quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Centros de Ciência nos Açores

O Expolab, na Lagoa, o Observatório Astronómico, na Ribeira Grande, e o Observatório do Ambiente, em Angra do Heroísmo, gerido pelo Prof. Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias são os três centros de ciência do Arquipélago, que o Governo Regional espera que abram ao público, ainda no primeiro semestre deste ano. A fase de arranque destes centros vai contar com o apoio da Agência Ciência Viva, garantiu o director regional da Ciência e Tecnologia, esta semana numa reunião em Lisboa, em que participou o Ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior. Já foram definidas as bases para o estabelecimento de parcerias quer com o Pavilhão do Conhecimento, quer com outros centros da rede nacional, como será o caso imediato do Centro de Ciência Viva de Estremoz. A intervenção da Agência Ciência Viva – segundo o director regional da Ciência e Tecnologia – vai fazer-se sentir ao nível da experiência adquirida na realização de eventos interactivos especialmente dirigidos para a promoção da cultura científica e tecnológica.“A produção de exposições próprias ou o aluguer de exposições internacionais são tarefas de elevada complexidade face ao rigor científico exigido e o Governo quer garantir uma oferta de qualidade que consiga mobilizar os cidadãos, em geral, e os jovens, em particular, para discussões formativas em torno de temáticas actuais”, explicou.

(In Jornal Diário)

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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Estação do Projecto CLIMAAT vandalizada

A estação meteorológica do projecto CLIMAAT do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, instalada na Fortaleza de São Sebastião, em Angra do Heroísmo, foi vandalizada, tendo desaparecido algum material informático que assegura o seu funcionamento. Eduardo Brito de Azevedo, coordenador do projecto CLIMAAT, disse ao DI que é a segunda vez que a estação meteorológica que recolhe dados sobre o estado do tempo em Angra do Heroísmo foi assaltada. De acordo com os registos do centro de controlo do projecto CLIMAAT, a estação ficou inactiva por acção de desconhecidos às 13h15 da passada segunda-feira.A caixa onde se encontra o material informático que assegura o funcionamento na estação foi vandalizada e foram levados alguns dos componentes necessários para assegurar a transmissão de dados para o centro de controlo. A câmara que capta as imagens da baía de Angra do Heroísmo também foi alvo de vandalismo mas acabou por não ser levada. Para Eduardo Brito de Azevedo, “esta é uma ocorrência estranha pelo facto da estação estar instalada no interior do Castelinho onde funciona uma pousada e existem câmara de vídeo vigilância que controlam as entradas e saídas”. O projecto CLIMAAT dispõem de estações meteorológicas na Terceira, São Miguel, Faial, Pico, Santa Maria, São Jorge, Graciosa e Flores e tem em vista estudar o clima das regiões insulares atlânticas.
Somos assíduos frequentadores do site climaat.angra.uac.pt (um projecto Interreg que envolve a Universidade os Açores, a Madeira e as Canárias sobre o clima e a meteorologia dos arquipélagos atlânticos) pela simples razão de que a informação meteorológica é muito completa e sobretudo porque é acompanhada com imagens, em tempo real, de diversos pontos dos Açores (só falta o Corvo). Ou seja, é deveras interessante, a partir de qualquer computador pessoal, saber como está, neste preciso momento (obviamente de dia), o tempo no canal Faial/Pico, ou S. Jorge/Pico, ou em Ponta Delgada, ou nas Flores. E isso consegue-se porque a Universidade instalou, em todos esses locais (dez, para sermos mais concretos) câmaras de vídeo que, com intervalo de minutos, enviam uma imagem que pode ser visualizada em qualquer computador, a partir de qualquer ponto do mundo. Só que nada resiste quando os meliantes querem destruir o trabalho de quem serve a comunidade. Aconteceu por estes dias (pela segunda vez), que o sistema instalado no Forte de S. Sebastião, sobranceiro ao Porto das Pipas, foi destruído. Em nome de quê? Roubo do equipamento ou simples desejo de destruir? Quer seja uma coisa, ou outra, que sinal é enviado para quem consulta? Em vez da imagem do tempo, em tempo real, damos a imagem de uma região de energúmenos que não conseguimos respeitar uma simples câmara (web cam) que presta um serviço público muito interessante a todos os internautas. E há que pôr cobro a isto.
(In Diário Insular)

