terça-feira, agosto 25, 2009

A Política também é para nós?

Celina Miguel
Sou professora do primeiro ciclo do ensino básico e este ano, na minha escola, foi-nos sugerido que organizássemos o trabalho da turma em torno dos interesses e necessidades dos alunos, mas procurando desenvolver um valor humano. Optei por abordar o valor da “diferença”, porque entendo que a diferença é um valor a respeitar e a promover!
Posteriormente, Félix Rodrigues, pediu-me que, de forma desapaixonada, discorresse sobre o tema “como a política é importante para nós”. Aceitei o desafio e centrei-me na minha experiência educativa. Neste artigo procurarei ressalvar o valor da diferença que existe na política e que se plasma, nomeadamente, na variedade de ideais, partidos e pessoas – especialmente aquelas que manifestam publicamente discordância face a uma posição do governo ou do respectivo partido.O político, em particular, deve, a meu ver, marcar a diferença na forma como defende os direitos e deveres do nosso País, mas é aos adultos, em geral, que cabe a tarefa de “politizar”, ou seja, trabalhar pela formação política dos indivíduos e pela sua consciencialização relativamente à realidade política que os cerca.Enquanto cidadã, em geral, e professora, em particular, procuro que os meus alunos percebam que quando ouvem um qualquer vizinho comentar – “Eu não voto porque os políticos são todos iguais!” – devem saber discernir se aquela generalização extremista é merecedora de atenção. Isto é, se reflecte insatisfação de alguém que se sente “lesado” porque penalizado por uma determinada lei ou se é apenas uma frase-feita ao “sabor da onda” usada para camuflar ignorância política. Qualquer que seja o caso importa reter que é possível manifestarmo-nos a favor ou contra uma determinada decisão política em locais e momentos apropriados para esse efeito. Uma definição de “política” dada pelos meus alunos classifica-a como “a habilidade de alcançar objectivos através de relações humanas” pois é isso que mais observam nas campanhas eleitorais: políticos a cumprimentar “o povo” e o povo a enunciar as suas angústias e preocupações, muito embora não possamos afirmar se essas relações em concreto irão surtir os efeitos desejados.É por isso que acho que a política também é para nós, para que saibamos ler nas entrelinhas destes cenários, perceber o que se pretende com eles, se contribuem de alguma forma para a política que há-de ser seguida daí em diante ou se são meros espectáculos de ilusionismo dissimulado. Não obstante a finalidade das campanhas eleitorais o que importa reter é que nesses momentos também nós – “o povo” – podemos e devemos dar, como os políticos, a cara pelos nossos ideais. Num País como o nosso qualquer cidadão (político ou eleitor) tem o direito – se não o dever – de manifestar conscientemente o seu agrado ou descontentamento relativamente a uma decisão sobre qualquer questão, mas sobremaneira naquelas que se repercutem no futuro do seu país – e a isso chamamos Democracia!Os actores deste palco que é a política são tão necessários quanto os dos restantes palcos da vida, pois todos nós, para vivermos em sociedade temos de representar um determinado papel! Contudo, se formos capazes de reclamar, também temos de ser capazes de reconhecer a coragem e perseverança com que alguns políticos se dedicam a determinadas causas que defendem com unhas e dentes. Para que nos tornemos cidadãos conscientes é preciso ouvir notícias do nosso País e do Mundo, assistir a debates entre candidatos, oposição e aspirantes a qualquer um destes cargos, tomar conhecimento das suas intenções, interpretar discursos de modo a perceber se as promessas que eles veiculam são pura demagogia, ou antes anseios de algum sonhador (que merece ou não o benefício da dúvida já que alguém disse que “o sonho comanda a vida”!)… ou se são puras trocas de benesses (e neste caso para o conseguirmos interpretar temos de dominar termos como astúcia/ardil/lobby/complô/corrupção, entre tantos outros…). Só então estaremos aptos a formar opinião, com base em argumentos concretos e não “ao sabor da onda”. É por isso que penso que a política também é para nós, porque são os políticos que elegemos que vão representar a nossa vontade nas tomadas de decisão que determinam o futuro do nosso País e, por conseguinte, a qualidade da vida que nele poderemos ter. Ora se a política do País em que vivemos define a forma como viveremos, então precisa da nossa intervenção activa, como políticos ou como eleitores! Na minha opinião o valor da diferença na política reside precisamente na quantidade de pareceres que possam garantir a qualidade das decisões que contribuem para o desenvolvimento do nosso País… e quantos mais pensadores houver melhor organizo o meu próprio pensamento.Um cidadão consciente toma parte em cada acto político da sociedade em que se integra: vota a favor ou contra, ou em branco, mas não deixa de manifestar a sua opinião, demitindo-se deliberadamente da abstenção porque a assumi-la seria a ausência total ou a inexistência de consciência. Dubito, ergo cogito, ergo sum: "Eu duvido, logo penso, logo existo" era já a conclusão do filósofo e matemático francês Descartes, pelo que, se tanto duvida, aquele cidadão nosso vizinho, como todos nós, deve votar!

