terça-feira, novembro 03, 2009

“Sol de Junho, madruga muito”, “No Outono, o Sol tem sono”

Félix Rodrigues

Se o Sol “madruga muito” em Junho, isso deve-se ao facto de ser observado mais cedo no horizonte do que no Inverno. Devido à inclinação do eixo da Terra, a época estival é o período de maior de luminosidade natural. É também pela mesma razão, mas em sentido oposto, que surge o provérbio “No Outono, o Sol tem sono”, isto é, o astro-rei encontra-se numa declinação, mais baixa, mais uma vez resultado da inclinação do eixo da Terra, dando a impressão, a um observador terrestre localizado no hemisfério Norte, de que efectivamente, o Sol está mais baixo.É senso comum que o dia e a noite têm durações idênticas com períodos de 12 horas. Isso só acontece no equador (em todas as estações do ano) e duas vezes por ano, durante os equinócios, noutras latitudes. A latitudes diferentes da do equador, a duração dos dias e das noites são diferentes ao longo do ano. Os solstícios de Inverno e Verão podem ser definidos a partir dos dias mais curtos e mais longos, respectivamente, tal qual como o fazem os provérbios anteriores. Como é sabido, são os equinócios e solstícios que marcam o início das estações do ano (Verão, Outono, Inverno e Primavera), tanto no hemisfério Norte como no hemisfério Sul, e podem ser obtidos através da duração do dia solar, medida a partir do momento em que metade do Sol cruza o horizonte, a nascente, e o momento em que cruza o poente, com excepção, evidentemente dos observadores localizados sobre a linha do equador.Se calcularmos a duração dos dias ao longo do ano para a latitude dos Açores, verificamos que os dias mais longos, com 13 horas e 51 minutos, ocorrem no mês de Junho, enquanto que os mais curtos ocorrem no início do Inverno, com apenas 10 horas e 27 minutos de luz. Assim, o Sol de Junho, começa mais cedo do que o habitual (madruga muito) e também se deita mais tarde. Quanto ao segundo provérbio, é a partir do início do Outono que os dias começam a ficar com menos de 12 horas, ou seja, o Sol começa a ficar com “sono”, tendo os dias, em pleno Outono (31 de Novembro), uma duração de 10 horas e 35 minutos.Os princípios físicos subjacentes aos provérbios anteriores estão correctos para a latitude dos Açores e para as latitudes de Portugal continental, todavia, perdem sentido se aplicados a outros países de língua oficial portuguesa.O provérbio “Janeiro fora cresce uma hora” precisa de ser devidamente interpretado para se entender o que efectivamente traduz. Se “fora” for entendido como início do mês de Janeiro, ou seja, que começa a vigorar o mês de Janeiro, o provérbio não se adequa, uma vez que se subentende que Janeiro terá uma hora a mais do que o mês de Dezembro. Janeiro tem sensivelmente 27 minutos a mais de luz por dia do que os dias de Dezembro, ou seja, aproximadamente meia hora. Entendendo “fora”, como terminado que é Janeiro, Fevereiro tem dias com mais uma hora de luz do que Janeiro, assim tal provérbio já será verdadeiro, pois a diferença entre as horas de sol dos primeiros dias de Janeiro e os últimos dias de Fevereiro é de 1 hora e sete minutos, ou seja, aproximadamente uma hora.O provérbio “Em Janeiro uma hora por inteiro e, quem bem olhar, hora e meia há-de achar” não faz muito sentido do ponto de vista científico. Falta-lhe, para o precisar, do mês de comparação ou de referência. Se compararmos com Dezembro ou Fevereiro, tal não é verdade, todavia se a comparação for feita com Novembro, será verdadeiro, mas não faz muito sentido porque as comparações, para serem estendíveis, ou são feitas com o mês anterior ou com o mês posterior, ou até entre estações do ano. Ditado semelhante ao anterior “Janeiro tem uma hora por inteiro”, não parece ter, tal como o anterior, qualquer enquadramento científico à latitude dos Açores, pois afirma que é em Janeiro que aparece uma hora a mais. Tal não é verdade. Para que se possa verificar essa conclusão, basta consultar a tabela que se apresenta no final deste documento.A duração dos dias e das noites pode ser calculada em função da latitude de um dado lugar e de um dia do ano específico, pela expressão:
ondeTd é a duração do dia, em horas,φ é a latitude do local,δ é a declinação do local na data pretendida,A declinação, por sua vez, pode ser calculada pela próxima expressão:
onde n é o número correspondente ao dia juliano pretendido (o dia juliano é um dos números da série consecutiva de 365 dias ou 366, consoante o ano seja bissexto ou não, por exemplo: 1 de Janeiro = 1; 31de Dezembro = 365).Todos os ângulos e resultados parciais de ângulos devem ser expressos em graus, para que as expressões forneçam resultados correctos.
Na tabela seguinte apresenta-se a duração do período de luz na ilha Terceira, para cada dia do ano de 2009 e que permite justificar a veracidade, ou não, dos provérbios anteriormente referidos.Se pretendermos, por oposição, calcular a duração da noite em cada dia do ano, torna-se evidente que esta será 24 horas menos a duração do dia.
(in Desambientado)

