sexta-feira, junho 19, 2009

Sustentabilidade da produção leiteira nos Açores (3)

José Estevam da Silveira Matos (*)



CAPÍTULO III – A SUSTENTABILIDADE AMBIENTALO LICENCIAMENTO DAS EXPLORAÇÕES E OS CONDICIONAMENTOS AMBIENTAIS
No futuro a principal limitação à expansão das explorações leiteiras será certamente o problema ambiental, sendo já disso exemplo o actual regime de licenciamento das explorações leiteiras.
A sustentabilidade ecológica só poderá ser alcançada pela limitação no uso dos recursos não renováveis e a valorização dos produtos gerados em processos que contribuem para o equilíbrio ambiental, o que implicará ajustes ao actual sistema de produção, privilegiando-se práticas que combinam qualidades essenciais para a sustentabilidade, como sejam o baixo consumo de energia fóssil, quer directa, quer indirectamente – menor consumo de adubos, valorizando-se a fixação simbiótica de azoto; menor consumo de cereais importados, valorizando-se a produtividade da pastagem, através de práticas agrícolas mais adequadas, selecção de cultivares de forrageiras mais eficientes na captação da energia solar; e a cria de animais melhor adaptados ao pastoreio e à produção de sólidos do leite (Por ex. Jersey, Normanda, SRB). Nesta perspectiva lança-se a questão para debate se os produtores de leite dos Açores poderão vir a ser contribuintes positivos para o mercado global do carbono e também actores na produção de energias renováveis?

Por outro lado perguntamo-nos até que ponto os nossos produtores pecuários podem também contribuir para a produção de energia, minimizando o impacto ambiental das suas explorações, aproveitando a vantagem da sua localização no terreno. Afinal eles estão lá todos os dias, no sítio do vento; estão habituados a manter máquinas; são eles próprios utilizadores de energia, para a ordenha e para a refrigeração do leite. Haveria que garantir apenas um preço justo e ajudas à instalação de geradores eólicos!
Regime jurídico de licenciamento das explorações bovinas da Região Autónoma dos AçoresEncontra-se em vigor na Região o Decreto Legislativo Regional nº 16/2007/A que cria o regime de licenciamento das explorações bovinas dos Açores. Neste Decreto dispõem-se orientações de ordenamento do território que obrigam a respeitar e a criar condicionalismos em relação a questões ambientais importantes como seja, por exemplo, a protecção dos recursos hídricos superficiais. Também o Decreto-Lei nº 235/97 transpõe para o direito nacional a Directiva Comunitária nº 91/676/CC ( do Conselho de 12 de Dezembro de 1991), conhecida como a “Directiva dos Nitratos”, que diz respeito à protecção das águas contra a poluição causada por nitratos de origem agrícola. Esta directiva originou a elaboração do “Código de Boas Práticas Agrícolas”, a delimitação das Zonas Vulneráveis e a criação dos respectivos “Programas de Acção”. Como se depreende desta legislação, o licenciamento das explorações leiteiras encontra-se condicionado não só ao cumprimento de regras relativas à higiene e sanidade dos rebanhos (brucelose, tuberculose, mamites, etc.) e do bem-estar animal, mas também a normas que procuram minimizar os impactos ambientais da pecuária (eco-condicionalidade).
Mas, enquanto que a monitorização das Boas Práticas, relativas à higiene e sanidade animal e ao bem-estar animal, se encontram consolidadas por rotinas mais antigas, não se passa o mesmo com monitorização dos impactos ambientais. Importa também neste aspecto definir muito claramente que parâmetros devem ser monitorizados e quais os seus limites críticos, devendo ser estes quantificáveis e de simples determinação.

VIABILIDADE DA PRODUÇÃO DE LEITE BIOLÓGICO NOS AÇORES

De há muito que a agricultura biológica deixou de ser um sistema alternativo de produção apenas defendido por meia dúzia de líricos idealistas paladinos de utopias.
O mercado dos lacticínios bio, na Europa, ultrapassou já os 2 biliões de euros, manifestando um crescimento de 26,2% ao ano. A sua importância varia consideravelmente entre os vários países, sendo líder do sector a Dinamarca, onde 65% do mercado dos produtos biológicos cabe aos lacticínios. O leite é o produto mais procurado (50%), seguido do iogurte (30%) e o queijo (10%).
São várias as motivações que podem levar o agricultor a reconverter o seu tipo de exploração, bem como os factores que fazem aderir o retalhista e o consumidor, ou que o inibem. Por exemplo, os factores relacionados com o grande aumento da produção biológica na Áustria, Alemanha e Dinamarca, são 5: 1. Incentivo financeiro aos produtores por parte dos governos2. Informação dos produtores e consumidores – existência de institutos de investigação exclusivamente dedicados à investigação e promoção dos produtos biológicos3. Acesso e disponibilidade de produtos biológicos no mercado4. Marketing (Logomarca) e protecção legal – serviços de inspecção eficazes5. Existência de planos de desenvolvimento para o sector.
Ora, porque razão os nossos produtores não aderem a este modelo, uma vez que até o sistema de produção praticado nos Açores lhe está muito próximo?! Essencialmente, porque a quebra de rendimento nos primeiros três anos de conversão ao modelo de produção biológico - período em que o produtor ainda não beneficia das mais-valias associadas ao rótulo “bio” - é substancial: cerca de 25% e não há qualquer apoio para que o produtor possa fazer frente a tal quebra no seu rendimento. Torna-se assim necessário o apoio financeiro no período de transição à semelhança do que acontece a Alemanha, Áustria e Dinamarca, bem como, também agora, no Continente (MADRP – pacote de apoio ao leite biológco – artigo 68º); com apoio científico e técnico, necessário a um maneio diferente do solo e da pastagem, sem o uso de fertilizantes sintéticos, e ao maneio sanitário dos animais sem o uso de antibióticos e pesticidas, para que o modo de produção “BIO” seja encarado como uma alternativa pelos nosso produtores de leite.
Sistemas integrados de produção de leite, “grass fed”, ou leite da ervinha verde dos Açores, permitiriam uma evolução por etapas, no sentido de uma produção mais sustentável, com produção de um leite mais rico em sólidos, com menos água, com menor impacte ambiental, com custos de produção mais baixos, sem que as margens brutas sejam afectadas. O segredo estará em gerir diminuindo os imputes e maximizando os outputs, à custa dos recursos próprios – da erva. Um leite mais competitivo.
INOVAÇÃO: EXTENSÃO RURAL, INVESTIGAÇÃO E EXPERIMENTAÇÃO AGRÍCOLA

O que dizer da extensão, da investigação e experimentação agrícola, ou melhor, da sua falta?! Seguro é que não possível competir no mercado global do leite, em igualdade com países como, por exemplo, os EUA, a Nova Zelândia, o Canadá, ou, ainda mais próximo de nós, a Holanda, sem que se aposte na inovação e, para que esta seja conseguida, é fundamental o investimento na formação profissional e na extensão rural, através de uma maior ligação da Universidade dos Açores ao mundo rural e no caso, à produção de leite e à indústria de lacticínios. Certo é que o tão propalado “divórcio” , o isolamento em “torre de marfim”, das universidades, de que muitas vezes se fala, resulta mais da falta de recursos, do que da exiguidade das vontades dos universitários!
CONCLUSÕES

