Educação Ambiental e desenvolvimento regional – A adolescência e a cultura da vinha

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Este blog é da responsabilidade do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores e pretende dar conta das actividades desenvolvidas ao longo de 2006 - Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação, bem como das actividades realizadas na mesma área temática,ou não, nos anos posteriores.

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A professora da Universidade dos Açores, Maria Teresa Lima, falou da importância do vinho verdelho dos Biscoitos e alertou para a presença do mesmo, bem como de outros vinhos regionais, nas primeiras páginas das cartas dos restaurantes.José Eduardo Toste, da Associação Regional de Turismo, referiu o Plano Estratégico de Animação Turística como forma de aumentar o tempo de permanência dos turistas na ilha.Verónica Bettencout, da direcção regional do Turismo, anunciou o lançamento, dentro de dias, do roteiro gastronómico da ilha Terceira, que reúne uma lista de restaurantes, com uma selecção anual, de acordo com vários critérios, como a acessibilidade, a qualidade da ementa, entre outros.Carlos Armando Costa destacou o papel das autarquias no turismo, tendo afirmado que“vamos passar a ter biscoitos de honra”, salientando a aposta no que é regional. Etiquetas: gastronomia, Teresa Lima, turismo, vinho

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Segundo a Professora Teresa Lima, Presidente da Assembleia-Geral daquela associação de produtores, no próximo dia 5 de Setembro, será inaugurado o barracão, trampolim para as já anunciadas instalações definitivas.
Ainda nos Biscoitos o Eng.º António Barreira foi recebido na Sede da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos, pela Dr.ª Teresa Lima, Grão- Escanção daquela associação de Enófilos.
O Eng.º António Barreira está à testa da Casa Agrícola Barreira, em Almeirim, que provém do seu bisavô, Joaquim Pereira Barreira e continuada pelo avô, António Duarte Barreira e seu pai Armando Jorge Martins Barreira.
A exploração, agora administrada pela 4ª geração dos Barreira, ocupa uma área de 40 hectares de vinha estando actualmente reestruturada cerca de 60% com as castas tintas: Piriquita (Castelão Francês); Shyraz; Cabertnet-Sauvingon e Alicante Bouchet. E ainda com as castas brancas: Fernão – Pires; Arinto; Tália; Alvarinho e Chardonay.
Segundo o Enólogo Eng.º António Barreira (funcionário do Crédito Agrícola Seguros, como gestor de seguro de colheitas): espero num futuro próximo iniciar um processo de engarrafamento de vinho produzido pela própria produção.
O enólogo António Barreira adiantou-nos: estamos na fase de testes de micro vinificação de forma a mostrar o tipo de vinho que será obtido a partir das castas seleccionadas. Será na comemoração do centenário da Casa Agrícola Barreira?
(In Bagos d'Uva)
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Além disso, deve pensar-se que é de prever que para o futuro haverá necessidade de muitas pessoas se ocuparem em trabalhos físicos. Por um lado, serão alguns e algumas que não encontrarão escoamento profissional noutros sectores.Por outro lado, é sempre crescente o número de pessoas empregadas em “serviços” mas que precisam de complementos de actividade. Para bastantes serão “hobbies” de grande valor psicológico e familiar, uma ocupação de tempos livres e recursos de actividade física. Todavia haverá também muitas outras pessoas que terão necessidade de alguma fonte extra de rendimento para tornar possível, ou facilitar, a sua economia doméstica. Assim, as vinhas dos Biscoitos podem prestar um grande serviço físico, psíquico, económico, cultural, ambiental e paisagístico. No sentido de sensibilizar as crianças para a cultura da vinha e do vinho a Universidade dos Açores por iniciativa de Teresa Lima está a desenvolver um projecto intitulado “As vinhas da Terceira/Uma experiência nos Biscoitos – Quinta à Biscoitinha”. Arrancou-se com este projecto em Março de 2007. Em primeiro lugar havia necessidade de dispormos duma vinha, nesse sentido contactou-se o Chefe do Serviço de Desenvolvimento Agrário da Ilha Terceira, Eng.º José António Ávila, que de imediato nos disponibilizou esse espaço. Disponibilizou também o Técnico António Fernando Espínola Godinho para ensinar as práticas vitivinícolas. Seguidamente necessitava-se das crianças. Nessa ordem contactou-se a direcção da Escola Básica Integrada dos Biscoitos (EBIB) que também aceitou estabelecer uma parceria com a Universidade dos Açores.Etiquetas: Congresso, Educação Ambiental, Projectos, Teresa Lima, vinha, viticultura
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Mais de duas dezenas de produtores de vinho estão presentes no "Açores Wine Festival", a decorrer até 14 de Junho, no Teatro Micaelense, por iniciativa das empresas Angular XXL e MegaSensus.