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terça-feira, setembro 15, 2009

ATRAVÉS DE UM CD Câmara apresenta tesouros naturais de Angra

Conhece a ribeira do Além na freguesia da Serreta ou a gruta das Agulhas no Porto Judeu, sabia da existência de uma espécie única de caracol na zona da Fonte da Telha ou de um trevo de quatro folhas no Pico da Bagacina que é das plantas mais raras do mundo? São estes e outros segredos que o CD multimédia “ Ícones Ambientais do Concelho de Angra do Heroísmo”, lançado pela Câmara Municipal, pretende dar a conhecer.


Com textos de Félix Rodrigues e fotografias de Paulo Henrique da Silva, o CD apresenta 13 pontos de interesse natural do concelho de Angra que vão desde a fauna à flora passando pela geologia e a vulcanologia.
A aranha cavernícola do Algar do Carvão, o caracol da Fonte da Telha, fósseis no Monte Brasil, furnas de enxofre, a gruta das Agulhas, os ilhéus das Cabras, a Serra de Santa Bárbara e a sua lagoa Funda, o pico Matias Simão, a ribeira do Além, as Usneas, o musgo Broth e o trevo de quatro folhas Marsilea azorica são os elementos em destaque.
Para além dos textos e fotografias, cada ícone é acompanhado por depoimentos em vídeo de especialistas da Universidade dos Açores e a Sociedade de Exploração Espeleológica “Os Montanheiros”.
Na apresentação do CD à comunicação social, Andreia Cardoso, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (CMAH) destacou os elementos naturais que distinguem o concelho, afirmando que a autarquia pretende que estes sejam uma chamariz turístico e de promoção de Angra a par da sua componente histórica e cultural.
“ Este CD vai dar a conhecer elementos únicos desconhecidos da maioria das pessoas que se encontram em lugares muito visitados como o Algar do Carvão e ao mesmo tempo mostrar outros elementos que se desejam preservar sem o risco da sua destruição”, acrescentou a autarca.
Este CD estará disponível nos Paços do Concelho onde está também patente uma exposição fotográfica sobre estes ícones ambientais.
A aposta da CMAH na promoção do património natural do concelho passa, para além do CD, pela exposição “Património Subaquático da Baía de Angra do Heroísmo”, de Luís Quinta, patente no Palácio dos Capitães Generais e pelo espaço Angrosfera, disponível no novo portal da internet da edilidade que vai permitir visualizar estes e outros elementos ambientais de Angra.Para o futuro a autarquia irá levar a cabo um projecto para a melhoria da sinalização em muitos dos locais apresentados no CD, uma forma dos visitantes tomarem contacto “in loco” com os mesmos, funcionando com uma mais valia turística para um publico “ cada vez mais sensível às questões da Natureza”, considerou Andreia Cardoso.
(in A União)

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domingo, abril 12, 2009

Astrobiologia – dos tesouros subterrâneos à exploração do espaço

Maria de Lurdes Nunes Enes Dapkevicius (*)


FIGURA 1. Extensos tapetes microbianos recobrem as paredes da Gruta da Terra Mole, na Ilha Terceira, conferindo-lhe uma cor dourada.


FIGURA 2. Estruturas hexagonais em rochas do Algar do Carvão, na Ilha Terceira.

