segunda-feira, outubro 26, 2009

NA UNIVERSIDADE DOS AÇORES Observação astronómica às sextas-feiras


A partir de amanhã e nas próximas quatro sextas-feiras será possível observar o céu na sua componente astronómica. Trata-se da actividade de divulgação científica designada “Ciência à sexta”, que vai ter lugar no auditório da Universidade dos Açores, Pico da Urze, em Angra do Heroísmo.
A palestra “Moléculas interestelares e vida extra-terrestre”, por Célia Silva e Lurdes Dapkevicius (UAç, DCA), vai marcar o início de um programa de conversas, mesas redondas e sessões de observação do céu a desenvolver no âmbito da iniciativa “Ciência à sexta”, pelas 21h00.
Esta actividade de divulgação científica, que arranca amanhã, 23 de Outubro, pretende dar a conhecer a astronomia como o ponto de partida para levar a reflectir sobre a origem da vida e a sua procura fora da Terra; conhecer o desenvolvimento tecnológico e científico da Europa numa área de ponta como é a astronomia; e discutir a relação entre Arte e a Ciência ficando a conhecer melhor o Universo.
Assim, durante as próximas quatro semanas, às sextas-feiras, esta iniciativa conjunta da Universidade dos Açores, Direcção Regional da Ciência Tecnologia e Comunicações e do Ano Internacional de Astronomia 2009 prevê reunir no auditório da Universidade dos Açores, Pico da Urze, em Angra do Heroísmo, especialistas em astrofísica, a nível regional e nacional.
As outras sextas-feiras serão preenchidas com os temas “Astronomia "made in europe", por Teresa Lago (Centro de Astrofísica da Universidade do Porto), 30 de Outubro; “Arte e Ciência”, José Nuno da Câmara Pereira (artista plástico), Rogério Sousa
(Associação Cultural Burra de Milho), Filomena Ferreira (actriz), Félix Rodrigues
(UAç e moderador), João Pedro Barreiros (UAç), 6 de Novembro; e “Os últimos calhaus a contar do sol”, Nuno Peixinho (Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, Observatório Astronómico), 13 de Novembro.
“Noites Galileu”
Entretanto, as acções serão seguidas de uma sessão de observação astronómica integrada no projecto global “Noites de Galileu” (http://www.galileannights.org/), cujo objectivo é repetir algumas das observações feitas por Galileu há 400 anos e que revolucionaram o mundo ao separar a Ciência da Religião.
As observações ocorrerão das 20h às 21h e das 22h às 23h30, se as condições meteorológicas forem favoráveis, segundo informa a organização, e a entrada é livre.
Recorde-se que Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009) consiste numa celebração da astronomia à escala mundial estimulando o interesse de todos na e na ciência em geral, com particular incidência nas camadas mais jovens da população.
Há três anos a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2009 como Ano Internacional da Astronomia.
Vida extra-terrestre
Segundo a nota informativa sobre o projecto “Ciência à sexta”, a primeira palestra, intitulada “Moléculas interestelares e vida extra-terrestre”, Célia Silva e Lurdes Dapkevicius, tem como ideia base a eventual existência de vida em outros ambientes localizados nas profundezas da Terra e no espaço do Universo.
“As profundezas da Terra também abrigam comunidades microbianas que são independentes duma fonte de luz – utilizam, em seu lugar, energia química do basalto, uma rocha que abunda na Terra... e em Marte. A descoberta destes ecossistemas de profundidade levou alguns cientistas a pensar que a vida na Terra poderá ter principiado nas profundezas, tendo posteriormente migrado para a superfície, quando as condições da Terra primitiva se tornaram mais hospitaleiras. E em Marte? Poderá ter acontecido o mesmo?”, refere o documento.

(In A União)

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quarta-feira, outubro 21, 2009

Ciência à Sexta


A actividade de divulgação científica Ciência à sexta tem início esta sexta-feira, dia 23 de Outubro.Do Miguel Tavarela recebemos este texto:Esta iniciativa consiste em palestras, mesas redondas e sessões de observação do céu durante 4 semanas, à sexta-feira, nas instalações do Pico da Urze da Universidade dos Açores. A astronomia é o ponto de partida para nos levar a reflectir sobre a origem da vida e a sua procura fora da Terra, conhecer o desenvolvimento tecnológico e científico da Europa numa área de ponta como é a astronomia, discutir a relação entre Arte e a Ciência e ficar a conhecer melhor o nosso canto do Universo.

(in Astronomia no Meio do Atlântico)

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terça-feira, agosto 11, 2009

Investigation of novel microbial diversity and nitrogen cycling in lava tubes of Terceira, Azores, Portugal

Foi apresentado no 94th ESA Annual Meeting, em Albuquerque, New Mexico, o trabalho de:
Jennifer J.M. Hathaway1, Diana E. Northup1, and Maria de Lurdes N.E. Dapkevicius2. (1) University of New Mexico, (2) University of the Azores, Terceira.


The subterranean world of caves supports a diverse community of organisms, despite the lack of solar radiation and often low availability of nutrients. Lava tubes, one type of type of caves, are common in volcanic terrain worldwide, yet are understudied compared to their more famous limestone cave counterparts. The walls and ceiling of lava tubes are often covered in colorful microbial mats, however little is known about which organisms are present and what ecological roles they fulfill. One such ecological role could be cycling nitrogen within the cave systems. The oxidation of nitrogen provides energy for some types of microorganisms, and the microbial fixation of nitrogen makes nitrogen bioavailable. Study of the organisms responsible for N transformation in soil and aquatic habitats, continue to yield new discoveries. These analyses have not been conducted in subterranean habitats where N limitation is a major constraint on biological production. Understanding how the bacteria in lava tubes are able to obtain this scarce, critical element from a nitrogen-poor environment would provide greater insight into the ecological dynamics of lava tubes. Molecular methods were used to determine the diversity of species present in 11 Azorean lava tubes, and to determine if these bacteria are capable of participating in nitrogen cycling. Samples represented a range of colors of microbial mats, different precipitation and land use regimes above the lava tubes, and different aged lava flows.
Results/Conclusions
Twelve phyla have been identified using 16S rDNA analyses from the lava tubes, including Nitrospirae (nitrite oxidizers), Actinobacteria, Proteobacteria (four divisions), Bacteriodetes, Planctomycetes, Gemmatimonadetes, Verrucomicrobia, Chloroflexi, Firmicutes, OP10, and TM7. Ammonia oxidation is suggested to occur in 8 of the 11 caves study, base on the presence of the amoA gene. Nitrogen fixation is also suggested to occur in several caves. These results indicate microbial participation in nitrogen cycling in the lava tube ecosystem. We observed small differences in community composition among differently colored microbial mats, but no strong trend in community composition by color was found. Overall, lava tube microbial communities were revealed to contain significant diversity. These results will be used as the basis of a community analyses to compare the community structure in terms of abiotic factors such as soil and water chemistry as well as land use above the lava tubes.

