terça-feira, agosto 04, 2009

President of the Regional Government Speaks at Opening Ceremony for Mobile Facility in the Azores

On June 30, officials from the Regional Government of the Azores recognized the deployment of the ARM Mobile Facility on Graciosa Island during an official opening ceremony held at the site. Notable among the participants was Carlos César, President of the Regional Government of the Azores, and several other government officials. Media outlets for print, television, and radio covered the ceremony, which was part of a two-day visit by the Regional Government to the island of Graciosa. In all, about 50 people attended the event.
Jeanette Rébert, U.S. Consul to the Azores, and President César gave brief opening remarks recognizing the various people and organizations that partnered to make the campaign possible. They also highlighted the importance of the project and how it fits into the shared goal of increased cooperation between the United States and Portugal, especially the Azores. Science and operations personnel then described the mobile facility and showed visitors around the instrument field.
In preparation for the ceremony, collaborators from the University of the Azores prepared a sign to identify all the organizations involved that made the deployment possible. They also presented the gift of a brass plaque for the mobile facility indicating the partnership between the Department of Energy and the Regional Government of the Azores. The mobile facility is located at the airport on Graciosa Island for the Clouds, Aerosol and Precipitation in the Marine Boundary Layer field campaign. Operations began in May and continue through December 2010.

(in ARM)

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segunda-feira, maio 11, 2009

Açores na corrida para a rede mundial de estações meteorológicas de altitude

Os Açores reúnem condições de integrar a rede de estações meteorológicas globais de monitorização em altitude como o novo PICO-NARE, um observatório internacional da atmosfera localizado no topo do Pico, o ponto mais alto de Portugal.

“A estação açoriana reúne condições de excelência para essa função, dada a sua localização geográfica estratégica, em pleno centro do Oceano Atlântico e numa zona não poluída”, afirmou José Contente, secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos.
Actualmente, a rede de estações meteorológicas de monitorização em altitude integra 22 unidades, espalhadas por todo o mundo, tendo José Contente afirmado o interesse do governo regional em colocar o PICO-NARE neste rede global.
Na perspectiva do secretário regional, seria uma forma de colocar a ilha açoriana no centro mundial da investigação e pesquisa científica na área da meteorologia.
A estação, gerida pela Universidade dos Açores, recolhe indicadores sobre a poluição troposférica e transfronteiriça, permitindo avaliar os impactos que os poluentes emitidos na América do Norte e na Europa têm sobre o Oceano Atlântico.
Este importante observatório meteorológico, segundo revelou José Contente, vai sofrer algumas melhorias, como a substituição do gerador eléctrico por um cabo de alimentação de energia, que permitirá garantir mais segurança e qualidade ao trabalho que ali é realizado.
O secretário regional salientou que o PICO-NARE insere-se no “cluster científico e tecnológico” que está a ser construído nos Açores, anunciando a criação de um grupo de trabalho, envolvendo a Universidade dos Açores e o Instituto de Meteorologia, para a monitorização dos dados recolhidos por este observatório.
(in Ciência Hoje)

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sexta-feira, maio 08, 2009

Observatório Pico-NARE pode vir a integrar rede de estações meteorológicas globais

Os Açores poderão vir a integrar a rede de estações meteorológicas globais de monitorização em altitude, composta, actualmente, por 22 unidades dispersas pelo globo, graças ao contributo científico do Observatório Pico-NARE, em funcionamento no topo da montanha da ilha do Pico, admitiu, hoje, o secretário da Ciência, Tecnologia e Equipamentos.
Segundo José Contente, a estação açoriana reúne condições de excelência para essa função, dada a sua localização geográfica estratégica, no Hemisfério Norte em pleno centro do Oceano Atlântico e numa zona não poluída.
Depois de uma reunião de trabalho com as entidades envolvidas no Pico-NARE, nomeadamente o Instituto de Meteorologia e a Universidade dos Açores, o governante declarou o interesse em integrar a estação meteorológica picoense na rede global, por forma a colocar os Açores, uma vez mais, no centro mundial da investigação e pesquisa científica no âmbito da meteorologia e demonstrar a participação activa da Região em redes europeias de investigação.
“O Pico-NARE é, de facto, um projecto muito importante na área da meteorologia e integra-se num conjunto de rede de estações meteorológicas mundiais e os Açores ficam, uma vez mais, no mapa global, através do Governo Regional, do Instituo de Meteorologia e da Universidade dos Açores”, alegou.
O Observatório Pico-NARE vai sofrer melhorias significativas, como a substituição do gerador eléctrico por um cabo de alimentação de energia, no âmbito de um protocolo já firmado com a EDA, que garantirá maior segurança e qualidade ao trabalho desenvolvido na estação e permitir eliminar o gerador enquanto fonte emissora de poluentes para a atmosfera.
Com este programa de monitorização permanente poderão ser estudados os efeitos das variações nas políticas de emissão intercontinentais, em particular as que têm origem no continentes norte-americano e europeu, permitindo o estudo dos impactos que os poluentes emitidos têm no Atlântico Norte e num melhor conhecimento da atmosfera à escala global, explicou José Contente.
Segundo acrescentou, a estação meteorológica faz parte de um projecto estruturante que se insere “no chamado cluster científico e tecnológico que se está a edificar na Região e é também mais um degrau para a monitorização climática a nível Açores que depois se pode estender a outras partes do mundo, sob o ponto de vista da informação meteorológica e climatológica também”.
A Secretaria Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos em parceria com a Universidade dos Açores e o Instituto de Meteorologia vão criar um grupo de trabalho para monitorização dos dados do Observatório Pico-NARE, que José Contente considerou um “projecto central” para o arquipélago no domínio da climatologia e meteorologia.
(In GACS)

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quarta-feira, maio 06, 2009

Mobile Facility Begins Marine Cloud Study in the Azores

Located next to the airport on Graciosa Island, the ARM Mobile Facility’s comprehensive and sophisticated instrument suite will obtain atmospheric measurements from the marine boundary layer.

Today marks the beginning of a 20-month field campaign on Graciosa Island in the Azores to study the seasonal life cycle of marine clouds and how they modulate the global climate system. Sponsored by the U.S. Department of Energy’s Atmospheric Radiation Measurement Climate Research Facility, researchers are using the ARM Mobile Facility (AMF) to obtain data for the study called Clouds, Aerosol, and Precipitation in the Marine Boundary Layer.
Boundary-layer marine clouds are found over open oceans and in coastal environments around the world, and they play a major role in the global climate system. For accurate predictions of future climate, scientists need a better understanding of the dynamic elements that control the life cycle of these cloud types. However, detailed observations from remote locations like Graciosa Island are few and far between.
A new long-term record of clouds and the processes controlling them will, in the short term, allow scientists to test the skill of existing climate models. Ultimately, the information will lead to model improvement that will increase confidence in climate change predictions.
Located in the middle of the Atlantic Ocean, the Azores typically experience relatively clean atmospheric conditions with passing episodes of polluted airmasses from nearby continents. The placement and duration of the AMF deployment on Graciosa is ideal for capturing a wide range of conditions.
In preparation for the campaign, the AMF team worked for more than a year with colleagues at the University of the Azores, marked by a signing ceremony for scientific collaboration in late March. This coordination smoothed the way for site preparation and the arrival of the AMF equipment in mid-March, followed soon thereafter by the AMF installation and training team in April.
As with each AMF deployment, the installation team sets up the operations shelters and connects all the instruments and data systems. The AMF team also hires and trains several local assistants to help with day-to-day maintenance and monitoring of the instruments, including launching weather balloons twice a day. This not only builds goodwill, but helps expose the science to the community.
With installation and training complete, routine operations are turned over to the permanent onsite technician and local assistants for the duration of the campaign.

