quarta-feira, julho 29, 2009

Plano de Gestão de Recursos Hídricos pronto em 2010

O Plano de Gestão dos Recursos Hídricos dos Açores deverá estar concluído durante o próximo ano, revelou ontem, na Praia da Vitória (Terceira), o director regional do Ordenamento do Território e Recursos Hídricos, João Luís Gaspar. O “plano é um conjunto de instrumentos que resultam dos planos de gestão dos recursos hídricos individuais de cada uma das ilhas, que vão ser elaborados a partir de agora em simultâneo para permitir coerência e lógica transversal no documento final”, afirmou João Luís Gaspar à Lusa. O director regional, que falava à margem dos trabalhos do colóquio sobre 'Alterações Climáticas nos Açores', organizado pela Câmara da Praia da Vitória, disse que o documento vai permitir assegurar “o que fazer e como fazer no futuro”. Na sua perspectiva, trata-se de um diploma “importante para a região” porque aborda a questão dos riscos hidrológicos, salientando que, "até agora, a região tem estado a trabalhar com base nas directrizes da reserva ecológica nacional mas vai passar a trabalhar com base num documento que realça as especificidades dos Açores”. O que se pretende “é criar uma série de instrumentos que possam, de certa maneira, contribuir para a organização do território numa perspectiva regional e municipal". Por seu lado, Eduardo Brito Azevedo, especialista em climatologia, disse à Lusa que, para se minimizarem os impactos negativos das mudanças climáticas, são necessárias "acções de mitigação do problema e de adaptação”. Nas medidas para minimizar o impacto, o especialista defendeu uma diminuição de “todo o contributo da região para as alterações climáticas” através “da redução de emissões e maior uso de energias alternativas”. Neste contexto, Eduardo Brito Azevedo sublinhou a importância “de reduzir o número de automóveis em circulação”, nomeadamente através da criação de “uma rede alternativa em transportes públicos, com autocarros mais pequenos e movidos, se possível, a electricidade”. Nas energias alternativas, o especialista realçou a capacidade do arquipélago “nas áreas da geotermia, da energia eólicas e até, de alguma forma, na energia das ondas”.Relativamente à necessidade de adaptação para reduzir o impacto das alterações climáticas, salientou que passar por "gerir melhor, sobretudo, a água, porque as reservas hídricas vêm do clima quanto ao aprovisionamento”.“É necessário acautelar os sistemas de aquíferos para garantir a sua qualidade e quantidade, a par de um ordenamento do território definindo claramente as zonas de biodiversidade, recarga aquífera e produção agro-pecuária”, preconizou Eduardo Brito Azevedo. Roberto Monteiro assegurou que “o concelho pretende implementar um estratégia de desenvolvimento sustentado, quer na vertente económico-social, quer na vertente ambiental”.Nesse sentido, considerou que “a orientação para as energias renováveis, em contraponto com a exigência da competitividade económica, coloca um dos maiores desafios da história”.O presidente da Câmara da Praia da Vitória apelou, por isso, aos jovens, a quem chamou de “geração do equilíbrio”, para “não submeterem o ambiente e a preservação dos recursos à pressão económica”.

(In Diário dos Açores)

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domingo, junho 07, 2009

Campos de golfe provam desacerto ambiental

FILIPE FERNANDES, aluno do Mestrado em Engenharia do Ambiente e membro da Gê-Questa afirma: “É necessário exercer fiscalização, penalizando os prevaricadores, e promover as boas práticas”
A humanidade comemorou ontem mais um Dia Mundial do Ambiente. Os sinais globais não são positivos. Quais os principais problemas que nos podem afectar de forma particular aqui nos Açores e nesta parte do Atlântico?
Em termos globais, podemos falar de alterações climáticas, e os Açores não estão imunes aos efeitos destas. Já se começam a notar alguns dos efeitos, como verões mais secos, maior ocorrência de eventos extremos, tempestades, e mesmo algumas situações de falta de água. Também podemos falar de problemas associados à biodiversidade, com situações de entrada de espécies invasoras que vêm prejudicar o ecossistema da ilha, o nosso ambiente, e mesmo a nossa sustentabilidade económica. Vejam-se os casos de Escaravelho Japonês e das Térmitas.
Continuamos a ouvir falar de aterros sanitários e depois verificamos que são lixeiras a céu aberto… Será assim tão difícil resolver ao menos este problema da recolha e acondicionamento de resíduos?
Difícil não diria, custoso em termos económicos e políticos, sim. É preciso implementar sistemas de recolha de resíduos sólidos, e tratamento destes, melhores, e mais eficientes, que por sua vez têm um custo mais elevado, que é preciso transmitir aos produtores, segundo o princípio do poluidor-pagador. Também é necessário exercer fiscalização, penalizando os prevaricadores, e promover as boas práticas. Todas estas medidas exigem mais dinheiro, que deverá ser bem justificado perante os contribuintes, e dos utilizadores do sistema, e é precisa vontade política para penalizar alguns interesses, e práticas, que se encontram em alguns casos enraizados na nossa cultura.
Já foram divulgadas previsões que apontam para falhas na produção/captação de água para consumo público em quase todas as ilhas. Nuns casos os problemas já se sentem. O que tem falhado?
Diversos são os factores que têm levado à escassez de água. Alterações do regime pluviométrico, menos chuva nos meses de Verão, falhas na captação de água, com insuficiente protecção das zonas de captação e dos aquíferos, falta de investimento nos sistemas de abastecimento de água, com o consequente aumento das perdas na rede e ineficiências do sistema, e finalmente, desperdício de água por parte de alguns consumidores, que ainda consideram a água como um bem inesgotável e barato.
Qual o balanço geral que faz da situação do ambiente nos Açores?
A situação do ambiente nos Açores tem evoluído, de modo geral, de forma positiva. Grande parte da legislação e das estratégias (planos) em matéria de ambiente já se encontram em vigor, mas falta ainda muita implementação. A fiscalização é deficiente, falta transversalidade nas políticas de ambiente, quando uma política em determinada área é elaborada/definida, deveria ter em consideração os seus impactes ambientais, e as suas consequências. Um exemplo desta falta de transversalidade é a decisão da construção de Campos de Golfe em algumas ilhas com manifestos problemas de falta de água, quando se sabe que estas estruturas requerem muita água para o seu funcionamento.
(in Diário Insular)

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Açorianos têm fraca consciência ambiental

