quarta-feira, julho 22, 2009

Entrevista de Vasco Silva sobre gestão da água em bacias hidrográficas com utilização agrícola

sexta-feira, maio 29, 2009

Furos e nascentes “misturados” para aumentar qualidade

Arranca este Verão, na Praia da Vitória, um processo de “mistura” de águas, que pretende equilibrar os níveis de salinidade, bem como de fluoretos. De acordo com o administrador da empresa municipal Praia Ambiente, Cota Rodrigues, existem furos que apresentam níveis de salinidade elevada, pelo que a “solução, havendo outros tipos de água com pouco sal, é misturá-los, obtendo mais qualidade”. Na prática, a água captada em algumas nascentes da zona da Agualva vai ser transportada e misturada, nos reservatórios, com a água dos furos. Esta solução faz frente também ao problema de elevados níveis de fluoretos que se verificam na água da Agualva. “Conseguimos assim equilibrar os níveis de cloretos e de fluoretos”, conclui Cota Rodrigues. Recorde-se que esta mesma solução já tinha sido apresentada no “9º Encontro de Química dos Alimentos”, que decorreu, este mês, no pólo universitário do Pico da Urze, por Félix Rodrigues, num trabalho conjunto com Cota Rodrigues e Vanda Bettencourt. Foi proposta uma mistura de águas dos furos de captação e nascentes, melhorando a qualidade organoléptica, através da diminuição do teor de cloretos e obtendo-se um nível equilibrado de fluoretos. Concluiu-se também que água proveniente de furos no concelho da Praia da Vitória, que abastecem maioritariamente a zona urbana, pode provocar cáries, enquanto a das nascentes pode criar fluorose dentária (manchas nos dentes). A mistura destes dois tipos de água, um com níveis demasiado elevados de cloretos, e outro com presença excessiva de fluoretos, pode reduzir a incidência das doenças na população.

(in Diário Insular)

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quinta-feira, maio 07, 2009

Água da Praia pode provocar cáries e manchas

A água proveniente de furos no concelho da Praia da Vitória, que abastecem maioritariamente a zona urbana, pode provocar cáries, enquanto a das nascentes da Agualva pode criar fluorose dentária (manchas nos dentes).
A informação está num estudo desenvolvido pelo professor da Universidade dos Açores, Félix Rodrigues, e por Cota Rodrigues e Vanda Bettencourt, da empresa municipal Praia Ambiente, apresentado no “9º Encontro de Química dos Alimentos”, que decorreu, no Pico da Urze em Angra do Heroísmo.

De acordo com Félix Rodrigues, foi feita uma previsão probabilística do risco de contracção de cárie e fluorose dentária no concelho da Praia. “Concluímos que essa probabilidade está ligada ao facto de as águas dos furos terem uma baixa presença de fluoretos, enquanto as das nascentes da zona da Agualva, que abastecem também a Vila Nova, tem um teor alto em fluoretos e baixo em cloretos. A presença de fluoretos demasiado baixa provoca cáries e o elevado teor de fluoretos, fluorose dentária, isto é, manchas nos dentes”, explicou.
Os especialistas propuseram uma mistura de águas dos furos de captação e nascentes, de forma a melhorar a qualidade organoléptica, através da diminuição do teor de cloretos e obtendo-se um nível equilibrado de fluoretos.
Esta “mistura” deverá reduzir a incidência destas doenças na população do Concelho da Praia da Vitória.
(in Diário Insular)

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quinta-feira, janeiro 29, 2009

