segunda-feira, setembro 15, 2008

Açores e Espanha em parceria na geodinâmica e astronomia com a Universidade dos Açores

Duas estações geodésicas e astronómicas vão ser construídas nos Açores, e outras duas em Espanha, para melhorar os sistemas de navegação aérea, marítima e terrestre. Este projecto, que vai estar em funcionamento em 2013, visa criar uma Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE).
O protocolo para elaborar um estudo de viabilidade económica foi assinado, hoje, entre o Governo açoriano e o Instituto Geográfico de Espanha. Segundo o secretário açoriano da Habitação e Equipamentos, José Contente, em declarações à Agência Lusa, o estudo tem a duração de seis meses e pretende determinar os procedimentos e recursos para o funcionamento e exploração da rede. Assim que terminar, vai ser feito um acordo para a construção das duas estações nos Açores (nas ilhas de São Miguel e Flores), explicou José Contente, sublinhando que se trata de "mais um passo importante na edificação de um cluster tecnológico" na região e criação de novos postos de trabalho. "Ficaremos a saber, por exemplo, qual o afastamento da ilha das Flores e Corvo, em matéria de placas tectónicas", precisou José Contente. De acordo com o governante, as estações podem ser operadas por cerca de 20 quadros qualificados na área da astronomia, engenheiros electrotécnicos e técnicos e ainda operadores, daí que tenha lançado o desafio à Universidade dos Açores para que integre estes projectos. Alberto Alvarez, director-geral do Instituto Geográfico Nacional de Espanha, sublinhou que graças ao projecto os sistemas de informação "vão poder actuar com muita mais precisão", em matéria de navegação aérea, marítima e terrestre. "Vai poder também determinar muito melhor a evolução da terra", acrescentou o responsável, admitindo que o projecto possa custar entre "20 a 25 milhões de euros".

(In Lusa)

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sábado, maio 31, 2008

Confraria do Ananás

Como os meios de comunicação e a própria Junta de Freguesia da Fajã de Baixo anunciaram, Manuel Arruda, antigo presidente do nosso Município e pessoa afectivamente ligada à Fajã de Baixo, para além de ser um cultivador, numa tradição que vem do seu pai, foi o convidado daquela autarquia para pronunciar mais uma palestra integrada nas comemorações dos 475 anos da criação da comunidade fajanense, num trabalho que intitulou de «A Cultura do Ananás - presente e futuro».
Estiveram presentes em mais esta sessão de trabalho e de reflexão, Berta Cabral, presidente do Município de Ponta Delgada, membros da Junta e da Assembleia de Freguesia, órgãos directivos da «Pró-Frutos» e da «Anazor», cultivadores e diversas outras pessoas ligadas ou interessadas nesta secular cultura, que continua a ser uma referência económica e de marca para a Fajã de Baixo. Abriu a sessão o respectivo presidente, João Carlos Carreiro, que depois de saudar e agradecer ao orador a aquiescência ao convite que lhe dirigira, informou as pessoas presentes dos objectivos a que se propunha a autarquia que presidia em realizar aquelas palestras de reflexão, enunciando os temas que, em meses seguintes, seriam também ali tratados, de forma a tirarem-se conclusões objectivas acerca dos problemas e das ambições da Fajã de Baixo, nas várias áreas de intervenção.Manuel Arruda desenvolveu o seu trabalho em duas fases: na primeira para se referir à situação actual do ananás e das preocupações, que no seu entender, mais se faziam sentir, na actualidade, com a sua cultura, nomeadamente, valores de venda e de exportação, dificuldades de colocação do produto, diminuição significativa do número de estufas, preços de venda e ainda de alguma irresponsabilidade da parte de cultivadores.Como esperança e optimismo quanto ao futuro, apontou três factores: aumento do consumo externo, apoios do programa «Poseima» e diminuição da produção. Ainda em relação ao futuro, o orador focou que o ananás teria de ser sempre um fruto de eleição, apontando para uma maior divulgação das suas propriedades terapêuticas, maior comercialização dos produtores, com qualidade e diferenciação dos preços e ainda uma melhor distribuição da produção, alterando-se o seu ciclo normal. Salientou, muito especialmente, a falta que se tem feito sentir duma verdadeira e actualizada investigação dessa cultura, sobretudo por parte da Universidade dos Açores e ainda de outros organismos governamentais. Concluiu que a Fajã de Baixo sem estufas e sem aquela cultura não será mais a mesma freguesia, nem ninguém estava apostado em descaracterizá-la. Daí lançar um veemente apelo no sentido da união de todos os produtores, dado o papel fundamental que tinham na preservação daquela cultura, bem como na melhoria da comercialização do fruto, quer no mercado interno, quer no mercado externo, englobando o continente português e o estrangeiro. Por fim fez votos por que daqui a 50 anos quando a freguesia comemorasse os 525 anos, ali estivessem os filhos e os netos dos presentes a falar sobre a situação do ananás - o rei dos frutos, facto que seria sinal da sua continuada sobrevivência.Terminada a sua intervenção desenvolveu-se um alargado e muito útil diálogo, durante o qual foram levantados diversificados problemas ligados à cultura e à comercialização dos frutos, formação dos estufeiros, dificuldades em obter-se mão de obra e os materiais apropriados à conservação das estufas, bem como da necessidade de se pugnar por uma melhor identificação do ananás face a outras frutas similares, nomeadamente a nível da hotelaria e outros serviços de restauração, de modo a que o ananás possa realmente ser o « rei dos frutos». No final das intervenções desta longa sessão de reflexão, a Presidente do Município de Ponta Delgada usou da palavra, como assistente convidada e como cidadã da Fajã, para se congratular por esta iniciativa da Junta em promover uma análise e estudo dos problemas que afectam a comunidade, ao comemorarem-se os 475 anos da sua criação; e, ao mesmo tempo, poder participar num encontro de munícipes em que o orador principal tinha sido o seu antecessor na Câmara Municipal, salientando o importante trabalho que desenvolvera ao longo do seu mandato. A Junta de Freguesia, a partir das conclusões que retirará de todas as intervenções que vão ser proferidas no prosseguimento da análise do tema genérico «Fajã de Baixo - Século XXI», pretende transmiti-las a todos os organismos e entidades envolvidas, de modo a perspectivarem - se as soluções capazes de resolver e equacionar os problemas pendentes na comunidade fajanenese. Ainda a partir desta comunicação sobre a cultura do ananás e no seguimento duma ideia de há muito acalentada, a Junta de Freguesia deliberou desenvolver todos os seus esforços no sentido de se criar neste meio ananaseiro por excelência, uma «Confraria do Ananás», que tentará alargar a outros cultivadores da ilha de S. Miguel.