A fraca consciência ambiental dos açorianos, foi um dos pontos em destaque, ontem, na sessão de abertura do seminário “Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”, no Dia Mundial do Ambiente.O inspector regional do Ambiente, Francisco Vaz de Medeiros, fez na sua apresentação um balanço, a partir dos números anunciados, que indica que “há uma fraca consciência ambiental, um desconhecimento da lei em vigor e ainda uma frágil situação económica que impossibilita os investimentos para os agentes se legalizarem”.Francisco Vaz de Medeiros sublinhou ainda o contributo da Inspecção Regional do Ambiente (IRA) para o desenvolvimento sustentável, na medida em que, “após um primeiro contacto, as pessoas têm acordado para os problemas”, desta forma há um “efeito dissuasor, a partir de uma prevenção e de punição”, desta forma afirma que tem “regulado os mercados, de maneira a evitar a concorrência desleal”, comparando a acção da IRA com a da Inspecção Regional das Actividades Económicas.O inspector do Ambiente termina enunciando os desafios que a IRA tem pela frente, que considera serem: a diminuição do número de infracções e o aumento da consciência ambiental nas populações”, para que se “melhore a qualidade ambiental e para que haja um equilíbrio entre o crescimento económico e a qualidade ambiental”.No Dia Mundial do Ambiente, o professor da Universidade dos Açores, Félix Rodrigues, falou sobre a Educação Ambiental e sobre o Desenvolvimento Sustentável.“Estes são conceitos discutíveis, que têm se ser pensados. O primeiro passo para a educção ambiental é a sensibilização, de forma a que se discutam e se alterem atitudes”, explicou Félix Rodrigues.“A educação ambiental deve ser para todos e sempre”, porque “estamos todos preocupados com o ambiente porque o alterámos”, avança.O professor salientou a ideia que o desenvolvimento sustentável é “a fusão entre o natural e o social” e para que isso aconteça é necessário que “cada indivíduo dê o seu contributo, porque o que cada um dá tem um impacto no global”.Conclui que se devem aproveitar “as mais valias de cada elemento da sociedade” e “encontrar soluções regionais para os problemas locais, em vez de importá-las”.Outro dos professores da Universidade dos Açores que interveio no seminário foi Francisco Cota Rodrigues, que falou sobre a água subterrânea na Terceira. Após explicações sobre escoamentos, infiltrações, retenções, aquíferos basais e suspensos, bem como as vantagens e desvantagens de cada um, concluiu que no futuro se “deve aumentar a exploração dos aquíferos de base e simultaneamente explorar os aquíferos suspensos, fazendo uma mistura, de forma a obter água de melhor qualidade”.O presidente da empresa municipal Praia Ambiente, Paulo Messias, evidenciou no, seu discurso, as iniciativas da empresa, nomeadamente na área dos resíduos sólidos, “ a implementação do canal HORECA, a recolha de recicláveis junto de hotéis, restaurantes e cafés e a recolha porta a porta de materiais recicláveis no centro urbano, serviços já expandidos a áreas periféricas, que “têm tido os melhores resultados”.Paulo Messias salientou ainda o Plano de Valorização dos Óleos Alimentares Usados com a principal intenção de os transformar em bio-combustível. “As acções tomadas actualmente, para além dos efeitos imediatos, devem ter efeitos que subsistam no tempo para que aqueles que nos seguem sejam herdeiros de um planeta mais limpo ”, destacou o presidente da Praia Ambiente.

(in Diário Insular)

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sexta-feira, junho 05, 2009

Problemáticas ambientais em debate na Praia

“Ambiente e Desenvolvimento Sustentável” é o tema de um seminário decorre hoje, a partir das 09H15, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Praia da Vitória.


Promovido pela Praia Ambiente, no âmbito do programa de Educação Ambiental, o seminário destina-se a assinalar o Dia Mundial do Ambiente, alertando para as problemáticas ambientais, nomeadamente no que se refere às questões relacionadas com o desenvolvimento sustentável, dando enfoque ao caso concreto do concelho da Praia da Vitória. De acordo com a Praia Ambiente, a escolha desta temática enquadra-se na comemoração da “Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014), estabelecida pelas Nações Unidas, com o intuito de promover a sensibilização e informação ambiental da população, dado que esta assume um papel fulcral na construção do desenvolvimento sustentável. “Água subterrânea na ilha Terceira”, “Ambiente e economia”, “Educação ambiental e desenvolvimento sustentável” e a “A actividade dos Serviços de Inspecção do Ambiente na ilha Terceira” são os temas que serão abordados no seminário. Paulo Messias, presidente da Praia Ambiente, intervém na sessão de abertura, marcada para as 09H15, após o que Francisco Medeiros, Inspector Regional do Ambiente, aborda o tema “A Inspecção Regional do Ambiente - Contributos e desafios para a qualidade ambiental e desenvolvimento sustentável”. Cota Rodrigues, docente Universidade dos Açores, vai falar, a partir das 10H15, sobre a “Água subterrânea na ilha Terceira”. Félix Rodrigues, também docente da Universidade dos Açores, aborda, pelas 11H00, o tema “Educação ambiental e desenvolvimento sustentável”. Outra docente da Universidade dos Açores, Emiliana Silva, vai falar sobre “Ambiente e economia”, a partir das 11H30. Para as 12H00 está agendado um debate, seguindo-se a sessão de encerramento.

(in Diário Insular)

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quinta-feira, junho 04, 2009

Seminário Dia Mundial do Ambiente


A Praia Ambiente, em colaboração com o Município da Praia da Vitória, organiza, no âmbito do programa de Educação Ambiental, um seminário dedicado à temática “Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”, no próximo dia 5 de Junho, nos Paços do Concelho, Salão Nobre e com início às 9h15.
Deste modo, serão abordadas as seguintes temáticas: “Água Subterrânea na ilha Terceira”, “Ambiente e Economia”, “Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável” e “A Actividade dos Serviços de Inspecção do Ambiente na Ilha Terceira”.
O programa é o seguinte:
09h15
Sessão de Abertura – Paulo Ávila Messias, Presidente da Praia Ambiente, E.M.
09h45
A Inspecção Regional do Ambiente - Contributos e desa­fios para a qualidade ambiental e desenvolvimento sustentável – Francisco Vaz de Medeiros, Inspector Regional do Ambiente.
10h15
Água Subterrânea na ilha Terceira – Francisco Cota Rodrigues, Docente Universidade dos Açores - Angra do Heroísmo.
10h45
Pausa-Café
11h00
Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável – António Félix Rodrigues, Docente Universidade dos Açores - Angra do Heroísmo.
11h30
Ambiente e Economia - Emiliana Soares da Silva, Docente Universidade dos Açores – Angra do Heroísmo
12h00
Debate
12h30
Sessão de Encerramento – Representante do Secretário Regional do Ambiente e do Mar.

