sábado, novembro 21, 2009

Evolução e estabilidade do Sistema Solar

Alexandre Correia -Departamento de Física da Universidade de Aveiro

O Sistema Solar é composto pelo Sol, oito planetas e respectivas luas, alguns planetas anões (como Plutão) e milhares de asteróides e cometas. Na antiguidade, para além da Terra, eram apenas conhecidos os cinco planetas mais próximos do Sol (de Mercúrio a Saturno), visíveis à vista desarmada. Apesar de incompreendido, o movimento dos planetas era tido como perfeito e regular, pois tudo o que se encontrava na esfera celeste estava estreitamente relacionado com o divino. Gerações de astrónomos e matemáticos procuraram compreender estes movimentos, sendo a explicação mais bem sucedida a de Kepler por volta de 1605, que mostrou que os planetas se moviam em torno do Sol em órbitas com a forma de elipses. Estes movimentos eram periódicos, extremamente regulares e previsíveis, tendo esta descoberta contribuído grandemente para a revolução científica levada a cabo durante o século XVII.
A questão da evolução e sobretudo da estabilidade do Sistema Solar foi colocada um pouco mais tarde, com a descoberta da lei da gravitação universal de Newton, publicada em 1687. A partir desta lei extremamente simples, Newton conseguiu demonstrar as leis de Kepler para um sistema formado pelo Sol e por apenas um planeta. Porém, como o Sistema Solar era composto por mais do que um planeta, estes também deveriam interagir gravitacionalmente uns com os outros, conduzindo a perturbações nas suas órbitas. A principal consequência destas perturbações é que modificam as órbitas ao longo do tempo, alterando assim a sua configuração inicial. Foi aliás a partir de perturbações na órbita de Urano que se conseguiu prever a existência de Neptuno, descoberto em 1846. Embora as órbitas actuais dos planetas sejam regulares e impeçam colisões entre eles, ao evoluírem poderia haver a possibilidade de alguns planetas se aproximarem demasiado e a estabilidade do sistema ser posta em causa. Este problema fascinou os cientistas até aos dias de hoje.
Cedo se compreendeu que tanto asteróides, como cometas eram facilmente destabilizados das suas órbitas actuais; daí o elevado número de crateras observadas, por exemplo, na Lua. Mas com os planetas os cálculos não eram tão fáceis e, apesar das órbitas variarem ao longo do tempo, estas variações aparentavam ser cíclicas. Durante o século XVIII, Laplace e Lagrange demonstraram que as órbitas eram estáveis, quando se tinham em conta apenas as perturbações mais importantes (ditas de primeira ordem). Já no século XIX, Poisson e Poincaré mostraram que este resultado é ainda válido para as perturbações de segunda ordem. A estabilidade do Sistema Solar parecia assim estar assegurada. Porém, Poincaré notou que as perturbações de ordem superior, apesar de extremamente pequenas, continham termos não lineares que poderiam crescer em importância com o tempo e dar origem a comportamentos caóticos e imprevisíveis.
Só na segunda metade do século XX, com o surgimento dos super computadores foi possível simular a evolução do Sistema Solar de uma forma rigorosa. A natureza caótica do sistema foi confirmada, o que complicou ainda mais a questão da estabilidade: o sistema actual pode evoluir em direcções diferentes, algumas estáveis, mas outras possivelmente instáveis. A resposta final a esta questão chegou apenas em 2009, num artigo publicado em Abril por Jacques Laskar (Observatório de Paris), na prestigiada revista Nature. A evolução do Sistema Solar foi simulada em 2500 computadores diferentes, cada uma com condições inicias ligeiramente diferentes (dentro das incertezas de medição nas órbitas actuais). Concluiu-se que durante os próximos 5 mil milhões de anos (o tempo de vida estimado para o Sol), 99% das simulações eram estáveis. Porém, existe a probabilidade de 1% da órbita de Mercúrio aumentar de tamanho de forma significativa, vindo perturbar as órbitas de Vénus, da Terra e de Marte. Nesta situação, observaram-se colisões entre todos estes planetas. Ao contrário do que se pensou ao longo de muitos séculos, podemos dizer hoje que o Sistema Solar não é estável, embora a probabilidade de este poder vir a ser destabilizado seja extremamente baixa.

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sexta-feira, novembro 20, 2009

Salvar os cagarros… e as estrelas

Miguel Ferreira - Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores
Por esta altura do ano decorrem nos Açores diversas campanhas e actividades organizadas de salvamento de cagarros. Estas são sem dúvida actividades meritórias, mas não deveríamos também intervir na causa do problema? É sabido que a principal causa da desorientação destas aves é a poluição luminosa. Esta poluição resulta principalmente de iluminação pública e particular mal direccionadas. A iluminação deverá iluminar apenas as áreas pretendidas, em vez de o fazer para os lados ou, pior ainda, para cima. Esta incorrecta iluminação deve-se à má concepção ou orientação de candeeiros e projectores que emitem luz muito para além da zona pretendida, sem qualquer efeito útil.
Há várias consequências nefastas deste tipo de poluição. A mais imediata é levar a um desperdício de energia e de dinheiro, de cerca de 40%, que sai do bolso de todos os contribuintes. Depois, afecta vários animais por todo o mundo como diversos anfíbios, mamíferos (inclusive o próprio Homem), répteis, insectos, e aves.
Uma outra consequência da má orientação da iluminação é impedir-nos de ver o céu. Quem não fica maravilhado ao ver um céu com milhares de estrelas e a nossa Via Láctea? Gradualmente, ao longo das últimas décadas, perdemos o hábito de olhar o céu. E a razão principal é a poluição luminosa que nos deixa ver cada vez menos estrelas. Este é um problema que preocupa os astrónomos profissionais e amadores mas que nos afecta a todos.
Algumas localidades com uma maior consciência do problema já tomaram medidas, como é o caso da cidade de Calgary, no Canadá, que ao substituir o seu sistema de iluminação pública consegue economizar mais de um milhão de euros por ano. Medidas que levam à preservação do céu nocturno são também um grande emblema turístico havendo alguns parques, reservas e comunidades distinguidas e alvo de reconhecimento internacional por este cuidado.
Nos Açores é importante que os diferentes órgãos de decisão estejam conscientes deste problema. Igualmente necessário é que os arquitectos e designers tenham presentes estas questões no momento de conceber ou escolher os sistemas de iluminação. Em particular, é urgente repensar a iluminação pública e privada nas proximidades do Observatório Astronómico da Ribeira Grande para que este possa funcionar para o objectivo com que foi construído durante muitos anos. Alterar os sistemas de iluminação pública nas proximidades dos locais mais importantes de nidificação de cagarros seria uma importante experiência piloto que deveria ser realizada sem necessidade de grandes recursos financeiros.
Os Açores têm apostado no turismo e desenvolvimento sustentável, com importantes investimentos na protecção de ambientes marinhos e terrestres. É fundamental estender esta protecção ao céu nocturno, que é um património da Humanidade a preservar. Daqui, sairiam benefícios sociais, económicos, turísticos e culturais. Em cada nova rua, praça ou porto construída ou remodelada dever-se-á ter em atenção não apenas a componente estética mas também o de minorar os impactos da poluição luminosa. Os que se fascinam com a maravilha que é contemplar um céu estrelado, ou ouvir um cagarro agradecem. É de imaginar que os cagarros também agradeçam.
Cagarros (foto de Paulo Henrique Silva) Exemplo de iluminação fonte de poluição luminosa e de desperdício de energia nos Açores. Reserva internacional do céu estrelado do parque nacional de Mont-Mégantic, Québec, Canadá.

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quinta-feira, novembro 19, 2009

Para pensar...


