É o mais antigo clube escolar dos Açores. Fundado em 1994, o Clube do Ambiente da Escola EB 2,3 Francisco Ornelas da Câmara (FOC), na Praia da Vitória, conseguiu manter-se em actividade até hoje com um número crescente de alunos empenhados na defesa e preservação da flora e avifauna naturais do arquipélago açoriano.
Reúnem-se uma vez por semana, em horário extra-escolar, e executam durante um par de horas programas elementares de educação ambiental através de documentação e vídeos temáticos. Mas as actividades do Clube do Ambiente (CA) contemplam o estudo e a descoberta das espécies que constituem a flora endémica dos Açores e a avifauna desta região em trabalhos de campo e visitas de estudo na Terceira, bem como expedições promovidas às ilhas do Pico, Faial, São Jorge e São Miguel. O seu currículo conta ainda com visitas efectuadas à Madeira (Jardim Botânico do Funchal e Floresta Laurissilva) e Parque Nacional da Peneda-Gerês, no continente.

“Preocupamo-nos com o estudo do património natural dos Açores, especialmente a flora, plantas endémicas, e avifauna. Durante as expedições e visitas de estudo registámos em fotografia centenas e centenas de espécies endémicas”, revela o responsável pelo Clube do Ambiente, ao nosso jornal, referindo que a próxima viagem será à ilha do Pico motivada pela observação de cetáceos. Sobre o imenso espólio fotográfico, Álvaro Areias acrescenta que parte desse trabalho desenvolvido no CA há 15 anos “tem sido partilhado com o Portal da Biodiversidade, da Universidade dos Açores”.
O financiamento para a realização de viagens e a compra de material de estudo é assegurado, em grande parte, através do pagamento de uma quota semanal estabelecida pelos alunos envolvidos no passeio. “Começamos a preparar em Setembro a saída de Julho ou Agosto do ano seguinte”, diz Areias, sublinhando, no entanto, que é gratuito pertencer a este clube.
Para que os alunos associados possam conhecer e reconhecer as riquezas naturais dos Açores contam pontualmente com a ajuda de Os Montanheiros e Ecoteca de Angra do Heroísmo na partilha de informação.
Outras preocupações do CA, resume o professor de História e Geografia de Portugal, passam pela teoria dos três R’s (Reduzir, Reutilizar e Reciclar), a poupança dos recursos naturais e o tema do aquecimento global. “Os alunos levam isto tudo muito a sério e acabam por influenciar pais, familiares e amigos com as questões ecológicas que aqui aprendem. O contacto com o Clube tem, portanto, um efeito multiplicador muito grande”, refere o docente.
Um considerável efeito teve também o escutismo na educação de Areias, o que o motivou anos mais tarde a fundar o CA em conjunto com o professor João Paulo Rodrigues actualmente retirado do grupo. “O facto de ter frequentado o grupo de escuteiros [da Agualva] desde criança moldou-me e fez-me ficar mais sensível à protecção do meio ambiente”, justifica o responsável.
Costa das Quatro Ribeiras em desdobrávelA flora e avifauna da costa das Quatro Ribeiras, freguesia do concelho da Praia da Vitória, serão tema de estudo do CA a apresentar em desdobrável de quatro páginas com texto, fotografias e mapas.
“O trabalho de campo nessa zona protegida está concluído e os textos estão em parte escritos. Falta apenas pedir a um especialista na área para fazer a revisão da matéria”, adianta o responsável pelo grupo, acrescentando que esperam finalizar o projecto ainda este ano.
Segundo Areias, o objectivo do desdobrável, aliás, é “criar um instrumento formativo/informativo para colocar à disposição das entidades que estão à frente das localidades em causa”. O próximo passo é conseguir apoio financeiro.
Neste contexto, o referido trabalho está a ser desenvolvido à semelhança do que foi feito sobre a costa da Urzelina, em São Jorge, resultado da estadia de uma semana naquela ilha. No entanto, apesar do empenho e dedicação do CA, o desdobrável não está disponível por falta de financiamento. “O trabalho está pronto a imprimir. Aguardamos, entretanto, o contacto da Junta de Freguesia da Urzelina que prometeu colaborar connosco”, revela o docente.
Este género de produção e edição não se mostram novidade para as duas dezenas e meia de membros do CA, rapazes e raparigas do 5º ao 9º ano de escolaridade, um grupo associativo que já produziu e editou outros dois desdobráveis. Nos anos de 2001 e 2003 foram apresentados respectivamente “A Flora e Avifauna da Costa do Porto Martins”, na ilha Terceira, e “A Flora e Avifauna da Fajã das Almas”, em São Jorge.
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In Sónia Bettencourt s
mailto:sonia@auniao.com em A União)