sábado, julho 25, 2009
quarta-feira, julho 15, 2009
Gestão de Recursos Hídricos em Pequenas Bacias Hidrográficas com Intensificação Agrícola
Cada paradigma científico tem o seu próprio sistema de valoração. Os técnicos de recursos hídricos definem zonas de protecção das águas subterrâneas, normalmente associadas a nascentes e furos, assumindo que estas áreas demonstram a relevância para a manutenção da qualidade e da quantidade da água. Os cientistas socio-económicos também valorizam as coisas de acordo com o seu papel para a sociedade, ao longo do espaço e do tempo. Os economistas têm preferência pela análise custo – benefício, onde tudo pode ser traduzido para valor monetário. Logo a questão que se põe por detrás de todas estas filosofias e métodos de avaliação, é como tratar todos estes valores num sistema de apoio à decisão consistente.
Este trabalho pretende apresentar uma metodologia que permite usar diferentes filosofias e metodologias de valoração no mesmo sistema de apoio à decisão, possibilitando uma tomada de decisão mais informada, não descartando logo de início uma ou mais perspectivas. Assume-se uma perspectiva de complementaridade entre os valores económicos, ambientais e culturais, e que estas valorações podem ser afectadas espacialmente, permitindo a determinação de uma Taxa de Câmbio entre as diferentes escalas de valor.
Etiquetas: agricultura, APDR, ciclos naturais, Congresso, Luísa Calado, Tomaz Dentinho, Vasco Silva
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Gestão Integrada da Água- O livro
Os recursos hídricos e as lamas urbanas (resultantes do processo nas estações de tratamento de resíduos instaladas na ilha) são dois elementos que merecem atenção num dos mais recentes livros da Principia, que reúne cinco teses de mestrado em gestão e conservação da natureza, três delas tendo como alvo o arquipélago, nomeadamente a Terceira (duas das teses têm como objecto de estudo a ilha).O primeiro desses textos é da autoria de Maria Conceição Rodrigues, docente convidada no Departamento de ciências agrárias da universidade dos açores, localizado na ilha Terceira.
o seu objectivo foi a “aplicação de uma metodologia de suporte ao ordenamento do sítio de interesse comunitário da zona do complexo central da ilha Terceira”, no caso o maciço Pico Alto/Guilherme Moniz, actualmente na praça pública por causa do plano para a sustentabilidade dos recursos hídricos da ilha, apresentado a meados de Janeiro pelo secretário regional do ambiente, Álamo Meneses.
Outro dos textos com interesse particular para a ilha é o de Maria do Anjo Condesso Ekstrom, que procurou analisar a produção de lamas urbanas na Terceira, avançando com um “contributo para um modelo de valorização de lamas de depuração na ilha Terceira”.
Aqui, a investigadora adianta ser possível o uso das lamas resultantes do tratamento de resíduos urbanos, por exemplo, para a adubação das explorações agrícolas.
O livro – coordenado por Eduardo Dias, Leonor Cancela, Luís Fonseca, Pedro Beja e Tomaz Ponce Dentinho, docentes universitários – comporta ainda as teses de mestrado de Luísa Calado (“aplicação de um modelo de programação linear às lagoas dos Açores – avaliação do impacto da actividade agro-pecuária na qualidade da água e efeito no emprego”), Zita Benguela (“Análise dos sistemas de abastecimento de água de consumo na cidade do Huambo”) e de Paula Mendes (“Metodologia para a implementação de um sistema de indicadores de desempenho em serviços municipais de abastecimento de água – o caso de Loulé”).
Proteger a água
A tese de mestrado de Maria da Conceição Rodrigues, para lá do modelo de análise e gestão que propõe, reforça uma ideia recentemente afirmada: a monitorização e gestão do maciço central Pico Alto/Guilherme Moniz favorecem a recarga dos aquíferos da ilha associados a essa zona, que garante três quartos da água saída das nascentes que abastecem a Terceira. “Algumas das formações vegetais aqui existentes, nomeadamente as do tipo natural arborescente, ao controlarem a intercepção, a evapotranspiração e ao diminuírem a erosão, têm um papel importante na estruturação e estabilização das linhas de água. Também as formações vegetais do tipo turfeira, recobertas de Sphagnum que actua como uma esponja, são de primordial interesse para o controlo dos escoamentos superficiais e retenção de elevados volumes de água”, escreve a autora. Com uma área aproximada de 20 quilómetros quadrados, o maciço Pico Alto/Guilherme Moniz é responsável pelo abastecimento das mais importantes nascentes de água da ilha. Com ele, a autora consegue uma fórmula de garantir a justa compensação monetária aos proprietários dos terrenos localizados nesse maciço. o que, em boa verdade, poderá contribuir para o plano de aquisição de terras que o governo Regional pretende implementar naquela zona com vista à sua reserva para a retenção de água e consequente recarga dos aquíferos da ilha.
