segunda-feira, outubro 05, 2009

Ecologia das Turfeiras de Sphagnum dos Açores

Cândida Mendes* & Eduardo Dias - Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. GEVA
Sendo pouco menos do que desconhecidas para o Mundo, e mesmo dentro do nosso País, as turfeiras dos Açores são formações de uma elevada importância ecológica e ambiental, afectando significativamente os recursos hídricos das ilhas onde ocorrem.
Turfeiras são genericamente ecossistemas em que o nível da água se encontra à superfície ou perto desta e em que o encharcamento é suficientemente prolongado para promover processos típicos de solos mal drenados como o desenvolvimento de vegetação hidrófitica (adaptada a condições de encharcamento) e a promoção da formação de turfa, que é um tipo de substrato pedológico que se desenvolve em condições de encharcamento e anóxia (ausência de oxigénio).As turfeiras dos Açores são formações ainda bastante desconhecidas para o mundo e mesmo dentro do país, para onde a referência à existência destes ecossistemas, se restringe a pequenos mosaicos em áreas montanhosas de Portugal continental. O desenvolvimento de estudos e a sua publicação são factores primordiais para conhecer a riqueza biológica dos Açores, nomeadamente em termos de zonas húmidas e espécies associadas pelo que uma série de estudos de pormenor estão a decorrer sob a responsabilidade do GEVA, na Universidade dos Açores. De facto os Açores são uma área primordial no país, não só em termos de extensão de zonas húmidas mas também em diversidade tipológica e grau de conservação das mesmas. Pode-se mesmo dizer que as zonas altas da maioria das ilhas do arquipélago são ocupadas por vegetação húmida, predominantemente turfeiras (Foto 1), devido à entrada de grandes volumes de água (precipitação e intercepção dos nevoeiros) e à presença de plácico (Foto 2) (cujas características promovem a impermeabilização do substrato).

(In Naturlink)

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sexta-feira, setembro 04, 2009

Turfeiras dos Açores

Para quem ainda não conhece, gostaria de referir neste post um dos mais importantes patrimónios naturais dos Açores, infelizmente bastante desconhecido da maior parte de todos nós, as turfeiras.
As turfeiras, ou turfa, é um tipo de vegetação habitualmente encontrado nas partes altas (mais 500m altitude) que está perfeitamente adaptado à captação de grandes volumes de água, quer por precipitação directa quer por intercepção de nevoeiros, mais conhecida entre nós por vegetação húmida. As turfeiras conseguem, conforme o seu tipo de composição vegetal, reter entre 73% (turfa de graminóides) e 94% (turfa de Sphagnum) do seu peso em água, funcionando como uma enorme esponja que armazena a água regulando as escorrências de água após eventos de grande precipitação evitando não só as erosões dos solos, bem como que estas águas se percam de imediato. As turfeiras têm igualmente um papel bastante importante de purificação da água, uma vez que retêm na sua estrutura todas as substâncias que estão diluídas, incluindo substâncias tóxicas.
Por estas e por outras razões as turfeiras são essênciais para a manutenção não só da diversidade natural das ilhas, bem como para garantir níveis de fornecimento de água correctos.
Infelizmente, ao que tudo indica, cerca de 50% da área de turfeira dos açores já foi alvo de intervenção humana, em particular para criação de pastagens ou de floresta de produção.
É um facto de temos por garantido que as ilhas açorianas não têm problemas de falta de água, mas situações como as ocorridas na ilha Terceira mostram-nos que a redução de áreas ocupadas por turfeira terão consequências graves no ciclo hidrológico.
Poderão encontrar mais informação neste artigo publicado por elementos do Gabinete de Ecologia Vegetal e Aplicada (GEVA) da Universidade dos Açores, e que serviu de suporte para este post.