Na mostra de vinhos, onde esteve representada cerca de uma centena de marcas, os visitantes poderam testar e descobrir o paladar de vinhos produzidos em várias regiões do país, incluindo os Açores, bem como de coktails vínicos, e participar em demonstrações de culinária com os melhores chefes em actividade em Ponta Delgada. Na sessão de abertura do evento, Francisco Silveira, da Angular XXL, sublinhou a “variedade, qualidade e quantidade de produtores presentes”. Na mesma ocasião, o secretário regional da Economia, Duarte Ponte, realçou que a iniciativa, inédita nos Açores, tem duas mais-valias.
Por um lado, “os hoteleiros podem ter contacto com vinhos que desconhecem” e, por outro lado, os produtores podem aproveitar a iniciativa para “contactar com pessoas que tenham outra experiência, não só na produção, como na comercialização”. Disse Duarte Ponte que os Açores “têm produtos já de algum significado” e elogiou o trabalho “notável” que tem sido feito no Pico, mas também na Terceira, lembrando ainda que há outras ilhas com potencial na produção de vinho, nomeadamente São Miguel, Santa Maria e Graciosa - esta última em processo de recuperação. O secretário regional da Economia chamou a atenção para o facto de o vinho ser “um produto turístico. “Quem vem aos Açores quer levar um produto que seja típico”, disse Duarte Ponte que acrescentou ainda que há já operadores turísticos no estrangeiro que só trabalham as rotas dos vinhos. Afirmações corroboradas por Teresa Lima, professora do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, convidada para a palestra de abertura do evento. Segundo Teresa Lima, o enoturismo ganha cada vez mais espaço. “Há cada vez mais pessoas a quererem visitar países, tendo em conta os vinhos que produzem”, afirmou a professora. Açores à procura da expansão Manuel Serpa, da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores, admitiu, à margem do evento, que “faltava uma iniciativa destas aqui nos Açores, pois apesar de não termos muitos vinhos, já temos vinhos de qualidade” e “estamos numa fase em que precisamos de expandir os vinhos que temos”, referiu. Segundo Manuel Serpa, a Região apostou primeiro na qualidade e no aumento de produção, agora é preciso apostar na expansão da comercialização. Como fez questão de sublinhar o responsável pela comissão que decide que vinhos estão em condições de obter a certificação,“os Açores estão em condições de mostar alta qualidade”, em especial no que se refere aos vinhos brancos. E em termos de capacidade de produção, considera que é suficiente, pois diz, “produzimos à nosa dimensão”. Na sua opinião, a certificação tem sido fundamental, “porque exige que se dêem passos que ajudam o próprio vinho”. Actualmente, estão certificados 16 vinhos dos Açores, sendo certa a obtenção da certificação, ainda este mês, de pelo menos mais um vinho. Como referiu também Margarida Gomes, da Mega Sensus, a decisão de organizar nos Açores um evento desta natureza, partiu precisamente da percepção de que “havia aqui potencial turístico”. Além disso, sublinhou a responsável, perceberam também que, por um lado, existiam “vinhos dos Açores interessantes e diferentes, ainda com pouco reconhecimento”, e por outro lado, “um grande défice de conhecimento sobre os bons vinhos nacionais”.
