quinta-feira, setembro 10, 2009

A Vinha, o Vinho dos Biscoitos e o Turismo - III

Quanto ao turismo, e a continuarmos como estamos, não será de todo a salvação desta magnifica freguesia. O turista que nos visita procura emoções, algo de diferente, não se contenta só de ouvir falar. Se quisermos ter mais turista e por mais tempo nos Biscoitos, temos de unir esforços, temos de trabalhar juntos e não cada um para o seu lado, particulares e organismos públicos tem de trabalhar em uníssono para criar infra-estruturas e pacotes de animação turística de qualidade que prendam o turista por muito mais tempo que os escassos trinta minutos que hoje se dá de paragem nesta freguesia.
Enquanto não tivermos um bom restaurante para que os autocarros possam aqui chegar de manhã, para que o turista possa usufruir das magnificas piscinas naturais, almoçar e depois poder visitar e participar das diversas actividades que se desenvolvem e desenvolviam na freguesia, meus senhores, lamento imenso, mas os turistas não se deterão mais que os trinta minutos já referidos.Não quero com isto dizer que por exemplo se vindime como se vindimava antigamente, que se vista como se vestia no passado, que passemos a utilizar o velhinho carro de bois em vez da rápido e cómoda camioneta. A etnografia é hoje um óptimo meio para divulgar a nossa cultura, os nossos usos e costumes. Um dos bons exemplos de animação turística que se faz, é esta festa da vinha e do vinho que é uma festa ainda muito familiar, mas que penso que poderá transformar-se num grande evento para esta freguesia, assim o queiram as gentes e entidades deste concelho, (sigamos o exemplo da Madeira com a sua festa da vindima, hoje forte cartaz turístico daquela ilha).

(in Bagos D'Uva)

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quarta-feira, setembro 09, 2009

A Vinha, o Vinho dos Biscoitos e o Turismo - II

É com muito gosto que aqui me encontro a participar uma vez mais na XVIII Festa da Vinha e do Vinho dos Biscoitos, embora desta vez com uma responsabilidade acrescida que é a de falar para tão ilustre assembleia. Gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer a disponibilidade e empenho da Casa Agrícola Brum, sem a qual esta festa não seria possível. Apesar do tema deste colóquio ser a “Vinha, o Vinho dos Biscoitos e o Turismo”, não poderei como Guia deixar de abordar outros aspectos importantes desta freguesia. Quando falamos dos Biscoitos, as primeiras imagens que nos vêm ao pensamento são a vinha, o vinho e o mar, mas esta freguesia é muito mais que isto, porque neste lugar se pode contar toda a história da ilha Terceira desde o seu povoamento até aos dias de hoje, senão vejamos: Os Biscoitos são o local ideal para se falar do modelo de ocupação das terras em anel, também conhecida como “roda do capote”, ou seja, ocupação de áreas até aos 300m de altitude, claramente privilegiando as zonas litorais, onde se encontrava a melhor terra para cultivo, designadas de terras altas, deixando as terras situadas em altitudes mais elevadas para criação de gado e produção de madeira. As torrentes de lava que penetram escuras no mar, foram aproveitadas para plantação de vinhedos estreitamente murados para proteger dos ventos salgados. E quando falamos de terras não podemos deixar de falar nas “dadas”, nas sesmarias, e nos morgadios, pois Antão Martins Homem, capitão da Praia, logo em 1486 outorga uma carta de sesmaria a Pêro Álvares, primeiro povoador da actual área dos Biscoitos, mais tarde, ao tempo de Pêro Enes do Canto, os Biscoitos eram um morgado. Mas falar dos Biscoitos, é falar do mar, do arquipélago, dos descobrimentos, da emigração e da condição de ser ilhéu. Nos Biscoitos de Pêro Anes do Canto, podemos falar da Provedoria das Armadas e do seu provedor, Pêro Anes do Canto, da pirataria e do domínio Filipino. Dos Biscoitos, sentimos que somos ilhéus, pois em dias limpos vemos a ilha Graciosa. Dos Biscoitos partiam corajosos homens que ganhavam e perdiam a vida no mar, à pesca e à caça da baleia. Os Biscoitos são o testemunho vivo do vulcanismo desta ilha, da formação do arquipélago, da sismicidade, da lava que brotava dos vulcões e que correndo em direcção ao mar formou áreas de pedra escura que foram berço das cepas das videiras que deram o vinho que abastecia as naus. Nos Biscoitos podemos falar do clima da ilha e dos Açores. Dos ventos húmidos predominantes do sul, e que interceptados pela serra de Santa Bárbara, perdem humidade à passagem para a costa norte, e que são responsáveis pela criação do micro clima que aqui se desfruta.

(in Bagos D'Uva)

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terça-feira, setembro 08, 2009

Vírus roubam à vinha o melhor que ela tem

Dois vírus estão a prejudicar seriamente as vinhas tradicionais dos Açores, sendo responsáveis por maus vinhos. É possível erradicar essas pragas.

As vinhas tradicionais dos Açores estão infestadas com dois vírus que provocam prejuízos graves na produção aos níveis da qualidade e da quantidade - segundo a Universidade dos Açores.Artur Machado, especialista em biotecnologia, revelou ao DI que se trata dos vírus conhecidos como do urticado e do enrolamento, presentes em enorme dimensão nas vinhas açorianas. A qualidade do vinho, por exemplo, é atacada através dos teores de acúçar, que são essenciais para conseguir um bom vinho. Outra consequência é a instabilidade que faz, por exemplo, com que um ano seja possível trabalhar e armazenar o vinho e noutro ano esse maneio não seja possível. O homem é o principal disseminador dos dois vírus em causa, por várias formas, mas sobretudo através do maneio das vinhas, em particular através da utilização de instrumentos que são infectados numa vinha e de seguida são utilizados noutra vinha sem serem devidamente desinfectados.
É possível resolver

Segundo Artur Machado, os vírus em causa podem ser erradicados. A Universidade dos Açores domina as tecnologias necessárias e já as experimentou em videiras e árvores, mas fora da região.Segundo o cientista e invetsigador do centro de biotecnologia, não haverá qualquer dificuldade em aplicar as técnicas já dominadas á situaão específica dos Açores.A erradição dos vírus do urticado e do enrolamento exige um período de trabalho de cerca de quatro anos, além de implicar a substituição dos pés de vinha existentes por outros previamente tratados.
Descoberta importante

A Universidade dos Açores creditou recentemente a seu favor a descoberta de que as castas que produzem vinho - ou uva de mesa - são de origem regional, a partir de videiras selvagens, reescrevendo assim a história da vinha à escala do planeta. Antes pensava-se que a domesticação da vinha tinha ocorrido no Crescente Fértil. Segundo o líder do Centro de Biotecnologia dos Açores, abrem-se agora novas perspectivas genéticas e fitossanitárias para as castas em produção.Por exemplo, adiantou, o estudo das videiras selvagens que estão na origem das castas domesticadas pode dar informação genética muito antiga, capaz de ser trabalhada para melhorar as castas.