Restauro das turfeiras no Cabrito é possível

A recuperação da capacidade de retenção de água da Caldeira Guilherme Moniz é possível, mas demorará, no mínimo, uma década. A opinião é dada por Eduardo Dias, professor universitário no Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores e director do Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada (GEVA) da Universidade dos Açores. O especialista, em declarações ao DI, adianta que esse trabalho exigirá o restauro das turfeiras nas zonas baixas da Caldeira e o repovoamento com espécies linhosas das zonas altas, conseguindo com isso o aumento da capacidade de retenção de nevoeiros. “Esse trabalho é possível. Há vários casos nos Açores em que foram recuperadas turfeiras. A lagoa do Negro é um exemplo. Os terrenos a Norte foram abandonados há 20 anos e, hoje, temos lá uma turfeira jovem. No caso da Caldeira Guilherme Moniz, também será possível, embora o sucesso dependa do estado dos terrenos e do grau de destruição do sistema de turfeira”, explica. Daí que o académico assuma que é viável o plano de recuperação da capacidade de retenção de água da Caldeira Guilherme Moniz, anunciado pelo secretário regional do Ambiente como uma das medidas para garantir a recarga dos aquíferos na zona do Cabrito. “É preciso perceber-se que cada uma daquelas áreas representa um caso e que as medidas de restauro das turfeiras terão de ser adequadas ao estado desses terrenos. Nalguns locais será necessário conduzir as águas, para provocar o encharcamento e, eventualmente, alterar a orografia. Noutros locais, onde ainda residam turfeiras, ou pelo menos os princípios que as geram, a intervenção poderá ser mais fácil. Tudo dependerá do que encontrar-se ali. Mas é certo que falamos sempre de um trabalho a médio prazo. Se houver acção do homem no restauro, dentro de uma década poderemos ter o sistema a funcionar. Se não houver intervenção, tudo poderá demorar pelo menos 20 anos”, argumenta. Eduardo Dias alerta ainda para a necessidade de essa intervenção contemplar a possibilidade de expansão de espécies exóticas e invasoras.“Estas são rápidas a ocupar espaço quando os terrenos são abandonados. Daí que seja importante monitorizar essa situação”, explica.
Se tem que ser…
Os proprietários de terrenos agrícolas na Caldeira Guilherme Moniz devem ser “compensados devidamente” caso essas terras venham a ser reservadas para a produção de água, defende o presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT). Paulo Simões, em declarações, ontem, ao DI para comentar o plano de sustentabilidade dos recursos hídricos da Terceira que prevê a diminuição do uso agrícola nos terrenos entre a Serra do Morião e o Pico Alto, adianta que foram realizados investimentos avultados e que quem os fez não pode ficar de mãos a abanar. “Foram criadas ali óptimas pastagens. Houve quem investiu muito para transformar aqueles terrenos em pastagem, portanto, há que ressarcir convenientemente esses agricultores. No entanto, em nosso entender, se se provar que é fundamental para a sustentabilidade do abastecimento de água à ilha que aquela área fique reservada, então deve avançar-se com a delimitação”, sublinha o responsável. “Essa medida não terá um impacto enorme na agricultura da ilha, até porque são poucas as explorações agrícolas ali existentes. Mas, de qualquer modo, terá impacto importante para esses agricultores, que devem ser compensados pelo investimento que fizeram e, com essa medida, deixará de ser rentabilizado”, adianta Paulo Simões.

(In Diário Insular)

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terça-feira, janeiro 27, 2009

Gestão integrada da água

Já se encontra à venda o livro "Gestão Integrada da àgua".

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 496
Editor: Principia
ISBN: 9789898131263

Para mais informações consulte a página aqui linkada.

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Governo encerra estrada na Terceira

O Governo dos Açores encerrou a estrada do Cabrito por falta de segurança.
A estrada passa sobre a abobada da Furna de água que corre o risco de desabar.

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segunda-feira, janeiro 26, 2009

Governo combate falta de água na Terceira

A médio prazo, recuperar as turfeiras que foram transformadas em pastagens.São as medidas do Governo para acabar com a falta de água na ilha Terceira.

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sexta-feira, janeiro 09, 2009

Lançamento de livro sobre Gestão Integrada da àgua

sábado, setembro 06, 2008

Gestão global da água na ilha Terceira

A gestão da água na ilha Terceira é feta por cinco entidades. Mas deveria estar a cargo de uma só, defendem vários académicos e técnicos. As autarquias colocam teticências.
A gestão de recursos hídricos da ilha Terceira deve estar nas mãos de uma só entidade para que se garanta a racionalização da água disponível em toda a ilha. A ideia apresentada por Félix Rodrigues, membro da Assembleia Municipal do CDS-PP e também docente do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, está a ser discutida por alguns académicos e técnicos ligados ao bastecimento de água na Terceira, apurou o Diário Insular.
Os seus defensores usam como exemplo a Madeira e as Canárias, onde a distribuição de água é gerida pela entidade que reune à mesma mesa os vários Concelhos.
Segundo as mesmas fontes, não faz sentido, actualmente, que a água na ilha Terceira seja gerida por cinco entidades diferentes: Serviços Municipalizados de Angra do Heroísmo, Praia Ambiente, Insituto Regional de Ordenamento Agrário, Força Aérea Portuguesa e Força Aérea Norte-Americana.