(In Paula Gouveia, Açoriano Oriental)
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A paisagem maravilhosa da província de Saragoça é muito marcada pela cultura da vinha.
Na Denominação de Origem Controlada de Calatayud, a altitude das vinhas entre os 550 m e 880 m, sobre o nível do mar, condicionam uma cultura com um índice de pragas e doenças muito baixo, o que exige menos tratamentos e obtendo-se uvas muito naturais.
O rigor do clima, a escassa pluviosidade e as grandes diferenças de temperatura entre a noite e o dia na época da maturação, diminuem a produção e consequentemente aumenta a qualidade da uva vindimada. A maturação da uva processa-se de um modo muito lento, o que permite produzir vinhos sem excesso de álcool e com uma acidez muito equilibrada. Os solos da Comarca de Calatayud, com alto conteúdo em rochas calcárias, são formados por materiais pedregosos, rolados, procedentes das serras próximas, acompanhadas muitas vezes por argilas avermelhadas. A variedade predominante é a “Garnacha tinta” seguida da “Macabeo branca”. Outras variedades são cultivadas mas em menor proporção, nomeadamente tempranillo, garnacha branca, chardonnay, cabernet sauvignon, merlot, entre outras.
O Enólogo Manuel Castro fez-nos degustar dois vinhos: “Albada”, branco, elaborado com 100% da variedade Macabeo, e o “Albada Calatayud Superior”, tinto, elaborado também com 100 % da casta Garnacha.
Esta última variedade que produz vinhos excelentes é originária da Província de Saragoça.
O nome “Albada” é alusivo às canções que cantavam os agricultores ao amanhecer.
Esta adega produz também brancos, rosés e tintos com a marca “Cruz de Piedra”. Este nome deve-se às cruzes que existem nos vinhedos desta região que marcavam o Caminho de Santiago.
Todos estes vinhos são produzidos com uma tecnologia moderna, mas mantendo a tradição e sabedoria dos seus antepassados. São vinhos muito frutados, equilibrados e persistentes.
Após esta visita, os dois professores foram almoçar à cidade de Calatayud, ao restaurante da “Hospedaria Mesón de La Dolores”. A “Hospedaria Mesón de La Dolores” constitui um marco histórico ímpar, no centro de Calatayud. Dolores foi uma extraordinária mulher que viveu no séc. XIX, e como tal, sujeita às leis da vida, com os seus altos e baixos, com suas grandezas e fragilidades. O facto de viver numa época conflituosa, cheia de ressentimentos colectivos e de intransigências fez com que a sua própria vida fosse mediatizada pela ambição do pai e de um marido que disputaram a sua herança. O povo difamou-a, acusando-a de ter um amante. Com esta ligação anónima, que se alargou a todos os âmbitos, começou-se a forjar a fama da Dolores. É extraordinária a quantidade riquíssima e variada de património cultural em torno desta lendária personagem. Segundo Antonio Sánchez Portero, o seu número ultrapassa as duzentas obras e algumas de grande qualidade, nomeadamente composições musicais, filmes, teatros, novelas.
Durante o almoço neste ambiente mítico, a variedade Garnacha tinta bem como a tecnologia do “Albada Calatayud Superior” foram verdadeiramente apreciadas.
(In Bagos D'Uva)
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O objectivo desta deslocação foi a colaboração na distribuição da docência de doutoramento e preparação de trabalhos conjuntos no Departamento de Química Analítica/Grupo de Cromatografia/ Laboratório do Aroma e Enologia.
O Professor Catedrático Juan Cacho, Químico e Enólogo, é o director deste Grupo e Laboratório. É o melhor especialista neste domínio na Península Ibérica, e um dos melhores da Europa. Este distinto investigador, apesar de ser uma pessoa muito ocupada e solicitada, gosta profundamente de ensinar. A docente Teresa Lima sente muita admiração e aprecia muito a investigação desenvolvida pelo Prof. Juan Cacho.
Durante uma semana, partilharam-se aulas sobre a realidade do actual sector vitivinícola dos Açores e comparou-se com a existente em Aragão.