(In ARM Project)

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sexta-feira, abril 24, 2009

Açores pode ser observatório do clima

BRITO DE AZEVEDO: “(…) penso que uma estrutura com vocação internacional nos Açores, mas também ao serviço das necessidades específicas da região, faz sentido”.
Estão em curso a negociações para a regionalização do Instituto de Meteorologia (IM). Concorda?
Regionalização?
Não sei. Decididamente não, se for para pagarmos nós e decidirem outros, à distância. Parece-me antes que temos todos a ganhar se, através de uma parceria forte, gerida com proximidade, cada um de nós, a partir da sua vocação, da sua esfera de actuação e do seu papel institucional (sem “tiques” de prepotência centralista), possa contribuir com as respectivas capacidades para, a par da resolução dos problemas locais, recuperar para os Açores a principal referência portuguesa no que diz respeito às questões climáticas.
Prefere o aprofundamento de parcerias?
Quero em primeiro lugar esclarecer que só me pronuncio em relação às componentes climatologia e meteorologia, pelo que as mesmas questões mas referentes à geofísica, outra das competências do IM, devem ser avaliadas por outras pessoas. As metodologias utilizadas na caracterização do clima (presente e futuro), bem como aquelas relacionadas com a previsão do estado do tempo, baseiam-se em aproximações a diferentes escalas e com complementaridade científica, técnica e de meios. É por isso que sou favorável a uma política de valor acrescentado e de parcerias. Naturalmente entre instituições internacionais, nacionais e regionais. E não se pense desde já que, quando me refiro a questões de escala ou de valor, caberá às regiões, como a dos Açores, uma menor importância em qualquer das duas componentes. Até porque a “oportunidade” geográfica é um grande trunfo nestas matérias. Neste enquadramento há no entanto que garantir a coesão de objectivos e a definição de prioridades, normalmente decorrentes de circunstâncias geográficas e de necessidades específicas. É assim que surgem os núcleos especializados nos diferentes domínios da climatologia e da meteorologia (climatologia de montanha nos Alpes, meteorologia tropical no Golfo do México, etc.).
A posição geográfica do arquipélago garante-lhe, no fundo, um papel de observatório. Não será?
No caso dos Açores é óbvia a vocação para a climatologia e meteorologia atlânticas, zona onde ocorrem importantes fenómenos que influenciam o clima e o estado do tempo de vasta zona do hemisfério norte (e onde o clima futuro será em grande parte ditado!), bem como, naturalmente, a necessidade de metodologias mais adequadas à dimensão das ilhas e ao seu enquadramento marítimo. São inúmeras as aproximações internacionais às potencialidades do arquipélago nestes domínios. Exemplo disso é o crescente interesse da comunidade científica internacional pela nossa posição, traduzido recentemente pela montagem de importantes estruturas nas ilhas, a partir das quais serão estudados mecanismos da interacção oceano/atmosfera, factor decisivo para a melhoria dos modelos meteorológicos e climáticos do futuro. É neste contexto que penso que uma estrutura com vocação internacional nos Açores, mas também ao serviço das necessidades específicas da região, faz sentido. Se não for o IM a ter esta visão estratégica, alguém terá de ter.

(In Diário Insular)

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terça-feira, abril 21, 2009

António Ventura quer ciência a desenvolver Angra

O candidato à presidência da câmara de Angra do Heroísmo pelo PSD, António Ventura, apresentou esta manhã um conjunto de propostas visando “o aproveitamento da ciência em prol do desenvolvimento do concelho”, um potencial que considerou estar ”adormecido”, referindo-se a esse incremento como “uma vantagem em estado latente” e avançando com a operacionalização das suas intenções “através de um acordo de Cooperação entre a Universidade dos Açores (UA) e o município de Angra”.
O social-democrata pretende “uma maior proximidade entre os conhecimentos científico e tecnológico produzidos na UA, concretamente no departamento de ciências agrárias (DCA) e a autarquia”, factor que representará “um proveito assegurado para o desenvolvimento do concelho e que é um sinal de modernidade para o governo local”, disse à saída de uma reunião com o responsável pelo DCA, Alfredo Borba.“É urgente potenciar um relacionamento directo e estreito com o DCA em favor do progresso sócio-económico de Angra”, explicou, dizendo ser esse “um benefício competitivo e sustentável para as gerações actuais e, principalmente, para as gerações futuras”, desde logo “através da formação técnica da autarquia em algumas áreas onde o DCA pode contribuir directamente”, assim como “através da articulação institucional que assegure a representação digna da cidade de Angra nos vários fóruns científicos em que deve estar representada”, afirmou.“O município convidará a UA para membro efectivo de novos órgãos a criar, casos do conselho municipal do ambiente da água e da sustentabilidade e do conselho municipal do emprego”, garantiu, adiantando que pretende ver estabelecidos “protocolos de cooperação na área da formação para os munícipes, com especial relevância para os jovens”, alargando essa valência “nas férias de Verão e realizando com as escolas actividades no âmbito da ciência, como sejam as eco-escolas”. No tocante ao apoio prestado à investigação, o candidato pretende fazê-lo face a “projectos que se mostrem relevantes para o desenvolvimento de Angra e que incidam sobre a inovação”, deixando viva “a possibilidade de adesão ao projecto europeu Europe, Science & the City (ESCITY), que visa a promoção de uma cultura científica a nível local, com grande envolvência pública”, um projecto “financiado pela comissão europeia e ao qual já aderiram as cidades portuguesas de Évora, Estremoz, Tavira e Guimarães”.António Ventura quer o conhecimento científico e tecnológico “aplicado em alguma áreas como o abastecimento de água, sendo essa colaboração crucial para planear correctamente as disponibilidades do concelho”, exemplificou, revelando que o conjunto de acções a implementar, e que têm por base “a promoção da ciência e da tecnologia”, passam pela criação “de um fórum de debate, reflexão e perspectiva entre os sectores de actividade económica de maior expressividade, designadamente no âmbito da agricultura, das pescas, do comércio e das indústrias transformadoras”, onde “naturalmente a UA terá lugar cativo”.O candidato laranja pretende também estabelecer uma colaboração directa entre a autarquia e a UA “que impulsione para o empreendedorismo no concelho, com o consequente fomento para a criação de emprego e fixação de jovens”, e que vai assentar “numa colaboração técnica de prestação de serviços, prospectiva e de avaliação para a dinamização de pequenas e médias empresas”. Ventura quer também promover a semana da ciência em Angra, “evento estendido às freguesias rurais e levado a cabo em colaboração com a universidade e as escolas, como forma de sensibilizar para a utilização da ciência e como mostra de produtos científicos”, à qual se juntarão “os dias abertos no DCA para conhecimento das actividades científicas em curso”. Ao nível da promoção da área científica, o candidato do PSD à câmara de Angra vai instituir “um prémio anual para o melhor trabalho no campo da ciência realizado por alunos dos diversos graus de ensino”, comprometendo-se a autarquia a divulgar, “através de comunicação periódica com a população e de exposições didácticas”, as actividades científicas “de maior interesse sócio-económico, e em áreas como as energias alternativas, a agricultura, a climatologia ou a biotecnologia” concluiu.