(In Diário Insular)

Etiquetas: , , , , ,

segunda-feira, julho 20, 2009

Defende Pedro González, da Universidade dos Açores

Vindo de um hispânico até se percebe .
Defende Pedro González, da Universidade dos Açores Chinês, árabe ou espanhol seriam bastante mais “úteis”.
Até concordaria com isso tudo, se não tivéssemos problemas bem mais urgentes para resolver na educação portuguesa.
Para mim (como diz o jogador Figo), em Portugal, o ensino do espanhol com as crianças é descabido tendo em conta as semelhanças linguísticas entre as duas línguas ibéricas. Faz sentido, num nível avançado para alunos que vão estudar para Espanha ou profissionais portugueses que vão trabalhar para lá. Mas não começar em tenra idade.
O verdadeiro desafio na escola é o de criar currículos opcionais, no sentido de dar alguma liberdade de escolha aos alunos, no que respeita à oferta de línguas estrangeiras, de áreas dedicadas ao trabalho manuais ou artísticas, por exemplo.
O mar tem de se tornar uma disciplina obrigatória nos Açores, desde a parte desportiva à mais teórica como a história dos baleeiros até algumas noções de navegação marítima. A região ainda não deu o devido valor a esta riqueza sem igual no mundo que está tão perto de nós mas ao mesmo tempo longe da vida quotidiana dos açorianos, a não ser, infelizmente, por razões estivais como em qualquer lado do mundo.
(In Complot)

Etiquetas: , , ,

Crianças do 5º ano vão aprender segunda língua

A medida deve arrancar a partir do ano lectivo 2010/2011: as crianças do arquipélago vão ter de aprender, à entrada para o 2º ciclo de ensino, isto é, do 5º ano de escolaridade, uma segunda língua estrangeira.
A informação foi avançada, sábado, pela secretária regional da Educação. Segundo Maria Lina Mendes, esta é uma medida pioneira a nível nacional.

Ainda de acordo com a governante, em declarações aos jornalistas após uma visita à Escola Básica e Secundária Tomás de Borba, em São Carlos, em que acompanhou o comissário europeu para o Multilinguismo, Leonard Orban, esta segunda língua estrangeira será, em princípio, Francês ou Alemão.
Esta avança também que estão já a ser feitos contactos com editoras dos países cujas línguas são estudadas nas escolas dos Açores, para fornecimento de manuais e outro material didáctico.
Maria Lina Mendes adianta que a introdução de uma segunda língua estrangeira logo aos 11 anos, depois de os alunos já terem estudado Inglês, pelo menos desde o primeiro ano do 1º ciclo, visa dotá-los de mais competências, com impacto aos níveis cultural e de emprego.
O professor do Departamento de Ciências de Educação da Universidade dos Açores, Pedro Gonzalez, considera que a introdução de uma segunda língua estrangeira no quinto ano é positiva e afirma não existir qualquer problema em as crianças começarem a aprender várias línguas desde muito cedo.
“Conheço pessoalmente casos de crianças que falam várias línguas sem problema. Mesmo quando são muito novas e ainda estão a aprender a falar, elas já sabem diferenciar. É o que acontece, por exemplo, em países onde se falam duas línguas. As crianças aprendem-nas naturalmente”, avança, adiantando que, quando em causa estão crianças muito novas, “não existem línguas difíceis”.
“A literaturas sobre o tema, os estudos que se fizeram sobre a aprendizagem linguística das crianças, confirmam-nos isso mesmo. Quanto mais cedo melhor. Até posso dizer que se está a começar tarde, o ideal seria já na escola primária”, lança.
A Escola Básica e Secundária Tomás de Borba tem já um projecto de aprendizagem da Língua Inglesa no ensino pré-escolar, facto que o comissário europeu do Multilinguismo considera muito interessante. Leonard Orban lembra que falar duas ou mais línguas estrangeiras é uma mais-valia.

