sexta-feira, setembro 05, 2008

Eutrofização da Lagoa das Sete Cidades (som)

Está a ser mal conduzido o tratamento da eutrofização das lagoas dos Açores, particularmente, a das Sete Cidades, na ilha de São Miguel. O alerta é do especialista em solos, do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, Professor Jorge Pinheiro.

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quarta-feira, janeiro 23, 2008

Lagoas do Pico

Continuo por aqui, pela Ilha Maior, correndo os Concelhos da Madalena, São Roque do Pico e Lajes do Pico, ilha que é a maior em termos da recta mais extensa dos Açores, maior no que se refere ao ponto mais alto dos Açores e de Portugal, maior ainda nas mentes das suas gentes, capazes de gerar cardeais e patriarcas, doutorados e empresários, fados de Coimbra e baladas de intervenção.
A rotina é sempre a mesma. Dormida na casa simpática cedida pelo Departamento de Oceanografia e Pescas para os docentes do mestrado em Gestão e Conservação da Natureza do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, cuidadosamente gerida pela organização local do mestrado a cargo da Ecoteca do Pico. Segue-se a troca de emails e o envio deste texto logo depois do pequeno-almoço no Café Simpatia e, quando lembra, de uma passagem rápida pela Matriz da Madalena. Depois vou aos Serviços Agrícolas solicitar o apoio das engenheiras Benilde Pereira e Rita Ferreira que até às cinco da tarde me vão ensinando os segredos do agros e dos agricultores. E finalmente vem o mestrado das seis às onze, com uma sanduíche e uma cerveja no único café aberto àquela altura.
Ontem fomos visitar as Lagoas do Pico e aprender sobre elas. Na Lagoa do Capitão encontrámos um lavrador a tratar do seu gado charolês ainda no pino do Inverno. A lagoa estava cheia e o vento era tão forte que fazia alguma rebentação num lençol de água cuja dimensão não é por aí além, talvez dois hectares. Lá estavam os patos deixados pelos serviços florestais e poderíamos imaginar os peixes protegidos do vento pelas águas oxigenadas por esse mesmo vento. Lá estavam também os banquinhos e os placars que o Estado gosta de colocar nos sítios a marcar a sua presença hegemónica, embora quem lá esteja duas vezes por semana sejam os lavradores. Houvessem bebedouros funcionais para o gado e já não haveria necessidade do gado se aproximar do lençol de água. O problema é que os serviços preferem estimular bebedouros colectivos que não são mantidos nem menos usados em vez de estudar a hidráulica complexa de criar bebedouros nas várias explorações, e que tenham água potável todo o ano. Afinal de contas é para isso que deveriam servir os engenheiros e não para copiar o bebedouro que vem do livro de escola que não serve e foi caro.
A Lagoa do Caiado é um caso paradigmático de que a solução se aproxima do óptimo quando existem usos alternativos com direitos de propriedade bem definidos. De um lado a possibilidade do uso do solo e da água pelos lavradores da bacia hidrográfica. Do outro a possibilidade de uso da água pelo município. E como o município tem ali uma fonte de água mais barata e melhor do que a dos furos, não se importa de pagar aos lavradores da pequena bacia a água dos seus terrenos, adquirindo o direito consuetudinário do uso do solo e da água para a pastorícia para afectar esses recursos ao abastecimento de água. É caso para pensar que, se houvesse utilização da Lagoa do Capitão, atrás referida, para o abastecimento de água do município, certamente os lavradores seriam compensados e o ordenamento da bacia estaria resolvido, como parece estar a acontecer na Lagoa do Caiado. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, o direito à água era inicialmente dos lavradores e não do Estado tendo sido adquirido pelo município através da aquisição dos terrenos.
A Lagoa do Paúl estava enevoada, mas foi possível verificar que a régua de medida da profundidade estava no zero no pino do Inverno indicando que a lagoa já não é capaz de reter a água que retinha num passado recente. Além disso o equipamento que media o nível estava com o cronómetro ligado mas não tinha tinta. Ao lado havia uma ordenha em tempos subsidiada mas agora abandonada e degradada. E pelo caminho apareciam umas reses com frio que vinham ao sinal do nosso carro de que algum alimento externo estaria para chegar. Aliás a estrada estava cheia de caules de milho. Deu tempo para ir à Lagoa do Peixinho e da Rosada mas agora não há espaço para falar delas.