(In Canal de Notícias dos Açores)

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sábado, março 21, 2009

Graciosa recebe estação para medir radiação

domingo, novembro 30, 2008

Precipitação em Angra do Heroísmo com Níveis Normais

O ano climático de 2007/2008 foi um ano normal em termos da pluviosidade registada em Angra do Heroísmo, revelam dados do Instituto de Meteorologia (IM) apresentados ontem por Eduardo Brito de Azevedo, do Centro de Clima, Meteorologia e Mudanças Globais da Universidade dos Açores, num colóquio sobre o problema da falta de água no concelho angrense promovido pelo estabelecimento de ensino superior açoriano. Recorde-se que a falta de chuva foi uma das causas apontadas pelo hidrogeólogo Lopo Mendonça para a falta de água no concelho de Angra, num estudo encomendado pela autarquia angrense e realizado no mês de Setembro.Tendo por base estatísticas do IM sobre a precipitação verificada nos últimos 113 anos em Angra do Heroísmo, Eduardo Brito de Azevedo adiantou que “o ano climático de 2007/2008 (Janeiro de 2007 a Agosto de 2008) insere-se nos anos normais em termos de precipitação, com 1.024 mililitros por metro quadrado, ou seja, 91 por cento da precipitação normal em termos médios”.Segundo disse, “apesar de, no mesmo período, se terem registado menos dias de precipitação (172 contra 185 de média), as chuvas intensas foram superiores ao normal, com mais 10 mililitros por metro quadrado”. Eduardo Brito de Azevedo sublinhou ainda que “o ano de 2007/2008 está próximo dos valores normais em termos de precipitação, sobretudo quando comparado com 1992, 1992 e 1998, que foram anos considerados secos”.Em relação à evapotranspiração - cujo eventual aumento era outra das hipóteses apontadas para a descida do nível dos caudais das nascentes -, Eduardo Brito de Azevedo sublinhou que “apesar de, na primeira metade de 2008, a temperatura ter estado ligeiramente acima da média, a evapotranspiração real caiu logo a seguir ao início do défice hídrico”.
No que diz respeito à zona do Cabrito em particular - onde se situa o principal aquífero da ilha Terceira -, dados referentes aos últimos oito anos permitem concluir que “2008 (Janeiro a Agosto) apesar de não estar numa posição muito favorável está dentro da normalidade expectável”, referiu.J á no que concerne à precipitação registada nos últimos dez anos, Eduardo Brito de Azevedo adiantou que foi “superior ao normal”. Também na última década, “o ano de 2007/2008 não é um ano que fuja à normalidade”, acrescentou. Por último, relativamente à nascente da Nasce Água, salientou que “o ano de 2008 não foi aquele que apresentou caudais mais baixos”.
Por seu lado, Félix Rodrigues, docente da Universidade dos Açores, defendeu a necessidade de estudos aprofundados sobre o eventual impacto do aumento da temperatura na forma como chove e na precipitação oculta e, por conseguinte, na recarga das nascentes. Considerou igualmente importante apurar a quantidade de água gasta na construção de infra-estruturas como a Via-rápida Vitorino Nemésio, assim como eventuais fracturas no aquífero do Cabrito, provocadas não por sismos, mas por “outras movimentações” eventualmente registadas naquela zona.
(In Diário Insular)

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quarta-feira, outubro 29, 2008

Surto de moscas não se deve à Universidade

O Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores rejeita qualquer responsabilidade pelo surto de moscas que tem afectado a população da Terceira. De acordo com o coordenador do projecto Interfruta II, David Horta Lopes, “este ano não foi feita qualquer libertação de moscas da fruta esterilizadas”, no âmbito daquele projecto. Além disso, - adianta David Horta Lopes, num esclarecimento enviado a DI -, “quer a aparência, quer a dimensão da mosca da fruta é diferente da mosca doméstica”. “A mosca da fruta é mais pequena e tem uma cor acastanhada com lista, enquanto a doméstica é maior e tem uma cor inteiramente preta”, explica. Segundo o docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, a praga de moscas domésticas que se verifica na Terceira deve-se, “principalmente, aos factores climatéricos que nos vêm afectando, nomeadamente calor, humidade elevada e falta de chuva”. “Estes factores têm proporcionado uma multiplicação desmedida e uma enorme abundância da mosca doméstica”, acrescenta. No esclarecimento a propósito do surto de moscas na Terceira, David Horta Lopes indica ainda que o Departamento de Ciências Agrárias “está disponível para qualquer informação adicional que seja necessária” sobre esta matéria.

(In Diário Insular)

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terça-feira, outubro 28, 2008

Aromas e cultura

Saber mais sobre as origens do chá, a sua história nos Açores, a sua química, o solo e o clima que lhe são favoráveis, os seus efeitos na saúde humana e a sua presença na literatura portuguesa e alguns momentos de teatro, foram as sugestões da Confraria do Porto Formoso, que num gesto inédito e digno de nota organizou um Seminário de Chá. Evento, onde os presentes puderam ainda deliciar-se com esta iguaria de origem oriental acompanhada de vários doces e salgados, entre eles os famosos ‘scones’ como manda a tradição do ‘chá das cinco’.
Saber mais sobre as origens do chá, a sua história nos Açores, a sua química, o solo e o clima que lhe são favoráveis, os seus efeitos na saúde humana e a sua presença na literatura portuguesa e alguns momentos de teatro, foram as sugestões da Confraria do Porto Formoso, que num gesto inédito e digno de nota organizou um Seminário de Chá.

