sexta-feira, novembro 20, 2009

Salvar os cagarros… e as estrelas

Miguel Ferreira - Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores
Por esta altura do ano decorrem nos Açores diversas campanhas e actividades organizadas de salvamento de cagarros. Estas são sem dúvida actividades meritórias, mas não deveríamos também intervir na causa do problema? É sabido que a principal causa da desorientação destas aves é a poluição luminosa. Esta poluição resulta principalmente de iluminação pública e particular mal direccionadas. A iluminação deverá iluminar apenas as áreas pretendidas, em vez de o fazer para os lados ou, pior ainda, para cima. Esta incorrecta iluminação deve-se à má concepção ou orientação de candeeiros e projectores que emitem luz muito para além da zona pretendida, sem qualquer efeito útil.
Há várias consequências nefastas deste tipo de poluição. A mais imediata é levar a um desperdício de energia e de dinheiro, de cerca de 40%, que sai do bolso de todos os contribuintes. Depois, afecta vários animais por todo o mundo como diversos anfíbios, mamíferos (inclusive o próprio Homem), répteis, insectos, e aves.
Uma outra consequência da má orientação da iluminação é impedir-nos de ver o céu. Quem não fica maravilhado ao ver um céu com milhares de estrelas e a nossa Via Láctea? Gradualmente, ao longo das últimas décadas, perdemos o hábito de olhar o céu. E a razão principal é a poluição luminosa que nos deixa ver cada vez menos estrelas. Este é um problema que preocupa os astrónomos profissionais e amadores mas que nos afecta a todos.
Algumas localidades com uma maior consciência do problema já tomaram medidas, como é o caso da cidade de Calgary, no Canadá, que ao substituir o seu sistema de iluminação pública consegue economizar mais de um milhão de euros por ano. Medidas que levam à preservação do céu nocturno são também um grande emblema turístico havendo alguns parques, reservas e comunidades distinguidas e alvo de reconhecimento internacional por este cuidado.
Nos Açores é importante que os diferentes órgãos de decisão estejam conscientes deste problema. Igualmente necessário é que os arquitectos e designers tenham presentes estas questões no momento de conceber ou escolher os sistemas de iluminação. Em particular, é urgente repensar a iluminação pública e privada nas proximidades do Observatório Astronómico da Ribeira Grande para que este possa funcionar para o objectivo com que foi construído durante muitos anos. Alterar os sistemas de iluminação pública nas proximidades dos locais mais importantes de nidificação de cagarros seria uma importante experiência piloto que deveria ser realizada sem necessidade de grandes recursos financeiros.
Os Açores têm apostado no turismo e desenvolvimento sustentável, com importantes investimentos na protecção de ambientes marinhos e terrestres. É fundamental estender esta protecção ao céu nocturno, que é um património da Humanidade a preservar. Daqui, sairiam benefícios sociais, económicos, turísticos e culturais. Em cada nova rua, praça ou porto construída ou remodelada dever-se-á ter em atenção não apenas a componente estética mas também o de minorar os impactos da poluição luminosa. Os que se fascinam com a maravilha que é contemplar um céu estrelado, ou ouvir um cagarro agradecem. É de imaginar que os cagarros também agradeçam.
Cagarros (foto de Paulo Henrique Silva) Exemplo de iluminação fonte de poluição luminosa e de desperdício de energia nos Açores. Reserva internacional do céu estrelado do parque nacional de Mont-Mégantic, Québec, Canadá.

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quinta-feira, novembro 19, 2009

Para pensar...


Pergunta: À superfície do nosso planeta são encontradas rochas provenientes da Lua e de Marte. Estes meteoritos são encontrados em diversos locais e as suas propriedades indicam de forma clara a sua proveniência. No entanto, não há nenhum meteorito com origem em Vénus conhecido. Haverá alguma explicação para tal?
Resposta: O impacto de um grande objecto na superfície de um planeta rochoso arranca da sua superfície rochas que escapam para o espaço e eventualmente caiem noutro planeta como a Terra. A densa atmosfera de Vénus e a sua gravidade elevada fazem com que a maioria das rochas ejectadas por processos deste tipo não escapem do planeta, mas voltem a cair na sua superfície.

(Miguel Ferreira)

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segunda-feira, outubro 26, 2009

NA UNIVERSIDADE DOS AÇORES Observação astronómica às sextas-feiras


A partir de amanhã e nas próximas quatro sextas-feiras será possível observar o céu na sua componente astronómica. Trata-se da actividade de divulgação científica designada “Ciência à sexta”, que vai ter lugar no auditório da Universidade dos Açores, Pico da Urze, em Angra do Heroísmo.
A palestra “Moléculas interestelares e vida extra-terrestre”, por Célia Silva e Lurdes Dapkevicius (UAç, DCA), vai marcar o início de um programa de conversas, mesas redondas e sessões de observação do céu a desenvolver no âmbito da iniciativa “Ciência à sexta”, pelas 21h00.
Esta actividade de divulgação científica, que arranca amanhã, 23 de Outubro, pretende dar a conhecer a astronomia como o ponto de partida para levar a reflectir sobre a origem da vida e a sua procura fora da Terra; conhecer o desenvolvimento tecnológico e científico da Europa numa área de ponta como é a astronomia; e discutir a relação entre Arte e a Ciência ficando a conhecer melhor o Universo.
Assim, durante as próximas quatro semanas, às sextas-feiras, esta iniciativa conjunta da Universidade dos Açores, Direcção Regional da Ciência Tecnologia e Comunicações e do Ano Internacional de Astronomia 2009 prevê reunir no auditório da Universidade dos Açores, Pico da Urze, em Angra do Heroísmo, especialistas em astrofísica, a nível regional e nacional.
As outras sextas-feiras serão preenchidas com os temas “Astronomia "made in europe", por Teresa Lago (Centro de Astrofísica da Universidade do Porto), 30 de Outubro; “Arte e Ciência”, José Nuno da Câmara Pereira (artista plástico), Rogério Sousa
(Associação Cultural Burra de Milho), Filomena Ferreira (actriz), Félix Rodrigues
(UAç e moderador), João Pedro Barreiros (UAç), 6 de Novembro; e “Os últimos calhaus a contar do sol”, Nuno Peixinho (Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, Observatório Astronómico), 13 de Novembro.
“Noites Galileu”
Entretanto, as acções serão seguidas de uma sessão de observação astronómica integrada no projecto global “Noites de Galileu” (http://www.galileannights.org/), cujo objectivo é repetir algumas das observações feitas por Galileu há 400 anos e que revolucionaram o mundo ao separar a Ciência da Religião.
As observações ocorrerão das 20h às 21h e das 22h às 23h30, se as condições meteorológicas forem favoráveis, segundo informa a organização, e a entrada é livre.
Recorde-se que Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009) consiste numa celebração da astronomia à escala mundial estimulando o interesse de todos na e na ciência em geral, com particular incidência nas camadas mais jovens da população.
Há três anos a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2009 como Ano Internacional da Astronomia.
Vida extra-terrestre
Segundo a nota informativa sobre o projecto “Ciência à sexta”, a primeira palestra, intitulada “Moléculas interestelares e vida extra-terrestre”, Célia Silva e Lurdes Dapkevicius, tem como ideia base a eventual existência de vida em outros ambientes localizados nas profundezas da Terra e no espaço do Universo.
“As profundezas da Terra também abrigam comunidades microbianas que são independentes duma fonte de luz – utilizam, em seu lugar, energia química do basalto, uma rocha que abunda na Terra... e em Marte. A descoberta destes ecossistemas de profundidade levou alguns cientistas a pensar que a vida na Terra poderá ter principiado nas profundezas, tendo posteriormente migrado para a superfície, quando as condições da Terra primitiva se tornaram mais hospitaleiras. E em Marte? Poderá ter acontecido o mesmo?”, refere o documento.