(in Diário Insular)

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A Vinha, o Vinho dos Biscoitos e o Turismo

Já nos referimos à Dr.ª Margarida de Fátima Pessoa Pires, oradora convidada da XVIII Festa da Vinha e do Vinho dos Biscoitos aqui. A Dr.ª Margarida Pires é natural da Praia da Vitória, ilha Terceira, sendo Licenciada em Guias da Natureza pela Universidade dos Açores (Departamento de Ciência Agrárias de Angra do Heroísmo). Desde cedo se interessou pela cultura da nossa ilha, tendo ingressado como dançarina o Grupo de Baile da Canção Terceirense aos doze anos de idade, ocupando ao longo destes anos vários cargos sociais neste grupo.Também ao desporto, naquela que é a sua modalidade de eleição, o Voleibol, Margarida Pires esteve e está ligada ao longo de vários anos. Foi a primeira mulher dos Açores a ocupar o cargo de Presidente de uma Associação de modalidade, foi atleta, treinadora e árbitro, neste momento é vice-presidente da Associação de Voleibol da Ilha Terceira.Funcionária pública, desenvolve em acumulação a actividade de Guia Turística há vinte anos.
(In Bagos D'Uva)

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segunda-feira, setembro 07, 2009

A Vinha, o Vinho dos Biscoitos e o Turismo - I

Gaspar Frutuoso, o grande cronista do século XVI, descreve assim esta freguesia “ Este Biscoito de Pedreanes do Canto se chama de Biscoito Gordo, por ser por uma das partes terra alta e por outro nome se chama de Má Terramenta, porque foi um homem desta alcunha o primeiro possuidor dela e despois a vendeu a Pedreanes do Canto, uma légua de largo do mar à serra, tudo prantado de vinhas e grandes pomares, a mais fresca neste género que há em toda a ilha, onde se dá uma infinidade de vinhas e frutas”.
As castas introduzidas terão sido provenientes do continente português e da ilha da Madeira. O Verdelho aparece desde o início, Gaspar Frutuoso reportando-se à Terceira refere “parreiras e uvas de todo o vidonho, muscatel, verdelho, mourisco açarias e outras”.
No século XVI a cultura da vinha encontrava-se solidamente implantada nos Açores, mas, é a crise económica verificada em meados do século XVII que reanima a produção de vinho essencialmente nas ilhas do grupo central. Na era de setecentos, persiste o desenvolvimento da viticultura nos Açores, que transforma o vinho e a aguardente em produtos de inegável valor comercial. Em meados do século XIX, o oídio invade os vinhedos dos Açores e dos Biscoitos causando grande destruição e prejuízo. Pela necessidade de utilização de algumas castas resistentes à praga, foi introduzida a variedade americana “Isabela” que produz o vinho de cheiro, tão popular e hoje associado às touradas à corda e às festas do Espírito Santo, quem não se lembra dos carros de bois enfeitado com faias que vinha aos Biscoitos buscar o vinho do Bodo. Os anos setenta e oitenta trouxeram uma nova praga, desta vez a filoxera. Apesar da introdução da variedade “Isabela”, na ilha Terceira subsistiram retalhos de castas europeias (Verdelho). Hoje, na ilha e sobretudo nos Biscoitos, está por enquanto assegurada uma produção de boa qualidade. E digo por enquanto, porque se não se incentivar os jovens para a importância da vinha e se se continuar a assistir à construção desenfreada de casas na zona de produção, não só acabaremos com a vinha, como estaremos a contribuir para a descaracterização de uma freguesia que desde o início do povoamento sempre esteve ligada à vinha e ao vinho.

(in Bagos D'Uva)

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segunda-feira, agosto 31, 2009

Videiras selvagens podem ajudar castas domesticadas

A descoberta de que as castas que produzem vinho - ou uva de mesa - são de origem regional, a partir de videiras selvagens, é considerada da maior importância por Artur Machado. Segundo o líder do Centro de Biotecnologia dos Açores, abrem-se agora novas perspectivas genéticas e fitossanitárias para as castas em produção. Por exemplo, adiantou, o estudo das videiras selvagens que estão na origem das castas domesticadas pode dar informação genética muito antiga, capaz de ser trabalhada para melhorar as castas. Por outro lado, as videiras selvagens resistiram durante milénios, por vezes em condições muito adversas, o que significa que desenvolveram resistências e mecanismos de adaptação que podem ser estudados e utilizados para melhorar as videiras domesticadas que são originárias das anteriores. Outra vantagem, alertou Artur Machado, tem a ver com o próprio marketing do vinho e das uvas, uma vez que a partir de agora é possível estabelecer a origem de uma casta, o que significa que Portugal pode falar na sua casta X, Espanha na sua casta Y, Itália na sua casta Z, etc. “New insights on the genetic basis of Portuguese grapevine and on prapevine domestications” é o título do artigo publicado na revista Genome (http://pubs.nrc-cnrc.gc.ca/rp-ps/journalDetail.jsp?lang=eng&jcode=gen) e que resume a investigação do centro de Biotecnologia dos Açores.Assinam o artigo Lopes, Mendonça, dos Santos e Machado, do Centro de Biotecnologia dos Açores, e Eira-Dias na Estação Vitivinícola Nacional.
(in Diário Insular)

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ALERTA O PRESIDENTE DA ADEGA DOS BISCOITOS Faltam jovens interessados na cultura vinícola

Falta uma massa laboral nas vindimas e no processo de elaboração do vinho na ilha Terceira. O alerta parte do presidente da Adega Cooperativa dos Biscoitos (ACB). Para contrariar a situação, Alcino Meneses pretende lançar um projecto em parceria com a Escola Profissional da Praia da Vitória (EPPV) no sentido de motivar os alunos para a prática vitícola, em curso abrangente.
A partir do próximo ano lectivo irá arrancar o novo projecto da ACB em parceria com a EPPV, que visa incutir nos jovens o gosto e a dedicação para as actividades relacionadas com as vindimas. Uma iniciativa estratégica criada para garantir o futuro de uma tradição cultural que actualmente parece estar confinada aos entendidos mais velhos.
Na prática, os alunos do curso ligado ao sector agrícola vão poder conhecer e experimentar as diferentes fases por que passam a vinha e as uvas, em terreno disponível para o efeito, desde a plantação até ao copo de vinho servido à mesa.
“Temos um campo experimental de cinco mil metros quadrados junto às instalações da Adega, onde poderão ser feitos novos ensaios de castas tintas e brancas da região, não descurando as já existentes, claro, de modo a entusiasmar os mais jovens”, revela o responsável por aquela organização sedeada na freguesia dos Biscoitos, concelho da Praia da Vitória, em declarações à “a União”.
De acordo com Alcino Meneses, a ideia procura inverter o cenário actual da falta de mão-de-obra disponível na Terceira para a laboração na referida área. “É um projecto muito importante não só para a Adega, que quer-se dinâmica, mas também para a cultura vitivinícola na nossa ilha”, considera. E acrescenta: “Se nada for feito, daqui a alguns anos serão poucos os entendidos na matéria”.
Verifica-se um número crescente de vinhas abandonadas naquela zona, alerta o produtor, sublinhando que as razões apontadas vão “muito para além de um problema económico”. “Há falta de novos interessados. Esse abandono prejudica as vinhas tratadas nas áreas vizinhas, pois atrai pássaros e outros bichos, e dá um mau aspecto à paisagem demarcada, quer para turistas e visitantes quer para a comunidade local”, considera.
Turistas passam “ao lado”
Neste sentido, a maior parte dos turistas que visitam a ACB o fazem por conta própria, segundo Alcino Meneses, sendo que os autocarros de excursão, apesar da passagem obrigatória pelos Biscoitos, não têm por hábito fazer paragem junto às instalações para conhecer e provar o vinho da casa. “Temos condições para receber turistas e visitantes, inclusive grupos grandes, e as agências de viagens têm conhecimento disso”, garante.
Para afirmar a divulgação e promoção dos vinhos “Magma”, “Moledo” e “Tinchão” – as marcas em circulação da ACB –, o responsável revela que neste momento está a ser elaborado um novo panfleto informativo em bilingue português/inglês, que deverá ser distribuído dentro em breve.
Outro aspecto a ter em consideração no sentido de facilitar o contacto com turistas e visitantes, refere, é o horário de abertura, o qual será revisto depois do mês de Setembro. “Nos meses de Agosto e Setembro estamos abertos das 9 às 17 horas. As mudanças dependem da disponibilidade de ter alguém a trabalhar a tempo inteiro”, explica.
Já sobre os mecanismos de comercialização e promoção dos vinhos mencionados, o produtor responsável afirma que a questão terá mais sucesso a partir do momento em que o vinho verdelho dos Biscoitos passar a ser encarado por todos como um produto turístico da ilha Terceira. “A maioria dos cardápios dos nossos restaurantes não tem os vinhos locais representados, e quando o têm o preço praticado é muito elevado”, critica Alcino Meneses.
Das marcas de vinhos disponíveis, em termos gerais, o “Magma” (2007) – com mais de 85 por cento de verdelho, lançado há um ano –, tem mais procura pelo consumidor jovem, ainda que todas as faixas etárias o apreciem, revela o presidente. Já a população de idade mais avançada mostra preferência pelo “Moledo” (2006) – de cor mais “alourada” se comparado com o anterior –, ambos comercializados nos Açores, Madeira e continente, “com muita aceitação”, diz.