Defende Pedro González, da universidade dos Açores Chinês, árabe ou espanhol seriam bastante mais “úteis”
A inclusão, no currículo do 2º ciclo, de uma segunda língua estrangeira é positiva, mas o ensino de línguas como o chinês, árabe ou espanhol seria mais “útil” do que o das duas línguas escolhidas, o francês e o alemão, defende o professor do Departamento de Ciências de Educação da Universidade dos Açores, Pedro González.
O professor considera que a escolha do francês, sobretudo, tem muito mais que ver com “tradição” do que com uma utilidade futura.
O chinês, o árabe e até o espanhol são actualmente muito valorizados, tendo em conta o peso crescente dos países onde estes idiomas são falados no contexto empresarial e financeiro.
“Se o desenvolvimento económico-financeiro continuar a seguir esta linha, nomeadamente com o grande peso da China na economia mundial, faria sentido que a secretaria regional da Educação ganhasse alguma ‘coragem’ e avançasse para estas línguas”, adianta.
Pedro González admite, no entanto, que reunir um conjunto de docentes habilitados a leccionarem línguas como chinês ou árabe é mais difícil do que no caso do francês e do alemão.
DI falou também com Paulo Farinha, do Instituto Oriental da Universidade Nova de Lisboa, que adiantou que os cursos de coreano, árabe e japonês têm vindo a registar uma cada vez maior adesão. “Muitas são pessoas que precisam destas línguas para a sua vida profissional, de negócios. O mais procurado é japonês, muito por essa razão”.

(in Diário Insular)