Pergunta: À superfície do nosso planeta são encontradas rochas provenientes da Lua e de Marte. Estes meteoritos são encontrados em diversos locais e as suas propriedades indicam de forma clara a sua proveniência. No entanto, não há nenhum meteorito com origem em Vénus conhecido. Haverá alguma explicação para tal?
Resposta: O impacto de um grande objecto na superfície de um planeta rochoso arranca da sua superfície rochas que escapam para o espaço e eventualmente caiem noutro planeta como a Terra. A densa atmosfera de Vénus e a sua gravidade elevada fazem com que a maioria das rochas ejectadas por processos deste tipo não escapem do planeta, mas voltem a cair na sua superfície.

(Miguel Ferreira)

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terça-feira, novembro 10, 2009

"Na Lua Cheia, não cortes pau nem veia"

Félix Rodrigues
Na medicina medieval recorria-se ao uso do horóscopo e à astrologia, porque se acreditava que a posição dos planetas nos 12 signos do Zodíaco, afectava de algum modo a saúde humana, do mesmo modo que a Lua condicionava as marés, o Sol, era responsável pelas boas safras.Na Idade Média, cada órgão do corpo humano obedecia aos humores de um signo: Carneiro e a lua, por exemplo, regiam a cabeça, Sagitário as pernas, e Peixes conduzia os pés.
O médico Avicena (980-1037) afirmava que era “a má disposição dos céus quem rapidamente empeçonhentava os corpos”. A doença devia-se ao ar corrompido pelos astros que também eram responsáveis pelos surtos de epidemias que apavoravam e devastavam a sociedade medieval.Hoje em dia ainda há termos como aluado ou lunático que resultam da crença de que a lua influência a cabeça.Exactamente por isso, os estudantes de medicina da Universidade de Bolonha estudavam astrologia durante quatro anos, para que, quando aplicassem a sangria num paciente ela não fosse feita durante um estágio não conveniente da Lua (a Lua cheia, estavam certos, provocava uma hemorragia em excesso). Popularmente ainda se diz, fundamentados nessa crença medieval que “Na Lua cheia não cortes pau nem veia”. Não havia, príncipe, conde ou barão daqueles tempos que não tivesse um astrólogo à sua disposição, mesmo que a Igreja Católica o proibisse. Mesmo no Renascimento, o matemático e astrónomo Kepler obtinha o seu rendimento preparando almanaques com previsões e elaborando mapas astrais para a corte do duque de Wallenstein.Versos do Regimen Sanitatis Salernitanum apareciam com frequência nos Lunários Perpétuos dos Séculos XVII e XVIII e pretendiam estabelecer relações entre os astros e a saúde. Os lunários eram calendários perpétuos baseados nas fases da Lua. Essas publicações preocupavam-se com as questões da saúde e a previsão do tempo pela observação dos astros, das plantas e do comportamento dos animais. Tais ensinamentos estão presentes no livro “As geórgicas”, do poeta Virgílio (século I a.C.). Esta obra erudita influenciou os popularíssimos livrinhos “lunários perpétuos” editados em Portugal desde a Idade Média destinados à classe rural. As Geórgicas, de Virgílio, são um poema didáctico sobre trabalho. Constavam de quatro livros sobre agricultura e com indicações consideradas científicas na época.Muitos provérbios populares sobre o ciclo lunar ou sobre a sua influência na saúde ou agricultura podem ser encontrados, destacam-se os seguintes:"A lua não fica cheia num dia." – Referência explícita ao ciclo lunar (29,5 dias)."Não há Entrudo sem lua nova, nem Páscoa sem lua cheia." – Acentua o carácter móvel dessas duas festividades, cuja marcação se rege pelo calendário lunar.Provérbios como "Quando a Lua minguar, nada deves começar.", "Quando a lua minguar, não deves regar.”, "Lua cheia, abóboras como areia.", "Quando minguar a lua, não comeces coisa alguma." e "Quando a Lua minguar, nada hás-de semear.", traduzem crenças de que a Lua influencia as colheitas agrícolas.O provérbio, "A lua é calma e tem vulcões no seio." refere-se a aspectos da morfologia da sua superfície, erradamente associados a crateras vulcânicas em vez de crateras de impacto.
(in Desambientado)

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terça-feira, novembro 03, 2009

“Sol de Junho, madruga muito”, “No Outono, o Sol tem sono”

Félix Rodrigues

Se o Sol “madruga muito” em Junho, isso deve-se ao facto de ser observado mais cedo no horizonte do que no Inverno. Devido à inclinação do eixo da Terra, a época estival é o período de maior de luminosidade natural. É também pela mesma razão, mas em sentido oposto, que surge o provérbio “No Outono, o Sol tem sono”, isto é, o astro-rei encontra-se numa declinação, mais baixa, mais uma vez resultado da inclinação do eixo da Terra, dando a impressão, a um observador terrestre localizado no hemisfério Norte, de que efectivamente, o Sol está mais baixo.É senso comum que o dia e a noite têm durações idênticas com períodos de 12 horas. Isso só acontece no equador (em todas as estações do ano) e duas vezes por ano, durante os equinócios, noutras latitudes. A latitudes diferentes da do equador, a duração dos dias e das noites são diferentes ao longo do ano. Os solstícios de Inverno e Verão podem ser definidos a partir dos dias mais curtos e mais longos, respectivamente, tal qual como o fazem os provérbios anteriores. Como é sabido, são os equinócios e solstícios que marcam o início das estações do ano (Verão, Outono, Inverno e Primavera), tanto no hemisfério Norte como no hemisfério Sul, e podem ser obtidos através da duração do dia solar, medida a partir do momento em que metade do Sol cruza o horizonte, a nascente, e o momento em que cruza o poente, com excepção, evidentemente dos observadores localizados sobre a linha do equador.Se calcularmos a duração dos dias ao longo do ano para a latitude dos Açores, verificamos que os dias mais longos, com 13 horas e 51 minutos, ocorrem no mês de Junho, enquanto que os mais curtos ocorrem no início do Inverno, com apenas 10 horas e 27 minutos de luz. Assim, o Sol de Junho, começa mais cedo do que o habitual (madruga muito) e também se deita mais tarde. Quanto ao segundo provérbio, é a partir do início do Outono que os dias começam a ficar com menos de 12 horas, ou seja, o Sol começa a ficar com “sono”, tendo os dias, em pleno Outono (31 de Novembro), uma duração de 10 horas e 35 minutos.Os princípios físicos subjacentes aos provérbios anteriores estão correctos para a latitude dos Açores e para as latitudes de Portugal continental, todavia, perdem sentido se aplicados a outros países de língua oficial portuguesa.O provérbio “Janeiro fora cresce uma hora” precisa de ser devidamente interpretado para se entender o que efectivamente traduz. Se “fora” for entendido como início do mês de Janeiro, ou seja, que começa a vigorar o mês de Janeiro, o provérbio não se adequa, uma vez que se subentende que Janeiro terá uma hora a mais do que o mês de Dezembro. Janeiro tem sensivelmente 27 minutos a mais de luz por dia do que os dias de Dezembro, ou seja, aproximadamente meia hora. Entendendo “fora”, como terminado que é Janeiro, Fevereiro tem dias com mais uma hora de luz do que Janeiro, assim tal provérbio já será verdadeiro, pois a diferença entre as horas de sol dos primeiros dias de Janeiro e os últimos dias de Fevereiro é de 1 hora e sete minutos, ou seja, aproximadamente uma hora.O provérbio “Em Janeiro uma hora por inteiro e, quem bem olhar, hora e meia há-de achar” não faz muito sentido do ponto de vista científico. Falta-lhe, para o precisar, do mês de comparação ou de referência. Se compararmos com Dezembro ou Fevereiro, tal não é verdade, todavia se a comparação for feita com Novembro, será verdadeiro, mas não faz muito sentido porque as comparações, para serem estendíveis, ou são feitas com o mês anterior ou com o mês posterior, ou até entre estações do ano. Ditado semelhante ao anterior “Janeiro tem uma hora por inteiro”, não parece ter, tal como o anterior, qualquer enquadramento científico à latitude dos Açores, pois afirma que é em Janeiro que aparece uma hora a mais. Tal não é verdade. Para que se possa verificar essa conclusão, basta consultar a tabela que se apresenta no final deste documento.A duração dos dias e das noites pode ser calculada em função da latitude de um dado lugar e de um dia do ano específico, pela expressão:
ondeTd é a duração do dia, em horas,φ é a latitude do local,δ é a declinação do local na data pretendida,A declinação, por sua vez, pode ser calculada pela próxima expressão:
onde n é o número correspondente ao dia juliano pretendido (o dia juliano é um dos números da série consecutiva de 365 dias ou 366, consoante o ano seja bissexto ou não, por exemplo: 1 de Janeiro = 1; 31de Dezembro = 365).Todos os ângulos e resultados parciais de ângulos devem ser expressos em graus, para que as expressões forneçam resultados correctos.
Na tabela seguinte apresenta-se a duração do período de luz na ilha Terceira, para cada dia do ano de 2009 e que permite justificar a veracidade, ou não, dos provérbios anteriormente referidos.Se pretendermos, por oposição, calcular a duração da noite em cada dia do ano, torna-se evidente que esta será 24 horas menos a duração do dia.
(in Desambientado)