Campanha deste ano marcada pelas chuvas

Os números da campanha de 2009 apontam para 12 a 15 toneladas de verdelho e cinco a sete toneladas de castas tradicionais.
Em comparação com o ano passado, enquanto os registos do verdelho deverão manter os valores, as quantidades das castas tradicionais indicam uma possível descida de duas toneladas.
Segundo Alcino Meneses, as razões para justificar esse decréscimo relacionam-se com as más condições meteorológicas verificadas no passado mês de Junho. “As chuvas e a humidade originaram a propagação do míldio e podridão dos cachos”, precisa.
No entanto, adianta, como os fungos estabilizaram e as temperaturas quentes deverão manter-se, as previsões apontam para uma “boa colheita” a decorrer na primeira semana de Setembro.

Rede de frio em falta
Passado um ano da inauguração das novas instalações da ACB, verifica-se a necessidade de apostar numa rede de frio e numa nova cuba, revela o responsável. Alcino Meneses aguarda um possível contributo da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas e Direcção do Desenvolvimento Agrário, entidades governamentais apoiantes, para a aquisição desta maquinaria.
“Vai aumentar ainda mais a qualidade dos vinhos e também permitir uma redução significativa dos actuais custos do consumo de água. Esperamos que para 2010 já possamos ter acesso a esse equipamento”, conclui.
Fundada em 1998, a ACB viu um ano depois o seu primeiro vinho a ser engarrafado. Actualmente conta com 55 sócios, mais 29 do que há 11 anos.
Os seus 330 m2 dividem-se em escritório, laboratório (análises feitas em colaboração com a Universidade dos Açores), secção de apoio, armazenagem e laboração de vinho e instalações sanitárias.
(in Sónia Bettencourt sonia@auniao.com - A União)

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sábado, agosto 29, 2009

Universidade reescreve a História da Vinha

Uma investigação na área dos estudos de genética, liderada pelo Centro de Biotecnologia da Universidade dos Açores e que acaba de ser publicado na revista científica Genome, reescreve a História da Vinha, ao provar que a Mesopotâmia (Crescente Fértil) não foi o único centro de domesticação das videiras, como se pensava.O trabalho prova que as castas actualmente existentes em Portugal - inclusive as que são emblemáticas dos Açores, como o verdelho - resultam da domesticação de videiras selvagens europeias. A investigação sustenta que Portugal, Espanha e Itália constituíram importantes centros de domesticação de videiras selvagens depois do último glaciar.Neste estudo, os investigadores admitem que a casta verdelho, que predominou nos Açores até finais do século XIX, altura em que quase foi destruída pela filoxera, pode ter sido domesticada em Portugal Continental e não no Mediterrâneo, como dizem alguns historiadores. O debate está em aberto, lê-se no estudo, mas esta casta é diferente das italianas “Verdecchio” e “Verdeca” e da espanhola “Verdejo”.O verdelho, que voltou a ter alguma expressão em ilhas como o Pico, a Terceira e a Graciosa, gera um vinho de mesa frutado e um licoroso que deu fama aos Açores, chegando a ser servido na Corte da Rússia e à mesa do Papa.
Era óbvio…A possibilidade de a Mesopotâmia não ser o único centro de domesticação das videiras vinha sendo colocada há algum tempo, tempo por base as diferenças entre castas e de região para região. No entanto, faltava a prova científica.Os estudos do Centro de Biotecnologia dos Açores, liderado por Artur Machado, vêm agora provar, através da genética, que as semelhanças entre castas domesticadas e videiras silvestres autóctones, entretanto descobertas em algumas regiões, são evidentes, justificando a conclusão de que a domesticação foi regional e não centralizada.“Cada país tem as suas castas muito próprias e diferentes. Há especificidades por zonas geográficas”, confirmou Artur Machado ao DI. Fica, assim, provado que castas como alvarinho, alvarilhão, tinto-cão, touriga nacional, verdelho, arinto, entre muitas outras, são portuguesas, além de as castas emblemáticas açorianas serem nacionais.

(in Diário Insular)

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sexta-feira, agosto 28, 2009

Videiras não foram domesticadas na Mesopotâmia

A domesticação das videiras selvagens não aconteceu exclusivamente entre os rios Eufrates e Tigre, na Terra Fértil, garante um estudo da Universidade dos Açores agora publicado na revista Genome.
O trabalho do Centro de Biotecnologia da universidade açoriana prova que as castas actualmente existentes em Portugal - inclusivé as que são emblemáticas dos Açores, como o verdelho - resultam da domesticação de videiras selvagens europeias.O trabalho sustenta que Portugal, Espanha e Itália constituiram importantes centros de domesticação de videiras selvagens depois do último glaciar.Neste estudo, os investigadores admitem que a casta verdelho, que predominou nos Açores até finais do século XIX, altura em que quase foi destruída pela filoxera, pode ter sido domesticada em Portugal Continental e não no Mediterrâneo, como dizem alguns historiadores. O debate está em aberto, lê-se no estudo, mas esta casta é diferente das italianas "Verdecchio" e "Verdeca" e da espanhola "Verdejo".O verdelho, que voltou a ter alguma expressão em ilhas como o Pico, a Terceira e a Graciosa, gera um vinho de mesa frutado e um licoroso que deu fama aos Açores, chegando a ser servido na Corte da Rússia e à mesa do Papa.

(in Armando Mendes, Antena 1)

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sexta-feira, julho 17, 2009

Educação Ambiental e desenvolvimento regional – A adolescência e a cultura da vinha

Maria Teresa Lima, L. Silva e João Neves apresentaram, no 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, realizado na Cidade da Praia, em Cabo Verde, de 6 a 11 de Julho de 2009, uma comunicação intitulada "Educação Ambiental e desenvolvimento regional – A adolescência e a cultura da vinha".

A produção da casta de Verdelho nos Biscoitos (Terceira) está muito diminuída devido às transformações populacionais das últimas décadas. Mais ou menos 85% da área de vinha está abandonada. A parte que é cultivada depende das gerações mais antigas, pois, a mão-de-obra jovem e adolescente praticamente não existe. De facto, adolescentes, jovens e quase todos os adultos menos idosos, não se interessam pela cultura da vinha. Mas há um valor a conservar e sendo possível a recuperar. Neste sentido, a Universidade dos Açores em pareceria com a Escola Básica Integrada dos Biscoitos, através do Centro de Investigação de Tecnologias Agrárias dos Açores (CITAA), e ainda com o apoio da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, lançaram um projecto com vista a salvar estes valores. Ele está a decorrer naquela Escola e em trabalhos de campo em vinha, com a finalidade de sensibilizar crianças e adolescentes para esta cultura.