Inscrições até ao dia 3 de Junho
295 545 530 telma.oliveira@praiaambiente.pt

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quinta-feira, maio 28, 2009

Alterações Climáticas Globais - Impactos nas ilhas

De acordo com o IPCC, são os territórios insulares aqueles que são mais vulneráveis às alterações climáticas globais: pela escassez do território e pela vulnerabilidade dos recursos naturais.
As alterações climáticas podem promover grandes alterações nos procedimentos agrícolas, ocupação do território e conservação da biodiversidade.
As ilhas açorianas são especialmente vulneráveis às alterações climáticas, uma vez que dependem de recursos naturais particularmente sensíveis à mudança do clima, como a produção de pastagem e o abastecimento de águas às populações e à lavoura. É o afastamento geográfico das grandes superfícies continentais que as tornam extremamente sensíveis à falta de água para consumo humano. Assim, os impactos das alterações climáticas fazem-se sentir, não só sobre a quantidade e a qualidade das águas superficiais e subterrâneas, mas também incrementam o risco de ocorrência de situações extremas de inundações e secas.
A análise de séries históricas de observações climáticas em Angra do Heroísmo, não apresenta tendências claras do clima médio do Arquipélago ou da ilha, no sentido de um aquecimento progressivo ao longo do último século, mas todos os cenários apontam para que a nível do Atlântico a taxa de crescimento da temperatura aumente. Nesse contexto, prevêem-se modificações dos caudais de descarga dos aquíferos para as ribeiras e armazenamentos naturais de água subterrâneas menores do que na actualidade, relacionadas com uma redução da recarga pela precipitação. Nesse contexto, a capacidade das actuais infra-estruturas de captação e armazenamento de água satisfazerem as necessidades das populações poderá ficar substancialmente diminuída.
Foram estes alguns dos pontos abordados na palestra proferida pelo Professor Félix Rodrigues, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, no dia 25 de Maio de 2009, na Escola Básica Integrada dos Biscoitos, para alunos do 2º e 3º ciclos do Ensino Básico.
Para além das questões relacionadas com o ciclo hidrológico, também foram enfatizados os impactos da subida do nível médio da água do mar, pelo degelo das calotes polares.
Félix Rodrigues referiu que há medida que a temperatura média do planeta aumenta, o risco de ocorrência de pandemias também aumenta e também o risco de aparecimento de doenças já extintas no ocidente, como por exemplo a malária.

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domingo, maio 10, 2009

Produção intensiva de erva é um erro

A aposta exclusiva na produção intensiva de erva na Terceira é um erro, afirma o professor Félix Rodrigues, que defende um modelo agrícola que assente em várias produções.
Em declarações ao DI, o especialista em alterações climáticas explica que essa diversidade evitaria que a falência de uma produção provocasse o descalabro do sector.
“Temos de ir alterando progressivamente a produção agrícola, adaptando-a às contingências e, acima de tudo, garantindo a sua diversificação. É necessário perceber que, por exemplo, a produção intensiva de erva implica determinados requisitos, nomeadamente a existência de água”, alega o académico.
“Quer isto dizer que a falta de água afectará logo a produção nas zonas baixas. Havendo uma multiplicidade de produções, poderemos, facilmente, ultrapassar os problemas provocados pela quebra produtiva numa determinada produção”, alega.

Novas épocas

Nos últimos dias, o presidente da Associação Agrícola da Terceira, Paulo Simões, alertou que a escassez de chuva nas próximas semanas poderá pôr em risco as sementeiras de milho em curso nas terras baixas.
“Isto significa que, caso se mantenha esta tendência de alteração do ciclo das chuvas, que as épocas de sementeira e de colheita nessas zonas terá de ser repensada”, sublinha Félix Rodrigues.

Água já corre

Na terça-feira, o candidato social-democrata à Câmara de Angra denunciou cortes na água à lavoura no Pico do Vime, na bacia leiteira do Paul.
Na resposta, a secretaria regional da Agricultura garantiu que o problema foi ultrapassado e que os cortes se deveram à necessidade de ligar a lagoa do Cabrito à rede de abastecimento da lavoura devido à redução dos caudais das nascentes que abastecem essa rede.
“O abastecimento de água à pecuária nas zonas do Pico do Vime e Ginjal, na Bacia Leiteira do Paul foi restabelecido ao fim da tarde de terça-feira”, refere uma nota de imprensa divulgada pela secretaria regional da Agricultura e Florestas.
As últimas medições pluviométricas revelam que os primeiros meses deste ano sofreram uma quebra de 75 por cento na chuva, comparativamente ao mesmo período do ano passado.
Para ultrapassar a situação, a secretaria regional da Agricultura salientou que foram convidadas duas empresas especializadas para a realização de “dois furos de sondagem e captação, que serão efectuados nos lugares de Cabouco do Cume e Cabrito”, acrescentando que as propostas estão “em fase de análise”.
O executivo espera ter os furos a funcionar em Agosto.
(In Diário Insular)

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sábado, maio 09, 2009

Cisternas podem voltar a ser úteis e produção agrícola tem de diversificar-se

A água canalizada tornou obsoletas as cisternas. Mas estas podem ser solução para a falta de água.

As cisternas e os tanques de água nas explorações agrícolas e nas habitações da Terceira podem voltar a ser uma realidade, admite o professor universitário Félix Rodrigues, especialista em alterações climáticas.
Em declarações ao DI, a propósito da escassez de água na ilha, o académico sublinha que o modelo de desenvolvimento assente na água canalizada para as explorações agrícolas, assim como para o abastecimento doméstico, provocou o desaparecimento das cisternas e dos tanques, que garantiam sustentabilidade do abastecimento individual na ilha Terceira.
“Essa mudança – observada hoje – acaba por revelar-se um erro. Obviamente que é fácil dizê-lo agora, quando a água não abunda na ilha e vivemos dois anos consecutivos com pouca chuva. Mas prova que insistimos em substituir modelos de desenvolvimento, assumindo que o novo será infinito”, argumenta Félix Rodrigues.
“Antigamente, os recursos eram geridos de forma mais sustentável. A água era exemplo disso. A chuva era armazenada. E os fios de água eram protegidos. Hoje, com a lógica da água canalizada, assumiu-se que ela era infinita que estaria sempre à distância de uma torneira”, sublinha.