Evento, onde os presentes puderam ainda deliciar-se com esta iguaria de origem oriental acompanhada de vários doces e salgados, entre eles os famosos ‘scones’ como manda a tradição do ‘chá das cinco’.José Pacheco, responsável pela Confraria de Chá do Porto Formoso, lembra que a Camellia Sinensis surgiu há 150 milhões de anos, entre o noroeste da China e o sul da Índia, tendo o hábito de beber chá “mais de 3000 anos”, sublinha. E hoje, “o chá é a bebida mais bebida em todo o mundo”.A “7 de Abril de 1878”, revela, chegaram a S. Miguel dois chineses para “ensinar” aos locais o cultivo do chá, o que levou a uma história de “mais de 100 anos” do chá nos Açores.Citando um chinês, José Pacheco salienta que “apreciar o chá só é possível num ambiente de amizade, lazer e sociabilidade”.João Madruga, investigador e docente da Universidade dos Açores, afirma que o desenvolvimento e estabilidade dos solos micaelenses encontram-se “altamente dependentes” das condições climáticas. Eduardo Brito de Azevedo, do Centro do Clima, Meteorologia e Mudanças Globais da Universidade dos Açores, salienta não haver bebida mais “evocativa” do clima, do que o chá. O clima, por sua vez, é a razão “diferenciadora” do ambiente e recursos regionais e parte “intrínseca da nossa sociedade”.Caracterizado por “chuvas abundantes e regulares” ao longo do ano e por um regime de ventos “vigorosos” que rondam as ilhas, acompanhando o evoluir dos padrões de circulação atmosférica à escala da bacia do Atlântico Norte, o clima da Região apresenta uma sazonalidade “medianamente” marcada, que se reflecte nos seus elementos.“A conjugação das características climáticas das ilhas dos Açores com a diversidade de tipos de Oslo e de relevo conduzem a aptidões culturais distintas, que vão desde as culturas típicas dos climas subtropicais até culturas características dos climas temperados”- evidencia, avançando que neste quadro as características climáticas de S Miguel revelaram-se, desde meados do séc. XIX, “propícias” à cultura da planta do chá. Mesmo assim, a “diversidade” climática existente ao longo das vertentes da ilha manifesta-se sobre o “volume e qualidade” das colheitas.Além disso, “a evolução das condições de altitude favorece” de certa forma uma “melhoria da qualidade”e a distribuição regular da precipitação conjugada, com “elevados teores da humidade do ar”, são factores benéficos à “elasticidade e delicadeza dos rebentos desta planta. Aspectos estes que no seu todo são “reconhecidos” como sinónimos de um produto de qualidade “superior".José Baptista, membro do Departamento de Ciências Tecnológicas e Desenvolvimento da Universidade dos Açores, começa por dizer que a própria dieta mediterrânica é rica em “antioxidantes naturais”, o que reduz a incidência das patologias do foro cardiovascular. Estes antioxidantes contêm elementos, justifica, capazes de “travar” a acção dos radicais livres, “retardando” o progresso das doenças típicas das sociedades industrializadas ocidentais.O investigador conta também ter trazido para os Açores chás de várias partes do mundo, para os comparar com o chá regional, isto de modo a “inibir a enzima do cancro”. O composto com mais “capacidade” inibitória eram os folineflóis, que se encontram no chá regional em “maior” quantidade.’Aproveita ainda para dizer que tem sido grande o interesse em “identificar” as propriedades terapêuticas e estudar os efeitos fisiológicos do Camellia Sinensis. Daí terem desenvolvido uma metodologia para “separar e quantificar” os componentes do chá, de modo a estudar a sua “estabilidade” a diferentes temperaturas e comparar os seus teores com os dos chás de outras partes do mundo. Aliás,“Desde os tempos mais remotos que se afirma que beber chá promove relaxamento”- enfatiza, acrescentando que a L-teanina é o aminoácido responsável por esta sensação, pois reduz o “stress mental e físico”. Elemento que o chá dois Açores apresenta em “maiores” quantidades.João Anselmo, nutricionista, começa por revelar que o consumo de chá diário ‘per capita’ é actualmente de “120 ml”, sendo maioritariamente de chá preto (76 a 78%) na Europa, América do Norte e Norte de África, contra 20 22% para o chá verde.O chá, enfatiza, previne a morte por doenças “coronárias, trombose, enfarto do miocárdio e reduz a tensão arterial”. Além disso, é rico em termos de saúde oral, pois tem “muito flúor e fortalece o esmalte” dentário; “inibe” o crescimento de bactérias da cárie e “diminui” os açúcares na cavidade oral.Urbano Bettencourt, escritor e docente da Universidade dos Açores, lembra que o chá regional foi já várias vezes abordado e elogiado na literatura portuguesa, nomeadamente em obras de Eça de Queirós (1845-1900), como é o caso d’ “A ilustre casa de Ramirez”, um romance realista da terceira fase do escritor nascido na Póvoa do Varzim, que fala no chá verde. O próprio Antero de Quental deixou um documento datado de 1888, onde refere que o chá preto teria “mais venda que o preto”.“A china fica ao lado” (1968) e “Angustia em Pequim” (1984), ambas de Maria Ondina Braga, são outros exemplos de obras que abordam o chá, tal como acontece com “Five o’clock tea” de Vitorino Nemésio, que defende o chá como um “elemento congregador de pessoas e desencadeador de rituais”.À margem do evento, falamos com José Pacheco, responsável pela Confraria de Chá do Porto Formoso. Esta iniciativa integra-se nos objectivos da Confraria do Chá do Porto Formoso, que são a divulgação do chá nas suas vertentes “histórica, turística, gastronómica e social”- sublinha. O evento é constituído por palestras sobre os referidos temas, mas o chá irá “elevar” o espírito também através da música clássica e do teatro.Apesar da colheita do chá nos Açores ser “sazonal”, tendo a duração de apenas “seis meses”, durante a época de produção a ilha tem condições benéficas à produção de chá e realmente produz um chá de “grande” qualidade. “O chá hoje em dia é um produto turístico”- salienta, avançando que, em 2007, a fábrica recebeu “27 mil visitantes” que tiveram a oportunidade de conhecer um pouco esta cultura agrícola, a sua “história e etnografia” e ainda saborear o produto.A Confraria do Chá do Porto Formoso nasceu em 2006, recorda, e é composta por 26 confrades, reunindo assim os estudiosos, apreciadores e amigos do chá. “Em 2008, já tivemos a nossa terceira eternização, onde se reuniram nove confrades efectivos temos também vários confrades honorários que muito nos honram”- salienta, avançando que todos os anos, no mês de Abril, a Confraria é aberta à vinda de “novos” elementos que estejam dispostos a defender, dentro do espírito do chá, uma cultura agrícola regional e típica que merece todo esse “esforço”. Estes recebem o traje da Confraria, composto por uma capa azul-escura “inspirada” no traje regional ‘capote e capelo’ e por um chapéu de feltro azul, cujo design é “baseado no tradicional chapéu de palha” da apanhadeira de chá. A insígnia, uma fita com uma medalha cunhada com o botão e primeiras folhas do rebento do chá, o “símbolo” da colheita fina e dos chás de grande qualidade, completam o traje.José de Almeida Mello, historiador, começa por abordar a história do chá nos Açores, explicando que esta remonta aos séculos XVIII e XIX, altura em que chegam as primeiras plantas, que servem de “peças ornamentais”. Ao surgir um “fungo” que cobre “grande parte dos laranjais” de S. Miguel, dá-se um “decréscimo brutal” desta produção, que tem de ser “substituída” por outra. É neste contexto que surge o chá, salienta, acrescentando que foram criadas no séc. XIX “diversas” plantações deste produto na costa Norte da ilha, mais precisamente na Ribeira Grande e em S. Vicente, além das Sete Cidades.Muitas destas plantações tiveram uma grande “produtividade” em finais da segunda metade do séc. XIX e em parte do séc. XX. Hoje, lembra, a produção de chá resume-se a duas fábricas. A da Gorreana, que data do séc. XIX e é a mais “antiga”. Fundada por Maria Hermínia Gago da Câmara, esta encontra-se actualmente na posse dos seus fundadores. A Fábrica de Chá do Porto Formoso, aparece nos anos 20 e depois é “recuperada” pelos actuais proprietários.Actualmente, o chá faz parte do “património” cultural da ilha e como tal deve ser “preservado e valorizado”, no contexto das agriculturas açorianas.Os açorianos “não” têm o hábito de tomar o ‘chá das cinco’, esclarece, avançando que fazem mais do que isso. Os açorianos tomam chá “ao longo das suas refeições”, em todos os “quadrantes” sociais. Nas freguesias rurais da ilha, revela, bebe-se ainda “muito” chá e nas classes mais favorecidas também se faz o famoso ‘chá das cinco’, que as senhoras faziam. Existem encontros de chá e há todo um “aparato social” em torno do chá. Inclusive, a cidade já dispõe de uma Casa de Chá, sendo o chá um hábito “bem enraizado” na cultura açoriana.João Anselmo, nutricionista, fala sobre “o chá na Saúde” e recorda que nos últimos tempos se tem assistido a uma “reabilitação” do seu consumo na alimentação. O homem bebe chá há “mais de 5000 anos” e actualmente já se percebe a importância do seu consumo “regular”. Este possui uma grande capacidade de “diminuir o risco de doenças cardiovasculares”, que constituem a primeira causa de “mortalidade” no mundo ocidental. “Só por isso, todo o esforço que seja feito para que se beba mais chá é bastante importante”- reconhece.Na sua opinião, qualquer chá, principalmente o regional, tem componentes que promovem o “relaxamento” e actuam como tranquilizantes, ressalva, avançando estar a falar do Camellia Sinensis.Maluquices com cháO capítulo “O chá maluco”, do conhecido clássico da literatura inglesa “Alice no Pais das Maravilhas” de Lewis Carroll, fechou a tarde de painéis neste seminário. Trata-se de um texto que faz “brincadeiras e enigmas lógicos” próprios da cultura de Inglaterra, explica Marina Vieira, do grupo “Vamos fazer de conta”. Estiveram em palco Ana Rochate; Eugénia Cabral; Justina Silva; Margarida Almeida e; Marina Vieira.O grupo “Vamos fazer de conta” iniciou a sua actividade em “Novembro de 1998”, relata, e apesar de ser preferencialmente dirigido ao público “infantil”, muitos adultos já se renderam à magia destas actrizes em palco.“Os quatro músicos de Bremmen” e mais recentemente”A galinha verde”, foram outras peças levadas ao palco por este grupo, que ao longo de uma década de existência já actuou em diversas ilhas da Região.Um chá dançanteO Seminário terminou com um espectáculo do grupo Danç’Arte intitulado “O Segredo do Chá”, ideia original de Sofia Bélchior e António Machado. Sofia Belchior, membro da referida companhia, conta que esta se encontra sedeada no teatro de S. João, em Palmela, e apresentou um ciclo relacionado com alguns ingredientes, entre eles, o chá. "Criámos este espectáculo, cuja temática tem a ver com as raízes, os rituais e a história do chá", agora pela mão da Confraria do Porto Formoso, lembra.O convite para apresentar este espectáculo em São Miguel, constituiu, sublinha, um motivo de "orgulho" para a Companhia, pois nesta vivem pessoas que convivem e sabem "muito" sobre o chá, que faz parte do seu quotidiano.Trata-se de um espectáculo de "dança contemporânea", mas cujo motivo e principal "motor da criação", foi efectivamente "tudo" o que gira à volta do chá.A actriz afirma ser um espectáculo "agradável" de se ver, que inclui uma "viagem à volta do chá", onde se passa por "várias zonas" do mundo, em termos de dança e de "ambientes". No ciclo onde este "bailado abstracto" está integrado, os actores trabalharam também o "café, chocolate, açúcar, sal e especiarias", elementos que os criadores utilizaram como "motivo de criação"."Estudamos os elementos, as suas origens, a forma como os utilizamos, os rituais que possam existir, algumas lendas e crenças"- esclarece, avançando serem elementos "muito ricos", que utilizam no seu dia-a-dia, que não conhecem e que, neste caso, representam a forma como "encontram" a dança contemporânea para a levar ao palco, para o mais "comum" dos mortais. E, alerta, "mesmo as pessoas que, muitas vezes, não estão habituadas a ver dança contemporânea, com este espectáculo conseguem chorar".
(Raquel Moreira in Divagações e Realidade)

