domingo, maio 10, 2009

A sorte de varas

Tomaz Dentinho
O debate sobre a reintrodução da sorte de varas nos Açores tem ocupado uma boa parte das notícias e comentários na comunicação social dos Açores e do Continente. Uns são a favor e outros contra e quase todos apresentam razões respeitáveis que merecem leitura e ponderação por parte de quem decide. O espanto é que, salvo raras excepções, os deputados não manifestam a sua opinião na comunicação social preferindo fazê-lo para Assembleias de Apoiantes; e é assim nunca o saberemos o que votam e porque o fazem. Mais grave é que, para ultrapassar este secretismo medroso, os líderes partidários deram a liberdade de voto invocando eventuais razões de consciência. Como se todas as razões não fossem de consciência e como se pudesse haver algum fundamento racional de uma decisão pública de um representante que não devesse ser clarificada aos representados. E é assim que registamos um conjunto de gente boa que apresenta as suas razões a favor e contra a sorte de varas, e um conjunto de representantes que por medo de explicitarem votos ou por preguiça de buscarem razões que os fundamentem, se limitam a dizer aqui o que escondem ali ou, quem sabe, a dizerem uma coisa aqui e outra acolá, conforme o ouvinte.
A reintrodução da sorte de varas nos Açores tem efeitos privados, que interferem apenas com os que oferecem e procuram o espectáculo, e tem porventura efeitos públicos pois caso contrário não havia grande necessidade de intervenção e debate público.Os que são a favor argumentam que as varas são o primeiro instrumento da lide de gado bravo no campo, não só para a sua selecção mas também para o seu maneio; referem que a transposição dessa lide para os espectáculos de Praça é consistente com todas as outras formas de arte que tentam sublimar aquilo que é a vida quotidiana dos povos; continuam justificando que a sorte de varas melhora a qualidade artística do toureio apeado; e terminam dizendo que a tauromaquia tem um papel fundamental na educação das pessoas não só porque as interliga com o campo mas também porque lhes estimula virtudes de coragem, amizade e frontalidade.É natural que quem não tenha ligação à lide de gado bravo no campo veja as corridas de touros como um espectáculo bárbaro semelhante ao de um circo. Pode também acontecer que certos idealismos possam querer sonhar e querer impor um mundo onde a ligação com o campo e com o meio ambiente é feito de forma asséptica ficando todos os processos de vida e de morte abstraídos num qualquer modelo científico. Não é também improvável que alguns espectadores disfuncionais prefiram ver mais o sofrimento do animal do que entenderem a vida do touro. É finalmente possível existir um ou outro estrangeirado que em vez de perceber a diversidade e riqueza das tauromaquias opte por uma visão redutora da relação do homem com o campo, advogando a superioridade do toureio apeado.Seja como for julgo que, embora não seja possível perceber e respeitar a tauromaquia sem entender a relação do homem com o campo, não creio que seja aceitável que quem não percebe e respeite essa actividade possa negar aos outros aquela ligação nas suas diversidades de espectáculo. Em suma, mesmo os que estão contra devem ponderar se têm o direito de negar aos outros uma actividade que não percebem e, porventura, não respeitam.
(in A União)

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quarta-feira, abril 22, 2009

