terça-feira, setembro 09, 2008

Eutrofização da Lagoa das Sete Cidades

Eutrofização da Lagoa das Setes Cidades tem de passar do Ambiente para a Agricultura, defende Jorge Pinheiro, perito em solos.
A intervenção em curso na Lagoa das Sete Cidades, em S. Miguel, está errada, uma vez que estão a ser atacadas as consequências e não as causas. A opinião é de Jorge Pinheiro, professor do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores e um dos mais reputados especialistas em solos da Região. Segundo Pinheiro, os trabalhos em curso na lagoa poderão trazer pequenos benefícios, mas não resolverão o problema nos prazos médio e longo. “Tudo voltará ao mesmo”, vaticinou o professor. Jorge Pinheiro entende que o caso da Lagoa das Sete Cidades não deve continuar na tutela do Ambiente, transitando para a tutela da Agricultura, uma vez que a questão é de ordem agronómica.
A JUSTA MEDIDA


Gerir bem a adubagem e o esforço de produção - é neste binómio que Jorge Pinheiro aposta para resolver, com efeitos garantidos no futuro, o problema de eutrofização que afecta a lagoa micaelense. É por isso que o professor defende que a intervenção deve passar do Ambiente para a Agricultura, acrescentando que o que há a resolver resolve-se com um bom programa de extensão rural. Passar da intensificação para a extensificação nas actividades na zona da bacia hidrográfica da Lagoa das Sete Cidades é o grande passo que Pinheiro preconiza. Esse passo implica, a médio prazo - não a prazo imediato -, quebras de rendimento visíveis na carteira dos lavradores com actividade na zona. Sendo assim, Pinheiro entende que deve ser criado um pacote específico de ajudas compensatórias, com dinheiros da União Europeia, para compensar as quebras em causa. “É preciso resolver o problema, mas os lavradores têm o direito a uma justa compensação pelo que perdem”, anota o professor.
AMBIENTE REAGE


O Ambiente distribuiu já uma nota na qual afirma que a abordagem à Lagoa das Sete Cidades segue o Plano de Ordenamento da Bacia Hidrográfica respectiva. “As medidas curativas já foram executadas, encontrando-se em curso a implementação de medidas de tipo preventivo, bem como o ordenamento das margens da lagoa”, refere a nota. Os resultados obtidos com a monitorização da qualidade da água demonstram já uma melhoria consolidada”, conclui.


(In Diário Insular)

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sexta-feira, setembro 05, 2008

Eutrofização da Lagoa das Sete Cidades (som)

Está a ser mal conduzido o tratamento da eutrofização das lagoas dos Açores, particularmente, a das Sete Cidades, na ilha de São Miguel. O alerta é do especialista em solos, do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, Professor Jorge Pinheiro.

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segunda-feira, abril 07, 2008

Biotecnologia dá frutos na Região

O Centro de Biotecnologia dos Açores (CBA) vai produzir 100 mil plantas para a reflorestação da Lagoa das Furnas em São Miguel, no âmbito de um projecto do Governo Regional que pretende combater a eutrofização da lagoa com a criação de zonas tampão onde a influência da prática agrícola seja reduzida.
Essas zonas tampão exigem uma grande quantidade de plantas, difícil de conseguir na região, pelo que a opção foi recorrer a métodos biotecnológicos para resolver a questão.
O CBA, localizado no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, desenvolveu “uma tecnologia de ponta que serve para produzir plantas mas que também poderá servir para suportar a floricultura e para muitas outras coisas com interesse comercial”, diz Artur Machado, o director do Centro.

O processo de produção das plantas começa com a recolha de material vegetal, de onde, em laboratório, com condições acéticas, são extraídas um conjunto de células da planta dadora que são depois “desinfectadas” para que se possa iniciar o processo de produção. Este processo começa com a introdução de culturas e depois com a propagação das mesmas, processo que tem um prazo temporal diferenciado consoante quantidade de plantas que se pretende (conseguir quatro plantas a partir de uma leva mês e meio, por exemplo).
Depois disso, o passo seguinte é o enraizamento da planta e só depois abandonam o laboratório para uma estufa, para o processo de aclimatação – que dura cerca de 15 dias – sendo depois transportadas para o local onde serão plantadas definitivamente.
Segundo Artur Machado, esta nova tecnologia traz novidades ao nível do número de plantas que se conseguem produzir e em relação ao processo utilizado.
Este método é fruto de um trabalho de vários anos desenvolvido no Centro de Biotecnologia, em que o processo científico teve que ser adaptado às diferentes condições de cultura de cada espécie e todos os processos de produção em massa foram testados até se chegar a este ponto.
As plantas usadas nesta reflorestação são todas endémicas dos Açores (uva da serra, ginja do mato, pau branco e cedro) e, de acordo, com o director do CBA “ algumas são passíveis de domesticação e no futuro serem plantas com importância agronómica, como por exemplo, a uva da serra, que tem um fruto com muitos antioxidantes e vitaminas, que poderá ter interesse comercial.”
“Este é o exemplo típico do que a tecnologia significa para uma região”, conclui Artur Machado.
Promover a investigação
O Centro de Tecnologia dos Açores existe desde 2004 com o objectivo de promover a investigação nas áreas da biotecnologia, “em que a região e o país tinham um défice”, afirma Artur Machado. Reconhecido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia como uma Unidade de Investigação e Desenvolvimento Nacional, o CBA tem uma grande quantidade de cooperações a nível nacional e internacional, e Artur Machado classifica-o mesmo como sendo “um dos melhores centros a nível internacional”.
Actualmente com 18 pessoas, onde se incluem investigadores estrangeiros, o CBA desenvolve trabalhos na área da biotecnologia alimentar, animal e vegetal, que vão desde a reprodução assistida em equinos, a investigação de genes envolvidos na qualidade do leite, ou a participação no programa Germobanco, uma parceria entre universidades e organizações agrícolas da Mscaronésia, que visou preservar a biodiversidade da região.
Renato Gonçalves
(In A União)