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segunda-feira, outubro 26, 2009

NA UNIVERSIDADE DOS AÇORES Observação astronómica às sextas-feiras


A partir de amanhã e nas próximas quatro sextas-feiras será possível observar o céu na sua componente astronómica. Trata-se da actividade de divulgação científica designada “Ciência à sexta”, que vai ter lugar no auditório da Universidade dos Açores, Pico da Urze, em Angra do Heroísmo.
A palestra “Moléculas interestelares e vida extra-terrestre”, por Célia Silva e Lurdes Dapkevicius (UAç, DCA), vai marcar o início de um programa de conversas, mesas redondas e sessões de observação do céu a desenvolver no âmbito da iniciativa “Ciência à sexta”, pelas 21h00.
Esta actividade de divulgação científica, que arranca amanhã, 23 de Outubro, pretende dar a conhecer a astronomia como o ponto de partida para levar a reflectir sobre a origem da vida e a sua procura fora da Terra; conhecer o desenvolvimento tecnológico e científico da Europa numa área de ponta como é a astronomia; e discutir a relação entre Arte e a Ciência ficando a conhecer melhor o Universo.
Assim, durante as próximas quatro semanas, às sextas-feiras, esta iniciativa conjunta da Universidade dos Açores, Direcção Regional da Ciência Tecnologia e Comunicações e do Ano Internacional de Astronomia 2009 prevê reunir no auditório da Universidade dos Açores, Pico da Urze, em Angra do Heroísmo, especialistas em astrofísica, a nível regional e nacional.
As outras sextas-feiras serão preenchidas com os temas “Astronomia "made in europe", por Teresa Lago (Centro de Astrofísica da Universidade do Porto), 30 de Outubro; “Arte e Ciência”, José Nuno da Câmara Pereira (artista plástico), Rogério Sousa
(Associação Cultural Burra de Milho), Filomena Ferreira (actriz), Félix Rodrigues
(UAç e moderador), João Pedro Barreiros (UAç), 6 de Novembro; e “Os últimos calhaus a contar do sol”, Nuno Peixinho (Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, Observatório Astronómico), 13 de Novembro.
“Noites Galileu”
Entretanto, as acções serão seguidas de uma sessão de observação astronómica integrada no projecto global “Noites de Galileu” (http://www.galileannights.org/), cujo objectivo é repetir algumas das observações feitas por Galileu há 400 anos e que revolucionaram o mundo ao separar a Ciência da Religião.
As observações ocorrerão das 20h às 21h e das 22h às 23h30, se as condições meteorológicas forem favoráveis, segundo informa a organização, e a entrada é livre.
Recorde-se que Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009) consiste numa celebração da astronomia à escala mundial estimulando o interesse de todos na e na ciência em geral, com particular incidência nas camadas mais jovens da população.
Há três anos a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2009 como Ano Internacional da Astronomia.
Vida extra-terrestre
Segundo a nota informativa sobre o projecto “Ciência à sexta”, a primeira palestra, intitulada “Moléculas interestelares e vida extra-terrestre”, Célia Silva e Lurdes Dapkevicius, tem como ideia base a eventual existência de vida em outros ambientes localizados nas profundezas da Terra e no espaço do Universo.
“As profundezas da Terra também abrigam comunidades microbianas que são independentes duma fonte de luz – utilizam, em seu lugar, energia química do basalto, uma rocha que abunda na Terra... e em Marte. A descoberta destes ecossistemas de profundidade levou alguns cientistas a pensar que a vida na Terra poderá ter principiado nas profundezas, tendo posteriormente migrado para a superfície, quando as condições da Terra primitiva se tornaram mais hospitaleiras. E em Marte? Poderá ter acontecido o mesmo?”, refere o documento.

(In A União)

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quarta-feira, outubro 21, 2009

Ciência à Sexta


A actividade de divulgação científica Ciência à sexta tem início esta sexta-feira, dia 23 de Outubro.Do Miguel Tavarela recebemos este texto:Esta iniciativa consiste em palestras, mesas redondas e sessões de observação do céu durante 4 semanas, à sexta-feira, nas instalações do Pico da Urze da Universidade dos Açores. A astronomia é o ponto de partida para nos levar a reflectir sobre a origem da vida e a sua procura fora da Terra, conhecer o desenvolvimento tecnológico e científico da Europa numa área de ponta como é a astronomia, discutir a relação entre Arte e a Ciência e ficar a conhecer melhor o nosso canto do Universo.

(in Astronomia no Meio do Atlântico)

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segunda-feira, setembro 21, 2009

Astrónomo amador açoriano fotografa explosão em Júpiter

Um astrónomo amador dos Açores, engenheiro zootécnico de profissão, formado na Universidade dos Açores, foi um dos primeiros no mundo a registar o impacto de um corpo celeste em Júpiter, em Julho, culminando anos passados “com os olhos postos no céu”.
“Foi uma noite normal de observação, embora estivesse atento a notícias que davam conta do registo do impacto de um cometa ou asteróide no planeta Júpiter”, recordou João Porto.
Na noite de 25 de Julho, o astrónomo amador acabou “espantado” quando descobriu que tinha apanhado no seu telescópio o “trânsito da mancha provocada pelo impacto”, com uma dimensão de tal forma grande que lá poderia caber o planeta Terra.
A imagem que captou foi já publicada, por sugestão da Comissão Nacional do Ano Internacional de Astronomia, a quem comunicou de imediato o seu registo, também conseguido por um colega do Continente.
O maior planeta do sistema solar já tinha marcado este astrónomo amador há 15 anos, quando a fragmentação de um cometa lhe permitiu assistir a “um dos mais cativantes episódios” registados ao longo da sua vida.
“A 20 de Julho de 1994, registei um dos mais cativantes episódios, quando vi, através do telescópio, os efeitos do impacto do cometa Shoemaker-Levy, que se dividiu em 21 fragmentos”, salientou.
“A astronomia é um passatempo desde há muito. Sempre que existem condições atmosféricas, faço observações até de madrugada”, afirmou João Porto, sublinhando que “todos os dias o Universo regista alterações de segundo a segundo”.
(in Diário Insular)

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terça-feira, agosto 11, 2009

