Ricardo Rodrigues: Governos “têm olhado pouco” para projectos de interesse comum
“Este proposta de resolução cai por natureza porque a sessão legislativa do Parlamento nacional acabou e não temos que nos pronunciar sobre esta matéria”, palavras de Ricardo Rodrigues. O facto é que a Assembleia Legislativa dos Açores já agendou a proposta de resolução do PP para uma reunião da Comissão Parlamentar de Economia que deverá dar parecer até ao dia 24 do corrente. Decorrido um ano e nada A proposta de resolução cita a Lei de Finanças Regionais revista define projectos de interesse comum como aqueles que “são promovidos por razões de interesse ou estratégia nacional e ainda os susceptíveis de produzir efeito económico positivo para o conjunto da economia nacional, aferido, designadamente, pelas suas consequências em termos de balança de pagamentos ou de criança de postos de trabalho e, bem como, aqueles que tenham por efeito uma diminuição dos custos de insularidade ou relevância especial nas áreas sociais, dos transportes e das comunicações”. Estabelece a Lei de Finanças Regional que as condições concretas de financiamento pelo Estado dos projectos são fixadas por decreto-lei, ouvidos o governo regional e o conselho de acompanhamento das políticas financeiras. O facto é que, como refere o PP, “decorrido mais de um ano desde a entrada em vigor da Lei, a verdade é que o decreto-lei sobre Projectos de Interesse Comum ainda não foi elaborado e aprovado, o que impede as Regiões Autónomas de candidatarem obras e projectos a este importante instrumento financeiro” aprovado pela Assembleia da República. Nestes termos, o PP pede à Assembleia da República que aprove, “com a máxima celeridade”, o decreto-lei que fixa as condições de financiamento pelo Estado dos projectos de interesse comum. “Não se tem olhado…” O cabeça de lista do PS candidato à Assembleia da República, Ricardo Rodrigues, considera o ‘timing’ da proposta de resolução do PP tardia e inútil com o argumento de que a questão tem de ser novamente levantada na Assembleia da República que sair da próxima legislatura. Ricardo Rodrigues confessa, no entanto, que “se tem olhado muito pouco para este tipo de projectos” que são “cumulativamente” de interesse regional e nacional. Projectos que “visam dar maior sustentabilidade à actividade económica e às regiões mais afastadas de Portugal. Esta é uma área que, na opinião do candidato a deputado à Assembleia da República, “vai ser necessário explorar na próxima legislatura”. E, a propósito, do tema estar na agenda da Assembleia Legislativa Regional, Ricardo Rodrigues deixa claro que “não se quer meter” no que são as competências do Parlamento açoriano. Mas, conclui, “o que acho é que esta é matéria que deve ser analisada na próxima legislatura”. Denúncias do PSD Entretanto, o deputado do PSD ao Parlamento regional, José Manuel Bolieiro, procurou minimizar a importância da proposta de resolução do PP. Disse que “desde sempre” ele próprio e o PSD/Açores “tem denunciado a omissão da regulamentação necessária à implementação dos projectos de interesse comum, uma forma de garantir compromissos de soberania nos interesses do desenvolvimento dos Açores”. “Nós temos denunciado, em requerimento, em declarações públicas e políticas, esta omissão no passado, pouco tempo depois da Lei de Finanças Regionais ter sido publicada em 1999. E esta proposta de resolução é mais um elemento que vem passados dez anos a Lei”. Bolieiro recordou, a propósito, a recente posição de Berta Cabral, líder do PSD, de levantar hipótese para encontrar uma solução para o financiamento da RTP/Açores. E, em outras ocasiões e oportunidades, falamos destas solução de cooperação para outras situações como segurança pública, ou até mesmo Universidade dos Açores, entre muitas outras possibilidades, designadamente na área da saúde e da educação”, concluiu o deputado. PS com PSP Entretanto, o comandante regional da PSP dos Açores comunicou ontem aos candidatos do PS à Assembleia da República que a criminalidade participada diminui no arquipélago na ordem dos 5% entre 2007 e 2008 e que, no primeiro semestre deste ano, a criminalidade registada em todas as forças policiais da Região também decresceu. “Esta ligeira diminuição dos índices de criminalidade nos Açores é muito bom para o país e bom para os Açores em particular”, afirmou, a propósito, ao ‘Correio dos Açores”, o cabeça de lista do PS/Açores à Assembleia da República, Ricardo Rodrigues. Ricardo Rodrigues realçou que “foi possível perceber” na reunião que o actual comandante da PSP “conseguiu implementar uma nova organização interna de serviços”, tornando a polícia “mais eficaz