quarta-feira, janeiro 07, 2009

Qualidade e sustentabilidade - Encontro de Química dos Alimentos

Promover a sustentabilidade e competitividade do queijo do Pico (DOP)

Airidas Dapkevicius
Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A)
Nesta proposta apresentou-se um conjunto coerente de actividades de investigação e de análise de risco tendo em vista aumentar a competitividade e sustentabilidade do queijo do Pico. Este produto, importante do ponto de vista cultural e económico, tem problemas de comercialização fora da ilha que se reflectem na quebra das vendas para o exterior e na diminuição acentuada do número de queijarias.
As linhas de trabalho propostas destinaram-se a fornecer dados para fundamentar políticas por parte das entidades responsáveis e acções por parte das unidades de produção que permitam alterar a situação actual.
Nesta proposta, previu-se a caracterização da situação actual do queijo do Pico em termos de qualidade/segurança, a elaboração duma análise de risco que permita preparar programas de garantia da segurança com sólidas bases científicas, considerando a sua especificidade enquanto produto DOP. A necessidade de preservar a autenticidade do produto levou-nos a propor soluções que passam pela própria microflora do queijo do Pico para contribuir para a melhoria da qualidade, segurança, economia e eficácia. Previram-se também propostas de optimização e padronização dos protocolos de produção, que terão impacto não só a nível da qualidade, mas também nos aspectos económicos.
(In Azores.Gov.PT)

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quinta-feira, julho 24, 2008

Empresas Açorianas na área da microbiologia precisam-se

Para os Açores, a produção de bactérias pode representar um negócio muito lucrativo.
Afinal, não é novidade. Existem pequenas ilhas no Pacífico que já o fazem e nem se está a falar de uma indústria poluidora. “Pode dar origem ao que se chama ‘spin-offs’, empresas que se podem dedicar ao crescimento de bactérias que produzem substâncias úteis para fazer antibióticos ou outros produtos, e à sua exportação”, explica adiantando que “todos os resíduos têm de ser despoluídos antes de serem lançados fora. Nenhuma empresa é licenciada sem ter métodos
de contenção”. Os cuidados de contenção dos microrganismos são importantes.
“As bactérias podem ser benéficas nas grutas, mas fora tornarem-se invasoras. Isso vê-se a nível macro. A hortênsia é muito gira, mas está-se a tornar invasora, a roca-de-velha também. Há zonas do interior da ilha que parecem campos cultivados”, alerta. O equilíbrio das próprias grutas pode estar em risco. Lurdes Enes espera que a investigação em colaboração com a Universidade do México venha a abrir caminho para a sua protecção.

“Com este trabalho os ‘Montanheiros’ poderão propor acções de protecção das grutas ao Governo Regional ou a outras entidades de direito”, diz, olhando para Pardal, o membro da associação de exploração espeleológica que tem guiado o grupo pelas grutas da ilha.
É Pardal (Fernando Pereira) que fala de algumas situações mais preocupantes. “Com a gruta do Carvão, em São Miguel, tiveram de mudar os esgotos da cidade para não prejudicar o espaço, mas ainda hoje as pessoas colocam lixo lá e há até uma ‘tia’ que tem o tubo da máquina de lavar directamente para a gruta. Também aqui, no Porto Martins, existe a gruta da Madre de Deus, em relação à qual é preciso ter cuidado, e a câmara tem tido isso em conta, porque se está a falar de uma zona em que existe perigo para as próprias casa que posam ser construídas”. Os conselhos para conservar as grutas são simples, mas muitas vezes esquecidos. “As pessoas não devem comer, beber, fumar, usá-las como casa de banho, deitar lixo. Não devem alterar seja o que for, trazer rochas ou pedacinhos da parede, escrever nas paredes como os dedos ou seja lá como for. Para além disso há que considerar a zona circundante da gruta. Se houver fertilizações azotadas abundantes, o azoto vai entrar lá para dentro e fazer crescer outro tipo de bactérias que não as nativas. Vai perturbar o equilíbrio. Não se deve fazer construções em zonas que prejudiquem as
grutas ou usá-las como fossas sépticas”, adianta Lurdes Enes, que, ao longo dos próximos três anos, deverá explorar cerca de 10 por cento das grutas dos Açores. Dois mil e nove é o ano do Pico, uma ilha muito interessante, sobretudo devido à elevada prevalência de espécies endémicas. “Será interessante ver se esse endemismo também existe nas bactérias”. Por enquanto, Lurdes Enes vai frisando que as grutas são para proteger. Afinal, está-se a falar não só de locais muitas vezes de rara beleza, mas que encerram pequenos tesouros subterrâneos. Bactérias que podem servir para criar antibióticos, enzimas para detergentes e substâncias para outras indústrias, e até ser preciosas no combate a alguns tipos de cancro. É verdade.
As bactérias são valiosas.

