quinta-feira, abril 09, 2009

Universidade dos Açores com 700 alunos maiores de 23 anos

Dos pouco mais de 3 mil alunos que frequentam a Universidade dos Açores, 700 ingressaram através do programa de acesso para maiores de 23 anos, que está em funcionamento desde 2006. O pró-reitor para a Tecnologia e Ensino enaltece o programa, mas reconhece algumas fragilidades.
Durante todo o mês de Abril, estão abertas as inscrições para as provas de acesso à universidade para maiores de 23 anos, programa que permite o ingresso no ensino superior a quem não tenha concluído o 12º ano de escolaridade. Segundo José Azevedo, pró-reitor da Universidade dos Açores para a Tecnologia e Ensino, o programa é de extrema importância quer para os alunos que entram por esta via, quer para a universidade.
Em funcionamento desde 2006, o programa de acesso à universidade para maiores de 23 anos permitiu a entrada de cerca de 700 pessoas na Universidade dos Açores que, de outra forma, não o conseguiriam. Um número que José Azevedo considera "muito significativo para o universo de pouco mais de 3 mil alunos" da academia açoriana.
Embora no primeiro ano tenham ingressado na Universidade dos Açores menos de 200 alunos por esta via, levando os responsáveis a pensar que o número iria diminuir nos anos seguintes, em 2007 e 2008, entraram 257 e 252 alunos, respectivamente.
O curso de Relações Públicas e Comunicação é o recordista no que diz respeito à procura dos alunos que ingressam na Universidade dos Açores por esta via, contando com cerca de 103 matrículas ao longo dos três anos. Depois aparecem os cursos de Sociologia (84), Educação Básica (70), Estudos Europeus e Política Internacional (57), e ainda o curso de Gestão (54).
Segundo o pró-reitor para a Tecnologia e Ensino, "o programa é muito positivo para todos os intervenientes": para as pessoas, porque cumpre um papel social, permitindo uma aprendizagem ao longo da vida a quem não teve oportunidade quando era mais novo; e para a universidade porque estas pessoas vêm completar as vagas disponibilizadas pela instituição, o que significa também uma maior fonte de financiamento, que potencia um melhor desempenho das funções da academia.
No entanto, nem tudo é positivo e José Azevedo reconhece que "o ingresso destes alunos traz desafios": a maioria são trabalhadores estudantes, "o que obriga os professores, individualmente, a adequarem metodologias".
Para além disso, é necessário criar condições para que existam aulas em horário pós-laboral, o que "em alguns cursos é mais fácil do que noutros", refere, reconhecendo que "ainda há muito a fazer nesta área".
A mudança de aulas para o período pós-laboral, que dá origem a horários desequilibrados é, de facto, uma crítica frequente dos alunos que ingressam na universidade pela via regular.
No entanto, José Azevedo explica que depois de se matricularem, "não interessa por que via se entrou na universidade, todos têm os mesmo direitos e deveres".
Questionado sobre o nível de exigência dos exames de acesso, muitas vezes posto em causa, o responsável pelo programa garante que a informação disponível "mostra que as pessoas que conseguem acesso à universidade através do programa para maiores de 23 anos, não são, em média, nem melhores nem piores do que os alunos da via regular", o que "assegura que as provas estão bem feitas".
Para além disso, embora "o exame não pretenda ser eliminatório", em média, pouco menos de metade dos candidatos não obtém aproveitamento positivo nos exames.
(In João Cordeiro-Açoriano Oriental)

