terça-feira, fevereiro 24, 2009

Fitossanidade

Jorge Miguel Meneses Azevedo, natural da ilha Terceira, finalista (licenciatura) em Ciências Agrárias (agronomia), no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores – encontra-se na freguesia vinhateira dos Biscoitos - Região (De)marcada - a estudar os problemas fitossanitários das castas da “Verdelho dos Açores” e da “Terrantez da Terceira".Depois de visitar a adega da Casa Agrícola Brum Lda. (Museu do Vinho dos Biscoitos) e da dos Serviços de Desenvolvimento Agrário da ilha Terceira este aluno, do Campus de Ciências Agrárias de Angra do Heroísmo, esteve em várias vinhas do litoral biscoitense, sempre acompanhado pelo experiente técnico António Fernando Godinho.

(In Bagos D'Uva)

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quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Produtores e Universidades unem-se para melhorar vinho

Governo aprovou criação de um cluster a partir do qual podem ser investidos seis milhões de euros em vários projectos de investigaçãoO Ministério da Economia e Inovação aprovou a candidatura da ADVID Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense ao reconhecimento de um cluster regional na área da vinha e do vinho. Com esta aprovação, condicionada à redefinição do plano de acção junto do gabinete coordenador do Programa Operacional de Factores de Competitividade (POFC), fica aberto o caminho ao desenvolvimento de um projecto de investigação e inovação sem precedentes no sector vitícola nacional e que, numa primeira estimativa, poderá envolver verbas da ordem dos seis milhões de euros.O reconhecimento do cluster é uma espécie de via verde para a candidatura de projectos ao novo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) dirigidos ao sector da vinha e do vinho no Douro. A ideia central da iniciativa é promover o investimento em actividades de investigação e inovação das empresas, elevar o nível de competência técnica e económica da fileira vitivinícola, incrementar a disseminação do conhecimento e tornar mais eficiente e sustentável a produção regional. Para isso, o plano de acção prevê a realização de uma série de estudos sobre, entre outras coisas, a adaptação da viticultura duriense às alterações climáticas, pragas e doenças da vinha, conservação da biodiversidade benigna para a cultura da vinha, preservação da variabilidade genética das castas de videira nacionais e a zonagem da região de acordo com métodos mais modernos para a classificação das vinhas.O cluster será desenvolvido a partir da actual estrutura orgânica da ADVID, uma associação centrada na investigação vitícola com 200 associados que respondem por cerca de 55 por cento do negócio do vinho do Porto. Participarão ainda o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, as principais associações do sector, várias firmas ligadas ao ramonda viticultura e da enologia e diversas universidades nacionais e internacionais como a Universidade do Porto, da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa, da Universidade dos Açores ou o Southern Oregon University, nos EUA, e um instituto de pesquisa alemão.Quem ainda não aderiu ao cluster foi a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), apesar de possuir um curso de Enologia. A instituição coordenará a instalação de um Centro de Excelência da Vinha e do Vinho no futuro parque tecnológico em Vila Real, já em curso. Para os responsáveis desta universidade, a candidatura da ADVID visa os mesmos objectivos do referido centro de excelência, pelo que questionam a duplicação de projectos e investimentos. Mas a associação entende que as duas iniciativas podem ser complementares e espera que a UTAD acabe por se envolver no seu projecto.

(In Pedro Garcias NetConsumo)

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terça-feira, fevereiro 17, 2009

