terça-feira, agosto 11, 2009

Impacto em Júpiter

João Porto

No dia 19 de Julho foi detectado o efeito de um impacto (um cometa ou asteróide) no planeta Júpiter numa zona do hemisfério sul. Este impacto foi, posteriormente à sua descoberta pelo astrónomo amador australiano Anthony Wesley, confirmado por Glenn Orton, do Jet Propulsion Laboratory da NASA, quando utilizou um telescópio na banda do infravermelho. Este é o segundo grande impacto depois do Shoemaker-Levy 9. Em 1994, o SL 9 passou por Júpiter dentro do limite de Roche. Foi então quebrado em pelo menos 21 fragmentos que foram dispersos por vários milhões de quilómetros. Faz agora 15 anos, exactamente entre 16 e 22 de Julho de 1994, que os fragmentos atingiram a atmosfera superior de Júpiter. Agora, na noite de 25 de Julho, registámos vários filmes em formato AVI, realizados com uma SPC900NC e um Cetestron 203mm f/25, que tratados posteriormente com o software Registax, originou um “stack” de 3 imagens, apesar da forte turbulência que fazia literalmente “flutuar” a imagem de alta resolução.O impacto em Júpiter deixou uma clara cicatriz desde o dia 19, estando a evoluir de forma a alastrar-se no Sistema II a uma latitude de 210º sob a forma de uma mancha negra que deverá representar a subida na alta atmosfera de Júpiter dos hidrocarbonetos existentes nas camadas mais baixas auxiliado pelos sistemas tempestuosos que circulam naquele planeta.

(in Notícias Sapo.Pt)

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sábado, julho 25, 2009

Astronomia em Ponta Delgada


ASTRONOMIA NO VERÃO – Observações astronómicas em Ponta Delgada.

Este Sábado, Com os Olhos no Céu, poderá descobrir alguns mistérios do nosso Universo na companhia de astrónomos amadores, bastando para tal deslocar-se às Portas do Mar pelas 22h. Nesta noite de 25 de Julho, os astrónomos amadores proporcionam a todos os interessados uma viagem pelo céu com a ajuda de telescópios. O local escolhido é as Portas do Mar em Ponta Delgada. A sessão de observação terá início pelas 22h e prolongar-se-á até cerca da meia-noite. A actividade "Com os olhos no céu" é organizada pela Universidade dos Açores e conta com a colaboração de diversos astrónomos amadores e professores do ensino secundário. Esta iniciativa irá estender-se a várias ilhas do arquipélago durante este Verão e está integrada no projecto educativo Astronomia no Verão, da responsabilidade da Agência Nacional Ciência Viva. Este ano celebra-se o Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009) e os 400 anos das primeiras observações de Galileu que mudaram a nossa concepção do mundo. O AIA2009 é coordenado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Agência Nacional Ciência Viva, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e da Fundação Calouste Gulbenkian.

(In Astronomia no Meio do Atlântico)

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sábado, junho 13, 2009

Camões e a astronomia

Celebrámos a 10 de Junho o dia do Príncipe dos Poetas. No dia em que passaram quatrocentos e vinte e nove anos sobre a sua morte, vale a pena recordar dois conjuntos de textos que analisam as referências astronómicas utilizadas por Camões em “Os Lusíadas”:
Em primeiro lugar, a Professora Carlota Simões desenvolveu no Portal do Astrónomo oito temas (A viagem de Vasco da Gama – A LuaO SolAs UrsasO Cruzeiro do SulAs dez esferasO firmamentoOs céusO movimento dos auges e estrelas fixas ) que permitem conhecer um pouco da obra de Luciano Pereira da Silva – A Astronomia de “Os Lusíadas”. Numa série de artigos publicados entre 1913 e 1915 na Revista da Universidade de Coimbra, LPS mostra que “Camões tinha um conhecimento claro e seguro dos princípios da astronomia, como ela se professava no seu tempo” e deduz que as ideias astronómicas de Camões decorrem das anotações de Pedro Nunes sobre os textos de Johannes de Sacrobosco, cuja obra Camões mostra conhecer com rigor, quando no Canto X coloca na voz da Deusa Tethis a descrição do mundo tal como esta é descrita no “Tratado da Sphera” , considerada a principal fonte astronómica de “Os Lusíadas”, a par da informação recolhida nos diários de bordo da viagem de Vasco da Gama e nas tábuas náuticas.
Vês aqui a grande máquina do Mundo,Etérea e elemental, que fabricadaAssim foi do Saber, alto e profundo,Quem é sem princípio e meta limitada.Quem cerca em derredor este rotundoGlobo e sua superfície tão limada,É Deus; mas o que é Deus, ninguém o entende,Que a tanto o engenho humano não se estende.
Canto X – 80
Em segundo lugar, as Palestras do professor Félix Rodrigues, subordinadas ao tema A astronomia na obra de Camões - partes I - II - III -, no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Astronmia.

(In The Universe in a Nutshell)

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quarta-feira, maio 27, 2009

À procura de outras terras

Nuno Santos - Investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto

A descoberta de outros mundos passou nos últimos anos de um sonho distante a uma realidade. Durante dezenas de anos, os astrofísicos prescutaram os céus à procura de sinais que nos indicassem a presença de planetas fora do sistema solar. No entanto, foi necessário esperar até meados da década de 90 (do século xx) para que as pesquisas dessem os primeiros resultados.
Formação de Planetas
Hoje é geralmente aceite que os planetas se formam como um subproduto da formação de uma estrela. Quando uma nuvem de gás e poeira se contrai dando origem a um "sol", as leis da física dizem-nos que em seu torno se deve formar um disco achatado.
Por um processo ainda não completamente desvendado, os grãos de poeira existentes no disco vão-se aglomerando, e dão origem a corpos de maiores dimensões. Nas regiões do disco mais afastadas da jovem estrela, a grande quantidade de gelos existentes permite que estes "planetesimais" cresçam em apenas algumas dezenas de milhões de anos. Quando um desses "núcleos" atinge uma massa suficiente (equivalente a cerca de 10 vezes a massa da terra), começa a atrair e juntar gás à sua volta, formando um planeta gigante como Júpiter. Por seu lado, nas regiões mais interiores do disco, mais próximas da jovem estrela e onde a elevada temperatura não permite a condensação de gelos, os grãos de poeira aí existentes darão mais tarde origem a planetas "pequenos", terrestres e rochosos, como a terra.
Como detectar um planeta?
Embora se saiba que o processo de formação planetária deva ser comum (é muito frequente encontrar discos em torno de estrelas jovens), a detecção de outros planetas não é simples. Quando vistos à distância de alguns anos-luz, os planetas não são mais do que tímidos pontos de luz ofuscados pela luz da estrela que orbitam. É extremamente difícil obter uma imagem de um planeta extra-solar; Júpiter, por exemplo, é cerca de mil milhões de vezes menos brilhante de que o sol. No entanto, sabemos através das leis da física que do mesmo modo que uma estrela atrai um planeta, o planeta também atrai a estrela. Ambos os corpos vão então rodar um em torno do outro, ou antes, em torno de um ponto denominado por "centro-demassa", uma espécie de ponto médio entre os dois objectos (mas mais perto da estrela, ou mesmo dentro desta, já que esta tem bastante mais massa que o planeta). Este facto permite tentar procurar planetas recorrendo a técnicas indirectas. Em particular, o movimento de uma estrela em torno do centro-de-massa do sistema estrela-planeta(s) traduz-se por uma variação periódica na velocidade da estrela: umas vezes esta está a afastar-se de nós, e outras vezes a aproximar-se. Assim, se formos capazes de medir a velocidade de uma estrela com grande precisão, da ordem de alguns metros por segundo (m/s), seremos capazes de detectar o movimento desta, provocado pela eventual presença de um planeta.
Por exemplo, Júpiter induz no sol um movimento com uma amplitude da ordem de 13 m/s.
O primeiro planeta extra-Solar
Foi exactamente esta técnica que nos permitiu detectar a maioria dos planetas extrasolares descobertos até hoje em torno de estrelas semelhantes ao sol. ainda assim, foi necessário esperar até 1995, altura em que uma equipa de astrónomos suíços liderada pelo Prof. Michel Mayor (Observatório de Genebra) anunciou o primeiro destes corpos, a orbitar a estrela 51 da constelação do Pégaso (51Peg).
A maldição estava quebrada... finalmente um planeta! No entanto, havia um detalhe completamente inesperado: o planeta descoberto não se parecia em nada com os velhos conhecidos do sistema solar. No lugar de um planeta gigante gasoso a orbitar longe da sua estrela (tal como Júpiter ou Saturno), o planeta que orbita a estrela 51 Pegasi dá uma volta a esta (ou antes, ao centro de massa do sistema) em apenas 4,2 dias! Ou seja, encontra-se cerca de 20 vezes mais perto da estrela do que a terra se encontra do Sol.
Um zoo de planetas
Como tantas vezes acontece em Ciência, o difícil é descobrir o primeiro. Em apenas 13 anos, o número de planetas extra-solares conhecidos aumentou para cerca de 300. Afinal, os planetas parecem existir, e mais do que isso, parecem ser comuns no Universo.
À semelhança do caso do planeta da 51Peg, de um modo geral as descobertas causaram grande espanto. Os astrónomos esperavam encontrar planetas como Júpiter, em órbitas quasi-circulares e longe da sua estrela (tal como indicado pelas teorias tradicionais), e encontraram toda uma variedade de mundos. Assim sendo, estas descobertas levantaram (e levantam) múltiplas questões. Como se formaram estes planetas? Ou, se quisermos, como se formam os planetas gigantes de um modo geral?
As teorias aceites há apenas 10 anos atrás foram postas em causa, e novos dados tiveram que ser introduzidos. Os resultados mais recentes começam já a desvendar alguns dos mistérios, e as primeiras respostas são já evidentes.
A luz ao Fundo do túnel
Com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, hoje é possível medir a velocidade de uma estrela com uma incrível precisão de 1m/s! Tal permitiu mesmo descobrir alguns planetas com massas de apenas 5 vezes a massa da terra, embora em órbitas de muito curto período. Por outro lado, complementando a técnica das velocidades radiais com a chamada técnica dos trânsitos, tem sido possível estudar as propriedades dos planetas em si. A técnica dos trânsitos, uma outra técnica de detecção indirecta, baseia-se no facto de que quando um planeta passa à frente da estrela (como visto por nós aqui na terra) vai bloquear um pouco da luz desta, produzindo assim uma ligeira variação momentânea do seu brilho. Adicionando os resultados obtidos com a técnica das velocidades radiais é possível determinar o diâmetro dos planetas detectados, a sua densidade, e assim estudar a sua estrutura interna. Mais ainda, uma série de observações complementares permitiu já detectar e estudar a atmosfera de um dos planetas gigantes, entretanto descoberto. Os resultados mostram que este planeta, que se encontra muito perto da estrela, pode estar a evaporar lentamente. Por fim, observações no infra-vermelho permitiram medir a radiação emitida por dois destes mundos, mostrando que estes planetas são um verdadeiro inferno, com temperaturas da ordem dos 1500K. Mais recentemente, foi mesmo possível obter imagens de planetas em torno de outras estrelas. Embora ainda apenas para casos muito extremos, nomeadamente para planetas de grande massa e em órbitas de longo período (que estão assim longe da estrela), estas descobertas parecem abrir o caminho para a detecção directa de exoplanetas.