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segunda-feira, agosto 25, 2008

Governo apoia instalação na Graciosa de estação científica internacional para o estudo do clima

Governo apoia instalação na Graciosa de estação científica internacional para o estudo do clima.
O Governo dos Açores está a negociar com entidades dos Estados Unidos o estabelecimento de uma parceria para a instalação, na ilha Graciosa, de uma estação internacional para estudo o clima.
O assunto constituiu tema de uma recente reunião, em Ponta Delgada, entre o director regional da Ciência e Tecnologia, João Luísa Garpar, e a cônsul dos EUA nos Açores na Região, Jean Manes.A iniciativa enquadra-se no Programa Atmospheric Radiation Measurement (ARM), implementado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos da América em 1990 com o objectivo de estudar o impacto das radiações e das nuvens nos modelos climáticos.O ARM inclui uma componente essencialmente dirigida à investigação e outra para a área das infra-estruturas, permitindo a obtenção de dados e o acesso a tecnologias de grande interesse para a comunidade científica especializada na concepção e desenvolvimento de modelos climáticos às escalas global e regional.A Universidade dos Açores, através do Centro de Climatologia, Meteorologia e Mudanças Globais e o Instituto de Meteorologia são os parceiros científicos a considerar neste projecto que conta já com a colaboração de numerosas instituições internacionais.A colocação de uma estação de observação climática na Graciosa segue-se à decisão da instalação, também nesta ilha, da estação internacional do CTBTO, destinada a monitorizar a realização de ensaios nucleares, à implantação do Observatório Internacional PICO-NARE, no Pico, e à entrada em funcionamento da estação de rastreio de satélites da Agência Espacial Europeia (ESA de Santa Maria, reforçando a estratégia do Governo em garantir o posicionamento de infra-estruturas científicas de interesse internacional nos Açores.

(In Canal de Notícias dos Açores)

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sábado, agosto 23, 2008

Região poderá dispor de uma estação científica para estudo do clima

Esta é uma iniciativa que se enquadra no programa “Atmospheric Radiation Measurement” (ARM) e visa a possível instalação de uma estação internacional para o estudo do clima na Graciosa.
Para que este projecto ARM possa ser instalado na Região (mais concretamente na ilha Graciosa), o Governo Regional dos Açores encontra-se em negociações com os Estados Unidos (EUA). Os parceiros açorianos a incluir no “Atmospheric Radiation Measurement” serão a Universidade dos Açores, através do seu Centro de Climatologia, Meteorologia e Mudanças Globais, bem como o Instituto de Meteorologia.Este assunto foi tema de debate numa reunião que se realizou recentemente em Ponta Delgada entre o director regional da Ciência e Tecnologia, João Luís Gaspar, e a cônsul dos EUA nos Açores, Jean Manes. A escolha da ilha Graciosa para a colocação de uma estação de observação climática prende-se com o facto de já ter sido decidida a instalação de uma outra estrutura internacional com o objectivo de monitorizar a realização de ensaios nucleares, bem como a implantação do Observatório Internacional PICO-NARE, no Pico, e, ainda, a entrada em funcionamento da estação de rastreio de satélites da Agência Espacial Europeia (ESA) em Santa Maria. Todas estas medidas, segundo o Governo Regional dos Açores, vêm reforçar a estratégia do Executivo em garantir o posicionamento de infra-estruturas científicas de interesse internacional nos Açores.O "Atmospheric Radiation Measurement” (ARM) foi implementado nos EUA no início dos anos 90 com o objectivo de estudar o impacto das radiações e nuvens nos modelos climáticos. Este programa inclui uma componente essencialmente dirigida à investigação e outra para a área das infra-estruturas, permitindo a obtenção de dados e o acesso a tecnologias de interesse para a comunidade científica especializada na concepção e desenvolvimento de modelos climáticos às escalas global e regional.