Conferência: Ciência e Preconceito

23 de Abril de 2009 – 9h00 - Auditório do Pico da Urze-Angra do Heroísmo
Título da Conferência (em painel): Ciência e Preconceito
Autores: Maria Lúcia Pessoa Sampaio1 & João Pedro Barreiros2
Instituições: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/CAMEAM/Depto de Educação/PPGL/GEPPE – Brasil1 e Universidade dos Açores, Depto. Ciências Agrárias e ImarAçores/Angra do Heroísmo, Portugal2
Moderador: Professor Doutor Luís Soto
Resumo
O acto científico, muitas vezes, esbarra ou entra em conflito, legal ou outros, com preconceitos de várias ordens, sejam elas morais, éticas, pessoais, dentre outros, o que vem justificar a nossa pretensão de debater sobre Ciência e Preconceito, a partir da visão de dois profissionais, advindos de áreas distintas como Pedagogia e Biologia. Do ponto de vista do Biólogo, a discussão abrange aspectos actuais de conflito preconceituoso e ético na esfera de um processo de globalização também descrito como "politicamente correcto", do qual pelo menos três pontos estarão em discussão: a) tauromaquia; b) caça terrestre e submarina e c) espécies emblemáticas e conservação. Outro aspecto a debater parte de uma generalização/banalização de termos que induz em erro.
Para tal, questões como: i) aquecimento e /ou mudanças globais; ii) ecologia versus ecologismo/ambientalismo e iii) biodiversidade e riqueza de espécies. Do ponto de vista do Pedagogo, a discusão sobre Ciência e Preconceito será abordada mediante dilemas e perspectivas de várias ordens que vai desde a construção do próprio conceito de Ciência, envolvendo a complexa relação entre professor-pesquisador, a ética na pesquisa, a formação e a prática docente e seus desdobramentos para a investigação. Aspectos dessa natureza repercurtem diretamente em movimento como o FIPED, em função do alto preconceito ainda existente com a área humanística, tendo-se como consequência o ínfimo investimento em Ciência voltada para os cursos de formação de professores (graduação). Acreditamos que o debate acerca dos posicionamentos dessas idéias se constituem temas actuais a confrontar num evento com as características do II FIPED.