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sábado, fevereiro 02, 2008

CLIMAAT já tem barco

sábado, dezembro 08, 2007

Regionalização do Instituto de Meteorologia

O Instituto Nacional de Meteorologia (IM) está aberto a uma regionalização “parcial ou total, se as entidades envolvidas chegarem à conclusão de que essa é a melhor solução para aumentar a eficácia dos serviços prestados à população”. A garantia de abertura para o diálogo foi dada pelo vogal do conselho directivo do IM, Dias Baptista. De acordo com o membro da direcção do Instituto de Meteorologia, para que a regionalização siga em frente, primeiramente terá de existir um entendimento global entre o Governo da República e o Governo Regional dos Açores. Além disso, o IM está sob a tutela do Ministério da Ciência e Ensino Superior, sendo que, se a decisão desta entidade for positiva, arrancarão as negociações com vista a colocar a regionalização no terreno. Dias Baptista, admite, ainda, que a regionalização do serviço meteorológico no arquipélago possa seguir a via parcial, mas também total. “Se, após ponderação, se chegar à conclusão de que uma regionalização parcial é a melhor opção, será essa a ser colocada no terreno. Se a melhoria e adequação dos serviços passar por uma regionalização total, assim seja”. A garantia de abertura à negociação expressa pelo IM surge depois de, no passado domingo, o líder do executivo açoriano, Carlos César, ter defendido a regionalização do Instituto de Meteorologia, alegando a necessidade de uma melhor cooperação com o Serviço de Protecção Civil do arquipélago. As declarações de César foram proferidas durante a inauguração das obras de ampliação do quartel dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca do Campo, ilha de São Miguel. O presidente do Governo Regional sustentou que várias instituições devem estreitar a sua ligação com o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros, sendo que essa cooperação “poderia até passar pela própria regionalização parcial ou total do Instituto de Meteorologia nos Açores. Em relação às declarações de César, Dias Baptista adianta desconhecer o contexto das mesmas, mas frisa que os representantes do IM estiveram no arquipélago recentemente, onde se reuniram com o líder do executivo açoriano, pelo que “as relações existentes são boas”.
“MEDIDA ADEQUADA”
Também o director do programa CLIMAAT, Eduardo Brito de Azevedo, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, considera que a regionalização do serviço de meteorologia nos Açores é uma “medida adequada”, mas apenas se assumir um carácter parcial. “A ligação a uma estrutura nacional é positiva. O IM tem compromissos internacionais, como, por exemplo, o acesso a fotografia por satélite, que não interessa estar a duplicar”, explica. Esta regionalização parcial seria uma boa medida, argumenta o professor da Universidade dos Açores, “porque, numa Região extremamente dependente do clima, a cobertura meteorológica e climática seria mais pormenorizada”. “Isto não quer dizer que a actual cobertura seja má, até porque o arquipélago é considerado uma escola para meteorologistas, mas existem necessidades muito específicas, que são descuradas quando se integra uma estrutura nacional. É algo que não é exclusivo dos Açores, também se verifica noutros locais, como as ilhas espanholas”, sustenta. Segundo Eduardo Brito de Azevedo, “em regiões tão dependentes do clima, como são as ilhas atlânticas, é necessária a adopção de modelos de previsão do tempo adequados à nossa dimensão”. Entre as áreas que podem beneficiar de um estudo mais exaustivo em termos de meteorologia está o sector dos transportes. “Já o desenvolvimento da área da climatologia é vital para potenciar os recursos da Região. É o caso dos recursos hídricos ou da capacidade de produção dos solos, importantes para o desenvolvimento de um sector como a agro-pecuária”, exemplifica o professor da Universidade dos Açores.

PLATAFORMA IDEAL
Na opinião do professor da Universidade dos Açores, Eduardo Brito de Azevedo, a regionalização parcial do Instituto de Meteorologia, que dotaria a estrutura existente nos Açores de uma maior autonomia, é também importante para o desenvolvimento do arquipélago enquanto “plataforma ideal” para a observação meteorológica da bacia do Atlântico Norte. Desde cedo que especialistas como Afonso Chaves e José Agostinho defenderam uma visão do arquipélago como Centro Permanente de Estudos Meteorológicos no Atlântico, lembra Eduardo Brito de Azevedo. “Este potencial é académico, mas também operacional. A posição dos Açores é estratégica para a observação de fenómenos meteorológicos na bacia do Atlântico Norte. A Região pode ser um parceiro operacional em projectos internacionais, por exemplo".