As mesmas fontes explicam que essa situação entrava determinadas opções e dispersa os recursos hídricos disponíveis.
Uma só entidade a gerir toda a captação de água, poderia racionalizar o consumo e, com isso, evitar que uma zona da ilha sofra mais cortes de água do que outra, alegam.
Questionado pelo DI sobre essa possibilidade, o Professor Eduardo Brito de Azevedo, coordenador do Centro de Estudos do Clima e Mudanças Globais da Universidade dos Açores, admite que essa opção faz todo o sentido.
"Teoricamente, estou de acordo com uma gestão integrada. Faz todo o sentido. Aliás, em cada ilha deveria acontecer isso", comenta.
Também Cota Rodrigues, da administração da Praia Ambiente, reconhece a validade da proposta.
"Uma gestão integrada e única das águas da ilha teria, naturalmente, algumas vantagens. Permitiria racionalizar a exploração dos recursos e racionalizar os recursos humanos. Contudo, na fase actual, os sistemas estão montados de forma individual e existe entre as diversas entidades colaboração, que deve ser aprofundada. Depois disso, a "gestão integrada" surgirá.
Por seu turno, Sofia Couto, dos Serviços Municipalizados de Angra do Heroísmo, argumenta que essa opção, actualmente, não comporta qualquer vantagem.
"Não digo que no futuro não seja uma opção a concretizar. Mas essa questão não está a ser ponderada agora, por não se estar a sentir essa necessidade, nem se está a equacionar essa situação no futuro. Se outros cenários se puserem....mas aí, estarei a adivinhar o futuro" alega Sofia Couto.

(In Diário Insular)

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sábado, agosto 30, 2008

Decentralised Decision Support System for Water Planning and Management of Agricultural Basins. A Path to Sustainable Development

Foi apresentado no 48th Congress of the European Regional Science Association, ERSA 2008, em Liverpool, o trabalho de Vasco Silva, Luísa Calado, Fabíola Gil e Tomaz Dentinho do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores com o título: "Decentralised Decision Support System for Water Planning and Management of Agricultural Basins. A Path to Sustainable Development".
Environmental concerns over a series of issues such as biodiversity, water quality, and resource exhaustion, have lead to a change of politics with the objective of mitigating these problems, but these politics have in turn resulted in series of secondary problems of economic nature for the populations of the affected areas. Considering that sustainable development implies the continuous existence of environmental resources, but also the economic development of the affected populations, we propose in this work a Decentralised Decision Support System (DDSS) for water planning and management of agricultural basins, mainly dairy farming. This DDSS allows to analyse and draw conclusions on the impacts of land-management policies on water quality, measured in the form of NO3, simultaneously providing the estimation of the opportunity cost of water for different quantities and levels of quality on the different watersheds. The DDSS is based on an integrated operational model for land and water uses and will be applied to some basins of Terceira Island (Portugal). The existence of such a system can lead either to negotiations between the different interested parties or to the implementation of acceptable and sustainable watershed land and water use plans. The innovative aspect of this Decision Support System is the possibility of direct negotiation with the land users to achieve an acceptable water quality for the end users, promoting the sustainable development of the communities that manage the land use of the different agricultural basins; thus, we entitle this as a Decentralised Decision Support System.

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quinta-feira, maio 29, 2008

Gestão Integrada da Água (Integrated Water Management)

Decorrerá hoje, quinta-feira, dia 29 de Maio, pelas 21h30 no auditório do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores (Pico da Urze), uma palestra proferida pela Doutora Heather M Mackay, sobre Gestão Integrada da Água. A Doutora Heather M Mackay, é uma especialista em questões relacionadas com a Gestão dos Recursos Hídricos, sendo actualmente cientista convidada na Universidade da British Columbia, Canada, e a coordenadora do Painel Cientifico e Técnico da Convenção Ramsar sobre Zonas Húmidas. Nesta altura em que uma série de questões relacionadas com a Água na ilha Terceira estão em foque, não deixe de comparecer a esta palestra por parte de uma especialista de nível mundial.