Nova realidade

Félix Rodrigues adianta que a ilha pode ter começado a experimentar o declínio dessa realidade, provocado por alterações climatéricas espelhadas em previsões realizadas.
“Os cenários traçados, de facto, apontam para um clima açoriano com fortes chuvadas no Inverno, a ocorrerem em períodos mais curtos, e Verões secos. A questão que se coloca, actualmente, é se estes dois anos de menor pluviosidade são já reflexo disso, ou se são apenas dois anos atípicos. É cedo para afirmá-lo convictamente, até porque são necessários dados de três décadas para concluirmos uma nova realidade. Mas, para lá disso, o fundamental é usarmos estas novas realidades para nos precavermos, porque podemos estar a aproximarmo-nos da tendência revelada pelos cenários traçados”, explica Félix Rodrigues.
O professor universitário refere que, depois da falta de água em Angra em 2008 e a aparente persistência do problema este ano, muitos terceirenses começaram a procurar soluções, nomeadamente a reactivação de cisternas e tanques.
“É algo que pode continuar, caso o tempo na ilha persista idêntico ao que se registou nestes dois anos”, alega.
“As pessoas tendem a adaptar-se às alterações. Aqui acontecerá o mesmo. O problema será se a chuva regressar nos próximos anos nas quantidades a que nos habituámos, porque isso fará com que se esqueça o que aconteceu nestes anos e regresse tudo ao mesmo”, adverte.

Problema maior

Ontem, no final de mais uma reunião da comissão parlamentar que está a estudar a falta de água em Angra, o presidente da comissão admitiu a existência de “indícios” de que o problema esteja também a atingir outras ilhas do arquipélago.
“Este problema já estará a começar a atingir outras ilhas, como a Graciosa, S. Jorge e Pico”, disse Domingos Cunha, no final da segunda ronda de audições.
Para o responsável, “começa a vislumbrar-se que existem fenómenos que têm ocorrido nos Açores, em particular na ilha Terceira, que são preocupantes e vão requerer uma avaliação e um estudo sério para encontrar soluções”.
Nesse sentido, frisou que “a comissão espera, no relatório final, dar indicações ao parlamento e alertar o governo e as autarquias para implementarem medidas que minimizem ou evitem mesmo o problema da falta de água potável”.

(in Diário Insular)

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sexta-feira, maio 08, 2009

Falta de água em Angra do Heroísmo preocupa autoridades e população

A falta de água no concelho de Angra do Heroísmo pode agravar-se, segundo alertas recentes, apesar da situação ocorrida no ano passado ter servido para chamar a atenção dos responsáveis públicos para este problema. Os últimos dados disponíveis indicam que a pluviosidade nos primeiros meses deste ano é 75% inferior à registada em igual período do ano passado, o que originou uma quebra de 30% nos caudais das nascentes. Esta situação obrigou os serviços responsáveis a abrir novos furos de captação, para evitar a necessidade de cortes no abastecimento de água como os que ocorreram no ano passado. Na última metade de 2008, segundo dados dos serviços municipalizados, o concelho de Angra do Heroísmo teve “menos 30% de água disponível para distribuir”. Na altura, os especialistas justificaram a falta de água com diversos factores, como os sucessivos rebentamentos em pedreiras ou os furos geotérmicos que poderão ter aberto fissuras nos aquíferos, nomeadamente o da zona do Cabrito. Para além disso, outras situações, como falhas eléctricas nos sistemas de bombagem ou obras na via rápida entre Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, que provocaram rupturas nas condutas, terão levado ao desequilíbrio do sistema e à necessidade de efectuar cortes no abastecimento em várias freguesias do concelho. Na mesma altura, Cota Rodrigues, investigador da Universidade dos Açores, doutorado em Hidrogeologia, surgiu a defender que a falta de água “se deveu ao prolongamento da época estival” e que, por isso, “seria pontual e não devia ser excessivamente empolada”. Na perspectiva da oposição, este problema resultou da "falta de investimento" do executivo municipal socialista, segundo o PSD, ou do "desleixo e falta de fiscalização e planeamento", na opinião do CDS/PP. Para enfrentar o problema, foi implementado um plano de cortes no abastecimento, aplicado por períodos de 24 horas alternados nas várias freguesias, tendo em vista equilibrar o abastecimento de água. A pressão política e popular, que exige respostas concretas para o problema, levou os responsáveis camarários a procurar respostas junto de Lopo Mendonça, considerado um dos principais especialistas em Portugal na área dos recursos hídricos e lençóis de água. Para este especialista, a situação resulta de factores um ano hidrológico muito seco, aliado a arroteamentos de terras junto das nascentes de água. Concluiu o especialista que os arroteamentos junto da Caldeira de Guilherme Moniz-Pico Alto “são uma prática indesejável e prejudicial ao regime de águas”. Perante estas preocupações, o secretário regional do Ambiente, Álamo Meneses, assegurou que seriam "proibidas" junto à caldeira as arroteias de terras, garantindo ainda a reposição da vegetação natural e, "tanto quanto possível", o fim das pastagens. Nesse sentido, Álamo Menezes apresentou um plano de medidas para a correcta gestão do abastecimento de água na ilha Terceira, destinado a evitar rupturas e perdas de qualidade. O plano assenta na “redução do risco de ruptura, no ordenamento do território, na protecção das origens da água e no fomento da gestão integrada dos recursos hídricos”. Para o efeito, vai-se proceder à “abertura de novos furos de captação e ao aumento da capacidade de armazenamento, através de dois novos reservatórios", estando ainda previsto o "aumento da capacidade de tratamento de água e a melhoria da qualidade da água armazenada”. Quanto à gestão integrada dos recursos hídricos da ilha, o executivo pretende efectuar a monitorização contínua das nascentes, além de construir duas novas lagoas artificiais e coordenar a captação de água entre os municípios de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória e o Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA). Álamo Meneses garantiu ainda que a Câmara de Angra do Heroísmo tem a totalidade da sua rede operacional.

(in Diário de Notícias)

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quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Falta de água

Falta de água em seis ilhas do arquipélago açoriano : Terceira, São Jorge, Graciosa, Pico, São Miguel e Santa Maria. O secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, tem já o problema diagnosticado, mas os especilistas consideram um problema de difícil resolução, devido às características geológicas de algumas ilhas.