(In A União)

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quarta-feira, outubro 21, 2009

Ciência à Sexta


A actividade de divulgação científica Ciência à sexta tem início esta sexta-feira, dia 23 de Outubro.Do Miguel Tavarela recebemos este texto:Esta iniciativa consiste em palestras, mesas redondas e sessões de observação do céu durante 4 semanas, à sexta-feira, nas instalações do Pico da Urze da Universidade dos Açores. A astronomia é o ponto de partida para nos levar a reflectir sobre a origem da vida e a sua procura fora da Terra, conhecer o desenvolvimento tecnológico e científico da Europa numa área de ponta como é a astronomia, discutir a relação entre Arte e a Ciência e ficar a conhecer melhor o nosso canto do Universo.

(in Astronomia no Meio do Atlântico)

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terça-feira, julho 28, 2009

Açores deviam apostar na radioastronomia

Depois de um período de pausa, o projecto educativo Astronomia no Verão da Agência Nacional Ciência Viva foi recuperado este ano em que se celebra o Ano Internacional da Astronomia, com o objectivo de incentivar o gosto pela ciência dos astros.
Sessões de observação nocturna já decorreram nas Flores e em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. Este fim-de-semana, foi a vez de Ponta Delgada, e em Agosto seguem-se os concelhos de Velas, em São Jorge, e os três concelhos da ilha do Pico.
“Achamos que era uma boa oportunidade, no Ano Internacional da Astronomia, reactivar esta actividade aqui nos Açores”, explicou Miguel Ferreira, professor no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, com investigação na área da astronomia.
Mas a ideia é dar continuidade ao projecto nos próximos anos. “Esperamos que para o ano possamos repetir a iniciativa nas ilhas onde já está a decorrer e estendê-la a outras ilhas”, admitiu o investigador. Até porque, o cientista está muito optimista quanto aos resultados das actividades de divulgação e promoção da Astronomia que se estão a realizar este ano nos Açores.
“Penso que o Ano Internacional da Astronomia irá conseguir que mais pessoas se interessem pela astronomia e comecem a praticar astronomia amadora”, confessa Miguel Ferreira.
A ideia que o investigador tem é que há muitos telescópios encaixotados nas escolas, mas com a visibilidade dada à ciência dos astros este ano, acredita que haverá mais professores e mais alunos interessados na Astronomia.
Uma das actividades programadas para este ano é mesmo uma acção de formação de professores, precisamente para lhes dotar dos conhecimentos necessários para usar os telescópios e transmitir aos mais pequenos o gosto pela astronomia, de tal modo que as aulas passem a incluir mais actividades ligadas a esta ciência, ou mesmo que se criem clubes escolares de astronomia.
O Ano Internacional de Astronomia tem vários objectivos: não só levar mais alunos a interessarem-se pela ciência através da astronomia, assim como motivar mais pessoas a tornarem-se astrónomos amadores, mas também divulgar a astronomia profissional e a investigação que é feita.
Para Miguel Ferreira, é de registar a reabertura do Observatório da Astronomia, na Ribeira Grande, precisamente no Ano Internacional da Astronomia, e o trabalho que este centro de ciência está a desenvolver.
O investigador elogia o facto do Observatório, apesar de estar sedeado em São Miguel, estar a desenvolver actividades em várias ilhas. “Estão a levar a astronomia à população e às escolas de uma maneira muito dinâmica que trará resultados muito importantes nos próximos anos”, diz Miguel Ferreira.
Nos Açores, há alguma investigação a ser feita. Miguel Ferreira tem trabalho de investigação na área da astronomia, desenvolvido na Universidade dos Açores. E existem excelentes astrónomos amadores nas ilhas, diz o investigador. No entanto, o docente da Universidade dos Açores considera que há espaço para se desenvolver ainda mais a astronomia na Região: não só ao nível do amadorismo, cativando mais pessoas, mas também ao nível profissional
(in Paula Gouveia - Açoriano Oriental)

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segunda-feira, julho 27, 2009

Ano Internacional da Astronomia - Noite de estrelas

Reportagem: Hélio Vieira Fotografia: António Araújo

Sensibilizar a população para a poluição luminosa foi objectivo da “Noite das Estrelas” que reuniu no Alto das Covas dezenas de pessoas numa iniciativa de âmbito nacional integrada nas comemorações do Ano Internacional da Astronomia.

Toda a zona envolvente do Alto das Covas está numa escuridão quase total. Alguns curiosos aproveitam a luz dos faróis dos carros para se dirigem à praça onde dezenas de pessoas observam estrelas e planetas com o recurso a telescópios e binóculos ou simplesmente à vista desarmada.A iniciativa realizada a 18 de Julho foi integrada na “Noite das Estrelas” que teve como principal objectivo chamar a atenção para a poluição luminosa.“A poluição luminosa resulta da má utilização dos sistemas de iluminação e é produzida sobretudo por candeeiros e projectores que, por concepção inadequada ou instalação incorrecta, emitem luz muito para além da zona pretendida. A luz emitida em excesso causa graves prejuízos ambientais e sociais para além de exigir gastos supérfluos de energia, agravando o problema da poluição ambiental, ela afecta, por exemplo, o comportamento dos condutores e dos peões nas ruas, mas também o bem-estar das populações. Nos Açores, em particular, é bem conhecido o efeito nefasto da poluição luminosa na população de cagarros”, diz Miguel Ferreira, do departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores que coordenou as actividades realizadas no âmbito da “Noite das Estrelas” em Angra do Heroísmo.Durante a iniciativa, dezenas de curiosos puderam observar no Alto das Covas com maior nitidez os planetas Saturno e Júpiter ou enxames de estrelas ou, simplesmente, o céu livre da poluição luminosa em toda área envolvente.“Explicámos às pessoas o que estavam a ver no céu, o que despertou muita curiosidade. Tivemos a sorte de ter uma noite com céu limpo para podemos observar muitos objectos”, refere Miguel Ferreira.Para além da iniciativa que decorreu no Alto das Covas estão previstas outras actividades na Terceira nos próximos meses para assinalar o Ano Internacional da Astronomia.O interesse pelas actividades relacionadas com a astronomia teve vindo a diminuir nos últimos anos, sobretudo, por parte da juventude. No entanto, Miguel Ferreira considera que esse e um aspecto a ter em conta, mas que existe também o problema da poluição luminosa que impede as pessoas de ver o que está no céu com a mesma facilidade do que há alguns anos atrás.“Antigamente as pessoas conviviam mais com o céu porque estava sempre presente”, afirma.Apesar de os jovens terem hoje outros interesses, como os computadores ou videojogos Miguel Ferreira assegura que continua a existir por parte dos mais novos interesse pela ciência conforme se pode comprovar pelas iniciativas realizadas no âmbito do programa “Ciência Viva” ou actividades nas escolas.“Um dos objectivos estiveram na origem das celebrações do Ano Internacional da Astronomia é cativar as pessoas a observar o que existe no céu e a reflectir sobre o assunto”, refere.Para Miguel Ferreira continua a existir curiosidade em observar os astros tal como Galileu o fez há centenas de anos. “Esta será sempre uma actividade aliciante para as pessoas de qualquer idade”, afirma.Por outro lado, considera que a astronomia “é um meio de cativar os jovens a interessar-se pela ciência, física e matemática e um meio de estimular a experimentação”. Nesse sentido, considera importante apostar em iniciativas no âmbito da astronomia que motivam as crianças e jovens para a ciência. “As escolas têm participado em diversas actividades na área da astronomia, algumas das quais promovidas pelos Astrónomos Amadores dos Açores. Um dos telescópios que usamos na iniciativa efectuada no Alto das Covas pertence à Escola Vitorino Nemésio, onde já se fizeram diversas acções de observação, bem como, noutros estabelecimentos de ensino”, refere Miguel Ferreira. Apagão nacionalTal como aconteceu em Angra do Heroísmo, várias localidades de Norte a Sul de Portugal associaram-se à iniciativa da “Noite das Estrelas”. Lisboa e Porto, Braga, Bragança, Espinho, Viseu, Coimbra, Cascais, Calheta (Madeira), Angra e Faro foram as restantes localidades a nível nacional que se juntaram à iniciativa de apagar as luzes para observar as estrelas.As celebrações da "Noite da Astronomia - Noite das Estrelas" fazem parte do projecto internacional do AIA2009, "Dark Skyes Awareness" que visa sensibilizar o público para o impacto negativo de uma iluminação artificial excessiva. Coincidem também com uma nova edição de observações do programa do AIA, “E Agora Sou Galileu”, desta vez dedicada à Via Láctea. A “Noite da Astronomia” marcou arranque em todo país do programa educativo Astronomia no Verão, da responsabilidade da Agência Nacional Ciência Viva. O Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009) é coordenado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Agência Nacional Ciência Viva, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e da Fundação Calouste Gulbenkian.

