terça-feira, setembro 22, 2009

Valor científico dos Açores está provado


Os estudos da biodiversidade dos Açores têm vindo a provar que as ilhas são um laboratório natural para estudar a evolução das espécies e a dinâmica e a ecologia dos espaços insulares. Em entrevista ao DI, Paulo Borges, que lidera estudos sobre a biodiversidade açoriana na Universidade dos Açores, fala sobre o momento actual da Ciência nas ilhas.
A comunidade científica açoriana quer demonstrar que Charles Darwin estava errado quando disse que nada havia de interesse na biodiversidade açoriana.
Sem dúvida. Nas últimas décadas, os resultados da investigação nos Açores, nomeadamente na área da biodiversidade – quer no Departamento de Biologia em São Miguel, quer no Departamento de Oceanografia e Pescas, no Faial, quer no Departamento de Ciências Agrárias, particularmente com o Grupo de Estudo da Biodiversidade dos Açores, na Terceira -, demonstram que existe uma riqueza enorme de formas de vida únicas no arquipélago. E estas têm uma grande importância no funcionamento dos ecossistemas dos Açores, como, por exemplo, ficou demonstrado com a crise da água na ilha Terceira, onde se mostrou que as florestas naturais e toda a sua estrutura é essencial para haver água de qualidade para os angrenses. Portanto, na recta final do século XX, todos esses estudos vieram demonstrar a importância dos Açores no ‘hotspot’ da biodiversidade que inclui a Madeira e as Canárias e os Açores.
Na sua opinião, porque o pai da Teoria da Evolução das Espécies não se interessou pelos Açores, quando por aqui passou?
Ao visitar as ilhas, Darwin não encontrou animais de grande porte. Portanto, ao não encontrar aves endémicas nem o morcego endémico, por exemplo, e ao não encontrar mamíferos endémicos, o naturalista – que esteve muito pouco tempo na Terceira – acabou por decretar o desinteresse científico da ilha. Obviamente, naquela altura, Darwin não teve nem a capacidade nem o tempo necessários para investigar os insectos, os caracóis e outras espécies, como aconteceu na sua passagem pelas Galápagos ou no Havai.
Com essa declaração, Darwin afastou os cientistas do arquipélago?
No início, acho que sim. Porque, nessa época, existiram estudos fantásticos na Madeira e nas Canárias, sobretudo realizados por investigadores ingleses e nórdicos. E não assistimos a esses estudos nos Açores. Na Região, a comunidade científica debruça-se sobre a biodiversidade das ilhas já no século XX, nomeadamente através de expedições de universidades estrangeiras e, mais tarde, pela Universidade dos Açores. E é com a universidade açoriana que ocorre um ‘boom’ de estudos e conhecimentos sobre o arquipélago. Por exemplo, só em caracóis nos Açores, cerca de 70 por cento são endémicos. E esse conhecimento é recente. Em artrópodes, só em 1990, é que começou a descobrir as 20 espécies endémicas das grutas. Portanto, os Açores andaram afastados da atenção da comunidade científica. Não totalmente, mas os estudos cá realizados foram residuais.
Por que a comunidade internacional não quis estudar o arquipélago, que é hoje reconhecido como um laboratório natural situado no meio do Atlântico?
Por um lado, os Açores não estiveram no centro das rotas aéreas entre a Europa e a América. Muitos investigadores passavam por Santa Maria – resultando daí o notável trabalho de Alberto Teixeira Pombo, que conseguiu desenvolver contactos interesses com os cientistas que por ali passavam – mas eram visitas pontuais. A Madeira, pelo contrário, estava na rota do turismo inglês; e as Canárias na rota do turismo do Norte da Europa. Além disso, as duas regiões beneficiaram da publicidade que Darwin lhes fez. Daí serem alvo de vários estudos. No fundo, as rotas passavam-nos ao lado. Por outro lado, algumas das descobertas que se realizaram, implicaram meios tecnológicos avançados, que há altura não existiam. Veja-se os estudos feitos no fundo marinho ou na copa das árvores dos Açores. Ou seja, os Açores acabam por mostrar o seu valor científico após ter sido possível realizar vários investimentos que resultaram num acumular de tecnologia e conhecimentos sobre a biodiversidade local.
O trabalho dos cientistas açorianos tem tido eco nas comemorações mundiais em curso sobre Charles Darwin?
Sim. Vários investigadores da Universidade dos Açores têm participado em vários eventos internacionais dedicados a Darwin. Um dos nossos alunos vai estar em Minorca. Outros, em Março, estiveram em Leipzig, a apresentar estudos sobre os Açores. Tivemos outros investigadores no México. E, de 19 a 23 de Setembro, o professor Frias Martins reúne investigadores locais com investigadores internacionais para demonstrar o valor dos Açores como laboratório de investigação na área da Biologia.
Diz-me que o ‘boom’ da investigação científica açoriana ocorre com a Universidade dos Açores. Neste momento, qual o ponto de situação no estudo da biodiversidade açoriana?
Os Açores, neste momento, em muitas áreas, estão no mesmo patamar de muitas outras áreas do planeta, nomeadamente Canárias, Norte da Europa, Madeira, Galápagos, Havai. Ou seja, em termos de estrutura e de cientistas, já atingimos um nível qualitativo idêntico a esses locais. Por exemplo, se consultar muita literatura científica recente, encontrará muitos trabalhos que comparam os Açores a outros arquipélagos. E noutros aspectos estamos na vanguarda. Por exemplo, o Portal da Biodiversidade dos Açores é, neste momento, único nos arquipélagos semelhantes. Apesar do projecto, conceptualmente, ter sido criado e desenvolvido nas Canárias, nós passamos da simples colocação de dados para a comunidade científica para a divulgação ao grande público. O sítio, neste momento, tem mais de duas mil visitas diárias, tem recursos enormes e recebe visitas de cientistas, de escolas, de cidadãos interessados. Além de cooperar com várias instituições governativas. Portanto, atingimos com este projecto uma dimensão educativa, científica, popular e de apoio governamental ao nível de gestão do Ambiente.
Portanto, toda a exposição conseguida com esse projecto é da responsabilidade da Universidade dos Açores, muitas vezes tida como uma instituição de segunda linha…
A Universidade dos Açores é responsável pelos conteúdos e pela investigação que os originam. Mas, não nos podemos esquecer, que sem o apoio incondicional de várias entidades governativas, não era possível a concretização quer deste projecto quer dos estudos científicos que vão sendo desenvolvidos. Por isso só, a academia não tem capacidade para realizar investigação. Sem o esforço único – que não é comparável ao que acontece na Madeira ou nas Canárias – que as entidades governativas regionais têm desenvolvido, não tínhamos chegado a este patamar.
Que leitura faz desses apoios?
Entendo-os como parte de uma estratégia concertada de promoção turística dos Açores como zonas sustentáveis da natureza. Têm vindo a ser aprovados os parques de ilha, por exemplo, que mais não são do que formas de promover as ilhas como belezas naturais, como zonas ‘wilderness’, em oposição ao turismo madeirense que não comporta a vertente de natureza selvagem, digamos assim.
Qual o grau de conhecimento nos Açores da sua biodiversidade?
Depende dos grupos taxionómicos. Por exemplo, ao nível das plantas, sabemos quase 90 por cento; os artrópodes, saberemos 60 a 70 por cento…
Qual a área menos conhecida?
Os insectos. Onde existem vários grupos mal estudados. Embora nos últimos cinco anos já se tenha aumentado o conhecimento que publicamos em livro em 2005.
É possível que se venham a conhecer espécies novas no arquipélago?
Sim. Ainda recentemente foram publicados artigos revelando dez novas espécies de aranhas e oito novas espécies de escaravelhos. Ao nível das plantas e dos musgos, há sempre descobertas a acontecerem. Tudo isto deriva do facto de existir uma equipa em trabalho contínuo, em investigação permanente. E, ao mesmo tempo que se descobrem novas espécies, descobrem-se também os factores que as põem em risco.
Qual a principal ameaça à biodiversidade açoriana?
Pelo que conhecemos, o perigo maior resulta das espécies invasoras. Felizmente, o Governo Regional tem um projecto em curso de combate às espécies invasoras (incenso, conteira, hortênsia, etc.) em zonas críticas.
O homem é ou será um perigo para a biodiversidade açoriana? Numa Região que pretende explorar o turismo de natureza…
