento das explorações bovinas dos Açores. Neste Decreto dispõem-se orientações de ordenamento do território que obrigam a respeitar e a criar condicionalismos em relação a questões ambientais importantes como seja, por exemplo, a protecção dos recursos hídricos superficiais. Também o Decreto-Lei nº 235/97 transpõe para o direito nacional a Directiva Comunitária nº 91/676/CC ( do Conselho de 12 de Dezembro de 1991), conhecida como a “Directiva dos Nitratos”, que diz respeito à protecção das águas contra a poluição causada por nitratos de origem agrícola. Esta directiva originou a elaboração do “Código de Boas Práticas Agrícolas”, a delimitação das Zonas Vulneráveis e a criação dos respectivos “Programas de Acção”. Como se depreende desta legislação, o licenciamento das explorações leiteiras encontra-se condicionado não só ao cumprimento de regras relativas à higiene e sanidade dos rebanhos (brucelose, tuberculose, mamites, etc.) e do bem-estar animal, mas também a normas que procuram minimizar os impactos ambientais da pecuária (eco-condicionalidade).
Mas, enquanto que a monitorização das Boas Práticas, relativas à higiene e sanidade animal e ao bem-estar animal, se encontram consolidadas por rotinas mais antigas, não se passa o mesmo com monitorização dos impactos ambientais. Importa também neste aspecto definir muito claramente que parâmetros devem ser monitorizados e quais os seus limites críticos, devendo ser estes quantificáveis e de simples determinação.

VIABILIDADE DA PRODUÇÃO DE LEITE BIOLÓGICO NOS AÇORES

De há muito que a agricultura biológica deixou de ser um sistema alternativo de produção apenas defendido por meia dúzia de líricos idealistas paladinos de utopias.
O mercado dos lacticínios bio, na Europa, ultrapassou já os 2 biliões de euros, manifestando um crescimento de 26,2% ao ano. A sua importância varia consideravelmente entre os vários países, sendo líder do sector a Dinamarca, onde 65% do mercado dos produtos biológicos cabe aos lacticínios. O leite é o produto mais procurado (50%), seguido do iogurte (30%) e o queijo (10%).
São várias as motivações que podem levar o agricultor a reconverter o seu tipo de exploração, bem como os factores que fazem aderir o retalhista e o consumidor, ou que o inibem. Por exemplo, os factores relacionados com o grande aumento da produção biológica na Áustria, Alemanha e Dinamarca, são 5: 1. Incentivo financeiro aos produtores por parte dos governos2. Informação dos produtores e consumidores – existência de institutos de investigação exclusivamente dedicados à investigação e promoção dos produtos biológicos3. Acesso e disponibilidade de produtos biológicos no mercado4. Marketing (Logomarca) e protecção legal – serviços de inspecção eficazes5. Existência de planos de desenvolvimento para o sector.
Ora, porque razão os nossos produtores não aderem a este modelo, uma vez que até o sistema de produção praticado nos Açores lhe está muito próximo?! Essencialmente, porque a quebra de rendimento nos primeiros três anos de conversão ao modelo de produção biológico - período em que o produtor ainda não beneficia das mais-valias associadas ao rótulo “bio” - é substancial: cerca de 25% e não há qualquer apoio para que o produtor possa fazer frente a tal quebra no seu rendimento. Torna-se assim necessário o apoio financeiro no período de transição à semelhança do que acontece a Alemanha, Áustria e Dinamarca, bem como, também agora, no Continente (MADRP – pacote de apoio ao leite biológco – artigo 68º); com apoio científico e técnico, necessário a um maneio diferente do solo e da pastagem, sem o uso de fertilizantes sintéticos, e ao maneio sanitário dos animais sem o uso de antibióticos e pesticidas, para que o modo de produção “BIO” seja encarado como uma alternativa pelos nosso produtores de leite.
Sistemas integrados de produção de leite, “grass fed”, ou leite da ervinha verde dos Açores, permitiriam uma evolução por etapas, no sentido de uma produção mais sustentável, com produção de um leite mais rico em sólidos, com menos água, com menor impacte ambiental, com custos de produção mais baixos, sem que as margens brutas sejam afectadas. O segredo estará em gerir diminuindo os imputes e maximizando os outputs, à custa dos recursos próprios – da erva. Um leite mais competitivo.
INOVAÇÃO: EXTENSÃO RURAL, INVESTIGAÇÃO E EXPERIMENTAÇÃO AGRÍCOLA

O que dizer da extensão, da investigação e experimentação agrícola, ou melhor, da sua falta?! Seguro é que não possível competir no mercado global do leite, em igualdade com países como, por exemplo, os EUA, a Nova Zelândia, o Canadá, ou, ainda mais próximo de nós, a Holanda, sem que se aposte na inovação e, para que esta seja conseguida, é fundamental o investimento na formação profissional e na extensão rural, através de uma maior ligação da Universidade dos Açores ao mundo rural e no caso, à produção de leite e à indústria de lacticínios. Certo é que o tão propalado “divórcio” , o isolamento em “torre de marfim”, das universidades, de que muitas vezes se fala, resulta mais da falta de recursos, do que da exiguidade das vontades dos universitários!
CONCLUSÕES

