terça-feira, agosto 18, 2009

Ruralidade terceirense

A ruralidade terceirense foi alvo de um estudo por parte de professores da Universidade dos Açores. " A Ruralidade em Contexto Insular: a sustentabilidade edificada ao ritmo dos afectos" deu nome à tese de mestrado de Eva Vidal, em Educação Ambiental. O trabalho centrou-se na freguesia do Raminho, uma das mais rurais da ilha, de acordo com os investigadores. Eva Vidal admite que o facto de ser professora no Raminho também pesou na escolha da freguesia, mas foram as características da população local que a chamaram à atenção. O estudo, que contou com a orientação de Félix Rodrigues, do departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e de Cristina Palos, do departamento de Ciências da Educação, foi apresentado no 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, em Cabo Verde, com o nome “Desenvolvimento sustentável no mundo rural insular - Caso de estudo de uma comunidade da ilha Terceira”. O objectivo foi perceber como é que se reconfigurava a ruralidade na actualidade. Eva Vidal confessa, no entanto, que partiu de uma matriz errada quando começou a realizar o estudo. Cedo a investigadora se apercebeu que teria de a adaptar ao contexto rural insular. “A matriz de desenvolvimento que se preconizava para esta comunidade, numa fase inicial, inscrevia-se na linha de alguns modelos de análise utilizados na descrição de interpretação das transformações does espaços rurais”, revela.De acordo com a investigadora, a matriz inicial apelava a uma noção de desenvolvimento, baseada num modelo urbano, que defendia que a transformação dos meios rurais deveria ser feita segundo uma lógica de modernização, recorrendo à industrialização da agricultura e provocando a metamorfose da cultura local, por via da difusão tecnológica e dos valores urbanos. “Colocámos ênfase na dimensão económica do desenvolvimento”, explica.
OUTROS VALORESFoi no contacto com a população da freguesia, que Eva Vidal se apercebeu que para os raminhenses o desenvolvimento económico não se apresentava como uma prioridade. As crenças religiosas, o convívio inter-geracional e a preservação do ambiente são exemplos do que a população valoriza, acima dos bens materiais. Numa primeira análise, os investigadores interpretaram algumas das características do local de forma pejorativa. De acordo com a análise feita, o Raminho apresentava “ausência de emprego local, numa estrutura económica predominantemente baseada na agro-pecuária e na exploração leiteira”. A população apresentava também uma “elevada taxa de analfabetismo” e “baixos níveis de qualificação ou formação”, assim como uma “tendência demográfica recessiva”. Os investigadores registaram ainda uma “alteração da estrutura de emprego sinalizada pela importância que os sectores secundário e terciário assumem em detrimento do sector primário”. Estas características de “desvalorização dos problemas económicos e sociais locais” foram interpretadas como um sinal de “inércia, passividade, alheamento”, associados a “subdesenvolvimento e resistência à mudança”.No entanto, um conjunto de outros factores dava uma leitura contraditória da freguesia. Os habitantes defendiam, por exemplo, a “preservação do património natural, geomorfológico e cultural” e apresentavam “uma manifesta capacidade de mobilização dos movimentos associativos locais de cariz social e cultural”, assim como a “persistência de traços comunitários ancestrais, códigos de conduta e de valores marcados pela entreajuda, a união e a solidariedade inter-geracional”. Perante os dados contraditórios, os investigadores chegaram à conclusão de que era necessário adoptar um modelo que tivesse em consideração as singularidades do meio rural. “A sustentabilidade do espaço rural insular açoriano deve perspectivar-se nas dimensões temporais do presente e do futuro, em que a intervenção esteja conectada com a realidade de cada território. Devem procurar-se políticas de reconversão e não de ajustamento”, defende. Félix Rodrigues resume a constatação a uma frase. “A gente procurava uma lógica de desenvolvimento, mas eles procuravam uma lógica de envolvimento”, salienta. De acordo com o professor, a população não quer que o seu meio seja “artificializado”. O que os raminhenses querem é sentir-se mais “envolvidos” e “comprometidos” com a sua terra. SOLUÇÃOO estudo concluiu que o desenvolvimento da freguesia deve ser feito, tendo em conta a opinião dos seus moradores. “A abordagem tem de ser feita de modo informal, face a face, ombro a ombro com os habitantes, para percepcionar os sentidos e os significados que atribuem ao seu território”, defende a autora. É por isso que os raminhenses dão mais importância ao poder local. Em muitos casos, os populares sentem que existe falta de diálogo com outros decisores políticos, o que não lhes permite participar como desejam na tomada de decisões sobre a sua terra. Eva Vidal salienta também a existência de “líderes” na freguesia, pessoas admiradas e respeitadas por outras, que assumem essa posição de uma forma natural. “As orientações estratégicas comunitárias de desenvolvimento rural, através de alguns programas, introduzem possibilidades de governação inovadoras, baseadas em planos de desenvolvimento local, a partir de abordagens do tipo ‘bottom-up’, no desenvolvimento de parcerias, numa aproximação multi-sectorial, na implementação de cooperação e no desenvolvimento de redes inter-locais”, reforça.Os habitantes do Raminho têm ideias bem definidas sobre o que não querem ver implementado na sua freguesia. Para eles o desenvolvimento local não pode desestruturar as relações interpessoais nem as características típicas do local, como a paisagem e a tranquilidade, o ambiente e a liberdade, a harmonia e qualidade de vida ou a segurança.Félix Rodrigues salienta mesmo que muitos dos habitantes sugerem serem eles próprios a proporcionar visitas guiadas ao Raminho, serem guias turísticos de uma terra que conhecem melhor do que ninguém. Está vincada na população da freguesia a intenção de dar a conhecer a sua terra a quem passa por lá de visita. Fazem questão que os turistas guardem boas recordações do Raminho. “É necessário reforçar legitimidades, valorizar a capacidade interventiva, de mobilização e de decisão da população local, em quem reside a oportunidade de perseguir e acreditar na transformação e revitalização do seu espaço, com a vontade e as iniciativas locais, daqueles actores que melhor conhecem o seu território e o sentem como espaço de afectos. É necessário e inadiável unirem-se esforços, criarem-se compromissos com o poder público e incentivos externos para decidir a realização de projectos sustentáveis e indutores do progresso”, adianta a autora.O estudo centrou-se apenas numa freguesia do concelho de Angra, no entanto, os autores estão convencidos que tirariam conclusões semelhantes em outras freguesias rurais dos Açores, especialmente em ilhas de menor dimensão. A FREGUESIAOutrora Raminho dos Folhadais, a freguesia que serviu de base ao estudo, situa-se na costa noroeste da ilha Terceira, entre os Altares e a Serreta. O nome foi-lhe atribuído por ser uma terra fértil, mas de pequena dimensão, por oposição à fertilidade do Ramo Grande. Apesar dos transportes tornarem, hoje em dia, qualquer freguesia da Terceira próxima do centro urbano, noutros tempos, o Raminho estava isolado de Angra do Heroísmo. Foi esse isolamento que a tornou na freguesia mais rural da ilha. No entanto, o que distingue o Raminho de outras freguesias rurais é o facto de ter conseguido manter os mesmos valores e costumes ao longo dos anos. Eva Vidal salienta que hoje os raminhenses não vivem na terra por falta de opções. Fazem-no por escolha própria. Muitos dos que hoje habitam no Raminho, já passaram por cidades internacionais. A maior parte emigrou para os Estados Unidos da América. No entanto, apesar de lhes ter sido dada a hipótese de viver noutro sítio, voltaram à sua terra natal. Álamo de Oliveira é um desses habitantes. Natural do Raminho, o escritor já viveu fora da freguesia, mas optou por voltar. Vive no Raminho por escolha própria e não por obrigação. É a povo que lá vive que o cativa.“A terra tem sobretudo a sua gente, que é uma gente trabalhadora, afável, não são propriamente exploradores de intrigas, antes pelo contrário e isso quer a gente queira quer não, independentemente dos afectos que vamos criando com as pessoas, acaba por nos atrair”, revela.Álamo de Oliveira confirma que o Raminho soube trazer até aos dias de hoje as tradições de antigamente. “Já houve épocas de entusiasmos maiores, mas de qualquer maneira continuam a manter as suas tradições de forma quase exaustiva, mas ao mesmo tempo introduzindo algumas inovações, que vêm não só fazer com que essa tradição se perpetue e continue, como também vêm a melhorá-las em termos de qualidade”, salienta.“Quando eu falo em tradições estou a falar sobretudo da forma como eles ainda festejam o carnaval, há sempre um ou dois grupos a fazer bailinhos de carnaval, a maneira com ainda festejam as suas festas de verão, a maneira como realizam ainda os seus bodos…”, enumera.O escritor raminhense realça, no entanto, as capacidades intelectuais da população da freguesia. “Há outra particularidade extremamente interessante. É que o Raminho apesar de ser uma freguesia iminentemente rural, é uma freguesia com uma grande apetência cultural e intelectual. É talvez das freguesias da ilha, embora sendo pequena, que maior percentagem tem de gente formada nas áreas mais variadas das ciências e das letras”, reforça.Uma das tradições mais vincadas na sociedade do raminho é a procissão dos abalos. O evento decorre todos os anos a 31 de Maio, desde 1967, de forma a assinalar a crise sísmica decorrida nesse ano.“A procissão dos abalos mantém-se com a mesma força que tinha. Vai gente de todas as idades, crianças, jovens…Continua a ser uma procissão altamente participada. Trata-se de facto de uma promessa feita por pessoas do Raminho, há mais de 100 anos, que quer chova quer faça vento, continua a ser realizada naquele dia”, afirma Álamo de Oliveira.A procissão tem no entanto um cariz diferente das comuns manifestações religiosas da ilha. As diferenças são evidentes desde já no horário A procissão ocorre por volta das 6h00. Mas também vestuário é invulgar. Ao contrário do que é habitual, a população não se veste de forma mais requintada para celebrar o acontecimento. Vestem as roupas de trabalho, até porque mal acaba a procissão retornam às suas casas, ou em muitos casos, hoje em dia, às paragens de transportes públicos. Ninguém sai da Igreja e ninguém volta à Igreja. “Mudaram a hora inicial exactamente para que os jovens que tinham vontade de ir pudessem ir, porque aquela ruralidade que o Raminho já possuiu e já viveu está um pouco mais diluída, evidentemente. Há menos gente a trabalhar no campo, porque há muito mais gente a trabalhar fora. E portanto teve que se olhar aos horários dessas pessoas”, acentua.Esta passagem do testemunho de geração em geração ocorre de uma forma natural. A juventude mantém um diálogo aberto com os mais velhos, sem que seja necessário existir uma imposição. Para Eva Vidal, a Escola Primária do Raminho assume um papel fundamental, na continuidade desses valores.