(Prof. Tomaz Dentinho In A União)

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domingo, janeiro 20, 2008

Caracterização das Lagoas do Pico

Estamos na Ilha do Pico para caracterizar os sistemas económicos em torno das pequenas lagoas do seu planalto e a dar o módulo de economia dos recursos naturais do mestrado em gestão e conservação da natureza, levado a cabo pelo Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. De manhãzinha, ainda com o pequeno jet leg de alguns dias em Lisboa, escrevo-vos estas notas; até às cinco da tarde converso com os lavradores que têm pastos em torno das lagoas graças ao apoio das engenheiras dos serviços agrícolas Benilde Pereira e Rita Ferreira; e à noite, das seis às onze, aborreço os alunos do mestrado com gráficos e equações sobre a economia da terra, da água, das pescas, do ambiente, do petróleo e das florestas. O que vos posso contar hoje tem a ver com a conversa que tivemos com vários lavradores em torno da Ilha. Os tais que utilizam terras em torno das lagoas que agora estão a ser objecto de um Plano de Ordenamento. Da Lagoa do Capitão conversámos com quatro lavradores, três da zona de São Roque e um do lado do sul da Ilha. Um deles tem gado de carne e de leite, este com apenas uma ordenha por dia durante dez meses do ano. Os outros só têm gado de carne. Dois deles são lavradores a tempo inteiro e ainda contam com o apoio da família no maneio de gado. Um terceiro é empregado da EDA e o quarto tem uma pequena serração e carpintaria. Gente de trabalho esta que vive no Pico. O leite é vendido para a cooperativa; há poucos meses estava a 18 cêntimos por litro mas agora já está a 25 cêntimos, graças aos efeitos da procura longínqua dos chineses e aos pagamentos mais elevados de Inverno. O gado de carne é exportado através de vários intermediários e pode render cerca de quatrocentos euros por cabeça. No entanto a maior parte do rendimento vem dos prémios às vacas aleitantes e a outros apoios das medidas agro-ambientais. Os atrasos dos pagamentos do ano passado, já realizados no Continente e em algumas ilhas, começa a levantar alguma revolta. Por outro lado uma das principais preocupações face aos planos das lagoas é a eventual perda dos prémios às vacas aleitantes e de outras medidas ditas agro-ambientais, curiosamente indexadas ao número de cabeças de gado. E é assim que as ditas medidas agro-ambientais provenientes da “sábia” União Europeia e adaptadas pelo Governo Regional provocam mais degradação ambiental do que melhoria. Na verdade os lavradores aumentam o número de cabeças até ao limite do encabeçamento permitido para receberem mais apoios. O resultado é que existe uma mortalidade elevada do gado e a degradação do pasto é fortemente acelerada pelo pisoteio em terras encharcadas e declivosas. Tudo seria diferente se os apoios agro-ambientais fossem de facto para estimular o maneio dos lavradores a produzirem leite e carne mas também água limpa, solo bom, arranjo da paisagem e aumento da biodiversidade. O problema é que os ambientalistas julgam que a produção desses serviços ambientais são melhor protagonizados pelo Governo Regional e pelas Câmaras Municipais. E é assim que assistimos à introdução de patos pelo município degradando a qualidade da água, registamos a introdução de peixe pelo Governo Regional eliminando os pequenos peixes que serviam para ser transladados para os pequenos tanques de água para a limparem, observamos a colocação de placas, de degradados espaços de piquenique, de estradas largas por camionetas de turistas e da manutenção dos arames das cercas do gado; isto em vez de se permitir aos lavradores a criação de muros de pedra e pequenos caminhos de acesso que permitiriam criar uma paisagem com sentido e, ao mesmo tempo, fomentar a visitação de pequenos grupos em caminhos rurais. Não tenho espaço de referir as outras lagoas mas vale a pena reter algumas frases de quem sabe: “A gente já não manda no que é nosso!”; “O Ambiente lixa uns e protege os outros!”; “As leis podem ser boas mas são maus os que as executam!”.
(Prof. Tomaz Dentinho In A União)

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segunda-feira, outubro 08, 2007