Recentemente, o secretário regional do ambiente anunciou que parte dos terrenos da caldeira Guilherme Moniz será reservada para o restauro de zonas de turfeiras (ali existentes há vários anos, mas destruídas por arroteias desenvolvidas para a criação de pastagens agrícolas), importantes para a recarga dos aquíferos da ilha.
“Do caso de estudo apresentado resulta a constatação de que a alteração do coberto vegetal actual, em benefício do avanço da pastagem, altera a quantidade de excedentes de água para a recarga aquífera insular”, conclui a autora.
A transformação dos terrenos actualmente usados para pastagem em zonas cobertas de vegetação e sem uso significaria um aumento de 30 por cento nos recursos hídricos da ilha, assume Maria da Conceição Rodrigues nesta tese.
Lamas viram adubo
Outro dos trabalhos incluído neste livro analisa a possibilidade das lamas resultantes do tratamento de resíduos urbanos serem utilizadas na adubação das explorações agrícolas da ilha.
“A ilha Terceira tem uma grande área disponível para aplicação de lamas, com uma estrutura fundiária favorável. Contudo existe fraco potencial de valorização, uma vez que são praticadas culturas de muito baixo rendimento. No entanto, dado o seu potencial como correctivo orgânico e dado o carácter acidificante dos solos, poderá existir interesse na valorização agrícola das lamas de depuração”, conclui Maria do Anjo Condesso Ekstrom, cuja tese de mestrado em gestão e conservação da natureza é incluída neste volume.
Em 2003, segundo a mesma fonte, foram depositados quase 546 mil quilos de lamas urbanas no aterro. Esse valor aumentou no ano seguinte para mais de um milhão de quilos e, em 2005, bateu novo recorde: um milhão de meio de quilos.
Segundo a autora, actualmente, a produção per capita de lamas de depuração na Terceira é de 0,09 toneladas por dia. Tendo por base esse valor, Maria Ekstrom assume que, em 2020, poderiam ser adubados 320 hectares de terreno (dois por cento da superfície agrícola útil) na Terceira. Tal implicaria o uso de seis toneladas do composto resultante do tratamento das lamas urbanas.
“Nos açores, a agricultura, pela sua dimensão, tem potencial para reciclar este tipo de resíduo, já optando hoje em dia pela reciclagem de estrumes e chorumes provenientes da actividade agro-pecuária, em determinadas unidades. No entanto, a transformação destes resíduos num produto seguro e competitivo no mercado é uma tarefa complexa, sendo necessário assegurar a multidisciplinaridade e a participação dos diversos agentes”, sublinha Maria do Anjo Condesso Ekstrom.
Mesmo assim, a investigadora reconhece que a concretização desta possibilidade é difícil, tendo em conta a realidade agrícola actual.
“O tipo de explorações agrícolas existentes e o respectivo grau de mecanização, o tipo de produção existente e respectivas sazonalidade, associada à restrição em determinadas culturas, a profundidade de injecção e o tipo de equipamento necessário para a sua aplicação poderão ser fortes condicionantes à utilização das lamas urbanas, até porque a maioria das instalações não tem a estrutura adequada nem número de trabalhadores suficientes. Para além destes condicionantes o facto de «outros fertilizantes» não serem sujeitos a restrição dificultará a procura por estes novos fertilizantes”, explica.
No entanto, comprovado cientificamente o potencial da reutilização deste material, abre-se uma nova possibilidade.
Etiquetas: Conceição Rodrigues, Eduardo Dias, Livro, Luísa Calado, Maria do Anjo Esktrom, Paula Mendes, recursos hídricos, Tomaz Dentinho, Zita Benguela
domingo, janeiro 18, 2009
DEFENDE TOMAZ PONCE DENTINHO - "Para gerir a água é preciso olhá-la como um todo"
“Olhá-la como um todo” é o que defende Tomaz Dentinho, director do mestrado em Gestão e Conservação da Natureza, que lançou, anteontem, em livro cinco teses sobre “Gestão Integrada da Água”.