(In Diário Insular)

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sábado, novembro 24, 2007

Alterações do Clima

A humanidade tem que tomar medidas urgentes para inverter a situação de degradação das condições climáticas na Terra. Essa foi a mensagem transmitida aos alunos da Escola Básica e Secundária Padre Jerónimo Emiliano de Andrade pelo investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Eduardo Brito de Azevedo, durante uma conferência sobre o tema “O clima em mudança”, realizada no âmbito da Semana Nacional da Ciência e Tecnologia. De acordo com Eduardo Brito de Azevedo, as alterações climáticas ocorrem na Terra desde pelo menos há 250 milhões de anos, ou seja, muito antes de a humanidade existir no planeta, mas desde meados do século XVIII que o problema começou a ter outra expressão com a utilização dos combustíveis fósseis com a revolução industrial. O docente da Universidade dos Açores referiu que a Terra está a ser aquecida devido ao “efeito de estufa” e que se esse fenómeno se não for controlado num futuro próximo as consequências para a vida na terra poderão ser muito graves. Nesse sentido, o investigador da Universidade dos Açores adiantou que, entre 2070 e 2100, as temperaturas na Terra poderão sofrer “um aumento preocupante” que irá provocar o degelo, situação que terá implicações nos recursos hídricos que são utilizados por grande parte da humanidade. No entanto, o conferencista adiantou que os dados disponíveis indicam que a humanidade “ainda está a tempo de recuperar o mal que tem feito” se foram tomadas medidas para reduzir a emissão de gases para a atmosfera. “Em pouco tempo o homem provocou danos demasiados que estão a provocar alterações climáticas. Será a vossa geração que terá que resolver esse problema que é responsabilidade da minha e das anteriores”, disse.

CASO DOS AÇORES

No decorrer do período destinado a perguntas, Eduardo Brito de Azevedo abordou a situação dos Açores no âmbito das alterações climáticas provocadas pelo aquecimento global. Segundo o investigador responsável pelo projecto CLIMAAT e CLIMARCOST, a localização dos Açores no meio do oceano Atlântico faz com que as ilhas estejam mais resguardas no que se refere às mudanças climáticas devido à acção do mar na absorção de dióxido de carbono. Mas frisou que os efeitos das mudanças climáticas já estão, também, a verificar-se no Arquipélago, havendo cada vez mais irregularidade no que se refere aos períodos de precipitação.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, novembro 02, 2007

Alterações Climáticas (o passado e o presente)

As flores nascem fora de época, as temperaturas estão diferentes e o Verão já não é como era, com os dias a escurecer mais cedo. Estes são apenas alguns dos efeitos das alterações climáticas que se fazem sentir nos Açores. Segundo Eduardo Brito de Azevedo, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, especialista em climatologia e coordenador dos projectos CLIMAAT e CLIMARCOST nos Açores, já se verificam alguns indícios do fenómeno, traduzido, sobretudo, por um incremento da irregularidade do regime da precipitação anual e respectiva variabilidade inter-anual e por um incremento das temperaturas médias, sobretudo na média das mínimas. Brito de Azevedo afirma que “Em toda a bacia do Atlântico Norte assume particular importância o jogo da pressão atmosférica, traduzido pelo posicionamento dos centros de altas e baixas pressões. Um Anti-Ciclone dos Açores mais fraco, ou com tendência para se localizar mais a Sul ou Sudeste, como no caso do Verão deste ano, permite a descida do ar susceptível de adquirir instabilidade, face ao seu percurso sobre um oceano quente, bem como uma maior actividade de origem frontal com implicações traduzidas por uma maior irregularidade no estado do tempo.”. Assim, os efeitos das Alterações Climáticas já se fazem sentir nos Açores. Desde as oscilações da temperatura, passando pela fauna e flora (as Beladonas por exemplo, nascem mais cedo).
De acordo com o Prof. Brito de Azevedo “nem todas as variabilidades climáticas podem ser atribuídas a mudanças Globais, como dizia o Professor Pinto Peixoto, o Clima é inerentemente variável”. Ao longo da história mais recente do clima da Terra, temos assistido a épocas onde a irregularidade climática é mais acentuada do que noutras. Mesmo em períodos em que a actividade humana não tinha ainda capacidade para alterar o clima a nível global. No caso concreto dos Açores, em anos passados, já se viveram épocas onde as condições climatéricas se afastaram significativamente dos valores que, ainda há pouco tempo, eram considerados normais. Lembrando a segunda e quarta década do século passado, Brito de Azevedo afirma que “as temperaturas estiveram anormalmente elevadas, enquanto que na terceira década do mesmo século, a precipitação se situou muito abaixo dos valores de hoje em dia, verificando-se mesmo, casos de secas muito rigorosas em algumas ilhas do Arquipélago”.
“O mesmo se passou em relação a fenómenos climáticos extremos, de que são exemplo numerosos episódios dramáticos da nossa história”, acrescente. Mesmo assim, adianta, “o aquecimento global é um fenómeno hoje em dia incontestado pela comunidade científica, independentemente da discussão sobre o grau de responsabilidade do homem na sua evolução”.