Impacto em Júpiter

João Porto

No dia 19 de Julho foi detectado o efeito de um impacto (um cometa ou asteróide) no planeta Júpiter numa zona do hemisfério sul. Este impacto foi, posteriormente à sua descoberta pelo astrónomo amador australiano Anthony Wesley, confirmado por Glenn Orton, do Jet Propulsion Laboratory da NASA, quando utilizou um telescópio na banda do infravermelho. Este é o segundo grande impacto depois do Shoemaker-Levy 9. Em 1994, o SL 9 passou por Júpiter dentro do limite de Roche. Foi então quebrado em pelo menos 21 fragmentos que foram dispersos por vários milhões de quilómetros. Faz agora 15 anos, exactamente entre 16 e 22 de Julho de 1994, que os fragmentos atingiram a atmosfera superior de Júpiter. Agora, na noite de 25 de Julho, registámos vários filmes em formato AVI, realizados com uma SPC900NC e um Cetestron 203mm f/25, que tratados posteriormente com o software Registax, originou um “stack” de 3 imagens, apesar da forte turbulência que fazia literalmente “flutuar” a imagem de alta resolução.O impacto em Júpiter deixou uma clara cicatriz desde o dia 19, estando a evoluir de forma a alastrar-se no Sistema II a uma latitude de 210º sob a forma de uma mancha negra que deverá representar a subida na alta atmosfera de Júpiter dos hidrocarbonetos existentes nas camadas mais baixas auxiliado pelos sistemas tempestuosos que circulam naquele planeta.

(in Notícias Sapo.Pt)

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segunda-feira, agosto 10, 2009

Moléculas interestelares e a origem da vida

Célia Silva
Para tentar responder a esta última pergunta, os investigadores utilizam uma estratégia que consiste na averiguação das características químicas que são comuns a todas as formas de vida conhecidas actualmente. Uma característica que todas as formas de vida conhecidas partilham é a presença de compostos orgânicos (contendo carbono) semelhantes. Todas as proteínas presentes nos organismos são basicamente constituídas por 20 tipos diferentes de aminoácidos. As proteínas são essenciais aos organismos pois servem para funções cruciais ao funcionamento dos sistemas biológicos. No entanto, para que exista vida, é também necessária a presença de um sistema auto-replicante. Este é assegurado por uma outro tipo de molécula: os ácidos nucleicos que incluem o DNA e RNA (ADN e ARN). Estas moléculas complexas são formadas por um grande número de pequenas moléculas chamadas de nucleótidos. No DNA existem apenas 4 tipos diferentes de nucleótidos que, em diferentes combinações, são portadores da informação genética que pode ser transmitida de geração em geração. Podemos fazer a analogia com a utilização das letras do alfabeto (neste caso 26 letras diferentes) que, quando combinadas de uma forma adequada, transmitem a informação ao leitor.
Quando a Terra se formou há cerca de 4,5 mil milhões de anos, esta teria um aspecto inóspito, bem diferente do que tem agora. A Terra formou-se como uma massa de rocha fundida sem atmosfera, mas, a pouco e pouco, começou a arrefecer e as rochas cristalizaram a partir do magma incandescente. Mesmo depois da formação de uma crosta totalmente sólida, a Terra continuava a possuir uma intensa actividade vulcânica que lançava gases e vapor de água para a atmosfera. Estima-se que a vida na Terra tenha aparecido há cerca de 3,5 mil milhões de anos, altura em que a atmosfera terrestre era muito pobre em oxigénio, sendo constituída maioritariamente por dióxido de carbono, vapor de água, hidrogénio, metano e amónia.Nos anos 50, Stanley L. Miller realizou uma experiência que ficou célebre. Juntou os gases que na altura se pensava fazerem parte da atmosfera primitiva (água, hidrogénio, metano e amónia) e fez passar descargas eléctricas que simulavam os relâmpagos a que a atmosfera primitiva estava sujeita. Os resultados foram surpreendentes, pois nessa experiência foram obtidas moléculas orgânicas, essenciais para os seres vivos, a partir de moléculas mais simples encontradas no ambiente. Os compostos obtidos por este processo incluíam aminoácidos, açúcares e bases dos ácidos nucleicos constituindo assim os “blocos de construção” dos seres vivos. Apesar de actualmente se pensar que a composição da atmosfera primitiva não corresponder exactamente à que foi usada na experiência de Miller, esta experiência demonstrou que muitos dos elementos de construção dos seres vivos podem ser produzidos em processos não biológicos. A experiência de Miller permitiu validar a hipótese de que os oceanos primitivos constituíam uma espécie de “sopa primordial” onde numerosas moléculas orgânicas se foram acumulando, dando origem aos primeiros seres vivos. Todos os 20 aminoácidos que fazem parte das proteínas podem ser obtidos desta forma, demonstrando ser possível nessas condições produzir as moléculas fundamentais da vida.
Contudo, o mais surpreendente é que muitas das moléculas biológicas produzidas nas experiências de Miller foram encontradas também no espaço.Em Setembro de 1969 caiu na Austrália um meteorito com cerca de 100 kg. Na altura vivia-se um ambiente entusiástico por tudo relacionado com o espaço devido à chegada do Homem à Lua ocorrida no mesmo ano, na missão Apolo 11. Por essa razão, foram utilizados todos os cuidados para que o meteorito fosse preservado num ambiente protegido de contaminações terrestres. Esse meteorito foi considerado ser originário de um cometa devido ao seu elevado conteúdo em água (12%) e nele foram encontradas inúmeras moléculas orgânicas, destacando-se os 92 aminoácidos diferentes. Dezanove desses aminoácidos foram identificados na Terra, sendo os restantes de origem extra-terrestre.Inúmeras moléculas orgânicas foram já encontradas no espaço. Através de equipamentos sofisticados montados nos telescópios e de técnicas designadas de espectroscopia de infravermelho é possível captar a radiação emitida pelas moléculas presentes na poeira interestelar. Cada átomo ou molécula pode ser identificado pelo espectro de radiação que emite, como uma espécie de “impressão digital” específica para cada entidade química. Deste modo, foram já identificadas na poeira interestelar e cometas, desde moléculas orgânicas mais simples como metano e álcool, até moléculas complexas como hidrocarbonetos, idênticos aos que existem na gasolina e gasóleo, e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PHA), compostos formados quando por exemplo, grelhamos os alimentos. Mais recentemente, foi lançada pela NASA a sonda “Stardust” com o objectivo de recolher amostras de partículas libertadas pelo núcleo de cometas e de as trazer para a Terra. A sonda recolheu também amostras da poeira interestelar que, protegidas no interior de uma cápsula, foram libertadas para a Terra em 2006. Com o auxílio de pára-quedas, a cápsula aterrou no deserto de Utah, nos Estados Unidos, para que as amostras fossem analisadas em detalhe pelos cientistas. Esta análise revelou a presença de um conjunto muito variado de moléculas que incluíam muitos dos blocos de construção da vida, confirmando que o Universo é rico em matéria orgânica. Este conhecimento conduziu à hipótese de que muitas das moléculas orgânicas fundamentais da vida poderiam ter sido trazidas pela poeira interestelar, asteróides e cometas que bombardearam a Terra, logo após a sua formação.
Quer fossem de origem extraterrestre ou originadas nas chaminés dos vulcões marinhos, a presença de moléculas orgânicas na Terra seria uma inevitabilidade, estando assim disponível para o início da vida um “menu” bem rico e variado de moléculas orgânicas. No entanto, a questão continua a colocar-se: Como se passou de um conjunto desorganizado de moléculas orgânicas para a vida nas suas variadas formas, que existe actualmente?
Ao tentar resolver esta questão, os cientistas depararam-se com um paradoxo. Para que a vida exista são necessários os ácidos nucleicos que possuem a informação para a produção das proteínas. No entanto, sem as proteínas, os ácidos nucleicos não conseguem passar essa informação nem se replicarem. Ou seja, não podem existir proteínas sem ácidos nucleicos, nem replicação dos ácidos nucleicos sem proteínas. Deste modo, a questão fundamental da origem da vida seria semelhante à questão do que é que apareceu primeiro, o ovo ou a galinha? Não é provável que ácidos nucleicos e proteínas tenham aparecido ao mesmo tempo independentemente uns dos outros.A resposta a esta questão parece residir num tipo de ácido nucleico designado de RNA (ácido ribonucleico). Em 1989 foi atribuído o prémio Nobel da química a dois investigadores, Tom Cech e Sidney Altman, pela descoberta das propriedades catalíticas do RNA. Um catalisador é uma molécula ou átomo que acelera determinada reacção química sem ser alterado no processo. Os catalisadores são muito importantes nos seres vivos, pois condicionam todas as reacções químicas que acontecem numa célula. Sem catalisadores biológicos não existe vida, e, até à década de 80, acreditava-se que essa função era exclusiva das proteínas (denominadas de enzimas). Tom Cech e Sidney Altman descobriram independentemente, que certas moléculas de RNA a que chamaram de ribozimas, poderiam desempenhar a função de catalisadores biológicos. A descoberta das ribozimas veio colocar a possibilidade das moléculas de RNA terem tido um papel fundamental na origem da vida. Deste modo, terá existido um “mundo RNA” primordial, onde a molécula de RNA desempenharia um papel fundamental de armazenamento de informação e catálise de reacções químicas específicas.
Actualmente, é possível construir uma via evolutiva hipotética, mas plausível, desde o mundo pré-biótico até à primeira forma de vida. A primeira etapa iniciou-se com a criação da sopa pré-biótica, incluindo nucleótidos, a partir de componentes da atmosfera da terra primitiva. Numa segunda etapa teve início a produção de pequenas moléculas de RNA em sequências ao acaso, seguindo-se a replicação selectiva e auto-multiplicação de segmentos catalíticos de RNA e a síntese de pequenas proteínas, catalisadas pelo RNA. Com o passar do tempo houve um aumento do papel das proteínas na replicação do RNA e co-evolução do RNA e proteínas. Desenvolveu-se um sistema primitivo de transcrição, com genoma de RNA e catálise RNA-proteínas. Posteriormente, o RNA genómico começou a ser copiado para DNA e o genoma de DNA, passou a ser traduzido por um complexo RNA-proteínas (ribossoma). Estes sistemas foram-se tornando cada vez mais sofisticados, permitindo a formação de células muito simples. Estima-se que essas células mais antigas sejam as arqueobactérias que podem ainda hoje ser encontradas em ambientes hostis aos demais organismos. As arqueobactérias prevalecem actualmente em ambientes extremos como fontes de água quente, lagos ou mares muito salinos, pântanos (onde produzem metano) e ambientes ricos em gás sulfídrico.
O facto talvez mais extraordinário da biologia é que a imensa variedade de seres vivos partilha o mesmo antepassado comum. Todos os seres vivos conhecidos utilizam o mesmo código genético (com pequenas variações em seres mais primitivos) e os mesmos “blocos de construção” (nucleótidos, aminoácidos e açúcares) para a formação das moléculas biológicas complexas (ácidos nucleicos, proteínas). O uso comum do DNA e do código genético indicam que uma única célula primitiva terá dado origem a toda a imensa variedade de seres vivos que actualmente habita a Terra. A diversidade de formas de vida que existe actualmente foi sendo gerada por processos evolutivos que actuaram ao longo de milhões de anos. Para que a evolução ocorresse foi fundamental que os sistemas replicativos da informação genética não fossem perfeitos, de modo a produzir a variação desses sistemas. A competição pelos recursos disponíveis entre os diferentes sistemas permitiu que ocorresse o processo de evolução por selecção natural. Deste modo, ao nível molecular, ter-se-ão aplicado os mesmos princípios da teoria da evolução que se aplicam aos organismos.
Em Julho de 2002, um artigo publicado numa revista científica - “Nature”, dava conta do primeiro vírus produzido por métodos químicos. Utilizando como “receita” a sequência genética disponível do vírus da poliomielite e uma série de “ingredientes” químicos, foi possível fabricar este vírus por métodos não biológicos. Os vírus são entidades que possuem o seu próprio material genético (DNA ou RNA) rodeado por uma estrutura protectora de proteína e, em alguns casos, de uma membrana lipídica semelhante às membranas celulares das células. Contudo, necessitam de uma entidade biológica – a célula, para se reproduzirem, e não têm qualquer actividade metabólica quando fora da célula hospedeira. Por essa razão, os biólogos não os consideram seres vivos. Mesmo quando comparados com os organismos vivos como as bactérias, plantas ou animais, os vírus são ainda muito rudimentares. E, apesar do alarme causado pela possibilidade da construção de vírus ser aproveitada pelo bioterrorismo, continuamos ainda muito longe de criar vida partindo apenas de reacções químicas.
(In Diário Insular)