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terça-feira, abril 21, 2009

Recados com Amor

Meus queridos! As águas andam revoltas e não dão sossego ao governo do meu rico Presidente César sobre o intrincado processo dos barcos da AtlanticoLine. Mas tão revoltas estão as águas que ameaçam transformar-se em tempestade nacional, com o “Anticiclone” já a pregar das suas……, mesmo ainda só em casco e o governo do camarada Sócrates a mandar fazer um inquérito sobre a nega dada ao Atlântida... A minha prima da Rua do Poço, que de barcos só sabe e recorda com saudade os de pesca que paravam no ancoradouro da Calheta, quando ouviu a notícia de que o Anticiclone para ter estabilidade precisava crescer dos 60 para os 70 metros, quer agora saber, como é que com o casco já feito, segundo dizem os estaleiros, se vai cumprir o que o Instituto Marítimo quer que é aumentar o tamanho do barco. Também não se percebe o que é que querem autarcas e partidos do Continente quando condenam o Governo do meu querido presidente César por ter recusado o lento Atlântida. Então, para salvar os estaleiros, querem amarrar os Açores a um barco que anda a passo de caracol e que teve de ser adaptado para se aguentar nas ondas? Mas já agora eu sempre gostava de conhecer quem foram os olheiros do governo , mandados por Carlos César para acompanhamento do projecto do Atlântida feito na Rússia, e depois quem acompanhou a sua execução nos Estaleiros de Viana… para que eu nunca recomende semelhante gente.. a qualquer amiga minha… Se fosse noutros tempos já havia inquéritos e mais inquéritos para avaliar a capacidade técnica dos intervenientes… Agora vivemos no mundo do amiguismo e onde tudo é consentido e perdoado… Ricos! O meu querido presidente César, na inauguração de uma estrada em São Carlos na Terceira, disse alto e bom som que vai continuar a apostar no investimento público para garantir emprego na Região, o que até acho muito bem. Mas, com aquele jeito de deputado da Oposição que nunca chegou a perder, atirou-se aos jornalistas que falam como “Velhos do Restelo”…Estou mesmo a ver que o meu querido César preferia que todos os jornalistas falassem da “Barbie” cor-de-rosa. Era muito mais simpático, e não interessa nada que haja quem passe fome, quem procura tudo quanto é sítio para pagar o que deve e ter umas migalhas para comer e que tem as empresas e o coração sempre nas mãos com falta de clientes e de pagamentos. Se isto é ser “velho do Restelo”, que se transforme Sant’Ana em Santa Isabel que transformou o pão em rosas. Para quem sofre, para o pessoal da primeira capital da ilha que viu as casas a explodir e ainda não tem solução, e para muito mais…que venham muitos “Velhos do Restelo”… Meus queridos! Quero mandar daqui um ternurento beijinho a todos quantos fazem parte e colaboram na paróquia dos Milagres dos Arrifes que esta semana completou 50 anos de existência, graças ao sempre saudoso padre Manuel Falcão que veio de São Sebastião da Terceira e conseguiu fazer com que aquele lugar se tornasse naquilo que é hoje. Disse-me a minha prima Maria, da Piedade, que o que mais gostou, nos discursos da hora da “janta” foi do meu querido Secretário Contente quando disse, entusiasmado que, “no reino de César”, nunca iam faltar apoios à Igreja. Ali…diante do Bispo e tudo…A minha prima rematou logo: o “reino de Deus agradece”… Mas que mistura, laica, republicana e socialista…. Ricos! Se há algum partido que tem lutado contra a fuga aos impostos, o PCP é um deles e honra lhe seja feita. Só não percebo é por que motivo, na sede deste mesmo Partido em Lisboa, haja um espaço de vender “souvenirs” – e que, para além de não ter multibanco, o que não é obrigatório, também não passa facturas, o que é obrigatório. A minha prima Jardelina foi lá comprar um CD infantil e acabou por trazer apenas o talão de caixa e fazer o pagamento em notas…Sempre é mais seguro e de efeito imediato. E dizem que estão com o povo… Meus queridos! A Rua dos Mercadores está tão riquinha que até está a gerar uma grande discussão sobre se ali hão-de passar, ou não, popós todos os dias. Como em tudo, as opiniões dividem-se e eu que passo ali muitas vezes, com o meu velho “boguinhas” também me acho com direito de pôr uma colherada. Por mim, aquela rua deve continuar com trânsito com velocidade limitada a 30 quilómetros e estacionamento proibido, a não ser para cargas e descargas, em horas a determinar. Coloquem lá uma das máquinas que fotografam os popós a partir de certa velocidade, e vão ver se resulta ou não… Meus queridos! O que se passa neste País e nesta Região é de bradar aos céus. A crise de autoridade atingiu níveis nunca dantes sonhados. E o pior é quando o exemplo vem “de cima”. O que se passou com o desrespeito para com a lei vigente, num recinto público, com a presença de representantes eleitos do povo, com transmissão televisiva, comentários dos próprios promotores da prática, no mínimo ilegal, do “evento” não lembra ao diabo. Já todos os meus queridos leitores descobriram que falo, indignada, da tourada picada que se verificou na praça de toiros de Angra. Mas onde está o Ministério Público? Ninguém vai ser chamado à Justiça? Faz-se tudo o que se quer e ninguém é responsabilizado? Como é possível estarem deputados (segundo afirmou uma associação de defesa dos animais) a presenciar tal prática? Lembram-se da grande bronca que deu a presença do então secretário regional Adolfo Lima num tentadero particular em que tal prática teve lugar? Agora a Justiça nada tem a dizer? A Justiça é mesmo cega? E já agora: a tourada picada contribui para o desenvolvimento dos Açores e a felicidade do seu povo? Já que estou com a mão na massa, gostaria de saber se, como diz a tal associação, a Universidade dos Açores teve alguma coisinha a ver com a promoção do evento ou se, como é prática normal, as instalações foram pura e simplesmente alugadas pelo preço corrente no mercado…. É que se a Universidade foi promotora é uma acção escandalosa e reprovável… Ricos! A minha insubstituível prima Laurentina, que me encheu os ouvidos danada com os arranjos na Rua do Laureano, está agora radiante. A Presidente do Municipio foi em pessoa falar com os moradores daquela populosa rua, acompanhada dos seus engenheiros da Câmara, e do empreiteiro . Com toda a gente no local, logo ali foi encontrada uma solução equilibrada, para gáudio de todos os interessados, numa prática de presidência dialogante que ficou bem a quem a promoveu… . A minha prima Laurentina teceu loas também à empresa que está a fazer a obra de saneamento básico, sem esquecer os trabalhadores, que combinam a delicadeza com o bem fazer. José Contente não pára em galho verde…Anda de um lado para o outro e não perde tudo o que é “evento”. Desta feita, na inauguração de uma cervejaria nas Portas do Mar marcou presença, supõe-se que oficial. Se os menos entendidos nestas coisas da política esperavam ter a companhia do secretário da Economia, enganaram-se. Esteve lá o secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos! E a televisão não se fez rogada: deu-lhe espaço e visibilidade suficiente… Este frenesim aparecimental (usando terminologia de tipo governamental) parece trazer água no bico… Que se cuidem os outros pretendentes!!! Ricos! As eleições na Câmara do Comércio estão para dar e durar. Tem havido de tudo um pouco e só espero que as fracturas que vão ficando não sejam piores do que aquilo que se imagina. Há “bocas” de mal-estar entre apoiantes das duas listas e fala-se até de pressões que aqui nem vou dizer ... Para quem diz que estas eleições não eram políticas…vou ali e já venho, mas sei que a procissão está no adro… Se eu tivesse encabeçado uma lista para aquela Associação e o resultado tivesse sido aquele a que se assiste, com suspeições e ameaças, juro que não tomaria posse do lugar. Queria novas eleições para que tudo fosse cristalino como a água. O veneno que está no ar pode matar a Instituição…..