Douro quer ter 'cluster' para proteger 250 castas

Viticultura. Candidatura ao programa "pólos de competitividade"
A ADVID - Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense está apostada em obter o reconhecimento do cluster da viticultura duriense como estratégia de eficiência colectiva, o que permitirá, ainda, o acesso, de forma prioritária, à aprovação de candidaturas aos incentivos concedidos no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) e do Programa de Desenvolvimento Rural (Proder). O programa "pólos de competividade" é uma iniciativa do Ministério da Economia e Inovação, em articulação com outros ministérios, e as candidaturas aprovadas deverão ser conhecidas dentro de dias.A ideia da criação de pólos de competitividade e eficiência estratégica tem por objectivo unir empresas, universidades, entidades financiadoras e do Estado para o desenvolvimento de um mesmo foco, que, neste caso, são os vinhos da Região Demarcada do Douro, potenciando a economia da região. Redução de custos no cultivo em encosta, optimização económica de tratamentos e fertilizações, formação profissional para o sector, avaliação anual das práticas e estratégias de produção e reconhecimento público das competências técnica e científica do sector e da região são alguns dos contributos que este pólo pretende dar. Além, naturalmente, da disseminação do conhecimento pela região.Os parceiros são muitos e variados, e não apenas nacionais. Para além do Instituto dos Vinhos do Porto e Douro, das várias associações exportadoras de vinhos - ANCEVE, ACIBEV e AEVP - e da Casa do Douro, integram ainda o projecto as adegas cooperativas de Favaios e Vale da Teja. Mas é a nível da investigação e desenvolvimento que os parceiros vêm de mais longe. Para além da Universidade do Porto, da Rede Portuguesa de Selecção da Videira, da Escola Superior de Biotecnologia da Católica, do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa e do Centro de Biotecnologia da Universidade dos Açores, a equipa conta, ainda, com o departamento de estudos ambientais da Universidade do Oregon, EUA, e com o Instituto Weinbau und Rebenzüchtung, Alemanha. Estudar as alterações climáticas decorrentes do aquecimento global, as suas influências na produção vitícola e desenvolver um manual de adaptação aos impactos previstos é um dos grandes projectos mobilizadores da ADVID, a par das questões da biodiversidade, explicou ao DN o presidente da associação, José Manuel Sousa Soares. Para além da conservação da biodiversidade, identificando os insectos e outros micro-organismos que possam ser benéficos à cultura da vinha, a associação aposta, ainda, na monitorização de pragas e doenças, nos sistemas de condução e implantação da vinha de encosta e na preservação das castas e sua variabilidade. Não é para menos. "Portugal tem 250 castas e 50 estão já em risco de forte perda. Não podemos deixar perder esta riqueza", defende Sousa Soares. Até porque só há um país com uma variedade tão grande de castas, lembra: a Itália. Razão por que a ADVID se prepara para aderir à Associação de Preservação da Genética da Videira. Actualizar o método de pontuação das vinhas - zonagem vitícola -, que estabelece a sua qualidade de acordo com as competências mais modernas (o método em vigor, e que dita a autorização de produção de vinho do Porto de acordo com as letras de A a F, tem 60 anos), bem como avaliar melhor a aptidão enológica das uvas e os marcadores genéticos da sua maturação são alguns dos principais projectos do cluster . De qualquer forma, e porque nada melhor do que quem está no terreno para saber o que é mais urgente, a ADVID está a preparar um inquérito com a Faculdade de Engenharia que será apresentado aos associados para avaliar as suas prioridades. Uma coisa Sousa Soares garante: "Com ou sem aprovação da candidatura ao programa "pólos de competitividade", estes são projectos que irão avançar. Podem é demorar mais tempo."

(In Ilídia Pinto - Diário de Notícias)

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quarta-feira, julho 09, 2008