Quando, em 1953, Stanley L. Miller conseguiu produzir matéria orgânica a partir duma mistura redutora de gases semelhante ao que se acreditava ter sido a atmosfera da Terra primitiva, a pesquisa de vida noutros locais do Universo ganhou novo alento. O campo do saber humano que se dedica à pesquisa de vida fora do nosso planeta chama-se Exobiologia ou Astrobiologia, que pode definir-se como sendo o estudo da vida no espaço exterior à Terra. Como ainda não foi encontrada vida fora da Terra, presentemente o principal objectivo da Exobiologia é esclarecer se pode ou não existir vida noutros locais do Universo. Esta é uma questão fundamental da ciência, porque para além de aumentar os horizontes da Biologia, irá ajudar a responder a uma das grandes interrogações sobre a vida – o local onde se originou.
A pesquisa de vida no espaço faz-nos pensar em missões em zonas longínquas do Universo, mas na verdade esta busca começa aqui mesmo, no planeta Terra, do qual conhecemos ainda tão pouco. Sabe-se hoje em dia que existem na Terra muitos ambientes aparentemente inóspitos para a vida, por serem muito quentes, muito frios, demasiado salgados, sem água, sem luz, ou sem matéria orgânica que alimente os seres vivos. Contudo, tem-se encontrado vida na Terra em muitos destes ambientes, como os solos dos desertos mais secos do planeta ou as fontes geotermais submersas. As profundezas da Terra também abrigam comunidades microbianas que são independentes duma fonte de luz – utilizam, em seu lugar, energia química do basalto, uma rocha que abunda na Terra... e em Marte. A descoberta destes ecossistemas de profundidade levou alguns cientistas a pensar que a vida na Terra poderá ter principiado nas profundezas, tendo posteriormente migrado para a superfície, quando as condições da Terra primitiva se tornaram mais hospitaleiras. E em Marte? Poderá ter acontecido o mesmo?
Descobriu-se recentemente que Marte possui estruturas semelhantes a tubos de lava. Os tubos de lava são grutas em forma de túnel por onde passou uma corrente de lava resultante duma erupção vulcânica e existem também na Terra. Só nos Açores, Os Montanheiros, a sociedade espeleológica local, explorou mais de duzentas destas estruturas. Os tubos de lava não são, em princípio, locais muito acolhedores para a vida. A luz, que é a força motriz dos ecossistemas da superfície terrestre, não chega às zonas mais recônditas destas grutas, que podem ter vários quilómetros de extensão e o alimento (matéria orgânica) não abunda. Apesar disso, os microrganismos prosperam nas paredes e no tecto dos tubos de lava dos Açores, formando nalguns locais espessos tapetes com mais de um centímetro de espessura (figura 1). Se a vida sem luz e sem alimento orgânico é possível nos tubos de lava da Terra não o será também nos de Marte?
Antes de partir à aventura até ao planeta vermelho em busca de “marcianos microscópicos”, temos que desenvolver métodos para distinguir o que, num ambiente extremo, é vivo do que não o é. Parece fácil? Na fotografia da figura 2 pode ver-se umas estruturas hexagonais de cor avermelhada que existem no Algar do Carvão da Ilha Terceira. Minerais, com certeza! Pois, quando observadas ao microscópio electrónico, revelaram as estruturas nitidamente microbianas que se vêem na figura 3 e análises mais apuradas demonstraram a existência de dois elementos em concentrações elevadas: carbono ( que reforça a hipótese de se tratarem de estruturas vivas) e ferro (que leva a pensar em estruturas minerais). Então em que ficamos? Tratar-se-á, provavelmente, de microrganismos que utilizam o ferro como fonte de energia, depositando óxidos deste mineral.
Este e outros estudos feitos em tubos de lava da Terra preparam-nos para procurar vida mais além. Decorre, presentemente, na Universidade dos Açores um projecto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior denominado “Compreender a Biodiversidade Microbiana Subterrânea. Estudos dos tubos de lava dos Açores” que tem como objectivos estudar a vida subterrânea para responder a algumas questões fundamentais em Biologia, como a compreensão do funcionamento da vida em ambientes extremos e a pesquisa de novas espécies microbianas. Este projecto tem também uma vertente de ciência aplicada, porque pretende compreender o impacto humano sobre as comunidades microbianas dos ambientes extremos, bem como pesquisar potenciais aplicações para estes microrganismos. Até ao momento, foram encontrados muitos isolados de bactérias que possuem a capacidade de impedir o desenvolvimento de microrganismos causadores de doenças e que são, por isso, promissoras como fontes de novos antibióticos. No projecto participa uma equipa numerosa, com elementos do CITA-A, d’Os Montanheiros e da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos. No primeiro ano do projecto, foram explorados onze tubos de lava localizados na Ilha Terceira, mas estão previstas expedições a outras ilhas do arquipélago.
Os tubos de lava dos Açores albergam autênticos tesouros subterrâneos. Para além da sua beleza, que pode, nalguns casos, ser alvo duma exploração turística sustentável, contêm comunidades microbianas com potencial utilidade em termos industriais e podem ser um local de treino para a pesquisa de vida no espaço. A sua conservação é, por isso, prioritária. Os Montanheiros têm desenvolvido um esforço notável nesse sentido, mas é necessária a colaboração de todos os que, por um motivo ou por outro, visitam as grutas. O material que recobre a parede destas, de consistência mole e por vezes gelatinosa, é um espesso tapete de bactérias que poderá ter levado milénios a formar-se. Em muitas grutas, encontram-se grafitti nestes tapetes, alguns datados de há mais de vinte anos e que ainda não “cicatrizaram”. Deve evitar-se danificar estes tapetes, tal como não devem introduzir-se contaminantes no ambiente das grutas, nem matéria orgânica. Por isso, durante a visita a uma gruta não se deve comer, nem deixar ficar lixo, nem fazer necessidades fisiológicas. Desta maneira, os tesouros de beleza, conhecimento e valor que as grutas albergam passarão às gerações vindouras para que possam também admirá-los e tirar partido deles.

