sábado, novembro 08, 2008

Caracterização pedológica da cultura do chá

João da Silva Madruga, Professor no Campus de Ciências Agrárias de Angra do Heroísmo – Universidade dos Açores – e Confrade Fundador da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos participou no seminário "Ao Encontro do Chá", evento realizado pela Confraria do Chá Porto Formoso no Teatro Micaelense na cidade de Ponta Delgada, Arquipélago dos Açores.
Da sua intervenção com o título em epígrafe publicamos hoje um resumo: A introdução da cultura do chá na ilha de S. Miguel ocorreu nos finais do século XIX como parte integrante de um processo mais alargado de diversificação de culturas agrícolas capazes de virem a constituir-se como alternativas à exportação da laranja que entretanto entrara em declínio. Os solos da ilha de S. Miguel, originários de materiais vulcânicos modernos que evoluem sob condições de clima atlântico temperado e húmido cumprem, na maioria dos casos, os critérios analíticos que permitem integrá-los na Ordem Andisol. A génese está ligada à alteração do material rico em vidro e à síntese de alofana e imogolite, podendo ainda ocorrer a formação de complexos organo-minerais. O desenvolvimento e a estabilidade destes solos estão grandemente dependentes das condições climáticas, mas a natureza dos constituintes coloidais tende a modificar-se à medida que o processo de meteorização progride no tempo, observando-se por vezes a evolução dos produtos alofânicos para formas cristalinas, mormente as haloisíticas, acompanhada do desaparecimento progressivo das características pedológicas definidas como propriedades ândicas.
Nesse trabalho, procedeu-se a uma caracterização sumária das propriedades dos solos onde tradicionalmente a cultura do chá tem sido praticada, apresentando-se alguns dados relativos às condições de fertilidade dos solos avaliada com base em análises químicas de amostras colhidas em campos de produção do Chá Porto Formoso, discutindo-se algumas das implicações agronómicas decorrentes dos resultados analíticos.
(Madruga, João; Jorge Pinheiro: João Sampaio e Lourdes Matos-Centro de Investigação em Tecnologias Agrárias dos Açores (Departamento de Ciências Agrárias – Universidade dos Açores).

(In Bagos D'Uva)

Etiquetas: , , , ,

sábado, maio 03, 2008

Contaminações por hidrocarbonetos

Documentos norte-americanos analisados por peritos da Universidade dos Açores e de empresas privadas, por iniciativa da Antena 1-Açores, demonstram que o aquífero de base da ilha Terceira está contaminado com hidrocarbonetos e metais pesados provenientes de derrames de combustíveis de infraestruturas associadas à Base das Lajes. Estão igualmente contamidos os aquíferos suspensos interceptados pelas análises. Contam-se por mais de uma dúzia as substâncias derivadas dos combustíveis encontradas nas análises e que são consideradas cancerígenas, segundo Félix Rodrigues, especialista em ambiente da Universidade dos Açores.Manganésio, alumínio, cobre, ferro e contaminantes considerados perigosos para a saúde humana também se encontram nas análises em enormes concentrações.Está em causa a saúde humana no momento e no futuro, entende Félix Rodrigues.O aquífero de base da ilha Terceira é a principal reserva de fornecimento de água para consumo humano, animal e irrigação.

TERRENOS CONTAMINADOS

Os norte-americanos têm identificadas 38 áreas de contaminação no concelho da Praia da Vitória com hidrocarbonetos e metais pesados. Desse total, quatro áreas estão bem estudadas e têm um alto grau de contaminação; 14 estão contaminadas, mas faltam análises de pormenor, e as restantes têm derrames identificados ou foram alvo de outros actos contaminantes, mas nunca foram analisadas.A área referida como estando mais contaminada é a entrada principal da Base das Lajes (Posto Um). Foram detectados na zona altos níveis de contaminação com diesel e combustível para aviões (JP4 e JP8). A possibilidade de a contaminação migrar desta zona para poços de extracção de água para abastecimento público é encarada como muito séria.O aglomerado de tanques de combustível sobranceiro à Praia da Vitória é outra área de grande contaminação com metais pesados e hidrocarbonetos. É, provavelmente, daí que provém a maior parte dos contaminantes encontrados no aquífero de base e nos aquíferos suspensos.A zona dos tanques abandonados dos Cinco Picos também está contaminada. Estão lá identificados aterros de produtos contaminados provenientes da limpeza dos tanques, além de derrames. As análises identificam vários produtos contaminantes.A quarta zona de alta contaminação confirmada, neste caso não por análises, mas pela natureza das actividades aí desenvolvidas, está delimitada dentro da base e corresponde à área utilizada para treino de bombeiros até 1982. Outras 14 áreas são consideradas contaminadas, dada a natureza das ocorrências aí registadas e quase de certeza representam perigo para o ambiente e para a saúde humana. São áreas que vão desde a Base das Lajes até ao interior da ilha.As restantes 20 áreas nunca foram estudadas, mas têm histórias de contaminação, podendo o solo e a água nas redondezas estar contaminados. Entre essas áreas encontram-se a freguesia da Vila Nova, o Porto Militar da Praia e a estrada que liga a base à Praia.Embora as análises à água de consumo público ainda não reflictam a contaminação, Carlos Lima defende que seria irresponsável esperar por os contaminantes entrarem em casa das pessoas para começar a resolver o problema.Entende que é preciso identificar a situação e despoluir, “custe o que custar”.Remete a responsabilidade da iniciativa para a tutela regional do Ambiente, mas adianta que, segundo a lei, a conta deve ser apresentada e paga pelo poluidor, no caso os norte-americanos da Base das Lajes.Porém, a responsável regional pelo Ambiente, Ana Paula Marques, já disse que em matérias relacionadas com a Base das Lajes a coordenação é da responsabilidade do representante da Região na Comissão Bilateral Permanente, André Bradford.Seguindo o percurso, Bradford alega nada saber do assunto. Garantiu, porém, ao DI que já pediu aos norte-americanos toda a documentação relativa à contaminação com origem em actividades relacionadas com a Base das Lajes.Entretanto, o Instituto da Água afirmar estar a acompanhar a situação e o Governo de Lisboa já ofereceu ajuda à Região.