Os grandes desafios da pecuária açoriana passam em grande parte pelo melhoramento qualitativo dos sistemas já praticados, maximizando-se a utilização dos recursos locais, o que não significa atingir necessariamente uma maior produtividade biológica, mas, produzir em respeito pelas limitações do meio ambiente e das condições estruturais, culturais e sociais existentes - sustentabilidade. Produzir bem, com qualidade, transformando-se localmente os produtos da agricultura; exportando-se produtos de maior valor acrescentado; privilegiando-se os procedimentos biológicos, em detrimento de tecnologias esbanjadoras em energia fóssil, que a Região não possui, enfim, uma Produção Natural. Vender melhor, melhor distribuindo o que se produz, reequacionando-se o custo dos transportes e a comercialização do produto acabado com recurso a técnicas de “marketing”, mas, fidelizando-se o consumidor ao produto “Produzido nos Açores” através de uma imagem que corresponda à verdade, a elevada qualidade e com selo de garantia de origem.
A ultrapassagem destes desafios exigirá um esforço no sentido de serem vencidas algumas das limitações que contribuem para uma menor competitividade do sector. A saber: EMPRESÁRIO: Impõem-se medidas que ajudem a rejuvenescer o tecido empresarial agrícola e contribuam para a sua formação e valorização profissional; EMPRESA AGRÍCOLA: O emparcelamento da propriedade, apoiada em nova legislação sobre a propriedade da terra; INDÚSTRIA: Diversificação e mais inovação produtos transformados; QUALIDADE: Implementação de medidas de controlo de qualidade, em todas as suas vertentes, construindo-a da produção ao consumo (“do prado ao prato”), reforçando-se a fiscalização e só certificando o que realmente possui qualidade; INVESTIGAÇÃO-EXTENSÃO-FORMAÇÃO: O apoio a projectos que optimizem o binómio animal-pastagem e que contribuam para um melhor conhecimento dos produtos tradicionais e melhoria da sua qualidade e ainda para a introdução de novas tecnologias; na agricultura e nas pescas. MARKETING – COMERCIALIZAÇÃO: Comercialização dos produtos lácteos regionais, mormente, o queijo, a manteiga e o leite, com Indicação Geográfica Protegida (IGP), à semelhança do que acontece com o produto denominado “Carne dos Açores” , fazendo-se valer a imagem do sistema natural de produção, à base de erva, com animais em liberdade, que resulta na produção de um leite e em produtos transformados com características químicas e organolépticas beneficiadas por este modo de produção.
(*) Professor Catedrático da Universidade dos AçoresSíntese da comunicação apresentada no 9º Encontro de Química dos AlimentosQualidade e Sustentabilidade - Uma abordagem integrada. Angra do Heroísmo. 29 de Abril a 2 de Maio 2009.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, junho 17, 2009

Assessoria pode aumentar produção de leite

“Os agricultores estão sob uma enorme pressão, estão a perder dinheiro e só aqueles que tomarem o maior número possível de decisões correctas permanecem no meio com rentabilidade. Mas para isso, é preciso estabelecer objectivos, constituir equipas e pensar para lá das tradições”.
A afirmação é de Alan Bair, responsável pelo relacionamento com o sector dos lacticínios na Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos da América. Este especialista está nos Açores, juntamente com Lisa Holden, sua colega no departamento de Ciências Agrárias, para sensibilizar os agricultores açorianos para as vantagens da criação de equipas de assessoria à produção de leite. É esta, aliás, a sua função nos EUA: fazer a ligação entre a universidade, a indústria e os produtores. Alan Bair e Lisa Holden iniciaram esta segunda-feira um Seminário sobre Extensão Rural, destinado a profissionais da área (é esperada terça-feira a presença de agricultores no Anfiteatro B da Universidade, a partir das 10h30), primeiro em Ponta Delgada - dias 15 e 16 - e depois em Angra do Heroísmo, nos dias 17 e 18, numa organização da Universidade dos Açores, com patrocínio americano. “O veterinário vai à exploração para cuidar da saúde dos animais; o engenheiro agrónomo olha para as culturas; o contabilista para as finanças... Mas o importante é que todos se juntem para avaliar os factores que influenciam realmente a rentabilidade da exploração. O importante é olhar para a exploração como um todo e não apenas para a especialidade de cada um”, explica Alan Bair, em entrevista ao Açoriano Oriental. Mas introduzir a figura da consultoria na exploração agrícola parece, à primeira vista, algo inatingível para um sector tradicionalmente pouco escolarizado e muito habituado a depender apenas de si próprio. Contudo, nos Estados Unidos da América, as experiências da Universidade da Pensilvânia (embora a realidade americana não seja directamente comparável à açoriana), revelaram que é possível ganhar até cerca de 200 euros por vaca no fim do ano, se certas medidas de gestão da exploração forem tomadas em equipa e não apenas individualmente.
(In Açoriano Oriental)

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domingo, junho 14, 2009

Sustentabilidade da produção leiteira nos Açores (2)

José Estevam da Silveira Matos (*)


