domingo, outubro 26, 2008

Cortes de água sem fins à vista

A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo vai manter, por tempo indeterminado, o plano de cortes no abastecimento de água às populações do concelho.“Não houve qualquer alteração na situação, pelo que se mantêm os cortes”, afirmou ontem a presidente dos Serviços Municipalizados, Sofia Couto, em declarações ao DI, adiantando contudo que, “com a chegada do Inverno, espera-se mais chuva”.Segundo Sofia Couto, “não tem chovido o suficiente para rebentar as nascentes e os caudais mantêm-se como estavam”.De acordo com a responsável, “todos os furos de água estão neste momento em exploração máxima possível”.Quanto ao estudo encomendado recentemente pela autarquia a um especialista na área, Sofia Couto referiu esperar a chegada do respectivo relatório ainda esta semana.Entretanto, Francisco Cota Rodrigues, especialista em recursos hídricos, considera que as hipóteses levantadas recentemente para explicar a falta de água no concelho de Angra, que apontavam para os furos geotérmicos e para o rebentamento de pedreiras como possíveis causas do problema, são “meras especulações”. Para Cota Rodrigues, a explicação para a falta de água nas nascentes que abastecem o concelho está nos baixos níveis de pluviosidade registados nos últimos meses.“Trata-se de meras especulações, na medida em que ninguém tem provas de nada”, afirma, defendendo, no entanto, a “necessidade de detectar as causas do problema”.Em relação às pedreiras, o especialista diz não acreditar que “as vibrações resultantes dos rebentamentos afectem o aquífero do Cabrito”.Quanto aos furos geotérmicos, admite que “podem afectar” as reservas de água, mas sublinha que, aquando dos planos de perfuração, “foram salvaguardadas as medidas necessárias para evitar eventuais fugas de água”.No entender do professor universitário, “o grande problema são as baixas precipitações, agravadas pelas temperaturas anomalamente altas que se verificaram este Verão”.“Em Março, que é um mês determinante para a recarga do aquífero do Cabrito, choveu muito pouco”, disse.“Em Setembro, a precipitação foi também extremamente baixa e, em Outubro, verifica-se a mesma situação”, acrescentou, salientando que “os caudais naturalmente ressentem-se disso, fazendo com que a recarga da água no aquífero demore”.

(In Diário Insular)

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segunda-feira, agosto 11, 2008

Chumbo no solo da Terceira

Milhares de quilómetros de fios revestidos a chumbo estão enterrados na ilha Terceira e são considerados um perigo para a saúde pública.
Milhares de quilómetros de fios revestidos a chumbo estão enterrados na ilha Terceira e pertencem a sistemas desactivados da Base das Lajes e que foram utilizados pelas Forças Armadas norte-americanas. Os peritos consideram o chumbo um perigo para a saúde pública e um verdadeiro atentado ao meio-ambiente, porque se trata de um metal contaminante. Segundo Félix Rodrigues, da Universidade dos Açores, as leis europeias mandam que esse metal seja gerido, para não prejudicar o ambiente. Para o professor universitário, a única solução é retirar esse tipo de material do subsolo da ilha Terceira e fazer-se uma gestão adequada, segundo as normas impostas pela Europa.

(In Armando Mendes / Carlos Tavares RTP-RDP Açores)

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terça-feira, maio 20, 2008

Characterisation of a basin mire in the Azores archipelago

The Azores archipelago in the North Atlantic is an extremely important area for biodiversity because it is rich in rare species and habitats, and almost undisturbed. The Lagoa do Madruga is a small basin mire located at 956 m a.s.l. on Santa Bárbara Mountain, Terceira Island. It is an extremely good example of a peatland type that was first discovered in 1998, and has not previously been described in the international literature. This paper provides baseline information on its flora, vegetation communities, structure and hydrology. Thirty-one plant species including eight Sphagnum species and nine endemic vascular plants have been recorded, and four plant communities are distinguished. The maximum peat depth is three metres.
The mire receives flowing water from its margins and from a small stream entering at its eastern end, in addition to intercepted precipitation and fog. The accumulated water forms pools and soakways which feed other wetlands downstream. The conservation status of the mire is good, but it is subject to increasing pressure from garbage generated during maintenance operations at a nearby antenna array.
The Lagoa do Madruga (Madruga’s Mire) is a typical example of the basin mires on Terceira Island in that it has a marginal community which is dominated by Juniperus brevifolia (Seub.) Antoine. Three additional plant communities have been identified, two dominated by Sphagnum (pools and lawn) and one by Eleocharis multicaulis (Sm.) Desv (lawn).
This is an extremely important Azorean Natura 2000 site because it is the largest (32,760 m2) basin mire on Santa Bárbara Mountain, it is rich in rare species (biodiversity) and habitats, and it
is almost undisturbed. The flora includes nine endemic species, two of which are regarded as rare; and the full list of 31 species contains no exotic species for the island, underlining the natural condition of the mire. The only threat to the site arises from rubbish disposal, and this should be addressed.
The mire is also an important landform for water retention due to the surface relief, the properties of Sphagnum and the depth of peat. This function is especially important on islands with limited water resources. The water supply to the mire consists predominantly of direct precipitation and intercepted fog with low concentrations of plant nutrients; but the shrub-dominated marginal community also receives drainage from the surrounding hillsides, which is richer in nutrients.
Given the importance of peatlands, even if viewed no more widely than at regional scale, this first detailed description of an Azorean Sphagnum mire is long overdue. It provides a starting-point for building an understanding of these complex habitats, but also reveals an urgent need for the acquisition of further knowledge to support measures for their conservation. However, the fact that most of the Terceira Island mires lie within Natura 2000 areas is likely to favour their conservation and study.

(In E. Dias and C. MendesMires and Peat, Volume 2 (2007), Article 08)

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sexta-feira, maio 02, 2008

Contaminação da base das Lajes

As zonas contaminadas na ilha Terceira, devido ao funcionamendo da Base aérea das Lajes, preocupam a comunidade cientifica açoriana, uma vez que as zonas de contaminação detectadas estão proximas de aquíferos e poços de água para consumo humano, animal e irrigação de terrenos. Os especialistas são unânimes em considerar muito grave toda a situação e afirmam que, o que de facto, está é perigo é a própria vida humana. Félix Rodrigues, especialista em ambiente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, conferiu todas as análises e ficou sem dúvidas: é a saúde humana que está em causa.O aquífero de base da ilha Terceira pode vir a ser considerado interdito, pelo menos, as áreas de maior extracção, que são as mais contaminadas. Mas, para já, é necessário interditar culturas e pastoreio nos terrenos contaminados. No entanto, pode ser ainda possível tentar com êxito a descontaminação dos solos e da água na ilha Terceira, apesar de ser uma tarefa de custos incalculáveis, mas o primeiro passo considera aquele especialista, é encarar o problema e deixar de mentir à população. Félix Rodrigues defende que a descontaminação ainda pode ser tentada, o mesmo entendendo o perito em ambiente, Orlando Lima, que avisa para o facto de a tecnologia para o efeito ser muito cara, mas encontrar-se disponível.
Armando Mendes / Carlos Tavares