(in Diário Insular)

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sábado, julho 25, 2009

Modelo de Apoio à decisão para gerir a lavoura e água - Poluição luminosa

sexta-feira, julho 17, 2009

“Noite das Estrelas” no Alto das Covas

Angra do Heroísmo está entre as cidades portuguesas que aderiram à iniciativa “Noite das Estrelas” que se realiza no próximo sábado para assinalar o Ano Internacional da Astronomia. A “Noite das Estrelas” decorre no Alto das Covas, onde a iluminação pública estará desligada entre as 22h30 e as 24h00 para facilitar as observações do céu profundo. A iniciativa é organizada pela Universidade dos Açores e conta com o apoio da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, de astrónomos amadores e professores das escolas Vitorino Nemésio e Tomás de Borba e marca também o início do programa educativo Astronomia no Verão, da responsabilidade da Agência Nacional Ciência Viva, no arquipélago. Segundo Miguel Ferreira, serão medidos os efeitos da poluição luminosa no Alto das Covas e a sua interferência na observação do céu. “Vamos fazer observações a olho nu, com binóculos e telescópios antes e durante o período em que a iluminação pública do Alto das Covas vai estar apagada”, refere Miguel Ferreira. De acordo com o docente da Universidade dos Açores, “muitos de nós certamente encolherão os ombros quando se fala em poluição luminosa. Mas a verdade é que o excesso de luz causa graves prejuízos ambientais e sociais”. Tendo em conta essa realidade a “Noite das Estrelas” será uma ocasião para sensibilizar a população para o problema.
INICIATIVA NACIONAL

Para chamar a atenção de todos para os perigos da má utilização dos candeeiros e projectores, cidades de vários pontos do país vão medir os níveis de poluição luminosa no dia 18 de Julho (sábado). A poluição luminosa resulta da má utilização dos sistemas de iluminação e é produzida sobretudo por candeeiros e projectores que, por concepção inadequada ou instalação incorrecta, emitem luz muito para além da zona pretendida. A luz emitida em excesso causa graves prejuízos ambientais e sociais, para além de exigir gastos supérfluos de energia, agravando o problema da poluição ambiental, afectando, por exemplo, o comportamento dos condutores e dos peões nas ruas, mas também o bem-estar das populações. No caso dos Açores, em particular, é bem conhecido o efeito nefasto da poluição luminosa na população de cagarros que são atraídos para terra pela luz dos candeeiros.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, julho 09, 2009

PROTOCOLO ENTRE UA E AUTARQUIA ANGRENSE -Iniciados trabalhos no combate às térmitas

A equipa da Universidade dos Açores (UA), constituída por Orlando Guerreiro, Maria Teresa Ferreira e Anna Bella Borges, já iniciou os trabalhos de campo de combate às térmitas no centro da cidade de Angra do Heroísmo, ao abrigo do protocolo entre o município angrense e aquela instituição de ensino superior.

Denominado a “Monitorização e Controlo da praga de térmitas Cryptotermes-brevis”, o protocolo, que está a decorrer num edifício em estado avançado de infestação, gentilmente cedido pelo proprietário, tem a duração prevista de três meses – Julho a Outubro de 2009 – pretende fazer comparação com o levantamento realizado em 2004.
“Além do dado comparativo vamos tentar impedir o desenvolvimento da praga”, revela Orlando Guerreiro, ao nosso jornal, sublinhando que a metodologia difere da utilizada há cinco anos, tendo em conta que o trabalho anteriormente realizado não incluiu as armadilhas.
Na prática, segundo a equipa, o trabalho consiste em colocar, entre outras estratégias uma dezena de armadilhas – um género de papel adesivo largo, em rolo, próprio para apanhar insectos – nas luzes do exterior, em 10 moradias localizadas entre as freguesias de São Bento e São Pedro. “Algumas armadilhas serão também colocadas no interior das casas”, acrescenta Orlando Guerreiro, da UA. “Estamos a tapar as janelas para impedir a entrada de luz do exterior. Queremos perceber o comprimento de onda que atrai as térmitas”, explica, sobre os trabalhos elaborados no primeiro dia, os quais “estão a correr muito bem”.
Neste sentido, esclarece, as estratégias utilizadas “não vão acabar com o problema mas sim contribuir para a sua gestão”. Orlando Guerreiro defende, por isso, “atitude pró-activa” por parte da população em geral. “Se não combatermos as térmitas nas nossas próprias casas estamos não só a prejudicar a nossa habitação como a do vizinho”.
Sobre o resultado da sua tese de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza – a previsão da expansão da Térmita de Madeira Seca nas nove ilhas dos Açores utilizando modelos de matemáticos –, orientada por Miguel Ferreira e Paulo Borges, professores da UA, Orlando Guerreiro manifesta-se satisfeito.
“Na primeira parte do trabalho fiz um estudo para perceber a dispersão no tempo e no espaço, sendo que as armadilhas foram colocadas fora das zonas infestadas de Angra para saber a que distância uma colónia situada numa determinada casa poderá infestar a outra”, pormenoriza.
Em relação à segunda parte, resume o especialista, o estudo poderá ser usado como mapa de risco cujos lugares apresentam condições favoráveis ao desenvolvimento das térmitas. “São sítios no arquipélago dos Açores onde pode ocorrer a praga. Não por dispersão natural mas por transporte de peças de madeira de um local para o outro, por exemplo”, conclui.
A tese de Orlando Guerreiro foi apresentada no âmbito do “Workshop – Combate às Térmitas usando a técnica da Temperatura”, realizado no passado dia 3 de Julho, no campus universitário do Pico da Urze, numa organização do Grupo da Biodiversidade dos Açores (CITA- A Universidade dos Açores).
(in A União)

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quinta-feira, julho 02, 2009