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sexta-feira, abril 17, 2009

9º Encontro de Química dos Alimentos - Angra do Heroísmo, Programa Completo

Quarta-feira, 29/2009
Entrega de documentação/Afixação dos painéis
Cerimónia de abertura
Sessão I – Produção de alimentos e sustentabilidade
Moderador: Jorge Justino, Instituto Politécnico de Santarém
Palestra inaugural
“Food Quality and Sustainability: a question of balance”
Martinus A.J.S. van Boekel, Wageningen University
Pausa para café
Comunicação oral I - “Valorização dos produtos da pesca: aplicação de novas tecnologias de conservação e preparação de novos produtos”
Maria Leonor Nunes, IPIMAR, Lisboa
Comunicação oral II – “Sustentabilidade no sector dos óleos vegetais”
Beatriz Oliveira, REQUIMTE, Serv. Bromatologia, Fac. Farm., Univ. Porto
Comunicação oral III – “Utilização do resíduo de café como fonte de ingredientes alimentares com actividade imunoestimuladora”
Manuel A. Coimbra, QOPNA, Dep. Química, Universidade de Aveiro
Almoço
Sessão I (cont.) – Produção de alimentos e sustentabilidade
Moderador: F. Xavier Malcata, ESB, Universidade Católica Portuguesa
Plenária I – “Sustentabilidade da produção Leiteira nos Açores”
José Matos, Universidade dos Açores
Comunicação oral IV – “Biodiversidade do queijo do Pico. Bactérias lácticas”
M. Lurdes N.E Dapkevicius, CITAA, Dep. Ciências Agrárias, Univ. Açores
Comunicação oral V – “Obtenção de farinha mista, para alimentação de crianças com deficiência nutricional, a partir de banana e milho”, Ana Luisa Fernando,
Fac. Ciências e Tecnologia, Univ. Nova de Lisboa
Comunicação oral VI – “Premium” Microalgae: aplicações biotecnológicas na alimentação humana”, Paula Coutinho, UDI-IPG, Inst. Politécnico da Guarda
Pausa para café
Sessão de Posters (Temas I e II)
Visita ao Museu de Angra do Heroísmo
“Whale watching”
Prova/Feira de produtos regionais (Museu de Angra do Heroísmo)
Quinta-feira, 30/4/2009
Entrega de documentação/Afixação dos painéis
Sessão II – Qualidade dos Alimentos
Moderador: Ivonne Delgadillo, Universidade de Aveiro
Plenária II – “Qualidade, sustentabilidade e valorização lipídica dos alimentos de origem animal”, José Mestre Prates, FMV, Univ. Técnica de Lisboa
Comunicação oral I – “Produtos de aquacultura: efeito da composição das rações e do maneio na qualidade”, Maria Leonor Nunes, IPIMAR, Lisboa
Comunicação oral II - “Characterization of three types of certified meat commercialized in Portugal”, Ana Cristina Monteiro, FMV, Univ. Técnica de Lisboa
Pausa para café
Comunicação oral III – “Quantification of adulterated oil samples using a triangular experimental design”, Alexandra Nunes, Dep. Química, Universidade de Aveiro
Comunicação oral IV – “Transformações químicas das antocianinas da uva: compostos derivados das antocianinas responsáveis pela evolução da cor dos vinhos tintos”, Nuno Mateus, Dep. Química, Fac. Ciências, Universidade do Porto
Comunicação oral V – “Composição em ácidos orgânicos de méis provenientes de diferentes regiões”, Marina Domingos-Lopes, CITAA, Universidade dos Açores
Comunicação oral VI –“ Development of a head-space solid-phase microextraction procedure for analysis of volatile composition of umbu (Spondias tuberosa Arruda Camara)”, Maria Cristina Antun Maia, Dep. Eng. Bioquímica, Escola de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Almoço
Sessão III – Nutrição e Saúde
Moderador: Amélia Rauter, Fac. Ciências, Universidade de Lisboa
Plenária III – “Alimentação, nutrição e saúde”, Pedro Moreira, Fac. Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto
Comunicação oral I – “Perfil químico da Pêra Rocha e sua valorização em termos das actividades antioxidante e anticolinesterásica”, Amélia P. Rauter, Dep. Química e Bioquímica, Fac. Ciências, Universidade de Lisboa
Comunicação oral II – “New insight into traditional Portuguese leafy vegetables as food source of compounds for human health”, Maria da Graça Dias, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
Pausa para café
Comunicação oral III – “Nutritional quality of turkey breast meat from conventional and organic production system”, Mário Quaresma, FMV, Univ. Técnica de Lisboa
Comunicação oral IV – “Cyclodextrins as Food Additives and Ingredients: Nutraceutical applications”, Aida Moreira da Silva, Esc. Sup. Agrária de Coimbra
Comunicação oral V – “Reformulação de receitas de pastelaria com incorporação de ingredientes hipocalóricos”, Cristiana Nunes, Instituto Piaget, ISEIT de Almada
Comunicação oral VI – “Azorean Hypericum foliosum Aiton as a functional food. Antioxidant and total phenolics determination in comparison with other Hypericum members”, Nuno Rainha, DCTD, Universidade dos Açores
Sessão de Posters (Temas III e IV)
“Whale watching”
Reunião da Divisão de Química dos Alimentos da SPQ