(In RDP-Açores)

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Ruralidade em Contexto Insular: a sustentabilidade edificada ao ritmo dos afectos

Foi apresentada e defendida no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores a tese de Mestrado em Educação Ambiental de Eva Maria de Jesus Ferreira Vidal, intitulada " A Ruralidade em Contexto Insular: a sustentabilidade edificada ao ritmo dos afectos". A tese foi orientada pela Professora Cristina Palos do Departamento de Ciências da Educação e o Professor Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias.
O júri foi constituído pelo Doutor Tomaz Lopes Cavalheiro Ponce Dentinho, professor auxiliar da Universidade dos Açores (por designação do Magnífico Reitor), pela Doutora Rosalina Maria de Almeida Gabriel, professora auxiliar da Universidade dos Açores, pelo Doutor António Félix Flores Rodrigues, professor auxiliar da Universidade dos Açores, pela Doutora Ana Cristina Pires Palos, professora auxiliar da Universidade dos Açores e pelo Doutor Abílio Amiguinho, professor adjunto da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre.
Este foi o desafio de lançar um olhar diferente sobre o processo de desenvolvimento do espaço rural que passa por perspectivá-lo com um processo articulado, sistémico e localmente assumido.A investigação empreendida aborda as problemáticas do espaço rural, onde este parece estar a modificar-se ou a reconfigurar-se para poder responder aos desafios da actual sociedade de informação e do conhecimento. Surge da necessidade de analisar o rural na sua variedade e complexidade e de repensar o lugar que ocupa no sistema social regional e global.A interpretação desse universo simbólico - a ruralidade insular – tornou consciente a necessidade de aproveitar as oportunidades do presente para perspectivar directrizes para o futuro.No âmbito da investigação, procurou-se desocultar as características e dinâmicas da ruralidade que se evidenciam na freguesia do Raminho, da ilha Terceira. Exploraram-se as potencialidades do património natural e construído (recursos naturais, físicos, geomorfológicos, humanos, institucionais) e do património cultural (usos e costumes, festividades, tradições)l da freguesia; identificaram-se os principais problemas ou prioridades de intervenção; dão-se a conhecer as dinâmicas culturais e as formas de organização social. Procurou-se também interpretar os sentidos que os seus residentes (incluindo o poder político local) atribuem ao território, como o gerem ou partilham. Procurando contornar as explicações que consideram o “atraso”do rural como obstáculo ao “progresso” e ao desenvolvimento e perpassar as visões reducionistas e dicotómicas entre rural e urbano, campo e cidade, tradicional e moderno, aponta-se para as novas configurações entre estas dimensões e sugere-se a emergência de uma nova visão do rural pela revalorização deste espaço e a construção da ruralidade como modus vivendi, na actualidade.Não deixa de ser interessante verificar a duplicidade de posições em que os espaços rurais têm sido, historicamente, colocados. No passado desencadeavam processos de saída ou repulsão das suas populações, atraídas pelo modo de vida urbano; na actualidade parece estar a acontecer uma inversão deste sentido, constituindo os centros urbanos pólos de repulsão de alguns sectores populacionais que reconquistam o campo (apesar de este movimento ser, obviamente, menos massificado do que o anterior).As afinidades que se estão a evidenciar entre as pessoas e o espaço rural parecem estar associadas ao sentido de perda de identidades nas nossas sociedades que se deve a uma ruptura cada vez mais profunda dos laços entre o espaço e as condições ecológicas de reprodução social e, por outro lado, as dinâmicas socioeconómicas de uso dos recursos.No cenário de uma longa evolução, através da qual o campo reencontra novas funções simbólicas, em que passa a ser apreendido nas suas componentes biofísicas como natureza (como lugar de repouso, de tranquilidade, de contemplação), perde progressivamente a conotação de atraso e de subdesenvolvimento, desvirtuando-se da sua função produtiva (agrícola) para se constituir como natureza intocada, como fruição, em alternativa aos ambientes construídos e artificiais das cidades.Inscreve-se como preocupação deste trabalho a perspectiva da sustentabilidade social, económica, ambiental e cultural do espaço rural em apreço (freguesia do Raminho), perante os desafios presentes e futuros que se lhes deparam.As perspectivas sobre o rural, naquilo que são as suas novas vocações, oscilam entre a persistência de uma visão ainda identificada quase exclusivamente com o crescimento económico, a modernização tecnológica e a identificação da ruralidade com a produção agro-pecuária na procura do permanente aumento de produtividade. O rural, nesta óptica, parece passar mais pela involução em processos de desenvolvimento, posição com a qual discordamos; perfilhamos uma perspectiva de desenvolvimento que seja capaz de compatibilizar tradição e modernidade, incorporando muitos dos valores rurais ou amenidades rurais – como surge na terminologia da OCDE (1993) – como forma de alcançar o crescimento económico, maior bem-estar e melhor qualidade de vida das populações rurais. Do Território às Dinâmicas Demográficas, Económicas e SociaisDe acordo com os resultados dos últimos censos de 2001, a freguesia do Raminho tinha uma população residente de 550 habitantes. Entre 1981 e 2001, ocorreu uma redução de 17% da população residente, o que em termos absolutos representa a perda de 113 pessoas, situação distinta da que aconteceu no concelho e na ilha em que a variação da população residente é positiva. A taxa de analfabetismo verificada na freguesia supera a do concelho. Apenas 7,5 % da população possui o ensino secundário completo, contra cerca de 78% que possui o ensino básico. Numa freguesia onde predomina a faixa etária dos 25-64 anos, existe um baixo nível de qualificação da população, embora se verifica um crescimento pouco significativo da população que frequenta o ensino universitário e que representa 2,4% da população.Enquanto na ilha e no concelho não se verifica, nesta década, uma mudança na estrutura do emprego da população activa, no Raminho essa mudança é bastante notória. O sector secundário e terciário ganham uma importância acrescida na estrutura do emprego da população activa local.O sector primário que integrava, em 1991, 54,2 % da população já só empregava, em 2001, 25,2% dessa população.Os resultados da investigação evidenciam que existe uma sua forte ligação afectiva dos residentes à freguesia.Nota-se que os factores que explicam a vinculação à freguesia fazem referência aos laços matrimoniais, ao emprego local e à história de vida associada ao local: lugar onde habita e onde tem as suas ligações afectivas.As razões que os fazem permanecer no Raminho são os grupos de pertença e as redes de sociabilidade local que