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sábado, dezembro 08, 2007

Regionalização do Instituto de Meteorologia

O Instituto Nacional de Meteorologia (IM) está aberto a uma regionalização “parcial ou total, se as entidades envolvidas chegarem à conclusão de que essa é a melhor solução para aumentar a eficácia dos serviços prestados à população”. A garantia de abertura para o diálogo foi dada pelo vogal do conselho directivo do IM, Dias Baptista. De acordo com o membro da direcção do Instituto de Meteorologia, para que a regionalização siga em frente, primeiramente terá de existir um entendimento global entre o Governo da República e o Governo Regional dos Açores. Além disso, o IM está sob a tutela do Ministério da Ciência e Ensino Superior, sendo que, se a decisão desta entidade for positiva, arrancarão as negociações com vista a colocar a regionalização no terreno. Dias Baptista, admite, ainda, que a regionalização do serviço meteorológico no arquipélago possa seguir a via parcial, mas também total. “Se, após ponderação, se chegar à conclusão de que uma regionalização parcial é a melhor opção, será essa a ser colocada no terreno. Se a melhoria e adequação dos serviços passar por uma regionalização total, assim seja”. A garantia de abertura à negociação expressa pelo IM surge depois de, no passado domingo, o líder do executivo açoriano, Carlos César, ter defendido a regionalização do Instituto de Meteorologia, alegando a necessidade de uma melhor cooperação com o Serviço de Protecção Civil do arquipélago. As declarações de César foram proferidas durante a inauguração das obras de ampliação do quartel dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca do Campo, ilha de São Miguel. O presidente do Governo Regional sustentou que várias instituições devem estreitar a sua ligação com o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros, sendo que essa cooperação “poderia até passar pela própria regionalização parcial ou total do Instituto de Meteorologia nos Açores. Em relação às declarações de César, Dias Baptista adianta desconhecer o contexto das mesmas, mas frisa que os representantes do IM estiveram no arquipélago recentemente, onde se reuniram com o líder do executivo açoriano, pelo que “as relações existentes são boas”.
“MEDIDA ADEQUADA”
Também o director do programa CLIMAAT, Eduardo Brito de Azevedo, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, considera que a regionalização do serviço de meteorologia nos Açores é uma “medida adequada”, mas apenas se assumir um carácter parcial. “A ligação a uma estrutura nacional é positiva. O IM tem compromissos internacionais, como, por exemplo, o acesso a fotografia por satélite, que não interessa estar a duplicar”, explica. Esta regionalização parcial seria uma boa medida, argumenta o professor da Universidade dos Açores, “porque, numa Região extremamente dependente do clima, a cobertura meteorológica e climática seria mais pormenorizada”. “Isto não quer dizer que a actual cobertura seja má, até porque o arquipélago é considerado uma escola para meteorologistas, mas existem necessidades muito específicas, que são descuradas quando se integra uma estrutura nacional. É algo que não é exclusivo dos Açores, também se verifica noutros locais, como as ilhas espanholas”, sustenta. Segundo Eduardo Brito de Azevedo, “em regiões tão dependentes do clima, como são as ilhas atlânticas, é necessária a adopção de modelos de previsão do tempo adequados à nossa dimensão”. Entre as áreas que podem beneficiar de um estudo mais exaustivo em termos de meteorologia está o sector dos transportes. “Já o desenvolvimento da área da climatologia é vital para potenciar os recursos da Região. É o caso dos recursos hídricos ou da capacidade de produção dos solos, importantes para o desenvolvimento de um sector como a agro-pecuária”, exemplifica o professor da Universidade dos Açores.

PLATAFORMA IDEAL
Na opinião do professor da Universidade dos Açores, Eduardo Brito de Azevedo, a regionalização parcial do Instituto de Meteorologia, que dotaria a estrutura existente nos Açores de uma maior autonomia, é também importante para o desenvolvimento do arquipélago enquanto “plataforma ideal” para a observação meteorológica da bacia do Atlântico Norte. Desde cedo que especialistas como Afonso Chaves e José Agostinho defenderam uma visão do arquipélago como Centro Permanente de Estudos Meteorológicos no Atlântico, lembra Eduardo Brito de Azevedo. “Este potencial é académico, mas também operacional. A posição dos Açores é estratégica para a observação de fenómenos meteorológicos na bacia do Atlântico Norte. A Região pode ser um parceiro operacional em projectos internacionais, por exemplo".

(In Diário Insular)

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sexta-feira, novembro 02, 2007

Alterações Climáticas (o passado e o presente)

As flores nascem fora de época, as temperaturas estão diferentes e o Verão já não é como era, com os dias a escurecer mais cedo. Estes são apenas alguns dos efeitos das alterações climáticas que se fazem sentir nos Açores. Segundo Eduardo Brito de Azevedo, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, especialista em climatologia e coordenador dos projectos CLIMAAT e CLIMARCOST nos Açores, já se verificam alguns indícios do fenómeno, traduzido, sobretudo, por um incremento da irregularidade do regime da precipitação anual e respectiva variabilidade inter-anual e por um incremento das temperaturas médias, sobretudo na média das mínimas. Brito de Azevedo afirma que “Em toda a bacia do Atlântico Norte assume particular importância o jogo da pressão atmosférica, traduzido pelo posicionamento dos centros de altas e baixas pressões. Um Anti-Ciclone dos Açores mais fraco, ou com tendência para se localizar mais a Sul ou Sudeste, como no caso do Verão deste ano, permite a descida do ar susceptível de adquirir instabilidade, face ao seu percurso sobre um oceano quente, bem como uma maior actividade de origem frontal com implicações traduzidas por uma maior irregularidade no estado do tempo.”. Assim, os efeitos das Alterações Climáticas já se fazem sentir nos Açores. Desde as oscilações da temperatura, passando pela fauna e flora (as Beladonas por exemplo, nascem mais cedo).
De acordo com o Prof. Brito de Azevedo “nem todas as variabilidades climáticas podem ser atribuídas a mudanças Globais, como dizia o Professor Pinto Peixoto, o Clima é inerentemente variável”. Ao longo da história mais recente do clima da Terra, temos assistido a épocas onde a irregularidade climática é mais acentuada do que noutras. Mesmo em períodos em que a actividade humana não tinha ainda capacidade para alterar o clima a nível global. No caso concreto dos Açores, em anos passados, já se viveram épocas onde as condições climatéricas se afastaram significativamente dos valores que, ainda há pouco tempo, eram considerados normais. Lembrando a segunda e quarta década do século passado, Brito de Azevedo afirma que “as temperaturas estiveram anormalmente elevadas, enquanto que na terceira década do mesmo século, a precipitação se situou muito abaixo dos valores de hoje em dia, verificando-se mesmo, casos de secas muito rigorosas em algumas ilhas do Arquipélago”.
“O mesmo se passou em relação a fenómenos climáticos extremos, de que são exemplo numerosos episódios dramáticos da nossa história”, acrescente. Mesmo assim, adianta, “o aquecimento global é um fenómeno hoje em dia incontestado pela comunidade científica, independentemente da discussão sobre o grau de responsabilidade do homem na sua evolução”.

(In Correio dos Açores)

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domingo, outubro 21, 2007

CLIMARCOST

Decorreu no porto do Caniçal a terceira reunião do projecto CLIMARCOST - Sistema de Monitorização de Dados Meteo-Oceanográficos, desenvolvido no âmbito do programa INTERREG III B, o qual reúne parceiros da Madeira, Açores e Canárias. Nas instalações da Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM) estiveram reunidos os representantes dos parceiros do projecto CLIMARCOST, iniciado em Janeiro de 2006, os quais são o Fundo de Coesão dos Açores (Chefe de Fila), a Universidade dos Açores, a APRAM, S.A., o Instituto Canário de Ciências Mariñas e a Universidade de Las Palmas de Gran Canária. Segundo Lígia Correia, da Administração da APRAM, “o grande objectivo do projecto CLIMARCOST é a recolha de dados sobre toda a área marítima que rodeia as três regiões envolvidas no projecto”. No que se refere à Madeira, salienta que a Região já disponha de duas bóias (Porto da Cruz e Caniçal) para a recolha de dados sobre a direcção e ondulação marítima, que permitia dar o apoio às infra-estruturas marítimas. Lígia Correia realça que o envolvimento da Região no projecto CLIMARCOST vai permitir “ganhar outras valências”, nomeadamente “ter bóias para cobrir toda a Região, uma para colocar no Porto Santo e outra para cobrir o Norte da Madeira (Porto Moniz), além de termos já uma estação meteo-oceanográfica no Funchal e uma outra para recolha de dados sobre os hidrocarbonetes”. “Assim, ficamos com esta questão da segurança marítima, nomeadamente ondulação e qualidade do mar, perfeitamente identificada com dados recolhidos, sendo a leitura feita com o apoio das Universidades e do Instituto Hidrográfico”, sublinha. Por outro lado, o Prof. Eduardo Brito de Azevedo, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, acentuou que o projecto CLIMARCOST “pretende colamatar uma falha, sobretudos nas regiões da Madeira e dos Açores, no que diz respeito à caracterização do clima marinho”. Assim, adianta que todo o projecto “é dirigido para uma caracterização do clima marinho que envolve os arquipélagos, baseado na mais recente tecnologia desenvolvida pelo parceiro das Canárias, que já tem equipado inclusivamente a Madeira com bóias meteo-oceanográficas”. Deste modo, o Prof. Eduardo Brito realça que a tecnologia empregue “permite avaliar uma série de parâmetros sobre a agitação marítima e outros, informação que é depois trabalhada pelas universidades e institutos de maneira a melhorar o conhecimento científico sobre as condições do clima marinho”, acrescentando que “esse conhecimento é depois aplicado nos diferentes sectores que dependem do mar, nomeadamente segurança marítima, navegabilidade, construções portuárias, erosão costeira, navegação de recreio, etc.”. O projecto CLIMARCOST decorre até Junho de 2008, tendo um valor global de cerca de 1,5 milhões de euros, sendo que a comparticipação da RAM é de 349 mil euros, dos quais 85% são componente INTERREG e 15% da APRAM.
(In Jornal da Madeira)