Discutiu-se a metodologia analítica mais apropriada para as análises qualitativa e quantitativa dos aromas dos vinhos com especial ênfase em olfactometria e separação de grupos de aromas por HPLC.
O objectivo fundamental da deslocação alcançou-se plenamente. Consolidaram-se as relações entre a Universidade dos Açores/Departamento de Ciências Agrárias/Laboratório de Enologia e a Universidade de Saragoça/Faculdade de Química/ Departamento de Química Analítica/ Laboratório de Análises de Aroma e Enologia, e assentaram-se as bases para a cooperação na docência e investigação no tema concreto do aroma do vinho.
Seria conveniente continuar estas estadas no Laboratório de Análises de Aroma e Enologia em anos sucessivos, não somente de professores mas também de alunos de doutoramento.
(In Bagos D'Uva)
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As Vinhas do Mar
* Teresa Lima
O vinho é um "fruto da terra e do trabalho do homem" expressão que põe em evidência o facto de que a sua produção é em grande parte resultado do saber e da arte humana. A História prova-nos que o vinho esteve associado a todos os momentos felizes das pessoas e nações que marcaram a vida da humanidade. A introdução da vinha nos Açores remonta ao seu povoamento cerca de 1450 e pensa-se que foram os frades Franciscanos que a introduziram. No caso concreto da Ilha Terceira, onde se encontra a região vitivinícola dos Biscoitos, a introdução da vinha presume-se que terá acontecido com a chegada do primeiro capitão do Donatário Jácome de Bruges e comitiva (Sampaio, 1904). Gaspar Frutuoso refere as castas que foram introduzidas, nomeadamente Verdelho, Moscatel Mourisco e Assara(espécie de Moscatel?). "A mais antiga notícia da introdução da vinha e do aproveitamento dos terrenos designados de biscoito", na ilha de Jesus Cristo, a Terceira, é, provavelmente a que consta de «...uma carta datada de 15 de Dezembro de 1503, outorgada por Antão Martins, Capitão da Praia, em benefício do almoxarife da mesma capitania, João Ornelas da Câmara, estabelecia, como uma das obrigações, o plantio, em certo "biscoitos" de 300 bacelos, 60 amoreiras, 30 figueiras, e outros tantos marmeleiros, destinando-se o espaço restante a pastagens para o gado bovino, ovino, porcino e cavalar». «O vinho do Pico foi o vinho dos Czares, o dos Biscoitos foi o vinho das Caravelas da rota das Índias e das Especiarias. Entre os produtos essenciais ao abastecimento das armadas figurava o vinho"Verdelho". Nessa época, e ainda hoje, a maior mancha de biscoito na ilha Terceira, fica na freguesia, denominada de "Paroquial de S. Pedro do Porto da Cruz" e, também do Sr. S. Pedro do Porto da Cruz, onde morava Pero Enes do Canto, que mais tarde é designado Provedor das Armadas. É nesta nesta freguesia que ele compra uma propriedade de grande produção de vinho. Na sua qualidade de provedor das Armadas tinha o dever por obrigação da reparação e segurança das armadas, bem como o abastecimento... de vinho às naus que vinham carregadas de riquezas e especiarias.Em 1853, com o aparecimento do "burril", Uncinula nector(Svhw) a produção de vinho verdelho na ilha Terceira e nas restantes ilhas começou a decrescer bruscamente, não chegando para o consumo local. Os viticultores nada puderam fazer para impedir esta doença criptogâmica. Em 1870, uma nova praga, pelo afídeo Phylloxera vastatrix, atacou as vinhas destruindo-as de forma drástica. A área de verdelho dos Biscoitos foi praticamente eliminada. A partir dessa altura a maior parte dos viticultores começou a intensificar a casta Isabella e outros híbridos, de grande aceitação como produtor directo por ser produtiva, mais resistente às doenças e mais fácil de cultivar. Nos Biscoitos as vinhas de Verdelho ficaram praticamente abandonadas durante quase 20 anos. Ao fim