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segunda-feira, outubro 08, 2007

Recursos, ordenamento e impactos

Foram apresentadas várias comunicações científicas da autoria de docentes e investigadores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores no 5º Congresso da Associação Portuguesa de Economia Agrária, este ano com o tema "Globalização, Agricultura e Áreas que decorreu entre 4 e 6 de Outubro em Vila Real. Um dos trabalhos discutidos, da autoria do Engº Paulo Silveira e do Professor Tomaz Dentinho, abordou o tema dos recursos, ordenamento, desenvolvimento e alterações climáticas, com o título "Modelo de interacção espacial para estimar o impacto das alterações climáticas no uso do solo. Aplicação à Ilha Terceira". Para estudar esta problemática, têm vindo a ser desenvolvidos dois tipos de abordagens: uma, na óptica da produção, que analisa a variação dos potenciais ecológicos do território para a produção agrícola estimando a alteração do zonamento agroecológico com base na composição do solo e nas características climáticas, utilizando modelos de crescimento das culturas dominantes e os efeitos das alterações globais nas produções agrícolas, e outra, que integra elementos de natureza económica permitindo estimar não só o impacto directo do aquecimento global nas potencialidades de produção da agricultura mas também o efeito indirecto da alteração dos preços ou da procura sobre os recursos de cada território.Outra das comunicações apresentadas, da autoria da Mestre Isabel Rodrigues e do Professor Tomaz Dentinho, traduziu-se num "contributo para a gestão das relações entre a cultura da cerejeira e a conservação de Asphodelus bento-rainhae P. Silva, espécie endémica da Serra da Gardunha. A última comunicação, apresentada, da autoria da Mestre Luísa Calado e do Professor Tomaz Dentinho referia-se à aplicação de um Modelo de Programação Linear às Lagoas dos Açores, visando a avaliação do impacto da actividade agro-pecuário na qualidade da água e efeito no emprego local. Os autores concluiram, quanto à quota leiteira, que em quatro bacias hidrográficas açorianas, a política é eficiente para o controlo da eutrofização: na Lagoa das Sete Cidades (azul) e na Lagoa do Capitão, mas ineficiente na Lagoa Funda e Sete Cidades (verde). Relativamente ao emprego, esta política (quota leiteira) tem um efeito negativo. Quanto à restrição de animais, a política é eficiente para o controlo da eutrofização em 12 das bacias hidrográficas estudadas (num total de dezasseis), sendo ineficiente nas restantes quatro. Quanto ao emprego essa política tem um efeito negativo na generalidade das bacias, sendo mesmo muito negativo em algumas delas. Quanto ao ordenamento, este é eficiente para o controlo da eutrofização em todas as lagoas estudadas, mas o seu efeito no emprego é negativo na maior parte delas. Assim as políticas a ter em conta na eutrofização das lagoas açorianas terão que equacionar não só a obtenção da qualidade da água, mas a também a criação de alternativas às populações que dependem da exploração das áreas das bacias hidrográficas.

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sábado, setembro 22, 2007

Eutrofização da Lagoa das Sete Cidades - São Miguel

"Actualmente o agricultor deve ser o guardião da natureza, aplicando práticas ambientalmente sustentáveis. Nas Sete Cidades, isso só é possível se forem utilizados menos adubos e, consequentemente, se reduzir a produção. Para compensar os agricultores, seriam aplicadas ajudas compensatórias. Só desta forma se pode limitar ou mesmo eliminar o problema de eutrofização das lagoas". Esta afirmação é do Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Jorge Pinheiro, que apresentou, nas Canárias, um trabalho da autoria de Jorge Pinheiro, Lourdes Matos e João Madruga, docentes e investigadores do mesmo Departamento e que reúne vários anos de estudos sobre as Sete Cidades. Jorge Pinheiro voltou a lembrar que "o problema da eutrofização nas lagoas das Sete Cidades está relacionado, pode-se dizer exclusivamente, com a utilização excessiva de adubos nos terrenos circundantes. "É preciso passar de um regime intensivo para um extensivo, para solucionar o problema".
A eutrofização das lagoas das Sete Cidades coloca, ainda, um problema em termos de impacto económico, visto que este se trata de um dos pontos turísticos mais fortes da ilha de São Miguel. No local tem-se verificado o crescimento acelerado de plantas aquáticas devido ao aumento de nutrientes, potenciado pelos adubos utilizados nas explorações agrícolas.
O trabalho "Eutrofización en lagos de Azores - Caracterización de la Cuenca de Siete Ciudades: Isla de S. Miguel", foi apresentado no III Simpósio espanhol sobre o controlo da degradação dos solos e da desertificação, que decorreu em Fuerteventura, arquipélago das Canárias.
(In Diário Insular)

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