quarta-feira, maio 27, 2009

Webcam instalada na montanha do Pico

Uma webcam do projecto CLIMAAT foi instalada no cimo da montanha do Pico. Através do sítio da Internet http://www.climaat.angra.uac.pt/, é agora possível, dependendo das nuvens, observar, em tempo quase real, as condições do estado do tempo no local, assim como a vista sobre a vertente Noroeste da montanha, a vila da Madalena e o mar do Canal com o Faial ao fundo.

(in Diário Insular)

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quarta-feira, janeiro 07, 2009

Promover a sustentabilidade e competitividade do queijo do Pico (DOP)

Airidas Dapkevicius
Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A)
Nesta proposta apresentou-se um conjunto coerente de actividades de investigação e de análise de risco tendo em vista aumentar a competitividade e sustentabilidade do queijo do Pico. Este produto, importante do ponto de vista cultural e económico, tem problemas de comercialização fora da ilha que se reflectem na quebra das vendas para o exterior e na diminuição acentuada do número de queijarias.
As linhas de trabalho propostas destinaram-se a fornecer dados para fundamentar políticas por parte das entidades responsáveis e acções por parte das unidades de produção que permitam alterar a situação actual.
Nesta proposta, previu-se a caracterização da situação actual do queijo do Pico em termos de qualidade/segurança, a elaboração duma análise de risco que permita preparar programas de garantia da segurança com sólidas bases científicas, considerando a sua especificidade enquanto produto DOP. A necessidade de preservar a autenticidade do produto levou-nos a propor soluções que passam pela própria microflora do queijo do Pico para contribuir para a melhoria da qualidade, segurança, economia e eficácia. Previram-se também propostas de optimização e padronização dos protocolos de produção, que terão impacto não só a nível da qualidade, mas também nos aspectos económicos.
(In Azores.Gov.PT)

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segunda-feira, novembro 03, 2008

Azores Volcano Tracks Pollution Path

By Marcia Goodrich
If you want to measure air pollution drifting across the North Atlantic, there's just one place on earth to do it.
Thus, it was on top of a volcano, Pico Mountain in the Azores, that Richard Honrath (associate professor of civil and environmental engineering) and his research team lowered a laboratory the size of an ice- fishing shanty, with considerable assistance from a Portuguese Air Force helicopter crew.
Honrath and his research team assembled the lab and its instrumentation at Michigan Tech before trucking it 350 miles to Milwaukee. The U.S. Air National Guard then flew the half-ton structure plus six tons of additional cargo to the Azores in a C130 transport plane, landing at Lajes Air Force Base on the island of Terceira.
The only islands in the region that are located far from continents, the misty Azores have long been an important site for scientists studying the pristine atmosphere above the North Atlantic. At lower altitudes, up to about 4,900 feet, the ocean tends to scrub the atmosphere clean, so detecting the drift of pollutants is extremely difficult.
At an elevation of 7,300 feet, Pico Mountain, located on Pico Island, is the only spot in the Azores where the air is high enough to escape the effects of the ocean environment. In fact, its barren summit often pokes through the clouds that mark the top of this marine boundary layer.
There are some very good reasons scientists hadn't established a station on Pico, however. The nearest road ends more than a half- mile below the summit, no utilities are available, and access is restricted for both safety and environmental reasons.
Nevertheless, it is a perfect spot for tracking the drift of emissions across long distances. Researchers also believe a station there could be key to determining how local pollution can become part of the global atmosphere and possibly precipitate global warming.
Some air pollutants have a relatively short shelf life, quickly reacting with other chemicals to form harmless compounds or washing out of the air in a local rain. Others travel far from their mother smokestack or tailpipe, and these are the pollutants that attract Honrath's interest.
In the Azores, prevailing winds carry pollution from eastern North America across the ocean, while pollution from western Europe is sometimes blown south and east. The station atop Pico will detect the frequency and intensity of pollution flows over the region, which will allow researchers to determine the amount of pollutants that hitchhike into the global atmosphere.
The station began taking measurements July 11, 2001, with data and photos transmitted twice daily to computers at Michigan Tech and the University of the Azores.
During the first three months of operation, the scientists analyzed several events of increase carbon monoxide and ozone, indicating export from North America. The researchers are now analyzing additional measurements, including periods of air flow from Europe.
"We are particularly interested in ozone," Honrath said. A powerful shield against UV light in the stratosphere, in the lower atmosphere ozone is the primary ingredient in smog, causing serious respiratory problems in some people. It's also a major greenhouse gas and can inhibit plant growth.
"Plus, it's a key player in atmospheric chemistry," Honrath said. "Ozone controls the life of other chemicals. It's highly reactive, and it actually breaks down other pollutants."
In addition, the PICO- NARE (stands for Pico International Atmospheric Chemistry Observatory- North Atlantic Regional Experiment) station is tracking black carbon dust and carbon monoxide, and next year the researchers will begin testing for nitrogen oxides.
The lab is fully automated, and readings are being downloaded through a cellular Internet connection. It's a good thing, too, since conditions at Pico do not lend themselves to frequent visits.
The PICO-NARE researchers have permission from the Portuguese government to continue their experiments for two years at the Azores' highest point.
Professor Paulo Fialho of the University of the Azores is cooperating in the PICO- NARE effort. Other members of the Michigan Tech research team are research scientists Matt Peterson and Mike Dziobak, PhD students Chris Edlin and Maria Val Martin, and undergraduate Antonio Jenkins.