FIGURA 3. Fotografias ao microscópio electrónico de varrimento de estruturas hexagonais de rochas do Algar do Carvão, na Ilha Terceira. À direita, pode ver-se que estas estruturas são constituídas por filamentos, de origem microbiana.

(*) Professora auxiliarCentro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A)Universidade dos Açores - Departamento de Ciências Agrárias.

(In Diário Insular)

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sábado, abril 11, 2009

Observatório de Santana com planetário fixo

A secretaria regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos vai avançar com a construção de um novo edifício anexo ao Observatório Astronómico de Santana, no concelho da Ribeira Grande. No Dia Internacional da Astronomia, o secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, José Contente, referiu que o projecto, no valor de 35 mil euros, visa a implantação de um equipamento fixo para complementar o actual planetário móvel que tem percorrido as nove ilhas. José Contente acrescentou que o Executivo vai adquirir outros três telescópios, um investimento de 10 mil euros, para reforçar o gosto e o conhecimento científico pela astronomia.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, março 26, 2009

Ciclo Astronomia e Cultura - Sessão na ilha das Flores

Decorreu na ilha das Flores (22 de Março), sob o título genérico de “Calendário Cósmico” uma das quatro sessões distribuídas por épocas paradigmáticas – os Equinócios e os Solstícios.
Cada sessão compõe-se de:
1. Um documentário em vídeo, de 50 minutos, informando (em cada caso), sobre as ligações existentes entre crenças e práticas culturais relativas a cada respectivo período de tempo (Equinócios e os Solstícios), de acordo com as tendências da Ilha em que terá lugar.
2. Um período de 15minutos a 30minutos dedicado à discussão da matéria apresentada, seguido de intervalo.
3. Início do Colóquio, cujo painel é estruturado em conformidade com a época e a Ilha em questão, devendo abranger as áreas nucleares, como sejam a Astronomia, a Etnologia e a Astrolatria, para além da específica da Ilha, que poderá incluir a Botânica, a Etnografia, a Medicina popular, a Mitologia, etc. Comunicações de 20minutos seguidas de tempo para debate público. Na interacção entre os vários saberes haverá uma maior aproximação ao estado da arte neste sector do conhecimento.
Os professores Miguel Ferreira (Astronomia), Moisés Espírito Santo (Etnografia) e Rosalina Gabriel (Botânica) participaram na sessão que decorreu no auditório do Museu na ilha das Flores, coordenados pela Professora Antonieta Costa Iniciativa da Direcção Regional da Cultura, numa iniciativa conjunta com a Universidade dos Açores.

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A astronomia na obra de Camões (III)