Acho que não. Aliás, felizmente, o clima dos Açores está a protegê-lo de um turismo de massas. Parece-me que, nesse aspecto, a ilha que possa correr mais riscos é São Miguel…
As restantes não podem vir a sofrer com uma intensificação turística?
Não me parece, porque não me parece viável que essa intensificação ocorra. O tipo de turista que visita os Açores, se for bem coordenado, não representará qualquer perigo para a biodiversidade do arquipélago. Por exemplo, nas Galápagos, que têm um turismo mais agressivo, as autoridades locais conseguem minimizar essas presenças.
Dos estudos que tem realizado, têm sido feitas descobertas que, de certa forma, ponham em causa algumas das ideias que se têm sobre os Açores? Dou-lhe o exemplo da declaração de Eduardo Dias, professor da academia açoriana, que revela que o arquipélago vive uma segunda Primavera no Outono…
Sim. Há vários exemplos. Relativamente a esse que me dá, comprovamos que, ao nível dos musgos, existem dois picos de crescimento: na Primavera e entre Setembro e Outubro, no Outono. Há como que duas zonas de alegria e dinâmica das florestas derivadas do nosso clima. A nível dos artrópodes, há espécies – caso das moscas – que, no Outono, se desenvolvem também. Nas térmitas, o período de enxameamento vai de Maio a Outubro. Portanto, muitos dos estudos provam que as nossas condições ecológicas permitem novidades, nomeadamente ao nível da fisiologia dos indivíduos. Além disso, o facto de os Açores serem um arquipélago com diferentes idades de surgimento, é-nos possível propor novas teorias sobre a evolução e a colonização dos organismos dos Açores. Ou seja, estas ilhas, pelas suas características, são muito interessantes para estudar Evolução, Ecologia, Conservação da Natureza, Dinâmica das Espécies Invasoras, etc.
A comunidade científica internacional tem demonstrado interesse nessas matérias?
Sim. Muito. Recentemente, tivemos quatro projectos da Fundação da Ciência e Tecnologia aprovados com questões ligadas à problemática das ilhas, nomeadamente ecológicas e evolutivas. E foram projectos considerados pelo painel de avaliadores internacionais de grande importância.
Que mais-valias se retiram desses estudos, nomeadamente para o cidadão comum?
Estamos aqui a falar de investigação pura, que tem impacto sobretudo no avanço da Ciência internacional. Para o cidadão comum pode não haver impacto directo. Mas a Região, num primeiro momento, pode beneficiar do interesse de mais cientistas estrangeiros, que ao virem para os Açores significam rendimento, nomeadamente ao nível do turismo científico. Recentemente, por exemplo, tivemos cá cinco alunos da Universidade de Oxford a fazerem investigação. O que demonstra que o meio científico internacional vê potencial nestas ilhas, quando poderia centrar atenção noutras zonas do globo.
Percebo das suas palavras que a Universidade dos Açores se encontra incluída nas redes científicas internacionais, granjeando aí sucesso. Contudo, dentro de portas, a academia continua a não ser vista como um pólo de excelência. Porquê?
Falta as gerações suficientes de estudantes açorianos que, ao estudarem aqui, percebam e reflictam para o exterior essa importância. Esta academia tem 30 anos. E a dimensão científica e de investigação da Universidade dos Açores tem menos de 20 anos. Ou seja, ainda não houve tempo suficiente para a universidade ganhar, digamos assim, estatuto internamente e garantir à Região um conjunto vasto de quadros.
Como é possível, em pouco mais de dez anos, o conhecimento gerado na Universidade dos Açores ter aumentado tanto?
Há dez anos atrás, o número de doutorados nesta universidade era diminuto. Eu e os meus colegas, entramos aqui na década de 80/90 e fomos tirar os nossos doutoramentos no estrangeiro, ligando-nos a equipas internacionais de vanguarda. E aí, começamos a colocar os Açores no mapa da comunidade científica. Depois, é o efeito da bola de neve. A capacidade científica que leva tempo a formar, no caso dos Açores, encontra-se no auge neste momento, porque esses doutorados estão na melhor fase da sua produção. Daí este crescimento.
A Universidade dos Açores, na sua opinião, tem condições para produzir fornadas de doutorados que mantenham este ritmo na investigação local?
Acho que sim. No meu grupo, temos cinco alunos de doutoramento. Outros grupos têm também alunos desse nível. E esses alunos vão trabalhar na Região ou fora dela, potenciando a nossa investigação. Reconheço que para a população em geral, estas coisas não são visíveis, até porque, se calhar, a economia açoriana é muito baseada na agro-pecuária e a investigação de ponta da Universidade dos Açores não é muito nessa área, mas sim nos fundos submarinos, na climatologia ou na biotecnologia, assim como na biodiversidade, vocacionada para o eco-turismo e o turismo científico. Ou seja, enquanto a população em geral luta nos sectores económicos tradicionais, a Universidade dos Açores trabalha a nível da investigação científica pura e dura, que terá impacto na Região em outras vertentes.
A produção científica da Universidade dos Açores poderá alavancar outro patamar económico regional, centrado, por exemplo, no conhecimento?
Acho que não será possível sustentar um sector com grande impacto, por exemplo, ao nível do PIB. Mas será possível potenciar um impacto indirecto, nomeadamente ao nível da visibilidade dos Açores no exterior, que poderá atrair investigadores e turistas científicos. Agora, tenho dúvidas que isso signifique um pilar económico como, por exemplo, a Agricultura.
Na sua opinião, qual é o próximo passo que a Universidade dos Açores deve dar em termos de investigação?
Acho que agora é altura de dar tempo para que a Universidade dos Açores possa alcançar um patamar idêntico ao de outras academias nacionais, europeias e internacionais. Parece-me que esse é o caminho. A não ser que se decida investir fortemente na criação de centros de excelência, capazes de atrair investigadores de renome…
Acha que os Açores têm condições para consolidar esses centros de excelência?
Por que não? Recentemente foi criado, no DOP, um centro de observação do mar, que é um espaço de excelência. É um exemplo de que houve um interesse político imediato e que resultou num investimento nesse sentido. Há outras áreas onde isso pode acontecer. Por exemplo, na Terceira, podemos conseguir um grupo de excelência ao nível mundial para o estudo da ecologia e biodiversidade das ilhas. Estamos a trabalhar nesse sentido. Se conseguirmos continuar a cativar os orçamentos necessários, poderemos alcançar esse objectivo dentro de alguns anos. No entanto, reconheço que a nossa área de actividade não terá impactos económicos como, por exemplo, o centro de observação e investigação do mar, criado no DOP.
Mas podem produzir conhecimento fundamental, por exemplo, para a gestão do território?
Claro. Temos vindo a produzir investigação que auxilia os decisores. Lideramos o combate às térmitas, orientamos um mestrado de Educação Ambiental e promovemos o Portal da Biodiversidade. Ou seja, participamos em projectos que, no fundo, contribuem para a Região em termos concretos. Penso, assim, que estamos no caminho certo para demonstrar que os Açores têm valor como laboratório natural, algo que Darwin não reconheceu.
Os açorianos estão despertos e sensíveis à biodiversidade que os rodeia?
Os mais novos, sim. Os mais velhos, ainda continuam agarrados a alguns mitos ou ideias antigas. Aliás, prova disso, é a Região continuar a ostentar como símbolo uma planta invasora, a hortênsia. Quando temos a azorina, uma planta lindíssima e que é endémica. Mas, aos poucos, os açorianos vão despertando para estas temáticas. E, nesse aspecto, as escolas têm vindo a desenvolver um excelente trabalho na divulgação e promoção da biodiversidade insular.
Em termos de investigação científica, daqui a uma década, em que patamar deve estar a Universidade dos Açores?
Gostaria que, daqui a dez anos, tivéssemos capacidade para, por exemplo, publicar artigos científicos em revistas de grande dimensão, caso da Nature ou da Science. Neste momento, publicamos em revistas que não têm a dimensão de exposição destas.
Por que ainda não chegaram a esse patamar?
Já enviamos trabalhos para essas revistas, mas eles não passaram nas comissões de análise. Publicar nessas revistas implica ter uma experiência e um conjunto de dados acumulados de muitos anos para se descobrir detalhes e pormenores científicos únicos e inovadores em determinadas áreas. A nossa investigação ainda não atingiu essa dimensão temporal.