(In Correio dos Açores)

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domingo, outubro 21, 2007

CLIMARCOST

Decorreu no porto do Caniçal a terceira reunião do projecto CLIMARCOST - Sistema de Monitorização de Dados Meteo-Oceanográficos, desenvolvido no âmbito do programa INTERREG III B, o qual reúne parceiros da Madeira, Açores e Canárias. Nas instalações da Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM) estiveram reunidos os representantes dos parceiros do projecto CLIMARCOST, iniciado em Janeiro de 2006, os quais são o Fundo de Coesão dos Açores (Chefe de Fila), a Universidade dos Açores, a APRAM, S.A., o Instituto Canário de Ciências Mariñas e a Universidade de Las Palmas de Gran Canária. Segundo Lígia Correia, da Administração da APRAM, “o grande objectivo do projecto CLIMARCOST é a recolha de dados sobre toda a área marítima que rodeia as três regiões envolvidas no projecto”. No que se refere à Madeira, salienta que a Região já disponha de duas bóias (Porto da Cruz e Caniçal) para a recolha de dados sobre a direcção e ondulação marítima, que permitia dar o apoio às infra-estruturas marítimas. Lígia Correia realça que o envolvimento da Região no projecto CLIMARCOST vai permitir “ganhar outras valências”, nomeadamente “ter bóias para cobrir toda a Região, uma para colocar no Porto Santo e outra para cobrir o Norte da Madeira (Porto Moniz), além de termos já uma estação meteo-oceanográfica no Funchal e uma outra para recolha de dados sobre os hidrocarbonetes”. “Assim, ficamos com esta questão da segurança marítima, nomeadamente ondulação e qualidade do mar, perfeitamente identificada com dados recolhidos, sendo a leitura feita com o apoio das Universidades e do Instituto Hidrográfico”, sublinha. Por outro lado, o Prof. Eduardo Brito de Azevedo, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, acentuou que o projecto CLIMARCOST “pretende colamatar uma falha, sobretudos nas regiões da Madeira e dos Açores, no que diz respeito à caracterização do clima marinho”. Assim, adianta que todo o projecto “é dirigido para uma caracterização do clima marinho que envolve os arquipélagos, baseado na mais recente tecnologia desenvolvida pelo parceiro das Canárias, que já tem equipado inclusivamente a Madeira com bóias meteo-oceanográficas”. Deste modo, o Prof. Eduardo Brito realça que a tecnologia empregue “permite avaliar uma série de parâmetros sobre a agitação marítima e outros, informação que é depois trabalhada pelas universidades e institutos de maneira a melhorar o conhecimento científico sobre as condições do clima marinho”, acrescentando que “esse conhecimento é depois aplicado nos diferentes sectores que dependem do mar, nomeadamente segurança marítima, navegabilidade, construções portuárias, erosão costeira, navegação de recreio, etc.”. O projecto CLIMARCOST decorre até Junho de 2008, tendo um valor global de cerca de 1,5 milhões de euros, sendo que a comparticipação da RAM é de 349 mil euros, dos quais 85% são componente INTERREG e 15% da APRAM.
(In Jornal da Madeira)

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sábado, outubro 13, 2007

Observatório do Ambiente dos Açores

Atrasos na obra e na captação de fundos, adiam a abertura do Observatório do Ambiente dos Açores para 2008.
Os atrasos na abertura do Observatório do Ambiente somam duas causas: alterações à recuperação das instalações da antiga Casa do Peixe de Angra do Heroísmo e angariação de verbas para o equipamento do espaço.
Apesar de ainda não estar na nova casa, o Observatório desenvolve normalmente os seus projectos no campus universitário de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, ficando penalizado pela falta de expressão pública.