(in Horta XXI)

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terça-feira, junho 09, 2009

Invasoras de elevado impacto nas formações naturais da ilha Terceira

Cândida Mendes & Eduardo Dias
Após a colonização das ilhas Açorianas pelo Homem, acerca de 550 anos atrás, deu-se início a um processo gradual de ocupação do território que teve como consequência uma alteração substancial da cobertura original, então dominada por florestas variadas e por zonas húmidas diversas. Assim, a área actual de ecossistemas nativos inalterados pelo homem nos Açores corresponde a uma fracção reduzida da área de cada ilha estando mesmo quase ausente na Graciosa e Corvo e muito fragmentados em várias outras das ilhas Açorianas.
Acompanhando a destruição do coberto original decorreu a introdução de uma grande quantidade de espécies com fins variados, desde culturas para a agricultura (as mais diversas hortícolas, frutícolas, forrageiras e mesmo sebes), para jardins e para fins comerciais diversos, madeiras, tinturaria etc. Algumas destas espécies introduzidas, após terem escapado dos locais onde foram introduzidas, tornaram-se pelo menos sub espontâneas (fixam-se naturalmente para além do seu local de introdução inicial formando populações que se mantêm a si próprias, sem a intervenção do Homem), em habitats naturais ou semi-naturais. Muitas delas propagaram-se de tal modo, em número e em área de extensão, que passaram a dominar algumas comunidades vegetais naturais, tornando-se uma ameaça, ou seja assumiram o carácter invasor substituindo, pelo menos parcialmente, as formações nativas. Ainda assim, é possível encontrar nas ilhas áreas relativamente extensas, dessas comunidades naturais únicas, relíquias daquelas que desde há muito desapareceram dos continentes de onde provieram, mas que nestas ilhas foram poupadas às glaciações. Razões biológicas, genéticas, éticas, estéticas e culturais cuja importância ultrapassa as fronteiras regionais, têm justificado a tomada de medidas diversas para o reconhecimento da sua importância e conservação, levantando a questão da necessidade de controlar a introdução de novas espécies e conter o avanço das já presentes.
A flora vascular da Terceira inclui, de acordo com Hansen & Sunding (1993), 1016 espécies. Embora uma parte considerável destas sejam exóticas, esta ilha apresenta ainda importantes áreas naturais onde as introduzidas praticamente não se fizeram sentir, como é o caso do interior da Serra de Santa Bárbara. A expansão das espécies exóticas avassalando e destruindo a flora nativa é sem dúvida um dos grandes problemas ambientais da actualidade mundial. No entanto, e embora seja uma linha de estudo explorada na região (lista de referência da flora Açoriana de Dias et al. 2006 pode ser consultada em http://www.angra.uac.pt/GEVA/WEBGEVA/Scheklistacores/ ScheklistAcoresstart.htm) existem para inúmeras espécies muitas dúvidas acerca da sua naturalidade. Ainda assim e independentemente das incertezas, é de consenso geral que de facto existem no Arquipélago áreas extensas completamente descaracterizadas por espécies introduzidas.
Assumindo assim incertezas mas assumindo também as inúmeras espécies reconhecidamente invasoras, segue-se uma breve descrição de algumas das mais problemáticas e causadoras de uma intensa descaracterização nas formações naturais desta ilha. Assinala-se que algumas destas invasoras são comuns a várias ilhas, eventualmente mais agressivas numa determinada ilha que noutra. Existem espécies que sendo extremamente graves estão confinadas a uma só ilha, como por exemplo a Clethra arborea que existe apenas na ilha de S. Miguel.
(In Quercus)

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sexta-feira, maio 29, 2009

Na Sardenha : Vasco Garcia fala do percurso da UA

Na qualidade de ex-Reitor da Universidade dos Açores e de Catedrático em Ecologia Aplicada, Vasco Garcia participou, entre os dias 15 e 16 de Maio, no Encontro de Jovens Empresários de Cagliari (Sardenha), organizado pela CONFINDUSTRIA - Associação Industrial Italiana (Sardenha Meridional), tendo apresentado uma comunicação intitulada "Economical Ecology: the Azorean case", onde descreveu a evolução dos estudos ecológicos nos Açores desde a fundação da UAç, com a criação, em 1976, do Laboratório de Ecologia Aplicada. Focando os casos em que reuniu dados sobre o valor económico de alguns desses estudos (whale-watching, priôlo, p.ex.), deu uma perspectiva do futuro dessas avaliações e do seu valor para uma cooperação entre diferentes entidades insulares (Universidades, Agências de Investimento, Associações Comerciais e Industriais, etc.). A iniciativa, que contou com participantes de vários países e regiões, incluindo Malta, Martinica e Baleares (Menorca), mereceu o maior destaque nos órgãos de comunicação social sardos, comprovando o seu sucesso. Os resultados do Encontro e da Mesa Redonda que se seguiu serão enviados à próxima reunião do G8 pelo seu Grupo Juventude (G8 Youth- Giovani Imprenditori). No âmbito do Convénio estabelecido no Programa Sócrates ERASMUS (2008-2009) entre a Universidade de Zaragoza (Espanha) e a Universidade dos Açores, decorrerá de 8 a 13 de Junho no campus de Ponta Delgada, um Curso aberto subordinado aos temas: “I - Métodos de identificação de minerais e rochas macroscopica e microscopicamente e II- Tectónica e Magmatismo. ". Os coordenadores do referido curso serão, respectivamente, Marceliano Lago San José (Departamento de Ciencias de la Tierra, da Universidade de Zaragoza) e Zilda França (Departamento de Geociências, da Universidade dos Açores).