(in Diário Insular)

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sábado, maio 09, 2009

Conferências sobre astronomia: A Matemática é fundamental

Compreender a importância da matemática na astronomia e a influência que pode ter esta compreensão em actividades relevantes no dia-a-dia da nossa vida é o objectivo das conferências que o professor Miguel Ferreira vai proferiu hoje, no Nordeste e, amanhã, na Escola Secundária Antero de Quental. O orador dá o exemplo de uma colega que, durante alguns anos, foi astrónoma e hoje faz cálculos matemáticos para bancos, de forma a prever a evolução dos mercados da bolsa.

Correio dos Açores Que temática vai abordar nas conferências que se enquandram no projecto Um Passeio pela Ciência: a Matemática na nossa Vida 2009, organizado pelo Departamento de Matemática da Universidade dos Açores?

Miguel Ferreira - Nos colóquios irei falar sobre a importância da Matemática, o seu papel fundamental na Astronomia. Irei abordar um pouco as ferramentas matemáticas que nós usamos na Astronomia ou Astrofísica, dando alguns exemplos relativamente simples para serem compreendidos pelos alunos e para tentar passar a mensagem de que a Matemática, hoje em dia, é indispensável em imensas actividades, portanto não é só Matemática para a Matemática, mas é Matemática para a ciência em geral, neste caso particular para a Astronomia.

Explique que importância dá à Matemática como contributo para a Astronomia.

A Astronomia é a aplicação da Física e da Matemática a um objecto de estudo que é tudo o que compõe o Cosmos. A linguagem que nós usamos é linguagem matemática, são modelos matemáticos que nos permitem descrever o que se passa, por exemplo, no interior de uma estrela. Isso permite-nos prever o que poderá acontecer no futuro a uma estrela que observamos, se poderá explodir como uma supernova ou, se pelo contrário, vai ter uma morte mais parecida com a do Sol. São os modelos matemáticos, aliados à Física, que nos permitem perceber muito daquilo que observamos através dos telescópios.

No seu entender, os açorianos estão despertos para a importância desta ciência?

Eu acho que algumas pessoas pensarão que a Astronomia é só observar, só olhar e ver as estrelas, as galáxias e os planetas, mas não é. A Astronomia, no presente, tem muito que ver com compreender e explicar. E para compreender e explicar é necessário aplicar a Física e a Matemática e é isso que se tem feito. Portanto, vai muito para além da observação, passa pela compreensão e explicação dos fenómenos que se observa. Pessoas têm visão muito negativa.

O que é se pode fazer para cativar as pessoas neste sentido, para lhes possibilitar mais informação?

Acho que hoje em dia a Matemática é vista de uma maneira muito negativa e há que inverter isso. Essa inversão tem que se iniciar nas idades mais jovens e penso que a Astronomia pode ser um veículo importante, cativando os alunos e os jovens a observar as actividades da Astronomia para, dessa forma, cativá-los para a ciência, não só para a Astronomia, mas para outras, inclusive a Física, a Matemática, a Engenharia, a Informática, tudo ciências que são úteis e fundamentais para a Astronomia. Neste sentido, penso que esta ideia dos meus colegas do Departamento de Matemática de fazerem estes colóquios é muito boa e vai na direcção certa de tentar inverter esta noção da Matemática que impera um pouco em Portugal.

Portanto, a Matemática tem uma utilidade prática em vários ramos.

Tem sim, com certeza que tem. Posso dar-lhe o exemplo de uma colega que durante uns anos foi astrónoma e depois decidiu mudar de profissão. Hoje, o que ela faz é cálculos matemáticos para bancos, de forma a prever a evolução dos mercados da bolsa, aplicando ferramentas matemáticas, muitas daquelas que ela usava quando fazia astronomia. Portanto, em tudo o que nós fazemos a Matemática está presente, nós é que não nos apercebemos disso, mas ela é fundamental para um biólogo, para um médico, para um engenheiro e, obviamente, para um astrónomo. Acaba por ser fundamental para quase todas as profissões. E esta problemática que vai estar em apreciação nos seus colóquios... Sim, vou falar um pouco sobre a importância da Matemática para a Astronomia e depois irei particularizar a forma como a Física aliada à Matemática nos permite descobrir objectos. O exemplo que eu vou focar é o da descoberta, na última década, de mais de 300 planetas à volta de outras estrelas. Estes planetas, na verdade, não se observam, não se vêem, é graças à compreensão da Física e da Matemática que nós conseguimos inferir a existência deles, apesar de não sermos capazes de ver a maior parte. Existem mais de 300 planetas no Universo?

Existem muitos mais, de momento conhecemos fora do nosso Sistema Solar mais de 300 planetas. Esse número, na próxima década, irá aumentar para alguns milhares.
(In Andreia Medeiros Correio dos Açores)

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quinta-feira, maio 07, 2009

Palestras sobre Astronomia e Matemática


Decorreu hoje, na Escola Antero de Quental, em Ponta Delgada,e decorrerá amanhã, na Escola do Nordeste, na ilha de São Miguel, uma conferência proferida pelo Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Miguel Frreira, sobre Matemática e Astronomia.
Essas conferências integradas nas comemorações do Ano Internacional da Astronomia, foram organizadas pelo Departamento de Matemática da Universidade dos Açores.

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domingo, abril 12, 2009

Astrobiologia – dos tesouros subterrâneos à exploração do espaço

Maria de Lurdes Nunes Enes Dapkevicius (*)


FIGURA 1. Extensos tapetes microbianos recobrem as paredes da Gruta da Terra Mole, na Ilha Terceira, conferindo-lhe uma cor dourada.


FIGURA 2. Estruturas hexagonais em rochas do Algar do Carvão, na Ilha Terceira.