(In Cabo Verde - Redes de Desenvolvimento Regional)

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quarta-feira, julho 09, 2008

Rencontrar a vinha dos avós

“Reencontrar a Vinha dos Avós” foi o tema da comunicação proferida pela Profª Teresa Lima, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, aquando da realização do Congresso Internacional, “A Voz dos Avós: Migração e Património Cultural” que decorreu em S. Miguel, Ponta Delgada. Foi organizado pela Universidade de Toronto e a Universidade dos Açores. A Doutora Manuela Marujo, directora do Departamento de Espanhol e Português da Universidade de Toronto foi a coordenadora do Encontro. A Doutora Rosa Simas do Departamento de Línguas da Universidade dos Açores foi também organizadora deste evento.
O congresso contou ainda com a colaboração California State University, Stalisnaus, Center for Portuguese Studies, Univ. Federal Santa Catarina, Brasil, Université Paris X-Nanterre, Centre de recherches interdisciplinaires sur le Brésil et le monde lusophone, York University, Toronto.
A cerimónia de abertura foi presidida pela Doutora Manuela Barroso e contou também com a presença do Magnifico Reitor da Universidade dos Açores, Professor Doutor Avelino Meneses. Segundo a Doutora Manuela Marujo, “Numa altura em que a vida familiar, sobretudo as relações entre pais e filhos, está cada vez mais sujeita às exigências da vida profissional, a relação estabelecida entre avós e netos assume um significado especial. Esse significado adquire ainda maior relevo nas famílias deslocadas do seu país de origem. Este Encontro teve como objectivo reflectir sobre o papel dos avós migrantes. Poucos estudos e obras literárias se têm debruçado sobre a questão das relações entre avós-netos, particularmente no que diz respeito a famílias migrantes. O nosso propósito foi reunir académicos e estudiosos, nas várias áreas do conhecimento, que se quiseram debruçar sobre temas ligados ao papel dos avós: a preservação da língua de origem, a passagem dos valores, das tradições e do património cultural foi apenas alguns dos temas apresentados.”
A comunicação apresentada pela Prof Teresa Lima fez parte do painel História e Património. Ela foi fruto do projecto “ Vinhas da Terceira/Uma experiência nos Biscoitos”. Dela transcrevem-se algumas partes. Na primeira metade do séc. passado a área total de vinha nos Biscoitos era de 120 ha e cerca de 80 % eram tratadas. Actualmente a área cultivada é de cerca de 20 ha. Cerca de 85 % das suas vinhas estão abandonadas e ameaçadas pela construção imobiliária.Assiste-se a uma diminuição progressiva da cultura da vinha e do vinho devido a vários factores. Antigamente, quem cultivava a vinha era a população normal: uns eram possuidores, eram eles e as famílias, e também havia muita mão-de-obra paga. Existiam trabalhadores de vinha e alguns deles eram sazonais. A cultura da vinha e do vinho constituía uma das ocupações significativas da população dos Biscoitos.
Esta situação mudou, inicialmente, com a emigração da década de sessenta do século passado. Por um lado, muitos dos proprietários emigraram o que acarretou já o abandono de muitas vinhas (décadas de 60, 70 e 80). Por outro lado, simultaneamentee, muitos trabalhadores de vinha também emigraram. Começou assim a sentir-se a falta de mão-de-obra. Em continuação disto, houve o progresso geral das populações que também atingiu de alguma forma aqueles que trabalhavam as vinhas. Foi mais um factor para a recente situação.
Nunca se deixou totalmente de cultivar algumas vinhas, mas têm sido essencialmente os poucos produtores que fazem o trabalho. Claro que haverá um ou outro assalariado, alguns sazonais. Segundo informação actualmente existem 4 assalariados de vinhas nos Biscoitos. Mais recentemente alargou-se a escolaridade obrigatória até aos 16 anos. Este facto faz com que as novas gerações vivam totalmente, ou quase, distantes deste tipo de actividades. É que crianças e adolescentes não tomam parte nas tarefas da vinha e do vinho. E por isso não aprendem a fazer e muito menos a amar. Há necessidade de criar nas novas gerações, os netos daquela gente, o gosto por esta herança cultural e a participação prática e actuante na vinha. Esta pode ser um “hobbie”, uma actividade secundária, um extra. De uma maneira geral estas novas gerações não costumam trabalhar, muito em especial no que diz respeito à agricultura, e ainda menos à vinha.
O trabalho da vinha é todo manual e difícil. É dos mais difíceis que há na actualidade e só um contágio afectivo e um contacto inteligente, e cuidado, com a vinha e o vinho é que podem conduzir as novas gerações a ligar-se a essa actividade. Portanto, deve reconhecer-se que nestas novas gerações há uma mentalidade distante da vinha e do vinho porque significa sacrifícios. Os novos não pensam que podem ou devem fazer alguma coisa neste sector. Quando muito é para os “outros” e não para eles. Acresce que estas novas gerações encontram tudo feito e disponível no mercado. Ou ainda pior, em casa e à mesa. Por isso mesmo, eles não pensam que haja alguma coisa a fazer neste campo e, muito menos, por eles. Residentes nos Biscoitos, entre os 10 e 19 anos, existem cerca de180 adolescentes e jovens. Trata-se de uma massa humana crescente em número, em afastamento, bem como em desvalorização da vinha e do vinho. É que, daqui a 10 anos, os actuais serão adultos, ou quase, e atrás deles haverá mais jovens, adolescentes e crianças, e praticamente nenhuns avós.
Daqui nasce o grande problema de modificar a situação e fazer com que ela melhore e se torne contributiva para estas vinhas e este vinho. E por quê? De imediato trata-se de um valor histórico, ambiental e cultural. E até turístico. Mas muito mais do que isto, há necessidade de valorizar as fontes de riqueza local e regional. Talvez não faça sentido pensar-se a nível nacional devido às nossas limitadas dimensões. Mas dado o desenvolvimento actual da tecnologia dos vinhos, a produção de diferentes tipos de vinhos de qualidade nos Biscoitos, acarretará vantagens ao menos ao nível económico daquela localidade. E claro, para a Ilha Terceira. Contribuirá ainda para a nossa micro economia.Além disso, deve pensar-se que é de prever que para o futuro haverá necessidade de muitas pessoas se ocuparem em trabalhos físicos. Por um lado, serão alguns e algumas que não encontrarão escoamento profissional noutros sectores.Por outro lado, é sempre crescente o número de pessoas empregadas em “serviços” mas que precisam de complementos de actividade. Para bastantes serão “hobbies” de grande valor psicológico e familiar, uma ocupação de tempos livres e recursos de actividade física. Todavia haverá também muitas outras pessoas que terão necessidade de alguma fonte extra de rendimento para tornar possível, ou facilitar, a sua economia doméstica. Assim, as vinhas dos Biscoitos podem prestar um grande serviço físico, psíquico, económico, cultural, ambiental e paisagístico. No sentido de sensibilizar as crianças para a cultura da vinha e do vinho a Universidade dos Açores por iniciativa de Teresa Lima está a desenvolver um projecto intitulado “As vinhas da Terceira/Uma experiência nos Biscoitos – Quinta à Biscoitinha”. Arrancou-se com este projecto em Março de 2007. Em primeiro lugar havia necessidade de dispormos duma vinha, nesse sentido contactou-se o Chefe do Serviço de Desenvolvimento Agrário da Ilha Terceira, Eng.º José António Ávila, que de imediato nos disponibilizou esse espaço. Disponibilizou também o Técnico António Fernando Espínola Godinho para ensinar as práticas vitivinícolas. Seguidamente necessitava-se das crianças. Nessa ordem contactou-se a direcção da Escola Básica Integrada dos Biscoitos (EBIB) que também aceitou estabelecer uma parceria com a Universidade dos Açores.
A experiência decorreu com uma turma do 5º ano de escolaridade. Eram 14 alunos (8 meninas e 6 meninos). A presença das meninas é crucial, tendo em conta o significado que tem o pensar e o actuar do sector feminino nas famílias e nos ambientes. As mulheres são um grande factor de mentalização, de contágio, de participação e actuação. Mais tarde, como educadoras dos filhos, estas meninas que agora participam nesta experiência, criarão uma atmosfera de gosto e ligação afectiva e física à vinha e ao vinho.
Este trabalho continua com esta turma, agora no 6º Ano, e que conta com mais oito alunos. E uma nova turma do 5º Ano com 20 alunos. Pretende-se que estes alunos acompanhem toda a actividade da vinha e laboração do vinho do 5º ao 9º Ano de escolaridade. A Profª Cecília Terra da EBIB, licenciada em História, é a responsável pela turma do 6º ano. A esta docente juntaram-se as Professoras Clara Rodrigues e Vânia Oliveira, licenciadas em História e em Biologia respectivamente. Elas acompanham a turma do 5º ano. Há que executar um enorme investimento mental e actuante de informação, formação e exercitação de modo a que os objectivos sejam conseguidos, ou seja, criar um desenvolvimento de mentalidade, empenhamento, um saber-fazer para que a vinha seja cultivada, mantida e desenvolvida. É crucial transmitir a estas crianças que não se pode aprender só a brincar, mas é necessário trabalhar para conseguir uma aprendizagem eficiente e profícua. Na época das vindimas poderiam trabalhar numa vinha, não como brincadeira, mas como uma tarefa necessária e útil.
A abertura e o grande valor deste projecto manifestam-se nalgumas das diferentes impressões dos alunos envolvidos na experiência:
“Olá, eu sou o Paulo e acho o projecto interessante porque aprendo mais e mais tarde posso ensinar os meus filhos.”
Paulo Barcelos
“Tenho adorado este projecto porque, para além de ser ao ar livre, aprende-se muitas coisas.
Até o meu avô que já é lavrador há muitos anos fui com ele à vinha para ajudá-lo e chamei a atenção para várias coisas que nem ele sabia.
Este projecto serve para melhorarmos o Ambiente.”
Maria Clara Costa
“Eu acho que o objectivo deste projecto com a Universidade dos Açores é bom para nós. Podemos saber mais: como se poda, enxertos, tipos de vinhas e assistir aos estados fenológicos.
Se a professora só falasse na vinha sem a gente ver era uma seca mas, a professora, leva-nos a ver pessoalmente e assistir a tudo.”
Bruno Lourenço
No que se refere às actividades desenvolvidas pelos alunos ao longo dos anos de 2007 e 2008 ficam aqui alguns registos fotográficos da autoria de Teresa Lima.
CONCLUSÃO
Estas experiências representam uma gota de água no oceano de trabalhos que terão de ser desenvolvidos pela Universidade dos Açores, a Escola Básica Integrada dos Biscoitos e a Secretaria Regional de Agricultura e Florestas. Os professores e técnicos destas Instituições têm consciência disso. O entusiasmo e atmosfera que se criou entre os docentes, técnico e alunos são grandes, sendo um catalisador importante para a abertura das mentes dos netos e também dos avós. Recorde-se que o nosso lema será abrir a mente das gerações novas para a descoberta da importância da existência da vinha, através da instrução, participação, actuação, trabalho, para que este sector no futuro seja continuado e implicativo. Em suma, criar uma forte ligação afectiva e física à vinha e ao vinho dos Biscoitos.