prevalecem de uma forma ainda muito significativa.Os indivíduos que valorizam estas dimensões atribuem uma forte conotação às suas raízes.Os habitantes têm a percepção dos aspectos únicos da localidade que permitem distingui-la positivamente das outras, com destaque pela a paisagem, a proximidade com a natureza, a beleza, a calma e a tranquilidade são as características mais significativas que a maioria dos indivíduos entrevistados associam ao Raminho, referindo-se ao espaço deste modo: «É um lugar calmo para se viver, onde as pessoas se sentem bem.» «um estilo de vida tranquilo» sinónimo de qualidade de vida «temos mais qualidade de vida». O que pode explicar estarmos em presença do fenómeno da recriação da ruralidade inserido na filosofia pós-moderna da redescoberta e revalorização do espaço rural.Prevalece o “espírito de lugar” em que a noção de lugar transcende as coordenadas geográficas para “veicular a ideia - e o ideal – de “raízes” e de um “enraizamento”. O património é, acima de tudo, uma representação dos ideais de singularidade e de continuidade. E poderá vir a potenciar ou a funcionar como “vector de novas identidades e de novas sociabilidades e, nesse sentido, ajudar à emergência de novas dinâmicas locais” conducentes ao desenvolvimento ou promoção do lugar. As características das pessoas e das relações interpessoais referidas pela amostra da população.No caso específico da freguesia, a organização social e o tipo de relações estabelecidas localmente apresentam ainda traços comunitários e reflectem bem a prevalência dos valores reconhecidos ao rural, enquanto marcas que perduram inegavelmente no tempo, enquanto códigos culturais transmitidos de geração em geração. O Raminho autodefine-se de modo particular pelo interconhecimento na perspectiva dos entrevistados. A hospitalidade e a capacidade de acolher bem as pessoas são, para metade dos participantes no estudo, valores reconhecidos ao Raminho.Admite-se que as relações de vizinhança e de cooperação são integradas e significantes no quadro de vida da população agora ajustadas a novas concepções e modos de viver. A configuração das relações intergeracionais e o reforço activo dos laços e solidariedades intergeracionais são referidos por um quarto dos entrevistados, em que os saberes ancestrais são legitimados pelos jovens da freguesia, no contexto da diversidade cultural e social actual, em que os múltiplos saberes se cruzam e acontecem no intercâmbio entre os actores sociais. É manifesto, nos discursos verbalizados pela totalidade dos entrevistados, a aceitação dos “intrusos”, principalmente, se forem visitantes e estiverem de passagem. A integração plena dos novos residentes na comunidade apenas é facilitada quando por laços matrimoniais ou situação de emprego na freguesia, ainda que a vinda seja reconhecida como benéfica para o equilíbrio etário da população e surja como uma possibilidade de revitalização demográfica. A tendência das respostas indica também que, a freguesia poderá estar a exercer um novo poder de atractividade, pelas características espaciais e simbólicas que pode oferecer como alternativa aos meios urbanos. No caso particular do Raminho, a execução e melhoria das vias de comunicação e rodoviárias terão contribuído para que este se tenha tornado um lugar mais atractivo, em termos residenciais, porque agora está integrado em circuitos de maior mobilidade que favorecem a aproximação e a ligação a outros lugares, o que torna este espaço mais aberto. Outro aspecto interessante dos resultados obtidos no estudo destas questões resulta de que, ao contrário do que se poderia supor, nenhum dos entrevistados revelou atracção pelo modo de vida dos centros urbanos da ilha, Angra do Heroísmo ou Praia da Vitória. Constata-se, aliás, ser percepção destes indivíduos que a qualidade de vida na sua freguesia é melhor do que na cidade.Uma análise mais detalhada, relativamente à freguesia, permite verificar que existem problemas diferenciados e relevantes a vários níveis. Perspectiva-se para a freguesia a necessidade de impulsionar a diversificação da economia, isto é, a criação de actividades e serviços promotores de emprego na localidade do Raminho, não só para fixar a população como para revitalizar o desenvolvimento local, o que passará ainda pela capacidade de rentabilizar melhor os recursos presentes neste território. Antes de se direccionarem projectos é fundamental saber contextualizá-los, respeitar as idiossincrasias locais e articular a participação dos diferentes intervenientes em propostas de requalificação. É importante o reconhecimento dos seus direitos, experiências, saberes e, principalmente, o entendimento de que são os sujeitos que aí habitam que detêm responsabilidades na manutenção e gestão do seu espaço. Na ânsia de padronizar modelos ou concepções dominantes na nossa sociedade e de materializar planos de acção, estratégias e projectos, orientamo-nos para destinatários idealizados, escusamo-nos a recolher os significados e os sentidos de pensar e de agir, as perspectivas da população acerca dos problemas e das potencialidades do seu território, das suas expectativas e posições. Quando, na verdade, o que é necessário é situar e articular acções que enquadrem uma intervenção coerente daquilo que são os interesses e valores locais.Do ponto de vista do educador ambiental faz todo o sentido uma análise da realidade que não esconda antes enfatize as necessidades e problemas locais, mas não querendo apenas desqualificar ou desvalorizar fragilidades e carências da freguesia, deve-se apostar nas potencialidades, nos recursos e nas mais valias funcionais do espaço e dos seus habitantes, bem como, na mobilização colectiva dos actores locais, como condição necessária ao reconhecimento de um património comum, das raízes, das identidades, das idiossincrasias e, na convicção de que, a plataforma de desenvolvimento tem muitas probabilidades de se desencadear a partir dessa conjugação positiva de sinergias. O (des)envolvimento sustentável do Raminho é possível, assim como também é possível encontrar um sentido de futuro, mas para que uma intervenção local seja aceite e legitimada pela comunidade terá que ser a expressão de um projecto colectivo e mediado em permanência e não resultado da simples imposição a partir de fora, devendo dar-se primazia ao agir com os cidadãos. A lógica da Agenda 21 local parece estar subjacente às ideias professadas pela participantes no estudo. Interessa que as autoridades locais a dinamizem, acreditando-se que, pela manifesta vontade de participação da população, os resultados serão promissores para a sustentabilidade do Raminho.
"Dobra-se a curva da estrada corrente e abre-se uma planície de pastagens rasgadas por uma lâmina de casas. O sol do norte dá-lhe a luminosidade límpida dos tempos e das gentes. A seus pés, o mar não desiste duma posse impossível. Raminho dos Folhadais de seu nome – terra da fertilidade e dos afectos." (Álamo de Oliveira)