Quando, em 1953, Stanley L. Miller conseguiu produzir matéria orgânica a partir duma mistura redutora de gases semelhante ao que se acreditava ter sido a atmosfera da Terra primitiva, a pesquisa de vida noutros locais do Universo ganhou novo alento. O campo do saber humano que se dedica à pesquisa de vida fora do nosso planeta chama-se Exobiologia ou Astrobiologia, que pode definir-se como sendo o estudo da vida no espaço exterior à Terra. Como ainda não foi encontrada vida fora da Terra, presentemente o principal objectivo da Exobiologia é esclarecer se pode ou não existir vida noutros locais do Universo. Esta é uma questão fundamental da ciência, porque para além de aumentar os horizontes da Biologia, irá ajudar a responder a uma das grandes interrogações sobre a vida – o local onde se originou.
A pesquisa de vida no espaço faz-nos pensar em missões em zonas longínquas do Universo, mas na verdade esta busca começa aqui mesmo, no planeta Terra, do qual conhecemos ainda tão pouco. Sabe-se hoje em dia que existem na Terra muitos ambientes aparentemente inóspitos para a vida, por serem muito quentes, muito frios, demasiado salgados, sem água, sem luz, ou sem matéria orgânica que alimente os seres vivos. Contudo, tem-se encontrado vida na Terra em muitos destes ambientes, como os solos dos desertos mais secos do planeta ou as fontes geotermais submersas. As profundezas da Terra também abrigam comunidades microbianas que são independentes duma fonte de luz – utilizam, em seu lugar, energia química do basalto, uma rocha que abunda na Terra... e em Marte. A descoberta destes ecossistemas de profundidade levou alguns cientistas a pensar que a vida na Terra poderá ter principiado nas profundezas, tendo posteriormente migrado para a superfície, quando as condições da Terra primitiva se tornaram mais hospitaleiras. E em Marte? Poderá ter acontecido o mesmo?
Descobriu-se recentemente que Marte possui estruturas semelhantes a tubos de lava. Os tubos de lava são grutas em forma de túnel por onde passou uma corrente de lava resultante duma erupção vulcânica e existem também na Terra. Só nos Açores, Os Montanheiros, a sociedade espeleológica local, explorou mais de duzentas destas estruturas. Os tubos de lava não são, em princípio, locais muito acolhedores para a vida. A luz, que é a força motriz dos ecossistemas da superfície terrestre, não chega às zonas mais recônditas destas grutas, que podem ter vários quilómetros de extensão e o alimento (matéria orgânica) não abunda. Apesar disso, os microrganismos prosperam nas paredes e no tecto dos tubos de lava dos Açores, formando nalguns locais espessos tapetes com mais de um centímetro de espessura (figura 1). Se a vida sem luz e sem alimento orgânico é possível nos tubos de lava da Terra não o será também nos de Marte?
Antes de partir à aventura até ao planeta vermelho em busca de “marcianos microscópicos”, temos que desenvolver métodos para distinguir o que, num ambiente extremo, é vivo do que não o é. Parece fácil? Na fotografia da figura 2 pode ver-se umas estruturas hexagonais de cor avermelhada que existem no Algar do Carvão da Ilha Terceira. Minerais, com certeza! Pois, quando observadas ao microscópio electrónico, revelaram as estruturas nitidamente microbianas que se vêem na figura 3 e análises mais apuradas demonstraram a existência de dois elementos em concentrações elevadas: carbono ( que reforça a hipótese de se tratarem de estruturas vivas) e ferro (que leva a pensar em estruturas minerais). Então em que ficamos? Tratar-se-á, provavelmente, de microrganismos que utilizam o ferro como fonte de energia, depositando óxidos deste mineral.
Este e outros estudos feitos em tubos de lava da Terra preparam-nos para procurar vida mais além. Decorre, presentemente, na Universidade dos Açores um projecto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior denominado “Compreender a Biodiversidade Microbiana Subterrânea. Estudos dos tubos de lava dos Açores” que tem como objectivos estudar a vida subterrânea para responder a algumas questões fundamentais em Biologia, como a compreensão do funcionamento da vida em ambientes extremos e a pesquisa de novas espécies microbianas. Este projecto tem também uma vertente de ciência aplicada, porque pretende compreender o impacto humano sobre as comunidades microbianas dos ambientes extremos, bem como pesquisar potenciais aplicações para estes microrganismos. Até ao momento, foram encontrados muitos isolados de bactérias que possuem a capacidade de impedir o desenvolvimento de microrganismos causadores de doenças e que são, por isso, promissoras como fontes de novos antibióticos. No projecto participa uma equipa numerosa, com elementos do CITA-A, d’Os Montanheiros e da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos. No primeiro ano do projecto, foram explorados onze tubos de lava localizados na Ilha Terceira, mas estão previstas expedições a outras ilhas do arquipélago.
Os tubos de lava dos Açores albergam autênticos tesouros subterrâneos. Para além da sua beleza, que pode, nalguns casos, ser alvo duma exploração turística sustentável, contêm comunidades microbianas com potencial utilidade em termos industriais e podem ser um local de treino para a pesquisa de vida no espaço. A sua conservação é, por isso, prioritária. Os Montanheiros têm desenvolvido um esforço notável nesse sentido, mas é necessária a colaboração de todos os que, por um motivo ou por outro, visitam as grutas. O material que recobre a parede destas, de consistência mole e por vezes gelatinosa, é um espesso tapete de bactérias que poderá ter levado milénios a formar-se. Em muitas grutas, encontram-se grafitti nestes tapetes, alguns datados de há mais de vinte anos e que ainda não “cicatrizaram”. Deve evitar-se danificar estes tapetes, tal como não devem introduzir-se contaminantes no ambiente das grutas, nem matéria orgânica. Por isso, durante a visita a uma gruta não se deve comer, nem deixar ficar lixo, nem fazer necessidades fisiológicas. Desta maneira, os tesouros de beleza, conhecimento e valor que as grutas albergam passarão às gerações vindouras para que possam também admirá-los e tirar partido deles.

FIGURA 3. Fotografias ao microscópio electrónico de varrimento de estruturas hexagonais de rochas do Algar do Carvão, na Ilha Terceira. À direita, pode ver-se que estas estruturas são constituídas por filamentos, de origem microbiana.

(*) Professora auxiliarCentro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A)Universidade dos Açores - Departamento de Ciências Agrárias.

(In Diário Insular)

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sábado, abril 11, 2009

Céu de Abril

Ao início da noite observamos a nordeste, e bem acima do horizonte, a Ursa Maior com a sua forma característica. Prolongando a linha que une as guardas da Ursa Maior, de Merak para Dubhe, e contando cerca de cinco vezes a distância entre elas, encontramos a estrela Polar. Apesar de ser a estrela mais brilhante da constelação da Ursa Menor, a estrela Polar não é especialmente brilhante. A sua importância reside no facto de se encontrar muito perto do norte geográfico. Assim, ao longo da noite, a rotação da Terra faz-nos ver todo o céu a rodar em torno desta estrela. Prolongando a cauda da Ursa Maior, encontramos a estrela Arcturo, uma das estrelas mais brilhantes do céu e pertencente à constelação do Boieiro. Continuando na mesma direcção, deparamo-nos com outra estrela brilhante, a estrela Espiga, da constelação da Virgem. Também é visível nesta zona do céu a constelação da Coroa Boreal, com a sua forma inconfundível de coroa.
(In Diário Insular)

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Observatório de Santana com planetário fixo

A secretaria regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos vai avançar com a construção de um novo edifício anexo ao Observatório Astronómico de Santana, no concelho da Ribeira Grande. No Dia Internacional da Astronomia, o secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, José Contente, referiu que o projecto, no valor de 35 mil euros, visa a implantação de um equipamento fixo para complementar o actual planetário móvel que tem percorrido as nove ilhas. José Contente acrescentou que o Executivo vai adquirir outros três telescópios, um investimento de 10 mil euros, para reforçar o gosto e o conhecimento científico pela astronomia.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, abril 09, 2009