(In Bagos D'Uva)

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terça-feira, fevereiro 26, 2008

A vinha e o vinho nos Biscoitos

Realizou-se no dia 21 de Fevereiro de 2007 , na casa do Povo dos Biscoitos, a convite da Juventude Social Democrata dos Biscoitos, uma palestra proferida pela Professora Doutora Maria Teresa Ribeiro de Lima, Docente da Universidade dos Açores/Departamento de Ciências Agrárias, tendo por tema "As Vinhas do Mar"e que hoje passamos a publicar.


As Vinhas do Mar
* Teresa Lima
O vinho é um "fruto da terra e do trabalho do homem" expressão que põe em evidência o facto de que a sua produção é em grande parte resultado do saber e da arte humana. A História prova-nos que o vinho esteve associado a todos os momentos felizes das pessoas e nações que marcaram a vida da humanidade. A introdução da vinha nos Açores remonta ao seu povoamento cerca de 1450 e pensa-se que foram os frades Franciscanos que a introduziram. No caso concreto da Ilha Terceira, onde se encontra a região vitivinícola dos Biscoitos, a introdução da vinha presume-se que terá acontecido com a chegada do primeiro capitão do Donatário Jácome de Bruges e comitiva (Sampaio, 1904). Gaspar Frutuoso refere as castas que foram introduzidas, nomeadamente Verdelho, Moscatel Mourisco e Assara(espécie de Moscatel?). "A mais antiga notícia da introdução da vinha e do aproveitamento dos terrenos designados de biscoito", na ilha de Jesus Cristo, a Terceira, é, provavelmente a que consta de «...uma carta datada de 15 de Dezembro de 1503, outorgada por Antão Martins, Capitão da Praia, em benefício do almoxarife da mesma capitania, João Ornelas da Câmara, estabelecia, como uma das obrigações, o plantio, em certo "biscoitos" de 300 bacelos, 60 amoreiras, 30 figueiras, e outros tantos marmeleiros, destinando-se o espaço restante a pastagens para o gado bovino, ovino, porcino e cavalar». «O vinho do Pico foi o vinho dos Czares, o dos Biscoitos foi o vinho das Caravelas da rota das Índias e das Especiarias. Entre os produtos essenciais ao abastecimento das armadas figurava o vinho"Verdelho". Nessa época, e ainda hoje, a maior mancha de biscoito na ilha Terceira, fica na freguesia, denominada de "Paroquial de S. Pedro do Porto da Cruz" e, também do Sr. S. Pedro do Porto da Cruz, onde morava Pero Enes do Canto, que mais tarde é designado Provedor das Armadas. É nesta nesta freguesia que ele compra uma propriedade de grande produção de vinho. Na sua qualidade de provedor das Armadas tinha o dever por obrigação da reparação e segurança das armadas, bem como o abastecimento... de vinho às naus que vinham carregadas de riquezas e especiarias.Em 1853, com o aparecimento do "burril", Uncinula nector(Svhw) a produção de vinho verdelho na ilha Terceira e nas restantes ilhas começou a decrescer bruscamente, não chegando para o consumo local. Os viticultores nada puderam fazer para impedir esta doença criptogâmica. Em 1870, uma nova praga, pelo afídeo Phylloxera vastatrix, atacou as vinhas destruindo-as de forma drástica. A área de verdelho dos Biscoitos foi praticamente eliminada. A partir dessa altura a maior parte dos viticultores começou a intensificar a casta Isabella e outros híbridos, de grande aceitação como produtor directo por ser produtiva, mais resistente às doenças e mais fácil de cultivar. Nos Biscoitos as vinhas de Verdelho ficaram praticamente abandonadas durante quase 20 anos. Ao fim deste tempo uma personalidade empreendedora e interessante, Francisco Maria Brum, mais conhecido por Chico Maria, empenhou-se na reabilitação do Verdelho dos Biscoitos, comprando muitas das vinhas abandonadas. Levou das suas vinhas do Porto Martins algumas puas de plantas de Verdelho que tinham resistido à filoxera, que não tinham sido atingidas por esta nefasta praga e posteriormente procedeu à sua propagação nos Biscoitos utilizando como porta-enxertos a Vitis rupestris.Graças ao seu empreendimento, Francisco Maria Brum, em 1890, fundou a primeira Adega Regional do seu tempo. Os resultados dos testes iniciais foram satisfatórios e a produção galopante. Em 1901, a produção traduziu-se em três pote de vinho de verdelho, no ano seguinte numa pipa. Em 1903, foram 6 pipas e meia; no ano seguinte, 11 pipas. Em 1907, a produção atingiu 29 pipas de verdelho. Na administração da Adega (Casa Agrícola Brum) sucedeu-lhe o filho Manuel Gonçalves Toledo Brum, falecido em 20 de Março de 1959, transitando a fazenda para o o seu único filho, Fernando Linhares Brum. Passando depois para o filho deste Luís Mendes Brum. Muito recentemente, 27 de Dezembro de 2007, passou para a 5ª Geração, para os filhos de Luís Brum.Neste momento nos Biscoitos(2008) apesar da predominância das castas americanas, e seus híbridos, as culturas da verdelho e de outras castas europeias, nomeadamente Terrantês, Boal, Fernão Pires continuam e estão a ser muito valorizadas.Note-se que a região vitivinícola dos Biscoitos é detentora da maior mancha contínua de Verdelho, nos Açores assim como na Macarronésia. Enquanto que nas Canárias, o Verdelho aparece como tempero na elaboração dos vinhos, nos Biscoitos fazem-se vinhos de verdelho. O Vinho Verdelho actual consta de 85% a 90% da variedade verdelho e a percentagem restante das referidas castas europeias. Nos Biscoitos o vinho de qualidade é o de Verdelho que pode ser de mesa, regional ou licoroso (IPR). Actualmente, a nível da Região Autónoma dos Açores, o vinho de Verdelho dos Biscoitos licoroso tem um lugar privilegiado, a tal ponto que muitas recepções oficiais incluem um "Biscoitos de Honra". Também tem tido assento nalguns acontecimentos solenes a nível Nacional. No Palácio de Sant'Ana no Jantar oferecido aos Reis de Espanha o brindaram com o Vinho de Verdelho Licoroso Seco Chico Maria da Casa Agrícola Brum. No Palácio de Queluz aquando do jantar de gala que antecedeu o casamento do Duques de Bragança, o vinho licoroso da Casa Agrícola Brum esteve também presente.