Jantar livre
Sexta-feira
Entrega de documentação
Sessão IV – Alimentos Tradicionais
Moderador: Silvina Ferro Palma, ESA, Instituto Politécnico de Beja
Plenária IV - “Alimentos Tradicionais Açorianos com Propriedades Funcionais”
José Baptista, DCTD, Universidade dos Açores
Comunicação oral I – “New trends in the establishment of vegetable metabolic patterns”, Sílvia M. Rocha, Dep. Química, Universidade de Aveiro
Pausa para café
Comunicação oral II – “Avaliação do potencial da utilização do nitrito de sódio, ácido ascórbico, sorbato de potássio e metabissulfito de sódio nos Maranhos”,
João J. Salavessa, FMV, Universidade Técnica de Lisboa
Comunicação oral III – “Envelhecimento acelerado de aguardentes vínicas na presença de fragmentos de madeira. Influência nos compostos odorantes”, Ilda Caldeira, ex-Est. Vitivinícola Nacional—EVN, Lab. Inv. Agr. (L-INIA) - Instituto Nacional de Recursos Biológicos
Comunicação oral IV – “Composição glicosídica e actividade antioxidante de extractos de infusões de folhas de freixo (Fraxinus angustifolia)”, Vitor M.R. Martins, Instituto Politécnico de Bragança
Comunicação oral V – “Effects upon microstructure and texture arising from the dynamics of potential food pathogens in model cheese”, F. Xavier Malcata, Escola Superior de Biotecnologia, Universidade Católica Portuguesa
Almoço (Regional)
Visitas técnicas
“Whale watching”
Tourada à Corda
Jantar livre
Sábado
Entrega de documentação/Afixação dos painéis
Sessão V – Segurança e Toxicologia
Moderador: Maria Leonor Nunes, IPIMAR, Lisboa
Plenária V – “Food safety in the United States: an integrated approach”
Catherine N. Cutter, Pennsylvania State University
Comunicação oral I – “Evaluation of OTA exposure through bread consumption and urine occurrence in Coimbra population: winter 2007”, Celeste Lino, Group of Bromatology, Centre of Pharmaceutical Studies, University of Coimbra
Comunicação oral II – “Simultaneous determination of mycotoxins zearalenone and deoxynivalenol in cereals products using QuEChERS extraction and GCxGC/MS”,
José Fernandes, REQUIMTE, Serviço de Bromatologia, F.F., Universidade do Porto
Pausa para café
Comunicação oral III – “Detection of seven genetically modified maize events in food products on the Portuguese market”, Isabel Mafra, REQUIMTE, Serviço de Bromatologia, F.F., Universidade do Porto/ ESB-UCP
Comunicação oral IV – “Transgenes monitoring in an industrial soybean oil processing by conventional and real-time polymerase chain reaction”, Joana Costa, REQUIMTE, Serviço de Bromatologia, F.F., Universidade do Porto
Comunicação oral V – “Characterization of pediocin-like bacteriocin produced by Enterococcus faecium ST5HA isolated from smoked salmon”, Manuela Vaz-Velho, Esc. Sup. de Tecnologia e Gestão, Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Comunicação oral VI – “Estudo das potenciais fontes de contaminação de dioxinas em amostras de frango, por comparação de perfis cromatográficos e rastreio alimentar”, Sandra Lucas, Instituto Nacional de Engenharia Tecnologia e Inovação
Almoço
Sessão VI – Processamento e Tecnologias de Produção
Moderador: José Empis, Universidade Técnica de Lisboa
Plenária VI – “Non conventional processing technologies for food applications”
José Teixeira, Universidade do Minho
Comunicação oral I – “Avaliação da vida útil de refeições “cook-chill” e “cook-freeze”: indicadores microbiológicos, físico-químicos e sensoriais”, Ana Rita Henriques, FMV, Universidade Técnica de Lisboa
Comunicação oral II – “Incorporação de biomassa de microalgas em massas alimentícias como fonte natural de ácidos gordos polinsaturados do tipo ω3”,
Narcisa Bandarra, IPIMAR, Lisboa
Pausa para café
Comunicação oral III – “Gelificação de proteínas do soro do leite na presença de ácidos orgânicos fracos – um novo mecanismo de gelificação realmente “a frio”?”,
José António Lopes da Silva, Dep. Química, Universidade de Aveiro
Comunicação oral IV – “Heterocyclic Aromatic Amines Formation in Barbecued Sardines (Sardina pilchardus) and Atlantic salmon (Salmo salar)”, Olivia Pinho,
Fac. Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto
Comunicação oral V - “Efeito combinado de tratamento químico e/ou revestimento comestível e/ou atmosfera controlada na qualidade de banana fresca cortada”,
Alcina Morais, Escola Superior de Biotecnologia, Universidade Católica Portuguesa
Comunicação oral VI – “Efeito de tratamentos de alta pressão na cinética e inactivação térmica e reactivação da peroxidase”, Jorge Saraiva, Dep.Química, Universidade Aveiro
Sessão de Posters (Temas V e VI)
Palestra de encerramento
“Development of functional foods, based on beneficial microorganisms and the bioactives they produce”, Catherine Stanton, Teagasc, Ireland
Sessão de Encerramento
Jantar de Encerramento