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sexta-feira, janeiro 18, 2008

Agricultura biológica está a ganhar espaço

A agricultura biológica está lentamente a conquistar interessados na Terceira.Trata-se de uma agricultura que não faz uso de produtos químicos sintéticos, nem de pesticidas artificiais, para a produção de todo o tipo de frutas, vegetais, incluindo ervas aromáticas e ovos. Com uma nova loja a comercializar produtos biológicos no mercado de Angra do Heroísmo, a suscitar a curiosidade da população, nomeadamente dos jovens e dos idosos, Francisco Diniz, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e responsável por este projecto, refere que com a abertura do novo espaço pretende-se «por em contacto os consumidores e ao mesmo tempo incentivar os produtores deste género de agricultura», uma vez que a realidade do mercado dos produtos biológicos é «praticamente inexistente» na ilha Terceira. O empresário acrescenta que havia uma faixa etária interessada, mas que não encontrava os produtos com regularidade. Neste sentido Francisco Diniz considera que há «poucos produtores e pouco produzem», não existindo mesmo mais do que meia dúzia. Embora destes apenas três ou quatro estão a produzir com uma certa dimensão, e refere a «Bio Fontinhas e a "Bio Biscoitos". Questionado sobre os incentivos governamentais existentes sobre esta matéria, o empresário defende «o trabalho independente», sendo que em termos de economia «as coisas devem existir porque há consumidores». Contudo, acrescenta, «no arranque do negócio faz sentido os apoios financeiros, mas não criando qualquer tipo de dependência». Aliás, diz ainda Francisco Diniz, as pessoas envolvidas na agricultura biológica tentam sempre ser o mais auto-suficientes possíveis em relação ao exterior «reduzindo os “in-puts”, menos adubos, menos pesticidas» e tentando arranjar soluções «dentro do nosso espaço e da nossa parcela». Desde há dois anos para cá Francisco Diniz diz que a curiosidade das pessoas aumentou em relação aos produtos biológicos, mas quanto a perspectivas futuras nada poderá adiantar. No que concerne a preços, adianta o empresário, a tendência «é para que os produtos biológicos sejam mais caros», sendo que no Continente atingem «valores exorbitantes». Em contrapartida, aqui na ilha, «tentamos que os preços sejam acessíveis» dado que as pessoas não possuem muito poder de compra, acrescenta.
A cooperativa de produtos biológicos foi criada em 2001 e envolveu na altura 17 pessoas. Mas na prática «adormeceu» e nenhum projecto acabou por ser desenvolvido. Actualmente com este novo projecto, explicou Francisco Diniz, havia duas hipóteses, em que uma consistia em «criar uma cooperativa nova e a outra em activar a já existente». O empresário adiantou que no final do mês de Janeiro está previsto uma reunião com a assembleia-geral, no sentido de dar continuidade ao projecto inicial. Esta cooperativa é ao mesmo tempo de consumidores e de produtores, o que nas palavras de Francisco Diniz, trata-se de um modo «perfeito» para o funcionamento do projecto.
Intuitivamente percebemos que um produto que não leva adubos nem pesticidas, para ter uma velocidade de crescimento mais rápido, só poderá ser mais saudável, refere Francisco Diniz. Geralmente dentro da família, explica o empresário, o padrão observado são os bebés, «porque os pais querem o melhor para os filhos». A partir dali seguem os hábitos e o consumo de alimentos mais benéficos. Pelas mesmas razões o impacto da utilização da agricultura biológica será menor para o ambiente do que a convencional.


(In A União)

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quarta-feira, dezembro 19, 2007

A ilha Terceira precisa de consciência Ambiental

Os terceirenses precisam, urgentemente, de uma consciência ambiental semelhante àquela que desenvolveram em relação aos desastres naturais. Esta é a principal conclusão de uma tese de mestrado em Educação Ambiental da autoria de Lúcia Silveira, defendida recentemente no campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. Intitulado “Aprender com a História: modos de interacção com a natureza na ilha Terceira do povoamento ao século XX”, o trabalho estuda a evolução da relação do homem com a natureza na ilha Terceira, desde o povoamento até ao século passado. Segundo a investigação, “a flora natural da ilha Terceira, procedente da vegetação ancestral africana e das antigas comunidades do sul da Europa e da América do período Terciário, configura-se como uma autêntica relíquia de um passado remoto e constitui um património de grande valor pelo seu carácter paleoendémico”. A tese sublinha, no entanto, que “com o passar do tempo, acentuou-se o desgaste ambiental, sobretudo no final do século XX, quando o progresso económico e tecnológico permitiu ao homem conquistar as zonas mais inacessíveis do interior da ilha e transformar em pastagem todos os espaços disponíveis, deixando escassos refúgios à vegetação endémica e destruindo ecossistemas preciosos para a preservação da qualidade de vida dos residentes”. Refere também que “a par da pressão antrópica sobre a natureza, coexistiu outra faceta desta relação – os fenómenos naturais sobre as vivências e práticas humanas”. De acordo com o trabalho, “desastres mais recentes mostram uma maturação social e política face a estes problemas, reflectida na compreensão da responsabilidade humana na prevenção e minimização dos danos resultantes de uma catástrofe natural e materializada na implementação de medidas de protecção que envolvem diversas vertentes”. No entender da autora, urge, assim, que “uma consciência semelhante se desenvolva em relação aos problemas ambientais e ao património natural, um processo que pode exigir que os terceirenses se ‘reaproximem’ do seu meio, reaprendendo a preocupar-se com os efeitos das suas acções e com as necessidades futuras e desenvolvendo uma atitude activa de protecção da natureza”.

(In Diário Insular)

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terça-feira, dezembro 18, 2007

Terceirenses acreditam no poder das plantas

Há necessidade de recolha e registo do potencial medicinal de várias plantas utilizadas pelos terceirenses no seu dia-a-dia. Esta foi uma das principais conclusões de uma tese de mestrado em Educação Ambiental, orientada pelo Prof. Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e pela Profª Maria de los Angeles Mendiola Ubillos da Universidad Técnica de Madrid, defendida recentemente por Cristina de Fátima Sousa Mendonça, no campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. Intitulado “Etnobotânica da Ilha Terceira: Recordar o Passado para Sustentar o Futuro”, o trabalho pretendeu registar os conhecimentos dos terceirenses sobre os múltiplos benefícios do uso das plantas, bem como as suas práticas quotidianas no que se refere à sua utilização medicinal, quer do ponto de vista da profilaxia quer da prevenção de doenças. Através de entrevistas a indivíduos de ambos os sexos, com mais de 65 anos de idade, Cristina Mendonça concluiu que “existem pessoas detentoras de conhecimentos ancestrais acerca das propriedades, sobretudo medicinais, de algumas plantas, e usufruem das mesmas, no seu quotidiano”. “Esses conhecimentos, muitos deles com séculos de existência, não figuram, contudo, em fontes escritas, sendo normalmente transmitidos por via oral, de pais para filhos”, lamenta, defendendo que “educar passa pela inovação, mas também pela recuperação de conhecimentos, ainda mais tratando-se de conhecimentos tão antigos, que já deram provas da sua validação”. Neste trabalho, foram recolhidas informações sobre 44 espécies de plantas utilizadas na Terceira para fins medicinais, designadamente agrião, alecrim, arruda, bálsamo da parede, camarão, cidreira, erva de São Roberto, eucalipto, amor-de-hortelão, louro das ilhas, cedro do mato, erva-cavalinha e saramago, entre muitas outras. Este é o terceiro estudo realizado no arquipélago dos Açores e o quarto no país sobre etnobotânica - ciência que, ligada à botânica e à antropologia, estuda as interacções entre os indivíduos e as plantas, nomeadamente as suas aplicações e usos tradicionais.

(In Diário Insular)

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segunda-feira, dezembro 17, 2007

Produção de frutos fora de tempo na ilha Terceira

Estão a nascer goiabas e araçás nos pomares da Terceira. É a segunda vez que as árvores produzem frutos este ano.

