domingo, maio 10, 2009

A sorte de varas

Tomaz Dentinho
O debate sobre a reintrodução da sorte de varas nos Açores tem ocupado uma boa parte das notícias e comentários na comunicação social dos Açores e do Continente. Uns são a favor e outros contra e quase todos apresentam razões respeitáveis que merecem leitura e ponderação por parte de quem decide. O espanto é que, salvo raras excepções, os deputados não manifestam a sua opinião na comunicação social preferindo fazê-lo para Assembleias de Apoiantes; e é assim nunca o saberemos o que votam e porque o fazem. Mais grave é que, para ultrapassar este secretismo medroso, os líderes partidários deram a liberdade de voto invocando eventuais razões de consciência. Como se todas as razões não fossem de consciência e como se pudesse haver algum fundamento racional de uma decisão pública de um representante que não devesse ser clarificada aos representados. E é assim que registamos um conjunto de gente boa que apresenta as suas razões a favor e contra a sorte de varas, e um conjunto de representantes que por medo de explicitarem votos ou por preguiça de buscarem razões que os fundamentem, se limitam a dizer aqui o que escondem ali ou, quem sabe, a dizerem uma coisa aqui e outra acolá, conforme o ouvinte.
A reintrodução da sorte de varas nos Açores tem efeitos privados, que interferem apenas com os que oferecem e procuram o espectáculo, e tem porventura efeitos públicos pois caso contrário não havia grande necessidade de intervenção e debate público.Os que são a favor argumentam que as varas são o primeiro instrumento da lide de gado bravo no campo, não só para a sua selecção mas também para o seu maneio; referem que a transposição dessa lide para os espectáculos de Praça é consistente com todas as outras formas de arte que tentam sublimar aquilo que é a vida quotidiana dos povos; continuam justificando que a sorte de varas melhora a qualidade artística do toureio apeado; e terminam dizendo que a tauromaquia tem um papel fundamental na educação das pessoas não só porque as interliga com o campo mas também porque lhes estimula virtudes de coragem, amizade e frontalidade.É natural que quem não tenha ligação à lide de gado bravo no campo veja as corridas de touros como um espectáculo bárbaro semelhante ao de um circo. Pode também acontecer que certos idealismos possam querer sonhar e querer impor um mundo onde a ligação com o campo e com o meio ambiente é feito de forma asséptica ficando todos os processos de vida e de morte abstraídos num qualquer modelo científico. Não é também improvável que alguns espectadores disfuncionais prefiram ver mais o sofrimento do animal do que entenderem a vida do touro. É finalmente possível existir um ou outro estrangeirado que em vez de perceber a diversidade e riqueza das tauromaquias opte por uma visão redutora da relação do homem com o campo, advogando a superioridade do toureio apeado.Seja como for julgo que, embora não seja possível perceber e respeitar a tauromaquia sem entender a relação do homem com o campo, não creio que seja aceitável que quem não percebe e respeite essa actividade possa negar aos outros aquela ligação nas suas diversidades de espectáculo. Em suma, mesmo os que estão contra devem ponderar se têm o direito de negar aos outros uma actividade que não percebem e, porventura, não respeitam.
(in A União)

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domingo, abril 12, 2009

A conferência da Sorte de Varas

No passado dia 4 de Abril realizou-se no auditório da Universidade dos Açores uma conferência subordinada ao tema "A Importância da Sorte de Varas" organizada pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Com a casa repleta de aficionados abriu praça o Presidente da Direcção da T.T.T. Arlindo Teles defendendo a importância e posição da Ilha Terceira no contexto tauromáquico universal. O estudo de Juan Carlos Illera foi frisado como de primordial importância para a desmistificação, através da ciência, relativamente á dor sentida pelo toiro, dor esta infringida pela puía e anulada nos três segundos subsequentes. Esclareceu o impacto da introdução da sorte de varas como um melhoramento do espectáculo taurino criando uma mais valia para a promoção turística desta ilha. Defendeu acima de tudo o direito à diferença e o respeito às minorias.
Assistimos em seguida a uma excelente apresentação do jornalista e apresentador do programa televisivo Extremadura Tierra de Toros, Antonio Castañares, intitulada “La Suerte de Varas: Pilar fundamental del arte del toreo.”, onde mostrou aos presentes a evolução da sorte de varas desde os varilargueros do século dezassete aos picadores de hoje em dia. Mostrou através de fotografias a evolução do peito do cavalo e na forma de picar com a evolução do toureio de capote e de muleta.

