domingo, setembro 27, 2009

Ecologia das Turfeiras de Sphagnum dos Açores

Sendo pouco menos do que desconhecidas para o Mundo, e mesmo dentro do nosso País, as turfeiras dos Açores são formações de uma elevada importância ecológica e ambiental, afectando significativamente os recursos hídricos das ilhas onde ocorrem.
Turfeiras são genericamente ecossistemas em que o nível da água se encontra à superfície ou perto desta e em que o encharcamento é suficientemente prolongado para promover processos típicos de solos mal drenados como o desenvolvimento de vegetação hidrófitica (adaptada a condições de encharcamento) e a promoção da formação de turfa, que é um tipo de substrato pedológico que se desenvolve em condições de encharcamento e anóxia (ausência de oxigénio).
As turfeiras dos Açores são formações ainda bastante desconhecidas para o mundo e mesmo dentro do país, para onde a referência à existência destes ecossistemas, se restringe a pequenos mosaicos em áreas montanhosas de Portugal continental. O desenvolvimento de estudos e a sua publicação são factores primordiais para conhecer a riqueza biológica dos Açores, nomeadamente em termos de zonas húmidas e espécies associadas pelo que uma série de estudos de pormenor estão a decorrer sob a responsabilidade do GEVA, na Universidade dos Açores. De facto os Açores são uma área primordial no país, não só em termos de extensão de zonas húmidas mas também em diversidade tipológica e grau de conservação das mesmas. Pode-se mesmo dizer que as zonas altas da maioria das ilhas do arquipélago são ocupadas por vegetação húmida, predominantemente turfeiras (Foto 1), devido à entrada de grandes volumes de água (precipitação e intercepção dos nevoeiros) e à presença de plácico (Foto 2) (cujas características promovem a impermeabilização do substrato).


Foto 1. Paisagem típica das zonas altas das ilhas dos Açores. No caso, uma turfeira de Sphagnum. Ilha Terceira. Base de dados fotográfico do GEVA.
Foto 2. Horizonte ferro-magnesiano plácico, promotor de impermeabilização dos solos e um dos grandes responsáveis pela grande extensão de zonas húmidas em altitude. Ilha Terceira. Base de dados fotográfico do GEVA.
As plantas típicas de zonas turfosas, tais como as espécies do género Sphagnum (Foto 3) tiveram a sua origem nas regiões Atlânticas do Norte da Europa, chegando aos Açores no período pós glaciações por intermédio de aves (epizoocoria).
Foto 3. Comunidade de Sphagnum, género de briófitos dominante nas turfeiras dos Açores. Ilha de S. Miguel. Base de dados fotográfico do GEVA.
De acordo com uma série de condições ambientais, tais como níveis de precipitação, topografia do terreno, grau de naturalidade, desenvolvem-se tipologias distintas de turfeiras. Este trabalho pretende caracterizar em termos de ecologia uma tipologia que são as turfeiras dominadas por Sphagnum, que ocorrem normalmente nas situações de bacias endorreicas (Foto 4).

Foto 4. Turfeira em vale endorreico. Uma das situações mais típicas onde se desenvolvem turfeiras de Sphagnum. Ilha Terceira. Base de dados fotográfico do GEVA.

Foto 5. Espécime do género Sphagnum (no caso S. cappilifolium). Base de dados fotográfico do GEVA.

Os briófitos mencionados são inconfundíveis, basta ter visto uma espécie ou examinado ao microscópio algum filídeo (tipo folha) para se poder dizer se é ou não um Sphagnum. Distingue-se dos outros musgos pelo agrupamento dos seus ramos em fascículos (Foto 5).



Uma compreensão básica da ecologia das plantas do género Sphagnum spp. será útil para compreender o funcionamento, bem como a dinâmica e ecologia de uma turfeira dominada por estes briófitos. Estas formações em termos ecológicos, caracterizam-se por reter grandes quantidades de águas sendo estas bastante ácidas e pobres em nutrientes disponíveis.

A grande capacidade de absorção e retenção de água (Foto 6) e a sua cedência gradual após grandes chuvadas é de grande importância para uma série de factores a nível da paisagem tais como na minimização da erosão e no controle dos caudais das ribeiras. Contribui também para a recarga dos aquíferos locais. Esta capacidade deve-se à estrutura morfológica dos Sphagnum que podem suportar até 20 vezes o seu peso seco em água. Em secção transversal, um corte duma folha de Sphagnum indica dois tipos de células (Foto 7), pequenas células clorofilinas (fotossintéticas, importantes para a fotossíntese e respiração) e células hialinas (largas e incolores) com poros nas paredes, através dos quais a água se move. Esta característica de absorção e retenção é importante para a planta e para o crescimento da turfeira uma vez que estes musgos não possuem raízes para absorver solutos do solo, ou tecidos condutores internos para o transporte de água (Daniels e Eddy, 1985). Esta capacidade de retenção de água, por parte do Sphagnum vivo que cresce na superfície da turfeira, acrescentando ao movimento da água por capilaridade dentro da turfa, assegura que a toalha de água seja mantida um pouco abaixo da superfície ou à superfície da turfeira durante todo a ano. As turfeiras constituem assim verdadeiros reservatórios de água (Foto 8), se tivermos em conta que os recursos em ilhas são bastante limitados a salvaguarda destas formações contribuem sobremaneira para a perpetuação dos recursos hídricos locais. Realça-se que em 7 das nove ilhas dos Açores as turfeiras são as formações predominantes nas zonas altas das ilhas. As excepções são as ilhas de Sta Maria e Graciosa, cujos níveis de precipitação e nevoeiros (altitude inferior às restantes) não propícia as condições ambientais base para a formação de grandes extensões de zonas húmidas.