Para o especialista em hidrologia, Cota Rodrigues, a falta de água é um problema difícil, devido à estrutura geológica de algumas das ilhas açorianas.

Ouvir notícia aqui.


(In Armando Mendes- RDP Açores)

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quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Gestão Integrada da Água- O livro

São textos académicos, resultantes de experiências no terreno e análises sistémicas. Traduzidos para a prática, significam um contributo fundamental para a gestão de recursos que, disponíveis na ilha, continuam a não merecer a atenção devida., ou, pelo menos, a atenção total. Os recursos hídricos e as lamas urbanas (resultantes do processo nas estações de tratamento de resíduos instaladas na ilha) são dois elementos que merecem atenção num dos mais recentes livros da Principia, que reúne cinco teses de mestrado em gestão e conservação da natureza, três delas tendo como alvo o arquipélago, nomeadamente a Terceira (duas das teses têm como objecto de estudo a ilha).
O primeiro desses textos é da autoria de Maria Conceição Rodrigues, docente convidada no Departamento de ciências agrárias da universidade dos açores, localizado na ilha Terceira.
o seu objectivo foi a “aplicação de uma metodologia de suporte ao ordenamento do sítio de interesse comunitário da zona do complexo central da ilha Terceira”, no caso o maciço Pico Alto/Guilherme Moniz, actualmente na praça pública por causa do plano para a sustentabilidade dos recursos hídricos da ilha, apresentado a meados de Janeiro pelo secretário regional do ambiente, Álamo Meneses.
Outro dos textos com interesse particular para a ilha é o de Maria do Anjo Condesso Ekstrom, que procurou analisar a produção de lamas urbanas na Terceira, avançando com um “contributo para um modelo de valorização de lamas de depuração na ilha Terceira”.
Aqui, a investigadora adianta ser possível o uso das lamas resultantes do tratamento de resíduos urbanos, por exemplo, para a adubação das explorações agrícolas.
O livro – coordenado por Eduardo Dias, Leonor Cancela, Luís Fonseca, Pedro Beja e Tomaz Ponce Dentinho, docentes universitários – comporta ainda as teses de mestrado de Luísa Calado (“aplicação de um modelo de programação linear às lagoas dos Açores – avaliação do impacto da actividade agro-pecuária na qualidade da água e efeito no emprego”), Zita Benguela (“Análise dos sistemas de abastecimento de água de consumo na cidade do Huambo”) e de Paula Mendes (“Metodologia para a implementação de um sistema de indicadores de desempenho em serviços municipais de abastecimento de água – o caso de Loulé”).
Proteger a água
A tese de mestrado de Maria da Conceição Rodrigues, para lá do modelo de análise e gestão que propõe, reforça uma ideia recentemente afirmada: a monitorização e gestão do maciço central Pico Alto/Guilherme Moniz favorecem a recarga dos aquíferos da ilha associados a essa zona, que garante três quartos da água saída das nascentes que abastecem a Terceira. “Algumas das formações vegetais aqui existentes, nomeadamente as do tipo natural arborescente, ao controlarem a intercepção, a evapotranspiração e ao diminuírem a erosão, têm um papel importante na estruturação e estabilização das linhas de água. Também as formações vegetais do tipo turfeira, recobertas de Sphagnum que actua como uma esponja, são de primordial interesse para o controlo dos escoamentos superficiais e retenção de elevados volumes de água”, escreve a autora. Com uma área aproximada de 20 quilómetros quadrados, o maciço Pico Alto/Guilherme Moniz é responsável pelo abastecimento das mais importantes nascentes de água da ilha. Com ele, a autora consegue uma fórmula de garantir a justa compensação monetária aos proprietários dos terrenos localizados nesse maciço. o que, em boa verdade, poderá contribuir para o plano de aquisição de terras que o governo Regional pretende implementar naquela zona com vista à sua reserva para a retenção de água e consequente recarga dos aquíferos da ilha.
Recentemente, o secretário regional do ambiente anunciou que parte dos terrenos da caldeira Guilherme Moniz será reservada para o restauro de zonas de turfeiras (ali existentes há vários anos, mas destruídas por arroteias desenvolvidas para a criação de pastagens agrícolas), importantes para a recarga dos aquíferos da ilha.
“Do caso de estudo apresentado resulta a constatação de que a alteração do coberto vegetal actual, em benefício do avanço da pastagem, altera a quantidade de excedentes de água para a recarga aquífera insular”, conclui a autora.
A transformação dos terrenos actualmente usados para pastagem em zonas cobertas de vegetação e sem uso significaria um aumento de 30 por cento nos recursos hídricos da ilha, assume Maria da Conceição Rodrigues nesta tese.
Lamas viram adubo
Outro dos trabalhos incluído neste livro analisa a possibilidade das lamas resultantes do tratamento de resíduos urbanos serem utilizadas na adubação das explorações agrícolas da ilha.
“A ilha Terceira tem uma grande área disponível para aplicação de lamas, com uma estrutura fundiária favorável. Contudo existe fraco potencial de valorização, uma vez que são praticadas culturas de muito baixo rendimento. No entanto, dado o seu potencial como correctivo orgânico e dado o carácter acidificante dos solos, poderá existir interesse na valorização agrícola das lamas de depuração”, conclui Maria do Anjo Condesso Ekstrom, cuja tese de mestrado em gestão e conservação da natureza é incluída neste volume.
Em 2003, segundo a mesma fonte, foram depositados quase 546 mil quilos de lamas urbanas no aterro. Esse valor aumentou no ano seguinte para mais de um milhão de quilos e, em 2005, bateu novo recorde: um milhão de meio de quilos.
Segundo a autora, actualmente, a produção per capita de lamas de depuração na Terceira é de 0,09 toneladas por dia. Tendo por base esse valor, Maria Ekstrom assume que, em 2020, poderiam ser adubados 320 hectares de terreno (dois por cento da superfície agrícola útil) na Terceira. Tal implicaria o uso de seis toneladas do composto resultante do tratamento das lamas urbanas.
“Nos açores, a agricultura, pela sua dimensão, tem potencial para reciclar este tipo de resíduo, já optando hoje em dia pela reciclagem de estrumes e chorumes provenientes da actividade agro-pecuária, em determinadas unidades. No entanto, a transformação destes resíduos num produto seguro e competitivo no mercado é uma tarefa complexa, sendo necessário assegurar a multidisciplinaridade e a participação dos diversos agentes”, sublinha Maria do Anjo Condesso Ekstrom.
Mesmo assim, a investigadora reconhece que a concretização desta possibilidade é difícil, tendo em conta a realidade agrícola actual.
“O tipo de explorações agrícolas existentes e o respectivo grau de mecanização, o tipo de produção existente e respectivas sazonalidade, associada à restrição em determinadas culturas, a profundidade de injecção e o tipo de equipamento necessário para a sua aplicação poderão ser fortes condicionantes à utilização das lamas urbanas, até porque a maioria das instalações não tem a estrutura adequada nem número de trabalhadores suficientes. Para além destes condicionantes o facto de «outros fertilizantes» não serem sujeitos a restrição dificultará a procura por estes novos fertilizantes”, explica.
No entanto, comprovado cientificamente o potencial da reutilização deste material, abre-se uma nova possibilidade.