deste tempo uma personalidade empreendedora e interessante, Francisco Maria Brum, mais conhecido por Chico Maria, empenhou-se na reabilitação do Verdelho dos Biscoitos, comprando muitas das vinhas abandonadas. Levou das suas vinhas do Porto Martins algumas puas de plantas de Verdelho que tinham resistido à filoxera, que não tinham sido atingidas por esta nefasta praga e posteriormente procedeu à sua propagação nos Biscoitos utilizando como porta-enxertos a Vitis rupestris.Graças ao seu empreendimento, Francisco Maria Brum, em 1890, fundou a primeira Adega Regional do seu tempo. Os resultados dos testes iniciais foram satisfatórios e a produção galopante. Em 1901, a produção traduziu-se em três pote de vinho de verdelho, no ano seguinte numa pipa. Em 1903, foram 6 pipas e meia; no ano seguinte, 11 pipas. Em 1907, a produção atingiu 29 pipas de verdelho. Na administração da Adega (Casa Agrícola Brum) sucedeu-lhe o filho Manuel Gonçalves Toledo Brum, falecido em 20 de Março de 1959, transitando a fazenda para o o seu único filho, Fernando Linhares Brum. Passando depois para o filho deste Luís Mendes Brum. Muito recentemente, 27 de Dezembro de 2007, passou para a 5ª Geração, para os filhos de Luís Brum.Neste momento nos Biscoitos(2008) apesar da predominância das castas americanas, e seus híbridos, as culturas da verdelho e de outras castas europeias, nomeadamente Terrantês, Boal, Fernão Pires continuam e estão a ser muito valorizadas.Note-se que a região vitivinícola dos Biscoitos é detentora da maior mancha contínua de Verdelho, nos Açores assim como na Macarronésia. Enquanto que nas Canárias, o Verdelho aparece como tempero na elaboração dos vinhos, nos Biscoitos fazem-se vinhos de verdelho. O Vinho Verdelho actual consta de 85% a 90% da variedade verdelho e a percentagem restante das referidas castas europeias. Nos Biscoitos o vinho de qualidade é o de Verdelho que pode ser de mesa, regional ou licoroso (IPR). Actualmente, a nível da Região Autónoma dos Açores, o vinho de Verdelho dos Biscoitos licoroso tem um lugar privilegiado, a tal ponto que muitas recepções oficiais incluem um "Biscoitos de Honra". Também tem tido assento nalguns acontecimentos solenes a nível Nacional. No Palácio de Sant'Ana no Jantar oferecido aos Reis de Espanha o brindaram com o Vinho de Verdelho Licoroso Seco Chico Maria da Casa Agrícola Brum. No Palácio de Queluz aquando do jantar de gala que antecedeu o casamento do Duques de Bragança, o vinho licoroso da Casa Agrícola Brum esteve também presente.
Em 1989 foi montado o primeiro laboratório de enologia dos Açores, na Universidade dos Açores, no Departamento de Agrárias. Foi feita uma caracterização físico-química dos vinhos do Pico e também dos Biscoitos, os resultados apontavam para vinhos que usufruíam de poucos cuidados tecnológicos. A Secretaria Regional de Agricultura de então admitiu um técnico para o vinho e outro para a vinha.E, em 1993 começou a aparecer vinhos de mesa com qualidade. O dec-lei de 25 de Janeiro de 1994, cria as Zonas Vitivinícolas, dos Biscoitos, da Graciosa e do Pico. As zonas criadas permitem o fomento e a protecção das castas tradicionais mais importantes, de modo a incrementar a genuinidade e a qualidade dos vinhos brancos. Segundo esse decreto a região dos Biscoitos foi demarcada para a produção de vinho licoroso de qualidade produzido em região determinada(VLQPRD) assim como a do Pico. A da Graciosa para a produção de VQPRD. As castas recomendadas para VLQPRD dos Biscoitos são Verdelho, Arinto e Terrantés. Como castas autorizadas, Boal, Malvasia, Sercial, Fernão Pires, Generosa e Galego-Dourado. Na laboração são seguidos os métodos e práticas enológicas tradicionais. Os mostos destinados aos vinhos de designação VLQPRD devem ter um título alcoométrico em potência mínimo