(in Diário Insular)

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segunda-feira, agosto 31, 2009

Videiras selvagens podem ajudar castas domesticadas

A descoberta de que as castas que produzem vinho - ou uva de mesa - são de origem regional, a partir de videiras selvagens, é considerada da maior importância por Artur Machado. Segundo o líder do Centro de Biotecnologia dos Açores, abrem-se agora novas perspectivas genéticas e fitossanitárias para as castas em produção. Por exemplo, adiantou, o estudo das videiras selvagens que estão na origem das castas domesticadas pode dar informação genética muito antiga, capaz de ser trabalhada para melhorar as castas. Por outro lado, as videiras selvagens resistiram durante milénios, por vezes em condições muito adversas, o que significa que desenvolveram resistências e mecanismos de adaptação que podem ser estudados e utilizados para melhorar as videiras domesticadas que são originárias das anteriores. Outra vantagem, alertou Artur Machado, tem a ver com o próprio marketing do vinho e das uvas, uma vez que a partir de agora é possível estabelecer a origem de uma casta, o que significa que Portugal pode falar na sua casta X, Espanha na sua casta Y, Itália na sua casta Z, etc. “New insights on the genetic basis of Portuguese grapevine and on prapevine domestications” é o título do artigo publicado na revista Genome (http://pubs.nrc-cnrc.gc.ca/rp-ps/journalDetail.jsp?lang=eng&jcode=gen) e que resume a investigação do centro de Biotecnologia dos Açores.Assinam o artigo Lopes, Mendonça, dos Santos e Machado, do Centro de Biotecnologia dos Açores, e Eira-Dias na Estação Vitivinícola Nacional.
(in Diário Insular)