A abertura do novo Observatório do Ambiente já esteve marcada para o passado mês de Junho. A colocação da primeira pedra aconteceu a 23 de Março de 2006 e desde então as obras de recuperação e requalificação das instalações da antiga Casa do Peixe já estão concluídas. Para já, segundo informou o docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores responsável pela Associação para o Estudo do Ambiente Insular, Eduardo Brito de Azevedo, decorre o período de apreciação das propostas entregues para a aquisição de equipamento. Trata-se de um processo que, garantiu, deverá estar concluído até ao final do ano. Quanto à abertura das portas no novo espaço de investigação científico, Eduardo Brito Azevedo aponta o primeiro trimestre como o prazo definitivo para o funcionamento a cem por cento do Observatório.
Na base dos atrasos, explicou, estiveram relacionados com “problemas estruturais” no curso da obra. Em concreto, explicou, esteve a tentativa de recuperação do antigo telhado da Casa do Peixe que acabou revelar-se infrutífera: “não foi possível recuperar o anterior telhado”. O docente universitário mostra-se satisfeito com a globalidade da intervenção: “a obra está bem feita”. Quanto ao agravamento dos custos desta obra, orçadas em 1,3 milhões de euros, Brito Azevedo conta que ele “não é significativo”. Noutra frente, explica, os atrasos do equipamento são igualmente justificados com a procura e o encaixe deste investimento em fundos de financiamento. Eduardo Brito de Azevedo explica que a instituição “não possui verbas próprias”, o que obriga à procura de verbas que possam suportar as necessidades da mesma: “vamos navegando ao sabor das possibilidades económicas”. Apesar de referir que nenhum projecto está a ser prejudicado com a não transferência dos recursos humanos e técnicos para o novo espaço, o responsável afirma que o Observatório ressente-se com a falta de “interligação e visibilidade do Observatório junto das populações”.
Para já, informou Eduardo Brito de Azevedo, o Observatório do Ambiente tem em curso dois principais projectos: o CLIMAAT e CLIMARCOST , ambos integrados no Interreg IIIB que estuda o Clima e Meteorología dos Arquipélagos Atlânticos e o Clima Marítimo e Costeiro. De igual forma, informou, decorrem projectos na área do ordenamento do território. O novo observatório insere-se na Rede de Observatórios dos Açores, que incluiu, ainda, o Observatório Astronómico de Santana e o Observatório Vulcanológico e Geotérmico da Lagoa e o Observatório do Mar, na ilha do Faial. Esta rede de Observatórios Científicos tem como principais objectivos apoiar o ensino experimental das ciências, contribuir para a divulgação da cultura científica, promover a investigação científica de elevado interesse regional e contribuir para o desenvolvimento da Sociedade do Conhecimento. O manifesto do Observatório do Ambiente refere que “ao contrário do que possa parecer o Observatório do Ambiente não pretende ser mais uma entidade dedicada à investigação científica. Para essa tarefa conta a Região dos Açores com a sua Universidade e com outras entidades especialmente vocacionadas para essa função. Ao Observatório competirá, isso sim, identificar e apoiar projectos considerados de interesse estratégico para a região, promover o intercâmbio de ideias e divulgar”.

(In A União)

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quinta-feira, setembro 20, 2007