O segundo orador da noite foi o conhecido criador de toiros, proprietário da ganadaria Palha, João Folque de Mendonça, que começou por frisar que já tinha participado este ano em cerca de vinte conferências e que nunca tinha visto tantos jovens como aqueles que estavam presentes no auditório da UA. O criador, como gostem que lhe chamem, começou por afirmar que a festa dos toiros é um ritual que se perde nos tempos e que este em Portugal se tornou amputado e esvaziado, essencialmente pelo impedimento da realização da sorte de varas.Disse que é proibido proibir, que todos nós temos direito a viver a nossa cultura, e que ele tem o direito de ver na sua plenitude as tradições que lhes foram transmitidas por seus pais.Comparou um campo pelado com um campo relvado e comparou-os com a existência ou não da sorte de varas, a imagem fala por si e tem lógica. Uma equipa que joga num campo pelado e que depois lhe coloquem um piso relvado o aumento da qualidade do jogo aumenta exponencialmente, o mesmo acontecendo com a sorte de varas.Gomez Escorial falou de si, mostrou-se enamorado pela ilha e pelas suas gentes, que nutrem um sentimento único e especial pela festa brava e que nós como aficionados que somos não merecemos uma festa limitada mas sim uma festa na sua plenitude.Rafael Trancas picador de renome mostro-nos que quando a sorte de varas é bem executada todos os intervenientes no espectáculo triunfam, sem um bom primeiro tércio dificilmente se cortam orelhas.Depois das intervenções dos palestrantes decorreu um colóquio com várias intervenções de grande interesse. Tiveram palavra aficionados, deputados, ganadeiros, numa troca de palavras e conhecimentos que foram importantes no esclarecimento e desmistificação da sorte de varas.
Enfim uma conferencia produtiva e de muito interesse que esclareceu aficionados e outros menos esclarecidos. De parabéns está a Tertúlia Tauromáquica Terceirense por este dia intenso de protecção e elevação da arte taurina na Ilha de Jesus Cristo.
(In Duarte Bettencourt - Terceira Taurina)

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sábado, abril 11, 2009

ANIMAL acusa TTT de infracção à lei

A associação de defesa dos animais, “ANIMAL”, acusa a Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT) de ter promovido uma tenta ilegal na Praça de Toiros da Ilha Terceira no passado sábado. Afirma que deputados regionais foram coniventes com a ilegalidade ao estarem presentes naquele recinto. E critica as autoridades por, perante o anúncio público do evento, não o terem impedido.
No passado sábado, a TTT promoveu uma tenta comentada e um colóquio sobre a sorte de varas, no âmbito de uma sessão de esclarecimento sobre esta prática taurina.
Em declarações à Antena 1 Açores, Miguel Moutinho, da “ANIMAL”, argumenta que a sorte de varas está proibida em Portugal e que a sua utilização nesta tenta pública infringe essa legislação, aprovada em 2002.
“Esta tenta não aconteceu num contexto privado de uma ganadaria, ou no contexto privado de um exercício de toureio, aconteceu como espectáculo público. E isso está proibido por lei”, alega o responsável pela “ANIMAL”.
“Estiveram presentes deputados da Assembleia Legislativa dos Açores, que têm esta intenção de legalizar a sorte de varas na Região, o que significa que estiveram presentes neste acto legisladores num evento ilícito a defender a mudança de estatuto de ilicitude deste evento para um estatuto de licito. Portanto, é o reconhecimento acabado de que o que ali estava a acontecer era ilegal”, sublinha.
No entanto, a associação de defesa dos animais não vai apresentar queixa junto das autoridades.
“Fazer queixa de algo ilícito, que aconteceu com o conhecimento de todos, e que, ainda por cima, teve a participação de deputados da Assembleia Legislativa dos Açores, é bastante inútil, porque, claramente, as autoridades não quiseram saber disto para nada, como, de resto, habitualmente o fazem nesta matéria”, explica.

“Vergonhoso”

Para o responsável da “ANIMAL”, a realização da tenta comentada é “vergonhosa”.
“É absolutamente vergonhoso que este evento tenha decorrido. Que as autoridades tenham sabido dele sem o tentarem impedir de todo. Que, além do mais, tenha sido promovido em conjunto com a Universidade dos Açores, num evento vergonhoso que nada teve de científico ou de académico”, diz.
Para Miguel Moutinho, a legalização da sorte de varas nos Açores não é um anseio da população, mas sim o desejo de um pequeno grupo de aficionados.
“Há ali um pólo de gente que tem algum poder politico e que está a tentar levar os seus gostos pessoais, sádicos e doentios, por diante”, argumenta.
Tudo legal
Para o presidente da TTT, a tenta comentada que antecedeu o debate sobre a sorte de varas no último sábado não infringiu a lei.Em declarações ao DI, Arlindo Teles explicou que o evento se insere na pedagogia que a Tertúlia tem vindo a promover para esclarecer os terceirenses sobre as corridas de toiros e, em particular, a importância da sorte de varas.“Há cinco anos que promovemos tentas comentadas. Esta foi mais uma. Não houve aqui qualquer violação da lei. Aliás, na feira do Toiro e do Cavalo, promovida por entidades públicas, também decorreu uma tenta comentada”, adianta.“O responsável por aquela associação recorre a linguagem incendiária para defender a sua causa, desconhecendo os factos. Além disso, recorre a uma falácia, dizendo que a reintrodução da sorte de varas vai afectar o turismo nos Açores, quando, segundo dados oficiais, a sua existência em França e em Espanha não retirou a estes países o primeiro e o terceiro lugar na tabela dos principais destinos turísticos mundiais”, argumenta Arlindo Teles.Quanto à presença de deputados na tenta comentada, o presidente da TTT diz que esse facto “revela que os parlamentares procuram esclarecimentos sobre o assunto e perceberam a importância da reposição da lei”.