Em 1989 foi montado o primeiro laboratório de enologia dos Açores, na Universidade dos Açores, no Departamento de Agrárias. Foi feita uma caracterização físico-química dos vinhos do Pico e também dos Biscoitos, os resultados apontavam para vinhos que usufruíam de poucos cuidados tecnológicos. A Secretaria Regional de Agricultura de então admitiu um técnico para o vinho e outro para a vinha.E, em 1993 começou a aparecer vinhos de mesa com qualidade. O dec-lei de 25 de Janeiro de 1994, cria as Zonas Vitivinícolas, dos Biscoitos, da Graciosa e do Pico. As zonas criadas permitem o fomento e a protecção das castas tradicionais mais importantes, de modo a incrementar a genuinidade e a qualidade dos vinhos brancos. Segundo esse decreto a região dos Biscoitos foi demarcada para a produção de vinho licoroso de qualidade produzido em região determinada(VLQPRD) assim como a do Pico. A da Graciosa para a produção de VQPRD. As castas recomendadas para VLQPRD dos Biscoitos são Verdelho, Arinto e Terrantés. Como castas autorizadas, Boal, Malvasia, Sercial, Fernão Pires, Generosa e Galego-Dourado. Na laboração são seguidos os métodos e práticas enológicas tradicionais. Os mostos destinados aos vinhos de designação VLQPRD devem ter um título alcoométrico em potência mínimo natural de 12% vol. Estes vinhos só podem ser engarrafados após um estágio de 3 anos em madeira e devem apresentar um título alcoométrico volúmico total não inferior a 16% vol. O rendimento máximo por hectare é de 50hl. A genuinidade e a qualidade do vinho dos Biscoitos, bem como dos vinhos do Pico e da Graciosa, de indicação de proveniência regulamentada (IPR), passou a ser garantida pela Comissão Vitivinícola Regional dos Açores (CVRA), instalada em 1995. Esta tem também como atribuições o fomento e o controlo dos VLQPRD, dos VQPRD e dos Vinhos Regionais. A categoria de Vinho Regional dos Açores foi criada em 2005.Outro acontecimento muito significativo para o vinho dos Biscoitos teve lugar em 1990, aquando do centenário da Casa Agrícola Brum, com a criação do Museu do Vinho, que tem desempenhado um papel muito significativo na divulgação da História Vitivinícola Regional e Enoturismo. Em, 1993, foi fundada a Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos, com sede no Museu do Vinho. Esta tem como lema a defesa, promoção, valorização e divulgação do vinho verdelho dos Biscoitos e do vinho de qualidade dos Açores. A Confraria tem sido um veículo importante na divulgação dos vinhos Açorianos de qualidade a nível regional, nacional, internacional e também na preservação das vinhas dos Biscoitos inclusivamente como valor ambiental. No ano de 1997, foi criada nesta mesma freguesia uma delegação da Associação dos Jovens Enófilos, com um presença importante na divulgação do vinho dos Açores de qualidade e na preservação da paisagem da vinha.Em Novembro de 1996, foram certificados IPR o VLQPRD da Casa Agrícola Brum, com a marca Brum e o VLQPRD da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, com a marca Lagido. Em Junho desse ano havia também sido certificado o primeiro VQPRD dos Açores, com a marca Pedras Brancas, da Adega Cooperativa da Graciosa.Nos Biscoitos em 1998 foi criada uma Adega Experimental do Serviço de Desenvolvimento Agrário da Ilha Terceira. Está apetrechada com modernos equipamentos indispensáveis à tecnologias do vinho. Aqui são vinificadas as uvas provenientes das vinhas destas serviços e dos seus campos experimentais. Para além disso é também utilizada em acções de formação, informação e divulgação. Outro evento de interesse para o vinho dos Biscoitos é a Festa da Vinha e do Vinho que se realiza desde 1992, no primeiro fim-de-semana de Setembro, no Museu do Vinho da Casa Agrícola Brum. Esta festividade e é organizada pelo INATEL.Com a criação das zonas vitivinícolas, muitos dos pequenos produtores dos Biscoitos começaram também a sentir desejo de certificar os seus vinhos. Para isso teriam de criar condições nas sua Adegas, o que nem sempre tem sido fácil, dados os elevados custos do material e equipamentos. Daí um grupo de vitivinicultores se ter mobilizado no sentido da criação de uma Adega Cooperativa, que em 1999 começou a laborar um vinho branco de mesa, essencialmente à base da casta Verdelho. Esta adega começou com 26 associados e actualmente conta com cerca de 50. Comercializam o vinho de Verdelho com a marca Moledo.Todavia, cerca de 10 produtores particulares continuam a laborar os seus vinhos verdelhos de mesa nas suas respectivas adegas, o que é de louvar também. Alguns com apoio da Adega Experimental da SDAT.A Adega Pedras do Lobo labora um vinho de Verdelho, feito com as castas Verdelho Branco e Verdelho Roxo, em 1998 foi considerado um dos 10 melhores vinhos brancos nacionais.
Os vitivinicultores dos Biscoitos têm consciência que a internacionalização dos produtos cresce e as exigências do consumidor são enormes, pelo que continuam a apostar no fabrico de vinhos pelos processos artesanais, mas tecnologicamente evoluídos.
(In Bagos D'Uva)