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quinta-feira, setembro 20, 2007

Alterações climáticas globais - Uma agenda sempre actual

Decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, e presenciada por alunos do ensino secundário, uma palestra sobre alterações climáticas que pretendeu alertar para as preocupações prementes da climatologia. Para o docente Eduardo Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, trata-se cada vez mais de uma questão incontornável e universal. Esta é uma discussão está na ordem do dia, enfatizou, e que não está subjacente, defendeu, a qualquer agenda política. Caso disso, está na catástrofe vivida pelos Estados Unidos da América, com a devastação levada a cabo pelo furacão Katrina, que foi referenciada pelo académico como um alertar de consciências naquele país: o furacão Katrina despoletou a política americana a inverter a sua posição nessa matéria. Porém, o poder de destruição levado a cabo por fenómenos climáticos já era previsto pelos especialistas há já algum tempo: alguns dias antes do furacão, um artigo na «Nature» já indicava que esse era um fenómeno previsível dadas as alterações da circulação termoalina, ou seja, o movimento das correntes oceânicas que redistribuem as temperaturas por todo o planeta. As evidências já estavam aí, reforçou. O aumento dos fenómenos climáticos de grande visibilidade, como os furacões, está interligado a outras variáveis que ao longo dos anos têm assumido uma cada vez maior visibilidade, como o aumento de períodos de seca, o degelo dos glaciares, etc.
Eduardo Brito de Azevedo refere que os Açores são um sítio privilegiado para o estudo da climatologia a nível global e que a partilha de estudos, e de dados relativos a este campo do saber já têm sido e estão a ser desenvolvidos, exemplificando com o projecto de medição da concentração de dióxido de carbono e de outros gases, a decorrer no cimo da ilha do Pico e na Serreta na Terceira, cujos dados são usados pelo National Oceanic & Atmospheric Administration (NOAA) ou pelos resultados do SIAM (Climate Change in Portugal) que efectua previsões do clima para o país e ilhas.
Tratando-se esta conferência de uma iniciativa inserida numa campanha dissuasora do uso de combustíveis fósseis, o especialista chama a atenção para a ligação directa entre o gases emitidos pela circulação automóvel e o aumento do efeito do estufa: se cada pessoa se libertasse, ainda que por apenas algum tempo, do uso do seu automóvel, poderia estar a contribuir individualmente para a diminuição do efeito de estufa.
À semelhança do resto do mundo, as alterações climática também vão ser sentidas nos Açores. Mais calor, chuvas mais intensas, aumento do nível do mar este é o quadro generalizado para o país e para as ilhas. As três principais variáveis: temperatura, precipitação e nível do mar sofrerão modificações no decorrer das próximas décadas. Apesar de ser a região do país que apresenta as menores alterações climáticas, os Açores vão ver aumentadas as suas temperaturas em 1 a 2 graus até final deste século. A título comparativo, existem outros pontos do no interior do país que, por exemplo, apontam para um acréscimo da temperatura que oscila entre os 5 e 6 graus. Quanto à precipitação, o cenário moderado é igual, não se prevendo grande variação anual, porém, a sua redistribuição ao longo do ano alterar-se-á, facto que fará com que as chuvas se concentrem nos meses de Inverno, projectando-se Verões mais secos. Em relação ao nível do mar, os estudos feitos apontam para um aumento de 50 cm para todo o país.
As alterações relativas do clima nos Açores tem a seu favor, referem os especialista, o papel modelador e moderador do oceano nas temperaturas insulares. Porém, ficam em alerta os perigos associados à erosão provocada pelas chuvadas fortes sobre os solos insulares, com particular destaque para o surgimento de deslizamento de terras. As secas do Verão, por seu turno, poderão trazer consequências para a ocupação em termos económicos desse solo. Com apresentação de resultados prevista para o fim deste mês, estão as previsões climáticas da Madeira que apontam para um agravamento das condições de tempo. As projecções apontam para uma grande diminuição da precipitação anual que terá impacto nos recursos hídricos. Estes são dados apurados no âmbito do SIAM (Climate Change in Portugal - Scenarios, Impacts and Adaptation Measures) que iniciado em 1999, fez uma previsão até 2100 dos cenários climáticos não só para o território nacional, como das regiões insulares.
Avaliar os impactos sobre um conjunto de sectores sócio-económicos e sistemas biofísicos tão variados como os recursos hídricos, as zonas costeiras, a agricultura, saúde humana, energia, florestas e biodiversidade e pescas foi o principal objectivo desenvolvido por diversos investigadores e instituições.

(In A União)

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sábado, setembro 15, 2007

Dados meteorológicos digitalizados e disponíveis on-line

Os dados meteorológicos existentes nos Açores desde que começaram a ser realizadas leituras sistemáticas nos observatórios de Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta vão ser digitalizados e disponíveis em rede, no âmbito do projecto CLIMAAT do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.

Os elementos ficam salvaguardados em suporte digital, para além de ficarem disponíveis on-line para quem quiser trabalhá-los, ou apenas, realizar consultas por curiosidade.

Para já, estão a ser digitalizadas as sáries de observação meteorológica existentes desde 1992 no Observatório José Agostinho, de Angra do Heroísmo.
A seguir serão introduzidos os dados de Ponta Delgada e Horta.
Brito de Azevedo, responsável pelo projecto CLIMAAT, afirma que quando todos os dados estiverem disponíveis on-line será possível, através do cruzamento de elementos, perceber melhor a vida colectiva desde o início do século XX, não apenas no que diz respeito ao clima em si, mas em todas as situações em que o clima teve influência.
A história da meteorologia na Região Açores é muito rica. A melhor série estatística em Portugal é a do Observatório D. Luís, em Lisboa, mas a segunda melhor, refere Brito de Azevedo, é a que existe nos observatórios açorianos.
O grande impulsionador da meteorologia nos Açores foi o Rei D. Carlos, cujo interesse pela ciência é bem conhecido.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, setembro 06, 2007

Influência da temperatura da água do mar na trajectória dos ciclones

Os Açores, a manter-se a tendência de aquecimento global, terão maior probabilidade de serem atingidos por tempestades tropicais. A possibilidade é avançada pelo professor universitário Eduardo Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Explica o académico que, a curto prazo, com o aumento previsível da força destrutiva dos furacões no Atlântico, as tempestades tropicais poderão durar mais tempo e manterem a sua intensidade até chegarem ao Arquipélago. Este é um fenómeno que tem vindo a ser debatido na comunidade científica e não só. Já era previsível que, com o aquecimento da superfície da água do mar (que alimenta os furacões), estes ganhassem maior força destrutiva. Ora, ao subirem a Norte pelas correntes do Golfo, estes fenómenos, já classificados como tempestades tropicais, podem chegar com maior intensidade aos Açores, que ficam no seu caminho. O arquipélago está “no limite do arco de acção dos furacões no Atlântico”, argumenta o investigador, responsável pelo projecto CLIMAAT, afecto ao Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Adianta Brito de Azevedo que, nas últimas décadas, a água fria do Atlântico Norte faz com que os furacões percam força quando abandonam o Golfo do México e rumam, por exemplo, aos Açores. “Mas a água do mar tem vindo a subir de temperatura. Isso terá efeitos, aliás, é por isso que, hoje, vemos furacões com maior força destrutiva na zona do Golfo do México, caso do Félix, agora em actividade junto à Nicarágua, e do recente Dean, que também chegou à força 5.

