quinta-feira, agosto 07, 2008

Arsénio nas águas das Caldeiras das Furnas


Autoridades desdramatizam, mas a comunidade científica declara preocupação.
As águas das caldeiras das Furnas, em São Miguel, onde estão a ser cozidos os milhos, têm elevada concentração de arsénio.
Este é o resultado das análises que a secretaria regional da Economia está a efectuar às aguas termais.
O director do comercio e indústria diz que os valores são os mesmos de há cinco e dez anos atrás e garante que não há perigo para a saúde pública.
Opinião contrária tem a comunidade científica, que reclama um cartaz no local a proibir o milho cozido nas caldeiras.

Etiquetas: , , , ,

quinta-feira, julho 31, 2008

Furnas: Um Laboratório Natural

Foi apresentada e defendida, na Universidade de Aveiro, a tese de Mestrado em Ensino de Física e Química da aluna Maria Helena Maurício Resendes, orientada pelo Professor Mário Talaia do Departamento de Física da Universidade de Aveiro e pelo Professor Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores com o título “Transferência de Energia e Qualidade do Ar no Ensino das Ciências”.
A investigação foi fundamentada, planeada e implementada com base em estudos de casos, numa perspectiva de Ensino por Pesquisa num contexto real – o campo fumarólico da Lagoa das Furnas – onde é possível observar manifestações geotérmicas que despertam curiosidade e inquietações por consequência, formular questões-problema. Estas por sugerirem estratégias de ensino inovadoras e motivadoras para os alunos, e por serem pertinentes do ponto de vista científico, tecnológico e social têm interessse em serem exploradas na disciplina de físico-química do ensino básico e secundário.A geotermia é sem dúvida a grande fonte alternativa de energia do Arquipélago dos Açores, ainda pouco explorada a nível regional, se bem com grande incremento neste arquipélago quando comparada com outras regiões europeias ou mesmo mundiais.
As questões energéticas estão no topo das preocupações mundiais actuais, não só pela preocupação com as alterações climáticas globais, mas como meio de garantir sustentabilidade energética das sociedades. Defende-se uma aproximação à realidade local no ensino das ciências, de modo a responder às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade de as gerações darem respostas ás delas.


Nesta investigação, verificou-se que a escolha dos locais para efectuarem as covas, destinadas ao cozido das Furnas, têm sido efectuadas de forma empírica, não correspondendo à eficiência térmica do local, nem tão pouco a uma optimização da temperatura. A escolha do local das “covas” tem sido ao longo dos tempos aleatória e as que existem actualmente tem diferentes performances.

Nas Furnas, a diversidade liquénica, presente nas árvores próxima das fumarolas, permite avaliar de forma rápida e expedita a qualidade média do ar do local, podendo afirmar-se que os níveis de dióxido de enxofre se situam normalmente abaixo dos 35 microgramas por metro cúbico, ou seja, com excelente qualidade do ar no que se refere a óxidos de enxofre. As temáticas abordadas nesta tese visaram responder tanto a problemas de ensino como a questões científicas, tecnológicas e sociais, numa transdisciplinaridade correspondente às visões actuais do conhecimento.

Etiquetas: , , , , , ,

segunda-feira, abril 07, 2008

Biotecnologia dá frutos na Região

O Centro de Biotecnologia dos Açores (CBA) vai produzir 100 mil plantas para a reflorestação da Lagoa das Furnas em São Miguel, no âmbito de um projecto do Governo Regional que pretende combater a eutrofização da lagoa com a criação de zonas tampão onde a influência da prática agrícola seja reduzida.
Essas zonas tampão exigem uma grande quantidade de plantas, difícil de conseguir na região, pelo que a opção foi recorrer a métodos biotecnológicos para resolver a questão.
O CBA, localizado no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, desenvolveu “uma tecnologia de ponta que serve para produzir plantas mas que também poderá servir para suportar a floricultura e para muitas outras coisas com interesse comercial”, diz Artur Machado, o director do Centro.