(In Correio dos Açores)


Nota- A Universidade não organizou esse debate, apenas decorreu nas suas instalações, mas se o tivesse feito, é de debates que ela vive. Não é crime discutir a existência ou não de touradas, num debate que se quer plural.

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domingo, abril 12, 2009

A conferência da Sorte de Varas

No passado dia 4 de Abril realizou-se no auditório da Universidade dos Açores uma conferência subordinada ao tema "A Importância da Sorte de Varas" organizada pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Com a casa repleta de aficionados abriu praça o Presidente da Direcção da T.T.T. Arlindo Teles defendendo a importância e posição da Ilha Terceira no contexto tauromáquico universal. O estudo de Juan Carlos Illera foi frisado como de primordial importância para a desmistificação, através da ciência, relativamente á dor sentida pelo toiro, dor esta infringida pela puía e anulada nos três segundos subsequentes. Esclareceu o impacto da introdução da sorte de varas como um melhoramento do espectáculo taurino criando uma mais valia para a promoção turística desta ilha. Defendeu acima de tudo o direito à diferença e o respeito às minorias.
Assistimos em seguida a uma excelente apresentação do jornalista e apresentador do programa televisivo Extremadura Tierra de Toros, Antonio Castañares, intitulada “La Suerte de Varas: Pilar fundamental del arte del toreo.”, onde mostrou aos presentes a evolução da sorte de varas desde os varilargueros do século dezassete aos picadores de hoje em dia. Mostrou através de fotografias a evolução do peito do cavalo e na forma de picar com a evolução do toureio de capote e de muleta.