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domingo, abril 12, 2009

Astrobiologia – dos tesouros subterrâneos à exploração do espaço

Maria de Lurdes Nunes Enes Dapkevicius (*)


FIGURA 1. Extensos tapetes microbianos recobrem as paredes da Gruta da Terra Mole, na Ilha Terceira, conferindo-lhe uma cor dourada.


FIGURA 2. Estruturas hexagonais em rochas do Algar do Carvão, na Ilha Terceira.

Quando, em 1953, Stanley L. Miller conseguiu produzir matéria orgânica a partir duma mistura redutora de gases semelhante ao que se acreditava ter sido a atmosfera da Terra primitiva, a pesquisa de vida noutros locais do Universo ganhou novo alento. O campo do saber humano que se dedica à pesquisa de vida fora do nosso planeta chama-se Exobiologia ou Astrobiologia, que pode definir-se como sendo o estudo da vida no espaço exterior à Terra. Como ainda não foi encontrada vida fora da Terra, presentemente o principal objectivo da Exobiologia é esclarecer se pode ou não existir vida noutros locais do Universo. Esta é uma questão fundamental da ciência, porque para além de aumentar os horizontes da Biologia, irá ajudar a responder a uma das grandes interrogações sobre a vida – o local onde se originou.
A pesquisa de vida no espaço faz-nos pensar em missões em zonas longínquas do Universo, mas na verdade esta busca começa aqui mesmo, no planeta Terra, do qual conhecemos ainda tão pouco. Sabe-se hoje em dia que existem na Terra muitos ambientes aparentemente inóspitos para a vida, por serem muito quentes, muito frios, demasiado salgados, sem água, sem luz, ou sem matéria orgânica que alimente os seres vivos. Contudo, tem-se encontrado vida na Terra em muitos destes ambientes, como os solos dos desertos mais secos do planeta ou as fontes geotermais submersas. As profundezas da Terra também abrigam comunidades microbianas que são independentes duma fonte de luz – utilizam, em seu lugar, energia química do basalto, uma rocha que abunda na Terra... e em Marte. A descoberta destes ecossistemas de profundidade levou alguns cientistas a pensar que a vida na Terra poderá ter principiado nas profundezas, tendo posteriormente migrado para a superfície, quando as condições da Terra primitiva se tornaram mais hospitaleiras. E em Marte? Poderá ter acontecido o mesmo?
Descobriu-se recentemente que Marte possui estruturas semelhantes a tubos de lava. Os tubos de lava são grutas em forma de túnel por onde passou uma corrente de lava resultante duma erupção vulcânica e existem também na Terra. Só nos Açores, Os Montanheiros, a sociedade espeleológica local, explorou mais de duzentas destas estruturas. Os tubos de lava não são, em princípio, locais muito acolhedores para a vida. A luz, que é a força motriz dos ecossistemas da superfície terrestre, não chega às zonas mais recônditas destas grutas, que podem ter vários quilómetros de extensão e o alimento (matéria orgânica) não abunda. Apesar disso, os microrganismos prosperam nas paredes e no tecto dos tubos de lava dos Açores, formando nalguns locais espessos tapetes com mais de um centímetro de espessura (figura 1). Se a vida sem luz e sem alimento orgânico é possível nos tubos de lava da Terra não o será também nos de Marte?
Antes de partir à aventura até ao planeta vermelho em busca de “marcianos microscópicos”, temos que desenvolver métodos para distinguir o que, num ambiente extremo, é vivo do que não o é. Parece fácil? Na fotografia da figura 2 pode ver-se umas estruturas hexagonais de cor avermelhada que existem no Algar do Carvão da Ilha Terceira. Minerais, com certeza! Pois, quando observadas ao microscópio electrónico, revelaram as estruturas nitidamente microbianas que se vêem na figura 3 e análises mais apuradas demonstraram a existência de dois elementos em concentrações elevadas: carbono ( que reforça a hipótese de se tratarem de estruturas vivas) e ferro (que leva a pensar em estruturas minerais). Então em que ficamos? Tratar-se-á, provavelmente, de microrganismos que utilizam o ferro como fonte de energia, depositando óxidos deste mineral.
Este e outros estudos feitos em tubos de lava da Terra preparam-nos para procurar vida mais além. Decorre, presentemente, na Universidade dos Açores um projecto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior denominado “Compreender a Biodiversidade Microbiana Subterrânea. Estudos dos tubos de lava dos Açores” que tem como objectivos estudar a vida subterrânea para responder a algumas questões fundamentais em Biologia, como a compreensão do funcionamento da vida em ambientes extremos e a pesquisa de novas espécies microbianas. Este projecto tem também uma vertente de ciência aplicada, porque pretende compreender o impacto humano sobre as comunidades microbianas dos ambientes extremos, bem como pesquisar potenciais aplicações para estes microrganismos. Até ao momento, foram encontrados muitos isolados de bactérias que possuem a capacidade de impedir o desenvolvimento de microrganismos causadores de doenças e que são, por isso, promissoras como fontes de novos antibióticos. No projecto participa uma equipa numerosa, com elementos do CITA-A, d’Os Montanheiros e da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos. No primeiro ano do projecto, foram explorados onze tubos de lava localizados na Ilha Terceira, mas estão previstas expedições a outras ilhas do arquipélago.
Os tubos de lava dos Açores albergam autênticos tesouros subterrâneos. Para além da sua beleza, que pode, nalguns casos, ser alvo duma exploração turística sustentável, contêm comunidades microbianas com potencial utilidade em termos industriais e podem ser um local de treino para a pesquisa de vida no espaço. A sua conservação é, por isso, prioritária. Os Montanheiros têm desenvolvido um esforço notável nesse sentido, mas é necessária a colaboração de todos os que, por um motivo ou por outro, visitam as grutas. O material que recobre a parede destas, de consistência mole e por vezes gelatinosa, é um espesso tapete de bactérias que poderá ter levado milénios a formar-se. Em muitas grutas, encontram-se grafitti nestes tapetes, alguns datados de há mais de vinte anos e que ainda não “cicatrizaram”. Deve evitar-se danificar estes tapetes, tal como não devem introduzir-se contaminantes no ambiente das grutas, nem matéria orgânica. Por isso, durante a visita a uma gruta não se deve comer, nem deixar ficar lixo, nem fazer necessidades fisiológicas. Desta maneira, os tesouros de beleza, conhecimento e valor que as grutas albergam passarão às gerações vindouras para que possam também admirá-los e tirar partido deles.

FIGURA 3. Fotografias ao microscópio electrónico de varrimento de estruturas hexagonais de rochas do Algar do Carvão, na Ilha Terceira. À direita, pode ver-se que estas estruturas são constituídas por filamentos, de origem microbiana.

(*) Professora auxiliarCentro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A)Universidade dos Açores - Departamento de Ciências Agrárias.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, janeiro 07, 2009

Qualidade e sustentabilidade - Encontro de Química dos Alimentos

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Potencialidades da Biodiversidade microbiana dos tubos de lava dos Açores

Realizou-se, no passado dia 30 de Novembro de 2008, uma palestra proferida pela Profª Maria de Lurdes Enes, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, na Associação os Montanheiros, sobre "Tesouros Subterrâneos: Potencialidades da Biodiversidade microbiana dos tubos de lava dos Açores". Esta palestra integrou-se nas comemorações dos 45 anos da Associação "Os Montanheiros".
A professora Lurdes Enes referiu os contributos que a investigação sobre as bactérias das grutas açorianas poderá dar a outros domínios do conhecimento, como por exemplo a proposta de novos métodos que poderão ser utilizados na exploração espacial, mais concretamente na exploração da vida em Marte ou na criação de medicamentos capazes de curar cancros, novos antibióticos, novos enzimas para detergentes ou mesmo bio-fuel. As grutas dos Açores correspondem a ambientes extremos, onde é difícil descortinar aquilo que é vivo do que não é. Tal como no planeta Terra, em Marte há tubos de lava. Pensa-se que o sítio mais provável para existir vida será aí, onde bactérias formam tapetes bacterianos.
Todas as grutas dos Açores possuem tapetes bacterianos, com espécies de interesse farmacológico. Na Universidade dos Açores, já se descobriram várias bactérias das grutas da Terceira com actividade microbiológica e espera-se que a futura investigação, a decorrer nas ilhas do Pico, São Miguel e Graciosa, consiga identificar muitas mais, com propriedades semelhantes. Para além do interesse farmacológico, o aspecto estético dos tapetes de bactérias existente em praticamente todas as grutas, pode ter um interesse turístico. Nesse contexto interessa estudar os impactos que a visitação produz nessas grutas, estudando períodos de visitação dessas cavidades, tempo de permanência e tipos de iluminação. Há que preservar esse riquíssimo património que é a diversidade microbiológica das grutas dos Açores, pois ele tem interesse científico, tecnológico, turístico e educacional.
(In Diário Insular)

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quarta-feira, dezembro 03, 2008

Secretário do Ambiente valoriza colaboração de Os Montanheiros

O secretário regional do Ambiente e do Mar destacou, domingo à noite, a colaboração “extensa e profícua” existente entre o Governo dos Açores e a Sociedade Espeleológica “os Montanheiros”, em prol do ambiente na Região, nomeadamente no que se refere à exploração e conservação das grutas de lava.
Na sessão solene comemorativa do 45º aniversário daquela associação terceirense, realizada em Angra do Heroísmo, Álamo Meneses lembrou o trabalho em conjunto já realizado e reiterou o interesse do Executivo em continuar a apoiar as actividades d’ “Os Montanheiros” pela importância que representa para o conhecimento e fruição daqueles bens naturais.