(in Correio dos Açores)

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quarta-feira, maio 20, 2009

The role of habitat features in a primary succession

RUI B. ELIAS & EDUARDO DIAS

In order to determine the role of habitat features in a primary succession on lava domes of Terceira Island (Azores) we addressed the following questions: (1) Is the rate of cover development related to environmental stress? (2) Do succession rates differ as a result of habitat differences?
One transect, intercepting several habitats types (rocky hummocks, hollows and pits, small and large fissures), was established from the slope to the summit ofa 247 yr old dome. Data on floristic composition, vegetation bioarea, structure, demography and soil nutrients were collected. Quantitative and qualitative similarities among habitats were also analyzed. Cover development and species accumulation are mainly dependent on habitat features. Habitat features play a critical role in determining the rate of succession by providing different environmental conditions that enable different rates of colonization and cover development. Since the slope’s surface is composed of hummocks, hollows and pits the low succession rates in these habitats are responsible for the lower rates of succession int his geomorphologic unit, whereas the presence of fissures in the dome’s summit accelerates its succession rate.

(in Arquipélago. Life and Marine Sciences)

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quarta-feira, abril 29, 2009

Bolsa de Pós-Doutoramento em Ecologia

Bolsa de Pós-Doutoramento em Ecologia -U.Açores
FUNDO REGIONAL DA CIÊNCIA E TECNOLOGIAEDITAL FRCT/2009/317/003I.
Objecto do Concurso
1. O presente concurso destina-se à apresentação de candidaturas para a atribuição de 1 bolsa de Pós-Doutoramento no âmbito da Medida 3.1.7/FRCT - “Bolsas individuais de pós-doutoramento”, Eixo 3.1- “Bolsas de investigação científica e tecnológica”, Programa 3 - Apoio à formação avançada (FORMAC), do PICTI.
2. A bolsa a atribuirdestina-se a integrar um Doutorado no projecto de I&D subordinado ao tema “Consequências das alterações de uso de solo na fauna de artrópodes dos Açores - Objectivo 2010”II. Legislação AplicávelLei nº40/2004, de 18 de Agosto, que aprova o Estatuto de Bolseiro de Investigação; Despacho Normativo nº35/2007, de 12 de Julho, que aprova o Regulamento Geral de Bolsas de Investigação Científica e de Apoio à Gestão do Fundo Regional da Ciência e Tecnologia; Resolução nº41/2008, de 3 de Abril, que cria o Plano Integrado para a Ciência, Tecnologia e Inovação.III. Período do ConcursoEste segundo período para apresentação de candidaturas decorre entre 24 de Abril a 24 de Junho de 2009, não sendo aceites para avaliação as candidaturas submetidas para além das 24 horas (hora dos Açores) do dia 24 de Junho de 2009.IV. Destinatários e perfil dos candidatos1. Podem candidatar-se os interessados com doutoramento em Biodiversidade & Conservação, Ecologia de Insectos, Ecologia Animal.2. Podem candidatar-se ao presente concurso cidadãos nacionais e estrangeiros.
3. Dá-se preferência a quem tenha experiência em GIS, análise de dados e estatística (SPSS; Statistica), modelação em Análise dem Complementaridade, partição da biodiversidade e “Nestedness”. 4. Dá-se preferência a quem tenha uma lista de publicações de reconhecida qualidade. 5.Os candidatos devem ter ainda Excelentes capacidades em escrever em Inglês.V. Projecto
1. O projecto “Consequências das alterações de uso de solo na fauna de artrópodes dos Açores - Objectivo 2010” tem como objectivos específicos:a) Estudar o que acontece às comunidades de artrópodes com as mudanças no uso de solo. b) Modelar e explicar a riqueza específica nos Açores. c) Encontrar grupos taxonómicos indicadores da riqueza total. d) Verificar a coincidência entre zonas protegidas e zonas de alta insubstituibilidade (irreplaceability).