O segundo orador da noite foi o conhecido criador de toiros, proprietário da ganadaria Palha, João Folque de Mendonça, que começou por frisar que já tinha participado este ano em cerca de vinte conferências e que nunca tinha visto tantos jovens como aqueles que estavam presentes no auditório da UA. O criador, como gostem que lhe chamem, começou por afirmar que a festa dos toiros é um ritual que se perde nos tempos e que este em Portugal se tornou amputado e esvaziado, essencialmente pelo impedimento da realização da sorte de varas.Disse que é proibido proibir, que todos nós temos direito a viver a nossa cultura, e que ele tem o direito de ver na sua plenitude as tradições que lhes foram transmitidas por seus pais.Comparou um campo pelado com um campo relvado e comparou-os com a existência ou não da sorte de varas, a imagem fala por si e tem lógica. Uma equipa que joga num campo pelado e que depois lhe coloquem um piso relvado o aumento da qualidade do jogo aumenta exponencialmente, o mesmo acontecendo com a sorte de varas.Gomez Escorial falou de si, mostrou-se enamorado pela ilha e pelas suas gentes, que nutrem um sentimento único e especial pela festa brava e que nós como aficionados que somos não merecemos uma festa limitada mas sim uma festa na sua plenitude.Rafael Trancas picador de renome mostro-nos que quando a sorte de varas é bem executada todos os intervenientes no espectáculo triunfam, sem um bom primeiro tércio dificilmente se cortam orelhas.Depois das intervenções dos palestrantes decorreu um colóquio com várias intervenções de grande interesse. Tiveram palavra aficionados, deputados, ganadeiros, numa troca de palavras e conhecimentos que foram importantes no esclarecimento e desmistificação da sorte de varas.
Enfim uma conferencia produtiva e de muito interesse que esclareceu aficionados e outros menos esclarecidos. De parabéns está a Tertúlia Tauromáquica Terceirense por este dia intenso de protecção e elevação da arte taurina na Ilha de Jesus Cristo.
(In Duarte Bettencourt - Terceira Taurina)

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sábado, abril 11, 2009

ANIMAL acusa TTT de infracção à lei

A associação de defesa dos animais, “ANIMAL”, acusa a Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT) de ter promovido uma tenta ilegal na Praça de Toiros da Ilha Terceira no passado sábado. Afirma que deputados regionais foram coniventes com a ilegalidade ao estarem presentes naquele recinto. E critica as autoridades por, perante o anúncio público do evento, não o terem impedido.
No passado sábado, a TTT promoveu uma tenta comentada e um colóquio sobre a sorte de varas, no âmbito de uma sessão de esclarecimento sobre esta prática taurina.
Em declarações à Antena 1 Açores, Miguel Moutinho, da “ANIMAL”, argumenta que a sorte de varas está proibida em Portugal e que a sua utilização nesta tenta pública infringe essa legislação, aprovada em 2002.
“Esta tenta não aconteceu num contexto privado de uma ganadaria, ou no contexto privado de um exercício de toureio, aconteceu como espectáculo público. E isso está proibido por lei”, alega o responsável pela “ANIMAL”.
“Estiveram presentes deputados da Assembleia Legislativa dos Açores, que têm esta intenção de legalizar a sorte de varas na Região, o que significa que estiveram presentes neste acto legisladores num evento ilícito a defender a mudança de estatuto de ilicitude deste evento para um estatuto de licito. Portanto, é o reconhecimento acabado de que o que ali estava a acontecer era ilegal”, sublinha.
No entanto, a associação de defesa dos animais não vai apresentar queixa junto das autoridades.
“Fazer queixa de algo ilícito, que aconteceu com o conhecimento de todos, e que, ainda por cima, teve a participação de deputados da Assembleia Legislativa dos Açores, é bastante inútil, porque, claramente, as autoridades não quiseram saber disto para nada, como, de resto, habitualmente o fazem nesta matéria”, explica.

“Vergonhoso”