WORKHOP – COMBATE ÀS TÉRMITAS USANDO A TÉCNICA DA TEMPERATURA

WORKHOP – COMBATE ÀS TÉRMITAS USANDO A
TÉCNICA DA TEMPERATURA

Dia 3 de Julho – Sexta-feira (20h00) – Campus Universitário do Pico da Urze
Programa

20.00 – Sessão de Abertura – Paulo A. V. Borges (Univ. dos Açores)
20.10 – Previsão sobre a expansão da térmita de madeira seca nas várias ilhas dos Açores. Orlando Guerreiro (Aluno de Mestrado de Gestão e Conservação da Natureza).
20h30 – Ecological Insect Pest Eradication in individual rooms using air and water at high temperatures (Warmair technique). Bernhard Schachenhofer (Empresa Thermo Lignum, Áustria)
21h00 – The ThermaPureHeat® process using dry heat to kill termites and other urban pests. Michael Linford (empresa Therma Pure, USA - California)
21h30 – Debate

Organização: CITA-A (Grupo da Biodiversidade dos Açores - Universidade dos Açores)

Financiamento: Direcção Regional do Ambiente dos Açores (Governo Regional dos Açores)

RESUMO

O Workshop “COMBATE ÀS TÉRMITAS USANDO A TÉCNICA DA TEMPERATURA”, numa organização do Grupo da Biodiversidade dos Açores (CITA-A, Universidade dos Açores) e financiamento da Direcção Regional do Ambiente dos Açores pretende apresentar técnicas inovadoras para combate às térmitas em edifícios. Com esta iniciativa vem-se abrir uma nova porta para a solução deste grave problema no arquipélago.
Paulo Borges da Universidade dos Açores irá abrir a sessão apresentando as estratégias da Univ. dos Açores para o combate ás térmitas nos Açores e explicando os objectivos desta iniciativa que junta os esforços da Univ. dos Açores e do Governo Regional dos Açores. Será também anunciado um Protocolo que está a ser preparado com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo para combate aos adultos de térmitas durante o Verão na cidade de Angra do Heroísmo.
Serão apresentadas três comunicações cientificas. A primeira da autoria de Orlando Guerreiro irá apresentar uma previsão da expansão da Térmita de Madeira Seca nas nove ilhas dos Açores utilizando modelos de matemáticos. Trata-se do resultado da sua tese de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza orientada pelos Profs. Miguel Ferreira e Paulo Borges.
De seguida teremos duas apresentações em inglês por especialistas de uma empresa da Áustria (Thermo Lignum, http://www.thermolignum.com/Pest_Eradication.html) e de uma empresa da Califórnia (Therma Pure, http://www.thermapure.com/termites.php).
Estes dois especialistas vão estar dois dias a visitar vários edifícios de Angra do Heroísmo na companhia de técnicos da Universidade dos Açores para assim verificarem das condições para aplicar as tecnologias do calor para combate às térmitas nos Açores.
Bernhard Schachenhofer (Empresa Thermo Lignum, Áustria) irá explicar a técnica WARMAIR que utiliza equipamento portátil de aquecimento a gás e controlo da humidade do ar para matar insectos em madeiras.
Michael Linford (empresa Therma Pure, USA - California) irá apresentar a técnica ThermaPureHeat® que utiliza ar seco aquecido para criar um ambiente que é letal para as térmitas.
Após as apresentações seguir-se-á um debate com o público presente.

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quarta-feira, junho 24, 2009

Calendário Cósmico

Nos Açores, os eventos do “Calendário Cósmico”, que decorrem no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Astronomia, distribuem-se por quatro épocas paradigmáticas – os Equinócios e os Solstícios –, tendo-se realizado na ilha Terceira, a 21 de Junho (Solstício de Verão), no Salão Nobre da Secretaria Regional da Educação e Formação, pelas 15h00, em Angra do Heroísmo, uma sessão comemorativa desse evento.

A sessão foi constituída por uma conferência e documentário informativo que teve como fio condutor Angra e a Festa do Sol – as Sanjoaninas, os quais contaram com a presença de Miguel Ferreira do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores (astrofísica), Moisés Espírito Santo (etnografia) e a Doutora Antonieta Costa (etnografia).

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sábado, maio 09, 2009

Conferências sobre astronomia: A Matemática é fundamental

Compreender a importância da matemática na astronomia e a influência que pode ter esta compreensão em actividades relevantes no dia-a-dia da nossa vida é o objectivo das conferências que o professor Miguel Ferreira vai proferiu hoje, no Nordeste e, amanhã, na Escola Secundária Antero de Quental. O orador dá o exemplo de uma colega que, durante alguns anos, foi astrónoma e hoje faz cálculos matemáticos para bancos, de forma a prever a evolução dos mercados da bolsa.

Correio dos Açores Que temática vai abordar nas conferências que se enquandram no projecto Um Passeio pela Ciência: a Matemática na nossa Vida 2009, organizado pelo Departamento de Matemática da Universidade dos Açores?

Miguel Ferreira - Nos colóquios irei falar sobre a importância da Matemática, o seu papel fundamental na Astronomia. Irei abordar um pouco as ferramentas matemáticas que nós usamos na Astronomia ou Astrofísica, dando alguns exemplos relativamente simples para serem compreendidos pelos alunos e para tentar passar a mensagem de que a Matemática, hoje em dia, é indispensável em imensas actividades, portanto não é só Matemática para a Matemática, mas é Matemática para a ciência em geral, neste caso particular para a Astronomia.

Explique que importância dá à Matemática como contributo para a Astronomia.

A Astronomia é a aplicação da Física e da Matemática a um objecto de estudo que é tudo o que compõe o Cosmos. A linguagem que nós usamos é linguagem matemática, são modelos matemáticos que nos permitem descrever o que se passa, por exemplo, no interior de uma estrela. Isso permite-nos prever o que poderá acontecer no futuro a uma estrela que observamos, se poderá explodir como uma supernova ou, se pelo contrário, vai ter uma morte mais parecida com a do Sol. São os modelos matemáticos, aliados à Física, que nos permitem perceber muito daquilo que observamos através dos telescópios.

No seu entender, os açorianos estão despertos para a importância desta ciência?

Eu acho que algumas pessoas pensarão que a Astronomia é só observar, só olhar e ver as estrelas, as galáxias e os planetas, mas não é. A Astronomia, no presente, tem muito que ver com compreender e explicar. E para compreender e explicar é necessário aplicar a Física e a Matemática e é isso que se tem feito. Portanto, vai muito para além da observação, passa pela compreensão e explicação dos fenómenos que se observa. Pessoas têm visão muito negativa.

O que é se pode fazer para cativar as pessoas neste sentido, para lhes possibilitar mais informação?

Acho que hoje em dia a Matemática é vista de uma maneira muito negativa e há que inverter isso. Essa inversão tem que se iniciar nas idades mais jovens e penso que a Astronomia pode ser um veículo importante, cativando os alunos e os jovens a observar as actividades da Astronomia para, dessa forma, cativá-los para a ciência, não só para a Astronomia, mas para outras, inclusive a Física, a Matemática, a Engenharia, a Informática, tudo ciências que são úteis e fundamentais para a Astronomia. Neste sentido, penso que esta ideia dos meus colegas do Departamento de Matemática de fazerem estes colóquios é muito boa e vai na direcção certa de tentar inverter esta noção da Matemática que impera um pouco em Portugal.

Portanto, a Matemática tem uma utilidade prática em vários ramos.