Etiquetas: , , , , ,

segunda-feira, junho 01, 2009

A Matemática é um jogo

Jorge Picado, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, esteve na Terceira, a convite da Universidade dos Açores, para divulgar a matemática aos alunos do ensino secundário. DI falou com o professor sobre a situação actual da disciplina em Portugal.
Esteve nas três escolas secundárias da ilha Terceira, para ensinar os estudantes a calcularem os números suplementares de códigos de barras e bilhetes de identidade, entre outros. Já participou em inúmeras palestras deste género, onde se recorre à matemática do dia-a-dia como exemplo.
Que importância é que este tipo de iniciativas tem para agarrar os jovens à matemática?
A experiência que eu tenho é muito positiva. Em Coimbra, sempre houve muita tradição de fazer palestras destas e programas destes, desde há muitos anos, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Matemática. Corremos as escolas todas ali na região. Ultimamente, tem-se feito um esforço muito grande, porque é um bom meio de tentar atrair alunos para os nossos cursos, nas faculdades, e é isso que o Departamento de Matemática da Universidade dos Açores também pretende fazer. É uma boa oportunidade. E a experiência é positiva, porque se os termos forem bem escolhidos, os alunos são atraídos para a matemática. É uma maneira de lhes mostrarmos coisas que, hoje em dia, infelizmente, nos currículos no ensino secundário, quanto a mim estão a ficar cada vez mais pobres. E isto é uma maneira de trazermos um pouco mais riqueza de aos estudantes do que é que há para além das aulas. Há muita matemática.
Estes exemplos do quotidiano são uma boa forma de captar a atenção dos jovens?
São. Eles mostram-se mais interessados?Sim, isso é óbvio, mas tudo depende da maneira como se apresentam as coisas. Tenho feito algumas palestras com coisas um pouco menos óbvias para eles, coisas que eles não conhecem, nem nunca utilizaram, mas se forem bem apresentadas, com uma parte lúdica, a experiência é muito boa. Por exemplo, tenho feito apresentações sobre a ligação dos nós e da matemática e fazem-se umas coisas extremamente engraçadas. Mas aí a matemática que está por trás é muito abstracta e eu tento apresentar um bocadinho desse lado abstracto e eles reagem bem, porque depois há coisas que se podem fazer muito engraçadas como os jogos. Aliás toda a matemática é um jogo. Portanto por esse ponto de vista conseguimos sempre atrair os alunos.
Qual é o principal objectivo deste tipo de palestras? Cativar os jovens para ingressarem numa profissão relacionada com a matemática ou desmistificar a ideia negativa que os jovens têm da disciplina?
Ambos. Tentar não afastar mais os estudantes, porque é uma questão cultural. Criaram-se alguns hábitos na sociedade. E eu acho que é uma das dificuldades dos professores nas nossas escolas. Os alunos vêm para a escola com muitos maus hábitos, falta de motivação, de estudo, de não quererem trabalhar… E com estas iniciativas tentamos motivá-los um pouco mais. É também um objectivo de nós, universidades… da Universidade dos Açores, da Universidade de Coimbra e de todas as outras, que têm feito um grande esforço, porque é um problema grave para o país. O número de alunos, nos últimos anos, a entrar nas ciências, já não digo só matemáticas, nas engenharias, que é muito importante, tem diminuído muito, por causa da matemática, porque as pessoas querem fugir aos exames de matemática. E isso é um problema futuro para o país, acho eu. E há falta de informação. Há muitos miúdos que não fazem ideia das grandes oportunidades de emprego que há na ciência e nas engenharias, ainda por cima num tempo de crise como este. Eu dou cursos no departamento de Engenharia e estou farto de aconselhar alunos a apostar na matemática, se gostam. Em Coimbra, os alunos antes de acabarem o curso, já têm empresas atrás deles. É uma mudança de mentalidades que tem evoluído muito devagar, mas que está a evoluir por parte dos próprios empregadores. Está, felizmente, a cair em desuso as pessoas arranjarem empregos com cunhas. As empresas têm a preocupação de procurar pessoas mais bem preparadas e, portanto, vão aos sítios onde eles estão a ser bem preparados. Nos últimos dois, três anos, no nosso departamento de matemática, temos licenciado muitos matemáticos, que estão hoje em dia a trabalhar em empresas. Trago comigo uns questionários que fizemos no ano passado a várias empresas, para que nos dissessem quantos matemáticos têm lá a trabalhar e qual a opinião deles sobre os empregados. E as respostas são muito positivas. Num dos casos, dizem-nos que os matemáticos, como vêm com uma preparação de raciocínio lógico e mais abstracto estão preparados para se adaptar melhor a este mundo, que está constantemente a mudar. Eles dizem que os matemáticos têm já experiência, capacidade de adaptação e criativa e ao mesmo tempo de grande rigor e organização.
Porque é que se encara a matemática como um “bicho-de-sete-cabeças” em Portugal?
Não é só em Portugal. É em todo o mundo. Eu trabalhei muitos anos nas Olimpíadas de Matemática e participei nas olimpíadas internacionais, que as pessoas não fazem ideia do que é. São milhares de estudantes de todo o mundo e o júri tem um professor de cada país. Eu estava a representar Portugal. E a queixa de todos é geral. As conversas são sempre as mesmas. A geometria desapareceu de todos os currículos. Já ninguém sabe geometria.
Toda a gente se queixa em todo o mundo. O que é que poderá ter contribuído para esta mudança?
É complicado. Estamos numa sociedade muito facilitista. Com os meus filhos, vou-me apercebendo disso na prática e vou tentando contrariar, mas é difícil da maneira como a sociedade está. Então, a influência da televisão acho que é uma coisa impressionante. Há esta coisa facilitista, tudo tem de ser obtido rápido, para os jovens tem de ser tudo feito no momento. Tudo o que dê um bocadinho de trabalho, tudo o que obrigue a estar sentado numa secretária umas horas, dá muito trabalho. E não há cultivo do estudo. Eu digo aos melhores alunos que lá te temos, que querem seguir matemática e investigação: - “a vossa vida é estudar, eu estudo toda a vida”. As pessoas têm de gostar de estudar. Estar sentado à secretária é tão bom. Aprender coisas novas…Mas dá trabalho, é preciso esforço. A matemática é simples, mas só se a quisermos aprofundar. Por exemplo, aquilo que eu mostrei na palestra: se eu quiser montar uma empresa para vender soluções daquelas, tenho de aprofundar aquilo ao máximo e usar o máximo de artilharia matemática para os métodos serem melhor, senão aparece um concorrente meu que arranja soluções melhores. Portanto eu tenho de ter teoremas por trás que digam que o meu método é o melhor, que é eficiente a 100%.
A introdução da calculadora no dia-a-dia dos estudantes poderá ter contribuído, de alguma forma, para o aparecimento dessa cultura do facilitismo?
Muito. É preciso haver mais estímulo nas escolas?No primeiro semestre deste ano, eu dei uma disciplina ao primeiro ano de engenharia informática, que é um dos cursos maiores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. São quase 250 alunos na disciplina. Aparece lá uma minoria de alunos bem preparados, mas a grande maioria vem com o vício da calculadora e não sabem fazer uma conta. Eu tive de mudar o programa na segunda semana de aulas, porque estava a “falar para o boneco”. Eles não sabiam dividir. Não sabiam o algoritmo da divisão. Tive lá alunos que pegavam no número maior e iam extraindo do maior o outro pequenino várias vezes e depois viam o que sobra no fim. E não eram um nem dois… E isto foi a calculadora que criou esses vícios todos. A calculadora é muito boa, eu também a utilizo todos os dias no computador, mas é muito boa “à posteriori”. Tem de haver primeiro um treino mental, senão uma pessoa não consegue pensar rapidamente nestas coisas.
O uso da calculadora está a entrar muito cedo no ensino?
No ensino básico eu acho que é um crime. Os meus filhos estão proibidos de a utilizar. Nunca usaram e felizmente eles nunca tiveram essa reacção. Aliás eles nem gostam. O meu filho mais velho gosta muito de matemática e ele diz que tem muito mais piada fazer as coisas de cabeça.O sistema de ensino em Portugal é o perfeito?Perfeito não é em lado nenhum. Não há nenhum país do mundo que tenha um sistema perfeito. Nem sei o que isso é.
Quais são as principais falhas?
Eu por acaso não gosto muito de falar de coisas genéricas sobre educação, porque rapidamente começo a dizer asneiras. Isso é o que eu vejo nas outras pessoas. Acho que se fala demais neste país de educação. Pessoas que não percebem do assunto falam demais e os especialistas acabam por se encolher. O sistema não é perfeito, mas evoluiu-se muito nestes trinta anos, depois do 25 de Abril. O país mudou muito e a educação mudou muito para melhor, de certeza. Eu sou da geração que apanhou pela primeira vez o ensino unificado. Aquilo que os alunos têm hoje na escola e aquilo que eu tinha no meu tempo não tem comparação. Os alunos hoje, se quiserem têm acesso a coisas que nós nunca tivemos. Eu entrei na universidade sem nunca ter ouvido uma palestra destas. E há o problema da massificação. O sistema de ensino antes do 25 de Abril tinha uma minoria de alunos e depois vai tudo para a escola. A escola não resolve isso numa geração, nem em duas. São coisas que outros países mais avançados demoraram muitos anos a resolver. É um problema complicado ter todos os alunos na escola. Não há receitas. É tentar cada um fazer o melhor. Agora há um problema central do ministério da Educação: programas mal feitos, por exemplo.
O professor devia ter liberdade para escolher a matéria que dão aos alunos?
Devia ter alguma. Tem de ter alguma. Há coisas com muito floreado, mas que têm pouco sumo. As coisas básicas e fundamentais têm de ser trabalhadas em matemática: a tabuada por exemplo. Há uma série de ginástica mental que tem de ser mais trabalhada, senão ninguém consegue avançar. E depois há as questões específicas da matemática, que tornam a coisa ainda mais complicada. A matemática é uma área cumulativa. Vai-se cimentando o conhecimento, um em cima de outro, mas tem de haver uma base. Na matemática não se pode inverter a ordem.
(in DI-Revista)