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domingo, janeiro 27, 2008

Ideias sobre a água e a água no Mundo

Como vos tenho dito estou em Marrakech num encontro patrocinado pela NATO sobre Gestão Integrada da Água. Tem havido comunicações excelentes e sobretudo testemunhos e ideias estupendas para tratar um dos problemas mais velhos que o homem enfrenta: a gestão da água. De França reportam o número de planos de bacias hidrográficas que estão em fase de implementação e a forma como o fazem, solicitando apoio financeiro para os projectos e acções que estão previstos ou enquadrados por esses planos; um país com dinheiro é assim que pode fazer. De Inglaterra dizem-nos que não estão previstos apoios externos para pagar aos lavradores para deixarem de poluir pois existe o princípio do poluidor-pagador e qualquer pagamento seria injusto. Em Portugal avançamos alegremente com grandes barragens que tapam os problemas e as potencialidades, centralizam a gestão e permitem a negociação com Espanha. Em Espanha a água corre dentro de tubos e reservatórios e é assim que os nossos irmãos estão representados apenas por engenheiros hidráulicos. Os Alemães tapam os problemas com planos magníficos, bem interligados e com mapas animados que, para os decisores, substituem a realidade. Depois existem cheias e outras desgraças mas a solução é incorporar esses factores nos modelos anteriores para que tudo fique mesmo organizado, até as cheias. Os Italianos chegam atrasados e estão interessados com tudo o que diga respeito a processos de decisão; a informação é a que existe mas é na decisão que as coisas ganham importância. Os polacos são muito bons e vêm com toda a infantaria: um foi consultor no World Bank, outro será consultor do World Bank, e um terceiro tem vários artigos publicados na prestigiada revista Science. O Gregos fazem filosofia mas dizem a verdade. Os Turcos são assediados por ingleses na possibilidade de resolver um qualquer problema que precise ser abordado em inglês. E os WASPs - sejam eles da África do Sul, da Flórida ou do Canada – supervisionam tudo na sua postura british que subentende valores e soluções. Quem comanda tudo isto são os Flamengos da Flandres e da Holanda, pois é perto deles que se encontram as sedes da NATO e da União Europeia. Há ainda búlgaros simpáticos; romenos aculturados; lituanos tímidos; egípcios, azeris e jordanos calados; e marroquinos hospitaleiros. Sintomaticamente as ideias e os ideais são diferentes conforme a situação de cada país ou região. Os Jordanos não têm problemas de se ligarem aos israelitas e palestinianos para fazerem um tubo com água do Mar Vermelho para o Mar Morto, oferecendo água dessalinizada a Jerusalém e a Amman, e permitindo a recuperação do Mar Morto que, devido à retirada de 80% da água do Jordão, reduziu a superfície em 33% e corre o risco de desaparecer dentro de 50 anos. Os Sul-africanos, que durante décadas estimularam a emigração dos africanos para trabalhar em Joanesburgo impedindo-lhes também o acesso à água atribuída aos agricultores brancos, estabeleceram, há pouco tempo, o princípio de um mínimo de água para todos orientando os recursos aquíferos para as grandes cidades centrais e deixando um pouco para o ambiente. Os problemas ficaram com aqueles que nas zonas rurais continuam a não ter acesso à água porque há direitos e eficiências adquiridas pelos agricultores brancos. Um novo Zimbabué não é improvável. Os americanos estão um pouco à beira do colapso ambiental em várias zonas daquele extenso país. O Rio Apalachecoma nasce nos Apalaches passa por Atlanta, Albany e Columbus e desagua no Golfo do México na Florida. Existem direitos riparianos e cada Estado pode utilizar a água sem prejudicar os que estão a jusante. No entanto os benefícios e prejuízos evoluem no tempo e criam efeitos cumulativos. O resultado é que Atlanta está em sério risco de ficar sem água.
(Prof. Tomaz Dentinho In A União)