Algumas espécies de árvores de frutos estão a produzir duas vezes por ano. Um pouco por toda a ilha há árvores com goiabas e araçás quando esse tipo de frutos surge apenas até ao final do Verão. Existem, também, figueiras que estão a florescer quando tal apenas deveria acontecer na próxima Primavera. Em muitos casos é a segunda vez que as árvores produzem frutos este ano, situação que é pouco normal, tal como acontece com outro tipo de florestação, como é o caso da Cryptomeria japonica que também está a produzir novamente pólen. Ainda não existe uma explicação com fundamentação científica para o fenómeno, mas tudo indica que se trata de uma consequência das alterações climáticas.

De acordo com o investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Félix Rodrigues, as altas temperaturas que se verificam nesta época do ano podem ser a causa do fenómeno. “Estamos em Dezembro e as temperaturas do ar chegam a atingir cerca de 20 graus, situação que não é normal”, refere.

Félix Rodrigues considera que, em alguns casos, as árvores que estão agora a produzir pela segunda vez podem não resistir a esse esforço excessivo por falta de energia. No entanto, reconhece, este é um fenómeno recente e que sem estudos científicos “não será fácil saber o que vai acontecer a essas árvores”. As alterações climáticas estão também a ter consequências nos ciclos de produção da vinha dos Açores, o que tem levado os produtores a efectuar a vindimas antecipadamente. O presidente da Fruter, Fernando Sieuve Meneses, assegura que a irregularidade de produção de fruta acontece noutras épocas do ano, especialmente com os citrinos.

(In Diário Insular)

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sábado, dezembro 01, 2007

Investigar o passado

No passado mês de Outubro de 2007, teve lugar a assinatura do Protocolo de colaboração entre a Direcção Regional da Cultura (DRaC) e o Centro de Investigação de Recursos Naturais da Universidade dos Açores (CIRN), que visa regular a cooperação entre ambas as partes. Em concreto, esta cooperação tem em vista a identificação de vestígios humanos de contextos arqueológicos, promovendo e seu estudo e protecção na Região Autónoma dos Açores. O protocolo agora assinado teve a sua origem no interesse mútuo das partes envolvidas nas ossadas que habitualmente são recuperadas em intervenções arqueológicos, sobretudo naquelas que afectam edifícios religiosos e cemitérios antigos. Por um lado, estes vestígios enquadram-se no âmbito do património arqueológico, sob o qual a Direcção Regional da Cultura tem competências na gestão, estudo, protecção e divulgação, e por outro lado, nos objectivos do Centro de Investigação de Recursos Naturais (CIRN) da Universidade dos Açores, que tem como uma das suas metas desenvolver projectos de investigação interdisciplinares relacionados com a caracterização biológica das populações humanas dos Açores. Neste sentido, a análise dos restos esqueléticos humanos é de grande interesse nos estúdios bio-antropológicos pois estes constituem um dos mais valiosos testemunhos do nosso passado. Questões importantes referentes à origem e evolução das populações do arquipélago açoriano, assim como questões demográficas e epidemiológicas das populações antigas das ilhas podem ser abordadas com o estudo dos vestígios antropológicos açorianos, uma linha de trabalho inédita na Região. Para acolher este projecto, o CIRN e o Departamento de Biologia da Universidade dos Açores criaram um Laboratório de Análises Paleoantropológicas, com os recursos técnicos e humanos necessários para fazer face ao levantamento e estudo de vestígios esqueléticos humanos no contexto arqueológico. O protocolo estabelecido entre a DRaC e a Universidade dos Açores foi inicialmente testado com a recente intervenção arqueológica em Fonte Bastardo (Localidade da ilha Terceira), e será posto em prática pela primeira vez com o estudo dos vestígios humanos recuperados da intervenção arqueológica no Convento de São Gonçalo (Angra do Heroísmo, Terceira). Durante a mencionada intervenção, realizada pela empresa ERA- arqueologia durante a primeira metade do ano 2007, foram recuperados os restos esqueléticos de aproximadamente 20 indivíduos que foram enterrados no dito convento durante os séculos XVI a XVIII. O estudo deste material trará informação muito valiosa sobre parâmetros demográficos, genéticos e epidemiológicos das comunidades humanas nos primórdios do povoamento de Angra do Heroísmo.

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segunda-feira, novembro 26, 2007

Interessar os jovens de hoje é mais dificil do que outrora

O Dr. Aurélio Fonseca, antigo Secretário Regional da Educação e professor na Escola Básica e Secundária Padre Jerónimo Emiliano de Andrade afirma, no âmbito das actividades levadas a cabo pelo Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores na Semana Nacional da Ciência e Tecnologia, que é mais difícil agora do que outrora, interessar os jovens de hoje pelas questões da ciência e tecnologia.
Diário Insular (DI)- A Universidade dos Açores promoveu até ao domingo passado, a Semana da Ciência e Tecnologia que previa a realização de dezenas de conferências que tiveram que ser canceladas por falta de interesse das escolas e do público em geral. Como se explica que em plena sociedade do conhecimento seja cada vez maior o desinteresse por este tipo de iniciativas?

Aurélio Fonseca (AF)-Não creio, pela diversidade de iniciativas que, ao longo do ano lectivo, são levadas a cabo numa escola secundária como a Jerónimo Emiliano, que estabelece, com êxito, parcerias com as mais diversas entidades e especialistas, que haja desinteresse por esse tipo de iniciativas, especialmente no âmbito da Ciência e da Tecnologia. São, pelo contrário, bem-vindas e acolhidas com empenho e agrado generalizado pela comunidade educativa.

DI-Considera que da parte da comunidade educativa a que está ligado deveria haver maior motivação para participar nesse tipo de iniciativas, que estão alicerçadas na experiência educativa e científica da Universidade dos Açores?

AF-Temos mantido com o Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores um óptimo e profícuo relacionamento, procurando tirar o maior partido da enorme mais-valia que representa a sua existência e conceituada actuação entre nós. Pela parte que nos diz respeito, termos dado oportunidade de, no espaço de tempo em questão, se realizarem as conferências que cá tiveram lugar, demonstra que a Escola está atenta à oferta e, pelos vistos ao arrepio de outras escolas e do público em geral, até tem correspondido minimamente às solicitações que lhe são presentes.

DI-Nas conferências que se realizaram no âmbito da Semana da Ciência e Tecnologia foi notório o desinteresse de grande parte dos alunos em relação aos conteúdos apresentados pelos docentes da Universidade dos Açores. A que se deve esse desinteresse dos mais novos pelos temas relacionados com a ciência?

AF-De entre os 2600 alunos que a Jerónimo Emiliano alberga, cerca de 1400 são alunos do ensino básico, distribuídos por 47 turmas. O maior ou menor interesse, atenção e comportamento dessa enorme heterogeneidade de discentes leva a que, por vezes, existam grupos de 4 ou 5 turmas, que são chamadas a participar nessas iniciativas, que sejam mais ou menos aplicadas e interventivas. Não se deve é generalizar que os mais novos não se motivam por estas temáticas, pois temos muitos casos que atestam o contrário, nomeadamente o ganhar o galardão e a bandeira do Eco-Escolas ou o participar activamente nos programas Eurolifenet ou Escola, Ambiente e Vida.

DI-Qual a estratégia que as escolas devem adoptar para motivar os alunos para esse tipo de temáticas?