Tem sim, com certeza que tem. Posso dar-lhe o exemplo de uma colega que durante uns anos foi astrónoma e depois decidiu mudar de profissão. Hoje, o que ela faz é cálculos matemáticos para bancos, de forma a prever a evolução dos mercados da bolsa, aplicando ferramentas matemáticas, muitas daquelas que ela usava quando fazia astronomia. Portanto, em tudo o que nós fazemos a Matemática está presente, nós é que não nos apercebemos disso, mas ela é fundamental para um biólogo, para um médico, para um engenheiro e, obviamente, para um astrónomo. Acaba por ser fundamental para quase todas as profissões. E esta problemática que vai estar em apreciação nos seus colóquios... Sim, vou falar um pouco sobre a importância da Matemática para a Astronomia e depois irei particularizar a forma como a Física aliada à Matemática nos permite descobrir objectos. O exemplo que eu vou focar é o da descoberta, na última década, de mais de 300 planetas à volta de outras estrelas. Estes planetas, na verdade, não se observam, não se vêem, é graças à compreensão da Física e da Matemática que nós conseguimos inferir a existência deles, apesar de não sermos capazes de ver a maior parte. Existem mais de 300 planetas no Universo?

Existem muitos mais, de momento conhecemos fora do nosso Sistema Solar mais de 300 planetas. Esse número, na próxima década, irá aumentar para alguns milhares.
(In Andreia Medeiros Correio dos Açores)

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quinta-feira, maio 07, 2009

Palestras sobre Astronomia e Matemática


Decorreu hoje, na Escola Antero de Quental, em Ponta Delgada,e decorrerá amanhã, na Escola do Nordeste, na ilha de São Miguel, uma conferência proferida pelo Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Miguel Frreira, sobre Matemática e Astronomia.
Essas conferências integradas nas comemorações do Ano Internacional da Astronomia, foram organizadas pelo Departamento de Matemática da Universidade dos Açores.

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quinta-feira, abril 02, 2009

Ilha das Flores celebra Ano Internacional da Astronomia

No ponto mais ocidental da Europa também se celebra o Ano Internacional de Astronomia (AIA2009). A ilha das Flores, no arquipélago dos Açores, recebeu ontem e hoje um conjunto de palestras públicas e de observações astronómicas abertas à população
Os diferentes eventos organizados na ilha das Flores são o culminar de uma série de palestras que têm percorrido, desde 26 de Março os blocos central e ocidental do arquipélago (Terceira, São Jorge, Pico, Faial, Corvo e Flores). Nos dias 1 e 2 de Abril, coincidindo com o projecto internacional as "100 Horas de Astronomia", palestras e observações astronómicas convidavam crianças e adultos a reflectir sobre o cosmos e a descobrir a beleza do Universo.
"Tive ocasião de verificar nos últimos anos que nos Açores, e em particular nas Flores, as pessoas gostam, interessam-se e sentem necessidade de contactar com os investigadores. Era mais do que uma obrigação pôr as Flores no mapa do Ano Internacional de Astronomia", reconhece Ana Maria Mourão, investigadora que integra a delegação de 5 pessoas que veio falar e fazer Astronomia nos Açores. "O nosso objectivo é apoiar o entusiasmo que se sente pela Astronomia nas ilhas açorianas", acrescenta Ana Mourão.
"Os Açores estão integrados na rede global que o Ano Internacional de Astronomia criou, queremos ajudar a ilha das Flores, o ponto mais ocidental da Europa, a participar nas celebrações, a fazer parte desta campanha internacional, quebrando com a insularidade e a distância geográfica e cortando com o isolamento. Quebrar distâncias é também um dos objectivos das 100 Horas de Astronomia e do Ano Internacional da Astronomia. Pretendemos comemorar a Astronomia e discutir em conjunto", frisa a professora do Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa e investigadora do CENTRA - Centro Multidisciplinar de Astrofísica do IST.
Na próxima quarta-feira, Jorge Dias de Deus inaugura às 20h30 o ciclo nas Flores com uma palestra pública subordinada ao tema "A Máquina do Universo". Seguem-se, às 21h30 observações astronómicas no Porto Velho, orientadas por colaboradores do CENTRA (Centro Multidisciplinar de Astrofísica do Instituto Superior Técnico) e da ASTRO (Secção de Astronomia do Núcleo de Física do IST).
Como é que a matéria passa a ser viva e quando é que morre? Qual é a origem do universo e como se formam as primeiras estrelas? Ana Mourão explica nos Açores, hoje, como se formam nas estrelas alguns elementos químicos, tais como o azoto, o carbono, o oxigénio e o ferro, que também compõem o corpo humano. "Nós somos filhos das estrelas", resume a especialista. O que conseguimos saber sobre o sol? Como se pode analisar o interior do astro? No primeiro dia das "100 Horas de Astronomia" decorre ainda uma conferência sobre o Sol intitulada "A nossa estrela", proferida por Ilídio Lopes, professor na Universidade de Évora, em paralelo com uma sessão de observação solar.
As comemorações do Ano Internacional de Astronomia continuam no arquipélago com o congresso "O Universo nos Açores" que vai ter lugar na ilha de São Miguel (Ponta Delgada). As palestras realizadas nas escolas do arquipélago enquadram-se nas celebrações do Ano Internacional de Astronomia e num projecto de investigação do CENTRA que inclui uma componente de divulgação científica nos Açores. Contam com a colaboração do CENTRA, do IST e da Universidade de Évora.
O Ano Internacional de Astronomia, organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, o Ciência Viva e a European Astronomical Society (EAS), começou em Janeiro passado nos Açores, sob a responsabilidade do Professor João Miguel Ferreira (aimailto:aia2009@uac.pt) do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, em Angra do Heroísmo.
Informações sobre as restantes actividades que decorrem no arquipélago estão disponíveis no programa da região autónoma.
PROGRAMA
1 de Abril (4ªf)
Palestra Pública 20h30, EBS das Flores"A Máquina do Universo"Jorge Dias de Deus(IST- Instituto Superior Técnico e CENTRA - Centro Multidisciplinar de Astrofísica do IST)
Observação Astronómica 21h30, Porto velho Coordenador das Observações Astronómicas: Dário Passos (CENTRA - IST) em colaboração com: Miguel Cunhal (ASTRO - Secção de Astronomia do Núcleo de Física do IST)
2 de Abril (5ªf)
Palestras Escolares:"Os Filhos das Estrelas"Ana Maria Mourão (Instituto Superior Técnico e CENTRA - Centro Multidisciplinar de Astrofísica do IST)Hora: 9hLocal: Anfiteatro EBS das FloresPúblico Alvo: 3ºciclo + Secundário
"A nossa Estrela"Ilídio Lopes (Universidade de Évora e CENTRA - Centro Multidisciplinar de Astrofísica do IST)Hora: 10h45Local: Anfiteatro EBS das FloresPublico Alvo: 3ºciclo + Secundário
"Os Filhos das Estrelas"Ana Maria Mourão (Instituto Superior Técnico e CENTRA - Centro Multidisciplinar de Astrofísica do IST)Hora: 13h30Local: Anfiteatro EBS das FloresPúblico Alvo: 4º, 5º e 6º ano (Santa Cruz + Lajes)
Observações Astronómicas do SOL 2 de Abril: 10h EBS das Flores Coordenador das Observações Astronómicas: Dário Passos (CENTRA - IST) em colaboração com: Miguel Cunhal (ASTRO - Secção de Astronomia do Núcleo de Física do IST)

(In Ideias Concertadas)

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quinta-feira, março 26, 2009