(In DI-Revista)

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domingo, fevereiro 01, 2009

Árvores na Caldeira Guilherme Moniz

A reflorestação das zonas mais altas da Caldeira Guilherme Moniz é essencial para a eficácia do plano de recuperação do seu papel na recarga dos aquíferos ali existentes. Quem o diz é Eduardo Dias, professor da Universidade dos Açores e director do Gabinete de Ecologia Aplicada dos Açores (GEVA). Em declarações à Antena 1-Açores, o investigador (uma das autoridades regionais na matéria) explica que a devolução da Caldeira Guilherme Moniz à natureza para o restauro do sistema de turfeiras pode não ser suficiente para evitar que a água não chegue aos aquíferos e ás nascentes daquela zona. Além da recuperação das turfeiras, é necessária a reintrodução das florestas de altitude, que desapareceram daquele local. “São zonas chave, por vezes de pequena dimensão. Normalmente as cumeadas, as partes mais altas, onde o processo adquire funções fundamentais. Verifica-se que a maioria das ribeiras da ilha vão, exactamente, nascer nesses sítios”, explica o académico.
Eduardo Dias esclarece que esses arvoredos têm um papel fundamental na precipitação oculta, responsável por uma parte significativa da recarga dos lençóis de água na zona central da ilha, os quais asseguram três quartos da água disponibilizada pelas nascentes da Terceira. “A precipitação retirada das nuvens pelos arvoredos chega a ser quatro vezes mais do que aquela que a chuva normal debita sobre estes sistemas. Portanto, a altura do ano em que estes processos são mais importantes para a recarga do aquífero é, exactamente, no início do Verão, com os nevoeiros de São João, e de meados de Agosto para a frente”, esclarece Eduardo Dias. Segundo o académico, o restauro das turfeiras no maciço central da ilha (Guilherme Moniz/Pico Alto) e a reflorestação de algumas zonas altas desse complexo contribuirão, garantidamente, para a recuperação do ciclo da água na ilha Terceira. A Universidade dos Açores, segundo académico, desenvolveu um modelo que permite perceber quais as zonas em que é fundamental a reflorestação.
Medidas importantes
Na quinta-feira passada, o secretário regional do Ambiente anunciou um conjunto de medidas para a recuperação do ciclo da água na Terceira. Esse plano, além de comportar a abertura de quatro furos de captação de água até ao Verão e, nos próximos anos, prever a construção de duas lagoas artificiais, impõe a reserva de terrenos no maciço central da ilha (Guilherme Moniz/Pico Alto) para a produção de água. Neste caso, o plano define como fundamental a recuperação das turfeiras (vegetação que absorve a água e a vai libertando lentamente para infiltração nos aquíferos) na Caldeira Guilherme Moniz.
No final da semana, Eduardo Dias, em declarações ao DI, assegurava tratar-se de um projecto importante, embora ressalva-se que a sua concretização demorará, no mínimo, uma década.Também Félix Rodrigues, docente da Universidade dos Açores e especialista em questões ambientais, classifica de “razoável” o plano governamental.“Apresenta soluções a longo prazo. Nomeadamente a reserva de áreas da Caldeira Guilherme Moniz para o restauro do sistema de turfeiras. E apresenta medidas mais imediatas, no caso, furos de captação de água. Claro que, neste caso, falamos de investimentos que implicam alguma incerteza, já que quando se fura nunca se sabe, concretamente, quais os caudais que se vão conseguir”, argumenta.
Legislação inovadora
O plano apresentado pelo secretário regional do Ambiente visa garantir água para a ilha nos próximos anos. O projecto impõe a protecção das nascentes e zonas circundantes aos aquíferos mais importantes da ilha. Curiosamente, já em 1977, a Região era pioneira nessa matéria, ao produzir um decreto regional que estabelecia perímetros de protecção de nascentes e as consequentes coimas pelo seu desrespeito. O decreto regional nº12/1977 de 20 de Agosto estabelece, entre outras medidas, que os terrenos onde existam nascentes ficam protegidos num raio de 50 metros, podendo, em casos especiais, esse perímetro ser alargado aos 500 metros. “Essa legislação, em boa verdade, foi inovadora. Mas pecou por ser muito genérica. Querer proteger, num limite de 50 metros, uma nascente que proporciona poucos litros de água e aplicar a mesma medida a uma nascente que garante milhares de litros não é razoável”, comenta Félix Rodrigues.
Proteger a água
Quinta-feira, o secretário regional do Ambiente anunciou que terrenos entre a Serra do Morião e o Pico Alto poderiam ser adquiridos pelo executivo para serem reservados ao restauro de turfeiras. A medida, incluída no plano governamental para a sustentabilidade dos recursos hídricos da ilha, visa a diminuição da actividade agrícola naquela zona. Ao mesmo tempo, segundo o secretário do Ambiente, vão ser monitorizadas as actividades industriais em curso no Cabrito, nomeadamente a extracção de pedra. O plano para a sustentabilidade do abastecimento de água na Terceira inclui ainda a interligação das redes do IROA e das Câmaras Municipais de Angra e da Praia. Prevê ainda medidas imediatas: abertura de quatro furos de captação de água (um na zona da Terra-Chã/Fonte Faneca e três nos Cinco Picos) e pela construção de pelo menos duas lagoas artificiais, uma no Cabrito e outra a Sul do Pico da Bagacina. A abertura do furo na Terra-Chã/Fonte Faneca deverá começar dentro de duas a três semanas, segundo os Serviços Municipalizados de Angra. “Estas serão direccionadas, sobretudo, para a Agricultura, libertando a captação de água para o abastecimento público. Os novos furos também terão esse objectivo, embora se pretenda investir no tratamento de água que possibilite o seu uso doméstico”, explicou Álamo Meneses. Segundo Álamo Meneses, o IROA irá comparticipar nos custos dos ramais aos agricultores, para evitar o seu recurso às fontes públicas.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, novembro 28, 2008