As matérias relacionadas com a conservação e exploração das cavernas “estão entre as prioridades do Governo Regional, fazem parte do programa eleitoral e serão materializadas ao longo dos próximos anos”, garantiu o governante.
Álamo Meneses enfatizou o trabalho daquela sociedade espeleológica ao longo destes 45 anos, “quer na área da exploração, quer na da educação ambiental”, considerando que todo esse esforço tem que ter continuidade.
Na sessão solene, foi oradora convidada a Professora Maria de Lurdes Enes, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores que proferiu uma palestra sobre as potencialidades da biodiversidade nos tubos de lava dos Açores.
Segundo a investigadora da Universidade dos Açores, cuja equipa tem trabalhado em conjunto com “Os Montanheiros”, há formas de vida únicas nas cavidades de lava que podem ser utilizadas, eventualmente, na produção de novos antibióticos, por um lado, e na exploração turística sustentada, por outro, dada a sua “beleza impar”.
(In Jornal Diário)

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quarta-feira, novembro 26, 2008

Prémio Nobel da Física de 2008 explicado na Semana da Ciência e Tecnologia

Decorreu, na Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, uma palestra do Professor Miguel Ferreira, sobre o Prémio Nobel da Física de 2008, integrada nas comemorações do Campus de Angra do Heroísmo da Semana Nacional da Ciência e Tecnologia de 2008.
O Prémio Nobel da Física de 2008 foi concedido a M. Kobayashi dos Estados Unidos da América e a T. Maskawa eY. Nambu do Japão pelas suas contribuições para a compreensão da constituição da matéria.

Apesar de muitos considerarem que o corpo de conhecimentos da Física é substancial, conhece-se por exemplo, apenas 4% do Universo e sobre os restantes domínios do conhecimento sabemos ainda muito pouco. Para percebermos o Universo necessitamos de conhecer o "muito pequeno" para podermos extrapolar comportamentos para o "muito grande". Em termos de conhecimento científico esperam-nos ainda grandes descobertas e surpresas.
No modelo "standard" desenvolvido nos anos 70 considerou-se existirem 3 famílias de leptões e 3 famílias de quarks. A necessidade da existência de 3 famílias foi prevista teoricamente pelos laureados. O top quark só foi descoberto apenas em 1995.
Existe na natureza um número relativamente elevado de partículas fundamentais como o protão, neutrão ou electrão. Bariões e mesões não são partículas fundamentais mas constituídos por quarks. A cada quark corresponde um antiquark. Os mesões são formados por um quark e um antiquark. Os bariões são formados por três quarks. Existem quarks de vários tipos (sabores) up, down, etc... e muitas outras combinações provavelmente existirão. No mundo da física ainda há partículas por descobrir. Pode-se brincar um pouco com isso afirmando-se que "se um físico soubesse o nome de todas as partículas não seria físico mas botânico".
Na física a simetria existe, pois toda a partícula tem uma antipartícula.
Em Física as partículas e as suas propriedades são descobertas por detectores em grandes aceleradores de partículas, como o do CERN onde os protões serão acelerados até 99.99999999 % da velocidade da luz.
Na Quinta-feira, dia 27 de Novembro, organizado pelo Departamento de Ciências Exactas, da Escola Francisco Ornelas da Câmara na Praia da Vitória, e coordenada pela Mestre Ana Vilela, decorrerá a conferência intitulada "A crise da Biodiversidade", proferida pelo Professor Paulo Borges.
No dia 28 de Novembro, decorrerá, na Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, uma palestra proferida pelo Professor Cota Rodrigues, com o tema "A crise hídrica nos Açores".
Nessa tarde também se realizará, no auditório do Pico da Urze da Universidade dos Açores, um fórum debate sobre a escassez de água na ilha Terceira.
No dia 30, pelas 21:00H, organizada pelos "Os Montanheiros" decorrerá, na sede desta associação, uma palestra proferida pela Profª Maria de Lurdes Enes, intitulada "Tesouros Subterrâneos: Potencialidades da Biodiversidade microbiana dos tubos de lava dos Açores". Esta palestra integra-se nas comemorações dos 45 anos da Associação anteriormente referida.

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terça-feira, novembro 25, 2008

Tesouros naturais subterrâneos dos Açores

Realiza-se no dia 30 de Novembro, pelas 21:00H, uma palestra proferida pela Profª Maria de Lurdes Enes, na Associação os Montanheiros, à Rua da Rocha, em Angra do Heroísmo, intitulada "Tesouros Subterrâneos: Potencialidades da Biodiversidade microbiana dos tubos de lava dos Açores".
Esta palestra integra-se na comemoraçõa dos 45 anos da Associação "Os Montanheiros" e é ministrada no último dia da Semana da Ciência e Tecnologia.
A Organização da palestra esteve a cargo da Associação anteriormente referida.
(In Os Montanheiros)

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quinta-feira, julho 24, 2008

Empresas Açorianas na área da microbiologia precisam-se

Para os Açores, a produção de bactérias pode representar um negócio muito lucrativo.
Afinal, não é novidade. Existem pequenas ilhas no Pacífico que já o fazem e nem se está a falar de uma indústria poluidora. “Pode dar origem ao que se chama ‘spin-offs’, empresas que se podem dedicar ao crescimento de bactérias que produzem substâncias úteis para fazer antibióticos ou outros produtos, e à sua exportação”, explica adiantando que “todos os resíduos têm de ser despoluídos antes de serem lançados fora. Nenhuma empresa é licenciada sem ter métodos
de contenção”. Os cuidados de contenção dos microrganismos são importantes.
“As bactérias podem ser benéficas nas grutas, mas fora tornarem-se invasoras. Isso vê-se a nível macro. A hortênsia é muito gira, mas está-se a tornar invasora, a roca-de-velha também. Há zonas do interior da ilha que parecem campos cultivados”, alerta. O equilíbrio das próprias grutas pode estar em risco. Lurdes Enes espera que a investigação em colaboração com a Universidade do México venha a abrir caminho para a sua protecção.