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domingo, dezembro 21, 2008

Docentes trabalham de forma 100% electrónica

Aumento da produtividade e transparência são, diz José Azevedo, pró-reitor para a Ciência e Tecnologia da Universidade dos Açores, reflexos positivos do e-learning.
O projecto “Universidade Digital”, que contou com o apoio do Governo Regional em 2,4 milhões de euros, prevê a criação de estruturas de assistência técnica às ferramentas e tecnologias utilizadas (service desk). Como tal, a Universidade dos Açores está a proceder a uma modernização e reformulação de todos os processos administrativos através da implementação de um sistema de escritório electrónico. “Estamos a trabalhar em formato 100% electrónico”, diz José Azevedo, pró-reitor para a Ciência e Tecnologia da Universidade dos Açores. Um despacho do reitor, em 2007, indicava que toda a tramitação de documentos no interior da instituição académica passaria a ser por via electrónica, “algo que revolucionou todos os procedimentos”. Assim, todos os documentos que dão entrada na Universidade dos Açores são digitalizados e posteriormente arquivados. Para José Azevedo, a adopção deste sistema produz muitas vantagens. “Este sistema de documentação via electrónica traduz-se numa redução de custos e num gigantesco aumento de produtividade, pois os processos correm muito mais depressa”. A transparência é outra das grandes vantagens deste processo, pois assim que o documento dá entrada no sistema é possível acompanhar todo o processo. “O sistema permite que todos os funcionários e docentes tenham este acesso”. Adicionalmente, o sistema agora implementado vai facilitar a consulta do arquivo dos serviços de documentação, agilizar os processos de registo, tratamento e controlo dos pedidos dos alunos e aumentar as funcionalidades de pesquisa e consulta de dados. E constitui mais uma forma de combate à tripolaridade. “Há sempre necessidade de circular documentos entre os pólos e, na sua maioria, esta era feita via correio”. Inclusive, dentro do próprio pólo de Ponta Delgada a circulação de documentos era morosa. “Quando um departamento precisava de enviar algum documento à Reitoria para autorização, este processo levava cerca de três dias para um despacho agora feito em três minutos”. E a adaptação e aceitação dos funcionários não poderia ser melhor. “Temos um grande esforço de formação e as coisas estão a correr bem. Houve uma adesão entusiástica a este sistema, porque identificaram as vantagens”. Para facilitar a gestão financeira da Universidade dos Açores e a sua eficiência, foi adquirido, estando em fase de experimentação, o Primavera, “que vai permitir à universidade dar um grande passo em termos de contabilidade”. Este sistema de contabilidade analítica permite, para além de um maior e mais cuidado controlo das contas da instituição, uma melhor atribuição de verbas para os projectos. “É importante atribuir orçamentos a determinados projectos e funções da Universidade açoriana por facilitar o cálculo do valor que determinado projecto gastou e encontrar as respectivas facturas”.Para o pró-reitor para a Ciência e Tecnologia esta “é uma área em que estamos a evoluir. Prevê-se que dentro de um ano ou dois esteja implementado".
Tripolaridade poderá já não ser um problema

Aquando da apresentação do projecto “Universidade Digital”, João Luís Gaspar, ex-director regional da Ciência e Tecnologia, afirmou que "este é o tipo de investimento orientado para reformas estruturais profundas que a UAç necessita, dado que permite aos órgãos de gestão da instituição adoptar medidas concretas para rentabilizar recursos e reduzir despesas". De acordo com João Luís Gaspar, o projecto deverá servir para quebrar a barreira da tripolaridade que, na sua opinião, é frequentemente culpabilizada para justificar custos."Num mundo global, onde as tecnologias permitem vencer distâncias e o trabalho é realizado em rede com base em nós virtuais, a Universidade tem de mudar de paradigma e deixar de olhar para a tripolaridade como a razãodos seus insucessos", referiu.
(In BRUNO SARMENTO MELOcorreio@expressodasnove.pt Expresso das Nove)