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As vinhas do Mar (Continuação)

"As vinhas da Ilha Terceira/Uma experiência nos Biscoitos- Quinta à Biscoitinha" é um projecto da iniciativa do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores da autoria da Professora Teresa Lima, que é a responsável directa do projecto, em parceria com a Escola Básica Integrada dos Biscoitos (EBIB). Conta também com os apoios da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, CITA-A (Centro de Investigação Tecnológica Agrária dos Açores) e Europe Direct. Este projecto tem como objectivos sensibilização das crianças para a cultura da vinha, a sua preservação, torná-la sustentável, manter e valorizar esta paisagem ímpar. Não nos estamos a limitar à observação, os alunos acompanham o ciclo vegetativo da vinha em 2007, aprenderam e executaram as diferentes operações que se fazem na vinha, inclusive a laboração do vinho. Pensa-se que esta acção poderá deixar, às crianças que frequentaram em 2007 e àqueles que a estão a frequentar em 2008, sementes preciosas em ordem a criar o gosto pela vinha, sua importância social, económica, ambiental, cultural e turística. Assim, se está a contribuir para a gestão e conservação da Região Vitivinícola dos Biscoitos.
Como surgiu este projecto?
Os Biscoitos é uma freguesia que tem cerca de 85% das suas vinhas abandonadas e ameaçadas pela construção imobiliária. Há que trabalhar com muita persistência e determinação para evitar o colapso da viticultura nesta região.Há alguns anos que a Universidade dos Açores se preocupa com o abandono progressivo das vinhas, com a escassez de mão-de-obra e com a falta de motivação da gerações mais novas para se ligarem a esta actividade. A ideia é sensibilizar, contagiar, instruir e treinar as crianças e os adolescentes neste sentido. Foi com o desenrolar do Projecto ENOTURMAC da Universidade dos Açores, que se tratou pela primeira vez, nesta Região, o tema "Vinho como Produto Turístico" que esta ideia foi amadurecendo. Através do ENOTURMAC (INTERREG III B Açores- Madeira- Canárias) realizaram-se diversas acções para sensibilizar a população açoriana para a importância da vinha, do vinho e da gastronomia num turismo sustentável. Elas trouxeram uma nova dinâmica para pensar a vinha e o vinho como produtos turísticos.A problemática da escassez de mão-de-obra foi diversa vezes abordada. Pensamos que há que instruir as gerações mais novas de modo a criar uma mentalidade e uma atmosfera de ligação e participação na vinha.Arrancou-se com este projecto em Março de 2007. em primeiro lugar havia necessidade de dispormos duma vinha. Nesse sentido contactou-se o Chefe do Serviço de Desenvolvimento Agrário da Ilha Terceira, Engº José António Ávila, que de imediato nos disponibilizou esse espaço. Disponibilizou também o Técnico António Fernando Espínola Godinho para ensinar as práticas vitícolas. Seguidamente necessitava-se das crianças. Nessa ordem contactou-se a direcção da Escola Básica Integrada dos Biscoitos que também aceitou uma parceria com a Universidade dos Açores. A direcção desta Escola indicou a professora Drª Cecília Terra para acompanhar os alunos. O projecto foi acolhido com total adesão.
A experiência decorreu com uma turma do 5º Ano de escolaridade. Eram 14 alunos(8 meninas e 6 meninos). a presença da meninas é crucial, tendo em conta o significado que tem o pensar e o actuar do sector feminino nas famílias e nos ambientes.As mulheres são um grande factor de mentalização, de contágio, de participação e actuação. Mais tarde, como educadoras dos filhos, estas meninas que agora participam nesta experiência, criarão u,ma atmosfera de gosto e ligação afectiva e física à vinha e ao vinho. A vinha poderá não constituir uma maneira de viver, mas poderá ser um útil subsídio económico.
Este trabalho continua com mesmos alunos, agora no 6º Ano, e conta com mais oito alunos e uma nova turma do 5º Ano com 20 alunos. Pretende-se que estes alunos acompanhem toda a actividade da vinha e laboração do vinho do 5º ao 9º Ano de escolaridade. No futuro pretende-se estender o projecto às outras turmas da EBIB. O objectivo é atingir a comunidade biscoitense e as freguesias circunvizinhas, chegando mesmo às futuras gerações adultas. Há que executar um enorme investimento.Como temos mais uma turma, o Serviço de Desenvolvimento Agrário disponibilizou-nos outra curraleta.Durante a palestra foi apresentado um Power Point de todas as actividades efectuadas pelos estudantes em 2007 na vinha do SADT bem como a poda de 2008 nessas curraletas.
(In Bagos D'Uva)

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sábado, fevereiro 23, 2008

As vinhas do mar (Biscoitos)

A convite da Juventude Social Democrata dos Biscoitos, a Professora Doutora Maria Teresa Ribeiro de Lima *(docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores) proferirá, a 23 de Fevereiro de 2008, na Casa do Povo dos Biscoitos, uma palestra subordinada ao tema "As Vinhas do Mar" - uma imagem de marca a conservar pela juventude.

Biografia
Maria Teresa Ribeiro de Lima nasceu na Praia da Vitória, na ilha Terceira, a 2 de Janeiro de 1955. Concluiu os estudos liceais em Angra do Heroísmo em 1973. No ano de 1978 licenciou-se em Ciências Farmacêuticas na Universidade de Coimbra. Especializou-se em análises químico-biológicas (clínicas) em 1980. De 1981 a 1984 foi assistente na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.
Desde 1984 que se encontra na Universidade dos Açores no Departamento de Ciências Agrárias. Tem leccionado as seguintes disciplinas: Química Geral e Inorgânica, Técnicas de Laboratório, introdução à Bioquímica, Enologia, Tecnologia do Vinho e da cerveja e das Bebidas Espirituosas, Química Analítica. Estas tem sido dadas aos seguintes cursos: Engenharia Agrícola, Engenharia Zootécnica, Engenharia e Gestão do Ambiente, Tecnologia Agro-ambiental, Gestão e Conservação da Natureza, Ciências da Nutrição, Ciências Veterinárias, Engenharia e Gestão do Ambiente, Curso de Ciências Agrárias e Curso de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas. Na Universidade Nacional de Timor Leste leccionou a disciplina de Química Geral aos Cursos de Ciências Agrárias, em 2002 a 2003. Iniciadora das Aulas Práticas de Química aos Cursos de Ciências Agrárias, no Laboratório de Química de Hera, Timor Leste, em 2003. Criou em 1988 o Laboratório de Enologia da Universidade dos Açores, no Departamento de Ciências Agrárias. Em 1992 executou as Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica. Em 2001 doutorou-se em Ciências Agrárias (Enologia), Especialidade em Química, na Universidade dos Açores. A tese foi preparada na Universidade de Montpller I, Centre de Formation et Recherche en Oenologie, Faculté de Pharmacie, com a realização dos trabalhos laboratoriais de 1996 a 1999. Directora do Curso de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas. Responsável dos Projectos; "As Vinhas da Terceira / Uma experiência nos Biscoitos- Quinta à Biscoitinha"; "O Vinho como Produto Turístico", ENOTURMAC; "Hábitos Enogastronómicos da População Açoriana" Confreira co- Fundadora da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos, tendo ocupando vários cargos directivos nesta Associação Enófila. Sendo actualmente a Grão Escanção no Directório dos Notáveis desta Confraria Báquica Açoriana. Faz parte, actualmente, da Câmara de Provadores da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores. É actualmente Presidente da Assembleia- geral da Adega Cooperativa dos Biscoitos C.