(In Canal de Notícias dos Açores)

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quarta-feira, dezembro 12, 2007

Qualidade da água de abastecimento público no Nodeste, São Miguel - Açores

Com o processo de desinfecção aplicado em todos os reservatórios de abastecimento à população, a água do Nordeste, na ilha de São Miguel, Açores, atingiu os níveis de qualidade desejados para consumo humano. A água para abastecimento humano foi submetida, a partir de 27 de Novembro de 2007, a um tratamento de desinfecção, através da administração de hipoclorito de sódio em todos os reservatórios do concelho do Nordeste. Segundo nota de imprensa da autarquia, "com esta desinfecção eliminam-se os microorganismos presentes na água, os quais contribuíam para que a água do concelho do Nordeste servida à população não atingisse os níveis de qualidade exigidos". Refere ainda que com "a administração deste sistema de desinfecção e na sequência de análises feitas pela Universidade dos Açores (entidade a quem a Câmara Municipal adjudicou o serviço de controle da qualidade da água) o Nordeste passa para o topo da lista dos concelhos do país com índices de qualidade da água mais elevados". "Durante este período de adaptação é natural que o consumidor denote um sabor não habitual na água, facto que se deve à administração do hipoclorito de sódio. Este componente é imprescindível ao tratamento da água e não é prejudicial à saúde, podendo a água ser ingerida sem qualquer necessidade de fervura", sublinha a nota da Câmara Municipal de Nordeste. Em simultâneo com a implementação do sistema de desinfecção em todo o concelho, a Câmara Municipal tem procedido a beneficiações nas redes de água.
(In Diário dos Açores)

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domingo, outubro 14, 2007

Economia Agrária: que interesse prático?