e operacional”. O candidato socialista admitiu que, em termos de meios humanos e materiais, os recursos “são sempre escassos, ou seja, nunca são ideais”. O comandante da PSP teve oportunidade de elucidar que recebeu este ano mais viaturas e mais armas e que, até final deste mês, receberá mais algumas centenas de armas para poder reequipar os agentes de segurança, ficando todos com armas novas até ao fim de Agosto. “Quanto a meios humanos, naturalmente que são sempre poucos. Não são os ideais, mas com a gestão que o comando teve a oportunidade de nos reportar, verifica-se que tem uma operacionalidade e uma eficácia muito consistente”, afirmou Ricardo Rodrigues. Ricardo Rodrigues admitiu que a segurança “é sempre uma área difícil, uma área que trás muita preocupação a todos ao açorianos. Procurámos inteirar -nos das dificuldades para as poder, de uma forma mais real e efectiva, transmitir em Lisboa ao próximo governo da República”.(In João Paz - Correio dos Açores)


O responsável comunista afirmou que a Universidade dos Açores não pode continuar a viver com um orçamento “que só chega para oito meses de salários” fruto do que apelidou de “financiamentos cegos que olham as universidades todas da mesma forma”.Perante este cenário, a CDU/Açores pretende que a UAç seja contemplada por um regime de excepção que tenha em conta a sua insularidade e o facto de estar localizada em espaços geográficos dispersos “situação que já acontece com outros programas de apoio”, lembrou Aníbal Pires.Os comunistas entendem que só assim será possível manter o nível de excelência alcançado pela instituição em diversas áreas científicas, considerando que a UAç tem “ um papel estruturante para o desenvolvimento da Região a vários níveis”.Fim de BolonhaDurante a conferência de imprensa a CDU/Açores abordou outras temáticas referentes ao Ensino Superior defendendo o abandono do Processo de Bolonha e a revogação da Lei do Financiamento e do Regime Jurídico das Instituições de ensino superior.Para os comunistas as transformações recentes no ensino superior mais não são que uma tentativa “ não confessada, de o privatizar”, considerando que os graus superiores se têm vindo a tornar cada vez “mais elitistas”.Em relação a Bolonha, Aníbal Pires afirmou que este modelo veio trazer “ perca de qualidade” nos conteúdos das licenciaturas o que tem levado a que “ o mercado de trabalho não absorva estes jovens por falta de preparação, obrigando-os a procurar um nível superior de conhecimentos, neste caso os mestrados, onde os custos são integralmente suportados pelos estudantes”.Assim, os comunistas defendem um modelo que privilegie “licenciaturas de qualidade e que criem condições para a entrada no mercado de trabalho”. Sobre a Lei de Financiamento do Ensino Superior, a CDU entende que este regime tem sido “um garrote que estrangula as nossas universidades” fruto de um desinvestimento do Estado que obriga as instituições de ensino a recorrer às propinas para se auto-financiarem “ aumentando a pressão sobre estudantes e suas famílias”, declarou o coordenador regional da Coligação.Aliada a esta situação, afirma a CDU, o novo regime jurídico das instituições do ensino superior “visa transformá-las em entidades de direito privado” o que defendem tem levado “à destruição da sua autonomia e de uma gestão democrática”, numa politica de constante “desresponsabilização do Estado”.Os comunistas pretendem que o actual regime seja substituído por um outro que consagre o investimento na educação como uma aposta na competitividade e futuro dos país, permitindo às instituições de ensino superior os meios e autonomia necessárias.



Félix Rodrigues lembrou ainda que “a Constituição da República Portuguesa diz que o ensino superior em Portugal deve ser tendencialmente gratuito, mas na prática o ensino superior em Portugal é tendencialmente pago e bem pago”. Acrescentando que, “há aqui uma incompatibilidade de lógicas e políticas de direita e esquerda”. O cabeça de lista popular, preconizou ainda que a “competitividade dos docentes seja premiada”, isto é, avançou, “o desempenho dos docentes não é compensado, mas os docentes são estimulados a apresentarem desempenhos diferentes”.O candidato deixou ainda uma crítica ao Governo da República, esta relacionada com as infra-estruturas físicas da Universidade. Segundo Félix Rodrigues, “o Governo da República demitiu-se completamente das suas responsabilidades em financiar a tripolaridade da Universidade dos Açores”.Afirmou que, “se não fosse o Governo Regional a substituir as competências do Governo da República hoje não teríamos quaisquer instalações de qualidade na Universidade dos Açores”.