A reconversão de uma pastagem para um solo com cobertura natural trará um aumento de 30 por cento dos recursos hídricos.
Esta é uma das conclusões das cinco teses de mestrado que, foram anteontem apresentadas no pólo de Angra da Universidade dos Açores (UA), Pico da Urze, e que compõem o livro “Gestão Integrada da Água” editado pelo curso de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza, iniciativa conjunta do Departamento de Ciências Agrárias da UA e da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade do Algarve.

Desde o cimo da montanha até às emissões dos sistemas de saneamento, passando pelos aquíferos, captação, tratamento e distribuição e consumo doméstico, a publicação apresenta ordenadamente os estudos sobre os ciclos da água dos cinco mestrandos: Maria da Conceição Rodrigues, Luísa Calado, Zita Benguela, Paula Mendes e Maria do Anjo Ekstrom.
Eduardo Dias, Leonor Cancela, Luís Fonseca, Pedro Beja e Tomaz Ponce Dentinho coordenaram os estudos.
“Recado” à gestão autárquica
Segundo o director do mestrado, Tomaz Dentinho, “é preciso olhar a água como um todo” e não cometer o erro de encarar a sua gestão com uma “lógica de engenharia” somente ao nível da captação e distribuição da mesma.
Para o responsável, o livro representa “um bom recado” para a forma como os gestores públicos, como as autarquias, têm lidado com a gestão da água, relembrando os recentes problemas de falta de água verificado na ilha Terceira e não só.
Segundo o investigador, é preciso criar uma “função mais ecológica” na administração da água.
Como bem escasso, o problema da água resida da sua preservação, defende, de forma eficaz para o bem colectivo.
Tomaz Dentinho relembra, por exemplo, a conclusões da primeira tese do livro: “se mudarmos o uso do solo, e transformarmos uma zona de floresta e mato em pastagem haverá uma redução do caudal de água nessa zona”.
Cinco teses, cinco explicações
No estudo “Recursos hídricos e Património Natural em Territórios Insulares - Aplicação de uma metodologia de suporte ao ordenamento do sítio de interesse comunitário da zona do complexo central na ilha Terceira” os resultados demonstram que no interior da ilha, a passagem de uso do solo de pastagem para produção de leite para coberto natural representa um aumento de recursos hídricos de cerca de 30%.
Ou seja, comprova-se que a alteração, há muito implementada e em curso devido à pressão das explorações agropecuárias, do coberto vegetal actual em benefício do avanço da pastagem altera a quantidade de excedentes de água para a recarga aquífera insular.
A segunda tese, “Aplicação de um Modelo de Programação Linear às Lagoas dos Açores”, avaliou o impacto da actividade agro-pecuária na qualidade da água através da avaliação de 29 bacias hidrográficas de lagoas nas ilhas de São Miguel, Pico, Flores e Corvo e aponta para a aplicação de quota de leite, restrição de encabeçamento e alteração do uso do solo, concluindo que o cenário mais eficiente para a redução da carga de fósforo nas lagoas é a alteração do uso do solo.
Aqui, Tomaz Dentinho destaca a importância de a água deixar de ser pertença do Estado e passar a ser um bem gerido pelos proprietários dos solos, numa lógica de venda de água.
A optimização da recolha, tratamento e distribuição de água através da “Implementação de um sistema de indicadores de desempenho em serviços municipais de abastecimento de água”, com o estudo do caso de Loulé, é o tema da terceira tese que define um conjunto de ferramentas de forma a determinar o custo limite de reparação e manutenção, acima do qual o sistema não é rentável, dados os custos económicos, de saúde pública, ambientais e sociais.
Na quarta tese, foram avaliados os diferentes cenários possíveis para a gestão integrada das lamas resultantes dos processos de tratamento de águas residuais produzidas na ilha Terceira, estimando-se que o seu aproveitamento pode ser usado na valorização agrícola, bem como noutras soluções integradas, como a valorização energética, e na quinta tese conclui-se que existe vontade em pagar por um serviço de abastecimento de água público eficiente, tendo por base a realidade de Huambo.