AF-A motivação passa nomeadamente pela actualidade dos temas, pela linguagem utilizada, adequada ao nível etário, de competências e de conhecimentos dos alunos, pelo recurso às tecnologias da informação e da comunicação e, sobretudo, pela necessidade dos docentes terem sempre presente que os jovens de hoje têm um acesso imediato, global e multifacetado a todo o tipo de saber e de saber-fazer, razão pela qual, às vezes, não estão tão atentos como se verificava com as gerações anteriores, para quem os professores e os livros constituíam a principal fonte de informação e de transmissão de conhecimentos.

(In Diário Insular)

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sábado, novembro 17, 2007

Parque Biotecnológico

A ilha Terceira vai ter um parque tecnológico que terá como “pilar fundamental” a biotecnologia, dedicado, essencialmente, à indústria alimentar, anunciou hoje, em Angra do Heroísmo, o secretário regional da Educação e Ciência, Álamo Meneses. Trata-se de uma iniciativa em que são parceiros o Governo, a Câmara do Comércio e Indústria e a Universidade dos Açores e vai surgir na área actualmente ocupada pelo Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. Álamo Meneses falava no final de uma audiência em que recebeu o bastonário da Ordem dos Biólogos, José Guerreiro, com quem analisou diversos assuntos relacionados com o desenvolvimento económico e profissional em matérias que envolvem a biologia e, especialmente, a biotecnologia.Em declarações aos jornalistas, o secretário regional manifestou o interesse do Governo em “aproveitar e direccionar para a Região o know how e contactos com empresas que Ordem tem em relação à biotecnologia” na áreas agro-alimentar, marinha, da energia e da saúde.Aumentar a competitividade da economia e garantir emprego a licenciados e outros trabalhadores, são os principais objectivos identificados por Álamo Meneses neste processo, “até para, neste último caso, contribuir para que os Açores continuem a ter a mais baixa taxa de desemprego do País, como acontece hoje”.Segundo disse o governante, “as ideias do Governo e da Ordem dos Biólogos coincidem nesta matéria”, pelo que este encontro abriu caminho, entre outras matérias, para a “criação de uma teia de conhecimento e de atracção de recursos que possa potenciar o parque”.Por seu turno, o bastonário, que estava acompanhado pelo presidente do Conselho Regional da Ordem, José Azevedo, reconheceu que o Governo dos Açores está profundamente empenhado neste processo, o que permite, agora, procurar projectos-âncora e projectos decisivos a desenvolver com empresas açorianas. Membros da Ordem dos Biólogos nos Açores são cerca de 130, havendo, no entanto, muitos outros que ainda não estão registados na sua organização de classe.
(In Canal de Notícias dos Açores)

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quarta-feira, outubro 31, 2007

Festa da Castanha na Terra-Chã

A 17ª edição da Festa da Castanha decorre hoje (31 de Outubro de 2007), a partir das 20H30, na Terra-Chã, ilha Terceira-Açores. Como já é tradição, será servido, no largo da igreja, castanhas, sardinhas e vinho de cheiro (vinho produzido a partir de uvas da casta americana Isabela), havendo ainda música popular. O evento é realizado pela Junta de Freguesia da Terra-Chã com o objectivo de promover a castanha viana como fruto típico da freguesia. Segundo o presidente da Junta de Freguesia, Armando Braga, com a festa pretende-se também alertar para a necessidade de “preservar o valioso património natural que são os castanheiros centenários e os espaços onde vivem e resistem as famosas quintas da Terra-Chã”.

“A nova praga do bichado da castanha faz questão de se alojar nos nossos pomares e, de ano para ano, tem vindo a desenvolver-se e a aumentar os prejuízos na produção e venda da nossa castanha”, referiu o autarca local, adiantando que se teme que a situação “venha a desalentar o esforço que os nossos produtores têm vindo a suportar para manter as suas quintas e a nossa preciosa castanha”. No entanto, Armando Braga referiu estar confiante no trabalho que está a ser desenvolvido pelos Serviços de Desenvolvimento Agrário e pelo Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, com vista a estudar e a conseguir soluções que atenuem os problemas que atingem a castanha viana da Terra Chã. Entretanto, no dia 09 de Novembro, pelas 20H00, no Campo de Férias da Fonte Faneca, decorre uma sessão de esclarecimento sobre os estudos técnicos desenvolvidos para o combate ao bichado da castanha, seguindo-se o tradicional convívio com os produtores e colaboradores da Festa da Castanha.


(In Diário Insular)


Presume-se que a castanha seja oriunda da Ásia Menor, Balcãs e Cáucaso, acompanhando a história da civilização ocidental desde há mais de 100 mil anos. A par com o pistácio, a castanha constituiu um importante contributo calórico ao homem pré-histórico que também a utilizou na alimentação dos animais.
Os Gregos e os Romanos colocavam castanhas em ânforas cheias de mel silvestre. Este, conservava o alimento e impregnava-o com o seu sabor. Os romanos incluíam a castanha nos seus banquetes. Durante a Idade Média, nos mosteiros e abadias, monges e freiras utilizavam frequentemente as castanhas nas suas receitas. Nos Açores essa tradição gastronómica também existe e associada a receitas conventuais, de freias instaladas nas ilhas desde praticamente o povoamento. Por esta altura, a castanha, era moída, tendo-se tornado mesmo um dos principais farináceos da Europa.
Com o Renascimento a gastronomia assume novo requinte, com novas fórmulas e confecções. Surge o marron glacé, passando de França para Espanha e daí, com as Invasões Francesas, chega a Portugal.
A castanha que comemos é, de facto, uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Mas, embora seja uma semente como as nozes, tem muito menos gordura e muito mais amido (um hidratos de carbono), o que lhe dá outras possibilidades de uso na alimentação. As castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte potássio. Consideradas, actualmente, quase como uma “guloseima” de época, as castanhas, em tempo idos, constituíram um nutritivo complemento alimentar, substituindo o pão na ausência deste, quando os rigores e escassez do Inverno se instalavam. Cozidas, assadas ou transformadas em farinha, as castanhas sempre foram um alimento muito popular, cujo aproveitamente remonta à Pré-História.