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quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Uma Acção de Enogastronomia

No dia 19 de Janeiro pp através da disciplina de Cozinha e Património Gastronómico do Curso de Guias da Natureza do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, a Professora Teresa Lima da Universidade dos Açores, Confreira co-Fundadora da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos, e Grão Escanção da mesma Associação, foi convidada pelo Professor Eduardo Dias, docente da referida disciplina, para leccionar uma aula no âmbito da enogastronomia.
Apesar das más condições climatéricas, dos 13 alunos inscritos para esta acção compareceram os seguintes: Tânia Margarida Oliveira Santos; José Henrique Martins Machado; Isabel Maria Coelho da Silva; Ulisses Fernando Linhares Rosa; Regina Maria Pinheiro Cardoso; Filipe Ribeiro Lourenço; Filomena de Fátima Rocha Vieira; Maria Ponciano Lima e Luís António Nascimento Parreira.

A acção decorreu durante quatro horas. Foi dividida em três partes. A primeira parte fez-se uma abordagem aos países produtores de vinho tendo em conta as áreas de produção de vinha, os volumes produzidos de vinho e seus valores económicos a nível mundial, europeu, nacional e regional. A nível nacional e regional fez-se também referência às regiões demarcadas de vinhos de qualidade e às dos vinhos regionais.Na segunda parte através de um DVD foi-lhes permitido visualizar atitudes comportamentais das pessoas no consumo moderado de vinhos e sua associação aos hábitos alimentares. Tiveram também oportunidade neste meio áudio visual de captar o conceito de "terroir" e as tecnologias de vinhos brancos e tintos. Na terceira parte teve lugar um exercício de apreciação de vinhos através de uma ficha intitulada "Saber Beber", onde se solicita a resposta a três questões. Nas respostas detectou-se uma sensibilidade e predisposição para a apreciação dos três produtos em questão. Esta aula foi criteriosamente elaborada, tendo em atenção a limitação imposta pela carga horária, de modo a que as matérias fossem devidamente absorvidas pelos participantes na medida em que as matérias fossem devidamente absorvidas pelos participantes na medida em que o vinho deve ser tratado como um produto turístico.
Neste domínio, a Universidade dos Açores através da Professora Teresa Lima desenvolveu um projecto ENOTURMAC que trouxe pela primeira vez aos Açores a dinâmica de pensar o "Vinho como Produto Turístico".
No final foi feito um apelo aos futuros Guias da Natureza para se empenharem na preservação e desenvolvimento do Património Vitivinícola dos Biscoitos.O entusiasmo que se criou entre a docente e os alunos foi significativo para o sucesso desta aula. Seria importante que, numa acção futura desta natureza, o tempo fosse alargado.
(In Bagos d'Uva)

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quarta-feira, novembro 07, 2007

Publicação premiada na área da viticultura

O Centro de Biotecnologia dos Açores (CBA), foi distinguido com o prémio da ADVID.

A ADVID (Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense) é uma Associação para o Desenvolvimento da Viticultura do Douro que, ao comemorar os seus 25 anos de existência, decidiu atribuir um Prémio monetário à publicação de maior interesse na área da viticultura.
A publicação premiada intitula-se "Discrimination of Portuguese grapevines based on microsatellite markers" da autoria de Susana Lopes, M. Rodrigues dos Santos, Eiras- J.E Dias e Artur da Câmara Machado, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.

O trabalho premiado foi publicado em 2006 no Journal of Biotechnology.

Os autores afirmam que os dados obtidos "...allowed understanding the origin of some Portuguese cultivars. The integration of the obtained data with ampelographic data would be very important for the accurate identification of the Portuguese cultivars and can become a significant tool for the certification of quality wines produced in specific regions."

O estudo agora premiado recebeu referência especial na News Letter "Genomics & Genetics Weekly" como tendo produzido nova informação na área da biotecnologia.

(In Azores Digital)

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sábado, outubro 20, 2007

Aprender a vindimar

Em meados de Setembro de 2007, alunos de uma turma do 6º ano da Escola Básica Integrada dos Biscoitos, na Ilha Terceira, aprenderam a vindimar. Foi o culminar do ciclo vegetativo de algumas plantas da variedade Terrantês, duma curraleta situada numa vinha do Serviço de Desenvolvimento Agrário da ilha Terceira, nos Biscoitos.
Esta acção faz parte do projecto "As vinhas da Terceira: Uma experi~encia nos Biscoitos-Quinta à Biscoitinha". É um trabalho da Universidade dos Açores da autoria da Professora Teresa Lima, do Departamento de Ciências Agrárias, que é responsavel directa do projecto em parceria com a EBIB. Conta também com os apoios da Secretaria Regional de Agricultura e Florestas, CITA-A (Centro de Investigação Tecnológica Agrária dos Açores) e Europe Direct.
Este projecto tem como objectivos, a sensiblização das crianças para a cultura da vinha, a sua preservação, torná-la sustentável, manter e valorizar a paisagem vitícola das curraletas basálticas.
Não nos estamos a limitar à observação. Os alunos acompanham o ciclo vegetativo da vinha, aprendem as diferentes operações e executam-nas, inclusive, a laboração do vinho.
Pensa-se que esta acção poderá deixar às crianças que a estão a frequentar sementes preciosas em ordem a criar o gosto pela vinha, sua importância social, económica, ambiental, cultural e turística. Assim, está-se a contribuir no sentido da gestão e conservação da natureza da Região vitivinícola dos Biscoitos.
Os Biscoitos é uma freguesia que tem cerca de 85% das suas vinhas abandonadas e ameaçadas pela construção imobiliária. Há que trabalhar com persistência e determinação para evitar o colapso da viticultura nessa região.
Há já vários anos que a Universidade dos Açores se preocupa com o abandono proguessivo das vinhas e a escassez de mão-de-obra e também com a falta de motivação das gerações mais novas para se ligarem a esta actividade. A ideia é sensibilizar , contagiar, instruir e treinar crianças e adolescentes neste sentido.
Foi com o desenrolar do projecto ENOTURMAC da Universidade dos Açores, que tratou pela primeira vez na Região, o tema do "Vinho como produto turístico" que esta ideia foi amadurecendo. Através desse projecto realizaram-se diversas acções para sensibilizar a população açoriana para a importância da vinha, do vinho e da gastronomia num turismo sustentavel. A problemática da escassez de mão de obrafoi diversas vezes abordada.

Arrancou-se com este projecto em Março do corrente ano. A experiência começou com uma turma que estava no 5º ano de escolaridade. Eram 14 alunos (8 meninas e 6 meninos). Como o ano lectivo não coincide com o ciclo vegetativo da videira, a 11 de Setembro, no dia da colheita, ou seja da vindima, o número de alunos da turma, que actualmente se encontram no 6º ano de escolaridade, estava significativamente aumentado. No total eram 21 alunos.

Foi um experiência formidável. Os alunos chegaram à vinha pelas 10 horas da manhã acompanhados pela Drª Cecília Terra, ggrande entusiasta do projecto. As uvas de Terrantês apresentavam-se num estado de maturação bastante avançado e uma cor dourada apetitosa.
Como a maioria doa alunos tinha acompanhado aquela vinha desde a poda até à colheita, a afectividade naquele dia era muito elevada. Da parte dos novos participantes houve curiosidade, colaboração e entusiasmo.
A vinha acompanhada deu grande rendimento.
Após a apanha foram esmagadas as uvas, de acordo com as regras de higiene necessárias para a manipulação das uvas e dos materiais vinícolas. Após essa operação, as uvas foram prensadas.
O mosto foi colocado numa cuba e procedeu-se à sua prova.
Foi feita uma intodução à prova enfatizando os 4 sabores típicos. doce, ácido, salgado e amargo. Foi-lhes também ensinado a degustar o mosto.

(In A União)

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