* Todas as fotografias são propriedade de Kenneth Ingham. Estas fotografias podem ser usadas gratuitamente para publicações cientificas, palestras, iniciativas sem fim lucrativos com vista à conservação das grutas, e para trabalhos sem fins lucrativos que directamente beneficiem a organização responsável pelas grutas íncluidas nesta reportagem . Assistência por: Airidas Dapkevicius, Pedro Cardoso. Outros participantes: Diana Northup, Jennifer (Jenny) Hathaway, Félix Rodrigues, Fernando Pereira, Maria de Lurdes Nunes Enes Dapkevicius, Ana Rita Varela.
(In DI - Revista)

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sábado, fevereiro 02, 2008

Infiltração de águas das pastagens coloca em risco grutas açorianas

Paulo Borges, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, explicou ao Diário dos Açores, que a pior ameaça que pode atingir os algares vulcânicos (grutas com um desenvolvimento subvertical) consiste, sobretudo, na "poluição gerada pela lixiviação da água das pastagens, que entram no ecossistema das cavidades vulcânicas, podendo ser muito prejudiciais, porque alteram a composição dos compostos bacteriológicos". Esta situação pode prejudicar o projecto que pretende avaliar, nos próximos três anos, as bactérias existentes nos algares vulcânicos e restantes cavidades subterrâneas, visando encontrar compostos químicos e substâncias que possam criar novos antibióticos de modo a contribuir para a biomedicina, tal como já aconteceu nos Estados Unidos da América. Questionado acerca da relevância do aumento de visitantes nas grutas açorianas, Paulo Borges sublinhou que "é um mal menor", adiantando que em 250 cavidades naturais existentes nos Açores "apenas 3 ou 4 é que estão a ser utilizadas turisticamente e, portanto, o problema maior prende-se com a actividade levada a cabo nos solos".O estudo que vai avaliar a quantidade de poluentes que infiltram os solos e bactérias existentes nas grutas foi aprovado e financiado pela Fundação Ciência e Tecnologia, com 200 mil euros e envolve o Centro de Investigação de Tecnologias Agrárias (CITA) e investigadores da Universidade do Novo México. O projecto subordinado ao tema, "Understanding Underground Biodiversity: Studies of Azorean Lava Tubes", é dirigido pela professora Maria de Lurdes Dapkevicius e onde participam os professores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Célia Silva, Félix Rodrigues, Airidas Dapkevicius, Paulo Borges e Rosalina Gabriel. É no âmbito deste projecto que relaciona a presença humana e o seu impacto na diversidade microbiológica das grutas, que vai ser proferida uma conferência a ter lugar hoje no auditório do Campus de Angra do Heroísmo, no Pico da Urze. Intitulada "Sight Unseen: Diversity and Conservation of Life in Caves", a conferência será proferida pela professora da Universidade do Novo México, Diana Northup.Diana Northup, na intervenção que fará hoje, irá dar a conhecer que "as grutas são ainda um ambiente inexplorado no que toca à pesquisa de compostos bioactivos, como por exemplo antibióticos, que podem ser utilizados na indústria farmacêutica".
(In Diário dos Açores)

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terça-feira, janeiro 29, 2008

Biodiversidade em grutas

O número de visitantes nas grutas dos Açores tem aumentado significativamente nos últimos anos o que pode levar a uma alteração do equilíbrio dinâmico do ambiente natural dessas grutas ao modificar a qualidade do ar e ao introduzir microrganismos estranhos ao sistema. O alerta é de Diana Northup, professora da Universidade do Novo México nos Estados Unidos da América, que apresenta no próximo dia 30, no Auditório do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, pelas 14h30, uma conferência proferida intitulada "Sight Unseen: Diversity and Conservation of Life in Caves", integrada nas actividades do projecto do Departamento de Ciências Agrárias da academia açoriana.Segundo Diana Northup, que foi editora convidada da prestigiada revista internacional Geomicrobiology Journal, "as grutas são ainda um ambiente inexplorado no que toca à pesquisa de compostos bioactivos, como por exemplo antibióticos", que podem ser utilizados na indústria farmacêutica. A investigadora acrescenta que os biofilmes, complexos ecossistemas microbianos, das grutas açorianas "assemelham-se aos dos Estados Unidos, pelo que poderão também conter novos organismos". A maior parte da actividade bacteriana na natureza ocorre com as bactérias organizadas em comunidades sob a forma de um biofilme.A associação dos organismos em biofilmes constitui uma forma de protecção ao seu desenvolvimento, fomentando relações simbióticas e permitindo a sobrevivência em ambientes hostis.Northup estuda a biodiversidade em grutas desde 1984, tendo-se formado em Biologia na Universidade do Novo México.Desde então investiga a diversidade microbiológica em tubos de lava com vista a compreender a forma como alguns microrganismos ajudam a produzir depósitos ferromagnéticos nesses ambientes extremos ou como é que esses microrganismos participam na formação de precipitados de carbonato de cálcio, entre muitos outros aspectos incluindo estudos do impacto na biodiversidade microbiológica de grutas pela visitação humana. O projecto "Understanding Underground Biodiversity: Studies of Azorean Lava Tubes", coordenado pela Professora Maria de Lurdes Dapkevicius e onde participam os Professores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores; Célia Silva, Félix Rodrigues, Airidas Dapkevicius, Paulo Borges e Rosalina Gabriel, foi aprovado e financiado pela Fundação Ciência e Tecnologia.

(In Diário dos Açores)

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