A praga de moscas que se regista actualmente na ilha Terceira não tem qualquer relação com as moscas da fruta lançadas, no início de Setembro, pelo Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, nos Biscoitos e em Angra do Heroísmo, garante o estabelecimento de ensino. Num comunicado enviado ontem às redacções, o pólo de Angra do Heroísmo da universidade açoriana assegura que “não é responsável pelo sucedido, uma vez que nos trabalhos executados, no âmbito do projecto Interfruta II, sobre a dispersão de moscas da fruta, usou-se uma espécie que em muito difere da vulgarmente conhecida como mosca doméstica”, que se encontrará, essa sim, em grande número por toda a ilha. David Horta Lopes, responsável pelo projecto Interfruta, explicou que “a mosca da fruta é muito mais pequena e tem uma coloração diferente, de tonalidade acastanhada e asas listradas, enquanto a mosca doméstica é maior, negra e sem manchas nas asas”.

Horta Lopes sublinha também que as moscas da fruta lançadas pela Universidade dos Açores no início do mês de Setembro, nos dias 4 e 5, tinham uma esperança máxima de vida de 21 dias e foram previamente esterilizadas, sendo, portanto, “impossível a sua reprodução”. Acrescenta igualmente que as cerca de 150 mil moscas foram libertadas num bananal junto ao jardim público de Angra e de pomares de macieiras nos Biscoitos, tendo sido “quase todas capturadas, até uma semana depois, através de armadilhas distribuídas para o efeito num perímetro de 200 metros”. Lembra ainda que o Departamento de Ciências Agrárias lançou, no mês de Julho de 2006, moscas da fruta nos Biscoitos, “sem que se tivesse seguido qualquer praga de moscas na ilha”. O responsável adianta, por outro lado, que “o surto a que temos vindo a assistir nos últimos tempos teve início após o final do referido estudo, devendo-se essencialmente a factores climáticos”. “A ausência de chuva e as temperaturas amenas que se têm registado neste Outono propiciam uma multiplicação desmedida da mosca doméstica”, refere, destacando ainda que “a actual infestação não é um fenómeno isolado nos sítios onde foram largadas as moscas da fruta, mas verifica-se por toda a ilha”.