Era previsível no meio científico não o aumento do número de furacões, mas a maior frequência de fenómenos desta natureza com capacidades destrutivas elevadas”, explica Brito de Azevedo.
“Curiosamente, poucos dias antes do furacão Katrina, que afectou Nova Orleães, nos Estados Unidos, um artigo na revista Science noticiava a previsibilidade de os furacões, por causa do aquecimento global, virem a aumentar a sua força destruidora”, alega o professor universitário reconhecendo também que, num prazo de 100 anos, confirmando-se a previsível subida de temperatura da água do mar nos Açores em um grau, a probabilidade do arquipélago “sofrer com estes fenómenos” climáticos aumenta. Os furacões nascem, maioritariamente, junto à costa africana como depressões tropicais, alimentando-se da água quente da Corrente do Golfo. Depois, viajam para Oeste, ganhando maior intensidade e formando tempestades tropicais que, nas quentes águas do Golfo do México, atingem a categoria de furacões, por esta altura do ano. Depois, alguns deles, sobem a Norte, aproveitando braços da Corrente do Golfo, rumando aos Açores. Mas, com a água fria, vão perdendo intensidade, regressando ao estado de tempestades tropicais e, na maioria dos casos, desvanecendo-se.

(In Diário Insular)

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segunda-feira, setembro 03, 2007

Mais um ondógrafo nos Açores: Santa Maria

Com o lançamento de mais uma estação ondógrafo ao largo da Ilha de Sta. Maria (dia 30 de Agosto), o projecto CLIMARCOST (INTERREG-IIIB, Açores, Madeira e Canárias) liderado pelo Professor Eduardo Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, na sequência dos projectos CLIMAAT, alarga a monitorização da agitação marítima de um extremo ao outro do arquipélago dos Açores.
Composta actualmente por seis estações ondógrafo, a rede de monitorização da agitação marítima dos Açores permite, para além da produção de informação de natureza operacional em tempo real (www.climaat.angra.uac.pt), fundamental para todos os sectores que se relacionam no seu dia a dia com o mar, caracterizar de uma forma mais realista o clima marítimo costeiro das deferentes ilhas.
Naturalmente sempre limitadas aos condicionalismos resultantes da sua posição geográfica face a cada uma das ilhas, a informação gerada por cada uma das unidades ondógrafo e, no seu conjunto, por todo o dispositivo, permite produzir informação e desenvolvimento científico sobre a dinâmica oceânica costeira, com importância relevante para todas a actividades que se relacionam com o ambiente marítimo.

De entre os diferentes sectores que beneficiam com este tipo de informação meteo-oceanográfica e climatológica destacam-se os relacionados com a segurança no mar, obras portuárias e infraestruturas costeiras (na fase de projecto e na fase de acompanhamento de obras e comportamento de estruturas), com o sector das pescas, navegação comercial e operação portuária, dinâmica sedimentar e erosão costeira, dinâmica e comportamento dos ecossistemas costeiros. Todos estes domínios revelam-se fundamentais para quem vive em ilhas, e depende de uma forma tão preponderante do ambiente marítimo que as interliga.
No seu conjunto, conjugadas as experiências, a informação gerada pelas diferentes unidades e o trabalho produzido por todos os parceiros envolvidos (Açores, Madeira e Canárias), dando, afinal, cumprimento ao espírito da iniciativa INTERREG-IIIB, o projecto contribui para um estreitamento institucional nos domínios da meteo-oceanografia operacional bem como para o aprofundamento do conhecimento científico de uma vasta zona do Atlântico Norte.
Tal como anteriormente já referido o projecto CLIMARCOST, iniciativa financiada e apoiada localmente pelo Fundo Regional de Coesão do Governo Regional dos Açores, conta com uma parceria activa que envolve, para além da Universidade e Observatório do Ambiente dos Açores, entidades das diferente regiões da Macaronésia,
A estação ondógrafo de Santa é composta por uma unidade de recepção e tratamento de dados em terra, localizada nas instalações da Administração dos Portos de Sta. Maria, e por uma bóia ondógrafo fundeada a cerca de uma milha e meia por sul (S) do porto de Vila do Porto, numa posição aproximada de 36º 55,20 N de latitude e 25º 10,00 W de longitude (com um giro de aproximadamente 500 metros).


Oportunamente reportada no rol dos avisos à navegação, a bóia encontra-se devidamente sinalizada produzindo durante a noite um sinal luminoso de cinco relâmpagos amarelos espaçados de dois segundos, seguidos de um período às escuras de 10 segundos.
A operação de mar, coordenada com a autoridade marítima, foi efectuada a bordo do navio “Baía dos Anjos” dos Transportes Marítimos Parece Machado (Lda.), e apoiada pelas embarcações locais da marinha, “Baía dos Reis” (particular) e da APSM.
Nunca será demais salientar que, em todo o projecto CLIMARCOST, iniciativa financiada e apoiada localmente através do Fundo Regional de Coesão do Governo Regional dos Açores, participam e colaboram um conjunto de entidades e de pessoas que, nas respectivas esferas de acção, têm permitido a sua realização. Assim, para além da Universidade e Observatório do Ambiente dos Açores e restantes parceiros da Região da Macaronésia (Universidade de Las Palmas, Instituto Canário de Ciências Marinhas, Administração dos Portos da Madeira), o projecto conta localmente com o apoio fundamental das Administrações dos Portos e Capitanias dos Portos dos Açores.
(In A União)

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terça-feira, agosto 28, 2007

Influência do Anticiclone dos Açores no tempo da Europa

O Anticiclone dos Açores está posicionado mais a Sul do que o habitual, permitindo que haja mais precipitação e tempestades, explica o especialista em climatologia do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Eduardo Brito.

O Verão de 2007, nos Açores e na Europa, está mais chuvoso. Os elevados índices de precipitação devem-se à actual posição do Anticiclone dos Açores, a qual está a influenciar determinantemente o estado de tempo na Europa. De acordo com Eduardo Brito, especialista em climatologia da Universidade dos Açores, “o Anticiclone dos Açores está localizado mais a Sul do que é habitual”. Como tal, “fica mais fraco permitindo a deslocação, igualmente para sul, das frentes polares, ou seja, há mais precipitação e tempestades”. Ao invés, quando o Anticiclone dos Açores está posicionado mais a norte, o tempo fica mais quente.

Eduardo Brito explica, ainda, que a monitorização do Anticiclone pode ser feita através do índice NAO – North Atlantic Oscillation, um processo que avalia diariamente, a pressão atmosférica na Islândia e nos Açores. Através desse índice, é possível verificar que o Anticiclone dos Açores está, há vários meses, localizado mais a sul.

(In Jornal Diário)

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