natural de 12% vol. Estes vinhos só podem ser engarrafados após um estágio de 3 anos em madeira e devem apresentar um título alcoométrico volúmico total não inferior a 16% vol. O rendimento máximo por hectare é de 50hl. A genuinidade e a qualidade do vinho dos Biscoitos, bem como dos vinhos do Pico e da Graciosa, de indicação de proveniência regulamentada (IPR), passou a ser garantida pela Comissão Vitivinícola Regional dos Açores (CVRA), instalada em 1995. Esta tem também como atribuições o fomento e o controlo dos VLQPRD, dos VQPRD e dos Vinhos Regionais. A categoria de Vinho Regional dos Açores foi criada em 2005.Outro acontecimento muito significativo para o vinho dos Biscoitos teve lugar em 1990, aquando do centenário da Casa Agrícola Brum, com a criação do Museu do Vinho, que tem desempenhado um papel muito significativo na divulgação da História Vitivinícola Regional e Enoturismo. Em, 1993, foi fundada a Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos, com sede no Museu do Vinho. Esta tem como lema a defesa, promoção, valorização e divulgação do vinho verdelho dos Biscoitos e do vinho de qualidade dos Açores. A Confraria tem sido um veículo importante na divulgação dos vinhos Açorianos de qualidade a nível regional, nacional, internacional e também na preservação das vinhas dos Biscoitos inclusivamente como valor ambiental. No ano de 1997, foi criada nesta mesma freguesia uma delegação da Associação dos Jovens Enófilos, com um presença importante na divulgação do vinho dos Açores de qualidade e na preservação da paisagem da vinha.Em Novembro de 1996, foram certificados IPR o VLQPRD da Casa Agrícola Brum, com a marca Brum e o VLQPRD da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, com a marca Lagido. Em Junho desse ano havia também sido certificado o primeiro VQPRD dos Açores, com a marca Pedras Brancas, da Adega Cooperativa da Graciosa.Nos Biscoitos em 1998 foi criada uma Adega Experimental do Serviço de Desenvolvimento Agrário da Ilha Terceira. Está apetrechada com modernos equipamentos indispensáveis à tecnologias do vinho. Aqui são vinificadas as uvas provenientes das vinhas destas serviços e dos seus campos experimentais. Para além disso é também utilizada em acções de formação, informação e divulgação. Outro evento de interesse para o vinho dos Biscoitos é a Festa da Vinha e do Vinho que se realiza desde 1992, no primeiro fim-de-semana de Setembro, no Museu do Vinho da Casa Agrícola Brum. Esta festividade e é organizada pelo INATEL.Com a criação das zonas vitivinícolas, muitos dos pequenos produtores dos Biscoitos começaram também a sentir desejo de certificar os seus vinhos. Para isso teriam de criar condições nas sua Adegas, o que nem sempre tem sido fácil, dados os elevados custos do material e equipamentos. Daí um grupo de vitivinicultores se ter mobilizado no sentido da criação de uma Adega Cooperativa, que em 1999 começou a laborar um vinho branco de mesa, essencialmente à base da casta Verdelho. Esta adega começou com 26 associados e actualmente conta com cerca de 50. Comercializam o vinho de Verdelho com a marca Moledo.Todavia, cerca de 10 produtores particulares continuam a laborar os seus vinhos verdelhos de mesa nas suas respectivas adegas, o que é de louvar também. Alguns com apoio da Adega Experimental da SDAT.A Adega Pedras do Lobo labora um vinho de Verdelho, feito com as castas Verdelho Branco e Verdelho Roxo, em 1998 foi considerado um dos 10 melhores vinhos brancos nacionais.
Os vitivinicultores dos Biscoitos têm consciência que a internacionalização dos produtos cresce e as exigências do consumidor são enormes, pelo que continuam a apostar no fabrico de vinhos pelos processos artesanais, mas tecnologicamente evoluídos.
(In Bagos D'Uva)
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