Etiquetas: , , ,

domingo, abril 26, 2009

O ensino da Matemática está a melhorar


ALEXANDRA DÂMASO, Professora na Universidade dos Açores e participante no VIII Encontro de Inovção Educacional que decorreu em Angra do Heroísmo a 24 e 25 de Abril de 2009, afirma: “A forma como os alunos aprendem Matemática nos primeiros anos é crucial para a sua atitude nos anos posteriores como alunos”.
Qual o segredo para ensinar e aprender matemática nas oficinas que promove?
O trabalho realizado nas oficinas de matemática tem por base os actuais Programas de Matemática e as orientações subjacentes ao conjunto de competências consideradas essenciais para o 1º Ciclo do Ensino Básico, nas quais se reconhece que o desenvolvimento do raciocínio, da comunicação e da capacidade de resolução de problemas constitui o cerne do ensino da Matemática logo nos primeiros anos. Esta perspectiva vem romper com a concepção anterior sobre esta disciplina que era caracterizada pelo ensino e execução de procedimentos mecânicos “para obter a resposta correcta”, limitando-se ao contar numa altura em que se vivia numa sociedade ainda não “muito modelada” pela Matemática. Assim, tentar-se-á desenvolver nas crianças o sentido do número e das operações, dar-se-á atenção aos padrões, símbolos e modelos, considerar-se-á a geometria e o sentido espacial, valorizar-se-á a medida e aos processos de medida, a organização e análise de dados e processos matemáticos, proporcionando um ambiente informal durante o qual lhes é pedido que, construam, argumentem, criem, modelem, provem e investiguem, e que assim aprendam matemática.
Tem alguma explicação para o aparente desastre (a avaliar pelos resultados) que é o ensino de matemática em Portugal?
O sucesso educativo para todos só é possível com a colaboração de todos. A educação não é exclusiva dos professores e das famílias, “para educar uma criança é preciso toda a aldeia”, não podendo excluir a influência fortíssima que exerce toda a sociedade, onde se incluem os meios de comunicação social, sobre a imagem da Matemática. Neste momento podemos afirmar que o ensino da matemática está a melhorar, há uma nova consciência a emergir que muito se deve a iniciativas como a que aqui propomos.
Há pessoas com mais e outras com menos facilidade na aprendizagem da matemática ou essas supostas qualidades inatas não passam de um mito?
Hoje sabemos que a forma como os alunos aprendem Matemática nos primeiros anos é crucial para a sua atitude nos anos posteriores como alunos de Matemática e para o seu desempenho como profissionais e cidadãos. Hoje acreditamos que todos os alunos são capazes de fazer matemática.A educação matemática não é, como a aprendizagem de uma língua estrangeira, por exemplo, uma actividade que podemos iniciar num qualquer momento da vida… a aprendizagem da matemática começa de forma espontânea com as primeiras experiências que são proporcionadas à criança no seu universo familiar que, quanto mais ricas e diversificadas, melhor contribuirão para o “sentir” a matemática como algo natural.As calculadoras, hoje altamente desenvolvidas, têm contribuído de alguma forma para dificultar o ensino da matemática?O relatório da Associação de Professores de Matemática (APM), Matemática 2001, revela que a calculadora não assume uma proporção significativa do trabalho dos professores e alunos dos 1º e 2º ciclos do E. B. Inclusivamente há escolas que reconhecem não possuírem uma única calculadora.
(in Diário Insular)