A Festa das Cigarras

Tomaz Dentinho
Já demos por isso. Os eleitores açorianos são um bocadinho “maria vai com as outras”. Quando o PSD está no poder votam PSD até que o chefe se vá embora, não vá o diabo tecê-las. Quando o PS Governa o melhor é não levantar muitas ondas e manter as coisas como estão, também até o chefe se ir embora; “sabemos onde estamos, não sabemos para onde vamos”, é isso que expressam alguns com um ar meio esguio e matreiro de quem há muito tempo optou por ser discreto e umbilical em vez de ser inteligente e ousado como os que partiram para o outro lado do mar.
No entanto nos Açores a terra e o mar também votam quando as gentes parecem ter esquecido de onde são, e preferem voar aos sons dos ventos de fora que trazem mais fortuna momentânea. Se a América dizia que era assim então para quê dizer o contrário. Se, agora, a Europa diz que é assado que remédio nos resta se não acatar o que dizem de Bruxelas e ainda pagam? O problema, ou a sorte, é que o mar e a terra não se calam sobretudo neste ponto particularmente sensível do Planeta.
Em Angra do Heroísmo lembraram-se de que eram os maiores e os melhores a organizar e celebrar festas e festividades. E como havia um dinheirinho europeu de semente, vá de organizar mais festas e festivais com nome de cultura, fazer barulho à fartazana, acabar com o porto que justificou a cidade para fazer bares e restaurantes de anti-civilização, e descurar aquilo que é a base de qualquer cidade insular: o abastecimento de água e o porto que, desde há cinco séculos, iam estruturando o desenho urbano desta cidade que escolhemos para viver.
Esqueceram-se, os seguidores da Cigarra, que a cidade começa nos cumes das Serras do Morião, do Pico Alto e de Santa Bárbara e termina nos termos das rotas que demandam Angra, do outro lado do mar. E, de repente, a água deixou de correr nos tubos e passou a faltar nos reservatórios. De, repente, a cidade ficou vazia porque quinhentos empregos foram mudando para o novo porto construído na Praia, ficando Angra como armazém para barcos de recreio. De repente – “virá que eu vi” – o governo subsidiado do exterior deixará de ter dinheiro para pagar os funcionários regionais da cidade que, in extremis, se transformará no Topo da Ilha Terceira, cheio de história e de ruína, sem água e sem porto, sem vocação e sem sentido. Aconteceu a outras cidades que foram importantes, nessas ilhas aí para fora – como dizia um sabedor micaelense. Sobretudo quando se esqueceram do saber da água que lhes dava raízes e do porto que lhes dava sentido. Tudo no meio de muita festa e de muita obra de fachada dos últimos dias.
Mas as ilhas relativamente pequenas têm felizmente estes alertas ambientais, mesmo quando as gentes se esquecem das raízes que têm e do sentido para que foram criados. E é assim que quem se vai encarregar de derrotar o poder estabelecido não é uma oposição que pouco tem de diferente mas sim a falta de água, a degradação da paisagem, a degradação da cultura e a anulação do porto.
Quando percebermos que não temos água porque deixámos fazer rebentamentos em pedreiras, porque não pagámos a alguns lavradores para produzirem água em vez de produzirem leite e carne, porque não cuidámos com o peso dos camiões das obras a pisar condutas, porque não tivemos coragem de controlar a procura através do preço, porque vivemos à conta das obras de outros tempos, porque chamámos um supostos peritos de fora para palrar na comunicação social, porque anunciámos restituições de verbas sem resolver o problemas. Quando percebermos isso tudo, dizia, nem teremos força para culpar alguém. A culpa é nossa – formigas discretas e umbilicais - que nos deixámos enredar na Festa das Cigarras.

(In A União)

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terça-feira, setembro 30, 2008

Água politizada

O Núcleo da ilha Terceira do Bloco de Esquerda/Açores partilha a preocupação dos terceirenses, no que diz respeito aos constantes cortes no abastecimento público de água e estranha a falta de uma justificação cabal por parte dos Serviços Municipalizados de Angra do Heroísmo (SMAH) para esta situação. O Bloco de Esquerda/Açores receia que os SMAH não queiram revelar as principais causas que estão por detrás desta escassez da água na ilha Terceira por pressões políticas, escondendo que a obra da “via rápida”, considerada emblemática pelo governo regional, é uma das principais causas para esta situação.
O Núcleo da ilha Terceira do Bloco de Esquerda/Açores considera urgente esclarecer a população. É um dever dos SMAH revelar todas razões conhecidas para esta súbita falta de água, explicar até quando estes cortes vão continuar e quais as soluções que os técnicos apontam para que esta situação termine. De facto, o núcleo não acredita que os técnicos dos SMAH não conheçam as razões e não possam apontar soluções para a resolução ou, pelo menos, para a mitigação do problema.
O Bloco de Esquerda/Açores considera ainda ser muito grave pedir às populações que fiquem 24 horas sem água, sem que haja um esclarecimento sobre como esse sacrifício vai resolver o problema. Como é de conhecimento geral, este não é um ano de seca, como foi prontamente esclarecido pelo Professor Brito de Azevedo do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores num artigo de sua autoria, publicado no Diário Insular. A razão de maior consumo não pode ser justificada senão pela utilização abusiva de água numa obra, como a da via rápida, ou pior, para a perda de água causada pela danificação de adutoras.
O Núcleo da ilha Terceira do Bloco de Esquerda/Açores sempre desejou a requalificação desta via, todavia consideramos que esta obra não foi planeada de forma adequada, é desajustada à realidade da ilha e esbanjadora de recursos, como aliás foi já referido no comunicado lido na apresentação da lista. O Núcleo da ilha Terceira do Bloco de Esquerda/Açores acredita que o bem-estar das pessoas e a preservação do ambiente é mais importante do que o cumprimento de prazos irrealistas estabelecidos em função de necessidades políticas mesquinhas.