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quarta-feira, agosto 05, 2009

Astrónomo regista em filme impacto no espaço

Um astrónomo amador dos Açores registou em filme o impacto de um cometa ou asteróide no planeta Júpiter.
João Porto registou a ocorrência na sua casa, na Fajã de Baixo, freguesia situada nos arredores de Ponta Delgada.O astrónomo amador revela que no dia 19 de Julho foi detectado o efeito de um impacto (um cometa ou asteróide) no planeta Júpiter numa zona do hemisfério sul.
Estreitar laços com a comunidade
A União Astronómica Internacional (UAI) está a promover a organização do Ano Internacional da Astronomia (AIA2009).
Segundo a organização do evento trata-se de uma iniciativa que “visa um estreito contacto e ligação entre as comunidades astronómicas profissionais e amadoras e entre estas e o público em geral”.
Está a ser dada uma atenção aos mais jovens e estudantes.
A iniciativa AIA2009 visa promover a cultura científica, bem como o acesso a novos conhecimentos.
Outra das metas visa desenvolver as comunidades astronómicas em países em vias de desenvolvimento, bem como apoiar e desenvolver a educação formal e não formal das ciências. Pretende-se também transmitir uma imagem moderna da ciência. -->Este impacto foi, posteriormente à sua descoberta, confirmado por Glenn Orton, do Jet Propulsion Laboratory da NASA, quando utilizou um telescópio na banda do infravermelho.Segundo João Porto este terá sido o segundo grande impacto depois do Shoemaker-Levy 9, conhecido da comunidade de astronomia. João Porto explica que em 1992, o SL 9 passou por Júpiter dentro do limite de Roche. Foi então quebrado pelo menos em 21 fragmentos que foram dispersos por vários milhões de quilómetros ao longo de sua órbita.“Faz agora 15 anos, exactamente entre 16 e 22 de Julho de 1994, que os fragmentos atingiram a atmosfera superior de Júpiter. Presenciámos na altura os efeitos destes impactos. O meu filho João Pedro, a 20 de Julho fazia um desenho mostrando exactamente o que se via na superfície do planeta” - recorda. Na noite de 25 de Julho, João Porto registou vários filmes em formato AVI, realizados com uma SPC900NC munida de uma Barlow 2,5x e um Cetestron 203mm. “Tratados os vários AVIs com o software apropriado Registax, fizemos um “stack” de 3 imagens e ... aqui está o resultado, apesar da forte turbulência que fazia literalmente “flutuar” a imagem de alta resolução” - explica. O impacto em Júpiter “deixou uma clara cicatriz desde o dia 19, estando a evoluir de forma a alastrar-se no Sistema II a uma latitude de 210º sob a forma de uma mancha negra que deverá representar a subida na alta atmosfera de Júpiter do metano existente nas camadas mais baixas.”João Porto explica que “o trânsito desta super mancha faz-se no mesmo meridiano que o da Grande Mancha Vermelha e poderá ser visto durante a primeira semana do mês de Agosto”. Entretanto, está a decorrer a actividade “Com os Olhos no Céu”, organizada pela Universidade dos Açores e que conta com a colaboração de diversos astrónomos amadores e professores do ensino secundário. Esta iniciativa irá estender-se a várias ilhas do arquipélago durante este Verão e está integrada no projecto educativo Astronomia no Verão, da responsabilidade da Agência Nacional Ciência Viva. Este ano celebra-se o Ano Internacional da Astronomia (AIA2009) e os 400 anos das primeiras observações de Galileu que mudaram a concepção do mundo.
(in João Alberto Medeiros - Açoriano Oriental)

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terça-feira, agosto 04, 2009

A ver estrelas

- Visita à exposição Os Astros entre Nós e à mostra de bibliografia, instrumentos de navegação e outros objectos e artefactos relacionados com a presença dos astros no nosso quotidiano, patente no Serviço Educativo do Museu de Angra do Heroísmo.

