Açorianos cooperam com SÃO TOMÉ E PRINCÍPE
De 4 a 9 de Abril, reúnem-se em São Tomé e Príncipe especialistas de diversas áreas, com o objectivo de reflectir sobre estratégias de desenvolvimento das comunidades locais a partir de uma realidade insular.
Em debate estarão temas como o combate à pobreza e à exclusão social, o turismo como factor de desenvolvimento, o aproveitamento criativo dos recursos locais ou a educação para o desenvolvimento local. Para além de palestras, o encontro conta ainda com mesas redondas e ateliers.
De acordo com Ana Cristina Palos, do Centro de Estudos Sociais, responsável da Universidade dos Açores, na comissão organizadora do evento, o encontro é sobretudo uma “troca de experiências, tanto a nível teórico como prático”. A profesora destaca ainda as parcerias entre países europeus e africanos.
Participam no evento investigadores de diversos países, de entre eles Portugal, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau e Brasil, assim como as cooperações esponhola e francesa.
Contributo dos açorianos
Para além da Universidade dos Açores, a ROÇAMUNDO tem como parceiros o Centro de Estudos Africanos do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), o NEREA- Investiga, Associação Internacional de Investigadores em Educação Ambiental, e a Universidade Autónoma de Lisboa (UAL).
Participam na iniciativa, da Universidade dos Açores, Eduardo Guimarães, sobre “o desenvolvimento local do turismo e património” e Eva Vidal, sobre “o local como recurso educativo de acção e transformação social”. Também presentes no evento estarão Vasco Garcia que fala sobre o “valor económico da ecologia insular” e Fernando Diogo sobre o “desenvolvimento local no combate à pobreza e à exclusão social”.
Para além dos investigadores da Universidade dos Açores, marcam ainda presença no encontro o Presidente da Câmara Municipal de Velas, António Silveira, sobre o tema “Poder Local, uma âncora do progresso e Álvaro Monjardino, do Instituo Histórico da Terceira, que apresenta como tema o ”Paralelismos entre um estado independente insular e uma região” autónoma insular.
ENCONTRO INTERNACIONAL DE DESENVOLVIMENTO LOCAL: FOCA A PESCA ARTESANAL
João Pedro Barreiros é um dos professores da Universidade dos Açores que marcam presença no evento. A seu cargo fica a dinamização do Centro Turístico Comunitário de Pesca Artesanal, um atelier situado no Cais dos Angolares.
Segundo o professor, o objectivo da actividade é “tentar orientar os pescadores da comunidade para rentabilizarem o resultado das suas pescas com o menos impacto ambiental e mais aproveitamento”.
A iniciativa, segundo João Pedro Barreiros, incluiu ainda o ensino de “técnicas alternativas de pesca, que não dependam de tecnologias”, que embora comuns em Portugal são de difícil acesso para os pescadores de São Tomé.
O professor da Universidade dos Açores tem ainda programada uma palestra, na quarta-feira, dia 8 de Abril, dirigida à comunidade piscatória local. A palestra intitula-se de “Recursos pesqueiros: conservar para manter”.
Ainda que salvaguardando o “rigor científico”, a palestra terá uma linguagem acessível aos pescadores da região, de forma a “dar indicações de alerta” de como podem ser utilizadas as áreas costeiras.
João Pedro Barreiros destaca ainda a falta de conhecimento existente actualmente sobre São Tomé e Príncipe. “É uma região muito importante a nível geográfico e pouco conhecida”, revela.
Para o professor “fundamentalmente é preciso conhecer”, para depois se poder explorar os recursos da região.
(In Diário Insular)
Etiquetas: Cristina Palos, desenvolvimento comunitário, Encontro, Eva Vidal, João Pedro Barreiros, São Tomé e Príncipe
Várias políticas de desenvolvimento foram ensaiadas sem que alguma tivesse o efeito prático desejado, desafiando, deste modo, alguns conceitos e teorias de desenvolvimento económico. Neste contexto, a troca de experiências, tanto teórica como prática, na implementação e desenvolvimento de projectos comunitários promotores da mudança, poderá ser enriquecedora para os que têm estado empenhados em encontrar novos caminhos e soluções para romper as bolsas de pobreza. Por outro lado, é fundamental promovermos e incentivarmos o desenvolvimento de uma cultura de parceria entre agentes nacionais e internacionais, entre o sector público e privado, o poder local e agentes económicos locais, constituindo, deste modo, uma Comunidade de Prática como estratégia para a criação de mecanismos viáveis para o desenvolvimento.