Os grandes desafios da pecuária açoriana passam em grande parte pelo melhoramento qualitativo dos sistemas já praticados, maximizando-se a utilização dos recursos locais, o que não significa atingir necessariamente uma maior produtividade biológica, mas, produzir em respeito pelas limitações do meio ambiente e das condições estruturais, culturais e sociais existentes - sustentabilidade. Produzir bem, com qualidade, transformando-se localmente os produtos da agricultura; exportando-se produtos de maior valor acrescentado; privilegiando-se os procedimentos biológicos, em detrimento de tecnologias esbanjadoras em energia fóssil, que a Região não possui, enfim, uma Produção Natural. Vender melhor, melhor distribuindo o que se produz, reequacionando-se o custo dos transportes e a comercialização do produto acabado com recurso a técnicas de “marketing”, mas, fidelizando-se o consumidor ao produto “Produzido nos Açores” através de uma imagem que corresponda à verdade, a elevada qualidade e com selo de garantia de origem.
A ultrapassagem destes desafios exigirá um esforço no sentido de serem vencidas algumas das limitações que contribuem para uma menor competitividade do sector. A saber: EMPRESÁRIO: Impõem-se medidas que ajudem a rejuvenescer o tecido empresarial agrícola e contribuam para a sua formação e valorização profissional; EMPRESA AGRÍCOLA: O emparcelamento da propriedade, apoiada em nova legislação sobre a propriedade da terra; INDÚSTRIA: Diversificação e mais inovação produtos transformados; QUALIDADE: Implementação de medidas de controlo de qualidade, em todas as suas vertentes, construindo-a da produção ao consumo (“do prado ao prato”), reforçando-se a fiscalização e só certificando o que realmente possui qualidade; INVESTIGAÇÃO-EXTENSÃO-FORMAÇÃO: O apoio a projectos que optimizem o binómio animal-pastagem e que contribuam para um melhor conhecimento dos produtos tradicionais e melhoria da sua qualidade e ainda para a introdução de novas tecnologias; na agricultura e nas pescas. MARKETING – COMERCIALIZAÇÃO: Comercialização dos produtos lácteos regionais, mormente, o queijo, a manteiga e o leite, com Indicação Geográfica Protegida (IGP), à semelhança do que acontece com o produto denominado “Carne dos Açores” , fazendo-se valer a imagem do sistema natural de produção, à base de erva, com animais em liberdade, que resulta na produção de um leite e em produtos transformados com características químicas e organolépticas beneficiadas por este modo de produção.
(*) Professor Catedrático da Universidade dos AçoresSíntese da comunicação apresentada no 9º Encontro de Química dos AlimentosQualidade e Sustentabilidade - Uma abordagem integrada. Angra do Heroísmo. 29 de Abril a 2 de Maio 2009.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, junho 12, 2009

Sustentabilidade da Produção Leiteira nos Açores

José Estevam da Silveira Matos(*)


A noção de sustentabilidade, aplicada aos processos de produção agrícola, tem vindo a impor novos desafios ao desenvolvimento da pecuária, tornando-se mesmo determinante das estratégias do seu desenvolvimento. Importará então saber – com base numa noção de sustentabilidade construída a partir de 3 diferentes dimensões: social (Capital Humano, cultural e a política); económica (eficiência, competitividade); ambiental (solo, água, qualidade do ar; biodiversidade, paisagem) - se o actual modelo de produção leiteira praticado nos Açores é, ou não, sustentável a médio-longo prazo - face às mudanças de paradigma associadas à globalização dos mercados, à grande instabilidade económica, à emergência de novos mercados, às novas energias, etc.Abordaremos cada uma destas dimensões em capítulos separados.
CAPÍTULO I - A DIMENSÃO SOCIALO CAPITAL HUMANOAs práticas da agricultura, em particular a produção leiteira, são mão-de-obra intensiva, exigentes em mão-de-obra jovem e saudável, dada a exigência de uma actividade física intensa, 365 dias por ano, quase sempre sobre condições adversas no caso dos Açores.Um dos factores de instabilidade no sector é representado pelo franco envelhecimento da população agrícola e a diminuição drástica do número de agricultores, com a eventual deslocação das explorações para zonas mais populosas, “mais favoráveis”, com a consequente desertificação das regiões mais remotas. Embora a diminuição do número de produtores de leite tenha sido acompanhado pelo aumento da dimensão média das explorações e o aumento da produção de leite por exploração, há que garantir que as explorações leiteiras do futuro sejam geridas por profissionais agricultores mais jovens e mais qualificados e que os recursos disponíveis, nomeadamente os solos e as pastagens, sejam explorados de forma sustentável , quer o sejam através da vaca leiteira quer da dos bovinos de carne ou através dos pequenos ruminantes: a cabra e a ovelha.
Comparativamente com o todo Nacional, os Açores têm uma maior percentagem de jovens; e uma menor percentagem de idosos mas com uma menor percentagem de indivíduos em idade activa (dos 15 aos 64 anos). Mas, as médias podem ser enganadoras uma vez que os Açores são, também neste aspecto, 9 realidades territoriais diferentes.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística (Estimativas da População Residente, de 2006) indicam que entre 2005 e 2006, o Índice de Envelhecimento da população açoriana voltou a aumentar, passando de 63,4 para 64,4, mesmo assim, este indicador é inferior ao do país, que é de 111,7. Mas analisando o que se passa nas diversas ilhas, a perspectiva é bastante menos animadora, pois, algumas ilhas estão a envelhecer acentuadamente (Quadro 1). A média Regional é claramente influenciada pela população da Ilha de S. Miguel, que constitui a maior percentagem da população das ilhas.
QUADRO 1. População residente nos Açores e seu envelhecimento – comparação com o todo Nacional TOTAL 2001 Índice de envelhecimento1991-2001
PORTUGAL 10,5 milhões 111,7AÇORES 243.018 64,4Corvo 468 193,2Lajes das Flores 1.513 133,3Santa Cruz das Flores 2.546 113,0Lajes do Pico 4.772 148,5São Roque do Pico 3.776 136,4Madalena 6.258 135,2Calheta 3.906 126,9Velas 5.598 108,1Santa Cruz da Graciosa 4.838 137,2Horta 15.426 86,4Angra do Heroísmo 35.115 78,3Vila da Praia da Vitória 20.582 72,4Povoação 6.771 72,5Nordeste 5.276 96,4Vila Franca do Campo 11.089 50,2Ponta Delgada 64.384 49,2Lagoa 15.139 41,3Ribeira Grande 30.012 34,6Vila do Porto 5.549 68,0FONTE: INE, Estimativas da População Residente - 2006
Mais preocupante ainda se torna se analisarmos a variação percentual da população por grupos etários (Quadro 2). Destacamos aqui nesta análise o grupo dos mais jovens (0-14 anos), acentuando o facto da variação ocorrida entre o censos de 1991 e 2001 ser negativa em todas as ilhas, mais acentuadamente em S. Jorge (-28,5%); Flores (-28,3%); Santa Maria (-27,3%); Graciosa (-23,5%); Corvo (-22,9%); Faial (-22,6%). Apenas S. Miguel apresenta uma evolução percentual um pouco melhor do que a Nacional (-16%), embora também negativa (-15%).
QUADRO 2. Variação Percentual da População Residente por grupos etários (1991/2001)
GRUPOS ETÁRIOS 0-14 15-24 25-64 >=65PORTUGAL -16 -8,1 11,8 26,1AÇORES -17,6 2,9 11,6 5,5CORVO -22,9 47,9 22,3 15,6FLORES -28,3 -1,7 1,5 -11,0PICO -20,9 0,2 3,5 -0,6S.JORGE -28,5 -2,0 0,5 9,3GRACIOSA -23,5 1,3 -5,6 -3,2FAIAL -22,6 7,2 13,1 -5,4TERCEIRA -18,4 5,5 6,3 6,6S.MIGUEL -15 2 18 9,7SANTA MARIA -27,3 8,1 -0,8 5,9
Este envelhecimento da população tem levado algumas das ilhas a optarem por sistemas de produção pecuária muito extensivos, por exemplo por produção de carne, com produtividades menores - diríamos que mesmo por sistemas de semi-abandono das terras.
Apesar do número de explorações leiteiras não ter cessado de diminuir nos últimos anos nos Açores, passando de 9712, em 1985, para 3.537, em 2007/08, a produção de leite aumentou substancialmente, de cerca de 381.000 toneladas, em 1996/97, para 538.000, em 2007/08 (+41,2%), concentrando-se esta produção essencialmente nas Ilhas de S. Miguel e da Terceira (87%).
Acresce ao problema da desertificação e do envelhecimento dos agricultores o baixo nível de instrução e da sua formação profissional, embora exista nas ilhas de S. Miguel e Terceira uma franja importante de agricultura profissionalizada, com lavouras prósperas, tecnicamente evoluídas.
CONSEQUÊNCIAS AMBIENTAiS DA DESERTIFICAÇÃO