Alterações climáticas globais - Uma agenda sempre actual

Decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, e presenciada por alunos do ensino secundário, uma palestra sobre alterações climáticas que pretendeu alertar para as preocupações prementes da climatologia. Para o docente Eduardo Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, trata-se cada vez mais de uma questão incontornável e universal. Esta é uma discussão está na ordem do dia, enfatizou, e que não está subjacente, defendeu, a qualquer agenda política. Caso disso, está na catástrofe vivida pelos Estados Unidos da América, com a devastação levada a cabo pelo furacão Katrina, que foi referenciada pelo académico como um alertar de consciências naquele país: o furacão Katrina despoletou a política americana a inverter a sua posição nessa matéria. Porém, o poder de destruição levado a cabo por fenómenos climáticos já era previsto pelos especialistas há já algum tempo: alguns dias antes do furacão, um artigo na «Nature» já indicava que esse era um fenómeno previsível dadas as alterações da circulação termoalina, ou seja, o movimento das correntes oceânicas que redistribuem as temperaturas por todo o planeta. As evidências já estavam aí, reforçou. O aumento dos fenómenos climáticos de grande visibilidade, como os furacões, está interligado a outras variáveis que ao longo dos anos têm assumido uma cada vez maior visibilidade, como o aumento de períodos de seca, o degelo dos glaciares, etc.
Eduardo Brito de Azevedo refere que os Açores são um sítio privilegiado para o estudo da climatologia a nível global e que a partilha de estudos, e de dados relativos a este campo do saber já têm sido e estão a ser desenvolvidos, exemplificando com o projecto de medição da concentração de dióxido de carbono e de outros gases, a decorrer no cimo da ilha do Pico e na Serreta na Terceira, cujos dados são usados pelo National Oceanic & Atmospheric Administration (NOAA) ou pelos resultados do SIAM (Climate Change in Portugal) que efectua previsões do clima para o país e ilhas.
Tratando-se esta conferência de uma iniciativa inserida numa campanha dissuasora do uso de combustíveis fósseis, o especialista chama a atenção para a ligação directa entre o gases emitidos pela circulação automóvel e o aumento do efeito do estufa: se cada pessoa se libertasse, ainda que por apenas algum tempo, do uso do seu automóvel, poderia estar a contribuir individualmente para a diminuição do efeito de estufa.
À semelhança do resto do mundo, as alterações climática também vão ser sentidas nos Açores. Mais calor, chuvas mais intensas, aumento do nível do mar este é o quadro generalizado para o país e para as ilhas. As três principais variáveis: temperatura, precipitação e nível do mar sofrerão modificações no decorrer das próximas décadas. Apesar de ser a região do país que apresenta as menores alterações climáticas, os Açores vão ver aumentadas as suas temperaturas em 1 a 2 graus até final deste século. A título comparativo, existem outros pontos do no interior do país que, por exemplo, apontam para um acréscimo da temperatura que oscila entre os 5 e 6 graus. Quanto à precipitação, o cenário moderado é igual, não se prevendo grande variação anual, porém, a sua redistribuição ao longo do ano alterar-se-á, facto que fará com que as chuvas se concentrem nos meses de Inverno, projectando-se Verões mais secos. Em relação ao nível do mar, os estudos feitos apontam para um aumento de 50 cm para todo o país.
As alterações relativas do clima nos Açores tem a seu favor, referem os especialista, o papel modelador e moderador do oceano nas temperaturas insulares. Porém, ficam em alerta os perigos associados à erosão provocada pelas chuvadas fortes sobre os solos insulares, com particular destaque para o surgimento de deslizamento de terras. As secas do Verão, por seu turno, poderão trazer consequências para a ocupação em termos económicos desse solo. Com apresentação de resultados prevista para o fim deste mês, estão as previsões climáticas da Madeira que apontam para um agravamento das condições de tempo. As projecções apontam para uma grande diminuição da precipitação anual que terá impacto nos recursos hídricos. Estes são dados apurados no âmbito do SIAM (Climate Change in Portugal - Scenarios, Impacts and Adaptation Measures) que iniciado em 1999, fez uma previsão até 2100 dos cenários climáticos não só para o território nacional, como das regiões insulares.
Avaliar os impactos sobre um conjunto de sectores sócio-económicos e sistemas biofísicos tão variados como os recursos hídricos, as zonas costeiras, a agricultura, saúde humana, energia, florestas e biodiversidade e pescas foi o principal objectivo desenvolvido por diversos investigadores e instituições.

(In A União)

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sábado, setembro 15, 2007

Dados meteorológicos digitalizados e disponíveis on-line

Os dados meteorológicos existentes nos Açores desde que começaram a ser realizadas leituras sistemáticas nos observatórios de Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta vão ser digitalizados e disponíveis em rede, no âmbito do projecto CLIMAAT do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.

Os elementos ficam salvaguardados em suporte digital, para além de ficarem disponíveis on-line para quem quiser trabalhá-los, ou apenas, realizar consultas por curiosidade.

Para já, estão a ser digitalizadas as sáries de observação meteorológica existentes desde 1992 no Observatório José Agostinho, de Angra do Heroísmo.
A seguir serão introduzidos os dados de Ponta Delgada e Horta.
Brito de Azevedo, responsável pelo projecto CLIMAAT, afirma que quando todos os dados estiverem disponíveis on-line será possível, através do cruzamento de elementos, perceber melhor a vida colectiva desde o início do século XX, não apenas no que diz respeito ao clima em si, mas em todas as situações em que o clima teve influência.
A história da meteorologia na Região Açores é muito rica. A melhor série estatística em Portugal é a do Observatório D. Luís, em Lisboa, mas a segunda melhor, refere Brito de Azevedo, é a que existe nos observatórios açorianos.
O grande impulsionador da meteorologia nos Açores foi o Rei D. Carlos, cujo interesse pela ciência é bem conhecido.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, setembro 14, 2007