“Com este trabalho os ‘Montanheiros’ poderão propor acções de protecção das grutas ao Governo Regional ou a outras entidades de direito”, diz, olhando para Pardal, o membro da associação de exploração espeleológica que tem guiado o grupo pelas grutas da ilha.
É Pardal (Fernando Pereira) que fala de algumas situações mais preocupantes. “Com a gruta do Carvão, em São Miguel, tiveram de mudar os esgotos da cidade para não prejudicar o espaço, mas ainda hoje as pessoas colocam lixo lá e há até uma ‘tia’ que tem o tubo da máquina de lavar directamente para a gruta. Também aqui, no Porto Martins, existe a gruta da Madre de Deus, em relação à qual é preciso ter cuidado, e a câmara tem tido isso em conta, porque se está a falar de uma zona em que existe perigo para as próprias casa que posam ser construídas”. Os conselhos para conservar as grutas são simples, mas muitas vezes esquecidos. “As pessoas não devem comer, beber, fumar, usá-las como casa de banho, deitar lixo. Não devem alterar seja o que for, trazer rochas ou pedacinhos da parede, escrever nas paredes como os dedos ou seja lá como for. Para além disso há que considerar a zona circundante da gruta. Se houver fertilizações azotadas abundantes, o azoto vai entrar lá para dentro e fazer crescer outro tipo de bactérias que não as nativas. Vai perturbar o equilíbrio. Não se deve fazer construções em zonas que prejudiquem as
grutas ou usá-las como fossas sépticas”, adianta Lurdes Enes, que, ao longo dos próximos três anos, deverá explorar cerca de 10 por cento das grutas dos Açores. Dois mil e nove é o ano do Pico, uma ilha muito interessante, sobretudo devido à elevada prevalência de espécies endémicas. “Será interessante ver se esse endemismo também existe nas bactérias”. Por enquanto, Lurdes Enes vai frisando que as grutas são para proteger. Afinal, está-se a falar não só de locais muitas vezes de rara beleza, mas que encerram pequenos tesouros subterrâneos. Bactérias que podem servir para criar antibióticos, enzimas para detergentes e substâncias para outras indústrias, e até ser preciosas no combate a alguns tipos de cancro. É verdade.
As bactérias são valiosas.

* Todas as fotografias são propriedade de Kenneth Ingham. Estas fotografias podem ser usadas gratuitamente para publicações cientificas, palestras, iniciativas sem fim lucrativos com vista à conservação das grutas, e para trabalhos sem fins lucrativos que directamente beneficiem a organização responsável pelas grutas íncluidas nesta reportagem . Assistência por: Airidas Dapkevicius, Pedro Cardoso. Outros participantes: Diana Northup, Jennifer (Jenny) Hathaway, Félix Rodrigues, Fernando Pereira, Maria de Lurdes Nunes Enes Dapkevicius, Ana Rita Varela.
(In DI - Revista)

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quarta-feira, julho 23, 2008

Da Terceira a Marte

A professora Lurdes Enes do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, pronuncia-se sobre os contributos que o projecto de investigação sobre as bactérias das grutas açorianas poderá contribuir para outros domínios do conhecimento.
Mas como pode um estudo realizado nas grutas da Terceira ajudar a descobrir vida no espaço? Isso acontece porque estão a ser colocados em prática métodos que poderão ser utilizados na exploração espacial. “Projectos como este exploram ambientes em que é muito difícil distinguir o vivo do não vivo”, adianta Lurdes Enes, que exemplifica, apontando de novo para uma imagem no ecrã do portátil. “Quando tirámos esta fotografia, no Algar do Carvão, desta rocha coberta com hexágonos, pensávamos que estes eram só mineral. Depois das análises, verificámos que era demasiado carbono para ser algo inorgânico. Estavam lá bactérias. O que estamos aqui a falar é de descobrir a fronteira entre o vivo e o não vivo, o que é útil na exploração do espaço. Um dos membros que está ligado à nossa equipa, da Universidade do Novo México, é uma astrobióloga”.
A investigadora responsável dá mais um exemplo. “Em Marte há tubos de lava. Pensa-se que o sítio mais provável para existir vida será aí, onde bactérias formam tapetes bacterianos. Estes tubos de lava existem cá, pelo que estamos a fazer exactamente testar métodos que podem ser utilizados na investigação espacial”. Além de serem úteis na exploração espacial, as bactérias representam todo um universo por explorar. Diana Northup afirma que a sua missão é fazer com que as pessoas se interessem por conhecer o mundo das bactérias.
Até porque, diz, elas são bem menos aborrecidas do que nós. Pelo menos metabolicamente falando. “Elas comem ferro, magnésio, metano…Podem até usar a luz do sol,“comer” o sol, como as plantas”, diz, com uma gargalhada. Se Diana há muitos anos se dedica a dar palestras a alunos do ensino preparatório e a levar outros, já do secundário, ao laboratório da universidade, Lurdes Enes há muito que percebeu que o desconhecimento em relação às bactérias é generalizado. Vê isso com os seus próprios alunos. “Chegam aqui e têm reacções perfeitamente estranhas como ter medo. As bactérias podem ser patogénicas, mas não são entidadezinhas vingativas, que saem dos tubos e saltam por aí atrás de nós …”.
(In DI - Revista)

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terça-feira, julho 22, 2008

Tesouros subterrâneos

As bactérias são valiosas. Sabe-se hoje que podem servir para fazer antibióticos, biofuel e enzimas para detergentes. Algumas bactérias produzem substâncias que são úteis no combate a algumas formas de cancro. Nas 67 grutas identificadas na ilha Terceira, elas crescem e espalham-se pelo chão, pelas, paredes, tecto e locais onde a água se acumula.


A equipa que leva actualmente a cabo o estudo “Understanding Underground Biodiversity”- financiado pela Fundação Ciência e Tecnologia- formada por investigadores das Universidades dos Açores e do Novo México (Estados Unidos da América), em colaboração com a empresa Kenneth Ingham Consulting, tinha, no momento em que foi feita esta reportagem, explorado 11 das grutas da ilha. E já tinham sido detectadas duas bactérias desconhecidas até ao momento. Uma delas com grande potencial, retirada da zona mais profunda da Gruta das Agulhas, no Porto Judeu.

Num gabinete do pólo da Universidade dos Açores na Terra-Chã, Lurdes Enes, a investigadora- responsável, visivelmente cansada após um dia a percorrer, de joelhos, uma gruta onde nem é possível ficar de pé, chama a atenção para a imagem que aparece no portátil. “Veja: Colocámos várias bactérias patogénicas, como a salmonela, juntamente com aquela bactéria que descobrimos. Na zona onde ela estava as outras bactérias foram eliminadas”, explica. A seguir à explicação da colega, percebendo muito pouco das palavras de português, Diana Northup, da Universidade do Novo México finaliza: “Thats a good killing” (essa foi uma boa matança). E é disso que Diana anda à procura. “Tenho feito bastantes estudos na área dos antibióticos em grutas do Novo México, onde encontrámos resultados muito interessantes. Uma colega minha identificou bactérias que produzem substâncias extremamente promissoras no combate a doenças cancerosas. Chegámos à conclusão que as bactérias que vivem nas grutas mais isoladas, sem muito contacto com o exterior, são as melhores. E acreditamos que os Açores têm potencial”, diz, com o ar descontraído como a camisa, com grandes flores, ao estilo havaiano.
Seria da investigadora da Universidade do Novo México que surgiria a ideia para a realização de um primeiro estudo. Tudo começou em 2004, quando esteve na Terceira para uma conferência e conheceu os professores da UA Paulo Borges e Rosalina Gabriel, que a levaram a ver “tapetes bacterianos maravilhosos”. Entrariam em contacto com Lurdes Enes e, juntos, fariam um primeiro estudo nas grutas do Algar do Carvão e do Natal. “Queríamos ver, entre outras coisas, o efeito das visitas turísticas sobre a biodiversidade. Verificamos que no Algar do Carvão havia uma biodiversidade menor, visto que é uma gruta muito mais aberta, e que havia lá bactérias que produziam substâncias interessantes…. A partir daí, a professora Rosalina, o professor Paulo e a Diana, não me deixaram descansar”, lembra Lurdes Enes.