O nosso ambiente, dito “natural”, não passa de um imenso jardim, amanhado por várias gerações, que levantaram paredes, muitas vezes à luz do luar, roçaram silvados e outras ervas daninhas. Sem estes amanhos constantes as tão admiradas hortênsias (Hidrangea macrophyla), o incenso (Pittosporum undulatum) e a roca-de-velha (Hedychium gardnerarum) - que são plantas exóticas, mas que por cá se dão excepcionalmente bem - seriam pragas ainda mais generalizadas. A multiplicação, desgovernada destas espécies, estranhas, é responsável pela extinção de espécies endémicas, já hoje raras, e que fazem parte do nosso património natural.
A diminuição da população agrícola, conjugada com o seu relativo envelhecimento, a continuar nos próximos anos, inviabilizará, por exemplo, qualquer política da recuperação das vinhas da Ilha do Pico, classificadas como Património Mundial pela UNESCO. A recuperação destas vinhas só será então possível com o recurso a mão de obra imigrante.
CONSEQUÊNCIAS CULTURAISA forte ruralidade da RAA está bem patente na identidade cultural do povo açoriano, na ocupação do território e nas paisagens características das ilhas – aspecto também relevante para o desenvolvimento do emergente sector do turismo.
As grandes referências cultura açoriana, como as festas do Divino Espírito Santo (a grande festa da partilha da abundância gerada pela terra), o Carnaval da Terceira, o folclore, a tourada à corda, tradições cuja matriz é profundamente rural, terão a perder com a desertificação humana da agricultura de algumas das nossas ilhas.
Também, por isso mesmo, o turismo que queremos tanto desenvolver será também prejudicado pois, quer os aspectos ambientais, quer os culturais, lhe dizem respeito.
Há portanto que entender que a actividade agrícola é mais do que simplesmente um sector económico, percebendo-se a riqueza do conceito da sua multifuncionalidade, a importância que ela tem para potenciar o desenvolvimento de outros sectores da actividade económica; como o turismo, a preservação da paisagem, enquanto valor cultural, a conservação dos recursos naturais (água, solo, biodiversidade e outros), a segurança alimentar, das próprias famílias e da sociedade. Para que o sector continue a desempenhar estas diversas funções, todas igualmente úteis e importantes, existem grandes desafios para a sua continuidade, na busca de um equilíbrio entre a tradição e a constante necessidade de inovação e que os fenómenos de desertificação e envelhecimento demográfico de algumas das ilhas acarretarão consigo mais do que a perca de produção de uns milhares de litros de leite ou toneladas de carne.
OS DESAFIOS POLÍTICOSAS INCERTEZAS DA PAC A possibilidade de as quotas acabarem em 2015, ou mesmo antes (?!!!), a demora na definição de um prazo exacto, a indefinição no regime de transição, na maior ou menor “suavidade na aterragem”, coloca os produtores de leite europeus perante uma grande dificuldade de planeamento das suas explorações a médio/longo prazo, uma vez que estes se adaptam com grande dificuldade a mudanças súbitas de rumo, dada o grande compasso dos ciclos naturais com que tem que lidar. Certo é que o fim da quota leiteira, num quadro de maior competição global, e de retracção dos consumos, terá como consequência previsível um aumento da produção de leite na União Europeia, um aumento da dimensão das explorações e obviamente a uma diminuição substancial dos preços do leite ao produtor. Este sector é, por tradição, muito dinâmico nas respostas, ou na exploração de novas oportunidades, tendo mesmo sido vítima no passado do seu próprio dinamismo.
(*) Professor Catedrático da Universidade dos Açores
Síntese baseada numa comunicação apresentada ao 9º Encontro de Química dos Alimentos QUALIDADE E SUSTENTABILIDADE - UMA ABORDAGEM INTEGRADA. Angra do Heroísmo. 29 de Abril a 2 de Maio 2009

(in Diário Insular)

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segunda-feira, maio 18, 2009

MIT reuniu com a Universidade dos Açores sob o signo da eficiência energética sustentável

Decorreu ma reunião, entre o MIT e a Universidade dos Açores, visando a entrada da universidade no grupo de trabalho do MIT e no projecto Green islands. Um projecto apontado à sustentabilidade dos sistemas energéticos. A Universidade açoriana entra num grupo, o MIT Portugal, que integra já diversas universidades como a de Lisboa, Porto e Coimbra.O ponto de partido é um modelo do Massachussets Institute Technology sobre gestão sustentada dos recursos energéticos. Um plano onde os Açores podem ter uma palavra a dizer, quer pela sua experiência na geotermia, quer pelas condições excepcionais que oferecem como laboratório, assumiu Cabral Vieira, o Director Regional da Energia…“Os Açores são uma escala de teste reduzida, sistemas fechados, pequenos, ideais para testes e estudos, com resultados que podem depois ser transpostos para os sistemas abertos, típicos dos territórios continentais.” A energia perspectivada de forma integrada, dos vários sistemas de produção de energias, tradicionais e renováveis, passando por factores como a sua eficiência e sustentabilidade, até aos consumidores, às comunidades e aos seus quadros comportamentais enquanto utilizadores de energia. Este o quadro geral, em análise a partir de agora, explicou Nuno Ferreira Domingos, o coordenador na Direcção Regional de Energia, do projecto Green Islands.“A partir de agora, no quadro do protocolo celebrado entre a Universidade dos Açores e o MIT, protocolo patrocinado pelo governo dos Açores, diversos investigadores, locais, nacionais e de outros países, vão analisar os sistemas de produção de energia da região, visando a sua integração no modelo proposto pelo MIT, visando optimizar a sua eficiência.” A Universidade açoriana entra num grupo, o MIT Portugal, que integra já diversas universidades como a de Lisboa, Porto e Coimbra.
(In António Gil Antena 1)