CAPÍTULO II - A DIMENSÃO ECONÓMICA (EFICIÊNCIA, COMPETITIVIDADE)
Embora os Açores apresentem uma estrutura de produção menos diversificada do que o resto do país, esta assenta nas suas vantagens naturais para a produção animal, através da pastagem. Como a vaca leiteira é o animal que melhor é capaz de transformar erva em alimento para os humanos, leite e carne, não espanta por isso que os Açores produzam cerca de 30% do leite nacional e que nele existam cerca de 100.000 vacas leiteiras e que o número total de bovinos ultrapasse o número de humanos – um caso raro no mundo.
Os ruminantes são capazes de utilizar dietas ricas em componentes fibrosos (forragens e subprodutos), não utilizáveis na alimentação humana. De entre todos os ruminantes o que transforma a erva da pastagem em proteína de elevado valor biológico com maior rentabilidade é, sem dúvida, a vaca leiteira. Este facto situa estas espécies numa posição muito vantajosa dentro dos sistemas de produção animal. Para além disso, existem razões geográficas, orográficas, climatéricas e económicas - diríamos que também culturais - para a opção pecuária e pela especialização na produção de leite nos Açores.
A produtividade da indústria regional de lacticínios representava apenas 61% da média nacional, facto que pode ser explicado em grande pela especialização da região em produtos com baixo valor acrescentado: essencialmente queijo flamengo e leite em pó.
Como factores limitantes à sustentabilidade do sector, na vertente económica, apontamos este facto, o de a maioria dos lacticínios produzidos terem um baixo valor acrescentado, havendo ainda uma insuficiente promoção e valorização nos mercados de consumo das muitas virtudes dos produtos lacticínios regionais. Destas virtudes salientam-se aspectos da composição química do leite influenciados pela dieta natural das vacas criadas nos Açores, em liberdade, num sistema mais de acordo com as novas regras do bem-estar animal.
No entanto velhas debilidades tardam em ser resolvidas: demasiada pulverização da propriedade falta de abastecimento de água potável e energia, refrigeração do leite, qualidade do leite etc.
Os tempos de instabilidadeOs tempos que correm caracterizam-se do ponto de vista económico por uma grande incerteza e instabilidade, fruto em primeiro lugar de uma grave crise financeira, que persiste, e que dá mesmo sinais de poder vir a agravar-se. Esta instabilidade tem vindo a repercutiu-se no mercado do leite, com diminuições acentuadas dos consumos, principalmente do queijo e do leite em pó, com descidas acentuadas do preço do leite ao produtor. Os preços médios do leite pagos ao produtor na União Europeia atingiram mesmo o patamar mais baixo dos últimos 10 anos. Esta situação diminui a margem de competitividade dos lacticínios açorianos face à concorrência europeia e global e a manter-se a tendência verificada nos preços internacionais tal só poderá significar uma baixa acentuada dos preços do leite à produção no futuro mais próximo.
A RESPOSTA POSSÍVEL E DESEJÁVELUM MODELO SUSTENTÁVEL DE PRODUÇÃO A APOSTA NA DIFERENCIAÇÃO E NA DIVERSIFICAÇÃO NA TRANSFORMAÇÃO
Tenho vindo a defender, junto da lavoura açoriana, a necessidade de esta apostar num modelo mais sustentável da produção de leite, baseada principalmente na erva das nossas pastagens, em detrimento de uma produção de leite feita com concentrados, necessariamente importados, cujo preço não controlamos. Uma vez que vaca leiteira entrou hoje em competição directa com os automóveis e a razão preço do leite pago ao produtor, preço do concentrado, e a resposta produtiva esperada em função dos suplementos de cereais, faz com que esta nossa defesa ganhe hoje mais força ainda.
A vaca é um ruminante (por vezes esquecemos este pequeno grande detalhe!), uma máquina de 4 estômagos perfeita para transformar aquilo que não conseguimos comer, erva, em alimentos ricos e saborosos, leite e carne, aproveitando assim, indirectamente a energia solar captada pelas plantas através da fotossíntese.
Para que se disponibilize aos animais o máximo de erva possível e ao preço mais baixo, há que manejar melhor a pastagem, escolhendo-se as cultivares melhor adaptadas, mais ricas do ponto de vista energético (com mais açúcares), em pastagem consociada com leguminosas, garantindo-se o máximo de fixação natural de azoto, usando-se bactérias melhor adaptadas aos nossos solos ácidos.
Mas a produtividade e o rendimento são o produto de uma trilogia:PRODUTIVIDADE = GENÉTICA X ALIMENTAÇÃO X MANEIO
A exploração de animais melhor adaptados à produção de leite a partir da erva deve condicionar as opções genéticas, numa lógica de maximização da produção de sólidos por hectare em detrimento da produção individual, maximizando-se o encabeçamento. A opção por raças produtoras de maior quantidade de sólidos, ou de cruzamentos destas com a raça "holstein", garantem não só uma maior produção por hectare, através de um maior encabeçamento, mas também, no caso dos animais híbridos, a avaliar pelo exemplo da Nova Zelândia, um maior rendimento, fruto também de uma maior longevidade dos animais, maior resistência às doenças, maior fertilidade, maior rusticidade, maior eficiência económica.
Vender melhor ou produzir mais?Mais do procurar aumentar o rendimento dos agricultores incentivando-os a produzir mais, numa lógica produtivista, feita à custa de imputes importados, cujos preços não controlamos e nem sempre geradores de maiores rendimentos para o agricultor, importa vender melhor, produtos de elevada qualidade e de maior valor acrescentado, aumentando a rentabilidade dos sistemas mais sustentáveis de produção, através de mais conhecimento e de tecnologias apropriadas, numa lógica de sustentabilidade. Mais que a produção física, o sector precisa de intensificar o seu valor, apostando na diferenciação, na inovação ao nível da oferta e na comercialização dos produtos, na qualificação dos recursos e na sustentabilidade.
Os produtos com selo, com garantia de uma origem controlada, ilustram a formalização de novo paradigma na produção alimentar. Em nossa opinião os produtos da nossa agricultura e da nossa pesca, deveriam ser comercializados com a identificação de “Produzido nos Açores” defendendo-se a todo o custo que este rótulo esteja sempre ligado a uma imagem de qualidade, de mais natural, de segurança, de mais nutritivo. Mas, com maior agressividade, fazendo uso de técnicas de marketing modernas, explorando bem os mercados que nos ficam mais à mão: Lisboa; Madeira; Canárias e o mercado da saudade.
E porque estamos em ilhas, forçoso será pensar em transportes a preços mais acessíveis, bem organizados, pensados também numa lógica de exportação dos nossos produtos e não apenas da importação dos bens de consumo. Mais do que subsidiar a importação de cereais e adubo de outras paragens, importará mais fazer o inverso, subsidiando o transporte dos bens a exportar. Este é o grande desafio a colocar à comunidade europeia na negociação do POSEIMA.
E SEMPRE A QUALIDADE DA MATÉRIA-PRIMA
Os indicadores de qualidade apontam para níveis de cumprimento relativamente aos parâmetros de higiene do leite satisfatórios, embora em algumas das ilhas haja que fazer um maior esforço nesta vertente. Destacamos pela positiva o caso da Ilha de S. Jorge, que produz um leite de excelente qualidade, talvez o melhor leite do país, graças ao esforço efectuado pelas cooperativas locais, produtoras do queijo DOP S. Jorge. Este deveria ser claramente um exemplo a seguir pelas restantes ilhas.
O POTENCIAL DE DIVERSIFICAÇÃO PELA INOVAÇÃO
Como referimos anteriormente os lacticínios açorianos tem baixo valor acrescentado, havendo ainda uma insuficiente promoção e valorização dos seus produtos de referência com qualidade diferenciada, como os 2 queijos regionais DOP, a manteiga e o leite líquido UHT. O queijo S. Jorge representa, em quantidade, cerca de 60% da produção total nacional de queijos DOP, mas é aquele que apresenta a menor cotação no mercado, ao que não será alheio o facto de ser um queijo de vaca, tradicionalmente menos valorizado que os queijos fabricados com leites de cabra e ovelha. O “Queijo do Pico”, não tem registado, infelizmente, produção e comercialização, o que o coloca à beira da extinção, justificando-se um esforço especial e urgente no sentido de o preservar.
Um dos dramas da comercialização dos lacticínios dos Açores é - uma vez que cerca de 87% do leite é constituído por água - fazer face aos custos de transporte para os seus principais mercados, sobretudo para Lisboa. Daí que a opção seja a concentração em matéria sólida e que não seja de espantar que mais 80% dos lacticínios dos Açores sejam constituídos por sólidos do leite: queijo (52,6%), essencialmente queijo flamengo, e leite em pó (27,5%), o mais pobre dos lacticínios em termos de valor acrescentado e o mais dependente de energia fóssil. Será isto sustentável? Claro que não! Aumentos bruscos do preço da energia, como recentemente aconteceu, poderão colocar em causa de um dia para o outro a sustentabilidade económica desta indústria.