Para o responsável da “ANIMAL”, a realização da tenta comentada é “vergonhosa”.
“É absolutamente vergonhoso que este evento tenha decorrido. Que as autoridades tenham sabido dele sem o tentarem impedir de todo. Que, além do mais, tenha sido promovido em conjunto com a Universidade dos Açores, num evento vergonhoso que nada teve de científico ou de académico”, diz.
Para Miguel Moutinho, a legalização da sorte de varas nos Açores não é um anseio da população, mas sim o desejo de um pequeno grupo de aficionados.
“Há ali um pólo de gente que tem algum poder politico e que está a tentar levar os seus gostos pessoais, sádicos e doentios, por diante”, argumenta.
Tudo legal
Para o presidente da TTT, a tenta comentada que antecedeu o debate sobre a sorte de varas no último sábado não infringiu a lei.Em declarações ao DI, Arlindo Teles explicou que o evento se insere na pedagogia que a Tertúlia tem vindo a promover para esclarecer os terceirenses sobre as corridas de toiros e, em particular, a importância da sorte de varas.“Há cinco anos que promovemos tentas comentadas. Esta foi mais uma. Não houve aqui qualquer violação da lei. Aliás, na feira do Toiro e do Cavalo, promovida por entidades públicas, também decorreu uma tenta comentada”, adianta.“O responsável por aquela associação recorre a linguagem incendiária para defender a sua causa, desconhecendo os factos. Além disso, recorre a uma falácia, dizendo que a reintrodução da sorte de varas vai afectar o turismo nos Açores, quando, segundo dados oficiais, a sua existência em França e em Espanha não retirou a estes países o primeiro e o terceiro lugar na tabela dos principais destinos turísticos mundiais”, argumenta Arlindo Teles.Quanto à presença de deputados na tenta comentada, o presidente da TTT diz que esse facto “revela que os parlamentares procuram esclarecimentos sobre o assunto e perceberam a importância da reposição da lei”.

Na mão dos deputados

A sorte de varas foi ilegalizada em Portugal em 2002. Nesse ano, após a decisão legislativa, a Assembleia Regional aprovou um decreto regional que mantinha a prática no arquipélago. No entanto, a norma foi vetado pelo Ministro da República para os Açores. Sampaio da Nóvoa voltou a impedir a publicação da legislação regional no ano seguinte, depois desta ter sido reconfirmada pelo parlamento açoriano. No Fórum Mundial da Cultura Taurina, Álvaro Monjardino, explicou que o novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores permite que o parlamento regional legalize a sorte de varas. O assunto está, agora, nas mãos dos deputados açorianos. Ontem, na Imprensa, PS e PP assumiam a possível “liberdade de voto” dos seus deputados nesta matéria. O PCP e o BE já anunciaram votar contra. O deputado do PPM manifestou o apoio à legalização do 1º tércio e o PSD ainda não se pronunciou.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, abril 09, 2009

Defensores da sorte de varas dizem que o touro não sente a dor (vídeo)

Os defensores da sorte de varas apresentaram em Angra do Heroísmo um estudo do Departamento de Fisiologia Animal da Universidade de Madrid que sustenta que o toiro não sente a dor quando é picado.
"O toiro tem uma capacidade natural de produção de endorfinas que bloqueiam os receptores de dor do cérebro", disse José Parreira, da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.Este entidade organizou no último fim-de-semana um colóquio para esplanar os seus pontos de vista sobre a reintrodução da sorte de varas nas corridas de toiros na ilha Terceira.Esta prática existiu durante alguns anos, mas acabou por ser proibida.A Assembleia Legislativa Regional dos Açores tentou, em 2002, legislar sobre a matéria, acabando por ver a lei, aprovado por uma maioria de dois terços dos deputados, bloqueada pelo então Ministro da República, Sampaio da Nóvoa.Agora, com o novo Estatuto Político dos Açores, o parlamento açoriano tem poderes para regular o assunto e há deputados interessados em apresentar um projecto de lei.Os amigos dos animais contestam o movimento que reivindica a reintrodução da sorte de varas na ilha Terceira.
(Reportagem vídeo: Francisco Faria - RTP Açores)


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quarta-feira, abril 08, 2009

SORTE DE VARAS Para "el toreo de cante grande!"