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sábado, maio 02, 2009

Açores com “potencial” na carne e leite ecológicos

Os Açores têm um grande potencial para a produção de carne e leite de forma sustentável, num mercado em que, cada vez mais, sustentabilidade se torna sinónimo de qualidade, defende o conceituado investigador holandês Tiny van Boekel.Boekel, da Universidade de Wageningen, acredita que, ao contrário do que deverão fazer muitas regiões do globo, o arquipélago não deve apostar em produtos produzidos a partir de proteínas vegetais, mas sim insistir em carne e leite de qualidade e “amigos do ambiente”.“Acho que os Açores têm potencial, porque já vi um pouco do arquipélago e penso que o clima e o solo são muito adequados à produção de leite e carne”, avançava Tiny van Boekel, em declarações a DI, prestadas durante o “9º Encontro de Química dos Alimentos”, que se realiza até hoje, no pólo universitário da Universidade dos Açores, em Angra do Heroísmo. Na opinião do especialista, a Região deve, porém, “esforçar-se no sentido de fazer alguma coisa quanto às emissões de gases” com efeito de estufa. “É preciso tentar reduzir isso por parte dos animais. Sei que o gado é alimentado, em grande parte, com pastagem, o que já é muito bom. Outra ideia seria usar-se cereais locais, em vez de os importar, por exemplo, de países como o Brasil. Isso fecharia o ciclo de uma produção sustentável”, considera. O investigador holandês admite que existirão dificuldades em termos de competitividade, mas acredita, que, com o passar do tempo, a aposta na sustentabilidade compensará. “ Vão haver dificuldades e, se nem todos produzirem de forma sustentável, vai haver competição desleal. Mas a tendência é para a mudança de mentalidades e para a cada vez maior valorização deste tipo de produtos”, sustenta, acrescentando que, numa primeira fase, será interessante dirigir esses produtos para segmentos de mercado sensibilizados para as questões ambientais. Na comunicação que abriu, anteontem, o encontro que reúne especialistas nacionais e internacionais na área da química dos alimentos, Tiny van Boekel defendeu que a sustentabilidade deve ser entendida como uma componente da qualidade. Isto tendo em conta que a qualidade é definida como ir ao encontro das necessidades do consumidor. “O consumidor é o elemento determinante e a relação que tem com o produto é interactiva. Se entender a sustentabilidade – por exemplo, a ausência de pesticidas – como qualidade, valorizará isso”, defende. O encontro é organizado pela Sociedade Portuguesa de Química, em colaboração com a Universidade dos Açores.
(in Diário Insular)

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Si nu ka rotcha, nca tem kaudibai; si nu kebe kamiki ta sai

Tomaz Dentinho
No passado dia 27 de Abril realizou-se um workshop em Ponta Delgada sobre o tema turismo e sustentabilidade onde participaram cerca de cem pessoas provenientes dos Açores, do Continente, de Espanha, da Holanda, da Polónia e de Cabo Verde. Vale a pena relatar um pouco aquilo que de mais relevante terá ocorrido na sessão plenária e mesa redonda, ficando certamente para outra ocasião a análise dos trabalhos apresentados nas sessões paralelas. Na sessão plenária foi muito interessante ouvir das palavras do Secretário Regional da Economia que manifestou a sua disposição para ouvir e estimular as análises científicas sobre o tema “turismo e sustentabilidade” que serve para completar, complementar e actualizar os estudos encomendados pelo Governo. Foi igualmente revelador ouvir a exposição de Francisco Tavares, Presidente da Associação de Municípios de Cabo Verde e do Município da Assomada que relatou os benefícios e malefícios do desenvolvimento turístico de Cabo Verde, explicitando que grande parte dos benefícios vão para o exterior e os visitantes procuram mais o Sol e o Mar do que a especificidade cultural das Ilhas. Mas a grande atracção foi a conferência de Peter Nijkamp, professor de economia regional na Universidade Livre de Amesterdão e consultor de vários organismos internacionais. Disse-nos que a crise internacional é mais uma revolta dos consumidores que querem outros bens e serviços do que uma crise tecnológica, energética ou ambiental que ponha em causa o modelo de desenvolvimento de mercado. Deu-nos igualmente o enquadramento teórico, os métodos de análise e as metodologias de apoio à decisão que podem servir de base aos estudos sobre turismo e sustentabilidade. Terminou explicitando a importância da cultura de cada sítio que serve para atrair pessoas que querem ver coisas diferentes e não iguais, mas lembrou também que essa mesma cultura pode ser destruída quando a procura turística mais moldando a uniformização das culturas de acordo com os alemães ou americanos que as procuram. No entanto porventura o momento mais revelador do workshop foi a mesa redonda que contou com a participação dos Presidentes dos Municípios da Ilha de São Miguel. Primeiro porque transmitiram a ideia clara de que o turismo de São Miguel não se pode desenvolver enquanto os custos de transporte para os turistas for muito elevado, sendo necessário pensar seriamente na liberalização dos voos para aquela ilha conforme explicitou Rui Melo, Presidente da Câmara de Vila Franca. Segundo porque esclareceram e bem que a coordenação do turismo entre os municípios de São Miguel não anula a ideia base de que cada município tem uma estratégia de desenvolvimento turístico específica. Terceiro porque nos disseram que preferem turistas continentais que gastam mais e se enquadram melhor na cultura local do que turistas subsidiados provenientes dos países nórdicos que poucos efeitos criam no comércio local. Finalmente que o turismo baseado nos grandes cruzeiro pode ser benéfico mas provoca grandes impactos negativos num curto espaço de tempo, nomeadamente quando vinte e duas camionetas desembarcam ao mesmo tempo nas festas da Ribeira Grande ultrapassando a capacidade de carga de todos os serviços públicos. Como sintetizou Francisco Tavares em crioulo de Santiago “Si nu ka rotcha, nca tem kaudibai; si nu kebe kamiki ta sai”. Que quer dizer: temos que nos entender para que caibamos todos; se não nos entendermos não serei eu a sair.
(in A União)

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quarta-feira, abril 15, 2009

Turismo e Sustentabilidade nos Açores

A Universidade dos Açores realiza-se nos dias 26 e 27 de Abril, em Ponta Delgada, um Workshop sobre Turismo e Sustentabilidade, iniciativa da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento ( APDR ).
Trata-se de uma associação científica ligada à European Regional Science Association e à Regional Science Association International, que tem como objectivo contribuir para a inovação, aprofundamento e divulgação de conhecimentos no âmbito do desenvolvimento regional e que, desde Outubro de 2008, tem sede nacional nos Açores.Nos últimos anos, a APDR tem vindo a desenvolver um leque muito diversificado de iniciativas que vão desde o lançamento de uma colecção de livros, à edição da científica Revistsa Portuguesa de Estudos Regionais, à organização de múltiplos encontros científicos. A inicitiva que se realiza na Academia açoriana, em Ponta Delgada, é patrocinada pelo Centro de Economia Aplicada e tem o apoio das direcções regionais de Turismo dos Açores e da Ciência e Tecnologia.O Encontro conta com a presença de Peter Nijkamp, da Free University de Amsterdam, professor de Economia Regional e Geografia Económica, sendo considerado um dos melhores economistas do Mundo, de acordo com IDEAS / RePEc.Participam também especialistas da Universidade do Rio Grande do Sul, Brasil, Universidade de Guadalajara, Espanha, da Universidade de Laguna, da Brunel University, Inglaterra, do Institute of Oceanology, Polónia e ainda do Algarve, de Beja, Coimbra e Minho, bem como da Universidade Aberta, da Universidade Técnica de Lisboa, da Universidade da Madeira, da Universidade de Cabo Verde e dos Açores.