- Comunicações sobre temas astronómicos.

- Oficinas de construção de relógios de sol, balestilhas e quadrantes (adaptável em função da faixa etária).

-Construção de Mandalas.

(In Museu de Angra do Heroísmo)

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terça-feira, julho 28, 2009

Portugal apagou-se em nome do céu nocturno e do brilho das estrelas

Perder a hipótese de observar um céu nocturno cheio de estrelas ou desperdiçar energia são as principais consequências da poluição luminosa, um problema que afecta a maior parte das cidades. Para sensibilizar a sociedade para este problema, astrónomos e amantes da observação dos céus juntaramm-se em vários pontos do país para celebrar a Noite das Estrelas e para pedir legislação específica que proteja o direito ao céu nocturno. Um bem que gostavam que a UNESCO elevasse a Património da Humanidade, começando, por exemplo, por criar "reservas de estrelas", zonas onde os interessados pudessem voltar a olhar para o lado negro do Universo. Rosa Doran, astrónoma e investigadora do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa, esteve na praia dos pescadores, na baía de Cascais, com o Núcleo Interactivo de Astronomia, para mostrar aos que aparecereram como é bom observar o céu nocturno. Além de Cascais, as luzes apagaram-se em dez locais de norte a sul do país, entre eles a Torre de Belém, em Lisboa, o Pátio das Escolas, em Coimbra, Moimenta da Beira, ilha Terceira (Açores) e Calheta (Madeira). Apesar de a iniciativa abranger apenas a iluminação pública, se todo o país fosse "desligado" durante apenas uma hora isso já permitiria uma redução entre os cinco e os dez por cento no consumo. Mas a ideia foi mais fazer uma homenagem ao céu e exigir que este não seja ofuscado por nenhum brilho artificial."Quando entramos de avião em Lisboa vemos a Ponte 25 de Abril toda iluminada, mas não vemos a Ponte Vasco da Gama. É bonita de ver a ponte iluminada, mas não passa disso. É dinheiro que se gasta. Começamos a despertar para este problema da poluição luminosa que nos afecta dentro das cidades", lembra Rosa Doran sobre o problema que reduz aos planetários a hipótese de observação do céu: "As crianças perderam os céus"."Mais do que ver as estrelas, olhar para o céu é descobrir o Universo", frisa a investigadora, recordando o mote do Ano Internacional da Astronomia, que se celebra ao longo deste ano em que se completam 400 anos sobre as primeiras observações de Galileu. Também o astrónomo Máximo Ferreira, do Centro Ciência Viva de Constância, defende um regresso às origens e sugere que se observe primeiro a olho nu. "Os instrumentos permitem ver mais longe, mas tiram a beleza do contacto directo com o céu." Pedro Russo, astrofísico português a trabalhar no Observatório Europeu do Sul, em Munique, Alemanha, e coordenador do Ano Internacional da Astronomia, lembra que o impacto da poluição luminosa no ser humano não é grande, mas noutras espécies sim, o que leva já alguns países a aplicar legislação de protecção do céu nocturno."Estudos indicam que 40 por cento da iluminação é desperdiçada e nunca se provou a relação entre o aumento da criminalidade e a falta de iluminação", frisa o investigador, que aproveita para lançar o desafio a que Portugal adopte legislação específica. "Poderia até servir o turismo."

(in Público)

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Açores deviam apostar na radioastronomia

Depois de um período de pausa, o projecto educativo Astronomia no Verão da Agência Nacional Ciência Viva foi recuperado este ano em que se celebra o Ano Internacional da Astronomia, com o objectivo de incentivar o gosto pela ciência dos astros.
Sessões de observação nocturna já decorreram nas Flores e em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. Este fim-de-semana, foi a vez de Ponta Delgada, e em Agosto seguem-se os concelhos de Velas, em São Jorge, e os três concelhos da ilha do Pico.
“Achamos que era uma boa oportunidade, no Ano Internacional da Astronomia, reactivar esta actividade aqui nos Açores”, explicou Miguel Ferreira, professor no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, com investigação na área da astronomia.
Mas a ideia é dar continuidade ao projecto nos próximos anos. “Esperamos que para o ano possamos repetir a iniciativa nas ilhas onde já está a decorrer e estendê-la a outras ilhas”, admitiu o investigador. Até porque, o cientista está muito optimista quanto aos resultados das actividades de divulgação e promoção da Astronomia que se estão a realizar este ano nos Açores.
“Penso que o Ano Internacional da Astronomia irá conseguir que mais pessoas se interessem pela astronomia e comecem a praticar astronomia amadora”, confessa Miguel Ferreira.
A ideia que o investigador tem é que há muitos telescópios encaixotados nas escolas, mas com a visibilidade dada à ciência dos astros este ano, acredita que haverá mais professores e mais alunos interessados na Astronomia.
Uma das actividades programadas para este ano é mesmo uma acção de formação de professores, precisamente para lhes dotar dos conhecimentos necessários para usar os telescópios e transmitir aos mais pequenos o gosto pela astronomia, de tal modo que as aulas passem a incluir mais actividades ligadas a esta ciência, ou mesmo que se criem clubes escolares de astronomia.
O Ano Internacional de Astronomia tem vários objectivos: não só levar mais alunos a interessarem-se pela ciência através da astronomia, assim como motivar mais pessoas a tornarem-se astrónomos amadores, mas também divulgar a astronomia profissional e a investigação que é feita.
Para Miguel Ferreira, é de registar a reabertura do Observatório da Astronomia, na Ribeira Grande, precisamente no Ano Internacional da Astronomia, e o trabalho que este centro de ciência está a desenvolver.
O investigador elogia o facto do Observatório, apesar de estar sedeado em São Miguel, estar a desenvolver actividades em várias ilhas. “Estão a levar a astronomia à população e às escolas de uma maneira muito dinâmica que trará resultados muito importantes nos próximos anos”, diz Miguel Ferreira.
Nos Açores, há alguma investigação a ser feita. Miguel Ferreira tem trabalho de investigação na área da astronomia, desenvolvido na Universidade dos Açores. E existem excelentes astrónomos amadores nas ilhas, diz o investigador. No entanto, o docente da Universidade dos Açores considera que há espaço para se desenvolver ainda mais a astronomia na Região: não só ao nível do amadorismo, cativando mais pessoas, mas também ao nível profissional
(in Paula Gouveia - Açoriano Oriental)

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Açores e Espinho na rota do ano que comemora os céus

Portugueses recebem prémio internacional por acções feitas durante as “100 Horas de Astronomia”.