Para “que exista um relacionamento com o parlamento europeu, com a comissão europeia e com as demais instituições”, de modo a “impulsionar e a captar todas as iniciativas a favor do desenvolvimento do concelho”.A um nível internacional, “pretende-se que o referido centro seja um meio de articulação, de acompanhamento e fortalecimento em áreas como a geminação de cidades ou redes de cidades, permitindo novas funcionalidades, reconhecimento e afirmação à escala global”, disse, acrescentando que “conhecer e dar a conhecer será, com tempo e presença, uma prioridade do município, pois Angra possui uma riqueza singular capaz de gerar intercâmbios e estabelecer parcerias com as mais diversas cidades europeias”, explicou. António Ventura elegeu como principal elemento desse contacto “os nossos eurodeputados, muito em especial Maria do Céu Patrão Neves, que trabalhará de modo a estabelecer uma ligação directa entre o município e a Europa, isto para além de uma parceria com o Europe Direct, da Universidade dos Açores, com que vamos cooperar para optimizar as comunicações com a União Europeia”, explicou.Presente na conferência de imprensa esteve a eurodeputada social-democrata, que sublinhou ser “uma honra poder associar-se ao projecto, sendo que as boas ideias são sempre fáceis de apadrinhar”, afirmou, assumindo que “a nossa condição de arquipélago, nomeadamente a condição geográfica, não se pode traduzir noutros aspectos, nomeadamente ao nível humano e político, onde temos de estabelecer aberturas para todas as iniciativas que tragam novas oportunidades e novas valências à região”, explicou.Referindo “esta necessidade que nós temos de ligação ao exterior”, Maria do Céu Patrão Neves disse que “os Açores querem abrir-se ao todo europeu, num presente constante que pode estar connosco, desde que agarremos as oportunidades e saibamos em que moldes o podemos fazer“Esse centro a criar em Angra, espaço de vigilância e acompanhamento, permitirá um permanente contacto com o que se passa ao nível da União Europeia, vai maximizar as oportunidades de candidaturas, de integração, enfim de assumirmos a Europa aqui, ao invés da eterna queixa de complexidade ao nível da atribuição de apoios”.A eurodeputada destacou ainda “Angra como uma cidade, pela sua história e prestígio ao nível do espaço europeu, que pode integrar o leque de cidades de elite, dadas as suas características”, pelo que “mais facilmente o concelho pode daí retirar vantagens, num conjunto que pode ser uma mais valia para os Açores, pelo que acredito todos os angrenses, terceirenses e açorianos estarão empenhados neste projecto”, concluiu Patrão Neves.
“Pretende-se criar um sistema de registo de projectos inovadores, capazes de provocar interesse junto a possíveis investidores, proporcionando o encontro entre os promotores das ideias e esses investidores. Assim será facilitado o contacto entre quem tem ideias de negócio, mas não possui disponibilidade financeira para a sua implementação”, revelou.“O banco de ideias visa recolher as boas ideias dos jovens do concelho e encontrar parceiros para elas, promovendo assim o empreendedorismo local, e dando a conhecer esses projectos inovadores, no âmbito de intercâmbios com outras cidades e no âmbito de fóruns de debate”, disse o candidato, que acredita poder assim “promover uma dinâmica de participação regional, nacional e europeia para a informação dos projectos e a respectiva captação de investidores”. Recordando que este ano se comemora “o ano europeu da criatividade e da inovação, que pretende sensibilizar os cidadãos para a importância da criatividade e da inovação enquanto competências chave do desenvolvimento pessoal, social e económico”, o social-democrata candidato à autarquia angrense quer a câmara como “mediadora entre os interessados, promovendo o diálogo para conhecimento dos negócios entre as partes”. Segundo António Ventura, a proposta agora lançada, vem juntar-se “a um leque de iniciativas que a nossa candidatura dedicou aos jovens do concelho, desde logo o programa “Viver Aqui”, que designa um conjunto de incentivos para a fixação de Jovens no Concelho”, o Programa “Ciência”, que determina “uma colaboração directa com a universidade dos Açores para a devida assessoria técnica e científica, ao nível do empreendedorismo”, assim como a criação “de um centro empresarial jovem”, baseado numa nova vertente de âmbito estrutural, proporcionando uma casa comum capaz de oferecer determinados serviços administrativos e libertando o jovem empreendedor de alguns encargos”, explicou.O social-democrata avançou ainda que “uma das formas de proporcionar um ponto de encontro entre as ideias e os investidores, será a divulgação junto das associações de “Business Angels” - grupos de capitalistas que cobrem as necessidades de financiamento e acompanham os projectos com a sua experiência –“, sendo que, em Portugal “existe a Associação Portuguesa Business Angels (APBA), com vários clubes pelo país, cuja principal missão é desenvolver o espírito do empreendedorismo e contribuir para o crescimento de uma economia vibrante e inovadora”.Para o candidato, será com o mote da referida associação “que considera ser esta a melhor oportunidade para investidores experientes poderem apoiar novos empresários na perseguição dos seus sonhos”, que será estabelecido “um regulamento municipal para o banco de ideias do concelho de Angra do Heroísmo, numa iniciativa que será fulcral para desenvolver a nossa terra e para nela fixar mais jovens”, concluiu.