(In Research Magazine)

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quinta-feira, março 27, 2008

EUA e Açores com maior cooperação científica

A cooperação a nível científico é o aspecto que melhor tem funcionado, no âmbito do acordo bilateral entre os EUA e Portugal, ao abrigo da utilização da Base das Lajes, pelos militares norte-americanos.
Prova disso é a vinda de mais uma cientista norte-americana para desenvolver parcerias entre os Açores e os Estados Unidos da América, envolvendo neste projecto o governo regional, a Universidade dos Açores e também o sector privado. Os estudos vão incidir, preferencialmente, nas áreas das alterações climáticas e no uso de energias renováveis. Amy Zimpfer, pertencente à Agência de Protecção Ambiental Americana, está no arquipélago para o intercâmbio, na aplicação de tecnologia, da ciência e da investigação.Geotermia, hidroenergia, energia solar e energia das ondas são os alvos potenciais de parcerias, mas a cientista aposta forte na estação de monitorização da qualidade do ar, instalada na montanha do Pico e que pode vir a tornar-se num verdadeiro pilar de investigação para todo o Atlântico Norte.


(In RTP-Açores)

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quarta-feira, março 19, 2008

As ilhas do Vinho

Com organização do Centro de Estudos Gaspar Frutuoso, da Universidade dos Açores e Centro de História de Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa à qual se associou a Câmara Municipal da Madalena, decorreu de 6 a 8 do corrente, na Madalena, no salão nobre da Câmara, o colóquio “As ilhas do vinho”.Na sessão de abertura, com a presença de Margarida Machado, directora do Centro de Estudos Gaspar Frutuoso, João Paulo Oliveira, director do Centro de História de Além-Mar, Jorge Rodrigues, presidente da Câmara Municipal da Madalena congratulou-se pela realização deste colóquio na Madalena, numa altura em que se comemoram 285 anos da criação do concelho (8 de Março), referindo: “As marcas desse passado árduo e longínquo chegaram até aos nossos dias através dos maroiços, através dos currais da vinha, através das fendas abertas na rocha de onde emanavam as parreiras que davam origem ao vinho verdelho, hoje considerado um entre os vinhos históricos de Portugal”. Para o presidente da Câmara “A classificação da zona do Lajido da Criação Velha como património da humanidade, é o maior tributo e reconhecimento que podia ser prestado a quem tanto sofreu na conquista da terra e na busca do pão”, e, referindo-se aos maroiços, acrescentou: “pela sua singularidade, pela sua imponência, pelo significado histórico, pelas suas características construtivas e pelo objecto da sua construção, mereciam ser considerados como monumentos nacionais”.Coube a Avelino Meneses, reitor da Universidade dos Açores, proferir a primeira conferência do Colóquio sob o tema. “O vinho na construção dos Açores: da colonização do Pico à emergência do Faial”. Nesta importante conferência, que abrangeu “uma lata idade moderna, desde meados do século XV, até aos alvores de XIX” Avelino Menezes afirma: “A saliência do Faial/Pico é firmada na excelência do ancoradouro da Horta e no avanço da viticultura picoense que fomenta a conquista de proeminência no império luso-brasileiro e origina o interesse de estrangeiros, particularmente os ingleses. Nestas circunstâncias, a revalorização dos Açores na correspondência entre mundos, destaca a preponderância da Horta, que beneficia da exportação do vinho e da aguardente do Pico.” E acrescenta: “ A partir do século XVII, o desenvolvimento da viticultura no grupo central, altera a fisionomia dos Açores, particularmente nas ilhas do Faial e Pico. No Pico, o fenómeno é indissociável do nascimento do concelho da Madalena, em 1723.”O reitor da universidade dos Açores refere ainda: “A partir de meados de 600, o desenvolvimento da viticultura no Pico e a influência dos nórdicos no ultramar valorizam extraordinariamente a então vila da Horta.”A grande qualidade do painel de conferencistas, contribuiu para o elevado nível científico das conferências proferidas ao longo do dia 7, abordando a temática da vinha e do vinho nos Açores, mas também outros temas relacionados com a ilha do Pico.Este importante colóquio encerrou no sábado, dia 8, com uma mesa-redonda subordinada ao tema “O impacto das zonas classificadas do Pico na projecção dos Açores”. Composta por Zilda França da Universidade dos Açores, Laurisabel Serpa do Museu do Pico, Frederico Cardigos, director regional do Ambiente, Manuel Tomás, presidente do conselho executivo da Escola Cardeal Costa Nunes e João Madruga da Universidade dos Açores, como moderador, a mesa-redonda debateu vários temas ligados ao Pico, desde as questões ambientais, zonas classificadas e património da humanidade, o património do canal, (os barcos e as lanchas que se perderam), etc. temas que suscitaram um debate bastante participado pelos presentes.No final da mesa-redonda, Jorge Rodrigues, disse estar satisfeito com o colóquio considerando ter sido o maior organizado no concelho, pela abrangência dos temas, pelos intervenientes na sua organização e pela elevadíssima qualidade dos conferencistas.O presidente da Câmara referiu ainda que por deliberação camarária será promovida uma nova edição do livro de Susana Costa, (conferencista presente no colóquio com o tema “O património das ilhas do vinho”), sobre a história do Pico até ao século XIX.Também por iniciativa da Câmara as conferências proferidas neste colóquio serão lançadas em livro.O facto do colóquio decorrer em dia normal de trabalho terá contribuído para uma menor afluência de público, destacando-se contudo a presença de jovens alunos da Escola Profissional do Pico.