Ora, uma forma de absorver no produto os custos de transporte será acrescentar-lhe mais valor, inovando, diversificando, fraccionando-o. Existe certamente um grande potencial para produzir novas variedades de queijo, produtos fermentados do leite, sobremesas, leites modificados, gelados, lacticínios destinados a grupos específicos de consumidores: pediátricos, geriátricos, para grávidas, jovens em crescimento, atletas, etc.
Os gelados, considerados em alguns países um produto “dairy”, são o lacticínio com maior taxa de crescimentos no seu consumo e maior valor acrescentado Dada a preocupação com o fenómeno da obesidade e com as doenças nutricionais, há a necessidade de desenvolver novas variedades “light”, por exemplo, a partir do iogurte, do soro em pó, com incorporação de frutos locais, com flora activa - mais adequados a uma nutrição equilibrada, em particular dos jovens, sem lhe retirar o prazer no momento de consumo.
O consumo de leites suplementados ou modificados, pela adição de minerais (Cálcio); ácidos gordos (omega3; CLA); vitaminas (Ex.:vitamina D); com flora activa (Por ex. Lactobacillus acidophilus, no leite dito acidófilo); extracto de plantas (aloés); leite achocolatado, rico em proteínas do soro (lactoalbumina; lactoglobulina; lactoferrina) tem vindo aumentar nos últimos anos. Estes processamentos tendem a acrescentar muito valor à matéria-prima, viabilizando o suporte dos custos a grandes distâncias.
Outra forma de acrescentar valor será através de novas embalagens, mais apelativas, fraccionando-se o produto, em doses individuais, adequadas à confecção de pratos rápidos. São exemplos o queijo fatiado; ripado; ralado; os iogurtes bicompartimentados; o leite chocolatado enriquecido, em embalagem em dose individual e de fácil consumo.
Os produtos com selo DOP ou IGP (Indicação Geográfica Protegida) acrescentam valor comercial aos alimentos, pois o consumidor relaciona facilmente estes produtos com a imagem cultural e ambiental de uma determinada região, garantia de virtudes relacionadas com as origens, as raízes, uma certa forma de fazer mais natural, por isso mais genuína! O conceito, recente, de Indicação Geográfica Protegida (IGP) denominada “Carne dos Açores”, deveria, com mais propriedade, ser aplicado ao “Leite dos Açores”, o que daria um contributo importante para uma maior valorização do nosso leite possibilitando níveis de organização e integração destas duas fileiras- de si intimamente relacionadas ao nível da produção - essenciais à afirmação de uma imagem no mercado que permita a qualificação e valorização destes produtos ao nível do seu próprio mérito. A este respeito a recente abertura na baixa lisboeta de uma loja gourmet de produtos açorianos é de louvar e incentivar.
(*) Professor Catedrático da Universidade dos Açores
Síntese baseada numa comunicação apresentada ao 9º Encontro de Química dos Alimentos QUALIDADE E SUSTENTABILIDADE - UMA ABORDAGEM INTEGRADA. Angra do Heroísmo. 29 de Abril a 2 de Maio 2009

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quarta-feira, junho 10, 2009

Nova legislação sobre aplicação de produtos fitofarmaceuticos

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, DO DESENVOLVIMENTORURAL E DAS PESCAS