Ciclo Astronomia e Cultura - Sessão na ilha das Flores

Decorreu na ilha das Flores (22 de Março), sob o título genérico de “Calendário Cósmico” uma das quatro sessões distribuídas por épocas paradigmáticas – os Equinócios e os Solstícios.
Cada sessão compõe-se de:
1. Um documentário em vídeo, de 50 minutos, informando (em cada caso), sobre as ligações existentes entre crenças e práticas culturais relativas a cada respectivo período de tempo (Equinócios e os Solstícios), de acordo com as tendências da Ilha em que terá lugar.
2. Um período de 15minutos a 30minutos dedicado à discussão da matéria apresentada, seguido de intervalo.
3. Início do Colóquio, cujo painel é estruturado em conformidade com a época e a Ilha em questão, devendo abranger as áreas nucleares, como sejam a Astronomia, a Etnologia e a Astrolatria, para além da específica da Ilha, que poderá incluir a Botânica, a Etnografia, a Medicina popular, a Mitologia, etc. Comunicações de 20minutos seguidas de tempo para debate público. Na interacção entre os vários saberes haverá uma maior aproximação ao estado da arte neste sector do conhecimento.
Os professores Miguel Ferreira (Astronomia), Moisés Espírito Santo (Etnografia) e Rosalina Gabriel (Botânica) participaram na sessão que decorreu no auditório do Museu na ilha das Flores, coordenados pela Professora Antonieta Costa Iniciativa da Direcção Regional da Cultura, numa iniciativa conjunta com a Universidade dos Açores.

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sexta-feira, março 20, 2009

I Congresso Internacional de Astronomia Azores

Realiza-se entre 2 e 4 de Abril, em São Miguel, o I Congresso Internacional de Astronomia Azores: "O Universo nos Açores".
São Conferencistas:
Pedro Russo (Garching bei Muenchen, Germany) – IAU Coordinator for IYA2009
Rosa Maria Ros (Barcelona, Spain) – Vice-Presidente da European Association for Astronomy Education (EAAE).
Miguel Ferreira (Angra do Heroísmo, Portugal) – Coordenador do AIA nos Açores.
Felisbela Martins (Porto, Portugal) – Representante da EAAE em Portugal. Veselka Radeva (Varna, Bulgaria) – Astronomical Observatory and Planetarium.
Rainer Gaitzsch (Muenchen, Germany) EAAE Sakari Ekko (Turku, Finland) – EAAE.
Paulo Crawford (Lisboa, Portugal) – Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). Nuno Sá (Ponta Delgada, Portugal) – Universidade dos Açores.
José Saraiva (Lisboa, Portugal) – Instituto Superior Técnico (IST)/Centro de Recursos Naturais e Ambiente (CERENA).
Alexandre Costa (Faro, Portugal) – EAAE, Escola Secundária de Loulé.
Rui Agostinho (Lisboa, Portugal) – Presidente do Observatório Astronómico de Lisboa.
Rui Gonçalves (Tomar, Portugal) – Instituto Politécnico de Tomar.

(In Astronomia no meio do Atlântico)

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terça-feira, março 17, 2009

João Miguel Ferreira, docente na Universidade dos Açores, NA especialidade de Astrofísica : “Olhar o céu “pode dar lucro aos Açores

É o único açoriano a fazer parte do comité organizador do Ano Internacional de Astronomia e considera que os Açores devem potenciar as suas características únicas, por exemplo através da radioastronomia que poderia contribuir de forma decisiva para a astronomia mundial. É o único açoriano a fazer parte do comité organizador do Ano Internacional de Astronomia, numa panóplia de diversos investigadores nacionais da área.

Que importância acrescida este cargo lhe traz, bem como aos Açores?

O nosso objectivo é levar as celebrações do AIA a todo o país e nesse sentido é uma grande honra e responsabilidade. Ao mesmo tempo, é importante os Açores participarem activamente neste acontecimento mundial.

Como é que vamos de Astronomia na nossa Região? Tem ou não sido uma ciência mais ou menos desprezada?

No passado, a comunidade de astrónomos amadores dos Açores desenvolveu um trabalho notável na divulgação da astronomia, que é importante realçar. Não creio que seja uma ciência menosprezada, mas é possível e necessário fazer mais e melhor. Julgo que esta é uma grande oportunidade para o desenvolvimento da astronomia na comunidade e nas escolas em particular. Junto dos mais novos, tem reconhecido alguma "atracção" pelo tema?

A minha experiência é que a astronomia fascina as pessoas de todas as idades. Junto dos mais novos, a astronomia pode ser um instrumento importante para despertar o interesse pelas ciências exactas e a matemática.

Quais as iniciativas previstas realizar na Região no âmbito este Ano Internacional?

Há diversas iniciativas, algumas delas organizadas pelo AIA e outras organizadas por diversas entidades com o apoio do AIA. Destaco a exposição Da Terra para o Universo, organizada em colaboração com o Centro de Ciência de Angra do Heroísmo, cursos de formação para professores, palestras e o Congresso de Astronomia organizado pela Escola Secundária Domingos Rebelo. O projecto Da Terra ao Universo" é único e pretende, durante o ano de 2009, fazer chegar imagens de Astronomia ao maior número possível de pessoas e em locais inesperados. A participação do arquipélago neste evento mundial reveste-se de particular importância, nomeadamente para projectar o arquipélago a nível internacional como dinamizador de eventos de divulgação científica; contribuir para uma participação da região nas actividades comemorativas do Ano Internacional de Astronomia; despertar o interesse do público Açoriano para a Ciência, e a Astronomia em particular, através de fotografias em grande formato com cores e formas impressionantes e de rara beleza; fomentar a cultura científica do público Açoriano de uma forma acessível para todos, original e inesperada; contribuir, em conjunto com outras iniciativas, para mostrar que as ilhas dos Açores são um bom local de observação astronómica e incentivar o público Açoriano a participar em observações regulares.

Em que consistirá a realização do Congresso na Região?

No âmbito do Ano Internacional da Astronomia é nosso propósito promover o I Congresso Internacional de Astronomia Azores O Universo Nos Açores. Temas como a exploração do Sistema Solar, nomeadamente de Marte, levada a cabo pela parceria entre a ESA, NASA, JAXA e Agência Espacial Russa, as descobertas levadas a cabo quase diariamente pelo ESO, o aparecimento de cada vez mais planetas extra Sistema Solar, a moderna Cosmologia, entre outros, estão na ordem do dia dos vários serviços de notícias e fascinam todos nós, principalmente os mais jovens. Este Encontro pretende, assim, ser um espaço onde professores e alunos dos vários níveis e graus de ensino e instituições escolares e científicas mostram o que se tem feito neste domínio. Os objectivos desta realização passam por envolver a escola e a comunidade nas comemorações do Ano Internacional da Astronomia; promover o contacto entre astrónomos profissionais e amadores, professores, alunos e restante comunidade interessada em Astronomia; divulgar projectos realizados nas Universidades e Escolas no âmbito da Astronomia e exploração do Universo; promover a troca de experiências entre professores de diferentes Instituições; possibilitar a troca de saberes entre os vários participantes; promover a Região Autónoma dos Açores como uma região dinâmica e empreendedora; dar a conhecer à comunidade o que está neste momento a fazer-se em investigação científica; promover o intercâmbio entre os profissionais do sector, nomeadamente a troca de experiências no âmbito da elaboração de estudos e projectos de Astronomia e a criação de trabalhos realizados por estudantes, no âmbito da Astronomia, bem como o convívio, a troca de experiências e confronto de ideias, estimulando assim o sentimento de camaradagem necessário para uma saudável convivência com a comunidade científica. O encontro decorrerá nos dias 2, 3 e 4 de Abril de 2009 em Ponta Delgada, na Universidade dos Açores.