(in DI-Revista)

Etiquetas: , , , , ,

sábado, julho 18, 2009

Entrevista de Félix Rodrigues sobre desenvolvimento sustentavel no mundo rural insular

sexta-feira, julho 17, 2009

Desenvolvimento sustentável no mundo rural insular - Caso de estudo de uma comunidade da ilha Terceira, Açores, Portugal.

Félix Rodrigues, Eva Vidal e Cristina Palos apresentaram, no 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, realizado na Cidade da Praia, em Cabo Verde, de 6 a 11 de Julho de 2009, uma comunicação intitulada "Desenvolvimento sustentável no mundo rural insular - Caso de estudo de uma comunidade da ilha Terceira, Açores, Portugal".

Neste trabalho, apresentaram-se as perspectivas e percepções sobre desenvolvimento sustentável de uma pequena freguesia da ilha Terceira, Açores, Portugal.
A evidência empírica deste estudo fundamenta os aspectos particulares da freguesia: a identidade colectiva, o sentido de pertença ao lugar, a cooperação, a comunicação, as actividades colectivas, a permanência da população, os aspectos ambientais, e faz sobressair, a ausência do equilíbrio da estrutura etária, da formação permanente, da manutenção de serviços e equipamentos, da viabilidade económica e das oportunidades de emprego, entre outras.
O (des)envolvimento sustentável da freguesia rural estudada é possível, assim como também é possível encontrar um sentido de futuro, mas qualquer intervenção local para ser aceite e legitimada pela comunidade terá que ser, um processo, predominantemente de natureza informal.

(In Cabo Verde - Redes de Desenvolvimento Regional)

Etiquetas: , , , , , ,

quarta-feira, maio 13, 2009

V Congresso Mundial de Educação e Ambiente conta com a presença de “Vida em Ebulição”

Cerca de oito alunos do Curso Tecnológico de Ordenamento do Território e Ambiente do 11º ano turma J da Escola Secundária Domingos Rebelo conjuntamente com o docente José Cabral, coordenador deste curso, e a Drª Paula Aguiar, coordenadora científica do projecto "Vida em Ebulição" participarão, de 8 a 15 de Maio, no V Congresso Mundial de Educação e Ambiente em Montreal.


Apresentar o projecto "Vida em Ebulição" em Montreal e ainda na Casa dos Açores em Toronto é dar a conhecer um trabalho que alunos e professores da Escola Secundária Domingos Rebelo abraçaram desde o início da sua existência, uma vez que este projecto possibilita pôr em prática anos de conhecimento e formação científica associados às tradições e cultura açorianas no que diz respeito ao modo como a população se relaciona com os recursos naturais termais.
"Vida em Ebulição" é um projecto não só de cariz educacional e científico mas também de cariz cultural e económico, projectando as actividades económicas passíveis de serem efectuadas em zonas termais.
O projecto foi extremamente bem recebido pelo órgão de gestão da Escola Secundária Domingos Rebelo, pelo director do Curso Tecnológico de Ordenamento do Território e Ambiente, Dr. José Cabral, e pelos alunos deste curso, criando com o Centro de Conservação e Protecção do Ambiente da Universidade dos Açores um grupo de trabalho desde o ano lectivo 2007/08. Dada a relevância do projecto, também se associaram a estas entidades a Junta de Freguesia das Furnas e a Câmara Municipal da Povoação.
Os trabalhos realizados pelos membros deste projecto, até à presente data, foram apresentados na AmbiTech em Ponta Delgada, divulgados em jornais locais e na RTP-A, podendo qualquer pessoa visualizá-los no site da Ciência Viva a nível nacional.
A apresentação em Montreal compreende dois momentos que se completam: uma apresentação oral a cargo da Drª Paula Aguiar subordinada ao tema "Life at The Boiling Point" Science and Environmental Education for Everone e uma apresentação de um cartaz intitulado "What Can We Take Home From "Life At The Boiling Point": The Students Perspective, tendo como oradores os alunos do 11ºJ e o professor Dr. José Cabral. Realça-se que o produto final a ser levado ao V Congresso Mundial de Educação e Ambiente é fruto de um trabalho árduo e activo de alunos e professor, revelando sentido de responsabilidade, maturidade e profissionalismo.
A participação tanto de alunos como professores possibilita a todos uma experiência única e enriquecedora que jamais será olvidada.

Também participam nesse evento a Professora Cristina Palos e a Mestre em Educação Ambiental Eva Vidal do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores.
A comitiva da Escola Secundária Domingos Rebelo neste congresso mundial prestigiará não só a escola como também a Região Autónoma dos Açores e o país.

(in RTP-Açores, Paulo Teves)

Etiquetas: , , ,

Bolsa

Projecto PTDC/CCI/72381/2006, designado por “AFRICA ANNES – INCORPORAÇÃO DA PERCEPÇÃO SOCIAL NA COMUNICAÇÃO DE RISCO AMBIENTAL"
Coordenador Científico: A orientação científica ficará a cargo da Prof. Doutor António Félix Rodrigues
Duração da Bolsa: 12 meses, com efeitos a partir de 01 de Julho de 2009
Tarefas a desempenhar:
- Proceder a categorização de dados documentais, arquivo,
- Realizar a inserção informática de dados,
- Proceder á organização de documentação diversa como facturas, notas de despesa, correspondência, ofícios e outros documentos da mesma natureza.

Nos termos da lei n° 40/2004, de 18 de Agosto e do Regulamento de Bolsas de Investigação e de Apoio à Gestão da Fundação Gaspar Frutuoso, leva-se ao conhecimento dos interessados que se encontra aberto, pelo prazo de 10 dias úteis, a contar da data de publicação do presente aviso, o concurso para atribuição de uma bolsa de Técnico de Investigação, nas áreas das Ciências da Comunicação com vista ao desempenho de funções num projecto de investigação no âmbito da Comunicação de Risco, PTDC/CCI/72381/2006, designado por “AFRICA ANNES – INCORPORAÇÃO DA PERCEPÇÃO SOCIAL NA COMUNICAÇÃO DE RISCO AMBIENTAL”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) nas seguintes condições:

1 - Duração e Regime de Actividade: Celebração de um contrato de bolsa com a duração de 12 meses, com efeitos a partir de 01 de Julho de 2009, conforme regulamento de formação avançada de recursos humanos da FCT http://www.fct.mctes.pt/pt/apoios/formacao/ambitoprojectos) e regulamento de bolsas da Fundação Gaspar Frutuoso.

2. Objecto de Actividade: O bolseiro será integrado na actividade de investigação da equipa do Projecto. O principal objectivo é o desenvolvimento de tarefas no âmbito do mesmo, nomeadamente:
- Proceder a categorização de dados documentais, arquivo,
- Realizar a inserção informática de dados,
- Proceder á organização de documentação diversa como facturas, notas de despesa, correspondência, ofícios e outros documentos da mesma natureza.

As actividades decorrerão no Departamento de Ciências Agrárias, sito no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores.

3. Orientação Científica: A orientação científica ficará a cargo da Prof. Doutor António Félix Flores Rodrigues (investigador responsável); Prof. Doutora Ana Margarida Moura de Oliveira Arroz; Prof.ª Doutora Ana Cristina Pires Palos e Prof. Doutora Isabel Maria Cogumbreiro Estrela Rego.