Rencontrar a vinha dos avós

“Reencontrar a Vinha dos Avós” foi o tema da comunicação proferida pela Profª Teresa Lima, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, aquando da realização do Congresso Internacional, “A Voz dos Avós: Migração e Património Cultural” que decorreu em S. Miguel, Ponta Delgada. Foi organizado pela Universidade de Toronto e a Universidade dos Açores. A Doutora Manuela Marujo, directora do Departamento de Espanhol e Português da Universidade de Toronto foi a coordenadora do Encontro. A Doutora Rosa Simas do Departamento de Línguas da Universidade dos Açores foi também organizadora deste evento.
O congresso contou ainda com a colaboração California State University, Stalisnaus, Center for Portuguese Studies, Univ. Federal Santa Catarina, Brasil, Université Paris X-Nanterre, Centre de recherches interdisciplinaires sur le Brésil et le monde lusophone, York University, Toronto.
A cerimónia de abertura foi presidida pela Doutora Manuela Barroso e contou também com a presença do Magnifico Reitor da Universidade dos Açores, Professor Doutor Avelino Meneses. Segundo a Doutora Manuela Marujo, “Numa altura em que a vida familiar, sobretudo as relações entre pais e filhos, está cada vez mais sujeita às exigências da vida profissional, a relação estabelecida entre avós e netos assume um significado especial. Esse significado adquire ainda maior relevo nas famílias deslocadas do seu país de origem. Este Encontro teve como objectivo reflectir sobre o papel dos avós migrantes. Poucos estudos e obras literárias se têm debruçado sobre a questão das relações entre avós-netos, particularmente no que diz respeito a famílias migrantes. O nosso propósito foi reunir académicos e estudiosos, nas várias áreas do conhecimento, que se quiseram debruçar sobre temas ligados ao papel dos avós: a preservação da língua de origem, a passagem dos valores, das tradições e do património cultural foi apenas alguns dos temas apresentados.”
A comunicação apresentada pela Prof Teresa Lima fez parte do painel História e Património. Ela foi fruto do projecto “ Vinhas da Terceira/Uma experiência nos Biscoitos”. Dela transcrevem-se algumas partes. Na primeira metade do séc. passado a área total de vinha nos Biscoitos era de 120 ha e cerca de 80 % eram tratadas. Actualmente a área cultivada é de cerca de 20 ha. Cerca de 85 % das suas vinhas estão abandonadas e ameaçadas pela construção imobiliária.Assiste-se a uma diminuição progressiva da cultura da vinha e do vinho devido a vários factores. Antigamente, quem cultivava a vinha era a população normal: uns eram possuidores, eram eles e as famílias, e também havia muita mão-de-obra paga. Existiam trabalhadores de vinha e alguns deles eram sazonais. A cultura da vinha e do vinho constituía uma das ocupações significativas da população dos Biscoitos.
Esta situação mudou, inicialmente, com a emigração da década de sessenta do século passado. Por um lado, muitos dos proprietários emigraram o que acarretou já o abandono de muitas vinhas (décadas de 60, 70 e 80). Por outro lado, simultaneamentee, muitos trabalhadores de vinha também emigraram. Começou assim a sentir-se a falta de mão-de-obra. Em continuação disto, houve o progresso geral das populações que também atingiu de alguma forma aqueles que trabalhavam as vinhas. Foi mais um factor para a recente situação.
Nunca se deixou totalmente de cultivar algumas vinhas, mas têm sido essencialmente os poucos produtores que fazem o trabalho. Claro que haverá um ou outro assalariado, alguns sazonais. Segundo informação actualmente existem 4 assalariados de vinhas nos Biscoitos. Mais recentemente alargou-se a escolaridade obrigatória até aos 16 anos. Este facto faz com que as novas gerações vivam totalmente, ou quase, distantes deste tipo de actividades. É que crianças e adolescentes não tomam parte nas tarefas da vinha e do vinho. E por isso não aprendem a fazer e muito menos a amar. Há necessidade de criar nas novas gerações, os netos daquela gente, o gosto por esta herança cultural e a participação prática e actuante na vinha. Esta pode ser um “hobbie”, uma actividade secundária, um extra. De uma maneira geral estas novas gerações não costumam trabalhar, muito em especial no que diz respeito à agricultura, e ainda menos à vinha.
O trabalho da vinha é todo manual e difícil. É dos mais difíceis que há na actualidade e só um contágio afectivo e um contacto inteligente, e cuidado, com a vinha e o vinho é que podem conduzir as novas gerações a ligar-se a essa actividade. Portanto, deve reconhecer-se que nestas novas gerações há uma mentalidade distante da vinha e do vinho porque significa sacrifícios. Os novos não pensam que podem ou devem fazer alguma coisa neste sector. Quando muito é para os “outros” e não para eles. Acresce que estas novas gerações encontram tudo feito e disponível no mercado. Ou ainda pior, em casa e à mesa. Por isso mesmo, eles não pensam que haja alguma coisa a fazer neste campo e, muito menos, por eles. Residentes nos Biscoitos, entre os 10 e 19 anos, existem cerca de180 adolescentes e jovens. Trata-se de uma massa humana crescente em número, em afastamento, bem como em desvalorização da vinha e do vinho. É que, daqui a 10 anos, os actuais serão adultos, ou quase, e atrás deles haverá mais jovens, adolescentes e crianças, e praticamente nenhuns avós.