2. Os trabalhos serão desenvolvidos no Grupo da Biodiversidade dos Açores (Centro de Investigação de Tecnologias Agrárias dos Açores), da Universidade dos Açores, sediado na ilha Terceira, Açores, Portugal (madruga@uac.pt) e coordenados pelo Prof. Doutor Paulo A. V. Borges (pborges@uac.pt).
VI. Candidatura e Requisitos
1. A apresentação de candidaturas deverá ser efectuada através da submissão electrónica do formulário disponibilizado no sítio da Internet, com o endereço http://sctridi.azores.gov.pt.
2. Para acederem ao formulário, os interessados terão de proceder ao seu pré-registo no Sistema Científico e Tecnológico Regional, através do referido sítio da Internet.
3. No formulário de candidatura o interessado terá de anexar o certificado comprovativo do grau do Doutor ou, caso não o possua, indicar a data de obtenção do grau, título da tese e nome da instituição que conferiu o grau.
4. Sem prejuízo do disposto no número anterior, o original ou uma cópia autenticada do certificado comprovativo do grau de doutor terá de ser entregue à data da assinatura do contrato.
5. Os processos de candidatura que não se encontrem completos à data do fecho do concurso serão automaticamente excluídos.VII. AvaliaçãoOs critérios de avaliação terão em conta:a) o curriculum vitae do candidato;b) a proposta de trabalhos a desenvolver, designadamente a clareza dos objectivos, a adequação das fases e tarefas a realizar, a calendarização dos trabalhos e a razoabilidade dos indicadores deprogresso (deliverables).VIII.
Financiamento
1. O financiamento da bolsa incluirá as componentes referidas no art.22º do Despacho Normativo nº35/2007, de 12 de Julho, que aprova o Regulamento Geral de Bolsas de Investigação Científica e de Apoio à Gestão do Fundo Regional da Ciência e Tecnologia.
2. Os montantes da bolsa a considerar no âmbito do presente concurso são os que constam da Tabela de Valores do FRCT, nomeadamente 1.750 euros.
3. O contrato a estabelecer será pelo período de um ano, renovável até ao máximo de seis anos. IX. Informações adicionaisQualquer informação adicional poderá ser solicitada ao Fundo Regional da Ciência e Tecnologia, Rua Conselheiro Dr. Luís Bettencourt nº 16, 9500-058 Ponta Delgada, através do telefone +351.296206500, Fax +351 296206591 ou email celia.jp.amaral@azores.gov.pt / margarida.mp.santana@azores.gov.pt / maria.cf.melo@azores.gov.pt.

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sexta-feira, fevereiro 06, 2009

A lide ideal de um toiro tem de ser semelhante ao sentir o cheiro de uma flor até o gastar

Após um intervalo houve uma mesa redonda, referente a “Toiros e Ecologia”, onde o debate claro sobre as condições de maneio e criação – feita entre ganaderos e com uma moderação activa e brilhante, mesmo bem humorada -, culminou com a comunicação excelente, de informação e graça, do Prof. João Pedro Barreiros (Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores), que traçou, em praça larga, princípios científicos com algumas crenças infundadas e parâmetros que se desviam no uso comum.
A projecção do filme “O Toiro”, do realizador Camilo Azevedo, encheu o Auditório do Ramo Grande de suspiros pela emoção, vincando a leitura, de um não-aficionado, feita a um mundo rico, poderoso e de contrastes.
À noite, jantar e animação na beleza e modernidade do “novo” Clube de Golfe da Ilha Terceira. Tempo de trocar impressões e de um viver taurino entre amantes da festa.
(In Porto Das Pipas)

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quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Zonas Húmidas