4. Formação Académica: São exigidos aos concorrentes os seguintes requisitos, à data da candidatura:

a) possuir o 11º ano como habilitações mínimas;
b) possuir experiência organização de documentos, nomeadamente ao nível de dossier e facturas, selecção e análise da informação, revelando capacidade de organização e de gestão do tempo;
c) dominar software informático relativo a processamento de texto e cálculo na óptica do utilizador;
d) possuir bom domínio de leitura e escrita;
e) possuir experiência de trabalho em equipa, regulando as relações interpessoais por princípios de cooperação, solidariedade, disponibilidade à aprendizagem e responsabilização.

5. Remuneração: Subsídio mensal no valor de 565€ (quinhentos e sessenta e cinco euros), de acordo com a tabela de valores das Bolsas de Investigação no país atribuídas pela FCT.

6 – Documentos de Candidatura: Os requerimentos deverão ser acompanhados da seguinte documentação:
a) Requerimento dirigido ao Presidente do Júri;
b) documentos comprovativos de que o candidato reúne as condições exigíveis para o respectivo tipo de bolsa;
c) Curriculum vitae, datado e assinado;
d) - Fotocópia do Bilhete de Identidade ou Passaporte;
e) resumo do programa de trabalhos a desenvolver;
f) outros documentos que o candidato considere relevantes para apreciação curricular, nomeadamente cartas de recomendação.

7. Critérios de Avaliação: Os métodos de selecção a utilizar no presente concurso contemplam a avaliação curricular, a entrevista e, eventualmente, teste de demonstração de competências.

8. Data de início e de conclusão do prazo do Concurso: O prazo para a entrega das candidaturas é de 15 dias a contar da data da publicação do presente Aviso. As mesmas devem ser formalizadas através de requerimento, dirigido a António Félix Flores Rodrigues, e remetido, juntamente com a restante documentação, por correio ou entregue na Universidade dos Açores, Departamento de Ciências Agrárias, Largo da Igreja, Terra Chã, 9700-851 Angra do Heroísmo.

9 - Júri: O júri responsável pela selecção dos candidatos será constituído por: Prof. Doutor António Felix Rodrigues; Profª. Doutora Ana Cristina Pires Palos e a Prof.ª Doutora Ana Margarida Moura Arroz.

10 – Qualquer informação ou documento poderá ser solicitada através do fax 295 402 205, dirigido a António Félix Rodrigues, ou para o seguinte endereço de e-mail: felix@uac.pt.

Etiquetas: , , , , ,

quinta-feira, abril 02, 2009

Açorianos cooperam com SÃO TOMÉ E PRINCÍPE

Açorianos da Universidade dos Açores e não só participam no primeiro Encontro Internacional de Desenvolvimento Local, em São Tomé e Príncipe. O convite surgiu da Associação ROÇAMUNDO, presidida por Isaura Carvalho, que organiza o evento. Trata-se de uma associação de desenvolvimento local.
De 4 a 9 de Abril, reúnem-se em São Tomé e Príncipe especialistas de diversas áreas, com o objectivo de reflectir sobre estratégias de desenvolvimento das comunidades locais a partir de uma realidade insular.

Em debate estarão temas como o combate à pobreza e à exclusão social, o turismo como factor de desenvolvimento, o aproveitamento criativo dos recursos locais ou a educação para o desenvolvimento local. Para além de palestras, o encontro conta ainda com mesas redondas e ateliers.
De acordo com Ana Cristina Palos, do Centro de Estudos Sociais, responsável da Universidade dos Açores, na comissão organizadora do evento, o encontro é sobretudo uma “troca de experiências, tanto a nível teórico como prático”. A profesora destaca ainda as parcerias entre países europeus e africanos.
Participam no evento investigadores de diversos países, de entre eles Portugal, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau e Brasil, assim como as cooperações esponhola e francesa.

Contributo dos açorianos

Para além da Universidade dos Açores, a ROÇAMUNDO tem como parceiros o Centro de Estudos Africanos do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), o NEREA- Investiga, Associação Internacional de Investigadores em Educação Ambiental, e a Universidade Autónoma de Lisboa (UAL).
Participam na iniciativa, da Universidade dos Açores, Eduardo Guimarães, sobre “o desenvolvimento local do turismo e património” e Eva Vidal, sobre “o local como recurso educativo de acção e transformação social”. Também presentes no evento estarão Vasco Garcia que fala sobre o “valor económico da ecologia insular” e Fernando Diogo sobre o “desenvolvimento local no combate à pobreza e à exclusão social”.
Para além dos investigadores da Universidade dos Açores, marcam ainda presença no encontro o Presidente da Câmara Municipal de Velas, António Silveira, sobre o tema “Poder Local, uma âncora do progresso e Álvaro Monjardino, do Instituo Histórico da Terceira, que apresenta como tema o ”Paralelismos entre um estado independente insular e uma região” autónoma insular.

ENCONTRO INTERNACIONAL DE DESENVOLVIMENTO LOCAL: FOCA A PESCA ARTESANAL
João Pedro Barreiros é um dos professores da Universidade dos Açores que marcam presença no evento. A seu cargo fica a dinamização do Centro Turístico Comunitário de Pesca Artesanal, um atelier situado no Cais dos Angolares.
Segundo o professor, o objectivo da actividade é “tentar orientar os pescadores da comunidade para rentabilizarem o resultado das suas pescas com o menos impacto ambiental e mais aproveitamento”.
A iniciativa, segundo João Pedro Barreiros, incluiu ainda o ensino de “técnicas alternativas de pesca, que não dependam de tecnologias”, que embora comuns em Portugal são de difícil acesso para os pescadores de São Tomé.
O professor da Universidade dos Açores tem ainda programada uma palestra, na quarta-feira, dia 8 de Abril, dirigida à comunidade piscatória local. A palestra intitula-se de “Recursos pesqueiros: conservar para manter”.
Ainda que salvaguardando o “rigor científico”, a palestra terá uma linguagem acessível aos pescadores da região, de forma a “dar indicações de alerta” de como podem ser utilizadas as áreas costeiras.
João Pedro Barreiros destaca ainda a falta de conhecimento existente actualmente sobre São Tomé e Príncipe. “É uma região muito importante a nível geográfico e pouco conhecida”, revela.
Para o professor “fundamentalmente é preciso conhecer”, para depois se poder explorar os recursos da região.
(In Diário Insular)

Etiquetas: , , , , ,

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

São Tomé vai ser palco de 4 a 9 de Abril do primeiro encontro internacional de desenvolvimento local

Criação de mecanismos viáveis para o desenvolvimento é o principal objectivo do evento que está a ser organizado pela Associação Roça Mundo liderada por Isaura Carvalho (na foto), em parceria com a Fundação Cacau também são-tomense. Outros parceiros internacionais tomam parte no encontro, nomeadamente o Centro de Estudos Africanos (CEA/ISCTE), Universidade Autónoma de Lisboa, o Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores, e a Associação Internacional de Investigação em Educação Ambiental. Segundo uma nota da Associação Roça Mundo, especialistas de diferentes áreas, estarão em São Tomé, para reflectir sobre estratégias de desenvolvimento das comunidades locais a partir de uma realidade insular.A insularidade de São Tomé e Príncipe constitui um dos grandes entraves ao desenvolvimento do país e das comunidades. A Associação Roça Mundo, criada para abrir portas para o desenvolvimento local, decidiu organizar o encontro internacional, para definir estratégias e descobrir pistas que possam ajudar as comunidades locais a vencer o subdesenvolvimento.
Num arquipélago onde várias acções de desenvolvimento local e nacional, não tiveram êxito a Associação Roça Mundo com sede na roça São João no sul de São Tomé, aposta na promoção do desenvolvimento através da parceria entre agentes nacionais e internacionais, mas não só. A Associação liderada por Isaura Carvalho(na foto), fundamenta que o incentivo ao desenvolvimento deve envolver o sector público e privado bem como « o poder local e os agentes económicos locais, constituindo uma comunidade de prática como estr atégia para a criação de mecanismos viáveis para o desenvolvimento», refere a Associação Roça Mundo.
Com uma comissão científica composta por nomes sonantes da intelectualidade portuguesa e são-tomense, o primeiro encontro internacional de desenvolvimento local, pretende lançar as bases para o desenvolvimento de comunidades que ainda não viram ao fundo do túnel a luz do progresso económico e social.
Um encontro que para além de despertar o interesse do cidadão comum, deverá galvanizar as autoridades governamentais com destaque para o débil poder local são-tomense. Rogério Roque Amaro do Centro de Estudos Africanos/ISCTE de Portugal, José Portela da Universidade de Trás-os-Montes, também de Portugal, Maria Antónia Barreto do Centro de Estudos Africanos/ ISCTE, Brígida Rocha Brito do Centro de Estudos Africanos/ISCTE, Ana Cristina Palos do Centro de Estudos Sociais, UAC de Portugal, e Danilson Cotu quadro superior do Ministério da Administração Interna de São Tomé e Príncipe, formam a equipa da comissão científica que está durante os 6 dias do primeiro encontro internacional, sobre o desenvolvimento local.
(In Abel Veiga Téla Nón)