Daqui nasce o grande problema de modificar a situação e fazer com que ela melhore e se torne contributiva para estas vinhas e este vinho. E por quê? De imediato trata-se de um valor histórico, ambiental e cultural. E até turístico. Mas muito mais do que isto, há necessidade de valorizar as fontes de riqueza local e regional. Talvez não faça sentido pensar-se a nível nacional devido às nossas limitadas dimensões. Mas dado o desenvolvimento actual da tecnologia dos vinhos, a produção de diferentes tipos de vinhos de qualidade nos Biscoitos, acarretará vantagens ao menos ao nível económico daquela localidade. E claro, para a Ilha Terceira. Contribuirá ainda para a nossa micro economia.Além disso, deve pensar-se que é de prever que para o futuro haverá necessidade de muitas pessoas se ocuparem em trabalhos físicos. Por um lado, serão alguns e algumas que não encontrarão escoamento profissional noutros sectores.Por outro lado, é sempre crescente o número de pessoas empregadas em “serviços” mas que precisam de complementos de actividade. Para bastantes serão “hobbies” de grande valor psicológico e familiar, uma ocupação de tempos livres e recursos de actividade física. Todavia haverá também muitas outras pessoas que terão necessidade de alguma fonte extra de rendimento para tornar possível, ou facilitar, a sua economia doméstica. Assim, as vinhas dos Biscoitos podem prestar um grande serviço físico, psíquico, económico, cultural, ambiental e paisagístico. No sentido de sensibilizar as crianças para a cultura da vinha e do vinho a Universidade dos Açores por iniciativa de Teresa Lima está a desenvolver um projecto intitulado “As vinhas da Terceira/Uma experiência nos Biscoitos – Quinta à Biscoitinha”. Arrancou-se com este projecto em Março de 2007. Em primeiro lugar havia necessidade de dispormos duma vinha, nesse sentido contactou-se o Chefe do Serviço de Desenvolvimento Agrário da Ilha Terceira, Eng.º José António Ávila, que de imediato nos disponibilizou esse espaço. Disponibilizou também o Técnico António Fernando Espínola Godinho para ensinar as práticas vitivinícolas. Seguidamente necessitava-se das crianças. Nessa ordem contactou-se a direcção da Escola Básica Integrada dos Biscoitos (EBIB) que também aceitou estabelecer uma parceria com a Universidade dos Açores.
A experiência decorreu com uma turma do 5º ano de escolaridade. Eram 14 alunos (8 meninas e 6 meninos). A presença das meninas é crucial, tendo em conta o significado que tem o pensar e o actuar do sector feminino nas famílias e nos ambientes. As mulheres são um grande factor de mentalização, de contágio, de participação e actuação. Mais tarde, como educadoras dos filhos, estas meninas que agora participam nesta experiência, criarão uma atmosfera de gosto e ligação afectiva e física à vinha e ao vinho.
Este trabalho continua com esta turma, agora no 6º Ano, e que conta com mais oito alunos. E uma nova turma do 5º Ano com 20 alunos. Pretende-se que estes alunos acompanhem toda a actividade da vinha e laboração do vinho do 5º ao 9º Ano de escolaridade. A Profª Cecília Terra da EBIB, licenciada em História, é a responsável pela turma do 6º ano. A esta docente juntaram-se as Professoras Clara Rodrigues e Vânia Oliveira, licenciadas em História e em Biologia respectivamente. Elas acompanham a turma do 5º ano. Há que executar um enorme investimento mental e actuante de informação, formação e exercitação de modo a que os objectivos sejam conseguidos, ou seja, criar um desenvolvimento de mentalidade, empenhamento, um saber-fazer para que a vinha seja cultivada, mantida e desenvolvida. É crucial transmitir a estas crianças que não se pode aprender só a brincar, mas é necessário trabalhar para conseguir uma aprendizagem eficiente e profícua. Na época das vindimas poderiam trabalhar numa vinha, não como brincadeira, mas como uma tarefa necessária e útil.
A abertura e o grande valor deste projecto manifestam-se nalgumas das diferentes impressões dos alunos envolvidos na experiência:
“Olá, eu sou o Paulo e acho o projecto interessante porque aprendo mais e mais tarde posso ensinar os meus filhos.”
Paulo Barcelos
“Tenho adorado este projecto porque, para além de ser ao ar livre, aprende-se muitas coisas.
Até o meu avô que já é lavrador há muitos anos fui com ele à vinha para ajudá-lo e chamei a atenção para várias coisas que nem ele sabia.
Este projecto serve para melhorarmos o Ambiente.”
Maria Clara Costa
“Eu acho que o objectivo deste projecto com a Universidade dos Açores é bom para nós. Podemos saber mais: como se poda, enxertos, tipos de vinhas e assistir aos estados fenológicos.
Se a professora só falasse na vinha sem a gente ver era uma seca mas, a professora, leva-nos a ver pessoalmente e assistir a tudo.”
Bruno Lourenço
No que se refere às actividades desenvolvidas pelos alunos ao longo dos anos de 2007 e 2008 ficam aqui alguns registos fotográficos da autoria de Teresa Lima.
CONCLUSÃO
Estas experiências representam uma gota de água no oceano de trabalhos que terão de ser desenvolvidos pela Universidade dos Açores, a Escola Básica Integrada dos Biscoitos e a Secretaria Regional de Agricultura e Florestas. Os professores e técnicos destas Instituições têm consciência disso. O entusiasmo e atmosfera que se criou entre os docentes, técnico e alunos são grandes, sendo um catalisador importante para a abertura das mentes dos netos e também dos avós. Recorde-se que o nosso lema será abrir a mente das gerações novas para a descoberta da importância da existência da vinha, através da instrução, participação, actuação, trabalho, para que este sector no futuro seja continuado e implicativo. Em suma, criar uma forte ligação afectiva e física à vinha e ao vinho dos Biscoitos.