Realizou-se no passado dia 23 deste mês, na Escola Secundária Padre Jerónimo Emiliano de Andrade, uma conferência comemorativa do Ano Internacional da Astronomia, proferida pelo Professor Félix Rodrigues da Universidade dos Açores, com o título “A astronomia na obra de Camões”. Essas conferências foram organizadas pelo grupo de Físico-química da mesma escola.
Félix Rodrigues referiu que o Professor de Matemática da Universidade de Coimbra, Luciano Pereira da Silva, publicou entre 1913 e 1915, na Revista da Universidade de Coimbra, um estudo intitulado “A Astronomia de Os Lusíadas”, que rapidamente esgotou. Mais tarde, em 1972, houve uma reedição desse trabalho que também esgotou. Na “Astronomia de Os Lusíadas”, o Professor Luciano Pereira da Silva foi o primeiro a analisar de modo sistemático as referências astronómicas do Poema e a esclarecer os seus aspectos astronómicos, mostrando que ‘Camões tinha um conhecimento claro e seguro dos princípios da astronomia, como ela se professava no seu tempo’ e deduz que as ideias astronómicas de poeta são as do texto de Johannes de Sacrobosco, com as modificações contidas nas notas de Pedro Nunes no Tratado da Sphera de 1537.
Em 1998, o astrónomo brasileiro Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, publica um livro intitulado “A astronomia em Camões”, onde descreve a visão do universo no momento da composição da grande epopeia lusitana e questiona as fontes bibliográficas e outras de que se serviu o poeta para a elaboração do monumento máximo da língua portuguesa.
Entende Félix Rodrigues que as referências astronómicas de “Os Lusíados”, escritos em 1572, reflectem uma visão aprofundada da astronomia da época, com elementos astrológicos característicos dos interesses das cortes europeias renascentistas. Assim, Camões tem uma visão medieval Cosmogónica do mundo, que ainda não incorporou os elementos da revolução Coperniana, que colocava o Sol no centro do Universo. Essa visão Cosmogónica de Camões abrange as diversas lendas e teorias sobre as origens do universo de acordo com as religiões, mitologias e ciências, através da história. Camões é sem sombra de dúvida, na sua época e fora dela, um homem culto, possuidor de conhecimentos vastos em diversas áreas do saber.
Refere ainda Félix Rodrigues que Nuno Crato, do Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa, num trabalho publicado em 2004 no Instituto Camões, afirma que: “...Camões não pode, contudo, ter-se baseado apenas na sua experiência nem em leituras secundárias. «Nem me falta na vida honesto estudo», diz quase no fim de Os Lusíadas, «com longa esperiencia misturado» (X, 154). A precisão com que fala da «grande máquina do Mundo» (X, 80) e se refere repetidamente a difíceis conceitos astronómicos indica ter-se baseado no «honesto estudo» da cosmologia da época.”.
É especialmente no último Canto de Os Lusíadas, quando a ninfa Tétis mostra a Vasco da Gama a Máquina do Mundo, que a visão medieval Ptolomaica do Universo transparece lúcida e claramente na obra de Camões.
Tal como se referiu anteriormente, no tempo de Camões, astronomia e astrologia confundiam-se, acreditando-se que o destino de cada um estava escrito nas estrelas. Essa sina, destino ou fado, ditada pelas estrelas é nítida no Soneto V das Obras Completas de Luís de Camões.
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Mas minha Estrella, que eu ja agora entendo,
A Morte cega, e o Caso duvidoso
Me fizerão de gostos haver medo.
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Em Portugal, a astrologia esteve muito em voga no tempo de Dom João I. Os principais eventos da história eram acompanhados pelos comentários dos astrólogos. Desse modo, a morte da rainha Dona Filipa de Lencastre, precedida de um eclipse do Sol, foi descrita pelos cronistas da época. Por ocasião da coroação de Dom Duarte, em 1433, o médico e astrólogo real Guedelha (Guedalia) solicitou ao jovem rei, que também se ocupava de estudos astronómicos, que adiasse a cerimónia uma vez que a posição dos astros lhe era desfavorável. O rei recusou e, por uma dessas coincidências inexplicáveis, o reino de Dom Duarte foi curto e infeliz. Em 1438, a morte do rei, fez com que o grande regente D. Pedro ordenasse ao mesmo astrólogo de dirigir o coroamento do jovem Afonso V de modo a evitar os eventos desagradáveis como os que haviam ocorrido anteriormente durante o reinado de Dom Duarte.
Será apenas uma figura de estilo de Camões quando afirma que a coroação de D. João I estava “marcada” nas estrelas (Canto IV, Estrofe 3)? Camões é sem dúvida grande conhecedor da astronomia e astrologia do seu tempo. É um homem de letras apaixonado pela ciência e convoca todas as áreas do conhecimento, como é hábito no renascimento, para a escrita da Grande Epopeia Portuguesa.

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quinta-feira, março 19, 2009

A astronomia na obra de Camões (II)

Realizou-se no dia 16 de Março, na Escola Secundária Padre Jerónimo Emiliano, organizada pelo grupo de Físico-Química da mesma escola, mais uma conferência sobre "A astronomia na obra de Camões" proferida pelo Professor Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
De acordo com este investigador, Camões, tinha uma grande paixão pela física e astronomia, bem visíveis no poema:


Ditoso seja aquele que alcançou
poder viver na doce companhia
das mansas ovelhinhas que criou!
Este, bem facilmente alcançaria
as causas naturais de toda a cousa:
como se gera a chuva e neve fria;
os trabalhos do Sol, que não repousa;
e porque nos dá a Lua a luz alheia,
se tolher-nos de Febo os raios ousa;
e como tão depressa o Céu rodeia;
e como um só, os outros traz consigo;
e se é benina ou dura Citereia.
Bem mal pode entender isto que digo
quem há-de andar seguindo o fero Marte,
que traz os olhos sempre em seu perigo.