Etiquetas: , , ,

segunda-feira, dezembro 22, 2008

1º Encontro Internacional de Desenvolvimento Local em São Tomé

1º ENCONTRO INTERNACIONAL DE DESENVOLVIMENTO LOCAL é um projecto da iniciativa da Associação ROÇAMUNDO em parceria com a FUNDAÇÃO CACAU, o Centro de Estudos Africanos (CEA/ISCTE), a Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) , o Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores (CES/UAC) e a Associação Internacional de Investigadores em Educação Ambiental (NEREA- Investiga). É objectivo deste projecto reunir em S. Tomé e Príncipe especialistas de diferentes áreas para reflectir sobre estratégias de desenvolvimento das comunidades locais a partir de uma realidade insular, com dificuldades evidentes em encontrar o melhor caminho para solucionar a progressiva pobreza em que se encontra mergulhado. Várias políticas de desenvolvimento foram ensaiadas sem que alguma tivesse o efeito prático desejado, desafiando, deste modo, alguns conceitos e teorias de desenvolvimento económico. Neste contexto, a troca de experiências, tanto teórica como prática, na implementação e desenvolvimento de projectos comunitários promotores da mudança, poderá ser enriquecedora para os que têm estado empenhados em encontrar novos caminhos e soluções para romper as bolsas de pobreza. Por outro lado, é fundamental promovermos e incentivarmos o desenvolvimento de uma cultura de parceria entre agentes nacionais e internacionais, entre o sector público e privado, o poder local e agentes económicos locais, constituindo, deste modo, uma Comunidade de Prática como estratégia para a criação de mecanismos viáveis para o desenvolvimento. As inscrições para a participação com apresentação de trabalhos nos workshops encontram-se abertas, devendo os interessados, até ao dia 6 de Fevereiro, enviar para o Secretariado a respectiva ficha de inscrição acompanhada de resumo.
A Página Web do 1º Encontro Internacional de Desenvolvimento Local está on line e disponível para consulta, recolha de informações e download de documentos.
Podem optar por duas formas de acesso (é aconselhável a digitalização completa do endereço): http://s1.webstarts.com/desenvolvimentolocalstp2009/
Download:Programa do Encontro e Contactos
Para Mais Informações:
Secretariado: Olavo Amado (roca.mundo7@gmail.com ou ceiarte@cstome.net
As informações podem também ser solicitadas através do contacto com os representantes da Organização:
Isaura Carvalho- ita.lpcarvalho@gmail.com
João Carlos Silva - ceiarte@cstome.net
Brígida Rocha Brito - brigidabrito@gmail.com
Ana Cristina Palos - c.palos@uac.pt
(In NEREA-Investiga)

Etiquetas: , , ,

sábado, dezembro 20, 2008

1º Encontro Internacional de Desenvolvimento Local

O 1º Encontro Internacional de Desenvolvimento Local terá lugar em São Tomé e Príncipe entre 4 e 9 de Abril de 2009. A Organização do evento é coordenada pela Associação RoçaMundo (Prof. Isaura Carvalho), em parceria com o Centro de Estudos Africanos (CEA/ISCTE), o Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores (CES-UA), a Associação Internacional de Investigadores em Educação Ambiental (NEREA-Investiga) e a Universidade Autónoma de Lisboa (UAL).
As inscrições para a participação com apresentação de trabalhos nos workshops encontram-se abertas, devendo os interessados, até ao dia 6 de Fevereiro, enviar para o Secretariado a respectiva ficha de inscrição acompanhada pelo resumo.

Secretariado: Olavo Amado (roca.mundo7@gmail.com ou ceiarte@cstome.net).
As informações podem também ser solicitadas através do contacto com os representantes da Organização:
Isaura Carvalho- ita.lpcarvalho@gmail.com
João Carlos Silva - ceiarte@cstome.net
Brígida Rocha Brito - brigidabrito@gmail.com
Joaquim Ramos - j.ramos.pinto@nerea-investiga.org
Ana Cristina Palos - cpalos@uac.pt
A Página Web do Encontro está on-line e disponível para consulta, recolha de informações e download de documentos.
Podem optar por duas formas de acesso (é aconselhável a digitalização completa do endereço):
http://www.webstarts.com/desenvolvimentolocalstp2009/
ou
http://s1.webstarts.com/desenvolvimentolocalstp2009/

Etiquetas: , , ,

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Térmitas açorianas com portal na Internet

O Grupo da Biodiversidade dos Açores prepara-se para lançar, no próximo mês de Janeiro, um portal na Internet sobre as térmitas açorianas, revela a segunda edição da newsletter do grupo. O site coordenado por Ana Moura Arroz e Paulo Borges estará disponível em http://www.sostermitas.angra.uac.pt/. O objectivo é dar resposta às necessidades de todos aqueles que acabaram de descobrir uma infestação de térmitas em sua casa. O portal surge na sequência do projecto Termipar-Participação dos cidadãos no controlo da infestação de térmitas nos Açores, financiado pelo Governo Regional e coordenado por Paulo Borges, Ana Moura Arroz e Cristina Palos. Para além das conclusões do projecto, o site proporcionará ao público em geral um conjunto de informações úteis sobre o problema das térmitas. Disponibilizará ainda quatro episódios de um filme sobre as térmitas açorianas da autoria de Paulo Cristóvão, do Instituto Politécnico de Viseu. Este filme deverá também ser emitido em breve pela RTP-Açores. Entretanto, o Grupo da Biodiversidade dos Açores lançou também recentemente um site na Internet sobre as aranhas do arquipélago, em colaboração com Jorgen Lissner, Paulo Borges and Enésima Mendonça, revela a mesma newsletter.
Disponível em www.jorgenlissner.dk/azoreanspiders.aspx, a página web tem como principal objectivo ilustrar, através de imagens, a diversidade de aranhas dos Açores.Paralelamente, o Portal da Biodiversidade dos Açores (www.azoresbioportal.angra.uac.pt/index.php?lang=en), realizado em colaboração com membros do CIBIOAzores, tem vindo a crescer em termos de interesse do público e impacto, assim como de novas funcionalidades, acrescenta a newsletter.
Reconhecimento Por outro lado, a conceituada revista internacional “Journal of Biogeography” dá destaque, na sua edição de Janeiro de 2009, a um trabalho do Grupo da Biodiversidade dos Açores sobre o desenvolvimento das espécies cavernícolas na Região. As conclusões deste estudo apontam para uma evolução muito mais rápida da fauna cavernícola dos Açores. O artigo, da autoria de Paulo Borges e J. Hortal, está já disponível na íntegra na edição online do “Journal of Biogeography”, em http://biogeography.blogspot.com/2008/10/azorean-arthropods-doit-fast-in-dark.html.

(In Diário Insular)

Etiquetas: , , , , , , , ,

sábado, dezembro 13, 2008

A Colaboração entre Professores na Gestão Pedagógica do Trabalho de Sala de Aula

Realizam-se no dia 13 de Dezembro, pelas 16 horas, no pólo de Angra do Heroísmo, as provas de Mestrado em Educação requeridas pela licenciada Paula Cristina Ávila da Rocha.
As provas serão avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo Doutor Francisco José Rodrigues de Sousa, professor auxiliar da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores Jorge Manuel Ávila de Lima, professor associado com agregação da Universidade dos Açores, e Ana Cristina Pires Palos, professora auxiliar da Universidade dos Açores.
As provas constarão da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada A Colaboração entre Professores na Gestão Pedagógica do Trabalho de Sala de Aula.

Etiquetas: , , , ,

sábado, outubro 04, 2008

Colóquio sobre avaliação de escolas

Hoje, Sábado, dia 4 de Outubro, decorre, no campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, ao Pico da Urze, um colóquio sobre avaliação de escolas, cujo programa se anexa.
Com a realização deste evento pretende-se:
-Fazer o balanço de dois anos e meio de implementação do projecto Qualis (avaliação interna das escolas dos Açores);
-Promover o debate sobre a avaliação externa de escolas (que em breve terá início nos Açores);
-Contextualizar o processo de avaliação de escolas em curso nos Açores face às tendências nacionais e internacionais nesta matéria; -Apoiar as equipas de auto-avaliação no desenvolvimento de instrumentos de trabalho.
Mais informação disponível em http://coloquioavalescolas.no.sapo.pt/
Programa do Colóquio
09:00 Entrega de documentação
09:15 Conferência de Abertura- "Avaliação de escolas em Portugal - situação actual e perspectivas de futuro" por Joaquim Azevedo da Universidade Católica Portuguesa.
10:00 Conferência "Avaliação externa de escolas – modelos, processos e resultados" por José Brites Ferreira do Instituto Politécnico de Leiria.
10:30 Conferência "Para uma referencialização das práticas de avaliação da escola" por Maria Palmira Alves da Universidade do Minho.
11:00 Debate
11:15 Coffee-break
11:30 Mesa redonda "Projecto Qualis: O explícito e o implícito" com moderação de Jorge Ávila de Lima da Universidade dos Açores.
Aborder-se-á nessa mesa redonda "Projecto Qualis, dois anos e meio depois – balanço e perspectivas de futuro" por Luis Maciel Silva da Direcção Regional da Educação e Rodrigo Queiroz e Melo da Universidade Católica Portuguesa, "Projecto Qualis – Que lugar para as questões curriculares?" por Maria do Céu Roldão da Universidade do Minho e Francisco Sousa, da Universidade dos Açores.
13:00 Intervalo para almoço.
14:30 Sessão de trabalhos paralelos.