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sábado, agosto 29, 2009

Universidade reescreve a História da Vinha

Uma investigação na área dos estudos de genética, liderada pelo Centro de Biotecnologia da Universidade dos Açores e que acaba de ser publicado na revista científica Genome, reescreve a História da Vinha, ao provar que a Mesopotâmia (Crescente Fértil) não foi o único centro de domesticação das videiras, como se pensava.O trabalho prova que as castas actualmente existentes em Portugal - inclusive as que são emblemáticas dos Açores, como o verdelho - resultam da domesticação de videiras selvagens europeias. A investigação sustenta que Portugal, Espanha e Itália constituíram importantes centros de domesticação de videiras selvagens depois do último glaciar.Neste estudo, os investigadores admitem que a casta verdelho, que predominou nos Açores até finais do século XIX, altura em que quase foi destruída pela filoxera, pode ter sido domesticada em Portugal Continental e não no Mediterrâneo, como dizem alguns historiadores. O debate está em aberto, lê-se no estudo, mas esta casta é diferente das italianas “Verdecchio” e “Verdeca” e da espanhola “Verdejo”.O verdelho, que voltou a ter alguma expressão em ilhas como o Pico, a Terceira e a Graciosa, gera um vinho de mesa frutado e um licoroso que deu fama aos Açores, chegando a ser servido na Corte da Rússia e à mesa do Papa.
Era óbvio…A possibilidade de a Mesopotâmia não ser o único centro de domesticação das videiras vinha sendo colocada há algum tempo, tempo por base as diferenças entre castas e de região para região. No entanto, faltava a prova científica.Os estudos do Centro de Biotecnologia dos Açores, liderado por Artur Machado, vêm agora provar, através da genética, que as semelhanças entre castas domesticadas e videiras silvestres autóctones, entretanto descobertas em algumas regiões, são evidentes, justificando a conclusão de que a domesticação foi regional e não centralizada.“Cada país tem as suas castas muito próprias e diferentes. Há especificidades por zonas geográficas”, confirmou Artur Machado ao DI. Fica, assim, provado que castas como alvarinho, alvarilhão, tinto-cão, touriga nacional, verdelho, arinto, entre muitas outras, são portuguesas, além de as castas emblemáticas açorianas serem nacionais.

(in Diário Insular)

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O que é bom

Um poeta açoriano inigualável costumava dizer que a insularidade não pode servir de desculpa para a mediocridade. Sabia o que dizia, o poeta. Duplamente insular, fechado na ilha e muitas vezes dentro de si próprio, era incapaz de escrever qualquer frase que não fosse de qualidade e universal, sendo que uma coisa é sinónimo da outra.Por maioria de razão, os dias de hoje são de comunicação global. A distância já não se mede em quilómetros, mas em distância-tempo, em nano, enfim, no quasi-inexistente. O conhecimento produzido em Nova Iorque, em Paris, em Nova Deli, está ao alcance de um nano-segundo. E o contrário também é verdade. O que estamos aqui a fazer pode estar até on-line, em acompanhamento quasi-simultâneo. Enfim, o que queremos dizer é que a distância passou a ser um mito ou um mero atavismo mental.É por isso que não nos deve surpreender que a Universidade dos Açores, que fica na ilha Terceira (no caso); a Estação Agronómica Nacional, que fica na Quinta da Almoinha, e a revista científica Genome, que fica no Canadá e no espaço virtual, de um momento para o outro apareçam ligadas numa descoberta importante para a humanidade, que tem a ver com o enraizamento local das castas que produzem vinho e uva de mesa, reescrevendo-se assim a História à escala mundial. O que se estranha - e mais uma vez trazemos este assunto à nossa primeira coluna - é a incapacidade que a Universidade dos Açores continua a manifestar quando se trata de promover a investigação de qualidade que produz e que se perde para a opinião pública, deixando-se passar uma imagem menos boa e de menor capacidade que só alguns na nossa sociedade sabem não corresponder, no geral, à nossa universidade. Muito do que se sabe da UA é por acaso, numa esquina. E isto nem sequer é justo.
(in Diário Insular)

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The taxonomic status and the geographical relationships of the Macaronesian endemic moss Fissidens luisieri based on DNA sequence data

Olaf Werner a, Jairo Patiño b, Juana MarÍa González–Mancebo b, Rosalina Maria de Almeida Gabriel c, and Rosa MarÍa Ros d
a- Departamento de Biología Vegetal, Facultad de Biología, Universidad de Murcia, Campus de Espinardo, 30100 Murcia, Spain
b-Departamento de Biología Vegetal (Botánica), Universidad de La Laguna, C/ Astrofísico Francisco Sánchez s/n, 38071 La Laguna, Tenerife, Islas Canarias, Spain
c-Departamento de Ciências Agrarias, CITAA, Universidade dos Açores, P-9702 Angra do Heroísmo Codex, Açores, Portugal
d-Departamento de Biología Vegetal, Facultad de Biología, Universidad de Murcia, Campus de Espinardo, 30100 Murcia, Spain .


The taxonomic identity and the geographical relationships of the Macaronesian endemic moss Fissidens luisieri have been studied using the chloroplast trnGUCC intron, the spacer between trnM and trnV, together with the trnV intron and ITS1 and ITS2 sequences. A comparison of F. luisieri with the most closely related species, F. serrulatus, from the same geographical areas reveals that the distribution pattern of F. serrulatus and F. luisieri, rather than their morphological differences, explains the observed differences. Therefore, we conclude that both names correspond to the same species. One of the primers for the chloroplast trnGUCC intron and both primers for the trnM–trnV region were designed for this study; they can all be widely used within bryophytes because they provide similar degrees of variability as other regions of the chloroplast genome such as the atpB–rbcL intergenic spacer.

(in The Bryologist)

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sexta-feira, agosto 28, 2009

Videiras não foram domesticadas na Mesopotâmia

A domesticação das videiras selvagens não aconteceu exclusivamente entre os rios Eufrates e Tigre, na Terra Fértil, garante um estudo da Universidade dos Açores agora publicado na revista Genome.
O trabalho do Centro de Biotecnologia da universidade açoriana prova que as castas actualmente existentes em Portugal - inclusivé as que são emblemáticas dos Açores, como o verdelho - resultam da domesticação de videiras selvagens europeias.O trabalho sustenta que Portugal, Espanha e Itália constituiram importantes centros de domesticação de videiras selvagens depois do último glaciar.Neste estudo, os investigadores admitem que a casta verdelho, que predominou nos Açores até finais do século XIX, altura em que quase foi destruída pela filoxera, pode ter sido domesticada em Portugal Continental e não no Mediterrâneo, como dizem alguns historiadores. O debate está em aberto, lê-se no estudo, mas esta casta é diferente das italianas "Verdecchio" e "Verdeca" e da espanhola "Verdejo".O verdelho, que voltou a ter alguma expressão em ilhas como o Pico, a Terceira e a Graciosa, gera um vinho de mesa frutado e um licoroso que deu fama aos Açores, chegando a ser servido na Corte da Rússia e à mesa do Papa.