Além da sua capacidade de absorver e reter água as turfeiras apresentam águas bastante ácidas. Na maioria dos ecossistemas, o pH encontra-se próximo da neutralidade, no entanto em zonas húmidas dominadas por estes briófitos, o pH do meio é bastante ácido, por vezes atinge valores abaixo dos 3. Estudos efectuados neste tipo de turfeiras nos Açores permitiram verificar que no Verão o pH médio para este tipo de turfeiras ronda os 3,5 e no Inverno os 5,5 no Verão (Mendes & Dias, 2002). Estas diferenças ocorrem porque a quantidade de água do meio altera a concentração de hidrogeniões e as próprias espécies dominantes em cada estação apresentam variadas capacidades de troca catiónica. Esta capacidade deve-se à troca de iões hidrogénio (H+) por outros iões tais como potássio, sódio, cálcio e magnésio (k+, Na+, Ca2+ e Mg2+ respectivamente) (McQueen, 1990). O Sphagnum é capaz de se desenvolver particularmente bem em situações ombrotróficas (águas provenientes da chuva e pobres em nutrientes) como resultado da sua relativamente alta capacidade de troca catiónica (Rieley e Page, 1990). Esta capacidade do Sphagnum para acidificar o meio tem uma série de vantagens, em primeiro lugar as plantas usam esta troca como meio de obter nutrientes para o seu crescimento, e que são em muito pequena quantidade no seu meio (McQueen, 1990). Em segundo lugar, criando um habitat ácido, o Sphagnum “cria” um ambiente ideal para si próprio onde a competição com outras plantas é muito pequena, pois a maioria das plantas vasculares não tolera níveis baixos de nutrientes ou ambientes ácidos e húmidos.
Esta acidificação do meio que aparentemente parece favorecer apenas o Sphagnum, presta, um serviço de extrema importância às populações das ilhas, as turfeiras transformam-se em verdadeiros filtros de purificação de água uma vez que a retenção, na sua estrutura, de iões (por troca por hidrogeniões) tem como efeito secundário a limpeza da água.
Esperamos que os aspectos aqui focados acerca das turfeiras de Sphagnum contribuam não só para o conhecimento da sua ecologia mas que sejam um abrir de uma porta para a compreensão da sua importância para que sejam cada vez mais os esforços de conservação.

(In Naturlink)

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domingo, maio 17, 2009

Turismo vai sofrer quebra e desemprego vai subir

É de esperar, a curto prazo, uma quebra nos números do turismo nos Açores, bem como uma “ligeira subida” na taxa de desemprego, avisou, ontem o secretário regional da Economia, Vasco Cordeiro, que defendeu ser necessária uma visão “realista” da conjuntura que se vive actualmente. Segundo Vasco Cordeiro, a crise que se vive nos mercados emissores de turistas vai, inevitavelmente, fazer-se sentir no arquipélago. Questionado sobre se já tinha em sua posse dados estatísticos que apontassem no sentido de uma quebra no sector do turismo e do aumento do desemprego, o responsável pela pasta da Economia na Região afirmou que não, mas que a “leitura que o Governo Regional tem vindo a fazer de vários indicadores” aponta nesse sentido.Vasco Cordeiro falava durante uma visita às obras de requalificação e ampliação da Avenida Marginal e do Parque Ambiental do Paúl, na Praia da Vitória. Em declarações prestadas aos jornalistas, o secretário regional classificou a obra que ainda decorre na Praia da Vitória como um exemplo da estratégia que o Governo Regional pretende para o sector turístico. Na opinião do governante, trata-se de uma obra que aumenta o potencial turístico da Praia da Vitória, virando toda a cidade para o mar.
Pronto em 2011

Já o presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Roberto Monteiro, avançou que toda a obra, que mudará a face da cidade, deverá estar concluída no final de Julho, sendo inaugurada no dia 11 de Agosto. Já os espaços de restauração e bares junto às praias começarão a abrir logo após as festas Sanjoaninas. De acordo com Roberto Monteiro as obras da Avenida Marginal permitem também reabilitar duas praias praticamente perdidas depois do sismo de 1980, a dos Sargentos e a dos Oficiais, sendo que será colocada areia nos locais.
Crescer no litoral