(In Bagos D'Uva)

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segunda-feira, abril 21, 2008

Viticultura açoriana

No último dia do I Congresso Regional de Fruticultura e Viticultura, 5ª Sessão – Viticultura – Tendo como moderador o Professor Doutor Jorge Pinheiro (CITAA -Universidade dos Açores), o Engenheiro Agrónomo Miguel Amorim, da Direcção Regional dos Assuntos Comunitários da Agricultura, abordou vários aspectos relacionados com a vitivinicultura açoriana e os novos desafios da nova proposta da OCM (Organização Comum do Mercado).
Segundo Miguel Amorim “na Região Autónoma dos Açores, apenas em 6 das 9 ilhas se cultiva vinha. De entre estas, só 4 apresentam maior expressão: São Miguel, Terceira, Graciosa e Pico.
A qualidade e o prestígio dos vinhos dos Açores são conhecidos de longa data, facto que levou a que fossem reconhecidas três Indicações de Proveniência Regulamentada:
- "Biscoitos" (ilha Terceira)"Graciosa" - "Pico"
Reconhecida a tipicidade própria para a produção de vinhos de qualidade, associada a uma evolução tecnológica verificada nos últimos anos, foi estabelecida recentemente a designação “Vinho Regional” seguida da Indicação Geográfica Açores para os vinhos de mesa tinto e branco, produzidos em todo o Arquipélago.
As vinhas tradicionais são conduzidas junto ao solo, sem nenhuma armação, dentro de "currais" constituídos por muros de pedra solta, onde as cepas ficam protegidas do vento.
Quanto aos novos desafios que se colocam à vitivinicultura regional com a proximidade da aprovação do novo Regulamento da Organização Comum do Mercado vitivinícola, foi assumido pela Região Autónoma dos Açores a defesa de algumas medidas que protegessem a nossa cultura, as nossas tradições, as nossas castas, as nossas dificuldades em termos de relevo e condução da cultura”.
O encerramento dos trabalhos do Congresso teve a intervenção do Prof. Doutor António Mexia (ISA/UTL).
Da parte da tarde rumou-se aos Biscoitos, onde se visitaram várias vinhas e pomares daquela freguesia terceirense. Foi visitada, entre outras, a vinha e a Adega do novo produtor/engarrafador (independente) Manuel Rufino Silva Simas.
Numa outra pausa entraram na Adega Cooperativa dos Biscoitos C.R.L., onde tiveram a oportunidade de provar o vinho daquela Associação de produtores da ilha Terceira.
(In Bagos D'Uva)

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domingo, abril 20, 2008

Qualidade das macieiras Açorianas

Uma cultura amiga do ambiente, com recurso a poucos pesticidas, distingue os pomares de macieira açorianos dos do continente e de outras partes do mundo. Quem o diz é Rui Sousa, do Instituto Nacional de Recursos Biológicos.

Em declarações aos jornalistas, à margem do I Congresso Regional de Fruticultura e Viticultura, o investigador sublinhou que, “apesar dos custos de produção serem mais elevados nos Açores, a qualidade do fruto também é outra, uma vez que amadurece na árvore, ao contrário do que acontece nos pomares do continente”. Rui Sousa, que apresentou um “Contributo para a melhoria da produtividade dos pomares de macieira dos Açores”, considerou que “melhorando as técnicas culturais e com um maior acompanhamento, consegue-se nos Açores as mesmas produções de que no continente”.O investigador defendeu ainda que os produtores açorianos devem “apostar em três ou quatro variedades de maçãs bem adaptadas cá, assim como em algumas variedade regionais que foram abandonadas e que têm interesse de produção”.Segundo disse, a Região conta actualmente com “mais macieiras, pomares mais jovens, árvores mais bem formadas e novos sistemas de produção, assim como com um maior número de produtores”.A Terceira produz cerca de 60 a 70 toneladas de maçã por ano, sendo 60 a 70 da variedade reineta.
(In Diário Insular)

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sábado, abril 12, 2008

Congresso de Fruticultura e Viticultura e Congresso de Zootecnia

Cerca de 80 produtores, técnicos e investigadores dos Açores, Madeira, continente português e estrangeiro participam, de 17 a 19 de Abril, no I Congresso Regional de Fruticultura e Viticultura, que terá lugar no pólo do Pico da Urze da Universidade dos Açores, em Angra do Heroísmo.

Organizado no âmbito do projecto Interfruta II, que termina no próximo mês de Junho, o evento visa fazer o balanço e debater a continuidade do projecto financiado pelo programa de iniciativa comunitária Interreg III B. Produção, fenologia e fertilização de fruteiras, biotecnologia e fruticultura, protecção das fruteiras, biodiversidade e protecção das culturas e viticultura serão os temas em debate. Durante o congresso, será também apresentada a publicação “Problemas fitossanitários e fauna auxiliar dos citrinos”, elaborado no âmbito dos trabalhos do projecto Interfruta II. Serão ainda entregues cartas de agradecimento aos produtores participantes no projecto, que nesta segunda edição estudou as culturas da maçã, da banana, da uva e da castanha.Entretanto, decorre de 16 a 19 de Abril, na ilha de São Miguel, o VII Congresso de Zootecnia, organizado pela Associação Portuguesa de Engenharia Zootécnica. Em cima da mesa estarão, entre outras, questões relacionadas com nutrição e alimentação, produções alternativas, reprodução animal, ruminantes, tecnologia alimentar e genética e melhoramento animal.