(In Carlos Tavares com APDR).

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sábado, janeiro 17, 2009

Programa do Workshop "Turismo e Sustentabilidade"

A Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional-APDR, com sede no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, promove o seu Workshop sob o tema Turismo e Sustentabilidade que terá lugar no dia 27 de Abril de 2009, na Universidade dos Açores, Campus de Ponta Delgada, durante o qual será realizada uma Visita de Estudo no dia 26 de Abril de 2009.

Turismo e Sustentabilidade
A relação entre turismo e sustentabilidade é paradoxal. Por um lado os turistas são atraídos para lugares que lhes parecem sustentáveis e que o turismo ajuda a desenvolver. Por outro lado o turismo tem um impacto marcante no ambiente, nos espaços adaptados, na economia e nas instituições pondo em causa a sustentabilidade dos sítios turísticos e o processo de desenvolvimento baseado no turismo.Existem inúmeros trabalhos sobre a sustentabilidade do turismo: declarações institucionais, pronunciamentos normativos e modelos de análise e avaliação.- Em termos institucionais o conceito de desenvolvimento sustentável é sancionado por organizações internacionais como o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP), o Conselho Internacional para os Monumentos e Sítios (ICOMOS), a Organização Mundial de Turismo (WTO) e outras.- Em termos normativos defende-se a optimização do uso do ambiente, a manutenção dos processos ecológicos e a defesa do património natural e cultural. Propõe-se também a defesa e respeito das culturas e dos valores tradicionais. Trata-se no fundo de assegurar a viabilidade do turismo no longo prazo com a geração e distribuição justa dos benefícios, garantindo emprego e benefícios sociais estáveis e contribuindo para a redução da pobreza.- Do ponto de vista analítico e de avaliação formulam-se e calibram-se modelos económicos onde se explicitam limites dos recursos naturais, definem-se pegadas ecológicas da actividade turística e definem-se capacidades de carga, formulam modelos integrando a economia com o ambiente, realizam-se estudos de mercado para perceber a procura face a vários tipos de destinos, etc.A realização de um workshop sobre turismo e sustentabilidade em Ponta Delgada é uma ocasião óptima não só para analisar e debater o que tem sido pensado sobre o tema ao nível mundial mas também para reflectir sobre a sua aplicabilidade nos sítios e comunidades de Portugal.A Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional em coordenação com o Centro de Estudos de Economia Aplicada do Atlântico e a Associação Portuguesa de Geógrafos quer criar um momento para analisar e debater o que tem sido pensado sobre o tema ao nível mundial mas também para reflectir sobre a sua aplicabilidade nos sítios e comunidades de Portugal.Para isso mobilizamos especialistas sobre o tema para apresentarem as questões mais relevantes do ponto de vista analítico, desafiamos os investigadores portugueses a apresentarem os seus trabalhos sobre turismo e sustentabilidade; e convidamos os comunicadores, os agentes, os políticos e o público a participarem nos trabalhos e no debate final do encontro.Para além da informação e divulgação dos resultados do encontro, os trabalhos apresentados serão seleccionados não só para um número especial da Revista Estudos Regionais mas também para livros um Livro sobre Turismo e Sustentabilidade servindo igualmente de fonte de informação para o livro Problemas Emergentes do Desenvolvimento Regional a editar pela APDR no fim do ano de 2009 com base nos trabalhos dos workshops efectuados sobre “Impacto dos Aeroportos”, “Agros, Energia e Paisagem”, “Turismo e Sustentabilidade” e “Imigração e Desenvolvimento”.

Dia 26 de Abril
09.00 – 20.00- Visita de Estudo:

Coordenação: Helena Pina Calado
Dia 27 de Abril
Programa
CAFÉ
10.00 – 10.30- Sessão de Abertura
Secretário Regional da Economia - Dr. Vasco Cordeiro *
10.30 – 11.00- Sessão Plenária:Coordenação: José Cabral Vieira
10.30 – 11.00 - Peter Nijkamp (Free University of Amsterdam)

11.00 – 11.30 - José Cabral Vieira
CAFÉ
11.30 – 13.00 - Apresentaçao de Comunicações
ALMOÇO
14.30 - 16.00 - Apresentaçao de Comunicações

16.00 - 17.30 -Apresentaçao de Comunicações
17.30 - 19.00 - Mesa Redonda:
20.00 - Jantar do Workshop

(In APDR)

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terça-feira, janeiro 13, 2009

Turismo e Sustentabilidade

A Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional, sedeada neste ano, no Campus de Angra do Heroísmo da Uiversidade dos Açores, realiza o seu 3º Workshop sob o tema: “Turismo e Sustentabilidade” (http://www.apdr.pt/evento_3/), que terá lugar a 27 de Abril de 2009, em Ponta Delgada, São Miguel – Açores. Salienta-se que a Visita de Estudo está prevista para o dia 26 de Abril de 2009 (Domingo).
TURISMO E SUSTENTABILIDADE
Datas importantes:
- 30 de Janeiro de 2009 - Envio de Resumos;
- 17 de Fevereiro de 2009 - Aceitação das Comunicações ou Posters;
- 31 de Março de 2009 - Recepção final das Comunicações;
- 27 de Abril de 2009 - Workshop "Turismo e Sustentabilidade".
Os resumos devem ser remetidos a Adelaide Costa adelaidecosta@uac.pt (Tel: 963 979 747), indicando no assunto “Turismo e Sustentabilidade – Resumo”, de preferência em documento Word, com a indicação dos autores e respectivos contactos de e-mail. Saliento que os resumos devem ser remetidos com conhecimento aos co-autores.
Inscrições:
Para efectuar a sua inscrição deverá enviar e-mail para mailto:apdr@mail.telepac.pt indicando no assunto "Turismo e Sustentabilidade - Inscrição"e no corpo da mensagem: o nome, instituição, profissão, número de contribuinte, morada pessoal e telemóvel. Deverá ainda mencionar os dados para emissão do recibo da inscrição: nome, instituição, morada e número de contribuinte.
- Estudantes: 10 €;
- Normal: 50 €;
- Visita de Estudo: 50 €.
O pagamento da inscrição deverá ser efectuado aquando da recepção da documentação, no dia do workshop.