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sexta-feira, janeiro 25, 2008

Gestão Integrada da Água

Gestão Integrada da Água: uma condição para a segurança do homem. É este o tema da reunião onde estive que decorreu em Marrocos. A última de uma série delas que ocorreram ao longo dos últimos quatro anos de seis em seis meses: Antuérpia na Bélgica, Varska na Letónia, Génova na Itália, Antalya na Turquia, Arrábida perto de Lisboa, Goniaz na Polónia e, agora, Marrakech. Desta vez com um grupo importante de convidados que constam entre os melhores cientistas do mundo em gestão integrada da água. São trinta e sete pessoas de vinte e quatro países: Egipto, Azerbeijão, Jordânia, Geórgia, Marrocos, Letónia, Turquia, Bulgária, Polónia, Bélgica, Holanda, França, Espanha, Portugal, Grécia, Alemanha, ... São nomes destes sítios mas são sobretudo nome de pessoas que vamos conhecendo há alguns anos. Nomes que também estão ligados a disciplinas como hidrologia, ecologia, engenharia, geografia e economia. A questão colocada por Patrick Meire, coordenador do projecto, é de relacionar a ciência com a gestão, a gestão com a política, a política com a sociedade e cada uma destas funções com todas as outras. Ao fim e ao cabo trata-se de relacionar a ciência com a sociedade sabendo que, para o fazer, é necessário passar pelos gestores do território e pelos políticos. Há locais privilegiados onde esta interacção é mais visível: nos indicadores ambientais, económicos e de saúde pública que vão sendo revelados através da comunicação social; pelas funções que relacionam essas variáveis entre si e que vão sendo percebidas pelo público e pelos técnicos; pela participação pública muitas vezes protagonizada pelas organizações não governamentais; e pelos problemas transfronteiriços que anunciam conflitos e prenunciam acordos e compensações. E depois há casos extremos que os jornalistas gostam de anunciar com imagens na comunicação social: o desaparecimento de glaciares dos Alpes, o bilião de pessoas que tem falta de água potável, os dois biliões de pessoas que têm falta de saneamento, o maior rio da China completamente seco devido às intervenções humanas, e por aí fora. O que está em causa agora é escrever um segundo livro sobre aquilo que fomos adquirindo ao longo destes anos. No primeiro contribuímos com um trabalho sobre as Sete Cidades na ilha de São Miguel e outros sobre a ilha Terceira no Arquipélago dos Açores. No que há-de vir pretendem de nós que consigamos escrever um capítulo sobre economia da água dando vários exemplos dos estudos de caso que fomos ouvindo. Os problemas fronteiriço do lago Peipsi, entre a Estónia e a Rússia; o Rio Guadiana, o Rio Danúbio, o Rio Esquelda e por aí fora. Pelo meio talvez consigamos introduzir a problemática das lagoas da ilha do Pico que são como modelos pedagógicos de gestões alternativas de bacias hidrográficas. O que me dá especial gozo é a possibilidade de relacionar a pequena – grande dimensão dos nossos cérebros com a enorme variabilidade dimensional entre a Lagoa do Caiado no Pico e a Terra como um todo. A verdade é que as concepções científicas são adaptáveis a uma escala e à outra. Também é verdade que as preocupações políticas de cada um de nós tanto se associam à escala pequena como à escala planetária. O que dificilmente se aplica a ambas as escalas são as decisões não só pela incapacidade de implementar acções mas também pela incerteza dos impactos e dos efeitos. Sobretudo pela culpa colectiva face aos enormes erros feitos no passado mais ou menos recentes. Os polders da Holanda e da Roménia estão a ser de novo inundados porque é necessário difundir a energia das inundações e recuperar outros bens e serviços providos pelo ambiente. As barragens nos Estados Unidos estão a ser colocadas em causa e até dinamitadas pois há mais vantagens na sua destruição do que na sua manutenção. Como nos diz Les Lavkulich do Canadá há espaços e tempos da Terra onde os problemas ligados à água são ou serão tão graves que a questão está entre inovar ou desesperar.

(Prof. Tomaz Dentinho In A União)

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