É por isso que acho que a política também é para nós, para que saibamos ler nas entrelinhas destes cenários, perceber o que se pretende com eles, se contribuem de alguma forma para a política que há-de ser seguida daí em diante ou se são meros espectáculos de ilusionismo dissimulado. Não obstante a finalidade das campanhas eleitorais o que importa reter é que nesses momentos também nós – “o povo” – podemos e devemos dar, como os políticos, a cara pelos nossos ideais. Num País como o nosso qualquer cidadão (político ou eleitor) tem o direito – se não o dever – de manifestar conscientemente o seu agrado ou descontentamento relativamente a uma decisão sobre qualquer questão, mas sobremaneira naquelas que se repercutem no futuro do seu país – e a isso chamamos Democracia!Os actores deste palco que é a política são tão necessários quanto os dos restantes palcos da vida, pois todos nós, para vivermos em sociedade temos de representar um determinado papel! Contudo, se formos capazes de reclamar, também temos de ser capazes de reconhecer a coragem e perseverança com que alguns políticos se dedicam a determinadas causas que defendem com unhas e dentes. Para que nos tornemos cidadãos conscientes é preciso ouvir notícias do nosso País e do Mundo, assistir a debates entre candidatos, oposição e aspirantes a qualquer um destes cargos, tomar conhecimento das suas intenções, interpretar discursos de modo a perceber se as promessas que eles veiculam são pura demagogia, ou antes anseios de algum sonhador (que merece ou não o benefício da dúvida já que alguém disse que “o sonho comanda a vida”!)… ou se são puras trocas de benesses (e neste caso para o conseguirmos interpretar temos de dominar termos como astúcia/ardil/lobby/complô/corrupção, entre tantos outros…). Só então estaremos aptos a formar opinião, com base em argumentos concretos e não “ao sabor da onda”. É por isso que penso que a política também é para nós, porque são os políticos que elegemos que vão representar a nossa vontade nas tomadas de decisão que determinam o futuro do nosso País e, por conseguinte, a qualidade da vida que nele poderemos ter. Ora se a política do País em que vivemos define a forma como viveremos, então precisa da nossa intervenção activa, como políticos ou como eleitores! Na minha opinião o valor da diferença na política reside precisamente na quantidade de pareceres que possam garantir a qualidade das decisões que contribuem para o desenvolvimento do nosso País… e quantos mais pensadores houver melhor organizo o meu próprio pensamento.Um cidadão consciente toma parte em cada acto político da sociedade em que se integra: vota a favor ou contra, ou em branco, mas não deixa de manifestar a sua opinião, demitindo-se deliberadamente da abstenção porque a assumi-la seria a ausência total ou a inexistência de consciência. Dubito, ergo cogito, ergo sum: "Eu duvido, logo penso, logo existo" era já a conclusão do filósofo e matemático francês Descartes, pelo que, se tanto duvida, aquele cidadão nosso vizinho, como todos nós, deve votar!
A questão política não é tanto de saber como gastar as verbas públicas captadas pelos impostos para afectar na saúde, na educação, nas infra-estruturas, no ambiente ou no condicionamento das actividades. Na verdade essas verbas estão actualmente consignadas a gastos fixos não sobrando grande espaço de manobra para a afectar a outros gastos. A questão é outra e é fundamental que sejam abordadas durante as campanhas. Aliás, a cada promessa nos domínios da saúde, da educação, das infra-estruturas, do ambiente ou da regulação, os jornalistas e eleitores deveriam perguntar quais são os seus custos e quem é que vai pagar.
O que acontece, é que os ovos não são inactivos, são um misto de ovo e pinto, pois podem efectivamente escolher entre si qual a melhor galinha para os chocar, sendo provavelmente mais eficaz votar neles do que na galinha. A dificuldade de escolha aumenta quando se verifica que se nos centrássemos nos ovos, escolheríamos um partido, e se nos centrássemos na galinha escolheríamos outro. Isso é dilemático, pois sabe-se que não há listas perfeitas de galinhas e ovos, daí ser difícil, com um só voto, escolher a galinha certa e os ovos perfeitos. Não votar, é pior ainda, dá azo a que uma galinha qualquer choque um conjunto aleatório de ovos, de onde sairão, em vez de pintos, crocodilos. Votar não é fácil, a não ser que se vá na cantiga da galinha acompanhada da percussão dos estalidos dos ovos. As galinhas não se querem para cantar, mas para trabalhar. P’ra cantar escolhe-se o galo, mas as Presidenciais não são agora.
Félix Rodrigues, que falava depois de ter entregue a lista de candidatos do CDS/PP no Tribunal de Ponta Delgada, admitiu que "se os açorianos perceberem o que está em jogo nestas eleições, provavelmente o partido elegerá um deputado".
Decorrido um ano e nada.