onde o autor aspira à vida de pastor para poder estudar fenómenos físicos como a formação da chuva e da neve, o movimento do sol (confundido na altura com o movimento da terra) ou a reflexão da luz do Sol pela Lua.
Ainda hoje a formação da chuva não é fácil de explicar, pois são necessárias várias condições físicas para que esta ocorra: vapor de água em abundância, núcleos de condensação de núvens em suspensão na atmosfera e a possibilidade de ocorrência de um arrefecimento adiabático.
Nos Lusíadas por exemplo, o «Planeta que no céu primeiro habita» (a Lua) marca com rigor o tempo da viagem de Vasco da Gama através das suas fases: «agora meio rosto, agora inteiro» (V, 24), numa alusão clara às várias fases da Lua.
Mercúrio, no segundo céu (no sentido astronómico ou astrológico) é referido três vezes no Canto II, estrofes 59, 60 e 61, e uma vez no Canto Décimo, na estrofe 89 dos Lusíadas. Como entidade mitológica, Mercúrio é referido nessa obra uma vez no Canto Primeiro, quatro vezes no Canto Segundo e uma vez no Canto Nono.
O planeta Vénus, é referido explicitamente, como planeta, ou como estrela da manhã ou grande estrela, no Canto Primeiro (estrofe 33), na estrofes 33, 34 e 35 do Canto Segundo, estrofe 85 do Canto Sexto, na estrofe 15 do Canto Sétimo, na estrofe 64 do Canto Oitavo e na estrofe 89 do Canto Décimo.
O planeta Marte, só é referido em Os Lusíadas, uma única vez como sendo um planeta, na estrofe 89 do Canto Décimo, todas as outras vezes é referido com deus da guerra ou como atributo dos guerreiros.
Júpiter é referido, tanto como planeta “Num assento de estrelas cristalino” como uma figura mitológica “Estava o Padre ali sublime e dino” na estrofe 22 do Canto I. O mesmo se passa na estrofe 41 do mesmo Canto, quando o poeta afirma que Júpiter decide a favor dos portugueses “Pelo caminho Lácteo glorioso”, numa perspectiva astronómica, para logo lhe associar a perspectiva mitológica “Logo cada um dos Deuses se partiu”.
No Canto II, estrofe 33, Júpiter volta a ser referido como planeta “Avante passa, e lá no sexto Céu”, pois de acordo com o modelo Ptolomaico, Júpiter ocupava a sexta esfera celeste, para de imediato lhe atribuir um sentido mitológico “Para onde estava o Padre, se moveu.”, referindo-o como o deus dos deuses.
Na estrofe 89 do Canto X, Júpiter volta a ser referido como um planeta que se movimenta no grande firmamento.
Na estrofe 89 do Canto X, Camões fala dos planetas conhecidos, de acordo com o modelo Ptolomaico:

"Debaxo deste grande Firmamento,
Vês o céu de Saturno, Deus antigo;
Júpiter logo faz o movimento,
E Marte abaxo, bélico inimigo;
O claro Olho do céu, no quarto assento,
E Vénus, que os amores traz consigo;
Mercúrio, de eloquência soberana;
Com três rostos, debaxo vai Diana.

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domingo, março 15, 2009

Concurso de fotografia sensibilizapara a biodiversidade dos Açores

Sensibilizar os jovens para a importância da biodiversidade dos Açores. É este o principal objectivo do concurso de fotografia “Biodiversidade: Um Olhar Atento”, que decorre de 16 de Março a 3 de Abril, numa iniciativa do Conselho Eco-Escolas da Escola Secundária de Angra do Heroísmo inserida nas comemorações do Dia Mundial do Ambiente. Destinado alunos, docentes e funcionários da Secundária de Angra, o concurso tem como parceiro estratégico o Grupo da Biodiversidade dos Açores, CITA-A, e visa seleccionar e premiar fotografias originais baseadas na biodiversidade dos Açores, em particular nas espécies naturais do arquipélago. “O objectivo é proporcionar um contacto mais directo com a biodiversidade e as espécies endémicas dos Açores”, sublinha Paulo Borges, do CITA-A, para quem “muitas vezes os mais jovens não têm a mínima ideia do valor que têm na sua própria ilha em termos de espécies únicas”.Os 10 melhores trabalhos de cada escalão serão integrados no portal da Biodiversidade dos Açores (http://www.azoresbioportal.angra.uac.pt/).No âmbito desta iniciativa, terão ainda lugar de 16 a 19 de Março, na Secundária de Angra, quatro palestras sobre “Insectos, aranhas e outros bichos dos Açores – um património por descobrir” e “Biodiversidade vegetal dos Açores”, por Paulo Borges e Rosalina Gabriel, do CITA-A.As conferências, marcadas sempre para as 14h15, no auditório da escola, destinam-se aos alunos dos ensinos básico e secundário.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, março 11, 2009

A Astronomia na obra de Camões (I)