Oficinas de apoio à construção de instrumentos de avaliação e análise de dados
Campus universitário do Pico da Urze

OFICINA- COORDENADOR -TEMA
A-Francisco Sousa- Gestão das pessoas, Gestão dos processos, Resultados relativos às pessoas.
B-Rodrigo Queiroz e Melo- Liderança, Planeamento e estratégia, resultados de desempenho-chave.
C-Ana Cristina Palos- Parcerias e recursos, resultados orientados para a comunidade educativa, impacto na sociedade.

Conversa com os conferencistas
Sala Natália Correia no Hotel do Caracol
-Por motivos de força maior, uma das quatro oficinas inicialmente previstas foi cancelada, sendo os temas redistribuídos pelas restantes três oficinas.
Os participantes que não estiverem interessados em frequentar as oficinas acima referidas poderão continuar a dialogar com os conferencistas, que estarão disponíveis para uma conversa com os participantes sobre o tema do colóquio.
A comunicação “Projecto Qualis – Estatutos e vozes em presença na legitimação do processo de avaliação” (anunciada nas versões anteriores do programa) foi cancelada, por motivos de força maior.

Etiquetas: , , ,

domingo, agosto 17, 2008

EDUCAÇÃO, AMBIENTE, TURISMO E DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO

No âmbito das actividades enquadradas pelo Projecto de Investigação "Os Impactos do Turismo no Desenvolvimento Comunitário em África: análise de experiências insulares", o Centro de Estudos Africanos organizou e promoveu a realização do Seminário Internacional "Educação, Ambiente, Turismo e Desenvolvimento Comunitário", na cidade de São Tomé. Este é um dos produtos do Projecto PTDC/AFR/69094/2006 financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT/MCTES de Portugal). Para a prossecução destas actividades contou com a colaboração da Direcção-Geral do Ambiente, da Direcção de Turismo da República Democrática de São Tomé e Príncipe e com a Associação Internacional de Investigadores em Educação Ambiental.

Nesse Seminário participaram investigadores do Departamento de Ciências Agrárias e do Departamento de Ciências da Educação do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores.
Eva Vidal; Ana Cristina Palos e Félix Rodrigues apresentaram o trabalho "Conhecer para (Des)envolver: Vivências da Ruralidade num Contexto Insular".
Marcela Sobral, apresentou o trabalho: "Projecto de Educação Ambiental: Lixo Legal (Ilhabela – São Paulo – Brasil).

Etiquetas: , , , , , , , ,

sexta-feira, julho 25, 2008

Participação Social e Práticas Ambientais

Foi apresentada e defendida no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores a tese de Educação Ambiental, de Fátima Lina, sobre a temática da participação social e práticas ambientais. Essa tese foi orientada pela Professora Cistina Palos, do Departamento de Ciências da Educação e pelo Professor Paulo Borges do Departamento de Ciências Agrárias, ambos da Universidade dos Açores.
As questões ambientais têm vindo a dominar os discursos públicos, desde os anos sessenta e a ocupar a agenda política mundial na busca de um modelo de desenvolvimento humano ecologicamente sustentável. Nos Açores, os problemas ambientais remontam ao período do povoamento, no séc. XV, na sequência das actividades desenvolvidas pelas populações para garantir a sua sobrevivência. A resolução destes problemas apela à implementação de um novo tipo de desenvolvimento que implica a co-responsabilização de diversos actores sociais (população, comunidade científica, poder económico, mediadores da informação, movimentos sociais e decisores políticos) na construção de uma nova racionalidade ecológica. A adesão a este novo paradigma parece difícil de se incorporar e a prova disso encontra-se na emergência de actores, a partir da sociedade civil, na defesa do ambiente açoriano, as denominadas associações ambientalistas.
A presente investigação incidiu aprofundadamente sobre cinco associações ambientalistas açorianas com estatuto de organizações não governamentais de ambiente (ONGA). São organizações que se demarcam do espaço ocupado pelo poder instituído, sem fins lucrativos, que reivindicam um espaço de influência suportado no seu estatuto de representação do interesse público nas questões relativas ao ambiente. Estas estruturas proliferam na região por volta dos finais dos anos 90, beneficiando de enquadramentos legais vigentes, que lhes concedem o estatuto de parceiro social com direito a participar na definição da política e linhas de orientação legislativa em matéria de ambiente. Neste contexto, as ONGA vêem-se afectas a um quadro de responsabilidades cívicas que integra uma variedade de propósitos e parceiros. Para além de estarem atentas aos diferentes actores sociais com maior interferência nas questões ambientais, assumem, eventualmente, a responsabilidade na formação e informação ambiental dos cidadãos, tendo em vista o desenvolvimento da cidadania ambiental.
Esta investigação teve como finalidade contribuir para o entendimento das posições assumidas pelas ONGA açorianas no palco do ambiente, no qual se movem com direitos e obrigações compartidos, jogados sob um pesado manto de responsabilidades e atritos, do qual não se exclui a sua própria organização interna. Almejou evidenciar os propósitos que estiveram na base da sua institucionalização, bem como os processos de funcionamento que lhes são imputáveis. Procurou explicitar as perspectivas das ONGA sobre ambiente e os esquemas de intervenção adoptados, tendo em vista a formação da opinião pública na promoção de sensibilidade e consciência ambiental. Pretendeu identificar as relações que as ONGA estabelecem com o poder económico e com o poder político regional e local e a sua contribuição nos processos concernentes à formulação dos quadros legais em matéria de ambiente. Intentou ainda perceber os eventuais espaços de mediação e/ou confluência existentes entre as ONGA a comunidade científica e a comunicação social, bem como os possíveis benefícios que capitalizam na mobilização desses recursos.
Os resultados demonstram que apesar da sua importante contribuição para a mediação ambiental, as ONGA açorianas deparam-se com algumas fragilidades em termos estruturais e conjunturais que se prendem com o número reduzido de associados, o regime de voluntariado, a canalização de verbas, a inexistência de recursos materiais e humanos e o sistema de lideranças. As relações que estabelecem entre si são positivas, sustentadas na confiança, na cordialidade, na cooperação e no bom entendimento táctico e/ou estratégico na afirmação das suas posições relativas à defesa do ambiente.
As principais áreas que privilegiam nas suas intervenções relacionam-se com a geodiversidade (espeleologia e geologia), o ordenamento do território a questão marítima e os resíduos. No âmbito da Educação Ambiental, as ONGA contemplam públicos específicos (escolas, grupos de reinserção…) e heterogéneos (população em geral). As acções de Educação Ambiental que organizam são, quase sempre, por solicitação externa e abrangem uma diversidade de temáticas, cujas estratégias se adequam ao público destinatário.
Os espaços inter-relacionais das ONGA com o poder político têm sido pautados por uma progressiva cooptação, em que as acções radicais de reivindicação parecem ser substituídas por acções institucionais. Este facto relaciona-se, segundo as ONGA, com a reorganização do aparelho administrativo do Estado, com a necessidade de desenvolvimento de projectos comuns e/ou com contrapartidas financeiras. Neste sentido, as intervenções das ONGA sobre este poder tem-se vindo a caracterizar pelo abrandamento nas reivindicações e aposta na construção de consensos (participação em comissões, conselhos regionais…).
Relativamente ao poder económico, as ONGA consideram possuir pouca influência, porque a economia açoriana é regulada, maioritariamente, por investimentos públicos e apontam como prioritário o exercício do papel regulador do Estado sobre as empresas dos Açores. É referido que existe uma discrepância de interesses de ambas as partes que constrange a relação. Enquanto que as ONGA entendem o poder económico como potenciador do desenvolvimento sustentável, este vislumbra-as como potenciais obstrutores à sua actividade.
O espaço de mediação entre as ONGA e a população pode decorrer da capacidade manifestada pelas ONGA na captação da comunicação social como sustentáculo da formação da opinião pública. Neste aspecto, toma particular relevância a televisão, a qual parece pouco receptiva à divulgação das actividades das organizações. Pode significar que os empreendimentos das ONGA são pouco expressivos em termos de relevância informativa ou a televisão possui outros interesses aos quais precisa atender. Por isso, as ONGA recorrem mais aos jornais, à Internet e à publicação de obras, possibilitando-lhes a divulgação de informação de índole ambiental.
A mobilização do conhecimento científico parece ser um procedimento adoptado em todas as ONGA com intuito de intervirem com qualidade e sustentabilidade quer junto à população, quer junto ao Governo. Verifica-se que quase todas as ONGA possuem elementos da comunidade científica integrados na sua associação e quem não os possui tem facilidade em os mobilizar a partir da universidade dos Açores.
Por fim, a investigação mostra que as ONGA consideram a participação pública açoriana débil e apontam várias razões para essa ocorrência. Referem que os cidadãos não têm a consciência da dimensão dos problemas ambientais existentes ou que se sentem de algum modo representados pelas ONGA. Por outro lado percebem que possuem pouca influência na alteração das políticas em matéria de ambiente ou não possuem tempo para disponibilizar atenção a estas questões a não ser que estas os afectem directamente e interfiram com o seu quotidiano.
Perante este quadro é possível aludir que as ONGA, como entidades de representação social, precisam de reflectir sobre os papéis que vêm assumindo no espaço público, quer como formadores da opinião pública nas questões ambientais, quer como actores de pressão na defesa do ambiente.