(In Bloco de Esquerda - Açores)

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quarta-feira, janeiro 23, 2008

Lagoas do Pico

Continuo por aqui, pela Ilha Maior, correndo os Concelhos da Madalena, São Roque do Pico e Lajes do Pico, ilha que é a maior em termos da recta mais extensa dos Açores, maior no que se refere ao ponto mais alto dos Açores e de Portugal, maior ainda nas mentes das suas gentes, capazes de gerar cardeais e patriarcas, doutorados e empresários, fados de Coimbra e baladas de intervenção.
A rotina é sempre a mesma. Dormida na casa simpática cedida pelo Departamento de Oceanografia e Pescas para os docentes do mestrado em Gestão e Conservação da Natureza do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, cuidadosamente gerida pela organização local do mestrado a cargo da Ecoteca do Pico. Segue-se a troca de emails e o envio deste texto logo depois do pequeno-almoço no Café Simpatia e, quando lembra, de uma passagem rápida pela Matriz da Madalena. Depois vou aos Serviços Agrícolas solicitar o apoio das engenheiras Benilde Pereira e Rita Ferreira que até às cinco da tarde me vão ensinando os segredos do agros e dos agricultores. E finalmente vem o mestrado das seis às onze, com uma sanduíche e uma cerveja no único café aberto àquela altura.
Ontem fomos visitar as Lagoas do Pico e aprender sobre elas. Na Lagoa do Capitão encontrámos um lavrador a tratar do seu gado charolês ainda no pino do Inverno. A lagoa estava cheia e o vento era tão forte que fazia alguma rebentação num lençol de água cuja dimensão não é por aí além, talvez dois hectares. Lá estavam os patos deixados pelos serviços florestais e poderíamos imaginar os peixes protegidos do vento pelas águas oxigenadas por esse mesmo vento. Lá estavam também os banquinhos e os placars que o Estado gosta de colocar nos sítios a marcar a sua presença hegemónica, embora quem lá esteja duas vezes por semana sejam os lavradores. Houvessem bebedouros funcionais para o gado e já não haveria necessidade do gado se aproximar do lençol de água. O problema é que os serviços preferem estimular bebedouros colectivos que não são mantidos nem menos usados em vez de estudar a hidráulica complexa de criar bebedouros nas várias explorações, e que tenham água potável todo o ano. Afinal de contas é para isso que deveriam servir os engenheiros e não para copiar o bebedouro que vem do livro de escola que não serve e foi caro.
A Lagoa do Caiado é um caso paradigmático de que a solução se aproxima do óptimo quando existem usos alternativos com direitos de propriedade bem definidos. De um lado a possibilidade do uso do solo e da água pelos lavradores da bacia hidrográfica. Do outro a possibilidade de uso da água pelo município. E como o município tem ali uma fonte de água mais barata e melhor do que a dos furos, não se importa de pagar aos lavradores da pequena bacia a água dos seus terrenos, adquirindo o direito consuetudinário do uso do solo e da água para a pastorícia para afectar esses recursos ao abastecimento de água. É caso para pensar que, se houvesse utilização da Lagoa do Capitão, atrás referida, para o abastecimento de água do município, certamente os lavradores seriam compensados e o ordenamento da bacia estaria resolvido, como parece estar a acontecer na Lagoa do Caiado. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, o direito à água era inicialmente dos lavradores e não do Estado tendo sido adquirido pelo município através da aquisição dos terrenos.
A Lagoa do Paúl estava enevoada, mas foi possível verificar que a régua de medida da profundidade estava no zero no pino do Inverno indicando que a lagoa já não é capaz de reter a água que retinha num passado recente. Além disso o equipamento que media o nível estava com o cronómetro ligado mas não tinha tinta. Ao lado havia uma ordenha em tempos subsidiada mas agora abandonada e degradada. E pelo caminho apareciam umas reses com frio que vinham ao sinal do nosso carro de que algum alimento externo estaria para chegar. Aliás a estrada estava cheia de caules de milho. Deu tempo para ir à Lagoa do Peixinho e da Rosada mas agora não há espaço para falar delas.

(Prof. Tomaz Dentinho In A União)

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sexta-feira, setembro 28, 2007

Aspectos hidrogeológicos da ilha Terceira discutidos em Congresso Internacional

No XXXV Encontro da Associação Internacional de Hidrogeólogos que decorreu em Lisboa, até ao dia 24 de Setembro, os Açores estiveram amplamente representados através de apresentação de trabalhos que abordaram a hidrologia insular açoriana. O Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores apresentou duas comunicações científicas.
A temática deste Encontro centrou-se nas relações entre "Águas subterrâneas e Ecossistemas".
Uma dessas comunicações, da autoria do Eng. Luís Teixeira e dos Professores Francisco Cota Rodrigues, da Universidade dos Açores e Daniel Urish e Reinhard Frohlich, da Universidade de Rhode Island (Estados Unidos da América) examinou a aplicação de processos geoeléctricos à exploração de água subterrânea na Caldeira dos Cinco Picos na Ilha Terceira.

A exploração de técnicas capazes de identificar água subterrânea em todas as ilhas do Arquipélago, reveste-se de especial importância uma vez que a maior parte da água usada nas ilhas tem origem subterrânea, dependendo da água da chuva. O aumento dos períodos de seca, terá impacto no abastecimento de água às populações insulares, daí a necessidade de se inventariarem todos os aquíferos passíveis de exploração.
A aplicação desta técnica à detecção de lençóis de água na zona em estudo, revelou a presença de camadas saturadas, com abundância de água subterrânea que poderá constituir uma boa reserva hídrica para a ilha Terceira nos próximos anos.
A segunda comunicação, da autoria da Engª Celeste Miguel e do Professor Francisco Cota Rodrigues, analisou de forma exaustiva a hidrogeologia do ecossistema do Paúl da Praia da Vitória, profundamente alterado nos últimos 60 anos e de reconhecida importância do ponto de vista ecológico.
Uma vez que o Paúl da Praia da Vitória se localiza num sector costeiro do aquífero basal da ilha Terceira, apresenta condições únicas e específicas, do ponto de vista hidrogeológico, em todo o Arquipélago. O futuro deste ecossistema depende do complexo programa de recuperação que está a ser levado a cabo nesse local, pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, e da capacidade técnica de preservar as correntes difusas de água doce que aí se encontram, responsáveis pela existência de uma vegetação halófita e uma fauna peculiar.

(In Azores Digital)

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