Realizou-se no dia 9 de Março de 2009, na Escola Básica e Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, em Angra do Heroísmo, uma conferência intitulada “ A Astronomia na Obra de Camões”, proferida pelo professor Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Nessa conferência, organizada pelo Grupo de Físico-Química dessa escola, participaram cerca de 120 alunos do 9ºde Escolaridade.
Félix Rodrigues referiu que já na Elegia I de Camões, que o poeta demonstra interesse pela astronomia e Física, quando afirma que:



“Ditoso seja aquele que alcançou
poder viver na doce companhia
das mansas ovelhinhas que criou!
Este, bem facilmente alcançaria
as causas naturais de toda a cousa:
como se gera a chuva e neve fria;
os trabalhos do Sol, que não repousa;
e porque nos dá a Lua a luz alheia,
se tolher-nos de Febo os raios ousa;
e como tão depressa o Céu rodeia;
e como um só, os outros traz consigo;
e se é benina ou dura Citereia.
Bem mal pode entender isto que digo
quem há-de andar seguindo o fero Marte,
que traz os olhos sempre em seu perigo.”


Nesse poema Camões aspira a vida de pastor para poder ter tempo para estudar e entender fenómenos físicos naturais como a formação da chuva ou da neve, perceber a razão porque o Sol se move continuamente sem perder energia, perceber “as leis da reflexão” da luz do Sol pela Lua e o movimento de planetas como Vénus (Citereia) ou Marte.
Na obra de Camões, os deuses do Olimpo também podem ser planetas. Tal é muito claro na estrofe 89 do Canto X, onde Camões descreve com exactidão o modelo ptolomaico do universo.



"Debaxo deste grande Firmamento,
Vês o céu de Saturno, Deus antigo;
Júpiter logo faz o movimento,
E Marte abaxo, bélico inimigo;
O claro Olho do céu, no quarto assento,
E Vénus, que os amores traz consigo;
Mercúrio, de eloquência soberana;
Com três rostos, debaxo vai Diana.



O grande firmamento é a esfera das estrelas fixas, o céu mais afastado, o sétimo céu é o de Saturno, onde orbita esse planeta, Júpiter, no sexto céu, está perto de Saturno, Marte situa-se abaixo de Júpiter no quinto céu, o Sol no modelo geocêntrico ocupa o quarto assento, Vénus o terceiro, Mercúrio o segundo e finalmente a Lua (Diana) ocupa o primeiro céu.
Foram abordadas outras estrofes dos Lusíadas e exploradas do ponto de vista astronómico.

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sexta-feira, março 06, 2009

Aquecimento global afecta mais as ilhas

“As ilhas são mais afectadas do que os continentes pelas alterações globais”, explicou Félix Rodrigues.As alterações climáticas, nomeadamente o aquecimento global e as respectivas consequências deste no ciclo hidrológico da ilha Terceira, foram, ontem, o tema de uma conferência, na Escola Secundária Vitorino Nemésio, intitulada: “Alterações climáticas globais - Impactos no ciclo hidrológico da ilha Terceira”, dada pelos professores da Universidade dos Açores Félix Rodrigues e Francisco Cota Rodrigues. “Cada açoriano contribui para o aquecimento global tanto com emissões de dióxido de carbono associadas à queima de combustíveis fósseis, como com emissões de metano associadas à produção agro-pecuária das ilhas”, sustenta Félix Rodrigues.O previsível aumento da temperatura média da Terra provoca um acréscimo do nível médio das águas do mar e aumenta a quantidade de vapor de água na atmosfera. O vapor de água também é um gás de estufa. A sua condensação produzirá inundações, nos períodos mais frios, e secas, nos períodos mais quentes.Análises isotópicas da água da chuva dos Açores fazem concluir que a chuva que aqui chega tem origem em ambientes quentes marítimos, ou seja, dependente da corrente do Golfo. Alterações nessa corrente têm implicações na precipitação e no ciclo hidrológico açoriano.Cota Rodrigues, após uma sucinta explicação da hidrogeologia da Terceira, referiu que a qualidade da água captada para consumo está muito dependente do tipo de aquífero: suspenso ou basal. A importância do coberto vegetal para a recarga dos aquíferos nas ilhas açorianas, foi outro dos pontos falados.Ambos os investigadores apontam a necessidade de um correcto ordenamento do território, para garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos insulares, e uma aposta forte nas energias alternativas como contributo da região para o combate às alterações climáticas globais.“Tentámos explicar os efeitos locais e globais do ciclo hidrológico”, conclui Félix Rodrigues.
(In Diário Insular)

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quarta-feira, março 04, 2009