Segundo Roberto Monteiro, para além do parque ambiental do Paúl, que tornará a cidade “única”, as obras que decorrem actualmente permitem à cidade “crescer para o litoral e fazer a ligação com a via Vitorino Nemésio”. O presidente do município avançou que foram criados dois bares ao longo da marginal para conferir esse “sentido de continuidade” à zona, dinamizando o local e atraindo pessoas.Na opinião de Roberto Monteiro a obra dará também um novo fôlego à cidade em termos turísticos.A cerimónia oficial de inauguração da Avenida Marginal deverá contar com um “espectáculo preparado para ocorrer no lado do mar, permitindo que o público faça da avenida marginal a sua bancada de assistência”, disse já a DI o presidente da autarquia. Recorde-se que em causa está uma obra orçada em perto de 13 milhões de euros. Dois milhões foram atribuídos pelo Instituto Português de Turismo de Portugal e a restante verba é suportada pelo Governo Regional e pela Câmara Municipal da Praia. A marginal promete espaços de lazer e de animação nocturna.
Afirma o presidente da câmara municipal
Parque ambiental do Paúl torna cidade da Praia “única”
“A cidade da Praia da Vitória é a única com um parque ambiental desta natureza incorporado no tecido citadino. O projecto do Paúl torna a Praia única”. As palavras são do presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Roberto Monteiro, que falava, ontem, depois da visita que realizou, com a presença do secretário regional da Economia, às obras de requalificação e ampliação da avenida marginal e do parque ambiental do Paúl. Para além de servir para a observação de aves migratórias o parque ambiental vai contar com um Centro Interpretativo, pretendendo também ser um espaço de lazer integrado na cidade, com um circuito de passeio. A respeito das obras no Paul, Maduro Dias, que fez parte da comissão técnica do projecto, frisou ontem a DI que o mais importante, depois de a obra estar concluída, é a “manutenção e monitorização”.“A obra está bonita e parece-me que bem enquadrada no espaço. O futuro é risonho. Mas esta não é uma obra qualquer. Não é como uma casa que se entrega com chave na mão e sem mais preocupações. Estamos a falar de um parque ambiental, que terá de ser alvo de manutenção e de monitorização continuadas”, afirmou.“Há uma relação com o território que tem de ser cuidada”, reforçou. Na opinião de Maduro Dias, tem de haver um grupo ou organismo que realize esa manutenção e monitorização.
Monitorização

Já Roberto Monteiro avançou ontem que a Câmara Municipal da Praia da Vitória pretende criar no seu quadro uma equipe técnica para assegurar a manutenção do espaço.A comissão técnica que acompanhou o início e o desenrolar do projecto do parque ambiental também é para manter. “Esta é uma comissão que tem dado um grande contributo para este processo e que é para continuar mesmo depois de a obra em si estar terminada”, assegurou.A respeito da visita do secretário regional da Economia ao local, Francisco Maduro Dias adiantou que gostava também que o local fosse visitado pelo secretário regional do Ambiente e do Mar. “Esta não é apenas uma obra ou um investimento por si só, mas algo enquadrado num espaço onde a questão ambiental está em primeiro plano”, concluiu. “O Paúl da Praia da Vitória é uma zona húmida que se localiza muito próximo do centro urbano da cidade, característica que o torna muito raro na região da Macaronésia”, pode-se ler no site da própria câmara municipal. “Neste projecto pretende-se, numa perspectiva moderna de ordenamento do território e das cidades potenciar a existência de um espaço natural, não artificial no sentido que não se pretende criar algo de novo mas antes restaurar um ecossistema já existente, dentro da cidade”, indica o município, no mesmo texto na página de Internet.
(In Diário Insular)