Astronomia em exposição na Praia da Vitória

No âmbito das comemorações do Ano Internacional da Astronomia, a exposição de fotografia, intitulada “Da Terra para o Universo” - FETTU, encontra-se patente nas várias freguesias do concelho da Praia da Vitória, até ao dia 15 de Abril.
A mostra é constituída por 27 telas, em grande formato, de objectos astronómicos, distribuídas por locais do município participante (praças, largos, jardins, ruas pedestres, etc.) durante cerca de 15 dias. Na Praia da Vitória ocorre desde o dia 01 de Abril, onde as diversas telas se encontram espalhadas por todas as freguesias do concelho, nos locais de maior afluência do público, bem como nos lugares de maior visibilidade.
Os principais objectivos desta exposição são surpreender o público com imagens de rara beleza, despertando, desta forma, o interesse pela Astronomia, bem como divulgar o trabalho de astrónomos profissionais e amadores, incluindo astrónomos açorianos.
Esta exposição itinerante e ao ar livre vai ser exibida em diversos municípios açorianos, até ao mês de Dezembro, sendo que as primeiras exposições remontam ao mês de Março.
No Ano Internacional de Astronomia, o Centro de Ciência de Angra do Heroísmo e a Sociedade Portuguesa de Astronomia associaram-se a uma iniciativa da União Astronómica Internacional e da UNESCO para organizar, nos Açores, um evento que tem uma dimensão sem precedentes: uma exposição de fotografia ao ar livre, replicada em muitas regiões do Mundo.
A exposição esteve patente no concelho de Angra do Heroísmo entre os dias 17 e 30 de Março.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, março 26, 2009

A astronomia na obra de Camões (III)

Realizou-se no passado dia 23 deste mês, na Escola Secundária Padre Jerónimo Emiliano de Andrade, uma conferência comemorativa do Ano Internacional da Astronomia, proferida pelo Professor Félix Rodrigues da Universidade dos Açores, com o título “A astronomia na obra de Camões”. Essas conferências foram organizadas pelo grupo de Físico-química da mesma escola.
Félix Rodrigues referiu que o Professor de Matemática da Universidade de Coimbra, Luciano Pereira da Silva, publicou entre 1913 e 1915, na Revista da Universidade de Coimbra, um estudo intitulado “A Astronomia de Os Lusíadas”, que rapidamente esgotou. Mais tarde, em 1972, houve uma reedição desse trabalho que também esgotou. Na “Astronomia de Os Lusíadas”, o Professor Luciano Pereira da Silva foi o primeiro a analisar de modo sistemático as referências astronómicas do Poema e a esclarecer os seus aspectos astronómicos, mostrando que ‘Camões tinha um conhecimento claro e seguro dos princípios da astronomia, como ela se professava no seu tempo’ e deduz que as ideias astronómicas de poeta são as do texto de Johannes de Sacrobosco, com as modificações contidas nas notas de Pedro Nunes no Tratado da Sphera de 1537.
Em 1998, o astrónomo brasileiro Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, publica um livro intitulado “A astronomia em Camões”, onde descreve a visão do universo no momento da composição da grande epopeia lusitana e questiona as fontes bibliográficas e outras de que se serviu o poeta para a elaboração do monumento máximo da língua portuguesa.
Entende Félix Rodrigues que as referências astronómicas de “Os Lusíados”, escritos em 1572, reflectem uma visão aprofundada da astronomia da época, com elementos astrológicos característicos dos interesses das cortes europeias renascentistas. Assim, Camões tem uma visão medieval Cosmogónica do mundo, que ainda não incorporou os elementos da revolução Coperniana, que colocava o Sol no centro do Universo. Essa visão Cosmogónica de Camões abrange as diversas lendas e teorias sobre as origens do universo de acordo com as religiões, mitologias e ciências, através da história. Camões é sem sombra de dúvida, na sua época e fora dela, um homem culto, possuidor de conhecimentos vastos em diversas áreas do saber.
Refere ainda Félix Rodrigues que Nuno Crato, do Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa, num trabalho publicado em 2004 no Instituto Camões, afirma que: “...Camões não pode, contudo, ter-se baseado apenas na sua experiência nem em leituras secundárias. «Nem me falta na vida honesto estudo», diz quase no fim de Os Lusíadas, «com longa esperiencia misturado» (X, 154). A precisão com que fala da «grande máquina do Mundo» (X, 80) e se refere repetidamente a difíceis conceitos astronómicos indica ter-se baseado no «honesto estudo» da cosmologia da época.”.
É especialmente no último Canto de Os Lusíadas, quando a ninfa Tétis mostra a Vasco da Gama a Máquina do Mundo, que a visão medieval Ptolomaica do Universo transparece lúcida e claramente na obra de Camões.
Tal como se referiu anteriormente, no tempo de Camões, astronomia e astrologia confundiam-se, acreditando-se que o destino de cada um estava escrito nas estrelas. Essa sina, destino ou fado, ditada pelas estrelas é nítida no Soneto V das Obras Completas de Luís de Camões.
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Mas minha Estrella, que eu ja agora entendo,
A Morte cega, e o Caso duvidoso
Me fizerão de gostos haver medo.
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Em Portugal, a astrologia esteve muito em voga no tempo de Dom João I. Os principais eventos da história eram acompanhados pelos comentários dos astrólogos. Desse modo, a morte da rainha Dona Filipa de Lencastre, precedida de um eclipse do Sol, foi descrita pelos cronistas da época. Por ocasião da coroação de Dom Duarte, em 1433, o médico e astrólogo real Guedelha (Guedalia) solicitou ao jovem rei, que também se ocupava de estudos astronómicos, que adiasse a cerimónia uma vez que a posição dos astros lhe era desfavorável. O rei recusou e, por uma dessas coincidências inexplicáveis, o reino de Dom Duarte foi curto e infeliz. Em 1438, a morte do rei, fez com que o grande regente D. Pedro ordenasse ao mesmo astrólogo de dirigir o coroamento do jovem Afonso V de modo a evitar os eventos desagradáveis como os que haviam ocorrido anteriormente durante o reinado de Dom Duarte.
Será apenas uma figura de estilo de Camões quando afirma que a coroação de D. João I estava “marcada” nas estrelas (Canto IV, Estrofe 3)? Camões é sem dúvida grande conhecedor da astronomia e astrologia do seu tempo. É um homem de letras apaixonado pela ciência e convoca todas as áreas do conhecimento, como é hábito no renascimento, para a escrita da Grande Epopeia Portuguesa.

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terça-feira, março 17, 2009

João Miguel Ferreira, docente na Universidade dos Açores, NA especialidade de Astrofísica : “Olhar o céu “pode dar lucro aos Açores

É o único açoriano a fazer parte do comité organizador do Ano Internacional de Astronomia e considera que os Açores devem potenciar as suas características únicas, por exemplo através da radioastronomia que poderia contribuir de forma decisiva para a astronomia mundial. É o único açoriano a fazer parte do comité organizador do Ano Internacional de Astronomia, numa panóplia de diversos investigadores nacionais da área.

Que importância acrescida este cargo lhe traz, bem como aos Açores?

O nosso objectivo é levar as celebrações do AIA a todo o país e nesse sentido é uma grande honra e responsabilidade. Ao mesmo tempo, é importante os Açores participarem activamente neste acontecimento mundial.

Como é que vamos de Astronomia na nossa Região? Tem ou não sido uma ciência mais ou menos desprezada?

No passado, a comunidade de astrónomos amadores dos Açores desenvolveu um trabalho notável na divulgação da astronomia, que é importante realçar. Não creio que seja uma ciência menosprezada, mas é possível e necessário fazer mais e melhor. Julgo que esta é uma grande oportunidade para o desenvolvimento da astronomia na comunidade e nas escolas em particular. Junto dos mais novos, tem reconhecido alguma "atracção" pelo tema?

A minha experiência é que a astronomia fascina as pessoas de todas as idades. Junto dos mais novos, a astronomia pode ser um instrumento importante para despertar o interesse pelas ciências exactas e a matemática.

Quais as iniciativas previstas realizar na Região no âmbito este Ano Internacional?

Há diversas iniciativas, algumas delas organizadas pelo AIA e outras organizadas por diversas entidades com o apoio do AIA. Destaco a exposição Da Terra para o Universo, organizada em colaboração com o Centro de Ciência de Angra do Heroísmo, cursos de formação para professores, palestras e o Congresso de Astronomia organizado pela Escola Secundária Domingos Rebelo. O projecto Da Terra ao Universo" é único e pretende, durante o ano de 2009, fazer chegar imagens de Astronomia ao maior número possível de pessoas e em locais inesperados. A participação do arquipélago neste evento mundial reveste-se de particular importância, nomeadamente para projectar o arquipélago a nível internacional como dinamizador de eventos de divulgação científica; contribuir para uma participação da região nas actividades comemorativas do Ano Internacional de Astronomia; despertar o interesse do público Açoriano para a Ciência, e a Astronomia em particular, através de fotografias em grande formato com cores e formas impressionantes e de rara beleza; fomentar a cultura científica do público Açoriano de uma forma acessível para todos, original e inesperada; contribuir, em conjunto com outras iniciativas, para mostrar que as ilhas dos Açores são um bom local de observação astronómica e incentivar o público Açoriano a participar em observações regulares.

Em que consistirá a realização do Congresso na Região?