Etiquetas: , , , , ,

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Ruralidade em Contexto Insular: a sustentabilidade edificada ao ritmo dos afectos

Foi apresentada e defendida no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores a tese de Mestrado em Educação Ambiental de Eva Maria de Jesus Ferreira Vidal, intitulada " A Ruralidade em Contexto Insular: a sustentabilidade edificada ao ritmo dos afectos". A tese foi orientada pela Professora Cristina Palos do Departamento de Ciências da Educação e o Professor Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias.
O júri foi constituído pelo Doutor Tomaz Lopes Cavalheiro Ponce Dentinho, professor auxiliar da Universidade dos Açores (por designação do Magnífico Reitor), pela Doutora Rosalina Maria de Almeida Gabriel, professora auxiliar da Universidade dos Açores, pelo Doutor António Félix Flores Rodrigues, professor auxiliar da Universidade dos Açores, pela Doutora Ana Cristina Pires Palos, professora auxiliar da Universidade dos Açores e pelo Doutor Abílio Amiguinho, professor adjunto da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre.
Este foi o desafio de lançar um olhar diferente sobre o processo de desenvolvimento do espaço rural que passa por perspectivá-lo com um processo articulado, sistémico e localmente assumido.A investigação empreendida aborda as problemáticas do espaço rural, onde este parece estar a modificar-se ou a reconfigurar-se para poder responder aos desafios da actual sociedade de informação e do conhecimento. Surge da necessidade de analisar o rural na sua variedade e complexidade e de repensar o lugar que ocupa no sistema social regional e global.A interpretação desse universo simbólico - a ruralidade insular – tornou consciente a necessidade de aproveitar as oportunidades do presente para perspectivar directrizes para o futuro.No âmbito da investigação, procurou-se desocultar as características e dinâmicas da ruralidade que se evidenciam na freguesia do Raminho, da ilha Terceira. Exploraram-se as potencialidades do património natural e construído (recursos naturais, físicos, geomorfológicos, humanos, institucionais) e do património cultural (usos e costumes, festividades, tradições)l da freguesia; identificaram-se os principais problemas ou prioridades de intervenção; dão-se a conhecer as dinâmicas culturais e as formas de organização social. Procurou-se também interpretar os sentidos que os seus residentes (incluindo o poder político local) atribuem ao território, como o gerem ou partilham. Procurando contornar as explicações que consideram o “atraso”do rural como obstáculo ao “progresso” e ao desenvolvimento e perpassar as visões reducionistas e dicotómicas entre rural e urbano, campo e cidade, tradicional e moderno, aponta-se para as novas configurações entre estas dimensões e sugere-se a emergência de uma nova visão do rural pela revalorização deste espaço e a construção da ruralidade como modus vivendi, na actualidade.Não deixa de ser interessante verificar a duplicidade de posições em que os espaços rurais têm sido, historicamente, colocados. No passado desencadeavam processos de saída ou repulsão das suas populações, atraídas pelo modo de vida urbano; na actualidade parece estar a acontecer uma inversão deste sentido, constituindo os centros urbanos pólos de repulsão de alguns sectores populacionais que reconquistam o campo (apesar de este movimento ser, obviamente, menos massificado do que o anterior).As afinidades que se estão a evidenciar entre as pessoas e o espaço rural parecem estar associadas ao sentido de perda de identidades nas nossas sociedades que se deve a uma ruptura cada vez mais profunda dos laços entre o espaço e as condições ecológicas de reprodução social e, por outro lado, as dinâmicas socioeconómicas de uso dos recursos.No cenário de uma longa evolução, através da qual o campo reencontra novas funções simbólicas, em que passa a ser apreendido nas suas componentes biofísicas como natureza (como lugar de repouso, de tranquilidade, de contemplação), perde progressivamente a conotação de atraso e de subdesenvolvimento, desvirtuando-se da sua função produtiva (agrícola) para se constituir como natureza intocada, como fruição, em alternativa aos ambientes construídos e artificiais das cidades.Inscreve-se como preocupação deste trabalho a perspectiva da sustentabilidade social, económica, ambiental e cultural do espaço rural em apreço (freguesia do Raminho), perante os desafios presentes e futuros que se lhes deparam.As perspectivas sobre o rural, naquilo que são as suas novas vocações, oscilam entre a persistência de uma visão ainda identificada quase exclusivamente com o crescimento económico, a modernização tecnológica e a identificação da ruralidade com a produção agro-pecuária na procura do permanente aumento de produtividade. O rural, nesta óptica, parece passar mais pela involução em processos de desenvolvimento, posição com a qual discordamos; perfilhamos uma perspectiva de desenvolvimento que seja capaz de compatibilizar tradição e modernidade, incorporando muitos dos valores rurais ou amenidades rurais – como surge na terminologia da OCDE (1993) – como forma de alcançar o crescimento económico, maior bem-estar e melhor qualidade de vida das populações rurais. Do Território às Dinâmicas Demográficas, Económicas e SociaisDe acordo com os resultados dos últimos censos de 2001, a freguesia do Raminho tinha uma população residente de 550 habitantes. Entre 1981 e 2001, ocorreu uma redução de 17% da população residente, o que em termos absolutos representa a perda de 113 pessoas, situação distinta da que aconteceu no concelho e na ilha em que a variação da população residente é positiva. A taxa de analfabetismo verificada na freguesia supera a do concelho. Apenas 7,5 % da população possui o ensino secundário completo, contra cerca de 78% que possui o ensino básico. Numa freguesia onde predomina a faixa etária dos 25-64 anos, existe um baixo nível de qualificação da população, embora se verifica um crescimento pouco significativo da população que frequenta o ensino universitário e que representa 2,4% da população.Enquanto na ilha e no concelho não se verifica, nesta década, uma mudança na estrutura do emprego da população activa, no Raminho essa mudança é bastante notória. O sector secundário e terciário ganham uma importância acrescida na estrutura do emprego da população activa local.O sector primário que integrava, em 1991, 54,2 % da população já só empregava, em 2001, 25,2% dessa população.Os resultados da investigação evidenciam que existe uma sua forte ligação afectiva dos residentes à freguesia.Nota-se que os factores que explicam a vinculação à freguesia fazem referência aos laços matrimoniais, ao emprego local e à história de vida associada ao local: lugar onde habita e onde tem as suas ligações afectivas.As razões que os fazem permanecer no Raminho são os grupos de pertença e as redes de sociabilidade local que prevalecem de uma forma ainda muito significativa.Os indivíduos que valorizam estas dimensões atribuem uma forte conotação às suas raízes.Os habitantes têm a percepção dos aspectos únicos da localidade que permitem distingui-la positivamente das outras, com destaque pela a paisagem, a proximidade com a natureza, a beleza, a calma e a tranquilidade são as características mais significativas que a maioria dos indivíduos entrevistados associam ao Raminho, referindo-se ao espaço deste modo: «É um lugar calmo para se viver, onde as pessoas se sentem bem.» «um estilo de vida tranquilo» sinónimo de qualidade de vida «temos mais qualidade de vida». O que pode explicar estarmos em presença do fenómeno da recriação da ruralidade inserido na filosofia pós-moderna da redescoberta e revalorização do espaço rural.Prevalece o “espírito de lugar” em que a noção de lugar transcende as coordenadas geográficas para “veicular a ideia - e o ideal – de “raízes” e de um “enraizamento”. O património é, acima de tudo, uma representação dos ideais de singularidade e de continuidade. E poderá vir a potenciar ou a funcionar como “vector de novas identidades e de novas sociabilidades e, nesse sentido, ajudar à emergência de novas dinâmicas locais” conducentes ao desenvolvimento ou promoção do lugar. As características das pessoas e das relações interpessoais referidas pela amostra da população.No caso específico da freguesia, a organização social e o tipo de relações estabelecidas localmente apresentam ainda traços comunitários e reflectem bem a prevalência dos valores reconhecidos ao rural, enquanto marcas que perduram inegavelmente no tempo, enquanto códigos culturais transmitidos de geração em geração. O Raminho autodefine-se de modo particular pelo interconhecimento na perspectiva dos entrevistados. A hospitalidade e a capacidade de acolher bem as pessoas são, para metade dos participantes no estudo, valores reconhecidos ao Raminho.Admite-se que as relações de vizinhança e de cooperação são integradas e significantes no quadro de vida da população agora ajustadas a novas concepções e modos de viver. A configuração das relações intergeracionais e o reforço activo dos laços e solidariedades intergeracionais são referidos por um quarto dos entrevistados, em que os saberes ancestrais são legitimados pelos jovens da freguesia, no contexto da diversidade cultural e social actual, em que os múltiplos saberes se cruzam e acontecem no intercâmbio entre os actores sociais. É manifesto, nos discursos verbalizados pela totalidade dos entrevistados, a aceitação dos “intrusos”, principalmente, se forem visitantes e estiverem de passagem. A integração plena dos novos residentes na comunidade apenas é facilitada quando por laços matrimoniais ou situação de emprego na freguesia, ainda que a vinda seja reconhecida como benéfica para o equilíbrio etário da população e surja como uma possibilidade de revitalização demográfica. A tendência das respostas indica também que, a freguesia poderá estar a exercer um novo poder de atractividade, pelas características espaciais e simbólicas que pode oferecer como alternativa aos meios urbanos. No caso particular do Raminho, a execução e melhoria das vias de comunicação e rodoviárias terão contribuído para que este se tenha tornado um lugar mais atractivo, em termos residenciais, porque agora está integrado em circuitos de maior mobilidade que favorecem a aproximação e a ligação a outros lugares, o que torna este espaço mais aberto. Outro aspecto interessante dos resultados obtidos no estudo destas questões resulta de que, ao contrário do que se poderia supor, nenhum dos entrevistados revelou atracção pelo modo de vida dos centros urbanos da ilha, Angra do Heroísmo ou Praia da Vitória. Constata-se, aliás, ser percepção destes indivíduos que a qualidade de vida na sua freguesia é melhor do que na cidade.Uma análise mais detalhada, relativamente à freguesia, permite verificar que existem problemas diferenciados e relevantes a vários níveis. Perspectiva-se para a freguesia a necessidade de impulsionar a diversificação da economia, isto é, a criação de actividades e serviços promotores de emprego na localidade do Raminho, não só para fixar a população como para revitalizar o desenvolvimento local, o que passará ainda pela capacidade de rentabilizar melhor os recursos presentes neste território. Antes de se direccionarem projectos é fundamental saber contextualizá-los, respeitar as idiossincrasias locais e articular a participação dos diferentes intervenientes em propostas de requalificação. É importante o reconhecimento dos seus direitos, experiências, saberes e, principalmente, o entendimento de que são os sujeitos que aí habitam que detêm responsabilidades na manutenção e gestão do seu espaço. Na ânsia de padronizar modelos ou concepções dominantes na nossa sociedade e de materializar planos de acção, estratégias e projectos, orientamo-nos para destinatários idealizados, escusamo-nos a recolher os significados e os sentidos de pensar e de agir, as perspectivas da população acerca dos problemas e das potencialidades do seu território, das suas expectativas e posições. Quando, na verdade, o que é necessário é situar e articular acções que enquadrem uma intervenção coerente daquilo que são os interesses e valores locais.Do ponto de vista do educador ambiental faz todo o sentido uma análise da realidade que não esconda antes enfatize as necessidades e problemas locais, mas não querendo apenas desqualificar ou desvalorizar fragilidades e carências da freguesia, deve-se apostar nas potencialidades, nos recursos e nas mais valias funcionais do espaço e dos seus habitantes, bem como, na mobilização colectiva dos actores locais, como condição necessária ao reconhecimento de um património comum, das raízes, das identidades, das idiossincrasias e, na convicção de que, a plataforma de desenvolvimento tem muitas probabilidades de se desencadear a partir dessa conjugação positiva de sinergias. O (des)envolvimento sustentável do Raminho é possível, assim como também é possível encontrar um sentido de futuro, mas para que uma intervenção local seja aceite e legitimada pela comunidade terá que ser a expressão de um projecto colectivo e mediado em permanência e não resultado da simples imposição a partir de fora, devendo dar-se primazia ao agir com os cidadãos. A lógica da Agenda 21 local parece estar subjacente às ideias professadas pela participantes no estudo. Interessa que as autoridades locais a dinamizem, acreditando-se que, pela manifesta vontade de participação da população, os resultados serão promissores para a sustentabilidade do Raminho.
"Dobra-se a curva da estrada corrente e abre-se uma planície de pastagens rasgadas por uma lâmina de casas. O sol do norte dá-lhe a luminosidade límpida dos tempos e das gentes. A seus pés, o mar não desiste duma posse impossível. Raminho dos Folhadais de seu nome – terra da fertilidade e dos afectos." (Álamo de Oliveira)