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domingo, fevereiro 08, 2009

Zonas húmidas distinguem os Açores

O director regional do Ambiente adiantou que é tempo dos planos existentes para a gestão das zonas húmidas serem concretizados. Os documentos que existem, de facto, garantem a protecção destas zonas? Existe um conjunto alargado de instrumentos de gestão de zonas húmidas, quer derivado a compromissos internacionais – Convenção de Ramsaar, Directiva Habitats, etc. – quer a nacionais e regionais, a que haverá que adicionar os Parques naturais de ilha, em implementação. Algumas zonas têm mesmo planos especiais e específicos, como grandes lagoas, ou o plano de gestão da Rede Natura, que tive a honra de coordenar. A implementação desses planos será, sem dúvida, um grande desafio e um enorme passo em frente para a Região, considerando os valores ambientais e os recursos naturais envolvidos. Se os documentos que existem são suficientes ou não, só a sua implementação o dirá. Como em muitas outras áreas, haverá conflitos a resolver, sobreposição de competências e sensibilidades a conquistar. Certamente que um trabalho de gestão adaptativa terá de ser feito, mas ficaremos muito melhor com a sua implementação e novos desafios irão aparecer durante a sua aplicação, no sentido de encontrar o equilíbrio entre os diferentes valores em jogo.
Para os Açores, o que significam as zonas húmidas que o arquipélago comporta?
Os Açores - como dava o mote na recente palestra que proferi nas comemorações do Dia Mundial das Zonas Húmidas, na Câmara da Praia - ficam entre o mar e as nuvens e são muito destes dois mundos de zonas húmidas (porque as zonas costeiras também são consideradas zonas húmidas). Por isso, grande parte dos ambientes são zonas húmidas, com as quais teremos de aprender a lidar e a cuidar. Grande parte dos nossos valores naturais e recursos vem delas e alguns dos cuidados e catástrofes também. Não é por acaso que a maioria dos ícones da paisagem dos Açores incluem estas zonas (lagoas, costas…), mas também alguns dos nossos problemas, como cheias e derrocadas.
E que valor económico e turístico têm, ou podem ter?
Bem, como dizia, grande parte dos nossos ícones turísticos vem de zonas húmidas – Lagoa das Sete Cidades, lagoas das Flores, Caldeirão do Corvo, etc. – e o nosso futuro de ecoturismo passa certamente por elas, desde o mergulho à observação de aves. A sua extensão, nas ilhas, é tão grande que se as excluirmos ficamos com quase nada. Elas envolvem-nos e sustentam-nos, tornam os Açores no que eles são de distintos. Quanto ao valor económico noutras áreas, as recentes discussões sobre o valor das turfeiras na regulação da água é bem exemplificativo. Mas podíamos juntar o controle da erosão, o suporte para a biodiversidade, etc.
Acha que a população açoriana está desperta, ou reconhece, a importância dessas zonas? Porquê?
Creio que existe um longo percurso para entendermos a natureza dos Açores, as suas particularidades e valores, para aprendermos a viver com ela num equilíbrio sustentado e percebermos que existem forças que modelam estas ilhas e geram recursos que nos são caros. Compreender o valor que tem para nós e ajustar os nossos padrões de vida e de desenvolvimento às condicionantes do meio são atitudes inteligentes e revelam identidade cultural.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Zonas Húmidas

O director regional do Ambiente afirma que é tempo dos planos governamentais para a gestão e sustentabilidade dos recursos hídricos e ambientais dos Açores serem aplicados ao terreno.Em declarações aos jornalistas, após a sua intervenção no seminário sobre o Dia Mundial das Zonas Húmidas, que decorreu, ontem de manhã, na Praia da Vitória, explicou que essa concretização deve incidir, desde já, no abastecimento de água.“Uma das mensagens que aqui deixei hoje é que temos de passar de uma fase de planeamento estrito para uma fase de investimento no território, particularmente no que diz respeito ao abastecimento de água, mas também em relação às outras extraordinárias particularidades que os nossos recursos hídricos encerram nos Açores”, explica o responsável.Para Frederico Cardigos, a Região encerra um conjunto de recursos ambientais de enorme importância, particularmente as zonas húmidas.Falando aos participantes no seminário promovido pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, o director regional do Ambiente deixou claro que as zonas húmidas insulares apresentam inúmeras potencialidades, nomeadamente ao nível económico e turístico.Segundo Frederico Cardigos, o conhecimento existente sobre estas zonas garantiu um conjunto de planos e legislação que permite a sua protecção e salvaguarda.Depois dele, intervieram no seminário Eduardo Dias, director do Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada da Universidade dos Açores, João Porteiro, docente da universidade açoriana, Francisco Maduro Dias, presidente do Instituto Histórico da Ilha Teceira, e Paulo Messias, vice-presidente da Câmara da Praia.As zonas húmidas são consideradas pela comunidade científica as áreas mais produtivas do planeta.No arquipélago, mais de 12 mil hectares têm estas características, sendo reconhecida a necessidade da sua protecção com vista à sustentabilidade do abastecimento de água.
(In Diário Insular)

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segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Dia Mundial das Zonas Húmidas