(In Wikipédia)

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sexta-feira, outubro 26, 2007

Moscas no Outono Terceirense

A praga de moscas que se regista actualmente na ilha Terceira não tem qualquer relação com as moscas da fruta lançadas, no início de Setembro, pelo Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, nos Biscoitos e em Angra do Heroísmo, garante o estabelecimento de ensino. Num comunicado enviado ontem às redacções, o pólo de Angra do Heroísmo da universidade açoriana assegura que “não é responsável pelo sucedido, uma vez que nos trabalhos executados, no âmbito do projecto Interfruta II, sobre a dispersão de moscas da fruta, usou-se uma espécie que em muito difere da vulgarmente conhecida como mosca doméstica”, que se encontrará, essa sim, em grande número por toda a ilha. David Horta Lopes, responsável pelo projecto Interfruta, explicou que “a mosca da fruta é muito mais pequena e tem uma coloração diferente, de tonalidade acastanhada e asas listradas, enquanto a mosca doméstica é maior, negra e sem manchas nas asas”. Horta Lopes sublinha também que as moscas da fruta lançadas pela Universidade dos Açores no início do mês de Setembro, nos dias 4 e 5, tinham uma esperança máxima de vida de 21 dias e foram previamente esterilizadas, sendo, portanto, “impossível a sua reprodução”. Acrescenta igualmente que as cerca de 150 mil moscas foram libertadas num bananal junto ao jardim público de Angra e de pomares de macieiras nos Biscoitos, tendo sido “quase todas capturadas, até uma semana depois, através de armadilhas distribuídas para o efeito num perímetro de 200 metros”. Lembra ainda que o Departamento de Ciências Agrárias lançou, no mês de Julho de 2006, moscas da fruta nos Biscoitos, “sem que se tivesse seguido qualquer praga de moscas na ilha”. O responsável adianta, por outro lado, que “o surto a que temos vindo a assistir nos últimos tempos teve início após o final do referido estudo, devendo-se essencialmente a factores climáticos”. “A ausência de chuva e as temperaturas amenas que se têm registado neste Outono propiciam uma multiplicação desmedida da mosca doméstica”, refere, destacando ainda que “a actual infestação não é um fenómeno isolado nos sítios onde foram largadas as moscas da fruta, mas verifica-se por toda a ilha”.

(In Diário Insular)

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terça-feira, outubro 02, 2007

Curso de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores

A agricultura assume particular importância nos Açores, não só por termos uma região com cerca de 102 mil vacas leiteiras, num universo de 236 mil bovinos, o que demonstra bem a nossa vocação para a produção de leite, com 43,2 por cento do efectivo destinado a esse sector. A área dos Açores, que representa apenas 2% do território nacional é responsável por 27% da produção de leite portuguesa.
A agricultura açoriana ultrapassa a visão reducionista de ser apenas o conjunto dos agricultores e das suas produções, existindo para além deste, um outro conjunto muito significativo de actividades, que dela faz parte. Esse último conjunto de actividades desenvolve-se em íntima relação com a agricultura e dela depende nos seus desempenhos, como afirmam os responsáveis políticos do sector.
A formação técnica é o motor da criação e promoção de condições que favorecem a competitividade e sustentabilidade desse sector produtivo no Arquipélago.
É incompreensível, que numa Região com estas características, um curso superior nessa área, como é o caso do de Ciências Agrárias ministrado pela Universidade dos Açores, não tivesse candidatos.

Na primeira fase das candidaturas de acesso ao Ensino Superior, apenas um aluno manifestou interesse em formar-se nessa área. Por lapso, impossível de contornar atempadamente, foi exigido como disciplina de acesso a matemática, que foge às expectativas de exigência científica de qualquer aluno que se pretenda formar em Ciências Agrárias.
A bem da verdade, tal lapso não foi impeditivo de que neste momento, o curso esteja completamente cheio, incluindo as 20% das vagas destinadas a acessos especiais. Apraz-nos assim informar que o curso de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, que tem a duração de seis semestres lectivos organizados pelo sistema de créditos curriculares (regime de Bolonha), e que permite, após a licenciatura, ter acesso a dois ramos de especialização (Mestrado): na área da produção animal e vegetal, encheu completamente no corrente ano lectivo.
(In Diário Insular)

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segunda-feira, outubro 01, 2007

Prevenir casos de cancro

São conhecidas duas dezenas de casos de cancro na Rua de S. Salvador, na Praia da Vitória. Suspeita-se que esse número esteja relacionado com a presença de uma antena de telecomunicações, instalada na zona residencial.
Os professores Emiliana Silva e Félix Rodrigues, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, asseguram que não é fácil provar essa ligação, porque existe pouca investigação científica sobre os efeitos na saúde desses campos electromagnéticos, porém, em caso de dúvida, deve aplicar-se “o princípio da precaução”.
Para evitar problemas de saúde pública na Terceira, esses investigadores apresentaram às Assembleias Municipais das cidades da Praia da Vitória e Angra do Heroísmo uma proposta de regulamentação que prevê a retirada e o afastamento das antenas de telecomunicações móveis dos centros residenciais, por entenderem ser “urgente criar um Regulamento de Autorização Municipal para a instalação de Antenas de Telecomunicações nos dois concelhos da ilha Terceira”. Em causa, estão entre outros factores, o facto de “existirem instaladas redes de telecomunicações móveis em zonas residenciais urbanas e rurais nos dois Concelhos que parecem não obedecer a um afastamento mínimo das residências”. Citando estudos técnicos, deste ano, da Direcção-Geral de Saúde, lembraram que “as exposições mais intensas aos campos electromagnéticos se dão a distâncias de 50 a 200 metros”. A possibilidade de uma intensa exposição às radiações podem aumentar “os riscos de leucemia infantil e tumores cerebrais nos adultos”.
Os investigadores alertaram ainda que “a utilização de telemóveis por crianças deve ser feita com algumas restrições, dado que estas são mais vulneráveis a este tipo de radiação”. Foram essencialmente essas razões que levaram os investigadores anteriormente referidos a propor um Regulamento para que, sem prejuízo de outras disposições contidas em legislação especial, “a construção e ou instalação de antenas de telecomunicações passe a obedecer a parâmetros devidamente definidos”. Na prática, pretende-se que “seja respeitado um raio de afastamento mínimo de 200 metros de quaisquer habitações, serviços, estabelecimentos de ensino e de saúde, equipamentos de âmbito social, cultural e desportivo; não sejam prejudicados, pela altura ou localização, os aspectos paisagísticos e urbanísticos da envolvente e se utilizem materiais que minimizem os impactos visuais negativos da sua instalação”. Com este regulamento serão também definidas as questões burocráticas relativas à Discussão Pública dos pedidos de autorização municipal, a validade da autorização, a fiscalização que as Câmaras Municipais pretendam efectuar e as taxas a pagar, entre outros aspectos.
(In Diário Insular, A União, Rádio Club de Angra e RDP-Açores)

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sexta-feira, setembro 28, 2007

Aspectos hidrogeológicos da ilha Terceira discutidos em Congresso Internacional

No XXXV Encontro da Associação Internacional de Hidrogeólogos que decorreu em Lisboa, até ao dia 24 de Setembro, os Açores estiveram amplamente representados através de apresentação de trabalhos que abordaram a hidrologia insular açoriana. O Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores apresentou duas comunicações científicas.
A temática deste Encontro centrou-se nas relações entre "Águas subterrâneas e Ecossistemas".
Uma dessas comunicações, da autoria do Eng. Luís Teixeira e dos Professores Francisco Cota Rodrigues, da Universidade dos Açores e Daniel Urish e Reinhard Frohlich, da Universidade de Rhode Island (Estados Unidos da América) examinou a aplicação de processos geoeléctricos à exploração de água subterrânea na Caldeira dos Cinco Picos na Ilha Terceira.