Etiquetas: , , , , , , ,

domingo, dezembro 23, 2007

África Annes estudo de riscos

Sismos, radiação electromagnética, touradas, térmitas e obesidade são os riscos que vão ser estudados de forma inédita pela Universidade dos Açores.
Programas de rádio e televisão, workshops, publicações e congressos serão os resultados produzidos por uma equipa de investigação que fará uma abordagem multidisciplinar desses riscos.
O estudo sobre a avaliação e a percepção do risco é o objecto de estudo intitulado “Africa-Annes” que a Universidade dos Açores está de momento a iniciar. O estudo foi financiado pela Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT).
Os trabalhos que envolvem o Departamento de Ciência Agrárias (DCA) e o de Educação (DCE) dos Pólos de Angra do Heroísmo e de Ponta Delgada já arrancaram e vão ter ao longo dos próximos três anos o seu desenvolvimento. À frente da equipa está o investigador do DCA, Félix Rodrigues juntamente com Ana Arroz, Ana Cristina Palos, Emiliana Silva, Rosalina Gabriel, Paulo Borges, Isabel Estrela Melo e Susana Caldeira. O que se pretende não é estudar os fenómenos na sua área de investigação tradicional, mas sim na óptica de como são geridos em termos de informação e de comunicação: “o modo como percepcionamos os riscos influencia a forma de agirmos”, explica ao jornal Félix Rodrigues. “Não queremos que a informação apareça ininteligível pela linguagem científica”.
É por isso que, de forma inédita, os trabalhos do “Africa-Annes” vão envolver não só especialistas da geofísica, da biologia ou da saúde, constituindo-se assim “uma equipa multidisciplinar”. Aqui, a “psicologia vai ter um papel fulcral”, conta-nos, acrescentando: “queremos analisar a forma como se pensa”. Depois, explicou, irá ser materializado toda esta informação em “diferentes estratégias para cada uma das áreas do risco”.
No calendário de actuação do estudo estão já apontadas diversas iniciativas: “temos previstos programas de televisão, programas de rádio, intervenções em jornais, criação de panfletos, publicação de um livro no final do trabalho, publicação de seis artigos em revistas científicas internacionais, oito artigos em revistas nacionais; 10 a 12 comunicações/encontros tanto de âmbito nacional como internacional e a organização de dois workshops, um nacional e outros internacional na ilha Terceira”, anuncia ao nosso jornal.
Para já estão definidos os riscos a serem estudados no âmbito do “Africa-Annes”. Além do risco sísmico “que será tratado na perspectiva da comunicação e da transmissão de informação”, fazem parte da pesquisa o risco de radiação electromagnética de origem natural ou antrópica. Outra das realidades tão conhecidas e populares entre os terceirenses são as touradas. “ao contrário dos riscos que surgem de forma alheia às populações, nas touradas à corda há uma submissão intencional a esse risco ”. O risco da introdução de pragas com ênfase dada às térmitas e o risco da obesidade completam a lista “de áreas muito diferentes” que serão objecto de estudo. No futuro é possível que este conjunto de riscos possa ser aumentado dado o interesse, disse o docente Félix Rodrigues, que se tem verificado: “temos tido manifestações, por parte de diversas pessoas, em participar”.
No final, conta o docente, o que se espera do conjunto de iniciativas a promover é “saber formar para agir sobre os riscos”. “Queremos que os resultados sirvam para os decisores saberem não só comunicarem os riscos à opinião pública como para estabelecerem planos de acção”, disse o investigador. “O objectivo é encontrar ferramentas para apoiar a decisão e a forma de comunicação relativa aos diferentes tipos de risco”. Neste capítulo, a realidade insular revela-se propícia ao trabalho que está já planeado uma vez que a investigação vai incidir sobre riscos com maior propensão a nível regional, mas a realidade nacional também será abordada, “fazendo uso da especificidade da Região que permite isolar determinadas situações risco”. A denominação de “Africa-Annes”, explicou ainda o especialista, deriva de uma personagem literária, proveniente de uma obra da escritora açoriana Madalena Ferran que conta a história de uma mulher, proveniente de Tânger, que chegou aos Açores no século XIV e deparou-se com um conjunto de fenómenos que apresentavam riscos que carecem explicação: “o nome encaixa-se perfeitamente do projecto”.