Cândida Mendes, Eduardo Dias e Cecília Melo

Este dia comemora-se internacionalmente desde 1997, 16 anos depois de ter sido assinada a convenção de RAMSAR que tem como grande objectivo a conservação de zonas húmidas. Em Portugal desde 1998, as iniciativas para assinalar este dia passam pela organização de campanhas de sensibilização e divulgação sobre a importância destes ecossistemas incidindo em temáticas diversificadas como avifauna, flora e recursos hídricos. Numa fase em que tanto se fala e escreve sobre a falta de água e as inúmeras causas para a mesma, e aproveitando este dia internacional, pretende-se contribuir para o re(conhecimento) destes ecossistemas nas nossas ilhas descrevendo genericamente a sua importância. O que são zonas húmidas?
Existem de facto muitas definições para o termo «Zonas Húmidas», algumas baseadas em critérios principalmente ecológicos e outras orientadas para questões associadas à sua gestão. A Convenção RAMSAR adoptou uma definição extremamente ampla: «áreas de sapal, paúl, turfeira ou água, sejam naturais ou artificiais, permanentes ou temporários, com água que está estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo águas marinhas cuja profundidade na maré baixa não exceda os seis metros», à qual se acrescenta, com a última revisão, que as zonas húmidas «podem incluir zonas ribeirinhas ou costeiras a elas adjacentes, assim como ilhéus ou massas de água marinha com uma profundidade superior a seis metros em maré baixa, integradas dentro dos limites da zona húmida». Esta definição inclui, assim, todos os ambientes aquáticos do interior e a zona costeira marinha.
Porque há tantas zonas húmidas nos Açores?A primeira razão pela qual existe grande quantidade de zonas húmidas nos Açores começa pelo facto de serem ilhas, ou seja rodeadas por mar, em que as zonas de transição entre o mar e a terra, correspondem a ecossistemas de natureza húmida (neste caso costeiras), correspondendo a uma imensa área, considerando as 9 ilhas e os seus ilhéus. Além das zonas húmidas associadas ao mar, existe grande quantidade de outras, designadas de terrestres. De facto, as zonas altas da grande maioria das ilhas apresentam elevados níveis de precipitação (directa e oculta - esta última é a correspondente à que as plantas retém por intercepção dos nevoeiros, os dois tipos de precipitação podem atingir valores de 13.000 mm em zonas como a Serra de Sta. Barbara). Associado à entrada de grandes volumes de água surge a formação de um horizonte (camada de solo) de ferro e magnésio (formação típica em solos de ilhas vulcânicas com elevados níveis de precipitação) que dificulta a drenagem das águas dando origem a uma quantidade considerável de água à superfície, condição base para o desenvolvimento de formações “encharcadas”.
Que tipos de zonas húmidas naturais existem nos Açores?
As ilhas açorianas, frequentemente descritas como ilhas míticas de verde exuberante, se observadas com detalhe por entre as árvores do meio natural ou mesmo por entre meios humanizados, assumem um tom azul inesperado fruto da água que (ainda) existe à superfície do nosso solo “negro”. Em termos de formações de zonas húmidas que esta água faz desenvolver, estas são tão ou mais diversas como são as 9 ilhas. A principal distinção pode ser feita entre zonas húmidas costeiras (com influência marinha) e zonas húmidas terrestres (sem influência marinha directa). Exemplos da tipologia costeira são baías e a costa dos ilhéus. Em relação às terrestres três grandes grupos: (1) os chamados corpos de águas livres, desde grandes lagoas como por exemplo a das Sete Cidades a pequenos charcos que ninguém viu ou conhece; (2) zonas apauladas desde turfeiras de musgão (Sphagnum) a florestas húmidas; (3) o terceiro grande grupo é chamado o de águas correntes, onde as nossas ribeiras estão incluídas.
Genericamente tratam-se de um mundo bastante diverso e amplamente distribuído nas nossas ilhas. Os ecossistemas de zonas húmidas foram durante séculos, e segundo a crença popular, zonas que deviam ser drenadas por serem considerados sem valor, sendo apenas fonte de maus cheiros, mosquitos e doenças. Um maior interesse e conhecimento científico das zonas húmidas tem vindo a identificar valores e funções para a biodiversidade e qualidade de vida das populações aumentando o interesse dos cidadãos por estes habitats.
Importância das zonas húmidas naturais nos Açores:
Em primeiro lugar queremos salientar a importância destas formações em termos de salvaguarda de recursos hídricos. Estas funcionam como reservatórios naturais constituindo “tanques de armazenamento” das águas das chuvas, libertando de modo gradual (para os aquíferos e ribeiras) a água que recebem. Nesta função realçamos as turfeiras (zonas húmidas que se caracterizam pela capacidade de acumular as plantas que morrem, estas não se decompõem devido ao encharcamento e à acidez das suas água e acumulam-se sob a forma de turfa), capazes de reter, na camada superficial destas formações, cerca de 20 vezes o seu peso em água (como exemplo pode-se mencionar que uma só turfeira com cerca de 300 000 m2 pode reter na sua estrutura mais de 180 000 m3 de água). Também a diminuição de formações naturais florestadas (nomeadamente turfeiras florestadas), tem um grande impacte em termos de recursos