Decreto-Lei n.º 101/2009 de 11 de MaioO Decreto -Lei n.º 173/2005, de 21 de Outubro, alterado pelo Decreto -Lei n.º 187/2006, de 19 de Setembro, regula as actividades de distribuição, venda, prestação de serviços de aplicação de produtos fitofarmacêuticos e a sua aplicação pelos utilizadores finais.O referido decreto -lei veio permitir implementar uma política nacional de uso sustentável de produtos fitofarmacêuticos, visando a redução do risco e dos impactos na saúde humana e no ambiente inerentes ao exercício das actividades de distribuição e venda e à aplicação dos produtos fitofarmacêuticos.Deste modo, no que respeita à venda e aplicação de produtos fitofarmacêuticos ficou, desde logo, definido o quadro legal geral aplicável, através do qual, e mediante a atribuição de uma autorização de exercício de actividade, se permite aos estabelecimentos comercializar quaisquerprodutos fitofarmacêuticos, bem como se definiu que a aplicação daqueles produtos fitofarmacêuticos só pode ser realizada por aplicadores devidamente habilitados.A matéria regulada no referido decreto -lei aplica -se, na sua essência, ao uso profissional de produtos fitofarmacêuticos, isto é, ao uso por utilizadores que, no quadro da sua actividade profissional, manuseiam e aplicam produtos fitofarmacêuticos.No entanto, nos termos previstos nos n.os 6 e 7 do artigo 13.º do Decreto -Lei n.º 173/2005, de 21 de Outubro, ficou por definir, através de legislação específica, o enquadramento apropriado à aplicação de produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso não profissional em ambiente doméstico.Com efeito, o conceito de aplicação de produtos fitofarmacêuticos em ambiente doméstico decorre da distinção entre produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso profissional e uso não profissional, sendo que estes podem ser adquiridos, manuseados e aplicados pelo público em geral na protecção fitossanitária a nível doméstico, quer no interior das suas habitações quer nos terrenos circundantes ou próximos, constituindo a permanente procura destes produtos uma realidade que merece, à luz da legislação vigente, um enquadramento legal adequado que contribua, igualmente, para a redução do risco de quem os manuseie e aplique, bem como para o ambiente.As medidas responsáveis e disciplinadoras que agora se estabelecem enquadram -se nos princípios da «Estratégia Temática para uma Utilização Sustentável dos Pesticidas», emanada da Comissão Europeia e, em particular, na proposta de directiva do Parlamento Europeu e do Conselho, que estabelece um quadro de acção comunitário para umautilização sustentável de pesticidas.Neste sentido, face às exigências que são impostas, nomeadamente restrições à classificação toxicológica e às embalagens, para que certos produtos fitofarmacêuticos possam ser autorizados para uso não profissional e aplicados em ambiente doméstico, justifica -se que a venda destes produtos possa ser efectuada em estabelecimentos com instalações não destinadas exclusivamente a esses produtos e sem necessidade de autorização prévia, como é o caso dos produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso profissional, ou seja, aqueles produtos que são manuseados e aplicados no exercício de uma actividade profissional, nos termos previstos no Decreto -Lei n.º 173/2005, de 21 de Outubro.Assim, por razões de clareza, importa introduzir uma alteração ao artigo 1.º do Decreto -Lei n.º 173/2005, de 21 de Outubro, no que respeita ao seu âmbito de aplicação, orquanto é necessário evidenciar que as exigências nele revistas, incluindo as referentes aos resíduos de embalagens,não são aplicáveis aos produtos fitofarmacêuticos utorizados para uso não profissional.Deste modo, com a aprovação do presente decreto -lei stabelece -se um regime que regula o uso não profissional e produtos fitofarmacêuticos em ambiente doméstico.Por fim, salienta -se que as medidas responsáveis e disciplinadoras efinidas traduzem não só precauções derivadas o manuseamento e aplicação de produtos fitofarmacêuticos, as também preocupações com a gestão adequada as respectivas embalagens.Foram ouvidos os órgãos de governo próprio das Regiões utónomas.Foi promovida a audição do Conselho Nacional do onsumo.Foi ouvida, a título facultativo, a Associação Portuguesa ara a Defesa dos Consumidores — DECO.
Assim:Nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição, Governo decreta o seguinte:
CAPÍTULO I
Objecto e definições
Artigo 1.ºObjectoO presente decreto -lei regula o uso não profissional e produtos fitofarmacêuticos em ambiente doméstico, stabelecendo condições para a sua autorização, venda e plicação.
Artigo 2.ºDefiniçõesPara efeitos do presente decreto -lei, entende -se por:a) «Aplicação em ambiente doméstico», a aplicação de rodutos fitofarmacêuticos em plantas de interior, hortas jardins familiares;b) «Horta familiar», o espaço exterior da habitação ou na sua proximidade, não superior a 500 m2, a cargo do agregado familiar cuja produção se destina a consumo desse agregado e cujo acesso a pessoas estranhas ao tratamento, nomeadamente crianças, é possível ou provável;c) «Jardim familiar», o espaço interior ou exterior da habitação, incluindo pátios, alpendres, terraços, telheiros e logradouros destinado a actividades de lazer do agregado familiar;d) «Plantas de interior», as plantas envasadas, normalmente ornamentais, de interior existentes em espaço fechado ou coberto no interior da habitação, incluindo varandas e marquises, ao qual, pela própria natureza do espaço, é possível impedir o acesso a pessoas estranhas ao tratamento, nomeadamente crianças;e) «Resíduos de embalagens», os definidos nos termos do Decreto -Lei n.º 366 -A/97, de 20 de Dezembro, que estabelece os princípios e as normas aplicáveis à gestão de embalagens e resíduos de embalagens;f) «Uso não profissional», o uso de produtos fitofarmacêuticos com venda autorizada para utilização não profissional;g) «Utilizador não profissional», o público em geral a quem é permitido manusear e aplicar produtos fitofarmacêuticos em ambiente doméstico.
CAPÍTULO II
Autorização, rotulagem, venda, aplicaçãoe gestão de resíduos
Artigo 3.ºProdutos fitofarmacêuticos autorizados1 — A venda de produtos fitofarmacêuticos homologados para uso não profissional ao abrigo do Decreto -Lei n.º 94/98, de 15 de Abril, só é permitida através de autorização de venda concedida pela Direcção -Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR).2 — Os produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso não profissional obedecem à distinção e às restrições enunciadas nos artigos 4.º e 5.º
Artigo 4.º Plantas de interiorPara uso não profissional em plantas de interior só são autorizados produtos fitofarmacêuticos isentos de classificação toxicológica que:a) Sejam prontos a aplicar ou fornecidos em embalagens concebidas de modo a não exigirem contacto com o produto, no caso de ser necessária a preparação de uma calda para a sua aplicação;b) As embalagens tenham capacidade ou peso não superior a 1 l ou 1 kg, respectivamente;c) As embalagens contenham as menções «uso não profissional» e «linha plantas de interior».
Artigo 5.ºJardins e hortas familiares1 — Para uso não profissional em jardins e hortas familiares não são autorizados:a) Produtos fitofarmacêuticos classificados como muito tóxicos (T+), tóxicos (T), explosivos (E), corrosivos (C) e comburentes (O); oub) Produtos fitofarmacêuticos aos quais tenham sido atribuídas, pelo menos, uma das seguintes frases de risco: R1, R4, R5, R6, R14, R15, R16, R17, R18, R19, R29, R30, R31, R32, R40, R41, R44, R48, R59, R62, R63, R64 ou R68.2 — Para uso não profissional em jardins e hortas familiares só são autorizados produtos fitofarmacêuticos fornecidos em embalagens com as seguintes características:a) Capacidade ou peso não superior a 1 l ou 1 kg, respectivamente, com excepção dos produtos prontos a aplicar;b) Possuam fecho de segurança para crianças e integrem marca táctil para invisuais, caso sejam produtos líquidos classificados como nocivos (Xn), sensibilizantes ou irritantes (Xi), ou inflamáveis (F), com excepção dos aerossóis e das embalagens monodose;c) Possuam um sistema que permita e facilite um seguro e correcto doseamento do produto, caso seja necessária uma preparação de calda para a sua aplicação;d) Contenham as menções «uso não profissional» e «linha jardins e hortas familiares».