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quarta-feira, agosto 27, 2008

Projecto MIT pode transformar os Açores em termos energéticos

O Projecto MIT pode tranformar os Açores numa região auto-suficiente, em termos energéticos, tendo como ideia-base aproveitar a energia das fontes renováveis, projecto que começara nas ilhas de São Miguel e Flores e, mais tarde, pode ser copiado em todo em Mundo.
O maior sistema de aproveitamento energético do globo passa pelos Açores. Um consórcio de universidades, de empresas tecnológicas e o Governo regional preparam o aproveitamento energético do futuro. A avaliação final deste tipo de projecto, que recebeu o nome de Green Islands, servirá de reestruturação do aproveitamento energético, à escala global.A vanguarda da eficiência energética chama-se, de facto, Ilhas Verdes e trata-se da mais recente aposta do Massachusetts Institute of Techonology ( MIT ) para Portugal e localiza-se nos Açores.O objectivo estratégico do projecto, traduz-se na possibilidade das ilhas se tornarem auto-suficientes, no sector energético, ou seja, apostando-se em que, a energia eléctrica seja produzida por fontes renováveis, uma vez que, o arquipélago é rico nestas fontes de energia e encontra-se na vanguarda da sua instalação e aproveitamento.São Miguel e Flores serão as primeiras ilhas a avançar com o projecto, onde até já existe uma importante fatia do abastecimento, através de fontes renováveis, segindo-se, progressivamente, as restantes ilhas, que terão também o seu plano de autonomia, em energia. Refira-se que, primeiro serão os transportes públicos e as viaturas das empresas distribuidoras a reconverterem as respectivas frotas para veículos movidos a electicidade e, mais tarde, os transportes privados.

(In Luís Branco / Carlos Tavares RDP-RTP Açores)

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domingo, maio 04, 2008

A questão da sustentabilidade

A propósito da crónica que o Sr. Dr. Francisco Maduro-Dias escreveu para a edição do DI do passado domingo, 27 de Abril, intitulada “Agri-Cultura”, em que de modo particularmente feliz, retrata a insustentabilidade da sociedade em que vivemos, gostaria de contribuir com algumas considerações para um tema tão actual, importante para o futuro imediato da Região e do País. A incerteza acerca das reservas petrolíferas e a questão da qualidade e disponibilidade em água potável, constituem duas das questões que mais preocupam a sociedade moderna e que se reflectem na actual crise energética e alimentar. Contudo, um dos aspectos mais esquecidos, mas que durante as últimas semanas tem tido algum realce na imprensa, é o que se relaciona com a sobrecarga que a mesma sociedade tem vindo a exercer sobre os solos. À medida que a população mundial aumenta e que as necessidades de uma classe média emergente vão exercendo pressão sobre as disponibilidades alimentares, os governos em todo o mundo têm vindo a favorecer as culturas energéticas, destinadas à produção dos chamados biocombustíveis. Para responder à necessidade de aumento de produção a partir de áreas limitadas de terra arável, cientistas e agricultores desde há muito que centram a sua atenção no melhoramento de plantas, na biotecnologia e na criação de novos fertilizantes e pesticidas. Contudo, a grande questão que se mantém, é de deixarmos de depender de um determinado número de recursos, estratégia parcialmente responsável pela situação em que vivemos, para passarmos a outras dependências, de consequências futuras ainda desconhecidas.Se o petróleo, a água e o ar, constituem recursos frágeis, a qualidade do solo ainda o poderá ser mais, acrescendo o facto de também ser limitado. Um maneio correcto, ou mesmo a melhoria, serão vitais para equacionar qualquer situação que permita suportar a vida dos 9 biliões de habitantes, que as Nações Unidas estimam povoar o planeta em meados deste século. Embora os especialistas em ciência do solo já tenham desenvolvido técnicas capazes de manter e aumentar temporariamente a fertilidade dos solos, a questão centra-se no modo de manter a sua qualidade ao longo do tempo. A recente investigação acerca da fantástica fertilidade de um misterioso solo da Amazónia, a “terra preta”, leva-nos a reconsiderar o valor da matéria orgânica dos solos, o húmus, sinónimo de riqueza. Até muito recentemente, a filosofia vigente era a de que”se os seus solos se estão a degradar, improdutivos portanto, adicione-lhes algum adubo, ou mobilize-os mais uma vez, e então conseguirá obter níveis de produção idênticos aos anteriores”. Face à incapacidade prática de manter este padrão de maneio, tem vindo a surgir um interesse crescente em conciliar sistemas que possam aumentar a fertilidade dos solos. Os resíduos orgânicos de natureza animal ou vegetal, produzidos em massa pela mesma sociedade que tem vindo a utilizar o solo, de modo, por vezes, indiscriminado, apesar da sua simplicidade, quando misturados, dão origem a um sistema complexo, cuja fertilidade depende da interacção de uma miríade de propriedades físicas, biológicas e químicas. Até mesmo a investigação actualmente mais avançada, não consegue produzir fórmulas capazes de sintetizar quantidades de composto suficientes para utilização à escala global.Mas o problema persiste. De acordo com o Professor Rattan Lal, da Universidade americana de Ohio, por volta de 2050, à escala global, todas as necessidades em alimentos para pessoas e animais, fibra e combustíveis, terão que ser satisfeitas a partir de um valor médio inferior a 500 m2 de solo, por habitante. Como uma parte significativa dos solos disponíveis já se encontra degradada ou sobrecarregada, a solução terá que passar pela sua melhoria. Não pretendo divagar sobre a ciência do solo, na qual não sou especialista, mas o facto é que a sua formação é muito lenta e que os actuais sistemas de exploração agrícola fazem com que as perdas de solo sejam 10 a 20 vezes superiores à capacidade natural de regeneração. Em regiões como os Açores, em que o solo é naturalmente escasso pela sua natureza insular, ao que acresce uma utilização nem sempre a mais racional, a situação presente e futura, é naturalmente preocupante. O conhecimento da terra, a que se refere o Dr. Maduro-Dias na sua crónica, é cada vez mais importante em termos de sustentabilidade futura. As perspectivas futuras só podem ser analisadas através de uma quantificação correcta do presente, trabalho que, na maioria das situações, se encontra por realizar. Manter a qualidade do solo, é manter a viabilidade de uma sociedade, ou como o Dr. Maduro-Dias refere, “A vida, a nossa vida, depende disso!”.


Professor João Batista (Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores)


(In Diário Insular)

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quarta-feira, abril 16, 2008

Desenvolvimento sustentável das Regiões

Está a decorrer, na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, o XVII Congresso Nacional de Zootecnia.
Organizado pela Delegação das Regiões Autónomas da Associação Portuguesa de Engenharia Zootécnica, o evento, que teve início às 9h30 de hoje, tem por tema central o “Desenvolvimento Sustentável das Regiões”. Serão debatidas matérias como a nutrição e alimentação animal, reprodução, genética e melhoramento animal, tecnologia alimentar e valorização dos produtos regionais.“O Papel do Engenheiro Zootécnico numa Sociedade em Mudança” constitui o tema a debater no Dia Nacional do Engenheiro Zootécnico, que se comemora sábado e pela primeira vez nos Açores, estando as cerimónias oficiais agendadas para as 11h30, no Cine Teatro Valformoso, nas Furnas. Especialistas nacionais e estrangeiros provenientes da Holanda e do Brasil estarão presentes neste congresso.