Além disso, o marido de Diana Northup, Kenneth Ingham, tem vindo a fotografar o potencial que se esconde nas grutas da Terceira. Fixou em imagem, com muito e complexo material fotográfico, não só os grandes mantos formados pelas bactérias, mas também o lado negativo, provocado pelos humanos. Seria também Kenneth Ingham, através da sua empresa, a resolver um impasse financeiro do qual o estudo estava dependente. Ainda hoje o faz, enquanto o financiamento da FCT não chega.
Mas, apesar das dificuldades, Lurdes Enes considera que conseguir a aprovação da FCT foi surpreendentemente simples. “Isto foi submetido à FCT em 2006. Mais ou menos nos finais de Junho, estava alinhavada a ultima fase do projecto para submeter. Um ano depois, recebemos uma carta a informar-nos que estava tudo bem, tínhamos conseguido o projecto… Fiquei surpreendida porque estes são processos complexos, mas penso que o interesse da investigação é claro”. O projecto conseguiria financiamento total, 200 mil euros. Isto porque une a defesa da biodiversidade, a investigação na área dos antibióticos e até abre caminho para a descoberta da vida em outros planetas.


(In DI - Revista)

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sexta-feira, julho 04, 2008

Bactérias das grutas açorianas

Investigadores da Universidade dos Açores isolaram um micro-organismo com propriedades antibióticas.
foi no âmbito de um projecto de investigação da biodiversidade em grutas vulcânicas.

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quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Grutas Vulcânicas - Universidade efectua estudo

Notícia de 4 Fevereiro de 2008 do Jornal da Tarde da RTP Açores (terceira notícia).


A notícia pode ser visualizada em:



Ficheiro 2008.02.04

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sábado, fevereiro 02, 2008

Infiltração de águas das pastagens coloca em risco grutas açorianas

Paulo Borges, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, explicou ao Diário dos Açores, que a pior ameaça que pode atingir os algares vulcânicos (grutas com um desenvolvimento subvertical) consiste, sobretudo, na "poluição gerada pela lixiviação da água das pastagens, que entram no ecossistema das cavidades vulcânicas, podendo ser muito prejudiciais, porque alteram a composição dos compostos bacteriológicos". Esta situação pode prejudicar o projecto que pretende avaliar, nos próximos três anos, as bactérias existentes nos algares vulcânicos e restantes cavidades subterrâneas, visando encontrar compostos químicos e substâncias que possam criar novos antibióticos de modo a contribuir para a biomedicina, tal como já aconteceu nos Estados Unidos da América. Questionado acerca da relevância do aumento de visitantes nas grutas açorianas, Paulo Borges sublinhou que "é um mal menor", adiantando que em 250 cavidades naturais existentes nos Açores "apenas 3 ou 4 é que estão a ser utilizadas turisticamente e, portanto, o problema maior prende-se com a actividade levada a cabo nos solos".O estudo que vai avaliar a quantidade de poluentes que infiltram os solos e bactérias existentes nas grutas foi aprovado e financiado pela Fundação Ciência e Tecnologia, com 200 mil euros e envolve o Centro de Investigação de Tecnologias Agrárias (CITA) e investigadores da Universidade do Novo México. O projecto subordinado ao tema, "Understanding Underground Biodiversity: Studies of Azorean Lava Tubes", é dirigido pela professora Maria de Lurdes Dapkevicius e onde participam os professores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Célia Silva, Félix Rodrigues, Airidas Dapkevicius, Paulo Borges e Rosalina Gabriel. É no âmbito deste projecto que relaciona a presença humana e o seu impacto na diversidade microbiológica das grutas, que vai ser proferida uma conferência a ter lugar hoje no auditório do Campus de Angra do Heroísmo, no Pico da Urze. Intitulada "Sight Unseen: Diversity and Conservation of Life in Caves", a conferência será proferida pela professora da Universidade do Novo México, Diana Northup.Diana Northup, na intervenção que fará hoje, irá dar a conhecer que "as grutas são ainda um ambiente inexplorado no que toca à pesquisa de compostos bioactivos, como por exemplo antibióticos, que podem ser utilizados na indústria farmacêutica".
(In Diário dos Açores)

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terça-feira, janeiro 29, 2008

Biodiversidade em grutas

O número de visitantes nas grutas dos Açores tem aumentado significativamente nos últimos anos o que pode levar a uma alteração do equilíbrio dinâmico do ambiente natural dessas grutas ao modificar a qualidade do ar e ao introduzir microrganismos estranhos ao sistema. O alerta é de Diana Northup, professora da Universidade do Novo México nos Estados Unidos da América, que apresenta no próximo dia 30, no Auditório do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, pelas 14h30, uma conferência proferida intitulada "Sight Unseen: Diversity and Conservation of Life in Caves", integrada nas actividades do projecto do Departamento de Ciências Agrárias da academia açoriana.Segundo Diana Northup, que foi editora convidada da prestigiada revista internacional Geomicrobiology Journal, "as grutas são ainda um ambiente inexplorado no que toca à pesquisa de compostos bioactivos, como por exemplo antibióticos", que podem ser utilizados na indústria farmacêutica. A investigadora acrescenta que os biofilmes, complexos ecossistemas microbianos, das grutas açorianas "assemelham-se aos dos Estados Unidos, pelo que poderão também conter novos organismos". A maior parte da actividade bacteriana na natureza ocorre com as bactérias organizadas em comunidades sob a forma de um biofilme.A associação dos organismos em biofilmes constitui uma forma de protecção ao seu desenvolvimento, fomentando relações simbióticas e permitindo a sobrevivência em ambientes hostis.Northup estuda a biodiversidade em grutas desde 1984, tendo-se formado em Biologia na Universidade do Novo México.Desde então investiga a diversidade microbiológica em tubos de lava com vista a compreender a forma como alguns microrganismos ajudam a produzir depósitos ferromagnéticos nesses ambientes extremos ou como é que esses microrganismos participam na formação de precipitados de carbonato de cálcio, entre muitos outros aspectos incluindo estudos do impacto na biodiversidade microbiológica de grutas pela visitação humana. O projecto "Understanding Underground Biodiversity: Studies of Azorean Lava Tubes", coordenado pela Professora Maria de Lurdes Dapkevicius e onde participam os Professores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores; Célia Silva, Félix Rodrigues, Airidas Dapkevicius, Paulo Borges e Rosalina Gabriel, foi aprovado e financiado pela Fundação Ciência e Tecnologia.