(In Azores Digital)

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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Parques florestais das ilhas açorianas

O Governo açoriano vai investir este ano 1,2 milhões de euros em acções de manutenção e requalificação dos parques florestais de recreio existentes em oito das nove ilhas do arquipélago, foi ontem anunciado.Na apresentação do projecto de requalificação da reserva florestal de recreio do mistério de São João, no Pico, o presidente do Governo adiantou que o investimento neste sector tem sido "crescente e continuado", argumentando que "a floresta é parte indissociável da qualidade da paisagem ambiental" do arquipélago.No primeiro de três dias de visita do Executivo à ilha, César referiu que estão previstas para 2008 intervenções em dois parques florestais do Pico, um na Graciosa e um em São Jorge, entre outros. Nos Açores existem 29 parques de recreio florestal, que abrangem oito das nove ilhas. "Na última década foi possível recuperar as mais de duas dezenas de reservas florestais de recreio, que se encontravam votadas ao abandono, e criar outras seis", afirmou Carlos César, acrescentando que o sector florestal ocupa cerca de 30 por cento da superfície do território das ilhas dos Açores.Desde 1996 foram florestados mais de 1.700 hectares de terras agrícolas, reflorestados cerca de 1.800 hectares de áreas exploradas economicamente e beneficiados mais de 390 hectares de povoamentos florestais, reforçando a componente produtiva da floresta açoriana, indicou. O chefe do executivo açoriano anunciou, também, que o concurso público para a construção do Centro de Estudos e Divulgação Florestal, no Pico, será lançado ainda durante o primeiro semestre do ano. Segundo explicou, trata-se de uma infra-estrutura que visa reforçar a aquisição de conhecimentos, introduzir modernas tecnologias de melhoramento florestal e aproveitamento dos recursos lenhosos. O projecto de requalificação do mistério de São João, hoje apresentado, é o único existente no lado sul do Pico e vai dispor de um campo polidesportivo, aparelhos de ginástica e circuito de manutenção física, equipamentos destinados a potenciar o uso do espaço como centro de divulgação florestal e prática desportiva em interacção com a natureza.Já o secretário regional da Agricultura e Florestas presidiu na ilha à sessão de apresentação do projecto experimental vitícola "Selecção de Leveduras Indígenas das Castas Tradicionais dos Açores – Melhoramento Tecnológico dos Vinhos dos Açores". Este projecto do Governo assenta num trabalho integrado entre o estudo do microclima para a vitivinicultura dos Açores e a interpretação dos resultados climatológicos conjugados com a aptidão das castas tradicionais dos Açores e conjugação do "terroir" (conjunto solo + clima), com a sanidade vegetal das vinhas. Noé Rodrigues salientou o facto deste trabalho pretender contribuir para o "aperfeiçoamento da tecnologia de vinificação de vinhos dos Açores, favorecendo a tipificação e a qualidade dos mesmos".Com um prazo de execução de três anos, a iniciativa vai permitir, ainda, o estudo e selecção de leveduras das castas tradicionais, a análise e aperfeiçoamento tecnológico da vinificação e a divulgação e realização de acções de formação profissional de técnicos dos serviços, das cooperativas e produtores. Neste projecto do Executivo Regional estão envolvidas várias entidades como o Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, a Comissão Vitivinícola Regional dos Açores, adegas e cooperativas vitivinícolas regionais. O projecto poderá vir a contar, também, com a colaboração da Universidade dos Açores.
(In Diário dos Açores)