A jornada de promoção da importância da Sorte de Varas atingiu os objectivos propostos e desejados pela organização da Tertúlia Tauromáquica Terceirense: a Tenta Comentada na Praça de Toiros Ilha Terceira contou com a presença de duas ou três centenas de aficionados e, à noite, o Auditório da Universidade dos Açores/Pólo da Terceira ficou a “rebentar pelas costuras”, tal a afluência de interessados nas palavras, afirmações e explicações ali transmitidas pelo saber e experiência de António Castañares, escritor e jornalista, João Folque de Mendonça, ganadeiro/criador de toiros, Rafael Trancas, picador, e Gomez Escorial, matador de toiros.
Arlindo Teles, presidente da TTT, situou neste tempo de contestação à Festa dos Toiros a necessidade da iniciativa para uma cabal percepção e defesa do que verdadeiramente está em causa com a mais que provável legalização da Sorte de Varas pelo parlamento dos Açores, abrindo a conferência que prendeu até depois da meia noite as atenções duma plateia ávida de argumentos para cimentar, se tal era preciso, a convicção de que a Festa na Região apenas será grande se puder, efectivamente e à luz da lei e do direito, dispor do instrumento “medidor” da justeza da selecção nas explorações de criação de bravo e, nas praças, revelador da autêntica casta, bravura e qualidade do toiro num ritual - o toureio - que se exige de profundidade e entrega, de parte a parte.

António Castañares recuou no tempo para a perspectiva histórica da Sorte de Varas e a natural evolução do tércio ao longo dos últimos quatro séculos.
Passo a passo, até chegar ao que hoje é a sorte de picar, o escritor espanhol deixou claro que apenas com as varas se atinge o “toreo de cante grande”, afinal o que milhões de aficionados nas praças de todo o mundo procuram e esperam de cada vez que ocupam os lugares nos tendidos.
Na sequência lógica do pensamento e convicções expressas por Castañares, Gomez Escorial, matador de toiros, afiançou que a Sorte de Varas é, afinal, a essência do toureio.
Toda a faena é baseada no acerto dos puyazos concretizados pelo picador. Se porventura o tércio não cumpre, a faena não passará dum sacar de passes, com maior ou menor técnica, com maior ou menor ilusão de beleza e espectáculo, perante um animal que pouco ou nada transmite e exige do toureiro e, logo, não aquece a alma do aficionado, nem entusiasma o espectador.
Rafael Trancas “saiu à praça” para falar do quão difícil é a arte de picar toiros, função onde há que dominar, simultaneamente, o cavalo, o toiro e a vara.
Para o mais requisitado picador português, a selecção do Bravo não faz sentido, nem possui real valia, sem a sorte de picar. A selecção passa pelo uso das varas. O exemplo - disse - está no que de importante se produz com tal prática na Herdade de Adema, na selecção dos famosos e lendários “Palha”, da responsabilidade de João Folque de Mendonça.
Antes de “chegar à corrida”, Rafael Trancas apontou a incongruência da inexistência do primeiro tércio no espectáculo em Portugal na medida em que, para seleccionar com autenticidade, é utilizada a vara de picar. O picador deixou no ar a questão de saber onde está a lógica de não picar os toiros se se picam as garraias...
Já “montado e pronto para exercer a função”, Rafael Trancas explicou como e onde devem ser os toiros picados para que possam ser atingidos os verdadeiros objectivos da Sorte de Varas.
Com propriedade, Trancas revelou que o toiro deve ser picado dois dedos atrás do morrilho, adiantando desde logo que “ só há orelhas se o picador fizer bem o seu trabalho” .
Quanto às vozes daqueles que afirmam que o trabalho do picador é fácil, Rafael Trancas expressou a certeza de que a função é bem complexa pois há que dominar, ao mesmo tempo, o cavalo, o toiro e a vara.
Foi com autêntica paixão que João Folque de Mendonça, ganadeiro/criador de toiros, defendeu o uso e a prática da Sorte de Varas, tanto na criação e selecção de Bravo no interior das ganadarias, como nas praças de toiros.
O responsável da Adema e do ferro “Palha”, para quem a corrida é muito mais que festa e espectáculo, não tem dúvidas de que apenas a sorte de picar pode revelar em toda a verdade e autenticidade o ritual em que o toiro mostra a casta, a bravura e a qualidade na procura da investida (luta) contra a muleta.
Muito ao contrário do que possa ser interpretado como forma de “facilitar” a tarefa do toureiro/matador, a Sorte de Varas desperta o toiro, torna-o mais atento, mais acutilante e perigoso, e, como tal, sublima o ritual, valoriza o espectáculo, emociona o aficionado, no fundo, torna verdadeiro e autêntico o binómio vida/morte, encarado de frente, sem falsos pudores ou morais duvidosas.
A vasta assembleia no Auditório da Universidade dos Açores não se limitou a ouvir falar os mestres. Interveio como se impunha, colocou questões, dúvidas, pediu esclarecimentos sobre um ou outro pormenor, deixando a garantia, e outra situação não seria de esperar, de que a reposição da Sorte de Varas é desejada e com celeridade.
Nesse sentido manifestaram-se também vários deputados açorianos presentes na conferência. De todos os que usaram da palavra sobressaiu a promessa de que, à semelhança do que já haviam feito em 2003, contribuirão com trabalho e voto para a reposição da Sorte de Varas.
Para que se aperceba a noção da importância e abrangência das intervenções dos deputados presentes na plateia do Auditório da Universidade dos Açores/Pólo da Terceira, havia-os de ilhas tão distantes como Santa Maria e Corvo.
(In Mário Aguiar Rodrigues - A União)