Etiquetas: , , , , ,

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

“Aprender é estar quietinho e a fazer coisas a sério” – perspectivas de crianças em idade pré-escolar sobre a aprendizagem

Maria Pacheco Figueiredo
Escola Superior de Educação e Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde do Instituto Politécnico de Viseu, Portugal
Ana Moura Arroz
Dulce Sousa
Campus de Angra do Heroísmo, Universidade dos Açores, Portugal


Adoptando uma abordagem interpretativa orientada para a descoberta e um dispositivo técnico qualitativo – análises descritivo-interpretativas de entrevistas individuais e de observações das dinâmicas educativas – este estudo explora o modo como 28 crianças, de cinco e seis anos, de dois Jardins de Infância (JI) da ilha Terceira (Açores, Portugal), perspectivam a aprendizagem. Os modos qualitativamente distintos dos alunos conceberem a aprendizagem constitui uma problemática a que tem sido dado algum relevo noutros níveis de ensino, mas que não colhe ao nível pré-escolar idêntica atenção. Uma análise fenomenográfica permitiu identificar quatro modos distintos de conceber a aprendizagem, como: “fazer coisas”, “o que nos é ensinado”, “saber mais coisas” e “útil para o futuro”. A partir dos argumentos com que as crianças diferenciam o que se aprende do que não se aprende resultaram, através de uma análise temática, seis critérios de demarcação com ocorrência diferenciada: “trabalhar versus brincar”, “actividade versus passividade”, “actividade dirigida pelo adulto”, “obrigatoriedade das actividades”, “informalidade dos espaços onde não há aprendizagem” e “adequação versus desadequação comportamental a um modelo de um aprendiz tradicional”.

(In Revista Ibero Americana de Educación)

Etiquetas: , , , , ,

quarta-feira, novembro 26, 2008

A Escola Inclusiva nos Açores

Na primeira parte do telejornal da RTP-Açores, faz-se uma análise da Escola inclusiva nos Açores, com depoimento de pais, docentes e da Investigadora do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, Professora Letícia Leitão.


Etiquetas: , , , , , ,

quinta-feira, janeiro 31, 2008

A ABORDAGEM À LEITURA E À ESCRITA NO JARDIM-DE-INFÂNCIA: CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DOS EDUCADORES DE INFÂNCIA