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domingo, janeiro 20, 2008

Caracterização das Lagoas do Pico

Estamos na Ilha do Pico para caracterizar os sistemas económicos em torno das pequenas lagoas do seu planalto e a dar o módulo de economia dos recursos naturais do mestrado em gestão e conservação da natureza, levado a cabo pelo Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. De manhãzinha, ainda com o pequeno jet leg de alguns dias em Lisboa, escrevo-vos estas notas; até às cinco da tarde converso com os lavradores que têm pastos em torno das lagoas graças ao apoio das engenheiras dos serviços agrícolas Benilde Pereira e Rita Ferreira; e à noite, das seis às onze, aborreço os alunos do mestrado com gráficos e equações sobre a economia da terra, da água, das pescas, do ambiente, do petróleo e das florestas. O que vos posso contar hoje tem a ver com a conversa que tivemos com vários lavradores em torno da Ilha. Os tais que utilizam terras em torno das lagoas que agora estão a ser objecto de um Plano de Ordenamento. Da Lagoa do Capitão conversámos com quatro lavradores, três da zona de São Roque e um do lado do sul da Ilha. Um deles tem gado de carne e de leite, este com apenas uma ordenha por dia durante dez meses do ano. Os outros só têm gado de carne. Dois deles são lavradores a tempo inteiro e ainda contam com o apoio da família no maneio de gado. Um terceiro é empregado da EDA e o quarto tem uma pequena serração e carpintaria. Gente de trabalho esta que vive no Pico. O leite é vendido para a cooperativa; há poucos meses estava a 18 cêntimos por litro mas agora já está a 25 cêntimos, graças aos efeitos da procura longínqua dos chineses e aos pagamentos mais elevados de Inverno. O gado de carne é exportado através de vários intermediários e pode render cerca de quatrocentos euros por cabeça. No entanto a maior parte do rendimento vem dos prémios às vacas aleitantes e a outros apoios das medidas agro-ambientais. Os atrasos dos pagamentos do ano passado, já realizados no Continente e em algumas ilhas, começa a levantar alguma revolta. Por outro lado uma das principais preocupações face aos planos das lagoas é a eventual perda dos prémios às vacas aleitantes e de outras medidas ditas agro-ambientais, curiosamente indexadas ao número de cabeças de gado. E é assim que as ditas medidas agro-ambientais provenientes da “sábia” União Europeia e adaptadas pelo Governo Regional provocam mais degradação ambiental do que melhoria. Na verdade os lavradores aumentam o número de cabeças até ao limite do encabeçamento permitido para receberem mais apoios. O resultado é que existe uma mortalidade elevada do gado e a degradação do pasto é fortemente acelerada pelo pisoteio em terras encharcadas e declivosas. Tudo seria diferente se os apoios agro-ambientais fossem de facto para estimular o maneio dos lavradores a produzirem leite e carne mas também água limpa, solo bom, arranjo da paisagem e aumento da biodiversidade. O problema é que os ambientalistas julgam que a produção desses serviços ambientais são melhor protagonizados pelo Governo Regional e pelas Câmaras Municipais. E é assim que assistimos à introdução de patos pelo município degradando a qualidade da água, registamos a introdução de peixe pelo Governo Regional eliminando os pequenos peixes que serviam para ser transladados para os pequenos tanques de água para a limparem, observamos a colocação de placas, de degradados espaços de piquenique, de estradas largas por camionetas de turistas e da manutenção dos arames das cercas do gado; isto em vez de se permitir aos lavradores a criação de muros de pedra e pequenos caminhos de acesso que permitiriam criar uma paisagem com sentido e, ao mesmo tempo, fomentar a visitação de pequenos grupos em caminhos rurais. Não tenho espaço de referir as outras lagoas mas vale a pena reter algumas frases de quem sabe: “A gente já não manda no que é nosso!”; “O Ambiente lixa uns e protege os outros!”; “As leis podem ser boas mas são maus os que as executam!”.
(Prof. Tomaz Dentinho In A União)