hídricos pois a quantidade de água interceptada dos nevoeiros diminui de forma acentuada. Estudos efectuados no GEVA demonstram que a componente florestal acresce de 2 a 4 vezes o valor da precipitação de um dado local.As zonas húmidas não favorecem apenas a recarga dos aquíferos mas também contribuem para a limpeza das águas, visto servirem de reservatório onde os sedimentos e substâncias tóxicas se depositam. Pode-se assumir que estas formações “consertam” comportamentos abusivos do homem que resultam na poluição das águas, para que a possamos usar nas necessidades mais básicas como a sede. A alteração progressiva da ocupação do solo, transformando zonas de vegetação natural com uma menor capacidade de retenção de água, tem contribuído para a diminuição da quantidade e qualidade das nossas águas. Este fenómeno de desaparecimento de zonas húmidas favorece também a ocorrência de “acidentes” tais como derrocadas de terra e o aumento torrencial do caudal de ribeiras. O aquecimento global é também um tema bastante actual, que se pensa ter como causa primordial o aumento da emissão dos gases de estufa, nomeadamente dióxido de carbono.
Acumulação de carbono sob a forma de turfa, Terceira.
Estes habitats, particularmente as turfeiras, têm capacidade de reter grandes quantidades de carbono sob a forma de turfa (as plantas não decompostas são formadas predominantemente por carbono), um facto que contribui, quando estas formações estão activas e no seu estado natural para minimizar este problema.Estes habitats cobrem cerca de 6% da superfície terrestre mas contém cerca de 14% do total de carbono. No entanto, a sua destruição progressiva, principalmente devido à conversão em áreas agrícolas, tem vindo a contribuir para o agravamento deste problema. Isto porque, quando ocorre a sua destruição, inicia-se um processo de decomposição e de transferência do carbono para a atmosfera. As zonas húmidas são importantes na estabilização das linhas de costa e protecção contra tempestades. As formações costeiras estabilizam as linhas da costa e fortalecem os solos, reduzindo a energia da ondulação e das correntes, enquanto os sistemas radiculares ajudam a fixar os sedimentos. A sua vegetação faz diminuir, por impacto, a velocidade da escorrência de água após grandes chuvadas, funcionando como meio de controlo à erosão. As zonas húmidas de altitude das ilhas açorianas, nomeadamente turfeiras, têm um papel fundamental no controle dos caudais ribeiras e linhas de água. A alteração progressiva da ocupação do solo, transformando zonas de vegetação natural em área agrícola (com uma menor capacidade de retenção de água), tem contribuído para a ocorrência de acidentes com perdas de vidas humanas tais como derrocadas de terra e caudais torrenciais (com transbordo) de ribeiras. As zonas húmidas proporcionam habitat a um amplo conjunto de espécies vegetais e animais aquáticos e muitos outros são dependentes destes habitats. As formações de água doce em termos mundiais, embora ocupem apenas 1% da superfície terrestre, são habitat para mais de 40% das espécies mundiais e 12% de todas as espécies animais. Estas promovem também a colonização de novos habitats e o intercâmbio genético, garantindo a viabilidade das populações de peixes e de aves aquáticas, pois constituem corredores de dispersão e migração, assim como "pontes de ligação" para muitas espécies. Da flora açoriana pode-se referir, de acordo com estudos efectuados no GEVA que cerca de 50% das espécies protegidas dos Açores desenvolvem-se em zonas húmidas ou estão dependentes destas (em termos de água e nutrientes). Como exemplos temos a Marsilea azorica (trevo muito raro que existe apenas na ilha Terceira) e o Chaerophyllum azoricum, entre outras. Da fauna destacam-se as aves aquáticas incluindo espécies terrestres e marinhas, residentes e visitantes. O papel das aves aquáticas é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas húmidos açorianos. O baixo número de espécies residentes nestes sistemas faz com que várias funções ecológicas dependam da interacção com as aves aquáticas visitantes. A importância destas aves tem vindo a ser reconhecido nos últimos anos, nem só pela sua função ecológica mas também pela importância turística para actividades como a observação de aves.O processo alteração da naturalidade destes ecossistemas, coloca em risco todo o mundo vivo associado às mesmas. Embora exista ainda grande quantidade de zonas húmidas nos Açores, uma parte considerável destas (senão) desapareceu, encontram-se bastante alteradas, pelo que urge a tomada de atitudes como o seu reconhecimento por todos e a compreensão da sua importância da qual depende a nossa própria qualidade de vida. Urge também a acção directa sobre estas formações. Não é possível desfazer actos, mas é possível refazer (recuperar e restaurar) zonas húmidas. Não queremos deixar de chamar à atenção que as zonas húmidas dos Açores possuem atributos particulares os quais não se resumem à sua diversidade biológica, valor hidrológico ou paisagístico, atributos esses que não se destinam, a serem consumidos de forma directa, mas antes a serem considerados um valor em si mesmos….o prazer de uma pescaria, um passeio à beira-mar e a vista sobre uma lagoa são apenas alguns exemplos.
(In Diário Insular)