(in Armando Mendes, Antena 1)

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domingo, agosto 16, 2009

Significant enhancements of nitrogen oxides, black carbon, and ozone in the North Atlantic lower free troposphere resulting from North American boreal

Martín M Val Department of Civil and Environmental Engineering, Michigan Technological University, Houghton, Mich
Honrath R E Department of Civil and Environmental Engineering, Michigan Technological University, Houghton, Mich
Owen R C Department of Civil and Environmental Engineering, Michigan Technological University, Houghton, Mich
Pfister G Atmospheric Chemistry Division, National Center for Atmospheric Research, Boulder, Colorado, USA
Fialho P Group of Chemistry and Physics of the Atmosphere, University of the Azores, Terra Chã, Portugal
Barata F Group of Chemistry and Physics of the Atmosphere, University of the Azores, Terra Chã, Portugal.

Extensive wildfires burned in northern North America during summer 2004, releasing large amounts of trace gases and aerosols into the atmosphere. Emissions from these wildfires frequently impacted the PICO-NARE station, a mountaintop site situated 6–15 days downwind from the fires in the Azores Islands. To assess the impacts of the boreal wildfire emissions on the levels of aerosol black carbon (BC), nitrogen oxides and O3 downwind from North America, we analyzed measurements of CO, BC, total reactive nitrogen oxides (NO y ), NO x (NO + NO2) and O3 made from June to September 2004 in combination with MOZART chemical transport model simulations. Long-range transport of boreal wildfire emissions resulted in large enhancements of CO, BC, NO y and NO x , with levels up to 250 ppbv, 665 ng m?3, 1100 pptv and 135 pptv, respectively. Enhancement ratios relative to CO were variable in the plumes sampled, most likely because of variations in wildfire emissions and removal processes during transport. Analyses of ΔBC/ΔCO, ΔNO y /ΔCO and ΔNO x /ΔCO ratios indicate that NO y and BC were on average efficiently exported in these plumes and suggest that decomposition of PAN to NO x was a significant source of NO x . High levels of NO x suggest continuing formation of O3 in these well-aged plumes. O3 levels were also significantly enhanced in the plumes, reaching up to 75 ppbv. Analysis of ΔO3/ΔCO ratios showed distinct behaviors of O3 in the plumes, which varied from significant to lower O3 production.

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sábado, agosto 08, 2009

Laboratório da Terceira em estudo internacional

O Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular do Hospital de Angra (SEEBMO) está na linha da frente da investigação das spondiloartropatias, entre as doenças auto-imunes mais frequentes no globo. No final de Julho, o SEEBMO esteve presente no estado norte-americano do Texas para uma reunião de vários grupos mundiais que se debruçam sobre a doença, onde ficou já traçada a participação do laboratório terceirense num novo trabalho. De acordo com o responsável pelo SEEBMO, Jácome Armas, em causa está estudar genes descritos recentemente em vários países e grupos étnicos, sendo que, desta forma, os casos analisados pelo laboratório também farão parte deste estudo. Jácome Armas avança que a inclusão do laboratório neste estudo é um “reconhecimento”.O SEEBMO é membro do consórcio IGAS, tendo participado na reunião que decorreu no Texas através deste grupo.
Publicação científica
Entretanto, Jácome Armas e os investigadores do SEEBMO, Ana Rita Rendeiro e Bruno Filipe Bettencourt, fazem parte da lista de especialistas escreveram artigos para o livro “Molecular Mechanisms of Spondyloarthropathies”. O convite do editor colocou os investigadores do laboratório da Vinha Brava junto dos maiores especialistas mundiais sobre a temática.

(in Diário Insular)

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sexta-feira, agosto 07, 2009

Biodiversidade dos Açores na Enciclopédia das Ilhas

Os Açores marcam presença na Enciclopédia das Ilhas, com um capítulo sobre a sua biodiversidade. A publicação da prestigiada Califórnia University Press, apresenta vários capítulos sobre ilhas de todo o mundo. A editora escolheu diversos cientistas de vários países para escrever sobre o tema. Nos Açores a responsabilidade ficou a cargo do professor da Universidade dos Açores, Paulo Borges. Para o investigador a publicação de um capítulo na Enciclopédia das Ilhas dá projecção ao arquipélago. “É mais uma forma de dar a conhecer os Açores”, defende. Paulo Borges salienta que a Região ainda é pouco conhecida no estrangeiro e dá como exemplo o caso de três alunos da Universidade de Oxford, a fazer mestrado na Universidade dos Açores, que contam que os amigos e familiares nem sabiam a localização exacta do arquipélago. “Conheciam as Canárias, alguns até a Madeira, mas não conheciam os Açores”, revela. “Existe ainda muito desconhecimento sobre os Açores”, frisa.
Promoção da RegiãoSegundo o investigador, a colaboração com a Califórnia University Press surge como consequência dos trabalhos desenvolvidos pela Universidade dos Açores. Paulo Borges defende que é graças à investigação desenvolvida pela entidade e ao empenhamento do Governo Regional em proteger áreas naturais que os Açores são agora colocados no mapa, pela sua biodiversidade.Para o professor da Universidade dos Açores, o arquipélago passa a ser um exemplo, no campo da biodiversidade, à semelhança de outras ilhas mais conhecidas, como o Havai ou as Galápagos. Paulo Borges destaca ainda a importância do Portal da Biodiversidade da Universidade dos Açores em termos de promoção do arquipélago. “Os documentos são muito acedidos e pensamos que muitas vezes por turistas”, realça. O artigo escrito no inicio de 2008, que é agora publicado, é da autoria de Paulo Borges, em colaboração com Isabel Amorim, Rosalina Gabriel, Regina Cunha, António Frias Martins, Luís Silva, Ana Costa e Virgílio Vieira, todos eles investigadores da Universidade dos Açores
Biodiversidade
Para além da localização geográfica do arquipélago, o capítulo mostra a biodiversidade dos Açores de uma forma “clara e concisa”. Começa por dar a conhecer a geologia do arquipélago, “fundamental para perceber como é que a biodiversidade se formou”. O artigo descreve ainda as diferentes espécies existentes nos Açores, com um quadro que enumera a fauna e flora do arquipélago. Das 4467 espécies e subespécies de plantas terrestres e animais conhecidas, 420 são endémicas. Por esse motivo, Paulo Borges diz que há um ênfase para as espécies endémicas. Também aparecem descritos no artigo os processos evolutivos da formação das espécies endémicas. A evolução é figurada através de quatro gráficos que dão a conhecer o padrão de riqueza de quatro grupos, indígenas briófitas, plantas vasculares, moluscos terrestres e artrópodes.
Conservação
No final, os investigadores apresentam um conjunto de aspectos que devem ser tidos em consideração para a conservação das espécies na Região..“A fragmentação e a degradação de habitats, juntamente com a propagação de espécies não indígenas são as maiores ameaças à biodiversidade terrestre nos Açores”, refere o artigo. “O progresso da conservação da biodiversidade dos Açores depende predominantemente de estudos a longo prazo sobre a distribuição e abundância de espécies focais e do controlo de espécies invasoras”, defendem. Uma investigação para a qual dizem ser necessário um “compromisso sério de cientistas, políticos e público em geral”.
(in Diário Insular)