São as iniciativas possíveis ou as suficientes?
São as possíveis mas também creio que são suficientes.
A astronomia que se faz nestas nove ilhas é, simplesmente, amadora ou já há bastantes profissionais na matéria?
A astronomia profissional faz-se em universidades e centros de investigação. É por isso natural que não haja mais profissionais de astronomia. Ao contrário do que se possa pensar, a astronomia amadora é muito importante para o desenvolvimento desta ciência, sendo muito frequente a descoberta de cometas e supernovas por astrónomos amadores.

Que opinião tem acerca do Observatório de Astronomia de Santana? Tem ou não sido uma infra-estrutura subvalorizada?

Que mais poderá ser feito para dinamizar e abrir a todos os públicos aquele espaço único na região? Apesar de o Observatório ter tido um início conturbado, o importante é que actualmente está em funcionamento. É certamente uma mais-valia para a região e vai ter um papel cada vez mais importante na sociedade açoriana. "A localização geográfica única do arquipélago açoriano torna-o um local estratégico para a rede internacional de radiotelescópios, permitindo cobrir as longitudes do Atlântico".

Considera, portanto que, esta deve ser uma oportunidade a não perder para os Açores e para a astronomia portuguesa? Em que aspectos e de que forma?

Os Açores devem potenciar as suas características únicas. Já o fazem em algumas áreas como a biologia marinha e geofísica. De forma ainda pouco continuada fazem-no também noutras áreas como, por exemplo, a monitorização da atmosfera. A radioastronomia nos Açores poderia contribuir de forma decisiva para a astronomia mundial. Há uns meses foi anunciado pelo governo regional um protocolo com o Instituto Geográfico Nacional da Espanha para a instalação de estações geodésicas destinadas também a estudos de radioastronomia. A colaboração com instituições estrangeiras é sempre bem vinda, mas o facto de todo este processo estar a ser feito à margem dos astrónomos portugueses leva-me a questionar sobre os benefícios que esta iniciativa terá para a ciência e astronomia em Portugal.

O que é que os Açores poderão ter de potencial para a Astronomia nacional e mesmo mundial?

A astronomia é também um grande motor de desenvolvimento tecnológico em áreas diversas da física, química, engenharia e informática. Assim, para além de apostas concretas em astronomia, como o caso da radioastronomia, os Açores podem contribuir e lucrar com a astronomia apostando nestas outras áreas afins. Há não muito tempo, um grupo de instituições de investigação portuguesas, liderado por António Amorim, construiu uma Câmara de Observação Astronómica no Infravermelho (CAMCAO) para o telescópio VLT existente no observatório astronómico do ESO, no Chile. No futuro, é possível que oportunidades semelhantes possam ser aproveitadas por instituições de investigação e empresas sedeadas nos Açores.
(In Ana Coelho -Correio dos Açores)

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segunda-feira, fevereiro 09, 2009

O Legado de Galileu

Carlos Martins (*)
Galileu Galilei nasceu em Pisa a 15 de Fevereiro de 1564 e morreu a 8 de Janeiro de 1642 em Arcetri (Florença). A sua originalidade não reside no que descobriu, mas na forma como interpretou e comunicou as suas descobertas. Quando nasceu, as universidades eram dominadas pela astronomia geocêntrica de Ptolomeu e pela filosofia de Aristóteles, que postulava uma Terra em permanente mudança e feita de quatro elementos, por oposição aos céus imutáveis e feitos de um quinto elemento. Quando morreu, essas duas teorias estavam também mortas.


Em 1609 uma carta de Paolo Sarpi informou-o da existência, em Veneza, de um instrumento que permitia ver com facilidade objectos distantes, e imediatamente procurou reproduzi-lo e melhorá-lo. O telescópio revelou milhares de novas estrelas nas constelações já conhecidas (e em particular na Via Láctea), mas foram as suas observações do Sistema Solar que tiveram consequências mais dramáticas.
Galileu não foi o primeiro a ver a Lua através de um telescópio (Thomas Harriot fê-lo vários meses antes), mas observou que, tal como a Terra, contém montanhas e vales e não é perfeitamente esférica. De facto conseguiu mesmo medir a altura de várias montanhas lunares, com uma precisão notável para os meios de que dispunha. Estes resultados mostravam a similitude da Terra e da Lua, objectos sólidos com superfícies irregulares iluminados pelo Sol e presumivelmente feitos das mesmas substâncias.
Galileu não foi o primeiro a observar as manchas solares. Christoph Scheiner (conhecido por Fabricius) observou-as e anunciou a descoberta primeiro, sugerindo que se tratava de satélites solares anteriormente desconhecidos. Galileu conseguiu demonstrar que as manchas solares se encontravam junto à superfície do Sol, interpretando o seu movimento como o resultado da rotação do Sol (cujo período estimou em um mês), embora tenha erradamente defendido que se tratava de nuvens. A descoberta de um Sol em permanente mudança foi um duro golpe na filosofia aristotélica. Galileu criticou também a ingenuidade da análise de Fabricius. Sendo este um jesuíta, tal teve o efeito de voltar toda a ordem contra Galileu, e isto viria a ser crucial para os problemas que viria a ter com a Inquisição.
Detractores da hipótese heliocêntrica de Copérnico salientavam que se todos os planetas se movessem à volta do Sol então Mercúrio e Vénus, tal como a Lua, deveriam ter um ciclo de fases. No modelo de Ptolomeu, Vénus e o Sol movem-se à volta da Terra: se Vénus estivesse mais próximo da Terra do que o Sol, seria sempre visto como um crescente; se estivesse mais afastado, seria sempre visto como um disco completo. Mas se Vénus se move à volta do Sol, deve ser visível em todas a fases. As observações de Galileu demonstraram que todas as fases eram visíveis: Vénus move-se à volta do Sol, e o modelo de Ptolomeu está errado. Por outro lado, estas observações eram compatíveis quer com o modelo de Copérnico quer com um modelo alternativo sugerido por Tycho Brahe (no qual os planetas se moviam à volta do Sol mas o Sol se movia à volta da Terra).
Mas a mais dramática das observações de Galileu foi a identificação de quatro satélites de Júpiter. Aqui, mais uma vez, não é claro que tenha sido ele o primeiro a observá-los. Um segundo candidato a essa honra é Simon Marius, aluno de Tycho Brahe. Em qualquer caso, Galileu foi o primeiro a aperceber-se da sua importância. Uma segunda crítica ao modelo de Copérnico era que uma Terra em movimento à volta do Sol seria incapaz de manter junto de si a Lua. A partir de 7 de Janeiro de 1610, Galileu observou quatro ‘novas estrelas’ junto a Júpiter, movendo-se relativamente a este e por vezes desaparecendo. Muito rapidamente explicou este comportamento sugerindo que se moviam à volta de Júpiter, tal como a Lua se move à volta da Terra. Assim sendo, Júpiter conseguia manter 4 luas junto a si, e ninguém tinha dúvidas de que Júpiter se movia (a dúvida era sobre se o fazia à volta da Terra ou do Sol). Porque não poderia então uma Terra em movimento manter consigo a Lua?
A 13 de Março o Sidereus Nuncius (Mensageiro Celeste) era publicado em Veneza, descrevendo observações feitas até ao dia 2 de Março. No espaço de algumas semanas as descobertas de Galileu tornaram-se conhecidas em toda a Europa. O termo satélite (de satelles, um assistente de uma pessoa importante) foi introduzido por Kepler em 1611, e os nomes actuais dos quatro (Io, Europa, Ganimedes e Calisto) por Simon Marius. Mais tarde Galileu determinou os períodos orbitais dos quatro satélites, e verificou que estes aumentavam com a distância a Júpiter: eis uma versão mais pequena do Sistema Solar tal como descrito por Copérnico! Além disso, manifestamente nenhum dos quatro orbitava a Terra, em flagrante contradição com o modelo de Ptolomeu.
A Universidade de Pádua era uma praça-forte do aristotelianismo, e refutou a existência dos satélites com um argumento simples: uma vez que Aristóteles nunca os mencionou, não podem existir. Quando Galileu, num debate público, tentou convencer os seus colegas de Pádua pedindo-lhes simplesmente para olharem através do telescópio estes recusaram. Estava também em jogo saber se aquilo que o telescópio mostrava era real ou apenas uma ilusão. A doutrina aristotélica era clara sobre este ponto: o olho humano era a única fonte de visão do mundo material. Óculos e lentes eram obviamente conhecidos (e tolerados como um mal necessário), mas um instrumento que revelava estrelas completamente desconhecidas era ainda mais suspeito: uma vez que as lentes podiam distorcer imagens, não poderiam também criá-las onde não existiam?
Para obter maiores ampliações, os telescópios de Galileu tinham campos de visão extremamente pequenos. Além disso não tinham qualquer suporte. Qualquer pessoa que tenha tido a oportunidade de manusear uma réplica dos seus telescópios facilmente se aperceberá da enorme perícia necessária para os usar. Neste ponto, Galileu era prejudicado pela sua própria habilidade: era frequente tentar mostrar as suas descobertas a outras pessoas (explicando-lhes para onde deviam apontar o telescópio) e estas eram incapazes de ver o que quer que fosse, simplesmente por não conseguir usá-lo da melhor forma.
A partir desta altura Galileu defendeu publicamente o heliocentrismo, e o seu prestígio, associado ao facto de escrever frequentemente em Italiano (muito mais acessível ao público em geral do que o Latim) tornaram-no objecto da ira da igreja católica. Em 1616 Pio V declarou a Terra em repouso e o heliocentrismo herético. No entanto o geocentrismo estava condenado, e em poucas décadas os seus defensores tinham desaparecido das universidades europeias.
A introdução do telescópio criou um problema adicional para a igreja. A forma como Galileu usou a evidência adquirida com o telescópio implica um acesso à verdade independente da revelação, e permite a cada indivíduo interpretar por si próprio o livro da natureza – o que até então estava reservado à igreja. Um dos legados de Galileu foi o tirar a ciência para fora dos claustros universitários, trazendo-a até à linha da frente do debate público: não só defendeu as suas ideias sem subserviência ao status quo, mas publicitou-as e esforçou-se por popularizá-las quando apropriado. Com isto, o debate deixou de ser sobre as observações e centrou-se na sua interpretação.
As duas grandes revoluções científicas da história da humanidade têm origem em cortes radicais com o passado. Os cientistas da Grécia clássica separaram conhecimento e mitologia, enquanto os do século XVII libertaram a ciência do domínio da igreja. A diferença entre as duas é que a primeira uniu ciência e filosofia, enquanto a segunda voltou a separá-las. Galileu e os seus sucessores são investigadores da natureza e não filósofos, e desde então os contactos ocasionais entre ciência e filosofia limitam-se a discussões epistemológicas, sem afectar os métodos da primeira.