No âmbito do Ano Internacional da Astronomia é nosso propósito promover o I Congresso Internacional de Astronomia Azores O Universo Nos Açores. Temas como a exploração do Sistema Solar, nomeadamente de Marte, levada a cabo pela parceria entre a ESA, NASA, JAXA e Agência Espacial Russa, as descobertas levadas a cabo quase diariamente pelo ESO, o aparecimento de cada vez mais planetas extra Sistema Solar, a moderna Cosmologia, entre outros, estão na ordem do dia dos vários serviços de notícias e fascinam todos nós, principalmente os mais jovens. Este Encontro pretende, assim, ser um espaço onde professores e alunos dos vários níveis e graus de ensino e instituições escolares e científicas mostram o que se tem feito neste domínio. Os objectivos desta realização passam por envolver a escola e a comunidade nas comemorações do Ano Internacional da Astronomia; promover o contacto entre astrónomos profissionais e amadores, professores, alunos e restante comunidade interessada em Astronomia; divulgar projectos realizados nas Universidades e Escolas no âmbito da Astronomia e exploração do Universo; promover a troca de experiências entre professores de diferentes Instituições; possibilitar a troca de saberes entre os vários participantes; promover a Região Autónoma dos Açores como uma região dinâmica e empreendedora; dar a conhecer à comunidade o que está neste momento a fazer-se em investigação científica; promover o intercâmbio entre os profissionais do sector, nomeadamente a troca de experiências no âmbito da elaboração de estudos e projectos de Astronomia e a criação de trabalhos realizados por estudantes, no âmbito da Astronomia, bem como o convívio, a troca de experiências e confronto de ideias, estimulando assim o sentimento de camaradagem necessário para uma saudável convivência com a comunidade científica. O encontro decorrerá nos dias 2, 3 e 4 de Abril de 2009 em Ponta Delgada, na Universidade dos Açores.

São as iniciativas possíveis ou as suficientes?
São as possíveis mas também creio que são suficientes.
A astronomia que se faz nestas nove ilhas é, simplesmente, amadora ou já há bastantes profissionais na matéria?
A astronomia profissional faz-se em universidades e centros de investigação. É por isso natural que não haja mais profissionais de astronomia. Ao contrário do que se possa pensar, a astronomia amadora é muito importante para o desenvolvimento desta ciência, sendo muito frequente a descoberta de cometas e supernovas por astrónomos amadores.

Que opinião tem acerca do Observatório de Astronomia de Santana? Tem ou não sido uma infra-estrutura subvalorizada?

Que mais poderá ser feito para dinamizar e abrir a todos os públicos aquele espaço único na região? Apesar de o Observatório ter tido um início conturbado, o importante é que actualmente está em funcionamento. É certamente uma mais-valia para a região e vai ter um papel cada vez mais importante na sociedade açoriana. "A localização geográfica única do arquipélago açoriano torna-o um local estratégico para a rede internacional de radiotelescópios, permitindo cobrir as longitudes do Atlântico".

Considera, portanto que, esta deve ser uma oportunidade a não perder para os Açores e para a astronomia portuguesa? Em que aspectos e de que forma?

Os Açores devem potenciar as suas características únicas. Já o fazem em algumas áreas como a biologia marinha e geofísica. De forma ainda pouco continuada fazem-no também noutras áreas como, por exemplo, a monitorização da atmosfera. A radioastronomia nos Açores poderia contribuir de forma decisiva para a astronomia mundial. Há uns meses foi anunciado pelo governo regional um protocolo com o Instituto Geográfico Nacional da Espanha para a instalação de estações geodésicas destinadas também a estudos de radioastronomia. A colaboração com instituições estrangeiras é sempre bem vinda, mas o facto de todo este processo estar a ser feito à margem dos astrónomos portugueses leva-me a questionar sobre os benefícios que esta iniciativa terá para a ciência e astronomia em Portugal.

O que é que os Açores poderão ter de potencial para a Astronomia nacional e mesmo mundial?

A astronomia é também um grande motor de desenvolvimento tecnológico em áreas diversas da física, química, engenharia e informática. Assim, para além de apostas concretas em astronomia, como o caso da radioastronomia, os Açores podem contribuir e lucrar com a astronomia apostando nestas outras áreas afins. Há não muito tempo, um grupo de instituições de investigação portuguesas, liderado por António Amorim, construiu uma Câmara de Observação Astronómica no Infravermelho (CAMCAO) para o telescópio VLT existente no observatório astronómico do ESO, no Chile. No futuro, é possível que oportunidades semelhantes possam ser aproveitadas por instituições de investigação e empresas sedeadas nos Açores.
(In Ana Coelho -Correio dos Açores)

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quarta-feira, março 11, 2009

A Astronomia na obra de Camões (I)

Realizou-se no dia 9 de Março de 2009, na Escola Básica e Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, em Angra do Heroísmo, uma conferência intitulada “ A Astronomia na Obra de Camões”, proferida pelo professor Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Nessa conferência, organizada pelo Grupo de Físico-Química dessa escola, participaram cerca de 120 alunos do 9ºde Escolaridade.
Félix Rodrigues referiu que já na Elegia I de Camões, que o poeta demonstra interesse pela astronomia e Física, quando afirma que:



“Ditoso seja aquele que alcançou
poder viver na doce companhia
das mansas ovelhinhas que criou!
Este, bem facilmente alcançaria
as causas naturais de toda a cousa:
como se gera a chuva e neve fria;
os trabalhos do Sol, que não repousa;
e porque nos dá a Lua a luz alheia,
se tolher-nos de Febo os raios ousa;
e como tão depressa o Céu rodeia;
e como um só, os outros traz consigo;
e se é benina ou dura Citereia.
Bem mal pode entender isto que digo
quem há-de andar seguindo o fero Marte,
que traz os olhos sempre em seu perigo.”


Nesse poema Camões aspira a vida de pastor para poder ter tempo para estudar e entender fenómenos físicos naturais como a formação da chuva ou da neve, perceber a razão porque o Sol se move continuamente sem perder energia, perceber “as leis da reflexão” da luz do Sol pela Lua e o movimento de planetas como Vénus (Citereia) ou Marte.
Na obra de Camões, os deuses do Olimpo também podem ser planetas. Tal é muito claro na estrofe 89 do Canto X, onde Camões descreve com exactidão o modelo ptolomaico do universo.



"Debaxo deste grande Firmamento,
Vês o céu de Saturno, Deus antigo;
Júpiter logo faz o movimento,
E Marte abaxo, bélico inimigo;
O claro Olho do céu, no quarto assento,
E Vénus, que os amores traz consigo;
Mercúrio, de eloquência soberana;
Com três rostos, debaxo vai Diana.



O grande firmamento é a esfera das estrelas fixas, o céu mais afastado, o sétimo céu é o de Saturno, onde orbita esse planeta, Júpiter, no sexto céu, está perto de Saturno, Marte situa-se abaixo de Júpiter no quinto céu, o Sol no modelo geocêntrico ocupa o quarto assento, Vénus o terceiro, Mercúrio o segundo e finalmente a Lua (Diana) ocupa o primeiro céu.
Foram abordadas outras estrofes dos Lusíadas e exploradas do ponto de vista astronómico.

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segunda-feira, fevereiro 09, 2009

O Legado de Galileu

Carlos Martins (*)
Galileu Galilei nasceu em Pisa a 15 de Fevereiro de 1564 e morreu a 8 de Janeiro de 1642 em Arcetri (Florença). A sua originalidade não reside no que descobriu, mas na forma como interpretou e comunicou as suas descobertas. Quando nasceu, as universidades eram dominadas pela astronomia geocêntrica de Ptolomeu e pela filosofia de Aristóteles, que postulava uma Terra em permanente mudança e feita de quatro elementos, por oposição aos céus imutáveis e feitos de um quinto elemento. Quando morreu, essas duas teorias estavam também mortas.