Artigo 6.ºVenda1 — Os produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso não profissional apenas podem ser vendidos a quem seja maior de idade.2 — Sem prejuízo do disposto na legislação geral aplicável ao licenciamento comercial, os produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso não profissional podem ser vendidos em estabelecimentos comerciais, ainda que em espaços não destinados exclusivamente à venda de produtos fitofarmacêuticos, devendo, no entanto, os produtos estarem colocados em expositores devidamente identificados e separados dos restantes bens para consumo humanoe animal.3 — Os estabelecimentos de venda que comercializem produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso não profissional devem fornecer aos clientes, quando solicitados, todas as informações que lhes forem disponibilizadas pela empresa detentora do produto, nomeadamente quanto àsua utilização e às instruções de segurança em matéria de saúde humana e ambiente.
Artigo 7.ºClassificação, embalagem e rotulagem Sem prejuízo do disposto no Decreto -Lei n.º 82/2003, de 23 de Abril, alterado pelo Decreto -Lei n.º 63/2008, de 2 de Abril, que aprova o Regulamento para a Classificação, Embalagem, Rotulagem e Fichas de Dados de Segurança de Preparações Perigosas, e no Decreto -Lei n.º 94/98, de 15 de Abril, as embalagens de fitofarmacêuticos autorizados para uso não profissional, para além de satisfazer os requisitos de embalagem e rotulagem previstos nos artigos 4.º e 5.º, devem conter:a) O número da autorização de venda concedida;b) Informações claras e explícitas sobre o modo de manuseamento e aplicação do produto, recorrendo, sempre que possível, a imagens explicativas;c) O número de telefone do Centro de Informação Antivenenos do Instituto Nacional de Emergência Médica;d) Um número de telefone indicado pela empresa titular da autorização de venda do produto fitofarmacêutico, para efeitos de prestação de informações e esclarecimentos sobre o produto em causa.
Artigo 8.ºRestrições à aplicação1 — Na aplicação de produtos fitofarmacêuticos, os utilizadores não profissionais devem observar as condições de utilização expressas no rótulo das embalagens dos produtos autorizados para uso não profissional.2 — A aplicação de produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso não profissional só deve ser realizada por maiores de idade.3 — Nos termos do Decreto -Lei n.º 173/2005, de 21 de Outubro, aos utilizadores não profissionais está vedada a aplicação de produtos fitofarmacêuticos autorizados para utilização por agricultores e outros aplicadores profissionais.4 — Em jardins ou hortas familiares é permitida a aplicação de produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso por agricultores e outros aplicadores profissionais, desde que efectuada por aplicadores habilitados nos termos do artigo 14.º do Decreto -Lei n.º 173/2005, de 21 de Outubro.
Artigo 9.ºGestão de resíduos de embalagens1 — Os resíduos de embalagens abrangidos pelo presente decreto -lei devem ser geridos através de um sistema de consignação ou de um sistema integrado, conforme previsto no Decreto -Lei n.º 366 -A/97, de 20 de Dezembro, na sua redacção actual, sem prejuízo da aplicação do regimegeral de gestão de resíduos, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 178/2006, de 5 de Setembro.2 — A gestão adequada dos resíduos referidos no número anterior deve ser assegurada recorrendo aos mecanismos de recolha preconizados no Decreto -Lei n.º 366 -A/97,de 20 de Dezembro, bem como ao princípio estabelecido no artigo 8.º do Decreto -Lei n.º 178/2006, de 5 de Setembro, relativo à responsabilidade do cidadão.
CAPÍTULO III
Regime contra -ordenacional
Artigo 10.ºContra -ordenações1 — Constituem contra -ordenações as seguintes infracções:a) A exposição para venda e a venda de produtos fitofarmacêuticos que não detenham a autorização de venda para uso não profissional, em violação do disposto non.º 1 do artigo 3.º;b) A exposição para venda e a venda de produtos fitofarmacêuticos que não obedeçam aos requisitos de embalagem e rotulagem previstos nos artigos 4.º, 5.º e 7.º;c) A venda de produtos fitofarmacêuticos a quem não seja maior de idade, em violação do disposto no n.º 1 do artigo 6.º;d) A exposição e a venda de produtos fitofarmacêuticos, em estabelecimentos que não cumpram o disposto nos n.os 2 e 3 do artigo 6.º2 — As contra -ordenações referidas no número anterior são puníveis com coima cujo montante mínimo é de € 250 e máximo de € 3700, ou mínimo de € 500 e máximo de € 44000, consoante o agente seja pessoa singular ou colectiva3 — A negligência e a tentativa são puníveis, sendo, nesse caso, reduzidos para metade os limites mínimos e máximos das coimas referidos no número anterior.
Artigo 11.ºSanções acessórias1 — Em função da gravidade da infracção e da culpa do agente, podem ser aplicadas, simultaneamente com as coimas, as seguintes sanções acessórias:a) Perda de objectos pertencentes ao agente;b) Interdição do exercício de profissões ou actividades cujo exercício dependa de autorização de autoridade pública;c) Encerramento de estabelecimento cujo funcionamento esteja sujeito a autorização de autoridade administrativa;d) Suspensão de autorizações.2 — As sanções referidas nas alíneas b) a d) do número anterior têm a duração máxima de dois anos, contados a partir da decisão condenatória definitiva.
Artigo 12.ºLevantamento, instrução e decisão das contra -ordenações1 — O levantamento dos autos e a instrução dos processos de contra -ordenação é da competência da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).2 — A aplicação das coimas e sanções acessórias compete à Comissão de Aplicação de Coimas em Matéria Económica e Publicidade.3 — O produto das coimas reverte em 40 % para a ASAE e o restante para os cofres do Estado.
CAPÍTULO IV
Disposições finais
Artigo 13.ºRegiões Autónomas
Nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, a execução administrativa, incluindo a fiscalização e inspecção do cumprimento do disposto no presente decreto -lei, cabe aos serviços competentes das respectivas administrações regionais, sem prejuízo das competências atribuídas à DGADR, enquanto autoridade nacional responsável pela homologação, concessão, revisão e retirada de autorização de venda de produtos fitofarmacêuticos.Artigo 14.ºAlteração ao Decreto -Lei n.º 173/2005, de 21 de OutubroO artigo 1.º do Decreto -Lei n.º 173/2005, de 21 de Outubro, alterado pelo Decreto -Lei n.º 187/2006, de 19 de Setembro, passa a ter a seguinte redacção:«Artigo 1.ºÂmbito de aplicação1 — . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 — Não estão abrangidos pelo presente decreto -lei os produtos fitofarmacêuticos de baixo risco, com excepção das normas aplicáveis aos resíduos de embalagens e excedentes destes produtos fitofarmacêuticos, nem os produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso não profissional, incluindo os de baixo risco para este fim.»Artigo 15.ºEntrada em vigorO presente decreto -lei entra em vigor 90 dias após a data da sua publicação.Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 5 de Março de 2009. — José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa — Emanuel Augusto dos Santos — Alberto Bernardes Costa — Humberto Delgado Ubach Chaves Rosa — Fernando Pereira Serrasqueiro — Jaime de Jesus Lopes Silva — Mário Lino Soares Correia.Promulgado em 28 de Abril de 2009.Publique -se.O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA.Referendado em 29 de Abril de 2009.
O Primeiro -Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.