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Dia Mundial das Zonas Húmidas 2009 (2 de Fevereiro)

Programa de Comemorações da Rede Regional de Ecotecas dos Açores

Ecoteca de Sta. Maria:
2 de Fevereiro
Realização de um passeio de barco aos Ilhéus das Formigas, candidatos a sítio RAMSAR. Esta actividade está aberta a toda a comunidade.
Sessões informativas “Áreas Ambientais de Santa Maria: Ilhéus das Formigas e Dollabarat. Participarão nestas sessões turmas do 3.º ciclo e secundário.

Ecoteca de S. Jorge
2 de Fevereiro
Divulgação de um prospecto relativo às zonas húmidas.

Ecoteca das Flores
2 a 6 de Fevereiro
Realização de uma exposição de plantas autóctones na Biblioteca Municipal de Santa Cruz. Esta iniciativa resulta de uma parceria da Ecoteca das Flores com os Serviços de Ambiente de Flores e Corvo.

Ecoteca de Angra do Heroismo
A Ecoteca de Angra do Heroísmo, o Centro de Ciência de Angra do Heroísmo e a Associação Gê-Questa, com o apoio da Universidade dos Açores, da Associação Os Montanheiros e da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, têm planeado um conjunto de actividades.

31 de Janeiro
9h30 - terão início, junto à Gruta do Natal, duas incursões ao interior da ilha que darão ênfase ao papel das turfeiras na qualidade da vida humana. Foram convidados três agrupamentos de escoteiros e todos os presidentes de junta de freguesia da ilha.

2 de Fevereiro
Decorrerão outras actividades, por sua vez destinadas a alunos das Escolas Secundárias Jerónimo Emiliano de Andrade e Vitorino Nemésio e ainda a jovens da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, com encontro marcado para as 10h00 junto à Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, de onde se partirá para a Ribeira Brava e Ribeira da Ponte. À tarde a concentração será às 14h00 junto ao Paul da Praia da Vitória, de onde se partirá para o Paul da Pedreira.

Ecoteca de Ponta Delgada
2 de Fevereiro
Realização de um Percurso de Interpretação ambiental à paisagem protegida das Sete Cidades – Lagoa do Maciço da Serra Devassa. Pretende-se que os participantes adquiram conhecimentos acerca das zonas húmidas (conceito, fauna e flora associada e a sua importância na saúde das populações) e sensibilizar para a necessidade de proteger os recursos hídricos. Participarão na actividade cerca de 35 alunos da Eco-Escola EBI Roberto Ivens, incluindo alunos, do 5º e 6º ano, do clube de ambiente e 4 professores.

Ecoteca da Ribeira Grande
Semana de 2 a 7 de Fevereiro,
Participação na plantação numa zona adjacente à Praia de Santa Barbara de endémicas dos açores, nomeadamente urze, folhado, faia da terra e pau branco, com a colaboração dos Serviços Florestais de Nordeste. Esta acção será desenvolvida pela Empresa Municipal da Ribeira Grande +, com o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande e terá a intervenção activa de escolas e instituições de solidariedade social. Qualquer pessoa interessada em voluntariar-se para participar nas plantações poderá contactar a Ecoteca da Ribeira Grande e/ou a Ribeira Grande +.
No decorrer da mesma semana, de acordo com as condições meteorológicas, o reconhecimento de uma zona da Lombadas.
Deste modo pretende-se contribuir para a promoção da conservação das zonas húmidas, consciencializando para a necessidade de utilização humana com planos de ordenamento e utilização sustentável.

Ecoteca da Lagoa
4 de Fevereiro,
10h00 - realização de um passeio pedestre pela Lagoa das Furnas dirigido aos alunos do 6º ano da Escola Básica 1,2,3/JI das Furnas. O passeio pretende sensibilizar os participantes para a preservação de ecossistemas húmidos bastante produtivos e que por esse motivo são excelentes habitats para uma grande diversidade de flora, peixes e aves aquáticas. Abordar-se-ão ainda outras temáticas como, a eutrofização, geologia local e plano de ordenamento da bacia hidrográfica. Durante a actividade promover-se-á ainda a observação de aves que contará com o apoio do Centro Ambiental do Priolo (SPEA).

Ecoteca da Graciosa
Abertura a 30 de Janeiro
Abertura ao público da Exposição – “Cavidades vulcânicas dos Açores” (da autoria da Gespea) e Projecção de um vídeo sobre as cavidades vulcânicas da ilha Graciosa.

Ecoteca do Faial
2 de Fevereiro
Realização de uma visita de estudo ao Jardim Botânico e Charcos de Pedro Miguel, onde serão observadas espécies de flora e avifauna características de zonas húmidas, salientando-se a o seu importante papel no equilíbrio ecológico. Este passeio destina-se aos alunos inscritos no programa Eco-Escolas da Escola Profissional da Horta e aos jovens do projecto Veredas do programa Escolhas, contando com colaboração dos Serviços de Ambiente do Faial através dos Vigilantes da Natureza.

(In Ecoteca de Angra do Heroísmo)

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domingo, fevereiro 01, 2009

2 de Fevereiro - Dia Mundial das Zonas Húmidas

(In Guias da Natureza)

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Zonas Húmidas debatidas em Seminário

O próximo dia 02 de Fevereiro, segunda-feira próxima, é o Dia Mundial das Zonas Húmidas. É na sequência da comemoração deste dia que se vai realizar um seminário sobre “Zonas Húmidas da Ilha Terceira”, organizado pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, que terá lugar nos Paços do Concelho.“Este é um seminário que se destina a debater as zonas húmidas dos Açores, nomeadamente o Paúl e a recuperação do mesmo a fim de o tornar num Parque Natural”, afirma o vice-presidente da câmara da Praia da Vitória, Paulo Messias.
O SeminárioNeste seminário irão intervir diversos nomes, a abertura está a cargo do presidente da câmara da Praia da Vitória, Roberto Monteiro, segue-se o director regional do Ambiente, Frederico Cardigos, que vai falar da importância das Zonas Húmidas dos Açores, ainda sobre a importância das Zonas Húmidas na região, vão intervir dois docentes da Universidade dos Açores, Eduardo Dias e João Porteiro. Francisco Maduro Dias, Presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira, intervém já perto do final sobre a recuperação do Paúl da Praia da Vitória.Depois das intervenções de todos os candidatos terá lugar um debate e finalmente a sessão de encerramento do seminário.
O Paúl