Na mão dos deputados

A sorte de varas foi ilegalizada em Portugal em 2002. Nesse ano, após a decisão legislativa, a Assembleia Regional aprovou um decreto regional que mantinha a prática no arquipélago. No entanto, a norma foi vetado pelo Ministro da República para os Açores. Sampaio da Nóvoa voltou a impedir a publicação da legislação regional no ano seguinte, depois desta ter sido reconfirmada pelo parlamento açoriano. No Fórum Mundial da Cultura Taurina, Álvaro Monjardino, explicou que o novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores permite que o parlamento regional legalize a sorte de varas. O assunto está, agora, nas mãos dos deputados açorianos. Ontem, na Imprensa, PS e PP assumiam a possível “liberdade de voto” dos seus deputados nesta matéria. O PCP e o BE já anunciaram votar contra. O deputado do PPM manifestou o apoio à legalização do 1º tércio e o PSD ainda não se pronunciou.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, abril 09, 2009

Defensores da sorte de varas dizem que o touro não sente a dor (vídeo)

Os defensores da sorte de varas apresentaram em Angra do Heroísmo um estudo do Departamento de Fisiologia Animal da Universidade de Madrid que sustenta que o toiro não sente a dor quando é picado.
"O toiro tem uma capacidade natural de produção de endorfinas que bloqueiam os receptores de dor do cérebro", disse José Parreira, da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.Este entidade organizou no último fim-de-semana um colóquio para esplanar os seus pontos de vista sobre a reintrodução da sorte de varas nas corridas de toiros na ilha Terceira.Esta prática existiu durante alguns anos, mas acabou por ser proibida.A Assembleia Legislativa Regional dos Açores tentou, em 2002, legislar sobre a matéria, acabando por ver a lei, aprovado por uma maioria de dois terços dos deputados, bloqueada pelo então Ministro da República, Sampaio da Nóvoa.Agora, com o novo Estatuto Político dos Açores, o parlamento açoriano tem poderes para regular o assunto e há deputados interessados em apresentar um projecto de lei.Os amigos dos animais contestam o movimento que reivindica a reintrodução da sorte de varas na ilha Terceira.
(Reportagem vídeo: Francisco Faria - RTP Açores)


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sexta-feira, abril 03, 2009

NA UNIVERSIDADE - Importância da Sorte de Varas em conferência

A Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT) vai realizar no próximo sábado uma “tenta comentada” e uma conferência sobre a importância da Sorte de Varas na lide.
A Tertúlia espera, com estas iniciativas, promover um debate “esclarecedor e didáctico” sobre a necessidade da reintrodução da Sorte de Varas nos espectáculos de toureio a pé regionais.
Arlindo Teles, presidente da Tertúlia, disse ao nosso jornal que as iniciativas anunciadas são abertas à população e que esta é uma tentativa de dotar os menos esclarecidos sobre o assunto de argumentos. “Mesmo quem não gosta de toiros ou as pessoas que se manifestam contra esta Sorte devem participar para poderem ajuizar sobre o tema”.

A Tertúlia continua a defender que o regresso desta sorte aos espectáculos taurinos realizados nas ilhas “beneficiaria em muito a excelência qualitativa” e permitiria que a tauromaquia açoriana se situasse ao nível dos grandes centros taurinos.
A Tenta Comentada realiza-se na Praça de Toiros Ilha Terceira (pelas 18H00) e de seguida (pelas 21H00), no auditório da Universidade dos Açores, no Pico da Urze, será a conferência sobre a “Importância da Sorte de Varas”.
A Tertúlia conta com a presença de José Carlos Arévalo, director da revista 6toros6; João Folque de Mendonça, ganadeiro Português (da Casa Palha); Rafael Trancas, o mais conceituado Picador português; António Castañares, autor de uma obra sobre a Sorte de Varas e Gomez Escorial, matador de toiros.
Nos últimos tempos tem sido amplamente discutida a hipótese da reintrodução da Sorte de Varas na região. O tema já chegou ao parlamento regional onde os autores do projecto favorável às lides picadas exigem “o direito constitucional à diferença, mesmo que seja de uma minoria”, e garantem que os Açores ganhariam, em termos turísticos, com um espectáculo como este, que faria atrair às ilhas aficionados de todo o mundo.
Todavia, o órgão máximo da autonomia dos Açores tem recebido igualmente várias manifestações contra a implementação desta sorte.
No Fórum Mundial Taurino, que se realizou na ilha Terceira, no início de Fevereiro, o investigador e jurista açoriano Álvaro Monjardino abordou o tema e disse, na ocasião, que "só é preciso vontade política para que a Assembleia Legislativa Regional dos Açores legisle sobre touradas picadas.
Álvaro Monjardino sustentou que "desde que desapareceu da Constituição o interesse específico o caminho está aberto".
Admitiu, porém, que "até talvez nem falte vontade política mas não tenha existido, até ao momento, oportunidade para os políticos se manifestarem sobre esta matéria".

(In A União)

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