(in Horticularidades)

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sexta-feira, junho 05, 2009

A pepinela

Joaquim Leça

Este texto foi publicado no dia 31 de Maio de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Pepinela, caiota, chuchu... Estas três palavras correspondem à mesma espécie. A primeira designação é usada na Madeira, a segunda nos Açores e a terceira no continente e no Brasil. Localmente, também é conhecida por pimpinela, embora este nome vulgar seja provavelmente uma derivação popular de pepinela, que é a denominação correcta. Segundo o "Elucidário Madeirense" do Pe. Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses e o "Dicionário da Língua Portuguesa" da Porto Editora, a pimpinela significa uma rosácea e um género das plantas Apiáceas (antigamente, Umbelíferas), como a erva-doce. A pepinela é uma trepadeira herbácea que carece de um suporte, normalmente uma latada. Na Região, ainda é frequente vê-la sobre uma árvore que já tenha secado. A sua propagação é feita através dos frutos inteiros, que se colocam em pequenas covas, em Janeiro e Fevereiro. Ao fim de quatro a cinco meses, colhe-se a pepinela que pode ter forma piriforme, oval ou arredondada, a casca de cor verde ou branca, com espinhos ou "careca", consoante a variedade. É resistente a pragas e doenças, necessitando de regas amiúde na fase de frutificação, alguma fertilização e pouco mais. Esta planta é oriunda da América Central e botanicamente, pertence à família das Cucurbitáceas, onde constam a abóbora, o pepino, a melancia, o melão, entre outras. A Costa Rica é um dos principais países produtores, exportando para a Europa e para os Estados Unidos da América. Actualmente, é cultivada nos cinco continentes e em muitos lugares, é consumida no seu todo, isto é, para além do fruto, aproveitam-se as folhas tenras, os rebentos e a raiz para fins culinários. De acordo com o "Elucidário Madeirense", “a pepinela já existia na Madeira nos princípios do Século XIX, (...)”. Era e é típico observar-se estas trepadeiras nos quintais das casas, no Funchal e, nas zonas rurais, desenvolvendo-se com vigor. A nossa gastronomia utiliza as pepinelas "verdes", cozida em sopas e como acompanhamento com outras "verduras". As "brancas" dão origem a um saboroso e guloso "doce" (compota). É pois, um produto agrícola regional com grande procura ao longo do ano. Contudo, só no período de Maio a Novembro, é que existe oferta local, recorrendo-se à importação nos restantes meses. Estou convencido que a Madeira, pelo seu clima favorável, solo fértil, diversidade de variedades e locais de produção, bem como o "saber-fazer" do agricultor e dos técnicos do sector, possui excelentes condições para produzir pepinela todo o ano, a breve prazo, tornando-a assim mais rentável.
(In Agricultando)

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quarta-feira, junho 03, 2009

O brigalhó

Joaquim Leça

Este texto foi publicado no dia 17 de Maio de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias.
O seu nome desperta curiosidade, mesmo entre nós. É um tubérculo que cresce espontaneamente na freguesia do Curral das Freiras, concelho de Câmara de Lobos. O seu aspecto lembra um inhame pequeno, embora em termos botânicos, sejam espécies distintas. Habitualmente, é colhido nos meses de Abril, Maio e Junho. Em tempos, dada a dificuldade da população daquela localidade em obter alimentos, o brigalhó era por vezes a única alternativa para saciar a fome. Até ao presente, desconhece-se como é que se descobriu a utilidade culinária desta planta. É caso para dizer que, a necessidade despertou a criatividade humana, tal como sucedeu com outras iguarias da gastronomia regional e nacional. Este tubérculo só é comestível depois de cozer 24 horas com "azedas" e bastante água. Essa água é reposta durante a longa cozedura. No passado, cozinhava-se uma determinada quantidade, que era suficiente para uma semana, guardando-se na "loja" (arrecadação), para melhor conservação. Hoje em dia, o brigalhó é cozido ou frito e serve de acompanhamento ao atum de escabeche, sendo ainda aproveitado para a confecção de bolos. Quem quiser provar e saber mais sobre este tubérculo peculiar, tem uma excelente oportunidade para fazê-lo. No último domingo deste mês, irá realizar-se no Curral das Freiras, a VII Mostra do Brigalhó, organizada pela Casa do Povo local, pelo que se aconselha uma visita até lá. De ano para ano, este certame tem contribuído para a diversidade agrícola e gastronómica da nossa Região, pelo interesse que tem suscitado, quer por parte dos madeirenses, quer por parte de muitos turistas. Constata-se também que, ao longo das edições, a população local em geral e os agricultores em particular, têm correspondido a esse entusiasmo. A terminar, uma justa referência para a fundadora deste evento, a D. Arsénia Silva, a quem agradeço, por ter-me facultado informações sobre este produto.

(in Agricultando)

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domingo, maio 24, 2009

Visita de Nuno Melo ao Departamento de Ciências Agrárias

sábado, maio 23, 2009

CDS-PP lança duras críticas ao Ministro da Agricultura

Fim do regime de quotas leiteiras, educação, ensino superior e qualificação dos recursos humanos, foram os temas centrais da visita do cabeça de lista do CDS-PP às Eleições para o Parlamento Europeu, Nuno Melo, à Ilha Terceira, durante a passada quarta-feira.
Acompanhado pela candidata dos Açores na lista nacional às Europeias de 7 de Junho próximo, Emiliana Silva, os populares iniciaram o dia com uma visita ao Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e ao novo Centro de Actividades Ocupacionais da ACM (Associação Cristã da Mociedade), na Terra-Chã. Nuno Melo mostrou-se preocupado com os elevados índices de abstenção, que habitualmente se verificam neste acto eleitoral, apelando ao elevado nível do debate e a uma campanha pedagógica para cativar os eleitores: “é um esforço que tem que ser feito e que tem que ser colectivo, pois quando a abstenção é muito grande coloca-se em causa a legitimidade dos eleitos”. “A nossa primeira mensagem tem sido exactamente no sentido da mobilização dos eleitores e de explicar-lhes a importância deste acto eleitoral”, acentuou. Relativamente aos assuntos abordados pelos candidatos democratas-cristãos, Melo apontou a importância da educação, ensino superior, investigação, formação profissional e ensino vocacionado para a integração de deficientes, porque “se é verdade que a educação é fundamental, tendo em conta a realidade de Ultraperiferia dos Açores, mais determinante é ainda”. A temática que maior tempo gastou aos candidatos do CDS-PP foi a Agricultura. Aqui os populares são fortes críticos do Ministro Jaime Silva que acusam de ter “capitulado sem luta” na questão das quotas leiteiras, aceitando o fim do regime “como se fosse uma inevitabilidade”. “O ministro que se tem dado ao luxo de desperdiçar milhões de euros de fundos comunitários para a agricultura, é o mesmo ministro que quando percebe o fim de um sistema tão importante para a Região e para o País capitulou sem luta. Não foi capaz de ser o dinamizador ou de se juntar a outros países para se esforçarem no sentido de defender os interesses dos agricultores portugueses em Bruxelas e tentar o prolongamento da data final prevista para o fim deste sistema de quotas”, lamentou. Em boa verdade, prosseguiu Nuno Melo, “aqui nos Açores o que o Sr. Ministro conseguiu foi uma visita para ser entronizado confrade do queijo de São Jorge, o que é muito pouco. Mais se justificaria que aqui tivesse vindo para explicar aos agricultores, debater com eles, eventualmente até pedir-lhes conselhos, para levar daqui mandato para lutar em Bruxelas por um sector tão fundamental para a nossa economia”. Para os centristas “este ministro está associado sempre às piores notícias” e “tal qual desperdiça fundos comunitários, em relação às quotas capitulou sem luta”, acrescentando que “tendo em conta um sector tão importante para Portugal o que faria sentido é que o Sr. ministro fosse o dinamizador, o primeiro a reivindicar de Bruxelas a importância deste sistema e tentar o seu prolongamento”.
(in Diário dos Açores)