(*) Investigador Ciência 2007 do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, Investigador associado do DAMTP, Universidade de Cambridge e Visitante do Instituto Galileu Galilei, Florença. Colabora com este artigo nas actividades do Ano Internacional da Astronomia organizadas nos Açores, coordenadas pelo Professor Miguel Ferreira do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
(in Diário Insular)

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quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Workshop (WS) sobre Astronomia nas Escolas: Descobre o Teu Universo!

Trata-se de um workshop com o objectivo de apoiar docentes dos ensinos básicos e secundário no auxílio a actividades de Astronomia nas Escolas. Esta iniciativa integra-se no projecto chave (cornerstone project) da UAI denominado .Galileo Teacher Training Program.
A participação nestes WS é gratuita podendo a Comissão Nacional apoiar a deslocação e estadia dos professores. Os professores interessados neste apoio deverão enviar enviar o respectivo pedido por mail para aia2009@mat.uc.pt. Este Curso de Formação aguarda certificação pelo Conselho Cientifico Pedagogico da Formação Continua (1 credito). A entidade formadora certificada é a Agência nacional Ciência Viva.

PARA RESIDENTES NOS AÇORES

Para os WS nos Açores, por favor contactar o Professor Doutor João Miguel Ferreia, responsável pelo AIA2009 na Região Autónoma do Açores miguelf@uac.pt.

Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de email será então informado como deve proceder para realizar a sua inscrição.

Região Autónoma dos Açores/ Terceira 28,29 e 30 de Outubro 2009 Módulo I - Miguel Ferreira

Módulo II –Carlos Santos

Módulo III -Rosa Doran

Região Autónoma dos Açores/ S. Miguel - Observatório Astronómico de Santana - Ribeira Grande 2 a 4 de Novembro 2009

Módulo I – Rosa Doran

Módulo II –Carlos Santos

Módulo III -Rosa Doran

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terça-feira, fevereiro 03, 2009

III Encontro “Astronomia e Ciências Espaciais 2009 - Comunicação e Educação

Realizou-se, em Espinho, nos dias 23 e 24 de Janeiro, o III Encontro “Astronomia e Ciências Espaciais 2009 - Comunicação e Educação” no Centro Multimeios de Espinho que reuniu os diferentes agentes associados às actividades que vão realizar-se durante 2009, o programa completo do Ano Internacional de Astronomia (AIA2009). O programa foi apresentado e discutido no Centro Multimeios de Espinho.
Fotografia de João Porto
No primeiro dia da terceira edição do encontro “Astronomia e Ciências Espaciais”, foi dado ênfase ao processo de criação do Ano Internacional de Astronomia em Portugal e aos projectos globais desenvolvidos pela Comissão Nacional do AIA2009. A palavra foi também dada aos Coordenadores de Actividades a fim de esclarecer a assistência sobre a forma como irão decorrer as iniciativas nos vários distritos do país. Nessa sessão participou o Professor Miguel Ferreira do Campus de Angra do Heroísmo e coordenador regional do AIA2009.
O III Encontro “Astronomia e Ciências Espaciais 2009 - Comunicação e Educação” requereu também a participação activa de todos os que estão a planear actividades num âmbito mais particular, na sua localidade, em escolas, universidades, laboratórios ou em outras instituições. No Sábado de manhã, o colóquio prosseguiu com as intervenções dos “participantes anónimos” do AIA2009 espalhados pelo país e dos principais organizadores dos grandes momentos do AIA2009 que partilharam as suas ideias e os seus planos com a "rede AIA2009". O Ano Internacional de Astronomia pretende proporcionar novas colaborações e interacções entre diferentes grupos científicos e estreitar a ligação entre os astrónomos ditos profissionais e os astrónomos amadores. As diferentes iniciativas permitem ainda dar a conhecer a Astronomia feita por Portugueses e envolver crianças e adultos num dos maiores acontecimentos astronómicos mundiais que vai ter repercussões em mais de 135 países.

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