Uma investigadora do Instituto Superior Técnico e a Fundação Navegar foram premiadas pela Comissão do Ano Internacional de Astronomia (AIA2009) pelas actividades relevantes que puseram em marcha no âmbito do projecto “100 Horas de Astronomia”. Ana Mourão, investigadora do IST e da CENTRA, pôs as Flores no mapa do Ano Internacional da Astronomia. A cientista promoveu observações astronómicas e nove palestras científicas em seis ilhas dos grupos ocidentais e centrais dos Açores, reunindo mais de mil estudantes açorianos. A comissão internacional reconheceu-lhe o mérito atribuindo o prémio "Participação Individual Marcante". "Este tipo de iniciativas é um modo de apoiar as escolas e de fazer notar que as barreiras geográficas, que por vezes justificam a insularidade, podem e devem ser ultrapassadas. No nosso caso, a Astronomia permitiu mostrar que estamos todos no mesmo planeta", esclarece Ana Mourão. Na ilha das Flores todos os alunos do 4.º ao 12.º ano assistiram às celebrações das “100 horas de Astronomia”. O Centro Multimeios de Espinho gerido pela Fundação Navegar foi destacado com uma menção honrosa pela actividade “Acampar no Planetário”, em que as crianças podiam passar uma noite dentro do Planetário, onde observavam as constelações e ouviam os sons como se estivessem ao relento. "O facto de termos conjugado um céu estrelado com um fundo sonoro onde se ouviam os ruídos nocturnos da natureza, incluindo um sino de uma igreja distante devidamente sincronizado com a hora, conseguiu transmitir aos participantes um sensação de não estarem no planetário mas a acampar na realidade e contribuiu para que a iniciativa seja tão bem recebida pelo público", lembra António Pedrosa, responsável pela fundação. Este prémio é "uma validação e um reconhecimento pelo trabalho realizado no Centro Multimeios de Espinho no campo da cultura e promoção da ciência e em particular da Astronomia".As "100 Horas de Astronomia" alcançaram milhões de pessoas em todo o mundo. De 2 a 5 de Abril organizaram-se 2370 eventos registados.

(in Público)

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segunda-feira, julho 27, 2009

Ano Internacional da Astronomia - Noite de estrelas

Reportagem: Hélio Vieira Fotografia: António Araújo

Sensibilizar a população para a poluição luminosa foi objectivo da “Noite das Estrelas” que reuniu no Alto das Covas dezenas de pessoas numa iniciativa de âmbito nacional integrada nas comemorações do Ano Internacional da Astronomia.

Toda a zona envolvente do Alto das Covas está numa escuridão quase total. Alguns curiosos aproveitam a luz dos faróis dos carros para se dirigem à praça onde dezenas de pessoas observam estrelas e planetas com o recurso a telescópios e binóculos ou simplesmente à vista desarmada.A iniciativa realizada a 18 de Julho foi integrada na “Noite das Estrelas” que teve como principal objectivo chamar a atenção para a poluição luminosa.“A poluição luminosa resulta da má utilização dos sistemas de iluminação e é produzida sobretudo por candeeiros e projectores que, por concepção inadequada ou instalação incorrecta, emitem luz muito para além da zona pretendida. A luz emitida em excesso causa graves prejuízos ambientais e sociais para além de exigir gastos supérfluos de energia, agravando o problema da poluição ambiental, ela afecta, por exemplo, o comportamento dos condutores e dos peões nas ruas, mas também o bem-estar das populações. Nos Açores, em particular, é bem conhecido o efeito nefasto da poluição luminosa na população de cagarros”, diz Miguel Ferreira, do departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores que coordenou as actividades realizadas no âmbito da “Noite das Estrelas” em Angra do Heroísmo.Durante a iniciativa, dezenas de curiosos puderam observar no Alto das Covas com maior nitidez os planetas Saturno e Júpiter ou enxames de estrelas ou, simplesmente, o céu livre da poluição luminosa em toda área envolvente.“Explicámos às pessoas o que estavam a ver no céu, o que despertou muita curiosidade. Tivemos a sorte de ter uma noite com céu limpo para podemos observar muitos objectos”, refere Miguel Ferreira.Para além da iniciativa que decorreu no Alto das Covas estão previstas outras actividades na Terceira nos próximos meses para assinalar o Ano Internacional da Astronomia.O interesse pelas actividades relacionadas com a astronomia teve vindo a diminuir nos últimos anos, sobretudo, por parte da juventude. No entanto, Miguel Ferreira considera que esse e um aspecto a ter em conta, mas que existe também o problema da poluição luminosa que impede as pessoas de ver o que está no céu com a mesma facilidade do que há alguns anos atrás.“Antigamente as pessoas conviviam mais com o céu porque estava sempre presente”, afirma.Apesar de os jovens terem hoje outros interesses, como os computadores ou videojogos Miguel Ferreira assegura que continua a existir por parte dos mais novos interesse pela ciência conforme se pode comprovar pelas iniciativas realizadas no âmbito do programa “Ciência Viva” ou actividades nas escolas.“Um dos objectivos estiveram na origem das celebrações do Ano Internacional da Astronomia é cativar as pessoas a observar o que existe no céu e a reflectir sobre o assunto”, refere.Para Miguel Ferreira continua a existir curiosidade em observar os astros tal como Galileu o fez há centenas de anos. “Esta será sempre uma actividade aliciante para as pessoas de qualquer idade”, afirma.Por outro lado, considera que a astronomia “é um meio de cativar os jovens a interessar-se pela ciência, física e matemática e um meio de estimular a experimentação”. Nesse sentido, considera importante apostar em iniciativas no âmbito da astronomia que motivam as crianças e jovens para a ciência. “As escolas têm participado em diversas actividades na área da astronomia, algumas das quais promovidas pelos Astrónomos Amadores dos Açores. Um dos telescópios que usamos na iniciativa efectuada no Alto das Covas pertence à Escola Vitorino Nemésio, onde já se fizeram diversas acções de observação, bem como, noutros estabelecimentos de ensino”, refere Miguel Ferreira. Apagão nacionalTal como aconteceu em Angra do Heroísmo, várias localidades de Norte a Sul de Portugal associaram-se à iniciativa da “Noite das Estrelas”. Lisboa e Porto, Braga, Bragança, Espinho, Viseu, Coimbra, Cascais, Calheta (Madeira), Angra e Faro foram as restantes localidades a nível nacional que se juntaram à iniciativa de apagar as luzes para observar as estrelas.As celebrações da "Noite da Astronomia - Noite das Estrelas" fazem parte do projecto internacional do AIA2009, "Dark Skyes Awareness" que visa sensibilizar o público para o impacto negativo de uma iluminação artificial excessiva. Coincidem também com uma nova edição de observações do programa do AIA, “E Agora Sou Galileu”, desta vez dedicada à Via Láctea. A “Noite da Astronomia” marcou arranque em todo país do programa educativo Astronomia no Verão, da responsabilidade da Agência Nacional Ciência Viva. O Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009) é coordenado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Agência Nacional Ciência Viva, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e da Fundação Calouste Gulbenkian.

(in Diário Insular)

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sábado, julho 25, 2009

Modelo de Apoio à decisão para gerir a lavoura e água - Poluição luminosa

Astronomia em Ponta Delgada


ASTRONOMIA NO VERÃO – Observações astronómicas em Ponta Delgada.

Este Sábado, Com os Olhos no Céu, poderá descobrir alguns mistérios do nosso Universo na companhia de astrónomos amadores, bastando para tal deslocar-se às Portas do Mar pelas 22h. Nesta noite de 25 de Julho, os astrónomos amadores proporcionam a todos os interessados uma viagem pelo céu com a ajuda de telescópios. O local escolhido é as Portas do Mar em Ponta Delgada. A sessão de observação terá início pelas 22h e prolongar-se-á até cerca da meia-noite. A actividade "Com os olhos no céu" é organizada pela Universidade dos Açores e conta com a colaboração de diversos astrónomos amadores e professores do ensino secundário. Esta iniciativa irá estender-se a várias ilhas do arquipélago durante este Verão e está integrada no projecto educativo Astronomia no Verão, da responsabilidade da Agência Nacional Ciência Viva. Este ano celebra-se o Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009) e os 400 anos das primeiras observações de Galileu que mudaram a nossa concepção do mundo. O AIA2009 é coordenado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Agência Nacional Ciência Viva, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e da Fundação Calouste Gulbenkian.