O director regional do Ambiente afirma que é tempo dos planos governamentais para a gestão e sustentabilidade dos recursos hídricos e ambientais dos Açores serem aplicados ao terreno.Em declarações aos jornalistas, após a sua intervenção no seminário sobre o Dia Mundial das Zonas Húmidas, que decorreu, ontem de manhã, na Praia da Vitória, explicou que essa concretização deve incidir, desde já, no abastecimento de água.“Uma das mensagens que aqui deixei hoje é que temos de passar de uma fase de planeamento estrito para uma fase de investimento no território, particularmente no que diz respeito ao abastecimento de água, mas também em relação às outras extraordinárias particularidades que os nossos recursos hídricos encerram nos Açores”, explica o responsável.Para Frederico Cardigos, a Região encerra um conjunto de recursos ambientais de enorme importância, particularmente as zonas húmidas.Falando aos participantes no seminário promovido pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, o director regional do Ambiente deixou claro que as zonas húmidas insulares apresentam inúmeras potencialidades, nomeadamente ao nível económico e turístico.Segundo Frederico Cardigos, o conhecimento existente sobre estas zonas garantiu um conjunto de planos e legislação que permite a sua protecção e salvaguarda.Depois dele, intervieram no seminário Eduardo Dias, director do Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada da Universidade dos Açores, João Porteiro, docente da universidade açoriana, Francisco Maduro Dias, presidente do Instituto Histórico da Ilha Teceira, e Paulo Messias, vice-presidente da Câmara da Praia.As zonas húmidas são consideradas pela comunidade científica as áreas mais produtivas do planeta.No arquipélago, mais de 12 mil hectares têm estas características, sendo reconhecida a necessidade da sua protecção com vista à sustentabilidade do abastecimento de água.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, janeiro 22, 2009

UNIVERSIDADE DOS AÇORES EXPORTA MESTRADO PARA ANGOLA, VENEZUELA E BRASIL

Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da U. Açores despertou o interesse de instituições de Ensino Superior internacionais. A preocupação com os recursos hídricos leva docentes angolanos, venezuelanos e brasileiros a ponderar a importação do ciclo de estudos açoriano.Depois de exportar o Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza do Departamento de Ciências Agrárias para Bragança, Castelo Branco e Tomar, a Universidade dos Açores está a fomentar contactos para internacionalizar o ciclo de estudos.
A Universidade de Caracas, na Venezuela, a Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil e a Universidade Agostinho Neto, em Angola, já demonstraram interesse no mestrado açoriano.
“Os contactos nasceram da relação com alunos que vêm desses países para os Açores precisamente para fazerem o mestrado. A ideia ainda é muito recente, mas existe vontade por parte de alguns desses professores estrangeiros em importar o mestrado”, admite ao Canal UP, Tomaz Dentinho do Departamento de Ciências Agrárias.
“As teses de mestrado têm vindo a responder a problemas locais”, sublinha o investigador. Nos Açores, as ilhas têm de recorrer a soluções interdisciplinares para questões relacionadas com a actividade agro-pecuária e a gestão das lamas residuais urbanas.
Em Angola há falta de água canalizada e dificuldades com o transporte do recurso até às explorações agrícolas. No Brasil e na Venezuela, as cheias frequentes representam uma dor de cabeça para os governantes. Por outro lado, a criação de infra-estruturas para aproveitamento de água é considerada fundamental.
O programa do Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza atrai arquitectos, economistas e alunos de Letras estrangeiros. O grau já lançou para o exterior mais de uma centena de teses e já foi frequentado por cerca de 250 alunos. O intercâmbio faz-se também ao nível do corpo docente. “O segredo está na interdisciplinaridade. As bases são a Economia, Agronomia e Ecologia”, sustenta Tomaz Dentinho.
O docente da Universidade dos Açores acredita que “é preciso criar uma função mais ecológica na administração da água”, ao mesmo tempo que defende que a “a água deve deixar de ser pertença do Estado e passar a ser um bem gerido pelos proprietários dos solos”.

(In Canal UP)

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sábado, março 29, 2008

I Congresso Ibero-Americano de Oceanografia

A Associação Brasileira de Oceanografia – AOCEANO e o Instituto de Ciências do Mar – LABOMAR da Universidade Federal do Ceará – UFC anunciaram a realização da terceira edição do Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO’2008), a ser realizado entre os dias 20 e 24 de Maio de 2008, no Centro de Convenções do Ceará, na cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, Brasil. Anunciaram também a realização da primeira edição do Congresso Ibero-Americano de Oceanografia, evento que pretende reunir a comunidade científica da América Latina e da Península Ibérica (Portugal e Espanha) para discutir os avanços nessa área do conhecimento, assim como viabilizar a integração entre os diversos setores vinculados à área. De seguida apresenta-se a lista parcial de trabalhos a apresentar.
Lista Parcial de Trabalhos Aprovados
O Professor João Pedro Barreiros do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, realizará uma palestra no I Congresso Ibero-Americano de Oceanografia, evento que ocorrerá concomitantemente ao III Congresso Brasileiro de Oceanografia, com o tema: "Extinções: Uma Abordagem Ecológica".