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sexta-feira, abril 03, 2009

NA UNIVERSIDADE - Importância da Sorte de Varas em conferência

A Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT) vai realizar no próximo sábado uma “tenta comentada” e uma conferência sobre a importância da Sorte de Varas na lide.
A Tertúlia espera, com estas iniciativas, promover um debate “esclarecedor e didáctico” sobre a necessidade da reintrodução da Sorte de Varas nos espectáculos de toureio a pé regionais.
Arlindo Teles, presidente da Tertúlia, disse ao nosso jornal que as iniciativas anunciadas são abertas à população e que esta é uma tentativa de dotar os menos esclarecidos sobre o assunto de argumentos. “Mesmo quem não gosta de toiros ou as pessoas que se manifestam contra esta Sorte devem participar para poderem ajuizar sobre o tema”.

A Tertúlia continua a defender que o regresso desta sorte aos espectáculos taurinos realizados nas ilhas “beneficiaria em muito a excelência qualitativa” e permitiria que a tauromaquia açoriana se situasse ao nível dos grandes centros taurinos.
A Tenta Comentada realiza-se na Praça de Toiros Ilha Terceira (pelas 18H00) e de seguida (pelas 21H00), no auditório da Universidade dos Açores, no Pico da Urze, será a conferência sobre a “Importância da Sorte de Varas”.
A Tertúlia conta com a presença de José Carlos Arévalo, director da revista 6toros6; João Folque de Mendonça, ganadeiro Português (da Casa Palha); Rafael Trancas, o mais conceituado Picador português; António Castañares, autor de uma obra sobre a Sorte de Varas e Gomez Escorial, matador de toiros.
Nos últimos tempos tem sido amplamente discutida a hipótese da reintrodução da Sorte de Varas na região. O tema já chegou ao parlamento regional onde os autores do projecto favorável às lides picadas exigem “o direito constitucional à diferença, mesmo que seja de uma minoria”, e garantem que os Açores ganhariam, em termos turísticos, com um espectáculo como este, que faria atrair às ilhas aficionados de todo o mundo.
Todavia, o órgão máximo da autonomia dos Açores tem recebido igualmente várias manifestações contra a implementação desta sorte.
No Fórum Mundial Taurino, que se realizou na ilha Terceira, no início de Fevereiro, o investigador e jurista açoriano Álvaro Monjardino abordou o tema e disse, na ocasião, que "só é preciso vontade política para que a Assembleia Legislativa Regional dos Açores legisle sobre touradas picadas.
Álvaro Monjardino sustentou que "desde que desapareceu da Constituição o interesse específico o caminho está aberto".
Admitiu, porém, que "até talvez nem falte vontade política mas não tenha existido, até ao momento, oportunidade para os políticos se manifestarem sobre esta matéria".

(In A União)

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