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quarta-feira, julho 15, 2009

Use of plastic debris as shelter by an unidentified species of hermit crab from the Maldives

João P. Barreiros a1 and Osmar J. Luiz Jr a2
a1 Departamento de Ciências Agrárias and ImarAçores, Universidade dos Açores, 9701-851 Angra do Heroísmo, Portugal
a2 Departamento de Zoologia, Universidade Estadual de Campinas, 13083-970 Campinas, SP, Brazil

An unidentified species of hermit crab from the Maldives was photographed using a plastic box as shelter instead of a natural shell. This could be a result of increased pollution and shell collection disrupting the natural processes in coral reefs.
(in Marine Biodiversity Records)

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terça-feira, julho 07, 2009

Isolation and characterization of 11 tetranucleotide microsatellite loci in the Egyptian mongoose (Herpestes ichneumon)

MÓNICA RODRIGUES*§, CARLOS A. FERNANDES*†§, FRANCISCO PALOMARES‡, ISABEL R. AMORIM¶¥, MICHAEL W. BRUFORD† and MARGARIDA SANTOS-REIS*
*Centro de Biologia Ambiental, Universidade de Lisboa, Campo Grande Edifício C2 5° Piso, 1749 016 Lisboa, Portugal, †Cardiff University, Museum Avenue, Cardiff CF10 3US, UK, ‡Departamento de Biología de la Conservación, Estación Biológica de Doñana-CSIC, Avenida de Maria Luisa s/n, Pabellón del Perú, E-41013 Seville, Spain, ¶Departamento de Ciências Agrárias-CITAA, Universidade dos Açores, 9700-851 Angra do Heroísmo, Portugal, ¥Grupo Lobo, 1749-016 Lisboa, Portugal

We report the isolation of 11 polymorphic tetranucleotide microsatellite loci in the Egyptian mongoose (Herpestes ichneumon). In a sample of 27 individuals, we observed between 4 and 7 alleles per locus and their observed and expected heterozygosities ranged from 0.37 to 0.85 and from 0.44 to 0.79, respectively. All genotypic frequencies conformed to Hardy–Weinberg equilibrium expectations and there were no instances of linkage disequilibrium detected between pairs of loci.

(In Molecular Ecology Resources)

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terça-feira, junho 30, 2009

A Software Framework for Measuring Efficiency

Veska Noncheva 1,2,* , Armando Mendes 1 , Emiliana da Silva 3

1. CEEAplA, Azores University, 9501-801 Ponta Delgada, Portugal
2. Faculty of Mathematics and Informatics, University of Plovdiv "Paisii Hilendarski", Plovdiv, Bulgaria
3. CEEAplA, Azores University, 9700-851 Angra do Heroísmo, Portugal

The producers always aim at increasing the efficiency of their production process. However, the producers do not always succeed in optimizing their production. In the last years, the interest on Data Envelopment Analysis (DEA) as a powerful tool for measuring efficiency has increased. This is due to the large amount of data-sets available for description of the phenomena under study, and at the same time, to the need of timely and not costly information.
The "Productivity Analysis with R" (PAR) framework establishes a user-friendly data envelopment analysis environment with special emphasis on variable selection and aggregation, and summarization and interpretation of the results. The starting point is the following R packages: DEA [ Diaz-Martinez and Fernandez-Menendez, 2008 2008] and FEAR [Wilson, 2007] 2007]. The DEA package performs some models of Data Envelopment Analysis presented in [Cooper et al., 2007]. FEAR is a software package for computing nonparametric efficiency estimates and testing hypotheses in frontier models. FEAR implements the bootstrap methods described in [Simar and Wilson, 2000].
PAR is a software framework using a variety of models estimating efficiency and providing results explanation functionality. PAR framework has been developed to distinguish between efficient and inefficient observations of performances and to advise explicitly for producers’ possibilities to optimize their production. PER framework offers several R functions for a reasonable interpretation of the data analysis results and text presentation of the information obtained. The output of the efficiency study with PAR software is self explanatory.
We are applying PAR framework to estimate the efficiency of the agricultural system in Azores [ Mendes et al., 2009]. All Azorean farms will be clustered into homogeneous groups according to their efficiency measurements to define clusters of "good" practices and cluster of "less good" practices. This makes PAR appropriate to support public policies in agriculture sector in Azores.
This work has been partially supported by Regional Directorate for Science and Technology of Azores Government through the project M.2.1.2/l/009/2008, "Productivity Analysis of Azorean Cattle-Breeding Farms with R Statistical Software".