Dia sem carros - Semana da Mobilidade

A Semana Europeia da Mobilidade e o Dia Sem Carros são assinalados de 16 a 22 de Setembro em Angra do Heroísmo, com actividades lúdicas e uma conferência, anunciou ontem a Câmara Municipal.
Em conferência de imprensa, o presidente da autarquia angrense, José Pedro Cardoso, adiantou que as iniciativas visam sensibilizar a população e demonstrar que "uma localidade ultraperiférica pode contribuir para a preservação do ambiente". As comemorações "não devem ser sinónimo de uma cidade deserta, mas uma ocasião para as pessoas perceberem as vantagens de andar a pé no centro histórico", além de pretenderem sensibilizar a população "para o alargamento da cidade sem automóveis a outros períodos do ano", sublinhou o autarca.

José Pedro Cardoso admitiu, porém, que encerrar definitivamente algumas artérias da cidade ao trânsito rodoviário "é praticamente impossível", pelo facto de "a cidade não ser plana", o que dificulta a circulação pedonal, particularmente aos idosos. Nesse sentido, o autarca defendeu "um aumento gradual" da circulação dos mini-autocarros gratuitos, a funcionar desde 1999, "ano em que eram transportados, em média, 20 mil passageiros mensalmente". Actualmente, acrescentou José Pedro Cardoso, "a média mensal de passageiros é já superior a 100 mil pessoas".
As comemorações prevêem a realização de corridas de carros de ladeira, provas de atletismo, passeios pelos jardins com explicações históricas e científicas, desfiles com as bicicletas "mais originais" e de moda. Estão igualmente previstas diversas actividades musicais e lúdicas, incluindo a actuação de palhaços para as crianças das escolas, que foram convidadas a animar o centro histórico.
Na próxima segunda-feira decorre uma conferência sobre "Alterações Climáticas", proferida pelo professor universitário Eduardo Brito Azevedo, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.

Ponta Delgada também adere à Semana Europeia da Mobilidade e assinala no domingo o "Dia Sem Carros", encerrando durante a tarde a avenida marginal à circulação automóvel.
Segundo divulgou ontem a autarquia, na Avenida Infante D. Henrique, uma das principais vias de circulação da cidade, vão ser também realizadas várias actividades, nomeadamente passeios gratuitos de carruagem e de carros de pedais.
Estão ainda previstas várias actividades lúdicas para as crianças, a par da actuação do grupo de música tradicional da Casa do Povo de Alperinha, do concelho do Fundão, adiantou a Câmara.
(In A União)

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quarta-feira, setembro 12, 2007

Mitigação das Alterações Climáticas Globais nos Açores

O ordenamento do território será a chave para que os Açores possam enfrentar os efeitos das alterações climáticas previstas para os próximos anos. A certeza parte do professor universitário Eduardo Brito de Azevedo, responsável pelo projecto CLIMAAT, afecto ao Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. As declarações surgem a propósito do relatório sobre as regiões ultraperiféricas que a Comissão Europeia divulgou ontem (e que dá ênfase às alterações do clima como preocupação para o futuro das regiões insulares europeias, caso dos Açores), o académico e investigador explica que é “fundamental a região não comprometer o interior das ilhas”. “Um dos efeitos mais preocupantes ao nível das alterações climáticas nos açores prende-se com os seus recursos hídricos. Prevê-se uma maior frequência de tempestades, uma maior irregularidade da precipitação e a concentração da pluviosidade em períodos específicos. Ora, sabendo-se que, as ilhas têm pouca retenção hídrica, e que as recargas surgem no seu interior, é fundamental que encontremos modelos de desenvolvimento que concentrem as populações no litoral, libertando o interior para que a água siga o seu ciclo natural”, explica Brito de Azevedo, questionado quanto à forma como os Açores poderão enfrentar os efeitos previstos das alterações no clima mundial. “A isto” - adianta o investigador - “deve juntar-se uma gestão equilibrada dos nossos recursos”. “É importante, acima de tudo, que estudemos a nossa realidade, e que os nossos modelos de desenvolvimento se adeqúem a ela. Não devemos importar modelos testados noutros locais, que foram criados em função das condições desses mesmos locais”, sublinha o investigador. Eduardo Brito de Azevedo reconhece que as ilhas são os locais “mais vulneráveis às alterações do clima”, daí não se espantar com as preocupações de Bruxelas para com o efeito das alterações climáticas nas regiões ultraperiféricas. “Do mesmo modo, a aposta numa política marítima europeia é reflexo de que a União Europeia já percebeu uma das principais potencialidades dessas zonas, ou seja, o mar. Além disso, Bruxelas sabe também que as regiões ultraperiféricas lhe garantem a dimensão marítima, “importante para a salvaguarda da sua soberania” e do seu papel enquanto actor atlântico. A Comissão Europeia revelou, ontem, um relatório sobre as principais preocupações no futuro nas regiões ultraperiféricas que de seguida se resume.
O Impacto das alterações climatéricas e política marítima europeia são duas orientações que ressaltam do documento.
As novas orientações da Comissão Europeia para os Açores e Madeira, enquanto regiões ultraperiféricas (RUP), incluem a luta contra alterações climáticas e a política marítima europeia, segundo o documento divulgado, em Bruxelas.
O relatório, a que a Agência Lusa teve acesso, faz um balanço positivo de três anos de ajudas comunitárias às RUP, para compensar os custos excessivos ligados à sua situação geográfica e difícil acesso, e adopta novas áreas a apoia.