A Feira do desenvolvimento local é um espaço criado no contexto do 1º Encontro Internacional de Desenvolvimento Local para mostrar produtos, proporcionar trocas de experiências e saberes, animação e festa numa perspectiva de enriquecimento do referido evento. A descentralização das actividades permitirá uma maior variedade de intervenientes e oferecerá aos visitantes a possibilidade de conhecer e interagir com diferentes actores do desenvolvimento local. Poderão inscrever-se para participar na FEIRA entidades públicas e privadas, ONGDs, Associações de Desenvolvimentos Local e pessoas singulares nacionais e estrangeiros que se dedicam a actividades que se enquadram no espírito desta iniciativa. As
A insularidade de São Tomé e Príncipe constitui um dos grandes entraves ao desenvolvimento do país e das comunidades. A Associação Roça Mundo, criada para abrir portas para o desenvolvimento local, decidiu organizar o encontro internacional, para definir estratégias e descobrir pistas que possam ajudar as comunidades locais a vencer o subdesenvolvimento.
Interessados/as devem enviar ficha de inscrição, acompanhada de resumo para Olavo Amado, responsável pelo secretariado do evento, nos seguintes endereços
Surpreendeu-nos ouvir o relato de mulheres que têm que pegar num barco para ir lavar roupa noutro lugar porque não podem lavar na ilha. A comunidade tem o direito de ser inserida, ser valorizada, estimulada a vender artesanato, a agregar valores, porque o turista que vem para África quer ver como vivem os Africanos", afirmou a aluna de Mestrado em Educação Ambiental do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, Marcela Sobral. A comunidade está a sofrer uma pressão para sair, estão a ser condicionadas determinadas situações de qualidade de vida, como corte de electricidade, corte da água, como a impossibilidade de se deslocarem para as escolas, porque esse transporte é feito de forma irregular pelo que as crianças não voltam à ilha porque não têm transporte de volta", afirmou a engenheira ambiental Mariana Cruz, outra participante no seminário. O grupo português nega as acusações, pois garante ter construído casas no ilhéu das Rolas para os habitantes quando começou a desenvolver o empreendimento turístico e garante ter apoiado os habitantes do ilhéu que pretendiam sair, nomeadamente, para Porto Alegre, a cidade mais próxima, e apenas acessível de barco, mas que possui posto médico, escola, ensino e empregos. Desde 2004, "o grupo Pestana assegura o alojamento e alimentação aos colaboradores do hotel que habitam no ilhéu, tendo, até ao momento, realizado inúmeras acções de formação profissional", salientou a administração, realçando que, além de existirem colaboradores residentes no ilhéu, outros optaram por morar em Porto Alegre e continuam a trabalhar na unidade turística. As acusações que ecoaram desta vez pela voz de estrangeiros não é nova. Em finais do ano passado, o grupo português equacionava cancelar o contrato de gestão do empreendimento turístico devido a uma "campanha de desinformação na comunicação social" de que disse ser alvo e da "miserável" ocupação desta unidade entre 2006 e 2007. Diante destas alegações, o Governo do primeiro-ministro Joaquim Rafael Branco, que diz "não ter informações sobre o caso", prometeu investigar para apurar a veracidade das acusações dos naturais do ilhéu das Rolas. Confrontado com a questão, Branco disse que "os órgãos competentes do Governo irão tomar conta da ocorrência e, no momento oportuno, daremos a nossa posição". "Que fique claro que queremos desenvolver o turismo em São Tomé e Príncipe, temos muita esperança que o turismo contribua para aliviar a pobreza dos nossos cidadãos, iremos encorajar operadores a virem investir no turismo e, naturalmente, queremos que isso se faça no quadro do respeito pelas leis do nosso país e pelas normas do Direito internacional", garantiu.