(In Diário Insular)

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domingo, março 23, 2008

DE 17 A 19 ABRIL - Especialistas em fruticultura reunidos na Terceira

Realiza-se nos dias 17, 18 e 19 de Abril o Primeiro Congresso Regional de Fruticultura e Viticultura, promovido pela Universidade dos Açores, no âmbito do projecto Interfruta II. Trata-se de um encontro que visa apresentar e debater os problemas fitossanitários, sobretudo os que se relacionam com a mosca, e abordar o estado das culturas da macieira, castanheiro, vinha e bananeiras. “Esperamos que haja uma forte participação dos produtores neste encontro e que seja um fórum de debate entre os técnicos”, adianta David Horta Lopes, responsável pela iniciativa.Assim, durante três dias estarão reunidos especialistas a nível nacional, incluindo a participação do arquipélago da Madeira, e internacional, em diferentes áreas de investigação em fruticultura e viticultura. “A nossa ideia é mostrar o contributo da Universidade, neste caso particular, para o conhecimento e a abordagem multidisciplinar aos diversos problemas”, afirma.Ao todo estão previstas cinco sessões, denominadas aos temas “Produção, Fenologia e Fertilização de Fruteiras”; “Biotecnologia e Apoios à Fruticultura”; “Protecção das Fruteiras”; “Biodiversidade e Protecção de Culturas” e “Viticultura”, sendo que as quatro primeiras decorrem no auditório da Universidade dos Açores, em Angra do Heroísmo, no Pico da Urze, e a última realiza-se no auditório do Ramo Grande, na Praia da Vitória. No programa do Primeiro Congresso Regional de Fruticultura e Viticultura, estão previstas ainda uma visita aos pomares e vinhas da zona dos Biscoitos e uma prova de vinhos na nova Adega Cooperativa daquela freguesia. O encontro conta já com 46 inscritos e terá o apoio das Câmaras Municipais de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, Junta de Freguesia da Terra-Chã e Adega Cooperativa dos Biscoitos. Motivar produtores. Por outro lado, o presidente da Fruter manifestou a preocupação em motivar os produtores para outras produções para além da horticultura, que compreende um ciclo mais curto, e da produção da banana, rentável durante todo o ano. “Devido ao rendimento sazonal há menos gente disponível para outras áreas de produção”, afirma Sieuve de Meneses. O presidente da Fruter defende que “só quando essas produções são interessantes e apresentam rendimentos aceitáveis é que as pessoas aderem com mais facilidade”. Dadas estas circunstâncias, o empresário aconselha a “diversidade de produção” como forma de colmatar o rendimento sazonal que a fruticultura provoca no agricultor.

(In A União)

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sábado, março 22, 2008

I CONGRESSO REGIONAL NO ÂMBITO DO PROJECTO INTERFRUTA II

Apresentar os resultados do projecto Interfruta II e debater os principais problemas e desafios que se colocam às culturas da fruta e da vinha são os objectivos do “I Congresso Regional de Fruticultura e Viticultura”, que tem lugar de 17 a 19 de Abril, na Terceira. O congresso divide-se pelo auditório do pólo universitário de Angra do Heroísmo no Pico da Urze, nos primeiros dois dias, seguindo-se uma manhã no Auditório do Ramo Grande, na Praia da Vitória. De acordo com o responsável pelo projecto Interfruta II e professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, David Horta Lopes, o evento conta já com 46 inscrições, prevendo-se que estas aumentem significativamente até à data de realização. “Sabemos já, pelo número de inscrições que recebemos, que vamos ter uma forte presença de produtores. É isso que se pretende, que este seja um fórum de debate entre técnicos do Serviço Regional do Desenvolvimento Agrário, da Fruter, académicos e os próprios agricultores”, adiantou, ontem, na apresentação pública do congresso.Ao longo dos três dias de debate vão ser tratados temas como “Produção, Fenologia e Fertilização de Fruteiras”, “Biotecnologia e Apoios à Fruticultura”, “Protecção das Fruteiras”, “Biodiversidade de Protecção das Culturas” e “Viticultura”.Participam desde professores da Universidade dos Açores como João Baptista, Horta Lopes e Artur Machado até especialistas convidados como Rui Pereira, responsável pelo grupo de trabalho da Agência Internacional da Energia Atómica na da utilização de moscas esterilizadas no combate à praga da mosca da fruta.