(In Jornal Diário)

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terça-feira, abril 15, 2008

WORKSHOP – SUSTENTABILIDADE DA PRODUÇÃO DE LEITE NOS AÇORES

No próximo dia 25 de Junho de 2008, realiza-se no auditório das instalações do Campus da Universidade dos Açores, ao Pico da Urze, um workshop acerca do tema "Indicadores de sustentabilidade em agricultura". A acção enquadra-se num projecto conjunto das universidades dos Açores, Tuscia (Viterbo, Itália) e Wageningen (Holanda), financiado pelo governo italiano, estando presentes os investigadores responsáveis daquelas instituições. Pretende-se discutir a eficiência da utilização directa ou indirecta de combustíveis fósseis na produção de leite, comparando os resultados obtidos na ilha Terceira, com os da região italiana de Tuscia. Para além disso, discutir-se-ão outros aspectos ligados à sustentabilidade do sector, recorrendo ao conhecimento acumulado por professores e investigadores do Departamento de Ciências Agrárias.


Programa provisório
10:00 horas - Sessão de abertura
10:30 - 12:00 - Apresentação e discussão dos resultados do projecto conjunto com a Universidade de Tuscia
14:00 - 16:30 - "Sustentabilidade do sistema de produção de leite nos Açores" - Intervenção sectorial
16:30 - 17:00 - Discussão final
17:00 - 17:30 - Sessão de encerramento.
(In Azores Digital)

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quarta-feira, janeiro 23, 2008

Lagoas do Pico

Continuo por aqui, pela Ilha Maior, correndo os Concelhos da Madalena, São Roque do Pico e Lajes do Pico, ilha que é a maior em termos da recta mais extensa dos Açores, maior no que se refere ao ponto mais alto dos Açores e de Portugal, maior ainda nas mentes das suas gentes, capazes de gerar cardeais e patriarcas, doutorados e empresários, fados de Coimbra e baladas de intervenção.
A rotina é sempre a mesma. Dormida na casa simpática cedida pelo Departamento de Oceanografia e Pescas para os docentes do mestrado em Gestão e Conservação da Natureza do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, cuidadosamente gerida pela organização local do mestrado a cargo da Ecoteca do Pico. Segue-se a troca de emails e o envio deste texto logo depois do pequeno-almoço no Café Simpatia e, quando lembra, de uma passagem rápida pela Matriz da Madalena. Depois vou aos Serviços Agrícolas solicitar o apoio das engenheiras Benilde Pereira e Rita Ferreira que até às cinco da tarde me vão ensinando os segredos do agros e dos agricultores. E finalmente vem o mestrado das seis às onze, com uma sanduíche e uma cerveja no único café aberto àquela altura.
Ontem fomos visitar as Lagoas do Pico e aprender sobre elas. Na Lagoa do Capitão encontrámos um lavrador a tratar do seu gado charolês ainda no pino do Inverno. A lagoa estava cheia e o vento era tão forte que fazia alguma rebentação num lençol de água cuja dimensão não é por aí além, talvez dois hectares. Lá estavam os patos deixados pelos serviços florestais e poderíamos imaginar os peixes protegidos do vento pelas águas oxigenadas por esse mesmo vento. Lá estavam também os banquinhos e os placars que o Estado gosta de colocar nos sítios a marcar a sua presença hegemónica, embora quem lá esteja duas vezes por semana sejam os lavradores. Houvessem bebedouros funcionais para o gado e já não haveria necessidade do gado se aproximar do lençol de água. O problema é que os serviços preferem estimular bebedouros colectivos que não são mantidos nem menos usados em vez de estudar a hidráulica complexa de criar bebedouros nas várias explorações, e que tenham água potável todo o ano. Afinal de contas é para isso que deveriam servir os engenheiros e não para copiar o bebedouro que vem do livro de escola que não serve e foi caro.
A Lagoa do Caiado é um caso paradigmático de que a solução se aproxima do óptimo quando existem usos alternativos com direitos de propriedade bem definidos. De um lado a possibilidade do uso do solo e da água pelos lavradores da bacia hidrográfica. Do outro a possibilidade de uso da água pelo município. E como o município tem ali uma fonte de água mais barata e melhor do que a dos furos, não se importa de pagar aos lavradores da pequena bacia a água dos seus terrenos, adquirindo o direito consuetudinário do uso do solo e da água para a pastorícia para afectar esses recursos ao abastecimento de água. É caso para pensar que, se houvesse utilização da Lagoa do Capitão, atrás referida, para o abastecimento de água do município, certamente os lavradores seriam compensados e o ordenamento da bacia estaria resolvido, como parece estar a acontecer na Lagoa do Caiado. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, o direito à água era inicialmente dos lavradores e não do Estado tendo sido adquirido pelo município através da aquisição dos terrenos.
A Lagoa do Paúl estava enevoada, mas foi possível verificar que a régua de medida da profundidade estava no zero no pino do Inverno indicando que a lagoa já não é capaz de reter a água que retinha num passado recente. Além disso o equipamento que media o nível estava com o cronómetro ligado mas não tinha tinta. Ao lado havia uma ordenha em tempos subsidiada mas agora abandonada e degradada. E pelo caminho apareciam umas reses com frio que vinham ao sinal do nosso carro de que algum alimento externo estaria para chegar. Aliás a estrada estava cheia de caules de milho. Deu tempo para ir à Lagoa do Peixinho e da Rosada mas agora não há espaço para falar delas.

(Prof. Tomaz Dentinho In A União)

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sexta-feira, outubro 05, 2007

Recursos biológicos marinhos

O Professor Tomás Dentinho, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, ao intervir na sessão de encerramento do Fórum Regional das Pescas, referiu que a única forma de assegurar uma boa gestão dos recursos biológicos do mar seria através de uma gestão de proximidade, assente no uso de artes selectivas e que a transferência da competência exclusiva de gestão para Bruxelas retirava qualquer possibilidade de uma gestão sustentada dos recursos por parte dos Açores como, aliás, de Portugal. Concluiu a sua intervenção afirmando que a manter-se no tratado da UE, presentemente na fase final de elaboração, seria preferível Portugal e aos Açores saírem da União Europeia. Referiu que a Noruega e a Islândia não aderiram à UE como forma de salvaguardar a gestão dos seus recursos.Veríssimo Borges, da Quercus, defendeu que a perca ou recuperação do controle açoriano das 200 milhas dos seus mares depende do mérito ecológico e sustentabilidade das suas pescas. O ecologista afirmou: "Só as nossas óptimas práticas sustentarão o nosso direito de defender os nossos mares de pescas de predadores de países terceiros. Só regras muito restritivas de artes de pescas limitarão o interesse de frotas longínquas". Na opinião de Veríssimo Borges, amplas reservas, nomeadamente das 100 às 200 milhas, limitarão o interesse global de frotas europeias de longo alcance continuarem a pressionar os nossos mares. "Se estivermos defendidos nas 200 milhas, estaremos melhor protegidos nas 100 milhas" – alertou. Por seu lado, Virgílio Oliveira, presidente em exercício da Federação da Agrícola dos Açores, referiu que os trabalhadores das pescas e da agricultura enfrentam os mesmos problemas, verificando-se o abandono do sector piscatório e dos campos. Comparando a agricultura e as pescas, o conferencista sublinhou ser comum aos dois sectores a competição cada vez mais feroz, os problemas ambientais, a insularidade e a qualidade higio-sanitária. Como soluções apontou o associativismo, a cooperação, inovação, o desenvolvimento e a valorização da produção.
(In Diário dos Açores)