(In Diário dos Açores)

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domingo, janeiro 27, 2008

Bolsa Pós-Doutoramento

Bolsa de Pós-Doutoramento (BPD) - Projecto PTDC/AMB/70801/2006
14.1.2008

No âmbito do Projecto PTDC/AMB/70801/2006Encontra-se aberto concurso para atribuição de uma Bolsa de Pós-Doutoramento (BPD) no âmbito do projecto “Compreender a Biodiversidade Subterrânea: Estudo dos Tubos de Lava dos Açores”, de referência PTDC/AMB/70801/2006, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), e que irá decorrer no Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (Universidade dos Açores), nas seguintes condições:1. Duração, regime de actividade e remuneração:1.1 – Duração: A bolsa tem início previsto para Fevereiro de 2008 e terá a duração de 12 meses, eventualmente renovável, até ao limite máximo de 36 meses, mediante avaliação intercalar do desempenho do bolseiro. À avaliação global de insuficiente está associada a caducidade da bolsa.1.2 – Regime de actividade: O desempenho de funções é efectuado em regime de exclusividade, conforme Regulamento de Formação Avançada de Recursos Humanos da FCT (http://www.fct.mctes.pt/pt/apoios/formação/ambitoprojectos).1.3 – Remuneração: De acordo com a tabela de valores das Bolsas de Investigação no país atribuídas pela FCT (€1495,00 + € 79,57 de seguro social voluntário), sendo o pagamento efectuado por transferência bancária.Seguro contra acidentes pessoais.2. Objecto de actividade:2.1 – Constituem objectivos do projecto:a. Estudar a biodiversidade dos biofilmes microbianos dos tubos de lava: identificar os microrganismos a eles associados por métodos dependentes e independentes da cultura laboratorial (técnicas microbiologia clássica e de filogenia molecular).b. Estudar o potencial antimicrobiano dos microrganismos oriundos das grutas contra patógenos resistentes a antibióticos. Isolar caracterizar parcialmente antibióticos de origem microbiana.c. Compreender o ambiente físico em que vivem os microrganismos das grutas.d. Encontrar indicadores biológicos que sirvam de substitutos para a avaliação da biodiversidade dos biofilmes microbianos.e. Fornecer informação a vários tipos de grupos-alvo (políticos, técnicos, científicos, didácticos, visitantes, etc.) para divulgar o conhecimento produzido e promover a exploração equilibrada das grutas. 2.2 – O trabalho a desenvolver pelo bolseiro no âmbito do projecto compreende a utilização de:a) Técnicas de biologia molecular;b) Técnicas de manutenção de culturas microbianas;c) Técnicas de análise química instrumental (cromatografias);d) Trabalho de campo de natureza espeleológica.3. Orientação científica:Doutora Maria de Lurdes Enes Dapkevicius; Prof. Doutor Paulo Borges; Doutora Rosalina Gabriel; Doutora Célia Silva; Prof. Félix Rodrigues; Doutora Diana Northup.4. Qualificações e requisitos exigidos:Os candidatos devem ser detentores de um Doutoramento na área das Ciências da Vida, nomeadamente, Biologia, Microbiologia, Bioquímica, Biologia Molecular ou afins.Serão factores preferenciais possuir experiência comprovada de investigação prévia em biologia molecular, sistemas de manutenção de culturas microbianas, técnicas de análise química instrumental e bom domínio, oral e escrito, das línguas portuguesa e/ou inglesa.5. Critérios de avaliação das candidaturas:A avaliação das candidaturas terá em conta o mérito do candidato, considerando a formação académica, o perfil curricular e a experiência em investigação científica relevante para o projecto em questão, em particular, experiência na coordenação de projectos de investigação. A avaliação curricular poderá ser complementada por entrevista, se o júri o considerar necessário.6. Documentos de candidatura:6.1 – As candidaturas serão formalizadas por carta de motivação dirigida ao presidente do júri do concurso, acompanhadas da seguinte documentação:a) – Cópia de certidão de habilitações académicas (Licenciatura e Doutoramento), com lista descriminada das avaliações obtidas;b) – Cópias do documento legal de identificação e do cartão de contribuinte;c) – Curriculum vitae pormenorizado (máximo 10 páginas);d) – Cartas de recomendação (máximo 2).6.2 – A não apresentação dos documentos mencionados nas alíneas a) a c) do número anterior constituirá motivo de não admissão ao concurso.Nota:O presente Edital será publicitado em http://www.angra.uac.pt/gba .7. Candidaturas:O período de candidaturas decorre entre 14 e 28 de Janeiro de 2008 (data de correio) e as propostas de candidatura deverão ser enviadas por via postal para:Doutora Maria de Lurdes Enes DapkeviciusUniversidade dos AçoresDepartamento de Ciências AgráriasCITA-ATerra Chã9701-851 Angra do Heroísmo Esclarecimentos adicionais poderão ser solicitados através da morada electrónica mariaenes@notes.angra.uac.pt ou pborges@uac.pt, ou ainda pelo telefone 295 402 200 (Doutora Maria de Lurdes Enes Dapkevicius ou Doutor Paulo Borges).

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Biodiversidade em Grutas -Conferência

Uma conferência sobre biodiversidade de grutas, proferida por Diana Northup, professora da Universidade do Novo México, tem lugar no dia 30 deste mês, pelas 14H30, no auditório do Campus de Angra do Heroísmo, no Pico da Urze.Intitulada “Sight Unseen: Diversity and Conservation of Life in Caves”, a conferência está integrada nas actividades do projecto do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores “Understanding Underground Biodiversity: Studies of Azorean Lava Tubes”, dirigido pela professora Maria de Lurdes Dapkevicius. Diana Northup estuda a biodiversidade em grutas desde 1984. Formou-se em Biologia na Universidade do Novo México, nos EUA, a e praticamente desde então que investiga a diversidade microbiológica em tubos de lava com vista a compreender a forma como alguns microrganismos ajudam a produzir depósitos ferromagnéticos nesses ambientes extremos ou como é que esses microrganismos participam na formação de precipitados de carbonato de cálcio, entre muitos outros aspectos, incluindo estudos do impacto na biodiversidade microbiológica de grutas pela visitação humana.Diana Northup foi editora convidada da prestigiada revista internacional Geomicrobiology Journal.
(In Diário Insular)

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