(in Proceedings of the 38th Annual Hawaii International Conference on System Sciences)

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quinta-feira, maio 21, 2009

Cyclic patch dynamics in a Macaronesian island forest

R. B. Elias, and E. Dias

We assess if the structural and floristic diversity of Juniperus-Ilex forests from Pico Island (Azores) corresponds to a mosaic of different phases of a forest cycle, by identifying the phases of that cycle and the dynamic relations between them. Eight 100 m2 plots were placed randomly in areas with structural and floristic differences but having in common the presence of live and/or dead individuals of the dominant tree species (Juniperus brevifolia). In each plot the number of seedlings, saplings, and adults as well as canopy height and width and maximum height of live Juniperus brevifolia and Ilex azorica adults were recorded. The floristic composition was determined in a 25 m2 plot, placed inside each 100 m2 plot. Juniperus-Ilex forests show a cyclic patch dynamic triggered by the senescence and death of same cohort individuals of J. brevifolia. In this forest cycle, five phases were identified, such as gap, building, mature, initial degenerative and final degenerative. The first two phases are dominated by J. brevifolia however in the degenerative phases I. azorica is the dominant tree species. The cycle may be divided into an upgrade series (comprising the first two phases) and a downgrade series (between the mature and final degenerative phases). In these forests there was no climax micro-succession detected since changes in the dominant tree species occur in the degenerative phases. This paper brings the first evidence for the existence of a forest cycle in Macaronesian forests.
(in Community Ecology)

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quarta-feira, maio 20, 2009

The role of habitat features in a primary succession

RUI B. ELIAS & EDUARDO DIAS

In order to determine the role of habitat features in a primary succession on lava domes of Terceira Island (Azores) we addressed the following questions: (1) Is the rate of cover development related to environmental stress? (2) Do succession rates differ as a result of habitat differences?
One transect, intercepting several habitats types (rocky hummocks, hollows and pits, small and large fissures), was established from the slope to the summit ofa 247 yr old dome. Data on floristic composition, vegetation bioarea, structure, demography and soil nutrients were collected. Quantitative and qualitative similarities among habitats were also analyzed. Cover development and species accumulation are mainly dependent on habitat features. Habitat features play a critical role in determining the rate of succession by providing different environmental conditions that enable different rates of colonization and cover development. Since the slope’s surface is composed of hummocks, hollows and pits the low succession rates in these habitats are responsible for the lower rates of succession int his geomorphologic unit, whereas the presence of fissures in the dome’s summit accelerates its succession rate.

(in Arquipélago. Life and Marine Sciences)

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segunda-feira, março 02, 2009

Oito focas observadas nos Açores desde 2002

Desde 2002, foram encontradas nos Açores oito focas, de diferentes espécies. A ocorrência destes mamíferos nos Açores não era detectada desde 1988, quando um espécime de “phoca vitulina” apareceu de São Miguel. A informação sobre o registo de focas no arquipélago, desde 1582 até Agosto de 2008, está num artigo publicado na revista cientifica “Mammalia”, da autoria do biólogo e investigador da Universidade dos Açores, João Pedro Barreiros, em parceria com Mónica Silva (IMAR), Cristina Brito (Faculdade Nova de Lisboa) e Sara Santos (direcção regional do Ambiente). No artigo intitulado “Historic and reccent occurences of pinnipeds in the archipelago of the Azores”, é avançado que existem relatos históricos de Gaspar Frutuoso, datados de 1582, que dão conta da existência, na costa da ilha de Santa Maria, de focas “monge do mediterrâneo” (monachus monachus). No entanto, estas focas terão sido extintas pelos colonizadores. Ao longo do século XX, são cinco as focas com ocorrência registada no arquipélago. Esta observação intensifica-se nos últimos anos, já não em relação à “monachus monachus”, mas a espécies como “pagophilus groenlandicua” ou “cristophora cristata”.Os espécimes apareceram em várias ilhas, quer vivos como em decomposição. A seis de Julho de 2006, uma foca “cristophora cristata” passou todo o dia a nadar no porto das Velas.Uma carcaça em decomposição foi detectada em Abril de 2007 na Terceira. Através da estrutura dentária e medidas do cérebro, o animal foi identificado como uma foca cinzenta (halochoerus grypus).
CausasA primeira vez que uma foca que não era da espécie “monachus monachus” é vista nos Açores é em 1970.O registo crescente destas espécies não habituais na Região deve estar relacionado, de acordo com o artigo, com a implementação de uma rede de observação de cetáceos nos Açores e com o aumento do conhecimento da população sobre a matéria.De acordo o artigo, não há padrão espacial ou temporal na detecção de focas, nem esta está ligada a eventos marítimos ou climáticos anormais na Região. As focas detectadas desde 2002 nos Açores podem ser originárias da costa atlântica dos Estados Unidos da América e das colónias localizadas nas ilhas britânicas e na França.No entanto, no caso das focas jovens que terão saído das colónias, presume-se que as correntes à superfície as afastassem dos Açores. “Sem mais informações sobre a morfométrica e genética destes animais, só podemos especular sobre a população de origem ou a rota tomada pelas focas perdidas nos Açores”, conclui o artigo.
Focas monge“Existem muitos lobos marinhos (focas) ao longo da costa (da ilha de Santa Maria), e algumas vezes eles (pescadores) tiram-nas das grutas onde elas dormem, e esta é a razão pela qual os pescadores não usam aparelhos de fundo para apanhar lagostas”, porque as focas os danificam. O relato é de Gaspar Frutuoso, nos finais do século XVI.O naturalista açoriano refere ainda três grutas na ilha de Santa Maria “onde as focas monge descansavam e dormiam e das quais eram vistas muitas vezes a partir ou a chegar”. Frutoso referia-se às focas monge que habitavam a ilha das Flores e que devem ter sido caçadas até à extinção.Esta é a única população de focas nos Açores de que se tem relato, não existindo registos de detecção de focas de 1680 até ao inicio do século XX.Actualmente, há apenas uma população de focas em Portugal, localizada nas ilhas Desertas do arquipélago da Madeira.Nas ilhas desertas da madeira, 24 focas “monge do mediterrâneo” ainda habitam.A população mundial desta espécie de foca em vias de extinção está estimada em 500 indivíduos.
(In Diário Insular)

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segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Activity of ethanol-stressed Oenococcus oeni cells: a flow cytometric approach

Maria da Graça Da Silveira MG e Abee T.