Em entrevista ao Diário Insular, a Professora do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Emiliana Silva, fala sobre o 6º Congresso da Associação Portuguesa de Economia Agrária a realizar no Arquipélago Açoriano, em Ponta Delgada-São Miguel.
Diário Insular (DI)-Em vez de S. Miguel, não seria preferível realizar o 6º Congresso de Economia Agrária numa ilha da ruralidade e da insularidade profundas?
Emiliana Silva (ES)- Um critério a adoptar para a opção por uma ilha seria a existência da Universidade dos Açores, por questões de facilidade logística, dado que os organizadores pertencem a esta instituição. Em resultado, a opção ficaria condicionada à existência das três cidades onde está presente a Universidade dos Açores: Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta. Na realidade, muitos eventos relacionados com o tema da economia têm sido realizados na ilha Terceira pelo Doutor Tomaz Dentinho. Pensamos que poderíamos e deveríamos alargar o conhecimento da realidade da economia açoriana a outras ilhas, além de que temos um apoio do colega na área da economia agrária, o Doutor Fernando Lopes, em S. Miguel. É de notar que embora exista uma diversidade da realidade das ilhas, em todas elas identificamos uma ruralidade e insularidade, inclusive em S. Miguel, onde são mais notórias as disparidades do rural e urbano. Acaba por ser significativo a nível educativo e económico, em qualquer ilha, porque contamos com a participação de todos, quer técnicos quer agricultores ou público em geral.
DI - O que pode este congresso trazer de novo aos Açores?
ES- Os congressos trazem sempre novidades. Contamos com os investigadores de economia agrária da Universidade dos Açores e suas equipas de trabalho, com os técnicos das secretarias da Agricultura (DRDA; DRACA), do Ambiente, da Economia, dos Serviços de Desenvolvimento Agrário, para que haja contribuições, aumentar o conhecimento da economia dos Açores. Mas também esperamos pelas contribuições de outros investigadores de outras realidades, com outras experiências, de modo a beneficiar a economia agrária na generalidade, em particular a economia dos Açores.
DI-A economia agrária é, entre nós, um tema para académicos e outros estudiosos do fenómeno ou tem sido possível vulgarizar esse saber?
ES-A economia agrária é para todos, é produzida principalmente na universidade, mas os seus resultados são apresentados a todos. Estou convencida que tem sido útil quer aos políticos, quer aos agricultores. Na verdade, muito do conhecimento que temos vindo a produzir na Universidade dos Açores está voltado para o quotidiano das explorações agrícolas e para melhorar a sua competitividade.
DI-É verdade que o sector primário caminha por becos de saída muito duvidosos?
ES-Eu sou uma optimista, acredito nos Açores, no seu desenvolvimento, e também acredito no sector primário. O sector leiteiro açoriano parece-me um caminho, temos é que identificar o que torna este sector diferente e tentar “vendê-lo” por esta razão. Quer a produção do leite quer a produção de queijo têm sido reconhecidas a nível nacional ou internacional, só temos que colocá-los no sítio certo. Posso garantir-lhe que em sítio nenhum do mundo existe uma manteiga tão boa como a nossa. Temos produtos de grande qualidade, temos que acreditar mais no que fazemos e acreditar que os nossos produtos são tão bons ou melhores que os seus concorrentes.
(In Diário Insular)

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sábado, setembro 22, 2007

Eutrofização da Lagoa das Sete Cidades - São Miguel

"Actualmente o agricultor deve ser o guardião da natureza, aplicando práticas ambientalmente sustentáveis. Nas Sete Cidades, isso só é possível se forem utilizados menos adubos e, consequentemente, se reduzir a produção. Para compensar os agricultores, seriam aplicadas ajudas compensatórias. Só desta forma se pode limitar ou mesmo eliminar o problema de eutrofização das lagoas". Esta afirmação é do Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Jorge Pinheiro, que apresentou, nas Canárias, um trabalho da autoria de Jorge Pinheiro, Lourdes Matos e João Madruga, docentes e investigadores do mesmo Departamento e que reúne vários anos de estudos sobre as Sete Cidades. Jorge Pinheiro voltou a lembrar que "o problema da eutrofização nas lagoas das Sete Cidades está relacionado, pode-se dizer exclusivamente, com a utilização excessiva de adubos nos terrenos circundantes. "É preciso passar de um regime intensivo para um extensivo, para solucionar o problema".
A eutrofização das lagoas das Sete Cidades coloca, ainda, um problema em termos de impacto económico, visto que este se trata de um dos pontos turísticos mais fortes da ilha de São Miguel. No local tem-se verificado o crescimento acelerado de plantas aquáticas devido ao aumento de nutrientes, potenciado pelos adubos utilizados nas explorações agrícolas.
O trabalho "Eutrofización en lagos de Azores - Caracterización de la Cuenca de Siete Ciudades: Isla de S. Miguel", foi apresentado no III Simpósio espanhol sobre o controlo da degradação dos solos e da desertificação, que decorreu em Fuerteventura, arquipélago das Canárias.
(In Diário Insular)

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