Mini-exposição: O Universo da Astronomia

Mini-exposição: O Universo da Astronomia

Constituição
A partir do mês de Março de 2009, é constituída por 5 estruturas de montagem rápida com painéis de dupla face abordando diversos temas de Astronomia.
Dois filmes em DVD.
Conjunto de slides projectados por datashow sobre 3 temas: O Sol e o sistema Solar; As estrelas; O Universo.
Temas dos painéis
O Sistema Solar - interior
O Sistema Solar - exterior
Sol - a nossa estrela
Do nascimento à morte das estrelas
Galáxias
Astronomia Extragaláctica
Observar para além do visível
Astronomia e Tecnologia
Requisitos
Um pequeno espaço de fácil afluência dos alunos (e.g. a biblioteca)
Um leitor de DVD e televisor
Um computador e sistema de projecção "datashow"
Custos
Não tem custos mas é necessária a colaboração da escola ou de um seu docente para o transporte de e para o aeroporto.
Disponibilidade
Uma calendarização será feita brevemente. A exposição estará nos Açores a partir de meados de Março, com início nas escolas da ilha Terceira.

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segunda-feira, março 02, 2009

Site sobre Térmitas dos Açores

Investigadores da Universidade dos Açores lançaram Quinta-feira um sítio na Internet com informações sobre o combate à praga das térmitas.
"Há que começar a fazer algo para actuar no terreno no sentido, também, de criar mais optimismo nas pessoas e as pessoas também se envolverem um pouco mais", disse o investigador Paulo Borges.O sítio www.sostermitas.uac.pt retrata o problema das térmitas e apresenta soluções de uma maneira simples e compreensível.Esta praga, que ataca a madeira das habitações, provocando o seu colapso, está fortemente implantada em Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, mas já foi detactada em cinco ilhas açorianas.Reportagem vídeo: Nuno Neves, Telejornal.

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sábado, fevereiro 28, 2009

Site SOS Térmitas

Já está disponível o Portal das Térmitas dos Açores: Http://sostermitas.angra.uac.pt.
Este Portal resultou da realização do projecto “TERMIPAR - Envolvimento dos cidadãos no controlo das térmitas urbanas nos Açores”, financiado pela DRCT (Governo Regional dos Açores), que aliou o conhecimento produzido sobre as térmitas e as estratégias de as enfrentar ao trabalho desenvolvido no âmbito da percepção e comunicação de risco por diversas investigadoras das ciências sociais da Universidade dos Açores, afectas ao CITA-A (Grupo da Biodiversidade dos Açores), ao CES-UA e ao CIBIO-Açores. A sua organização e conteúdos reflectem as necessidades de informação de um grupo alargado de cidadãos de diversos sectores de actividade, proprietários e inquilinos de habitações com e sem térmitas das Ilhas Terceira e São Miguel que foram entrevistados para o efeito.
A página foi coordenada por Ana Moura Arroz e Paulo A. V. Borges ambos investigadores do Grupo da Biodiversidade dos Açores (CITA-A- UA).
O Lançamento foi realizado oficialmente no dia 26 de Fevereiro, pelas 14h00, na Sala 1 do Departamento de Ciências Agrárias, com a presença do Magnífico Reitor da Universidade dos Açores.
Do mesmo grupo ainda existem os sites:
Azorean Biodiversity Group Page (www.angra.uac.pt/gba )
Azorean Biodiversity Portal (www.azoresbioportal.angra.uac.pt/ )
Azorean Spiders: (www.jorgenlissner.dk/azoreanspiders.aspx )
Portal Termitas dos Açores (http://sostermitas.angra.uac.pt/ )

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sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Portal das Térmitas dos Açores

Já está disponível o Portal das Térmitas dos Açores: http://sostermitas.angra.uac.pt

Este Portal resultou da realização do projecto “TERMIPAR - Envolvimento dos cidadãos no controlo das térmitas urbanas nos Açores”, financiado pela DRCT (Governo Regional dos Açores), que aliou o conhecimento produzido sobre as térmitas e as estratégias de as enfrentar ao trabalho desenvolvido no âmbito da percepção e comunicação de risco por diversas investigadoras das ciências sociais da Universidade dos Açores, afectas ao CITA-A (Grupo da Biodiversidade dos Açores), ao CES-UA e ao CIBIO-Açores.
A sua organização e conteúdos reflectem as necessidades de informação de um grupo alargado de cidadãos de diversos sectores de actividade, proprietários e inquilinos de habitações com e sem térmitas das Ilhas Terceira e São Miguel que foram entrevistados para o efeito.
A página foi coordenada por Ana Moura Arroz e Paulo A. V. Borges ambos investigadores do Grupo da Biodiversidade dos Açores (CITA-A- UA).

(In Terra Livre)

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