Em 1609 uma carta de Paolo Sarpi informou-o da existência, em Veneza, de um instrumento que permitia ver com facilidade objectos distantes, e imediatamente procurou reproduzi-lo e melhorá-lo. O telescópio revelou milhares de novas estrelas nas constelações já conhecidas (e em particular na Via Láctea), mas foram as suas observações do Sistema Solar que tiveram consequências mais dramáticas.
Galileu não foi o primeiro a ver a Lua através de um telescópio (Thomas Harriot fê-lo vários meses antes), mas observou que, tal como a Terra, contém montanhas e vales e não é perfeitamente esférica. De facto conseguiu mesmo medir a altura de várias montanhas lunares, com uma precisão notável para os meios de que dispunha. Estes resultados mostravam a similitude da Terra e da Lua, objectos sólidos com superfícies irregulares iluminados pelo Sol e presumivelmente feitos das mesmas substâncias.
Galileu não foi o primeiro a observar as manchas solares. Christoph Scheiner (conhecido por Fabricius) observou-as e anunciou a descoberta primeiro, sugerindo que se tratava de satélites solares anteriormente desconhecidos. Galileu conseguiu demonstrar que as manchas solares se encontravam junto à superfície do Sol, interpretando o seu movimento como o resultado da rotação do Sol (cujo período estimou em um mês), embora tenha erradamente defendido que se tratava de nuvens. A descoberta de um Sol em permanente mudança foi um duro golpe na filosofia aristotélica. Galileu criticou também a ingenuidade da análise de Fabricius. Sendo este um jesuíta, tal teve o efeito de voltar toda a ordem contra Galileu, e isto viria a ser crucial para os problemas que viria a ter com a Inquisição.
Detractores da hipótese heliocêntrica de Copérnico salientavam que se todos os planetas se movessem à volta do Sol então Mercúrio e Vénus, tal como a Lua, deveriam ter um ciclo de fases. No modelo de Ptolomeu, Vénus e o Sol movem-se à volta da Terra: se Vénus estivesse mais próximo da Terra do que o Sol, seria sempre visto como um crescente; se estivesse mais afastado, seria sempre visto como um disco completo. Mas se Vénus se move à volta do Sol, deve ser visível em todas a fases. As observações de Galileu demonstraram que todas as fases eram visíveis: Vénus move-se à volta do Sol, e o modelo de Ptolomeu está errado. Por outro lado, estas observações eram compatíveis quer com o modelo de Copérnico quer com um modelo alternativo sugerido por Tycho Brahe (no qual os planetas se moviam à volta do Sol mas o Sol se movia à volta da Terra).
Mas a mais dramática das observações de Galileu foi a identificação de quatro satélites de Júpiter. Aqui, mais uma vez, não é claro que tenha sido ele o primeiro a observá-los. Um segundo candidato a essa honra é Simon Marius, aluno de Tycho Brahe. Em qualquer caso, Galileu foi o primeiro a aperceber-se da sua importância. Uma segunda crítica ao modelo de Copérnico era que uma Terra em movimento à volta do Sol seria incapaz de manter junto de si a Lua. A partir de 7 de Janeiro de 1610, Galileu observou quatro ‘novas estrelas’ junto a Júpiter, movendo-se relativamente a este e por vezes desaparecendo. Muito rapidamente explicou este comportamento sugerindo que se moviam à volta de Júpiter, tal como a Lua se move à volta da Terra. Assim sendo, Júpiter conseguia manter 4 luas junto a si, e ninguém tinha dúvidas de que Júpiter se movia (a dúvida era sobre se o fazia à volta da Terra ou do Sol). Porque não poderia então uma Terra em movimento manter consigo a Lua?
A 13 de Março o Sidereus Nuncius (Mensageiro Celeste) era publicado em Veneza, descrevendo observações feitas até ao dia 2 de Março. No espaço de algumas semanas as descobertas de Galileu tornaram-se conhecidas em toda a Europa. O termo satélite (de satelles, um assistente de uma pessoa importante) foi introduzido por Kepler em 1611, e os nomes actuais dos quatro (Io, Europa, Ganimedes e Calisto) por Simon Marius. Mais tarde Galileu determinou os períodos orbitais dos quatro satélites, e verificou que estes aumentavam com a distância a Júpiter: eis uma versão mais pequena do Sistema Solar tal como descrito por Copérnico! Além disso, manifestamente nenhum dos quatro orbitava a Terra, em flagrante contradição com o modelo de Ptolomeu.
A Universidade de Pádua era uma praça-forte do aristotelianismo, e refutou a existência dos satélites com um argumento simples: uma vez que Aristóteles nunca os mencionou, não podem existir. Quando Galileu, num debate público, tentou convencer os seus colegas de Pádua pedindo-lhes simplesmente para olharem através do telescópio estes recusaram. Estava também em jogo saber se aquilo que o telescópio mostrava era real ou apenas uma ilusão. A doutrina aristotélica era clara sobre este ponto: o olho humano era a única fonte de visão do mundo material. Óculos e lentes eram obviamente conhecidos (e tolerados como um mal necessário), mas um instrumento que revelava estrelas completamente desconhecidas era ainda mais suspeito: uma vez que as lentes podiam distorcer imagens, não poderiam também criá-las onde não existiam?
Para obter maiores ampliações, os telescópios de Galileu tinham campos de visão extremamente pequenos. Além disso não tinham qualquer suporte. Qualquer pessoa que tenha tido a oportunidade de manusear uma réplica dos seus telescópios facilmente se aperceberá da enorme perícia necessária para os usar. Neste ponto, Galileu era prejudicado pela sua própria habilidade: era frequente tentar mostrar as suas descobertas a outras pessoas (explicando-lhes para onde deviam apontar o telescópio) e estas eram incapazes de ver o que quer que fosse, simplesmente por não conseguir usá-lo da melhor forma.
A partir desta altura Galileu defendeu publicamente o heliocentrismo, e o seu prestígio, associado ao facto de escrever frequentemente em Italiano (muito mais acessível ao público em geral do que o Latim) tornaram-no objecto da ira da igreja católica. Em 1616 Pio V declarou a Terra em repouso e o heliocentrismo herético. No entanto o geocentrismo estava condenado, e em poucas décadas os seus defensores tinham desaparecido das universidades europeias.
A introdução do telescópio criou um problema adicional para a igreja. A forma como Galileu usou a evidência adquirida com o telescópio implica um acesso à verdade independente da revelação, e permite a cada indivíduo interpretar por si próprio o livro da natureza – o que até então estava reservado à igreja. Um dos legados de Galileu foi o tirar a ciência para fora dos claustros universitários, trazendo-a até à linha da frente do debate público: não só defendeu as suas ideias sem subserviência ao status quo, mas publicitou-as e esforçou-se por popularizá-las quando apropriado. Com isto, o debate deixou de ser sobre as observações e centrou-se na sua interpretação.
As duas grandes revoluções científicas da história da humanidade têm origem em cortes radicais com o passado. Os cientistas da Grécia clássica separaram conhecimento e mitologia, enquanto os do século XVII libertaram a ciência do domínio da igreja. A diferença entre as duas é que a primeira uniu ciência e filosofia, enquanto a segunda voltou a separá-las. Galileu e os seus sucessores são investigadores da natureza e não filósofos, e desde então os contactos ocasionais entre ciência e filosofia limitam-se a discussões epistemológicas, sem afectar os métodos da primeira.

(*) Investigador Ciência 2007 do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, Investigador associado do DAMTP, Universidade de Cambridge e Visitante do Instituto Galileu Galilei, Florença. Colabora com este artigo nas actividades do Ano Internacional da Astronomia organizadas nos Açores, coordenadas pelo Professor Miguel Ferreira do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
(in Diário Insular)

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quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Workshop (WS) sobre Astronomia nas Escolas: Descobre o Teu Universo!

Trata-se de um workshop com o objectivo de apoiar docentes dos ensinos básicos e secundário no auxílio a actividades de Astronomia nas Escolas. Esta iniciativa integra-se no projecto chave (cornerstone project) da UAI denominado .Galileo Teacher Training Program.
A participação nestes WS é gratuita podendo a Comissão Nacional apoiar a deslocação e estadia dos professores. Os professores interessados neste apoio deverão enviar enviar o respectivo pedido por mail para aia2009@mat.uc.pt. Este Curso de Formação aguarda certificação pelo Conselho Cientifico Pedagogico da Formação Continua (1 credito). A entidade formadora certificada é a Agência nacional Ciência Viva.

PARA RESIDENTES NOS AÇORES

Para os WS nos Açores, por favor contactar o Professor Doutor João Miguel Ferreia, responsável pelo AIA2009 na Região Autónoma do Açores miguelf@uac.pt.

Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de email será então informado como deve proceder para realizar a sua inscrição.