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sábado, novembro 01, 2008

Videoconferência foi um avanço importante no ensino

José Azevedo*

A escrita foi a primeira tecnologia de ensino à distância. Desde que há livros, que as pessoas podem aprender sem serem pessoalmente ensinadas por outras. Existem, no entanto, componentes do ensino que são mais difíceis na ausência de interacção com um professor e esta sempre esteve presente em formas de ensino à distância, como os cursos por correspondência ou a Tele-Escola. Mas se o ensino à distância antecede a generalização das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), acrescentam estas algo de novo ou constituem, pelo contrário, uma forma nova de fazer a mesma coisa? Penso que as TICs, através do e-learning, trouxeram, de facto, uma alteração radical ao ensino à distância, e por duas razões principais. As actividades de aprendizagem podem ser muito mais diversificadas: para além dos textos, o som, as imagens e o vídeo podem ser mobilizadas de uma forma criativa e de bom efeito pedagógico. O estudante tem a oportunidade de interagir com os conteúdos, pode trabalhar em rede com colegas e formadores, pode expressar-se de outras formas para além da escrita. Mobiliza assim as várias dimensões do processo cognitivo, da memorização à aplicação e à criação. Por outro lado, a interacção com o professor, que se viu ser importante em muitos contextos, tornou-se mais rápida, mais fácil e, sobretudo, mais completa. Existe hoje, de facto, ao dispor dos educadores, uma panóplia de ferramentas que permite praticamente anular o efeito da distância: os estudantes podem trabalhar online sobre um mesmo documento através, por exemplo, de um wiki; podem trocar impressões escritas através de fóruns de discussão electrónicos, os quais podem, ainda, servir para esclarecer dúvidas e programar actividades; podem expressar-se através de blogues, abrindo-se deste modo também ao diálogo com o mundo real. Mas o avanço mais importante na tecnologia aplicada à educação é o da videoconferência. Esta pode ser baseada em equipamentos dedicados, embora o preço destes os coloque apenas ao alcance de utilizadores institucionais. Este tipo de videoconferência implica a deslocação dos estudantes para salas especiais de onde se faz a transmissão, mas possibilita ter aulas interactivas com participantes separados geograficamente. A democratização da videoconferência, no entanto, está a ser feita pelos sistemas de desktop, que permitem transformar qualquer computador pessoal num sistema de comunicação com áudio e vídeo. Das funcionalidades mais limitadas da comunicação pessoa a pessoa de aplicações como o MSN ou o Skype passou-se à criação de salas virtuais, onde várias pessoas podem ver-se e falar umas com as outras. Estas salas têm ainda o equipamento normal numa sala real, como um quadro branco, onde os participantes podem escrever, e o equivalente a um projector de vídeo, no qual podem passar apresentações ou fazer a partilha de ecrã. Estas salas podem, também, ser usadas para trabalhos de grupo, eliminando a necessidade da presença física dos colegas e rentabilizando o tempo de todos. A utilização deste tipo de tecnologias é de particular relevância numa região insular como os Açores, sobretudo no actual contexto de aprendizagem ao longo da vida. Requer-se hoje de uma universidade a formação inicial de um público jovem e com maior mobilidade, mas que também atenda à reconversão/actualização profissional de um público trabalhador e aos interesses culturais do público sénior. Ora estas últimas classes de estudantes têm menor mobilidade e menor disponibilidade de tempo. O e-learning constitui a única forma de proporcionar formação que seja independente da localização geográfica dos estudantes e que permita a estes uma maior flexibilidade na gestão do seu tempo de estudo. A Universidade dos Açores preparou-se para este desafio através de um conjunto de investimentos onde avulta o projecto "Universidade Digital", possuindo hoje uma infra-estrutura tecnológica capaz de suportar os projectos mais arrojados. Dotada de um sistema de gestão da aprendizagem integrado com a área académica e de várias salas de videoconferência espalhadas por três ilhas, é possível já hoje leccionar vários cursos à distância, particularmente ao nível de pós-gradua- ção. O futuro próximo trará mais desenvolvimentos a este nível, prevendo-se, para breve, por exemplo, o arranque do ensino à distância a nível das licenciaturas.
Mais informação em http://www.uac.pt

*Pró Reitor para Tecnologia e Ensino da Universidade dos Açores

(In Expresso das Nove)

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