Activity of ethanol-stressed Oenococcus oeni cells: a flow cytometric approach.
To study the effect of ethanol on Oenococcus oeni activity at the single cell level. Methods and Results: The active extrusion of the fluorescent probe carboxy fluorescein (cF) was used to assess the metabolic activity of ethanol-stressed O. oeni cells. Subsequent flow cytometric analysis revealed that O. oeni cells extrude the accumulated cF upon energizing with l-malic acid. However, O. oeni cells exposed to 12% (v/v) ethanol for 1 h showed a decreased capacity for active extrusion of cF. Moreover, two subpopulations could be distinguished, one of which being able to extrude cF and the other one remaining cF fluorescent. Growing cells in the presence of 8% (v/v) ethanol resulted in robust cells that maintained the capacity to actively extrude cF after being exposed to 12% (v/v) ethanol, which in turn correlated with the high levels of ATP observed in these ethanol stressed, malolactic fermentation (MLF) performing cells. Conclusion: From our results, it becomes evident that active extrusion of cF can be used to assess malolactic activity in O. oeni. Significance and Impact of the Study: The present study provides information for the development of a rapid method to assess the malolactic activity of individual O. oeni cells performing MLF during wine production.

(In Journal of Apllied Microbioloy)

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sexta-feira, fevereiro 13, 2009

“Aprender é estar quietinho e a fazer coisas a sério” – perspectivas de crianças em idade pré-escolar sobre a aprendizagem

Maria Pacheco Figueiredo
Escola Superior de Educação e Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde do Instituto Politécnico de Viseu, Portugal
Ana Moura Arroz
Dulce Sousa
Campus de Angra do Heroísmo, Universidade dos Açores, Portugal


Adoptando uma abordagem interpretativa orientada para a descoberta e um dispositivo técnico qualitativo – análises descritivo-interpretativas de entrevistas individuais e de observações das dinâmicas educativas – este estudo explora o modo como 28 crianças, de cinco e seis anos, de dois Jardins de Infância (JI) da ilha Terceira (Açores, Portugal), perspectivam a aprendizagem. Os modos qualitativamente distintos dos alunos conceberem a aprendizagem constitui uma problemática a que tem sido dado algum relevo noutros níveis de ensino, mas que não colhe ao nível pré-escolar idêntica atenção. Uma análise fenomenográfica permitiu identificar quatro modos distintos de conceber a aprendizagem, como: “fazer coisas”, “o que nos é ensinado”, “saber mais coisas” e “útil para o futuro”. A partir dos argumentos com que as crianças diferenciam o que se aprende do que não se aprende resultaram, através de uma análise temática, seis critérios de demarcação com ocorrência diferenciada: “trabalhar versus brincar”, “actividade versus passividade”, “actividade dirigida pelo adulto”, “obrigatoriedade das actividades”, “informalidade dos espaços onde não há aprendizagem” e “adequação versus desadequação comportamental a um modelo de um aprendiz tradicional”.

(In Revista Ibero Americana de Educación)

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quarta-feira, janeiro 14, 2009

Clenbuterol Storage Stability in the Bovine Urine and Liver Samples Used for European Official Control in the Azores Islands (Portugal)

Isabel Pinheiro, Bruno Jesuino, Jorge Barbosa, Humberto Ferreira, Fernando Ramos, José Matos and Maria Irene Noronha da Silveira.

Clenbuterol is a well-known growth promoter, illegally used in farm animals, especially in cattle. Samples collected for the screening of β2-agonist residues in Portuguese Azores Islands must travel through all the nine islands until they reach Azores Central Laboratory. If any suspicious sample is detected, it must be further transported to the National Reference Laboratory in Lisbon for confirmation. As a consequence of these circumstances, samples are submitted to different transport and storage times, as well as different temperature conditions and in some cases successive freezing and thawing cycles. As clenbuterol is the most detected β2-agonist growth promoter in the Portuguese Residue Monitoring Plan, studies were conducted on the stability of this compound in incurred samples (bovine liver and urine) at +4, −20 and −60 °C over time. Samples kept at −20 °C were also analyzed over time after successive freezing and thawing cycles. The analyses of clenbuterol over time were performed by gas chromatography−mass spectrometry (GC−MS) with selected ion monitoring (SIM). Clenbuterol in incurred urine and liver samples was significantly stable up to 20 weeks at −20 and −60 °C and after, at least, six consecutive freezings and thawings. At +4 °C, clenbuterol remained stable, at least until 12 weeks in urine and up to 20 weeks in liver.

(In J. Agric. Food Chem.)

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segunda-feira, janeiro 05, 2009

Structural and ultrastructural characterization of maize coenocyte and endosperm cellularization



(In Can. Jorn. Bot)

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domingo, dezembro 21, 2008

Terceira Conferência openacess

Nos passados dias 15 e 16 de Dezembro realizou-se na Universidade do Minho a 3ª Conferência OpenAccess.De entre os temas que foram tratados destacaria a problemática em torno de dois pontos fundamentais em políticas de acesso livre: o reconhecimento e acreditação dos data que são produzidos e disponibilizados em repositórios de acesso livre e a sua sustentabilidade. A conferência serviu ainda para apresentar o portal RCAAP, Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal, o primeiro repositório científico português de acesso livre. O RCAAP é uma iniciativa da UMIC, a Agência para a Sociedade do Conhecimento, IP, que teve a participação técnica e científica da Universidade do Minho e que conta para já, com onze instutuições públicas portuguesas, a saber os Hospitais da Universidade de Coimbra, o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, a Universidade Aberta, a Universidade de Coimbra, aUniversidade de Lisboa, a Universidade do Algarve, aUniversidade do Minho, a Universidade do Porto, a Universidade dos Açores, aUniversidade Nova de Lisboa , a Faculdade de Ciências e Tecnologias Universidade Técnica de Lisboa. O RCAAP tem como dois dos seus principais objectivos difundir os resultados da actividade de investigação científica em Portugal e facilitar o acesso público a estes resultados. É de lembrar que, como vem referenciado no portal da UMIC, a Universidade do Minho foi a primeira universidade portuguesa a disponibilizar um repositório científico de acesso livre, abrindo com isto caminho para novas iniciativas noutras universidades do país. De lembrar também que foi há mais de dois anos que o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas subscreveu a Declaração de Berlim sobre Acesso Aberto ao Conhecimento nas Ciências e Humanidades. O RCAAP é apenas um dos progressos no sentido de honrar esse compromisso.
(In Omnis Persuasio Carcer Est)

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