(In Astronomia no Meio do Atlântico)

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sexta-feira, julho 17, 2009

“Noite das Estrelas” no Alto das Covas

Angra do Heroísmo está entre as cidades portuguesas que aderiram à iniciativa “Noite das Estrelas” que se realiza no próximo sábado para assinalar o Ano Internacional da Astronomia. A “Noite das Estrelas” decorre no Alto das Covas, onde a iluminação pública estará desligada entre as 22h30 e as 24h00 para facilitar as observações do céu profundo. A iniciativa é organizada pela Universidade dos Açores e conta com o apoio da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, de astrónomos amadores e professores das escolas Vitorino Nemésio e Tomás de Borba e marca também o início do programa educativo Astronomia no Verão, da responsabilidade da Agência Nacional Ciência Viva, no arquipélago. Segundo Miguel Ferreira, serão medidos os efeitos da poluição luminosa no Alto das Covas e a sua interferência na observação do céu. “Vamos fazer observações a olho nu, com binóculos e telescópios antes e durante o período em que a iluminação pública do Alto das Covas vai estar apagada”, refere Miguel Ferreira. De acordo com o docente da Universidade dos Açores, “muitos de nós certamente encolherão os ombros quando se fala em poluição luminosa. Mas a verdade é que o excesso de luz causa graves prejuízos ambientais e sociais”. Tendo em conta essa realidade a “Noite das Estrelas” será uma ocasião para sensibilizar a população para o problema.
INICIATIVA NACIONAL

Para chamar a atenção de todos para os perigos da má utilização dos candeeiros e projectores, cidades de vários pontos do país vão medir os níveis de poluição luminosa no dia 18 de Julho (sábado). A poluição luminosa resulta da má utilização dos sistemas de iluminação e é produzida sobretudo por candeeiros e projectores que, por concepção inadequada ou instalação incorrecta, emitem luz muito para além da zona pretendida. A luz emitida em excesso causa graves prejuízos ambientais e sociais, para além de exigir gastos supérfluos de energia, agravando o problema da poluição ambiental, afectando, por exemplo, o comportamento dos condutores e dos peões nas ruas, mas também o bem-estar das populações. No caso dos Açores, em particular, é bem conhecido o efeito nefasto da poluição luminosa na população de cagarros que são atraídos para terra pela luz dos candeeiros.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, julho 08, 2009

Musicoterapia


O músico audiovisual apresentou-se pela primeira vez na Terceira, a 10 de Junho, num espectáculo que considera ter sido “um dos melhores” da sua carreira. As suas composições musicais foram classificadas como “tendo interesse para a musicoterapia” e a propósito, Horácio Medeiros define dois grandes objectivos na entrevista dada a DI-Revista, “despertar sensações”, nos receptores da sua música e ver a mesma “reconhecida localmente e projectada no estrangeiro”.

Horácio Medeiros apresentou recentemente o seu trabalho na ilha Terceira, no âmbito das comemorações do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, 10 de Junho.O professor do primeiro ciclo conta a DI-Revista como surge este projecto “inovador”, um estilo ao qual não deu nome, critério que diz deixar “a quem ouve”.“Apenas comunico através do som o que me vai na alma”, afirma, acrescentando que define a sua música como “relaxante e que mexe com as emoções”. São estes os principais objectivos deste artista micaelense, que ambiciona, um dia, ver a sua obra “reconhecida nos Açores e projectada no estrangeiro”.
Percurso
Quando inquirido sobre o surgimento deste projecto audiovisual, Horácio Medeiros conta que este “remonta há duas décadas, aquando da criação, em Ponta Delgada, do Centro de Apoio Tecnológico à Educação (CATE), já extinto, no qual existiam gabinetes de apoio tecnológico, onde foi criado um sector técnico-didáctico, destinado a dar apoio às diferentes disciplinas dos diferentes currículos e dos diferentes níveis de ensino. Para a área das expressões, “movimento, música e drama” não havia ninguém. É nessa altura que eu apresento um projecto, ao então secretário regional da educação, Aurélio da Fonseca, que foi aceite. Consistia em tentar, através dos meios tecnológicos, ajudar os professores na prossecução dos seus objectivos. Havia, paralelamente, um estúdio profissional de audiovisuais e era necessário compor-se bandas sonoras, para videogramas, para filmes e bandas sonoras. É neste contexto que me adapto a esta área, criando um estilo audiovisual”.A respeito da sua evolução nesta área, refere, a título de exemplo, os videogramas “Açorianos de Cultura”, realizados pelo CATE, sobre a vida e obra de vários autores açorianos, para os quais fez muitos dos musicais originais da banda sonora e explica que é desta forma que começa a sua aprendizagem simultânea, entre a música e a tecnologia. Sublinha a importância das deslocações ao estrangeiro, nas quais teve “contacto com especialistas” e onde lhe foi possível “tirar dúvidas” e “explorar os aparelhos na sua vertente profissional”.
Projecto
Horácio Medeiros explica que trabalha ao vivo com quatro fontes sonoras, através de um sistema denominado “Midi”. “Toco num teclado, juntando diferentes sons, de diferentes fontes sonoras, conseguindo desta forma uma multiplicidade e uma diversidade sonora”, sintetiza.Já com dois CD’s lançados, o primeiro intitulado “Viagens” e o segundo “Hino ao Cosmos”, o músico considera-se “um pouco artista, um pouco e engenheiro e técnico de som”, trabalho ao qual ainda diz juntar um pouco de “ginástica”.“É necessário ter um sincronismo, não só entre as notas musicais, mas também na movimentação das mãos, para modificar os parâmetros, somar e subtrair sons”, explica. Avança ainda que este “é um trabalho de repetição e de rotina, de forma a que seja possível automatizar todos os gestos”.Segundo Horácio Medeiros, as suas composições musicais são pré-programadas (ensaiadas), mas há também uma programação feita na hora, com o elemento surpresa, onde diz residir a “maior dificuldade”.No que diz respeito ao processo da escolha das imagens, de esta ser feita antes ou depois da produção do som, sustenta que este processo “pode acontecer das duas maneiras”, conforme a natureza do projecto.
Espectáculo
No espectáculo, apresentado no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, a propósito das comemorações do 10 de Junho, Horácio Medeiros apresentou o seu trabalho “Hino ao Cosmos” e uma rapsódia, preparada para a efeméride, constituída, de acordo com o mesmo, “por temas originais e por variações de temas conhecidos” e com apresentação de imagens das várias ilhas do arquipélago dos Açores e também de “imagens espaciais”.Conta que o convite para este espectáculo lhe foi feito pelo Representante da República para os Açores, José António Mesquita, por ser um artista regional e também por este ano se comemorar o Ano Internacional da Astronomia.O músico audiovisual conta que o “Hino ao Cosmos” é fruto de um trabalho desenvolvido durante cerca de dois anos, cujo título lhe foi sugerido pelo professor Machado Pires, depois de ter ouvido a composição.Horácio Medeiros recorda a apresentação desta música, numa digressão que fez no Brasil, a propósito das comemorações dos 260 anos da emigração açoriana, a qual diz ter dito uma enorme aceitação por parte do público.Relativamente ao espectáculo apresentado em Angra do Heroísmo o músico afirma que foi “um dos melhores” que já apresentou, em toda a sua carreira.
Musicoterapia
Para além da componente artística, a música de Horácio Medeiros foi considerada terapêutica.Os seus dois CD’s foram classificados, pela Sociedade Francesa de Psicopatologia da Expressão e da Terapia pela Arte, como tendo interesse para a musicoterapia.“Ter um efeito relaxante e despertar sensações, as mais variadas, com a minha música, é um dos meus principais objectivos”, conclui.

(In DI Revista)

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