Foi apresentada e defendida, no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores a tese de Dissertação de Doutoramento em Educação, na especialidade de Metodologia do Ensino do Português de Ana Isabel da Silva Santos, intitulada “A ABORDAGEM À LEITURA E À ESCRITA NO JARDIM-DE-INFÂNCIA: CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DOS EDUCADORES DE INFÂNCIA”.Esse trabalho de investigação teve por objectivo principal caracterizar as concepções dos educadores de infância sobre a forma como as crianças constroem a linguagem escrita e sobre a forma como deve ser feita a abordagem à leitura e escrita no jardim-de-infância, as suas práticas pedagógicas neste domínio e a possível relação entre estas e a evolução das concepções infantis sobre a leitura e a escrita num grupo de crianças em idade pré-escolar.Neste sentido e, em termos metodológicos, a investigação constrói-se numa análise progressivamente mais aprofundada do contexto em questão, tendo como quadro de referência uma abordagem compreensiva, incluindo metodologias qualitativas e quantitativas que, organizada em duas fases distintas mas complementares, vai adequando abordagens distintas consoante o tipo de informação que se pretendeu recolher em cada uma delas.A informação recolhida nestas duas fases foi, posteriormente, organizada em quatro estudos distintos que, dando corpo ao estudo empírico, veio permitir perspectivar a forma de ser e estar dos educadores de infância da Ilha Terceira, Açores, no domínio da abordagem à linguagem escrita.Assim, os Estudos 1 e 2 centraram-se na análise das concepções dos educadores de infância acerca da abordagem à linguagem escrita, considerando as perspectivas destes docentes sobre aquilo que consideram dever ser as suas práticas no domínio em questão, as perspectivas acerca daquilo representam as suas práticas pedagógicas reais e os conhecimentos expressos sobre as concepções infantis de leitura e escrita, sobre a sua evolução e sobre a forma pedagogicamente mais consentânea para intervir em prol do desenvolvimento dos diversos processos nelas inscritos. No Estudo 1 participaram 74 dos 75 educadores de infância a exercerem a sua actividade profissional em jardins-de-infância da rede pública da Ilha, que foram inquiridos através de um questionário e no Estudo 2, 18 educadoras de infância, seleccionadas de entre esses 75, que foram observadas e entrevistadas.
Os Estudos 2, 3 e 4 debruçaram-se sobre a análise das práticas pedagógicas dos educadores de infância no âmbito da linguagem escrita, procurando destrinçar, fundamentalmente, qual o papel que estes docentes desempenham no processo de abordagem emergente à linguagem escrita no jardim-de-infância. Focando aspectos como a forma de conceber o projecto de intervenção, a organização e gestão de espaços e tempos, a implementação de estratégias de intervenção junto dos grupos de crianças que frequentam cada uma das salas observadas ou as estratégias de articulação família/escola, estes Estudos oferecem-nos uma visão alargada acerca do papel dos educadores de infância neste domínio, permitindo pormenorizar os elementos que se constituem como privilegiados em termos de intervenção pedagógica. Os resultados apresentados no Estudo 4 permitem-nos, ainda, estabelecer alguma relação entre as práticas pedagógicas das educadoras de infância e a evolução das concepções infantis sobre leitura e escrita. Dos Estudos 2 e 4 fizeram parte as 18 educadoras de infância anteriormente referidas e, ainda, 146 crianças, cujos resultados de diversas provas para avaliar as suas concepções sobre leitura e escrita foram incluídos no Estudo 4. O Estudo 3 foi construído a partir da observação aprofundada das práticas pedagógicas de três educadoras de infância seleccionadas de entre as 18 observadas.Em geral, os resultados apresentados nestes estudos permitem afirmar que concepções e práticas pedagógicas dos educadores de infância no domínio da linguagem escrita podem ser caracterizadas pela descontinuidade que revelam e que se manifestam quer entre concepções e práticas, quer, mesmo no interior de concepções e de práticas. Entendendo esta descontinuidade enquanto situação pontualmente focada para o domínio em questão, mas carente de um fio condutor ou de um contínuo que lhe confira fluidez, regularidade, sistematicidade e transversalidade, concepções e práticas pedagógicas acabam por carecer de uma perspectiva de omnipresença que torne a abordagem à linguagem escrita contextualizada e significativa. Esta descontinuidade, manifestada pelos altos e baixos que ora as aproximam, ora as distanciam, de uma abordagem que se pretende emergente, são denunciadoras de hiatos na forma como os educadores concebem e implementam a sua intervenção pedagógica, numa confluência de saberes e saberes-fazer, com implicações evidentes quer ao nível da organização e gestão da intervenção docente quer, sobretudo, ao nível da forma como as crianças são levadas a pensar a linguagem escrita, que se torna claramente evidente no Estudo 4, com as diferenças evidentes na evolução registada nas concepções sobre leitura e escrita do grupo de crianças que frequentam salas cujas educadoras se afiguram mais consistentes e sistematizadas com uma perspectiva de literacia emergente.
Mesmo com alguns resultados que se revelam prometedores em termos de promoção da literacia no jardim-de-infância, dos mesmos emerge uma chamada de atenção para os docentes da educação de infância e para os seus formadores, perante a necessidade de reflectir acerca da forma como está a ser perspectivada e implementada a intervenção neste âmbito e da formação que neste campo é oferecida, na procura da necessária articulação coerente entre as diversas componentes curriculares que enformam concepções e práticas, na tentativa de responder da melhor forma possível às necessidades e interesses emergentes das crianças em idade pré-escolar no domínio da linguagem escrita.

Etiquetas: , , ,

domingo, novembro 11, 2007

Pitágoras na Escola

Realizou-se em Angra do Heroísmo, ilha Terceira-Açores, O PROFMAT2007, da Associação Portuguesa de Matemática, no qual se realizaram um conjunto de sessões, bastante diversificado, que englobou: conferências plenárias, conferências debate, conferências, grupos de discussão, painéis, comunicações orais, sessões práticas, apresentação de projectos, apresentação de materiais, e sessões especiais.
As conferências plenárias, conferências debate, conferências, grupos de discussão e painéis estiveram a cargo da Comissão Organizadora, que procurou apresentar e discutir um conjunto diversificado de temas que reflictiam as actuais problemáticas com que se confronta a educação matemática.

Nesse Encontro, os professores do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, Pedro González, José Cascalho e Salvador Lima, apresentaram uma comunicação intitulada: "Uma proposta de investigação, formação e experimentação na matemática: Pitágoras na Escola."
Descreveram os objectivos e as actividades desenvolvidas no âmbito do Projecto Pitágoras na Escola, bem como os seus pressupostos. Este projecto de investigação e formação, que abrange docentes do 1º CEB de escolas da Ilha Terceira no Arquipélago dos Açores, pretende a participação dos professores na reflexão e experimentação de actividades e materiais no trabalho pedagógico na área da matemática, visando a melhoria dos resultados das aprendizagens dos alunos. Como suporte ao projecto, uma plataforma educacional centraliza e divulga materiais, propõe actividades e promove a interacção entre professores. Na comunicação, descreveram algumas das actividades realizadas com os professores, no âmbito do projecto, na utilização e construção de materiais pedagógicos quer sejam virtuais ou concretos.