(In Diário Insular)

Etiquetas: , ,

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Golfe na ilha de Santa Maria

Nick Faldo, um dos melhores golfistas da Europa, assina o projecto do campo de golfe de Santa Maria - Açores, apresentado nessa ilha, numa cerimónia presidida por Duarte Ponte, Secretário Regional da Economia e antigo Director do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e onde marcaram presença a presidente da Ilhas de Valor, S.A., entidade promotora do empreendimento, Guy Hockler, arquitecto principal do gabinete de arquitectura inglês responsável pelo projecto, e Gomes de Menezes, projectista das infraestruturas de apoio. “Os campos de golfe valem pela assinatura de quem os projecta”, lembrou Duarte Ponte, e, por essa razão, concebido por “uma das mais prestigiadas equipas projectistas do mundo”, o campo de golfe de Santa Maria será “um campo de golfe de classe mundial”, sublinhou o responsável. Ontem, na sala de conferências do Hotel Santa Maria, foi assinado o contrato para a elaboração do projecto do campo de golfe, no valor de 1.195 milhões de euros, mais IVA, com um prazo de execução de noventa dias. Implantado na zona do Tremoçal, terá 18 buracos, um country club e um aldeamento turístico, cuja localização ainda não é definitiva.Na ocasião, Duarte Ponte afirmou que “o contrato que vamos assinar é um motivo de orgulho para as Ilhas de Valor, e é sem dúvida importante para a qualificação do turismo dos Açores”. O projecto permitirá criar riqueza, postos de trabalho e, desse modo, ajudar a fixar população, acrescentou ainda. Nos próximos três meses, a equipa projectista irá trabalhar no projecto de execução a partir do estudo prévio já concluído. E só então se saberá ao certo quais as parcelas que o Governo Regional terá de adquirir. Segundo o secretário regional da Economia, já foram feitos contactos prévios com os proprietários dos terrenos situados na zona escolhida, mas as negociações só poderão ser iniciadas quando for conhecido com rigor os limites do campo de golfe. É por essa razão que também não se sabe ao certo quanto irá custar a construção do empreendimento. Duarte Ponte adiantou apenas que se espera vir a custar mais de doze milhões de euros. Depois da aquisição das propriedades, será então lançado o concurso de empreitada, mas o secretário regional da Economia não quis arriscar uma data para o início da execução do projecto. Quanto à exploração do empreendimento, quando concluído, o responsável revelou, no entanto, que “é provável que a Ilhas de Valor S.A. tenha de assegurar a sua exploração no início, mas a ideia é encontrar privados que queiram investir connosco. Podemos ficar com 49,5 por cento e entregar o restante a privados ou podemos ficar como sendo os donos do terreno e ceder a sua gestão”. “Não queremos explorar campos de golfe, não queremos explorar hotéis. Tudo faremos para entregar a privados a gestão e a posse do campo de golfe”, garantiu. Em Santa Maria, há quem esteja preocupado com o abastecimento de água ao campo de golfe, dadas as dificuldades de abastecimento à população. Duarte Ponte assegurou, na ocasião, que “fica a nosso cargo encontrar a água, com certeza por um novo furo”, adiantando que essa situação foi prevista, tendo sido feitos um estudo hidrológico, pelo Departamento de Geociências da Universidade dos Açores, e um estudo ao solo, pelo Departamento de Ciências Agrárias.
(In Açoriano Oriental)

Etiquetas: , , ,

sábado, setembro 22, 2007

Eutrofização da Lagoa das Sete Cidades - São Miguel

"Actualmente o agricultor deve ser o guardião da natureza, aplicando práticas ambientalmente sustentáveis. Nas Sete Cidades, isso só é possível se forem utilizados menos adubos e, consequentemente, se reduzir a produção. Para compensar os agricultores, seriam aplicadas ajudas compensatórias. Só desta forma se pode limitar ou mesmo eliminar o problema de eutrofização das lagoas". Esta afirmação é do Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Jorge Pinheiro, que apresentou, nas Canárias, um trabalho da autoria de Jorge Pinheiro, Lourdes Matos e João Madruga, docentes e investigadores do mesmo Departamento e que reúne vários anos de estudos sobre as Sete Cidades. Jorge Pinheiro voltou a lembrar que "o problema da eutrofização nas lagoas das Sete Cidades está relacionado, pode-se dizer exclusivamente, com a utilização excessiva de adubos nos terrenos circundantes. "É preciso passar de um regime intensivo para um extensivo, para solucionar o problema".
A eutrofização das lagoas das Sete Cidades coloca, ainda, um problema em termos de impacto económico, visto que este se trata de um dos pontos turísticos mais fortes da ilha de São Miguel. No local tem-se verificado o crescimento acelerado de plantas aquáticas devido ao aumento de nutrientes, potenciado pelos adubos utilizados nas explorações agrícolas.
O trabalho "Eutrofización en lagos de Azores - Caracterización de la Cuenca de Siete Ciudades: Isla de S. Miguel", foi apresentado no III Simpósio espanhol sobre o controlo da degradação dos solos e da desertificação, que decorreu em Fuerteventura, arquipélago das Canárias.
(In Diário Insular)

Etiquetas: , , , , , , , , , ,