Recursos, ordenamento e impactos

Foram apresentadas várias comunicações científicas da autoria de docentes e investigadores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores no 5º Congresso da Associação Portuguesa de Economia Agrária, este ano com o tema "Globalização, Agricultura e Áreas que decorreu entre 4 e 6 de Outubro em Vila Real. Um dos trabalhos discutidos, da autoria do Engº Paulo Silveira e do Professor Tomaz Dentinho, abordou o tema dos recursos, ordenamento, desenvolvimento e alterações climáticas, com o título "Modelo de interacção espacial para estimar o impacto das alterações climáticas no uso do solo. Aplicação à Ilha Terceira". Para estudar esta problemática, têm vindo a ser desenvolvidos dois tipos de abordagens: uma, na óptica da produção, que analisa a variação dos potenciais ecológicos do território para a produção agrícola estimando a alteração do zonamento agroecológico com base na composição do solo e nas características climáticas, utilizando modelos de crescimento das culturas dominantes e os efeitos das alterações globais nas produções agrícolas, e outra, que integra elementos de natureza económica permitindo estimar não só o impacto directo do aquecimento global nas potencialidades de produção da agricultura mas também o efeito indirecto da alteração dos preços ou da procura sobre os recursos de cada território.Outra das comunicações apresentadas, da autoria da Mestre Isabel Rodrigues e do Professor Tomaz Dentinho, traduziu-se num "contributo para a gestão das relações entre a cultura da cerejeira e a conservação de Asphodelus bento-rainhae P. Silva, espécie endémica da Serra da Gardunha. A última comunicação, apresentada, da autoria da Mestre Luísa Calado e do Professor Tomaz Dentinho referia-se à aplicação de um Modelo de Programação Linear às Lagoas dos Açores, visando a avaliação do impacto da actividade agro-pecuário na qualidade da água e efeito no emprego local. Os autores concluiram, quanto à quota leiteira, que em quatro bacias hidrográficas açorianas, a política é eficiente para o controlo da eutrofização: na Lagoa das Sete Cidades (azul) e na Lagoa do Capitão, mas ineficiente na Lagoa Funda e Sete Cidades (verde). Relativamente ao emprego, esta política (quota leiteira) tem um efeito negativo. Quanto à restrição de animais, a política é eficiente para o controlo da eutrofização em 12 das bacias hidrográficas estudadas (num total de dezasseis), sendo ineficiente nas restantes quatro. Quanto ao emprego essa política tem um efeito negativo na generalidade das bacias, sendo mesmo muito negativo em algumas delas. Quanto ao ordenamento, este é eficiente para o controlo da eutrofização em todas as lagoas estudadas, mas o seu efeito no emprego é negativo na maior parte delas. Assim as políticas a ter em conta na eutrofização das lagoas açorianas terão que equacionar não só a obtenção da qualidade da água, mas a também a criação de alternativas às populações que dependem da exploração das áreas das bacias hidrográficas.

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sábado, setembro 22, 2007

Eutrofização da Lagoa das Sete Cidades - São Miguel

"Actualmente o agricultor deve ser o guardião da natureza, aplicando práticas ambientalmente sustentáveis. Nas Sete Cidades, isso só é possível se forem utilizados menos adubos e, consequentemente, se reduzir a produção. Para compensar os agricultores, seriam aplicadas ajudas compensatórias. Só desta forma se pode limitar ou mesmo eliminar o problema de eutrofização das lagoas". Esta afirmação é do Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Jorge Pinheiro, que apresentou, nas Canárias, um trabalho da autoria de Jorge Pinheiro, Lourdes Matos e João Madruga, docentes e investigadores do mesmo Departamento e que reúne vários anos de estudos sobre as Sete Cidades. Jorge Pinheiro voltou a lembrar que "o problema da eutrofização nas lagoas das Sete Cidades está relacionado, pode-se dizer exclusivamente, com a utilização excessiva de adubos nos terrenos circundantes. "É preciso passar de um regime intensivo para um extensivo, para solucionar o problema".
A eutrofização das lagoas das Sete Cidades coloca, ainda, um problema em termos de impacto económico, visto que este se trata de um dos pontos turísticos mais fortes da ilha de São Miguel. No local tem-se verificado o crescimento acelerado de plantas aquáticas devido ao aumento de nutrientes, potenciado pelos adubos utilizados nas explorações agrícolas.
O trabalho "Eutrofización en lagos de Azores - Caracterización de la Cuenca de Siete Ciudades: Isla de S. Miguel", foi apresentado no III Simpósio espanhol sobre o controlo da degradação dos solos e da desertificação, que decorreu em Fuerteventura, arquipélago das Canárias.
(In Diário Insular)

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