(In A União)

Etiquetas: , , , , , , , , , , , ,

sábado, outubro 27, 2007

O Mundo das Crianças em colóquio

Destinada a profissionais que lidam com crianças no âmbito da educação, acção social e saúde, a iniciativa visa “propiciar aos adultos um debate em torno do que as crianças pensam sobre as coisas”, sublinha Ana Cristina Palos do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, da organização do evento. “O discurso dominante sobre a criança é feito pelos adultos e baseia-se na forma como os adultos vêem as crianças; neste caso, pretendemos perceber como as crianças vêem os adultos, através da apresentação de uma série de estudos realizados com crianças”, explica a docente. Intitulado “Jibóias, Florestas Virgens e Outros Enigmas: o Mundo das Crianças em Perspectiva”, o colóquio contará com a participação de investigadores nacionais de reconhecido mérito, nomeadamente do Instituto de Estudos da Criança, assim como de um especialista espanhol, para além de docentes do Departamento de Ciências da Educação da Universidade dos Açores, do Campus de Angra do Heroísmo. Em cima da mesa estarão questões relacionadas com discursos sobre a infância e culturas infantis, abordagens metodológicas no estudo da infância, os direitos das crianças e representações e preocupações das crianças sobre o ambiente. Infância e fluência tecnológica, culturas infantis e currículo formal e as perspectivas das crianças sobre a documentação, a família e o planeta Terra serão outros dos temas em discussão. O colóquio internacional é organizado pelos professores Ana Cristina Palos, Ana Moura Arroz e Francisco Sousa, do campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, e secretariado por um grupo de alunos da licenciatura em Educação de Infância da delegação de Angra do Heroísmo do Departamento de Ciências da Educação do estabelecimento de ensino.

(In Diário Insular)

Etiquetas: , , , , ,

quarta-feira, outubro 24, 2007

Jibóias, Florestas Virgens e outros enigmas

Realiza-se no auditório do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, sito ao Pico da Urze no dia 27 de Outubro o Colóquio internacional "Jibóias, florestas virgens e outros enigmas: o mundo das crianças em perspectiva".
O colóquio internacional é organizado pelas Professoras Ana Cristina Palos e Ana Moura Arroz e pelo Professor Francisco Sousa e secretariado por um grupo de alunos da Licenciatura em Educação de Infância da Delegação do Departamento de Ciências da Educação em Angra do Heroísmo. Serão oradores neste evento figuras de reconhecido mérito, de entre as quais se destacam: Júlia Formosinho, Manuel Jacinto Sarmento, Natália Fernandes Soares, Ferran Casas Aznar, Maria Figueiredo, Nelson Gonçalves, entre outros. Este colóquio destina-se a profissionais que lidam com crianças no âmbito da educação, saúde e acção social.


Do Programa consta:
9h00 – 9h30 sessão de Abertura
9h30 – 10h00 Discursos sobre a infância e culturas infantis
(Manuel Jacinto Sarmento)
10h00 – 10h30 Investigação, participação e ética: abordagens metodológicas no estudo da infância (Natália Fernandes Soares)
11h00 – 11h30 Los derechos de los niños vistos por los propios chicos y chicas, los padres y los maestros (Ferran Casas Aznar) 11h30 – 12h00 Imagens do futuro: representações e preocupações das crianças acercado ambiente (Luzia Cordeiro Rodrigues, Ana Moura Arroz e Rosalina Gabriel )
12h00 – 12h30 Infância e fluência tecnológica (Maria Figueiredo & Nelson Gonçalves)
14h30 –15h00 As perspectivas das crianças sobre a documentação (Júlia Formosinho)
15h00 – 15h30 Culturas Infantis e currículo formal (Francisco Sousa)
15h30 –16h00 "Penso que a minha família é boa, esperta e gentil": perspectivas das crianças acerca da família (Ana Cristina Palos e Ana Isabel Santos)
16h00 –16h30 "Do sítio em que vivemos ao planeta lá no céu": perspectivas das crianças sobre a terra (Ana Moura Arroz, Paula Costa, Paula Moniz e Lara Furtado)
16h45 – 17h00 encerramento.
(In Azores Digital)

Etiquetas: , , , , , , ,

quinta-feira, setembro 27, 2007

Ruralidade insular (cidade versus campo)

Foi discutido no I Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países Lusófonos e Galiza, que decorreu em Santiago de Compostela de 24 a 27 de Setembro, um trabalho sobre a ruralidade insular açoriana, de Eva Vidal, Ana Cristina Palos, Félix Rodrigues e Sandra Vidal, docentes e investigadores do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. O principal objectivo desse Congresso foi discutir a contribuição da educação na construção dos valores, bases culturais e bases políticas que sirvam para a promoção de sociedades sustentáveis.
O trabalho intitulado: "A Ruralidade num Contexto de Desenvolvimento Sustentável: potencialidades educativas, turísticas e patrimoniais" resulta de uma investigação levada a cabo pelos autores na freguesia do Raminho na Ilha Terceira, por se considerar ser este o espaço "mais rural" da ilha.

Esse trabalho aborda assim as problemáticas do espaço rural, onde este parece estar a modificar-se ou a reconfigurar-se para poder responder aos desafios da actual sociedade de informação e do conhecimento. Surge da necessidade de analisar o espaço rural na sua variedade e complexidade e de repensar o lugar que ocupa no sistema social regional e global. A partir de uma abordagem transdisciplinar teve como principal finalidade identificar as potencialidades e as dinâmicas locais e perceber a complexa rede de interacções de um conjunto de fenómenos: demográficos, económicos, sociais, culturais e ambientais.
Com este estudo também se pretendeu enquadrar teoricamente algumas questões acerca da problemática do rural: compreendê-lo como local, um tempo e um contexto de interacções, procurando desocultar as características específicas e funções desse espaço.
No âmbito desta investigação, exploraram-se e interpretaram-se as potencialidades do património natural e social do Raminho. Se, por um lado, se apresenta a produção de um conhecimento sistematizado sobre o local, por outro, cria-se a oportunidade para que essa informação perdure e seja aproveitada na educação ou na vertente do turismo. Empreendeu-se o levantamento a nível de: recursos naturais; dinâmicas demográficas e de ocupação do território; condições e modos de vida da população local; dinâmicas culturais existentes. Também se procurou interpretar os sentidos que os seus residentes atribuem ao território, como gerem ou partilham as potencialidades desse espaço, a fim de se compreender como acontece a preservação e transformação do espaço rural insular na actualidade.

As conclusões do estudo remetem para a necessidade de se assumir uma visão territorial e multidimensional na definição de políticas, onde sejam coordenadas medidas e estratégias locais, regionais e nacionais que permeiem os aspectos de ordem social, cultural, económica e ambiental de forma equilibrada.

(In RDP-Açores)

Etiquetas: , , , , , , , , ,

sexta-feira, setembro 07, 2007

Sustainability in Pratice - Conferência Internacional que decorre em Londres

Duas Professoras do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores desenvolveram um projecto de investigação com o propósito de identificar as atitudes ambientais dos açorianos e promover a cidadania pró-activa. Parte dos resultados desta investigação e de outras investigações levadas a cabo por docentes do Departamento de Ciências Agrárias e Ciências da Educação da Universidade dos Açores foram apresentados na Conferência Internacional, realizada em Londres ontem e hoje, dias 6 e 7 de Setembro, intitulada "Sustainability in Practice". No estudo das Professoras Emiliana Silva e Rosalina Gabriel verificou-se que os açorianos mais velhos revelam ter valores ambientais menos significativos do que os outros grupos etários estudados, nas três classes testadas (dos 18 aos 25 anos; dos 26 aos 45 anos e com mais de 45 de idade), o que quer dizer que o seu nível de interesses ambientais é mais baixo do que os mais novos. No entanto, todos os inquiridos revelavam níveis moderados e elevados de valores ambientais.
Outra comunicação apresentada na conferência de Londres, da autoria das Professoras Ana Arroz, Rosalina Gabriel, Cristina Palos e da Mestre Luzia Rodrigues, tinha como título "O nosso futuro desenhado pelas crianças: Imagens ambientais e preocupações". Nessa comunicação, os investigadores referem que a infância é geralmente retratada como um estádio feliz da vida, caracterizado pela existência de um sentido de segurança e de confiança, no entanto, as crianças são capazes de reflectir sobre o mundo e fenómenos abstractos. A comunicação resulta de uma investigação levada a cabo na Universidade dos Açores sobre as perspectivas ambientais das crianças e do futuro, tentando captar as suas expectativas. Notam-se três tendências distintas nas visões das crianças acerca do ambiente e do futuro: 1- Que o mundo mudará devido à tecnologia, sem qualquer concepção negativa do ambiente ou do futuro, 2- Que o ambiente entrará num processo de deterioração, devido ao envelhecimento da terra e aos fenómenos de poluição e 3- Que o mundo será um local cada vez mais arriscado para se viver.
A última comunicação apresentada, da autoria dos Professores Ana Arroz, Cristina Palos, Isabel Estrela Rego e Paulo Borges, centrava-se na análise do esforço necessário e conjunto da Ciência, da Sociedade, Políticos e Media, para gestão adequada do risco de infestação das habitações açorianas por térmitas.Segundo aqueles investigadores, a praga das térmitas nos Açores está longe de ser controlada e que a maioria dos Açorianos não têm uma percepção adequada dos riscos associados a esta praga urbana.

(In Diário dos Açores, Jornal Diário)

Etiquetas: , , , , , , , ,