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sexta-feira, novembro 30, 2007

Novos rumos

A Universidade dos Açores (Departamento de Ciências Agrárias) está a leccionar um mestrado de Gestão e Conservação da Natureza na ilha do Pico. Este curso de mestrado complementa a formação de licenciados (agrónomos, biólogos, planeadores e economistas) e visa preparar os formandos para a abordagem de problemas de gestão e conservação da natureza, dando assim resposta à necessidade crescente de recursos humanos neste domínio. Este mestrado resulta de uma parceria entre a Universidade dos Açores e o Núcleo de Montanheiros da Ilha do Pico, e é a primeira vez que a Universidade apresenta propostas de ensino para além das ilhas Terceira, S. Miguel e Faial. O mestrado, que reúne cerca de uma dezena de alunos, está a ser leccionado na Escola Profissional da Madalena e conta com o apoio logístico da Ecoteca do Pico, anunciou o Professor Toma Dentinho. Desde de Novembro e até Maio de 2008 será leccionado um conjunto de módulos de formação avançada e o curso termina com entrega de certificados de presença, redigidos pela própria Universidade. O primeiro módulo, que está neste momento a decorrer, é de estatística e é leccionado por Gui Menezes, Professor Auxiliar do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores.Este curso tem a duração de 450 horas e é distribuído por 25 módulos, de 15 Horas cada. Há ainda “um módulo de 30 horas de visita de estudo e um seminário de 45 horas sobre gestão de áreas protegidas”. Segundo o responsável por este mestrado, leccionarão neste curso de mestrado 25 professores oriundos das universidades dos Açores, Évora, Algarve, Lisboa e Canárias. Este mestrado aborda áreas como o estudo e salvaguarda dos recursos naturais; conhecimento das relações dos humanos com o meio ambiente; investigação sobre tecnologias sustentáveis e desenho de planos e políticas. O mestrado é encarado como “um passo importante para o Pico, porque assegura um lugar no desenvolvimento”, coisa que geralmente não acontece às localidades que estão afastadas dos grandes centros universitários. Para a universidade açoriana, “este também é um marco inovador, porque é a primeira vez que o ensino superior está na ilha do Pico e se a experiência correr bem pode abrir portas a outras ilhas da região”, explica fonte ligada a este mestrado. Esta pode ser, segundo os docentes envolvidos, uma oportunidade de criar nas ilhas do triângulo um núcleo de investigação avançada sobre temáticas ligadas ao mar e à montanha. Este mestrado, já na 15ª edição, tem cerca de uma centena de teses realizadas e começa a ter algumas publicações disponíveis. Os responsáveis por este curso admitem chegar a outras ilhas que se demonstrem interessadas. “No mínimo é necessário 15 alunos”, argumentam, deixando claro que a Universidade das ilhas açorianas tem capacidade para responder a estas solicitações. A Internet e as novas tecnologias da informação são passos que estão a ser dados. O e-learning é um caminho que o Departamento de Ciências Agrárias (DCA) e o Departamento de Ciências da Educação (DCE) se preparam para promover na Universidade dos Açores (UA). O curso de mestrado em Educação Ambiental, que segundo dados divulgados, conta com 23 inscritos e vai chegar às ilhas do Corvo, São Jorge, Terceira e São Miguel. Trata-se da primeira vez, igualmente, que um mestrado é desdobrado simultaneamente em dois pólos, respectivamente o de Angra do Heroísmo e Ponta Delgada. Na prática, os alunos terão ao seu dispor formação e materiais complementares em suporte digital que serão complementados com outras aulas e momentos presenciais. Nestes casos, será necessária a deslocação dos formandos aos dois pólos acima referenciados. No âmbito da formação pós-graduada no âmbito da Educação Ambiental surge, aponta a coordenação do mestrado, da necessidade de reinventar dinâmicas sociais que investiguem o combate à pobreza, alteração de padrões de consumo, coerência nas tomadas de decisão políticas, preservação de legados naturais e culturais, preservação da atmosfera, dos solos e da água, combate à desertificação e desflorestação, conservação da biodiversidade, minimização dos riscos de saúde pública, gestão de resíduos sólidos e de dinâmicas sociais que busquem a sustentabilidade, apontando para a fusão dos domínios de conhecimento anteriormente considerados estanques.

(In A União)

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