Região Autónoma dos Açores/ Terceira 28,29 e 30 de Outubro 2009 Módulo I - Miguel Ferreira

Módulo II –Carlos Santos

Módulo III -Rosa Doran

Região Autónoma dos Açores/ S. Miguel - Observatório Astronómico de Santana - Ribeira Grande 2 a 4 de Novembro 2009

Módulo I – Rosa Doran

Módulo II –Carlos Santos

Módulo III -Rosa Doran

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terça-feira, fevereiro 03, 2009

III Encontro “Astronomia e Ciências Espaciais 2009 - Comunicação e Educação

Realizou-se, em Espinho, nos dias 23 e 24 de Janeiro, o III Encontro “Astronomia e Ciências Espaciais 2009 - Comunicação e Educação” no Centro Multimeios de Espinho que reuniu os diferentes agentes associados às actividades que vão realizar-se durante 2009, o programa completo do Ano Internacional de Astronomia (AIA2009). O programa foi apresentado e discutido no Centro Multimeios de Espinho.
Fotografia de João Porto
No primeiro dia da terceira edição do encontro “Astronomia e Ciências Espaciais”, foi dado ênfase ao processo de criação do Ano Internacional de Astronomia em Portugal e aos projectos globais desenvolvidos pela Comissão Nacional do AIA2009. A palavra foi também dada aos Coordenadores de Actividades a fim de esclarecer a assistência sobre a forma como irão decorrer as iniciativas nos vários distritos do país. Nessa sessão participou o Professor Miguel Ferreira do Campus de Angra do Heroísmo e coordenador regional do AIA2009.
O III Encontro “Astronomia e Ciências Espaciais 2009 - Comunicação e Educação” requereu também a participação activa de todos os que estão a planear actividades num âmbito mais particular, na sua localidade, em escolas, universidades, laboratórios ou em outras instituições. No Sábado de manhã, o colóquio prosseguiu com as intervenções dos “participantes anónimos” do AIA2009 espalhados pelo país e dos principais organizadores dos grandes momentos do AIA2009 que partilharam as suas ideias e os seus planos com a "rede AIA2009". O Ano Internacional de Astronomia pretende proporcionar novas colaborações e interacções entre diferentes grupos científicos e estreitar a ligação entre os astrónomos ditos profissionais e os astrónomos amadores. As diferentes iniciativas permitem ainda dar a conhecer a Astronomia feita por Portugueses e envolver crianças e adultos num dos maiores acontecimentos astronómicos mundiais que vai ter repercussões em mais de 135 países.

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sexta-feira, novembro 07, 2008

São Miguel e Flores devem ter Estações Geodésicas e Astronómicas até 2013

As ilhas de São Miguel e Flores, nos Açores, vão ter em funcionamento até 2013 duas estações geodésicas e astronómicas que vão permitir "estudos avançados" nestas áreas e melhorar os sistemas de navegação aérea, marítima e terrestre. Este projecto implica ainda a construção de outras duas estações em território espanhol, permitindo assim criar uma Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais. Com vista à elaboração de um estudo de viabilidade económica, foi [no passado dia 12 de Setembro] assinado um protocolo de cooperação entre o Governo [Regional] açoriano e o Instituto Geográfico Nacional de Espanha. Segundo o secretário açoriano da Habitação e Equipamentos, o estudo tem a duração de seis meses e pretende determinar os procedimentos e recursos para o funcionamento e exploração da rede. Concluído o estudo será firmado um acordo para a construção das duas estações nos Açores, indicou José Contente, frisando tratar-se de "mais um passo importante na edificação de um cluster tecnológico" na Região e criação de novos postos de trabalho."Ficaremos a saber, por exemplo, qual o afastamento da ilha das Flores e Corvo, em matéria de placas tectónicas", precisou José Contente. De acordo com o governante, as estações podem ser operadas por cerca de 20 quadros qualificados na área da astronomia, engenheiros electrotécnicos e ainda operadores e técnicos, daí que tenha lançado o desafio à Universidade dos Açores para que integre estes projectos. Alberto Alvarez, director-geral do Instituto Geográfico Nacional de Espanha, sublinhou que graças ao projecto os sistemas de informação "vão poder actuar com muita mais precisão", em matéria de navegação aérea, marítima e terrestre. "Vai poder também determinar muito melhor a evolução da Terra", acrescentou o responsável, admitindo que o projecto possa custar entre "20 a 25 milhões de euros".

(In Forum da Ilha das Flores)

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domingo, novembro 02, 2008

Ano Internacional da Astronomia - Extinção no final do Ordovícico

As escolas interessadas em alguma palestra deverão contactar a delegação regional para o Ano Internacional de Astronomia (aia2009@uac.pt).
No caso de a escola e o palestrante serem de ilhas distintas, haverá despesas de viagem e possivelmente de alojamento que ficarão a cargo da escola. O deslocamento do palestrante a uma escola está sempre sujeito à sua disponibilidade de tempo.
Estas palestras não abrangem apenas a astronomia mas temas tão díspares como a literatura, bioquímica, economia e geologia. Assim, agradecemos que divulguem esta iniciativa junto de colegas de outras áreas científicas.

Informação detalhada sobre as palestras

-Terá a extinção maciça do final do Ordovícico sido provocada por uma explosão de raios gama?
o Palestrante: Sérgio Ávila, Centros de Ciência dos Açores
- Breve descrição: Estão documentadas 5 grandes extinções desde o início do Fanerozóico, há cerca de 542 milhões de anos. Destas, a extinção maciça que ocorreu no final do Ordovícico, há cerca de 460 milhões de anos afectou de forma particularmente intensa a vida à superfície da Terra bem como os organismos que na altura habitavam águas pouco profundas. O registo fóssil desta época indica que as espécies de profundidade foram pouco afectadas e esta discrepância entre organismos litorais e de profundidade, há muito tempo que é tema de debate e especulação científica entre os biólogos.

Uma teoria recente (Mellot et al., 2004), propõe que esta extinção maciça terá sido provocada por causas extraterrestres, mais especificamente, pela explosão de uma supernova na nossa galáxia. Durante o colapso gravitacional deste tipo de estrelas, raios X e radiação gama são produzidos em enormes quantidades e, se esta estrela estiver suficientemente perto da Terra, o fluxo de fotões incidentes no nosso planeta será potencialmente devastador para os organismos vivos.
A Supernova SN2002fk na galáxia NGC 1309. Cortesia do Lick Observatory e do Hubble Space Telescope.
Os efeitos mais perversos dão-se ao nível dos gases existentes na atmosfera que envolve o nosso planeta. O azoto atmosférico (N2) e o oxigénio (O2), são separados pela radiação de alta energia, originando dióxido de azoto (NO2), um gás castanho venenoso, que afecta em especial as vias respiratórias. A elevada concentração deste gás na atmosfera terá impedido que a luz do Sol atingisse a superfície do planeta, interrompendo assim os processos fotossintéticos por parte das primitivas plantas terrestres. A camada de ozono foi também afectada em larga escala, permitindo que os raios ultravioletas atingissem a superfície da Terra. O resultado mais evidente destas acções nefastas foi a extinção maciça dos organismos habitando em terra firme e em águas litorais, ao passo que organismos vivendo a elevadas profundidades pouco foram afectados.
-Disponibilidade: S. Miguel e outra ilhas
-Público alvo: a partir do 5ª ano

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domingo, outubro 19, 2008

2009 - Ano Internacional da Astronomia

Como saberão, em 2009 celebra-se o Ano Internacional da Astronomia. Decorrerão, por todo o mundo, e também em Portugal, inúmeras actividades de divulgação da astronomia. Coloca-se aqui a mensagem enviada hoje a todas as escolas do país pelo Prof. João Manuel Fernandes, Coordenador da Comissão Nacional do Ano Internacional da Astronomia e também coordenador do grupo de Astrofísica e Geofísica do Centro de Física Computacional do Dept. de Física da FCTUC, onde se dá conta de algumas das actividades previstas para Portugal.

ASSUNTO: Informação às Escolas e Professores sobre o Ano Internacional daAstronomia de 2009

Caros Colegas,

No seguimento da mensagem de 8 de Setembro, venho prestar mais algumas informações complementares sobre a organização do Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009) em Portugal. Entretanto informamos que o Secretariado Nacional do AIA 2009 está instalado no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. A Comissão Nacional espera, durante as próximas semanas, fazer chegar às escolas portuguesas, exemplares do poster oficial do evento. Em todo ocaso, desde já se disponibiliza o referido poster em formato digital para o caso das escolas desejarem imprimir e afixar(http://www.mat.uc.pt/~aia2009/posterAIA.zip).