DESMOTIVAÇÃO
Segundo David Horta Lopes, os principais problemas fitossanitários com que se debate o sector da fruticultura são a praga do bichado e a mosca da fruta.No entanto, o presidente da Fruter, também presente na sessão de apresentação do “I Congresso Regional de Fruticultura e Viticultura”, fala de desmotivação no sector.“Essa é uma situação que se agrava na fruticultura. Tem a ver com o facto de os rendimentos serem sazonais. O agricultor só vê dinheiro uma vez por ano. Por essa razão, aconselhamos sempre os produtores a dedicarem-se a várias culturas”.Porém, a “sazonalidade” dos rendimentos continua a afastar agricultores do sector. “Regista-se um decréscimo de pessoas a dedicarem-se a este sector da agricultura. Produzem banana, porque é algo que dá rendimentos ao longo de todo o ano” reforça Sieuve de Menezes.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, novembro 22, 2007

Prémio ADVID entregue hoje (22 de Novembro de 2007) ao Centro de Biotecnologia dos Açores

Uma equipa de investigadores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, liderada pelo Professor Artur Machado, recebe hoje, em Gaia, o prémio ADVID 2007 pela investigação das similariedades genéticas de 46 castas nacionais, anunciou fonte da Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense. O Prémio ADVID - Álvaro Baltazar Moreira da Fonseca é um incentivo criado por esta associação para atrair investigadores de diversas áreas científicas para as especificidades técnicas, culturais e sociais da vitivinicultura da Região Demarcada do Douro.
O prémio vai ser entregue no final do colóquio sobre Zonagem Vitícola, que decorre hoje em Vila Nova de Gaia, no âmbito das comemorações dos 25 anos da ADVID.
Os investigadores premiados estudaram castas brancas como a Malvasia Fina, Cercial, Gouveio e Verdelho, existentes em várias regiões demarcadas, utilizando técnicas de análise do ADN para detectar se a sinonímia de castas, derivada da observação visual de folhas, cachos e varas e consagrada nos diplomas legais que regulam as denominações de origem, correspondia de facto a variedades de videira iguais.
O estudo verificou que, por exemplo, a casta Cercial, uma das utilizadas nos vinhos de Pinhel, corresponde à assinatura de ADN do Jampal e da Pinheira Branca, apesar de a legislação não as considerar como sinónimos.
A aplicação desta metodologia nas castas tintas permitiu mostrar uma possível relação de parentesco «pai/filho» entre a casta Touriga Nacional (originária do Douro e do Dão) e as castas Touriga Brasileira e Touriga Franca.
A fonte referiu que este trabalho, ao esclarecer questões de sinonímia e de proximidade genética entre as castas portuguesas, representa «um forte contributo para aumentar o conhecimento sobre as mesmas, permitindo aos viticultores portugueses decisões mais esclarecidas no momento de plantar as suas vinhas».
«Este é um conhecimento estratégico para a indústria vitivinícola nacional, uma vez que a grande diversidade de castas nativas (quase 300) é um dos principais pilares da competitividade comercial dos nossos vinhos a nível global, tanto pela originalidade criativa permitida como pela capacidade de adaptação às oscilações do gosto do consumidor», salientou.
O Prémio ADVID é atribuído anualmente a um investigador profissional, aluno de licenciatura, mestrando ou doutorando que tenha publicado um trabalho inédito em qualquer área científica, com relevante importância para a vitivinicultura da Região Demarcada do Douro.
Em cada ano o prémio é dedicado a uma personalidade com uma obra destacada em prol do desenvolvimento vitivinícola da região.
Em 2007 o prémio homenageia o engenheiro agrónomo Álvaro Baltazar Moreira da Fonseca, que foi presidente da Casa do Douro e autor de diversos trabalhos científicos, entre os quais o «Método de Classificação das Parcelas de Vinha da Região Demarcada do Douro».
Trata-se de um trabalho pioneiro que introduziu conceitos de zonagem vitícola aplicados à promoção da qualidade na produção do Vinho do Porto e é, ainda hoje, na altura em que se comemoram os 60 anos da sua publicação, a base da portaria (413/2001) que rege a classificação qualitativa das vinhas durienses e consequente atribuição do benefício.
A ADVID é uma associação privada, sem fins lucrativos, criada pelas principais empresas de Vinho do Porto com o objectivo de contribuir para a modernização da viticultura do Douro e melhoria da qualidade dos vinhos.
Conta actualmente com mais de 200 associados, entre os quais importantes empresas de comércio e exportação de Vinho do Porto, sociedades de exploração vitícola e viticultores individuais, representando no seu conjunto uma área vitícola de mais de 10% do total da Região Demarcada.