(In PROFMAT2007)

Etiquetas: , , , , ,

sexta-feira, outubro 12, 2007

Curso de Educação no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores

Depois da contra-informação e da falta de esclarecimentos sobre a abertura do novo curso de Educação Básica no pólo universitário de Angra do Heroísmo, a licenciatura já arrancou na ilha Terceira. Para os responsáveis, este será um ano de avaliação entre a procura e a oferta formativa existente na ilha com vista à continuidade ou não de futuras edições do curso.
A contra-informação e falta de informação marcaram o arranque do ano escolar no que diz respeito à abertura do novo curso de Educação Básica no pólo universitário de Angra do Heroísmo. Depois de ter sido veiculado que o departamento de Ciências da Educação apenas abriria vinte vagas para este curso sem especificar para que pólos, o Reitor da Universidade dos Açores (AU) teve de emitir um comunicado a referir a possibilidade deste também ser extensível a Angra do Heroísmo. A condição, na altura exigida por Avelino Meneses, era a existência de interessados: “a reitoria da Universidade dos Açores manifesta a sua disposição de ministrar o curso de licenciatura de Ensino Básico em Angra do Heroísmo, caso o mesmo reúna o número mínimo de inscrições e matrículas de estudantes interessados em frequenta-lo naquele pólo universitário”, referiu a instituição universitária no dia 14 de Julho. Desde então, e passado o período de interregno do Verão, as dúvidas foram muitas, quer para professores e sobretudo para os interessados.
O jornal “a União” tentou apurar o número exacto de alunos que de momento frequentam o novo curso de Educação Básica – que na sequência da definição do novo regime jurídico da formação profissional, incluíram a docência de educadores de infância e professores do 1º e 2º ciclos do ensino básico –, valor que só será definitivamente apurado no final do período de matrículas em Dezembro. Porém, o número mínimo exigido, de dez alunos, foi cumprido e as aulas já arrancaram no dia 24 de Setembro, quer em Ponta Delgada, quer em Angra do Heroísmo. Segundo fontes contactas pela "A União" o processo de candidaturas ao curso em Angra do Heroísmo foi afectado pela falta de informação existente.
Rejeitando que este se trata de um ano decisivo para a manutenção do curso no futuro em Angra, em explicações à “a União”, a directora do departamento de Ciências da Educação, Susana Caldeira, afirmou que “tem de haver equilíbrio entre a procura e a oferta. Vamos ver como decorre este ano”. Susana Caldeira deixou desde logo claro que “a oferta formativa justifica-se sempre. A Educação manter-se-á sempre Angra. A oferta formativa não terminará”. Contudo, acrescentou: “poderá haver um reajustamento dessa oferta”. “Este ano é um ano de grande transformações para a UA e para todas as universidades”, em que “a oferta formativa tem de ser pensada globalmente”, referindo-se não só à reestruturação trazida pelo processo de Bolonha. Mais, disse: “se houver sinais de baixa procura, há que repensar a oferta”. Susana Caldeira recusa a existência de atrasos ou processos mal conduzidos neste caso e que “atempadamente toda a comunidade que se candidatou foi informada”.
Uma vez que os número de alunos revela-se crucial, “a União” apurou junto da directora do curso de Educação Básica de Angra, Ana Isabel Santos, que na primeira semana de aulas entre 12 a 14 alunos marcaram presença “mas ainda não temos números definitivo”, acrescendo conquanto que “há mais alunos interessados”. “Este pode ser um bom ano para reflectir a continuidade do curso e do tipo de formação”. A responsável é conclusiva: “é uma questão de estratégia da própria UA e da Reitoria”. Questionada, Ana Isabel Santos não esconde que “este processo não foi esclarecedor”. “Este tem sido um processo um pouco conturbado. Não foi claro desde o início. Mas em todos os processos de mudança isto acontece”. Um “ano atípico”, refere, marcado não só pela criação de uma nova licenciatura e a reestruturação dos cursos até agora existentes, pela falta de aprovação por parte do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do 4.º ano do mestrado de Educação, entre outras reestruturações. A directora não deixa esquecer a importância das inscrições e da carta que grupo de alunos maiores de 23 anos fez chegar à reitoria: “se este movimento de mão não tivesse acontecido, provavelmente não teríamos o 1.º curso da licenciatura aqui”.
(In A União)

Etiquetas: , , , , ,