A comissão nacional criou um página internet para divulgar o AIA2009(http://www.astronomia2009.org/). Neste momento a página está em fase de profunda actualização, operação que estará pronta no final desta semana. Em particular, a lista das entidades associadas ao AIA 2009 será revista e incluídos os recentes pedidos de adesão. Nesta página pode ainda ser encontrada a proposta de plano nacional deactividades(http://www.astronomia2009.org/documentos/plano_actividades/AIA2009_proposta_Jul07.pdf), cuja versão final será apresentada durante a semana da Ciência e Tecnologia, no próximo mês de Novembro, num evento a anunciar. A página tem várias funcionalidades que se esperam úteis para a organização do AIA 2009. Entre elas, permitimo-nos desde já referir o menu "Agenda" onde se pode consultar as actividades agendadas e, principalmente, pode ser usada pelas entidades (no caso particular, as escolas) para inserirem as suas próprias actividades. Para isso apenas têm que utilizar a ferramenta "Adicionar Evento" e preencher os respectivos campos. Desde já se convidam os professores a fazerem uso desta facilidade. As escolas poderão colocar o logotipo do AIA 2009 na sua página internet e usa-lo para divulgar todo o tipo de actividades de astronomia que se relacionem com o AIA 2009. O logotipo pode ser encontrado fazendo download de http://www.astronomia2009.org/documentos/LogosAIA2009.zip . Aí poderão ser encontrados logotipos em diferentes formatos. Aconselhamos autilização da versão do ficheiro "iya_logo.jpg". O secretariado internacional para o AIA 2009 tem uma página com informações muito relevantes e úteis. O endereço da página é http://www.astronomy2009.org/ .Recomenda-se fortemente uma visita a esta página onde, em particular, pode ser encontrada uma área denominada "Resources" que inclui diferente material de apoio (filmes, textos, DVDs, material educacional, etc.). A maior parte deste material é de uso livre e gratuito. Nos próximos pontos iremos detalhar um pouco actividades previstas paraPortugal, em particular aquelas que visam a comunidade escolar. Apesar de, como foi dito, o plano nacional final ser divulgado apenas em Novembro, há várias informações que podem ser dadas desde já e ajudar a comunidade escolar a organizar-se em torno deste evento. A comissão nacional encontra-se a recolher, junto dos cientistas portugueses (e particularmente, astrónomos), disponibilidades para dar palestras em escolas. Temos já algumas dezenas palestras oferecidas. Assim, gostaríamos de saber, junto da escola, se desejam receber palestras durante 2009. Se sim, agradecíamos que preenchessem o breve formulário Escola: Local: Nome e nº de telefone do professor de contacto: Época do ano em que gostariam de organizar a(s) palestra(s): Temática da(s) palestra(s) (no caso de ter algo preferencial): Este deve ser devolvido para aia200@mat.uc.pt.

O Ano Internacional da Astronomia celebra-se durante todo o ano de 2009. Porém, haverá momentos no ano onde essa celebração se faz simultaneamente em todos os países de mundo envolvidos nesta celebração (neste momento já são 125). Um destes momento será em Abril de 2009, mais concretamente entre 2 (Quinta-feira) e 5 (Domingo), ao qual se deu o nome de "100 horasde Astronomia". A organização mundial deste dia pode ser acompanhada em http://www.100hoursofastronomy.org/ . Assim, lança-se desde já o desafio para que a escola possa organizar actividades de Astronomia nos referidos dias, em particular naturalmente, nos dois primeiros. São variadas o tipode actividades que se poderão organizar para estas dias: palestras, observações, teatro, concursos, exposições, etc.

Um dos aspectos fundamentais do AIA 2009 é a participação na formação dos docentes. Assim, está neste momento a organizar-se um conjunto de workshops de astronomia para professores. Estes workshops decorrerão em períodos não lectivos durante o ano de 2009 e contamos fazer várias edições, em diferentes locais do país. Cada workshop será composto por três módulos: I módulo - Introdução aos conceitos teóricos em Astronomia;II módulo - Utilização de telescópios; III módulo - utilização de ferramentas e plataformas informáticas e de internet no ensino da Astronomia (este módulo será leccionado no espírito do projecto global "Galileo Teacher Training Program: teaching the teachers" cujas informações podem ser obtidas em http://www.astronomy2009.org/globalprojects/cornerstones/galileoteachertraning/). Estes três módulos serão leccionados durante 2 ou 3 dias. Presentemente, a comissão nacional gostaria de ter uma ideia do número de potenciais interessados. Neste sentido, solicitamos que cada escola nos envie (por mail para aia2009@mat.uc.pt) uma lista dos professores interessados, acompanhada do número de telefone do professor de contacto. Esta indicação não compromete os docentes na confirmação futura de participação no workshop, apenas nos ajudará aorganizar o número e local dos workshops.

Igualmente no espírito do que se referiu no ponto sobre as palestras, tentaremos saber junto dos grupos de astronomia da sua disponibilidade para se deslocarem às escolas com o objectivo de promoverem sessões de observação. Neste sentido solicitamos às escolas interessadas a seguinte informação:Escola: Local:Nome e nº de telefone do professor de contacto: Época do ano em que gostariam de organizar a(s) sessão(ões) de observação. Este deve ser devolvido para aia200@mat.uc.pt.

A comissão nacional pensa organizar dois concursos para escolas, a nível nacional. O concurso sobre Astronomia Artística e um concurso sobre Observação Astronómica. No caso do primeiro, a sua organização foi adiada para o ano lectivo de 2009-2010 (durante o primeiro período). O segundo concurso será anunciado brevemente. Entretanto, existe já um muito interessante concurso aberto, denominado "Descobre o Teu Céu", da iniciativa dos Museus de Ciência das Universidade de Coimbra e Lisboa. O concurso é aberto a alunos dos três níveis do ensino básico (ver regulamento e detalhes em http://www.museudaciencia.pt/index.php?iAction=Actividades&iArea=5&iId=2).

Temos recebido já mensagens de Colegas de Escolas referindo que irão usar a Astronomia como tema para área projecto do presente ano lectivo.Trata-se, no nosso entender, de uma excelente iniciativa. A comissão nacional poderá ajudar os professores que assim o desejarem, em particular, no contacto com astrónomos nacionais de quem poderão receber apoio para esses projectos.

As escolas são, por natureza, motores de desenvolvimento e dinamização das comunidades. Neste sentido muito agradecemos todas as inicitivas que a escola possa realizar com instituições e associações da comunidade local com vista à promoção do AIA 2009. A este propósito gostaríamos de comunicar que as Câmaras Municipais foram igualmente informadas pela comissão nacional das actividades em torno do AIA 2009.

Nota: As regiões autónomas da Madeira e do Açores tem representantes para o AIA 2009, que colaboram directamente com a Comissão Nacional. Para a Madeira o representante é o Professor Doutor Pedro Augusto (Universidadeda Madeira), email: augusto@uma.pt; e para os Açores o Professor Doutor Miguel Ferreira (Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores), email: aia2009@uac.pt . Assim, solicita-se que de todos os contactos das Escolas das Regiões Autónomas com a comissão nacional sejam dados conhecimento ao representante respectivo, para melhor coordenar as actividades. Reforçando a disponibilidade da comissão nacional para o apoio que a Escola achar oportuno, enviamos os melhores cumprimentos e votos de um excelente AIA 2009.

João Fernandes Coordenador da comissão nacional para o AIA 2009.

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segunda-feira, setembro 15, 2008

Açores e Espanha em parceria na geodinâmica e astronomia com a Universidade dos Açores

Duas estações geodésicas e astronómicas vão ser construídas nos Açores, e outras duas em Espanha, para melhorar os sistemas de navegação aérea, marítima e terrestre. Este projecto, que vai estar em funcionamento em 2013, visa criar uma Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE).
O protocolo para elaborar um estudo de viabilidade económica foi assinado, hoje, entre o Governo açoriano e o Instituto Geográfico de Espanha. Segundo o secretário açoriano da Habitação e Equipamentos, José Contente, em declarações à Agência Lusa, o estudo tem a duração de seis meses e pretende determinar os procedimentos e recursos para o funcionamento e exploração da rede. Assim que terminar, vai ser feito um acordo para a construção das duas estações nos Açores (nas ilhas de São Miguel e Flores), explicou José Contente, sublinhando que se trata de "mais um passo importante na edificação de um cluster tecnológico" na região e criação de novos postos de trabalho. "Ficaremos a saber, por exemplo, qual o afastamento da ilha das Flores e Corvo, em matéria de placas tectónicas", precisou José Contente. De acordo com o governante, as estações podem ser operadas por cerca de 20 quadros qualificados na área da astronomia, engenheiros electrotécnicos e técnicos e ainda operadores, daí que tenha lançado o desafio à Universidade dos Açores para que integre estes projectos. Alberto Alvarez, director-geral do Instituto Geográfico Nacional de Espanha, sublinhou que graças ao projecto os sistemas de informação "vão poder actuar com muita mais precisão", em matéria de navegação aérea, marítima e terrestre. "Vai poder também determinar muito melhor a evolução da terra", acrescentou o responsável, admitindo que o projecto possa custar entre "20 a 25 milhões de euros".

(In Lusa)

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