(In Jornal Diário)

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segunda-feira, novembro 19, 2007

Viticultura e Biotecnologia

O Professor Doutor Duarte Mendonça do Centro de Biotecnologia dos Açores, Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, trabalhou no Campo Ampelográfico do Museu do Vinho da Casa Agrícola Brum Lda. O objectivo foi a recolha de 3 a 4 varas de amostras de 25 pés da vinha , de diferentes cultivares existentes, que foram levadas para o Laboratório, tendo aí sido processadas para a diagnose de agentes virais, nomeadamente os vírus GFLV (Grapevine Fanleaf Vírus - vírus "urticado" da videira ou nó curto), e o GLRaVIII (Grapevine Leafroll - associated vírus III - vírus do enrolamento da folha), através de um método imunológico, o DAS-ELISA (Enzyme Linked Immunosorbent Assay) e de um método molecular, a RT-PCR (Reserse Transcription -Polymerase Chain Reaction). Todas as amostras recolhidas, com código a elas atribuído, tipo de material colhido, acompanhado de uma figura que amostras recolhidas, a sua localização no Campo, onde existem 32 variedades de castas, incluindo algumas mutações. Uma recolha efectuada, a nível das regiões vitivinícolas dos Açores em 1991, pela Casa Agrícola Brum. O objectivo deste pequeno Campo Ampelográfico é dar a conhecer algumas das castas mais antigas nos Açores, conduzidas aramadas, as suas diferenças e o seu comportamento, comparativa às das cultivadas no sistema tradicional (curraletas). E, na esperança de num futuro muito próximo, após a eliminação dos vírus in vitro, quiçá pelo Centro de Biotecnologia dos Açores, através de um campo com pés - mães disponíveis aos viticultores material vegetativo de qualidade, isentos de vírus para reconstituição de novas vinhas.
(In Bagos D'Uva)

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sábado, novembro 10, 2007

Saber nos Açores é igual ao que se faz de melhor

A Associação para o Desenvolvimento da Viticultura do Douro decidiu premiar o Centro de Biotecnologia dos Açores.
Diário Insular (DI)-Tem algum significado especial esse prémio?
Artur Machado (AM)-Sem dúvida que tem um significado muito especial, pois é o reconhecimento do nosso trabalho por uma Associação que tem como objectivo o desenvolvimento da viticultura na Região do Douro.
DI-Melhor do que ninguém, sabem das necessidades do sector e, por consequência, sabem avaliar a utilidade do trabalho realizado por nós. O que tem feito o Centro pela vitivinicultura açoriana?
AM-Considero o nosso reportório tecnológico capaz de oferecer variadíssimas soluções para alguns problemas específicos da viticultura. Há já algum tempo, apresentámos à Direcção Regional de Agricultura alguns projectos nesta área. Infelizmente não foram concretizados, porque, provavelmente, não foram considerados oportunos. Penso, no entanto, que há muito por fazer na área da viticultura nos Açores.
DI-Há a impressão de que Centros como o vosso pouco interesse têm para a vida dos açorianos…
AM-Esta é uma impressão da qual eu discordo em absoluto. É óbvio que, por vezes, a investigação, principalmente se nos referirmos à investigação fundamental, não chega de uma forma “espectacular” ao público. A Universidade dos Açores e os seus Centros são instituições que estão de igual para igual com quaisquer outras universidades, sejam elas americanas, europeias ou asiáticas. Daí que a qualidade da nossa investigação seja avaliada por parâmetros internacionais, dos quais depende o nosso próprio financiamento e a angariação de novos projectos. Agora, o que é facto é que não existe uma tradição científica nos Açores. A investigação é um fenómeno recente que apareceu com a própria Universidade, pelo que talvez a sociedade açoriana ainda não aprendeu a lidar com esta nova realidade de conhecimento.
DI-A Universidade não sabe chegar ao grande público?
AM-É provável que tenhamos falhas. A nossa especialidade não é marketing, daí que com certeza que não fazemos passar a nossa mensagem da melhor forma. Mas, dou-lhe um exemplo, que contraria, de certa forma, as possíveis falhas cometidas por nós. Há aproximadamente dois anos, o Centro de Biotecnologia organizou um Ciclo de Conferências, intituladas “Biotecnologia e Sociedade”. Foi nossa preocupação organizar temas de grande relevo social e, ao mesmo tempo, trazer até nós oradores que fossem conhecidos publicamente pela sua capacidade de comunicação. Assim, trouxemos pessoas como Professor Doutor Sobrinho Simões, Professor Doutor Herman Katinger, o antigo Comissário Europeu para a Agricultura, Franz Fischler e, muitas outras personalidades de destaque. É evidente que os temas eram de grande relevância e foram discutidos de uma forma informal e clara. Infelizmente, a assiduidade do público foi reduzida e tenho a certeza que cada uma destas individualidades tinha imenso para nos transmitir. Se me ajudar a perceber porque é que a sociedade em geral não participou neste evento, fico-lhe muito grato, fazendo-me compreender os fenómenos acima descritos.
(In Diário Insular)

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