(In III Congresso Brasileiro de Oceanografia)

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sexta-feira, setembro 28, 2007

Aspectos hidrogeológicos da ilha Terceira discutidos em Congresso Internacional

No XXXV Encontro da Associação Internacional de Hidrogeólogos que decorreu em Lisboa, até ao dia 24 de Setembro, os Açores estiveram amplamente representados através de apresentação de trabalhos que abordaram a hidrologia insular açoriana. O Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores apresentou duas comunicações científicas.
A temática deste Encontro centrou-se nas relações entre "Águas subterrâneas e Ecossistemas".
Uma dessas comunicações, da autoria do Eng. Luís Teixeira e dos Professores Francisco Cota Rodrigues, da Universidade dos Açores e Daniel Urish e Reinhard Frohlich, da Universidade de Rhode Island (Estados Unidos da América) examinou a aplicação de processos geoeléctricos à exploração de água subterrânea na Caldeira dos Cinco Picos na Ilha Terceira.

A exploração de técnicas capazes de identificar água subterrânea em todas as ilhas do Arquipélago, reveste-se de especial importância uma vez que a maior parte da água usada nas ilhas tem origem subterrânea, dependendo da água da chuva. O aumento dos períodos de seca, terá impacto no abastecimento de água às populações insulares, daí a necessidade de se inventariarem todos os aquíferos passíveis de exploração.
A aplicação desta técnica à detecção de lençóis de água na zona em estudo, revelou a presença de camadas saturadas, com abundância de água subterrânea que poderá constituir uma boa reserva hídrica para a ilha Terceira nos próximos anos.
A segunda comunicação, da autoria da Engª Celeste Miguel e do Professor Francisco Cota Rodrigues, analisou de forma exaustiva a hidrogeologia do ecossistema do Paúl da Praia da Vitória, profundamente alterado nos últimos 60 anos e de reconhecida importância do ponto de vista ecológico.
Uma vez que o Paúl da Praia da Vitória se localiza num sector costeiro do aquífero basal da ilha Terceira, apresenta condições únicas e específicas, do ponto de vista hidrogeológico, em todo o Arquipélago. O futuro deste ecossistema depende do complexo programa de recuperação que está a ser levado a cabo nesse local, pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, e da capacidade técnica de preservar as correntes difusas de água doce que aí se encontram, responsáveis pela existência de uma vegetação halófita e uma fauna peculiar.

(In Azores Digital)

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terça-feira, setembro 25, 2007

Início do Outono nos Açores

"A imagem típica do Outono (árvores despidas, folhas caídas, paisagem triste) não se aplica aos Açores. O arquipélago, fruto do clima sub-tropical, vive uma excepção da natureza: duas Primaveras num ano, florindo a vegetação de Setembro a Novembro. “A falta de conhecimento tem gerado uma percepção errada da ecologia açoriana. Assumimos que no Outono açoriano caem as folhas e tudo fica amarelo e castanho. Mas o que, de facto, acontece é uma segunda Primavera. Devido ao clima sub-tropical, o interior das nossas ilhas apresenta-se florido, já que a Natureza responde ao sol e ao calor”, explica, o botânico Eduardo Dias do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. O especialista em Botânica garante que este erro tem provocado algumas situações que não deviam acontecer. “Ao assumir-se que o nosso Outono é idêntico ao Outono de Portugal continental ou da Europa do Norte, os nossos responsáveis entendem que nas zonas a embelezar devem ali ser colocadas árvores e plantas que, no Outono, ficam sem folhas. Quando o que deviam era ali plantar organismos vegetais endémicos, que ficam floridos nesses três meses”, explica o responsável pelo Centro de Ecologia Vegetal Aplicada (CEVA) da Universidade dos Açores. De facto, basta viajar pelo interior das ilhas açorianas para encontrar uma Natureza pulsante, de regresso à vida após a secura dos três meses de Verão".
(In Diário Insular)

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