Um Paúl é uma zona húmida. Segundo a definição constante na Convenção de Ramsar, da qual Portugal é signatário desde 09 de Outubro de 1980, uma zona húmida é uma zona de pântano, charco, turfeira ou água, natural ou artificial, permanente ou temporária, com água estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo águas marinhas cuja profundidade na maré baixa não exceda os seis metros. A escassez deste tipo de zonas a nível mundial (2% do território) e também a nível europeu (3% do território) tem transformado a sua conservação num dos objectivos prioritários das políticas actuais de Conservação da Natureza. É neste contexto que se fala na recuperação do Paúl da Praia da Vitória, cujo projecto tem como objectivo, segundo consta no site da câmara da Praia, “potenciar a existência de um espaço natural, não artificial no sentido que não se pretende criar algo de novo, mas antes restaurar um ecossistema já existente, dentro da cidade”.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, maio 29, 2008

Gestão Integrada da Água (Integrated Water Management)

Decorrerá hoje, quinta-feira, dia 29 de Maio, pelas 21h30 no auditório do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores (Pico da Urze), uma palestra proferida pela Doutora Heather M Mackay, sobre Gestão Integrada da Água. A Doutora Heather M Mackay, é uma especialista em questões relacionadas com a Gestão dos Recursos Hídricos, sendo actualmente cientista convidada na Universidade da British Columbia, Canada, e a coordenadora do Painel Cientifico e Técnico da Convenção Ramsar sobre Zonas Húmidas. Nesta altura em que uma série de questões relacionadas com a Água na ilha Terceira estão em foque, não deixe de comparecer a esta palestra por parte de uma especialista de nível mundial.

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domingo, fevereiro 10, 2008

Dia Mundial das Zonas Húmidas

A comemoração do dia mundial das zonas húmidas na ilha Terceira foi um sucesso por diversas razões, a começar pelo número de participantes, mais de vinte, e pela grande diversidade que formava o entusiasmante grupo de visita ao Paúl da pedreira do Cabo da Praia do Concelho da Praia da Vitória. Para além dos ilustres convidados que permitiram uma maior elucidação acerca das zonas húmidas e da sua fauna e flora em geral, aprendemos também muito acerca da zona em questão e sua importância.
O passeio, à beira-mar, foi bastante interessante e funcionou perfeitamente como icebreaker permitindo ao grupo um maior entrosamentoe e descontracção, como também uma maior afinidade para com o lugar e para a fase seguinte, a observação das aves.
Observamos durante alguns minutos as espécies mais abundantes, nesta altura do ano no Paúl, e ouvimos atentamente os nossos convidados.
A Bióloga investigadora do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores Cecília Melo falou-nos acerca da avifauna, prestando um importante auxilio na identificação das espécies observadas; O Dr. Adalberto, mestrando em Gestão e Conservação da Natureza da Universidade dos Açores mencionou as espécies da flora e possibilidades de recuperação do habitat; O Eng.º Vasco (Presidente da Gê-Questa e investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores) falou da importância das zonas húmidas, contextualizando historicamente a relação do Homem com estas zonas, referindo também aspectos importantes acerca destas zonas na ilha Terceira; O Vereador da Câmara Municipal da Praia da Vitoria, o Sr. Paulo Messias falou da evolução do Paúl da Praia, mostrando algumas fotos que cronologicamente possibilitam entender as diferentes fases: pouco alterado, destruído (aterrado), inicio de sua recuperação e situação presente.
Todos os presentes participaram activamente em uma interessante e construtiva conversa acerca da situação do Paúl da pedreira do Cabo da Praia e foi combinado uma acção de limpeza a ter lugar num futuro próximo.
Uma parte do grupo realizou um almoço muito interessante (na tasca do André) onde a discussão acerca de um eventual projecto de recuperação da faixa costeira entre a ribeira de S. Antão e o Paúl da pedreira do Cabo da Praia foi o tema dominante. Depois almoço fomos premiados com um passeio ao longo da praia do Belo Jardim e do Paúl com o mesmo nome, acompanhados pelo propietario das terras que se mostrou muito interessado na cooperação e parceria com a Gê-Questa. Adivinham-se novos projectos para a associação.
Por último, ficam os agradecimentos a todos os participantes, em particular ao movimento cívico SOS Terceira que contou com a presença de três elementos de grande destaque: Carlos Leal (Biólogo Mestrando em Educação Ambiental na Universidade dos Açores) e Leonardo Machado (Ictiólogo, Dourando da Universidade dos Açores).
(In Gê-Questa)

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