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quinta-feira, setembro 27, 2007

Ruralidade insular (cidade versus campo)

Foi discutido no I Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países Lusófonos e Galiza, que decorreu em Santiago de Compostela de 24 a 27 de Setembro, um trabalho sobre a ruralidade insular açoriana, de Eva Vidal, Ana Cristina Palos, Félix Rodrigues e Sandra Vidal, docentes e investigadores do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. O principal objectivo desse Congresso foi discutir a contribuição da educação na construção dos valores, bases culturais e bases políticas que sirvam para a promoção de sociedades sustentáveis.
O trabalho intitulado: "A Ruralidade num Contexto de Desenvolvimento Sustentável: potencialidades educativas, turísticas e patrimoniais" resulta de uma investigação levada a cabo pelos autores na freguesia do Raminho na Ilha Terceira, por se considerar ser este o espaço "mais rural" da ilha.

Esse trabalho aborda assim as problemáticas do espaço rural, onde este parece estar a modificar-se ou a reconfigurar-se para poder responder aos desafios da actual sociedade de informação e do conhecimento. Surge da necessidade de analisar o espaço rural na sua variedade e complexidade e de repensar o lugar que ocupa no sistema social regional e global. A partir de uma abordagem transdisciplinar teve como principal finalidade identificar as potencialidades e as dinâmicas locais e perceber a complexa rede de interacções de um conjunto de fenómenos: demográficos, económicos, sociais, culturais e ambientais.
Com este estudo também se pretendeu enquadrar teoricamente algumas questões acerca da problemática do rural: compreendê-lo como local, um tempo e um contexto de interacções, procurando desocultar as características específicas e funções desse espaço.
No âmbito desta investigação, exploraram-se e interpretaram-se as potencialidades do património natural e social do Raminho. Se, por um lado, se apresenta a produção de um conhecimento sistematizado sobre o local, por outro, cria-se a oportunidade para que essa informação perdure e seja aproveitada na educação ou na vertente do turismo. Empreendeu-se o levantamento a nível de: recursos naturais; dinâmicas demográficas e de ocupação do território; condições e modos de vida da população local; dinâmicas culturais existentes. Também se procurou interpretar os sentidos que os seus residentes atribuem ao território, como gerem ou partilham as potencialidades desse espaço, a fim de se compreender como acontece a preservação e transformação do espaço rural insular na actualidade.

As conclusões do estudo remetem para a necessidade de se assumir uma visão territorial e multidimensional na definição de políticas, onde sejam coordenadas medidas e estratégias locais, regionais e nacionais que permeiem os aspectos de ordem social, cultural, económica e ambiental de forma equilibrada.

(In RDP-Açores)

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terça-feira, setembro 11, 2007

Açorianos colocam valores ambientais em primeiro lugar

Dois em cada três dos açorianos colocam os valores ambientais acima do que as professoras Emiliana Silva e Rosalina Gabriel, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, classificam como "visão antropocêntrica", valorizando a protecção do ambiente face a elementos como o consumismo ou a criação de empreendimentos que possam agredir a natureza.
A percentagem de açorianos que colocam o ambiente em primeiro lugar é de 61 por cento, com uma maior incidência na camada mais jovem, avançam as autoras do inquérito. Deste modo, concluem que "as atitudes dos açorianos estão em concordância com o Novo Paradigma Ambiental".
O estudo "Growing Up: An Environmental Challenge after 45 years old" (Crescer: Um desafio ambiental após os 45 anos de idade) baseou-se num inquérito realizado a 600 habitantes do arquipélago, divididos entre Terceira e São Miguel. O estudo englobou indivíduos dos 18 anos de idade até aos mais de 45 anos e foi realizado em Fevereiro e Março de 2005.
Os resultados foram apresentados pelas autoras na conferência Internacional, intitulada "Sustainavility in Pratice", realizada em Londres.
(In Diário Insular)

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sexta-feira, setembro 07, 2007

Sustainability in Pratice - Conferência Internacional que decorre em Londres

Duas Professoras do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores desenvolveram um projecto de investigação com o propósito de identificar as atitudes ambientais dos açorianos e promover a cidadania pró-activa. Parte dos resultados desta investigação e de outras investigações levadas a cabo por docentes do Departamento de Ciências Agrárias e Ciências da Educação da Universidade dos Açores foram apresentados na Conferência Internacional, realizada em Londres ontem e hoje, dias 6 e 7 de Setembro, intitulada "Sustainability in Practice". No estudo das Professoras Emiliana Silva e Rosalina Gabriel verificou-se que os açorianos mais velhos revelam ter valores ambientais menos significativos do que os outros grupos etários estudados, nas três classes testadas (dos 18 aos 25 anos; dos 26 aos 45 anos e com mais de 45 de idade), o que quer dizer que o seu nível de interesses ambientais é mais baixo do que os mais novos. No entanto, todos os inquiridos revelavam níveis moderados e elevados de valores ambientais.
Outra comunicação apresentada na conferência de Londres, da autoria das Professoras Ana Arroz, Rosalina Gabriel, Cristina Palos e da Mestre Luzia Rodrigues, tinha como título "O nosso futuro desenhado pelas crianças: Imagens ambientais e preocupações". Nessa comunicação, os investigadores referem que a infância é geralmente retratada como um estádio feliz da vida, caracterizado pela existência de um sentido de segurança e de confiança, no entanto, as crianças são capazes de reflectir sobre o mundo e fenómenos abstractos. A comunicação resulta de uma investigação levada a cabo na Universidade dos Açores sobre as perspectivas ambientais das crianças e do futuro, tentando captar as suas expectativas. Notam-se três tendências distintas nas visões das crianças acerca do ambiente e do futuro: 1- Que o mundo mudará devido à tecnologia, sem qualquer concepção negativa do ambiente ou do futuro, 2- Que o ambiente entrará num processo de deterioração, devido ao envelhecimento da terra e aos fenómenos de poluição e 3- Que o mundo será um local cada vez mais arriscado para se viver.
A última comunicação apresentada, da autoria dos Professores Ana Arroz, Cristina Palos, Isabel Estrela Rego e Paulo Borges, centrava-se na análise do esforço necessário e conjunto da Ciência, da Sociedade, Políticos e Media, para gestão adequada do risco de infestação das habitações açorianas por térmitas.Segundo aqueles investigadores, a praga das térmitas nos Açores está longe de ser controlada e que a maioria dos Açorianos não têm uma percepção adequada dos riscos associados a esta praga urbana.

(In Diário dos Açores, Jornal Diário)

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