A exploração de técnicas capazes de identificar água subterrânea em todas as ilhas do Arquipélago, reveste-se de especial importância uma vez que a maior parte da água usada nas ilhas tem origem subterrânea, dependendo da água da chuva. O aumento dos períodos de seca, terá impacto no abastecimento de água às populações insulares, daí a necessidade de se inventariarem todos os aquíferos passíveis de exploração.
A aplicação desta técnica à detecção de lençóis de água na zona em estudo, revelou a presença de camadas saturadas, com abundância de água subterrânea que poderá constituir uma boa reserva hídrica para a ilha Terceira nos próximos anos.
A segunda comunicação, da autoria da Engª Celeste Miguel e do Professor Francisco Cota Rodrigues, analisou de forma exaustiva a hidrogeologia do ecossistema do Paúl da Praia da Vitória, profundamente alterado nos últimos 60 anos e de reconhecida importância do ponto de vista ecológico.
Uma vez que o Paúl da Praia da Vitória se localiza num sector costeiro do aquífero basal da ilha Terceira, apresenta condições únicas e específicas, do ponto de vista hidrogeológico, em todo o Arquipélago. O futuro deste ecossistema depende do complexo programa de recuperação que está a ser levado a cabo nesse local, pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, e da capacidade técnica de preservar as correntes difusas de água doce que aí se encontram, responsáveis pela existência de uma vegetação halófita e uma fauna peculiar.

(In Azores Digital)

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quinta-feira, setembro 27, 2007

Ruralidade insular (cidade versus campo)

Foi discutido no I Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países Lusófonos e Galiza, que decorreu em Santiago de Compostela de 24 a 27 de Setembro, um trabalho sobre a ruralidade insular açoriana, de Eva Vidal, Ana Cristina Palos, Félix Rodrigues e Sandra Vidal, docentes e investigadores do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. O principal objectivo desse Congresso foi discutir a contribuição da educação na construção dos valores, bases culturais e bases políticas que sirvam para a promoção de sociedades sustentáveis.
O trabalho intitulado: "A Ruralidade num Contexto de Desenvolvimento Sustentável: potencialidades educativas, turísticas e patrimoniais" resulta de uma investigação levada a cabo pelos autores na freguesia do Raminho na Ilha Terceira, por se considerar ser este o espaço "mais rural" da ilha.

Esse trabalho aborda assim as problemáticas do espaço rural, onde este parece estar a modificar-se ou a reconfigurar-se para poder responder aos desafios da actual sociedade de informação e do conhecimento. Surge da necessidade de analisar o espaço rural na sua variedade e complexidade e de repensar o lugar que ocupa no sistema social regional e global. A partir de uma abordagem transdisciplinar teve como principal finalidade identificar as potencialidades e as dinâmicas locais e perceber a complexa rede de interacções de um conjunto de fenómenos: demográficos, económicos, sociais, culturais e ambientais.
Com este estudo também se pretendeu enquadrar teoricamente algumas questões acerca da problemática do rural: compreendê-lo como local, um tempo e um contexto de interacções, procurando desocultar as características específicas e funções desse espaço.
No âmbito desta investigação, exploraram-se e interpretaram-se as potencialidades do património natural e social do Raminho. Se, por um lado, se apresenta a produção de um conhecimento sistematizado sobre o local, por outro, cria-se a oportunidade para que essa informação perdure e seja aproveitada na educação ou na vertente do turismo. Empreendeu-se o levantamento a nível de: recursos naturais; dinâmicas demográficas e de ocupação do território; condições e modos de vida da população local; dinâmicas culturais existentes. Também se procurou interpretar os sentidos que os seus residentes atribuem ao território, como gerem ou partilham as potencialidades desse espaço, a fim de se compreender como acontece a preservação e transformação do espaço rural insular na actualidade.

As conclusões do estudo remetem para a necessidade de se assumir uma visão territorial e multidimensional na definição de políticas, onde sejam coordenadas medidas e estratégias locais, regionais e nacionais que permeiem os aspectos de ordem social, cultural, económica e ambiental de forma equilibrada.

(In RDP-Açores)

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quarta-feira, setembro 26, 2007

Visita aos Açores de membros da Associação Internacional de Hidrogeólogos

Na sequência do 35º Congresso da Associação Internacional de Hidrogeólogos, que decorreu no final da semana passada em Lisboa, encontram-se nos Açores um grupo de especialistas em água subterrânea de diversas nacionalidades que incluem Polacos, Alemães, Canadianos, Franceses, Sérvios, Australianos e Portugueses. Na ilha Terceira estes investigadores visitaram os principais pontos turísticos, captações de água subterrânea, estações de tratamento e ainda as obras de recuperação do Paúl da Praia da Vitória. Esta visita foi organizada pelos professores Rui Coutinho e Virgílio Cruz do Departamento de Geociências e Francisco Cota Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Após a passagem pela Terceira, os investigadores deslocaram-se às ilhas do Faial e Pico, onde se encontram neste momento, seguindo, posteriormente, para a ilha de São Miguel.

(In Açoriano Oriental e Diário Insular)

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domingo, setembro 23, 2007

Cão Barbado da ilha Terceira

A Secretaria Regional da Agricultura e Florestas promoveu, na passada sexta-feira, em colaboração com o Clube Português de Canicultura e a Associação dos Criadores do Cão Barbado da Terceira, o 3º Concurso do Cão Barbado da Terceira.
Além de servir para mostrar os melhores exemplares desta raça, o concurso pretende constituir um ponto de encontro para troca de experiências entre criadores e um estímulo à continuação da criação destes animais. O sucesso das anteriores edições revela um recrudescimento desta raça que tem grande distribuição principalmente na Ilha Terceira.
O Barbado da Terceira caracteriza-se como um cão rústico, com corpo forte e bem musculado, coberto de pêlo comprido, abundante e ondulado em todo o corpo. O pelo farto na zona mandibular origina as barbas de onde lhe advém o nome. É um cão companheiro e fiel ao dono, inteligente, de ensino fácil, alegre, meigo e voluntarioso.
O trabalho de pesquisa de apumaento da raça começou há cerca de dez anos atrás quando foi feito um levantamento da população de cães barbados existentes na ilha Terceira, bem como um inventário das suas características biométricas. Desde então, e depois de actualizados os registos, foram aprofundados estudos específicos sobre a raça, inclusivamente ao nível genético, em colaboração com o Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, que provam que geneticamente existe a raça do cão barbado da ilha Terceira.
Após trabalho inicial realizado pela Associação Açoreana de Criadores do Cão Barbado da Terceira, no sentido de desenvolver a raça, o Clube Português de Canicultura celebrou um protocolo no início do ano de 2004 conjuntamente com o Governo e com a Universidade dos Açores para concluir o projecto do reconhecimento do cão Barbado da Terceira como raça nacional.
A 13 de Novembro de 2004, em Assembleia-Geral do Clube Português de Canicultura (CPC), foi aprovado o estalão provisório do Cão Barbado da Terceira, tendo assim sido reconhecida como a décima raça portuguesa de cães.
Existem actualmente 350 animais identificados, e destes, 230 com o Registo Inicial de Cão da raça emitido pelo CPC.
(In Canal de Notícias dos Açores)

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