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sábado, maio 16, 2009

O roseiral da Quinta do Arco

Joaquim Leça

Este texto foi publicado no dia 19 de Abril de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Estamos a menos de uma semana da 54.ª Festa da Flor, que se realiza no Funchal, onde constam a exposição e o concurso de produção florícola regional no Largo da Restauração, o "Muro da Esperança" na Praça do Município e, o cortejo que atrai muitos residentes e forasteiros. É a partir de Abril, que ocorre a floração de diversas espécies, numa exuberante manifestação de cores, perfumes e múltiplas formas, a que ninguém fica indiferente. A esse propósito, este "Agricultando" é dedicado às flores, em especial, as rosas. Localizado na freguesia do Arco de São Jorge, concelho de Santana, o roseiral da Quinta do Arco, pertença do Dr. Miguel Albuquerque, é composto por mais de 1700 espécies e variedades de roseiras, antigas e modernas. Existem 17000 plantas, algumas delas raras, trepadeiras e não trepadeiras, bravas e resultantes de cruzamentos entre espécies, através da hibridação. Este jardim que é um autêntico centro de conservação, experimentação e divulgação, pelo seu vasto património genético e pela actividade experimental na produção de novas variedades de roseira, reveste-se de um grande valor científico e cultural para a Região e para o País. No seguimento desse trabalho desenvolvido ao longo dos tempos, obtiveram-se as roseiras "Quinta do Arco" e "Lagoa", de canteiro e trepadeira, respectivamente. O roseiral que se encontra aberto ao público de Abril a Dezembro, é visitado por inúmeros visitantes, madeirenses e turistas nacionais e estrangeiros. Alguns deles são investigadores universitários, técnicos da área da floricultura, entre outros, de diversas origens, que aproveitam a sua estada na Madeira, para observar e apreciar, uma das maiores colecções de roseiras da Europa. Aqui está mais um bom exemplo que a agricultura, neste caso específico, a floricultura, tem um papel preponderante na economia local, quer pela criação de postos de trabalho quer pela estimulação da hotelaria e restauração da freguesia. Além das flores, é de salientar a produção biológica de hortícolas e frutícolas de clima tropical e subtropical na Quinta do Arco. Lançado em finais de 2006, o livro "Roseiras Antigas de Jardim" da autoria do Dr. Miguel Albuquerque, mostra com detalhe, as roseiras mais importantes da colecção atrás referida e conta a história do aparecimento do roseiral da Quinta do Arco. O seu conhecimento e afeição profundos pela rosa, que muitos consideram a "Rainha das Flores", contribui para que a Madeira seja mais conhecida e visitada.

(in Agriculturando)

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sexta-feira, maio 15, 2009

A lentilha

Joaquim Leça
Este texto foi publicado no dia 3 de Maio de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. A lentilha pertence à família das leguminosas, sendo "parente" próxima de culturas como o feijão, a fava, a ervilha, o grão de bico, entre outras. Trata-se de uma planta de ciclo anual, cultivada em sequeiro e que pode atingir 25 a 40 centímetros de altura. Ao fim de quatro meses, procede-se à sua apanha, aproveitando-se as pequenas vagens com duas sementes achatadas, em forma de lente, de cor verde, laranja, vermelha, castanha ou preta, consoante a variedade. As folhas e os caules são usados na alimentação animal. Originária do Médio Oriente, a lentilha faz parte da dieta humana desde data remota. Tradicionalmente, a Índia, o Paquistão, o Bangladesh, o Nepal, o Sri Lanka e outros países vizinhos, cujas populações são na sua maioria vegetarianas, consomem estas sementes, por serem ricas em proteínas. Nos nossos dias, esta leguminosa está espalhada por todos os continentes, destacando-se por ordem decrescente de produção, a Índia, o Canadá (principal exportador mundial) e a Turquia. O "Elucidário Madeirense" do Pe. Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, refere que a lentilha era “frequentemente cultivada no Porto Santo” e também no Caniçal. Noutros tempos, no Natal madeirense e porto-santense, faziam-se "searinhas" de trigo e desta leguminosa para ornamentar a lapinha. Actualmente, é ainda cultivada na "ilha dourada", embora em pequenas quantidades, quando comparada com o passado. A sementeira realiza-se no final de Janeiro, início de Fevereiro e a colheita em Maio. Assim, tira-se proveito dos meses de Inverno, para que as chuvas possam irrigá-la e, os meses da Primavera, com temperatura e exposição solar favoráveis, contribuem para o seu crescimento e maturação. A secagem das sementes é efectuada ao sol, na eira, por forma que o teor de humidade diminua e desse modo, se aumente o tempo de conservação destas. A lentilha do Porto Santo é pequena, de cor avermelhada e com um sabor característico, sendo cozinhada de diversas maneiras, numa deliciosa sopa com carne de porco e migalhas de bolo de cevada ou acompanhada por umas fatias deste, cozida só por si ou com arroz. Em súmula, esta leguminosa ímpar que está associada à gastronomia porto-santense de outrora e de agora, deveria constar nas ementas dos hotéis e restaurantes locais. Ao fazerem isso, estariam a preservar e a estimular uma parte da agricultura daquela ilha, proporcionando aos visitantes mais uma experiência única de aromas e sabores.
(In Agricultando)

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