O grupo de trabalho de Gestão e Conservação da Natureza vai manter a publicação de livros temáticos nos próximos tempos.
Outra das actividades centra-se nos cursos de mestrado em gestão e conservação da natureza e de engenharia do ambiente em Angra do Heroísmo e Ponta Delgada via videoconferência.
Mais ambicioso é a preparação de semelhantes formações no Huambo e na Venezuela.
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sábado, janeiro 17, 2009
Gerir água com eficácia
São cinco teses de mestrado que apontam caminhos para uma boa gestão dos recursos hídricos.
Segundo aos autores, a gestão e tratamento de águas pode ser um negócio atractivo, desde que se respeitem os recursos.
Lançado no Campus do Pico da Urze da Universidade dos Açores, o livro é da autoria de Maria da Conceição Rodrigues, Paula Mendes, Maria Ekstrom, Zita Benguela e Luísa Calado.
Tomás Dentinho, Director do Curso de Gestão e Conservação da Natureza, diz que o mestrado tem sido um sucesso, traduzido na produção de mais de cem teses.
Este curso de mestrado da Universidade dos Açores vai estender-se em breve a Angola.
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Água é um valor
Ou seja, é possível tirar cerca de um terço a mais da rentabilidade dos solos quando os mesmos não se destinam a pastagens para a produção de leite. Por seu turno, Luísa Calado defende na sua tese sobre o impacto da agro-pecuária na qualidade da água das lagoas que é necessário tomar medidas para impedir o uso excessivo de carga de fósforo nos solos. Nesse sentido, a tese aponta para a imposição de restrições ao uso dos solos nas zonas próximas das lagoas. Maria do Anjo Ekstrom aborda na sua tese os benefícios decorrentes de uma boa gestão das lamas residuais produzidas na Terceira. Para além de poderem ser aproveitadas para uso agrícola, as lamas produzidas com o tratamento das águas residuais podem ser valorizadas se foram destinadas para a produção de energia.CURSO EM EXPANSÃO
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domingo, agosto 31, 2008
Tomaz Dentinho no Congresso Europeu de Ciência Regional
O ERSA decorre até ao próximo dia 31 do corrente.Neste trabalho apresenta-se a metodologia utilizada para estimar o custo-benefício das 36 acções do PNAAS, dando ênfase ao custo de cada acção, à análise das reacções dos agentes, ao custos e benefícios dos efeitos das acções na mortalidade e morbilidade e á valoração contingente do plano.No mesmo congresso foram ainda apresentadas ainda outras comunicações, nomeadamente "Suporte para a decisão descentralizada da gestão da água em bacias agrícolas: um caminho para a sustentabilidade" (Decentralised Decision Support System for Water Planning and Management of Agricultural Basins. A Path to Sustainable Development) de de Vasco Silva, Luísa Calado, Fabíola Gil e Tomaz Dentinho do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, "Explaining trade and FDI relationships in a gravity model" de Cristiano Cechella e Joaquim Silva da Universidade Técnica de Lisboa (ISEG) e Tomaz Dentinho do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e "Analysing the Impact of Designed Accessibilities and the Introduction of New Technologies Resorting to a Spatial Interaction Model with Land Use" de Paulo Silveira, Bolseiro de Investigação da DRC e da UAç.Etiquetas: Congresso, Fabíola Gil, Félix Rodrigues, Jácome Armas, Joaquim Silva, Liverpool, Luísa Calado, Paulo Silveira, Rosalina Gabriel, Tomaz Dentinho, Vasco Silva
sábado, agosto 30, 2008
Decentralised Decision Support System for Water Planning and Management of Agricultural Basins. A Path to Sustainable Development
The DDSS is based on an integrated operational model for land and water uses and will be applied to some basins of Terceira Island (Portugal). The existence of such a system can lead either to negotiations between the different interested parties or to the implementation of acceptable and sustainable watershed land and water use plans. The innovative aspect of this Decision Support System is the possibility of direct negotiation with the land users to achieve an acceptable water quality for the end users, promoting the sustainable development of the communities that manage the land use of the different agricultural basins; thus, we entitle this as a Decentralised Decision Support System. Etiquetas: Congresso, Fabíola Gil, Gestão Integrada da água, Luísa Calado, nitratos, Tomaz Dentinho, Vasco Silva
segunda-feira, outubro 08, 2007
Recursos, ordenamento e impactos
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