O processo de produção das plantas começa com a recolha de material vegetal, de onde, em laboratório, com condições acéticas, são extraídas um conjunto de células da planta dadora que são depois “desinfectadas” para que se possa iniciar o processo de produção. Este processo começa com a introdução de culturas e depois com a propagação das mesmas, processo que tem um prazo temporal diferenciado consoante quantidade de plantas que se pretende (conseguir quatro plantas a partir de uma leva mês e meio, por exemplo).
Depois disso, o passo seguinte é o enraizamento da planta e só depois abandonam o laboratório para uma estufa, para o processo de aclimatação – que dura cerca de 15 dias – sendo depois transportadas para o local onde serão plantadas definitivamente.
Segundo Artur Machado, esta nova tecnologia traz novidades ao nível do número de plantas que se conseguem produzir e em relação ao processo utilizado.
Este método é fruto de um trabalho de vários anos desenvolvido no Centro de Biotecnologia, em que o processo científico teve que ser adaptado às diferentes condições de cultura de cada espécie e todos os processos de produção em massa foram testados até se chegar a este ponto.
As plantas usadas nesta reflorestação são todas endémicas dos Açores (uva da serra, ginja do mato, pau branco e cedro) e, de acordo, com o director do CBA “ algumas são passíveis de domesticação e no futuro serem plantas com importância agronómica, como por exemplo, a uva da serra, que tem um fruto com muitos antioxidantes e vitaminas, que poderá ter interesse comercial.”
“Este é o exemplo típico do que a tecnologia significa para uma região”, conclui Artur Machado.
Promover a investigação
O Centro de Tecnologia dos Açores existe desde 2004 com o objectivo de promover a investigação nas áreas da biotecnologia, “em que a região e o país tinham um défice”, afirma Artur Machado. Reconhecido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia como uma Unidade de Investigação e Desenvolvimento Nacional, o CBA tem uma grande quantidade de cooperações a nível nacional e internacional, e Artur Machado classifica-o mesmo como sendo “um dos melhores centros a nível internacional”.
Actualmente com 18 pessoas, onde se incluem investigadores estrangeiros, o CBA desenvolve trabalhos na área da biotecnologia alimentar, animal e vegetal, que vão desde a reprodução assistida em equinos, a investigação de genes envolvidos na qualidade do leite, ou a participação no programa Germobanco, uma parceria entre universidades e organizações agrícolas da Mscaronésia, que visou preservar a biodiversidade da região.
Renato Gonçalves
(In A União)

Etiquetas: , , ,

sábado, abril 05, 2008

Diversificar e revitalizar a paisagem

Na semana passada, a Secretária Regional do Ambiente e Mar, Ana Paula Marques, deu o arranque para o Parque Integrado da Bacia Hidrográfica da Lagoa das Furnas.
O dia estava ensolarado, propicio à comunhão com a natureza, como que brindando à abertura deste Parque Florestal, e ao plantio das primeiras árvores que o vão embelezar.
Foram várias as entidades envolvidas neste evento, que representam as parcerias feitas no âmbito deste projecto florestal.


Destaco a Universidade dos Açores, pela mais valia cientifica que pode acrescentar ao projecto, dando, ao mesmo tempo, uma garantia de que este Parque será um pólo experimental por excelência, que visa transportar as boas práticas aqui desenvolvidas para outros locais do arquipélago.
Depois de resolvido o problema que envolveu as pastagens daquela magnifica bacia hidrográfica – compradas pelo GR –, mais concretamente dos pesticidas e fertilizantes que eram utilizados na lavoura, e que agonizavam a lagoa, importava, agora, requalificar aquela zona, aproveitando o seu enorme potencial e dando-lhe a dignidade que ela merece.
Por isso, é de louvar a abertura deste Parque Integrado, que para além do marcado uso agro-florestal, terá outras infra-estruturas de apoio ao visitante, dando primazia á vertente lúdica, com acessos pedonais e pistas “cicláveis”. Foram, como anunciam os promotores, contempladas todas as vertentes necessárias numa intervenção desta ordem e em zona tão sensível, tais como, topografia, hidrografia, floresta, prados, acessibilidades e zonas de recreio.
Será um local de visita obrigatória, que acrescentará – se é que isso é possível –, ainda mais encanto àquele vale, que tem tanto de assombroso como de sinistro.
Um tal de Mendes Guerreiro, que visitou demoradamente os Açores em finais do século XIX, escreveu encantado; “As buttes Chaumont que, para mim é um dos mais bonitos jardins de Paris, e que me vieram á lembrança quando estava em meio do Jardim António Borges, não tem a variedade nem a pujança de essências exóticas que nas ilhas prosperam tanto á vontade.” Temos condições excepcionais, mas temos tido défice de planeamento e diversidade. Esta é, portanto, uma excelente iniciativa que acredito tenha um bom seguimento.
(In Máquina de Lavar)

Etiquetas: ,