Eutrofização da Lagoa das Sete Cidades (som)
Etiquetas: Eutrofização, Jorge Pinheiro, Lagoas, Sete Cidades
Este blog é da responsabilidade do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores e pretende dar conta das actividades desenvolvidas ao longo de 2006 - Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação, bem como das actividades realizadas na mesma área temática,ou não, nos anos posteriores.
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Etiquetas: agricultura, Gestão e Conservação da Natureza, Lagoas, Ordenamento, recursos hídricos, Sustentabilidade, Tomaz Dentinho
Da Lagoa do Capitão conversámos com quatro lavradores, três da zona de São Roque e um do lado do sul da Ilha. Um deles tem gado de carne e de leite, este com apenas uma ordenha por dia durante dez meses do ano. Os outros só têm gado de carne. Dois deles são lavradores a tempo inteiro e ainda contam com o apoio da família no maneio de gado. Um terceiro é empregado da EDA e o quarto tem uma pequena serração e carpintaria. Gente de trabalho esta que vive no Pico. O leite é vendido para a cooperativa; há poucos meses estava a 18 cêntimos por litro mas agora já está a 25 cêntimos, graças aos efeitos da procura longínqua dos chineses e aos pagamentos mais elevados de Inverno. O gado de carne é exportado através de vários intermediários e pode render cerca de quatrocentos euros por cabeça. No entanto a maior parte do rendimento vem dos prémios às vacas aleitantes e a outros apoios das medidas agro-ambientais. Os atrasos dos pagamentos do ano passado, já realizados no Continente e em algumas ilhas, começa a levantar alguma revolta. Por outro lado uma das principais preocupações face aos planos das lagoas é a eventual perda dos prémios às vacas aleitantes e de outras medidas ditas agro-ambientais, curiosamente indexadas ao número de cabeças de gado. E é assim que as ditas medidas agro-ambientais provenientes da “sábia” União Europeia e adaptadas pelo Governo Regional provocam mais degradação ambiental do que melhoria. Na verdade os lavradores aumentam o número de cabeças até ao limite do encabeçamento permitido para receberem mais apoios.
O resultado é que existe uma mortalidade elevada do gado e a degradação do pasto é fortemente acelerada pelo pisoteio em terras encharcadas e declivosas. Tudo seria diferente se os apoios agro-ambientais fossem de facto para estimular o maneio dos lavradores a produzirem leite e carne mas também água limpa, solo bom, arranjo da paisagem e aumento da biodiversidade. O problema é que os ambientalistas julgam que a produção desses serviços ambientais são melhor protagonizados pelo Governo Regional e pelas Câmaras Municipais. E é assim que assistimos à introdução de patos pelo município degradando a qualidade da água, registamos a introdução de peixe pelo Governo Regional eliminando os pequenos peixes que serviam para ser transladados para os pequenos tanques de água para a limparem, observamos a colocação de placas, de degradados espaços de piquenique, de estradas largas por camionetas de turistas e da manutenção dos arames das cercas do gado; isto em vez de se permitir aos lavradores a criação de muros de pedra e pequenos caminhos de acesso que permitiriam criar uma paisagem com sentido e, ao mesmo tempo, fomentar a visitação de pequenos grupos em caminhos rurais. Não tenho espaço de referir as outras lagoas mas vale a pena reter algumas frases de quem sabe: “A gente já não manda no que é nosso!”; “O Ambiente lixa uns e protege os outros!”; “As leis podem ser boas mas são maus os que as executam!”.Etiquetas: agricultura, Biodiversidade, Lagoas, Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza, Pico
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Jorge Pinheiro voltou a lembrar que "o problema da eutrofização nas lagoas das Sete Cidades está relacionado, pode-se dizer exclusivamente, com a utilização excessiva de adubos nos terrenos circundantes. "É preciso passar de um regime intensivo para um extensivo, para solucionar o problema".Etiquetas: adubação, agricultura, Congresso, Engenharia do Ambiente, Eutrofização, João Madruga, Jorge Pinheiro, Lagoas, Lourdes Matos, São Miguel, solos