Por outro lado, adopta novas orientações para o período 2007-2013, ao mesmo tempo que lança um debate com as Instituições Europeias, os Estados-membros, as autoridades regionais, o sector da investigação e os círculos académicos.
Em relação à política marítima europeia, que está em debate e deverá ser adoptada ainda durante a presidência portuguesa da União Europeia, Bruxelas considera que a posição geográfica das RUP - oceanos Atlântico e Índico e mar das Caraíbas - dá à União Europeia (UE) uma dimensão marítima global.
Por outro lado, a Comissão Europeia considera que as RUP desempenham um papel importante no sector marítimo da UE, dado que são muito dependentes da sua relação com o mar.
Em relação às alterações climáticas, esta é uma questão prioritária nas ilhas, dada a sua vulnerabilidade aos efeitos do aquecimento global, como a subida do nível das águas do mar.
A ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos, como furacões, ciclones, seca ou inundações, é também alvo de preocupação, nomeadamente nos campos da monitorização e resposta a situações de catástrofe.
A estas medidas acrescem ainda a gestão das migrações - sendo as ilhas Canárias muito afectadas pela imigração ilegal - e as alterações demográficas.
Ao todo são sete regiões comunitárias - Madeira, Açores, Canárias (Espanha) e Guadalupe, Guiana, Martinica e Reunião (França) - que beneficiam de um programa específico de compensação, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder), no quadro das perspectivas financeiras de 2007-2013 e com base na competitividade, acessibilidade e inserção regional.
Os Açores irão receber, até 2013, 966,3 milhões de euros do Programa Operacional do Feder, a que acrescem 190 milhões do Fundo Social Europeu.
A Madeira receberá, respectivamente, 320,5 milhões e 125 milhões de euros.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, setembro 06, 2007

Influência da temperatura da água do mar na trajectória dos ciclones

Os Açores, a manter-se a tendência de aquecimento global, terão maior probabilidade de serem atingidos por tempestades tropicais. A possibilidade é avançada pelo professor universitário Eduardo Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Explica o académico que, a curto prazo, com o aumento previsível da força destrutiva dos furacões no Atlântico, as tempestades tropicais poderão durar mais tempo e manterem a sua intensidade até chegarem ao Arquipélago. Este é um fenómeno que tem vindo a ser debatido na comunidade científica e não só. Já era previsível que, com o aquecimento da superfície da água do mar (que alimenta os furacões), estes ganhassem maior força destrutiva. Ora, ao subirem a Norte pelas correntes do Golfo, estes fenómenos, já classificados como tempestades tropicais, podem chegar com maior intensidade aos Açores, que ficam no seu caminho. O arquipélago está “no limite do arco de acção dos furacões no Atlântico”, argumenta o investigador, responsável pelo projecto CLIMAAT, afecto ao Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Adianta Brito de Azevedo que, nas últimas décadas, a água fria do Atlântico Norte faz com que os furacões percam força quando abandonam o Golfo do México e rumam, por exemplo, aos Açores. “Mas a água do mar tem vindo a subir de temperatura. Isso terá efeitos, aliás, é por isso que, hoje, vemos furacões com maior força destrutiva na zona do Golfo do México, caso do Félix, agora em actividade junto à Nicarágua, e do recente Dean, que também chegou à força 5.

Era previsível no meio científico não o aumento do número de furacões, mas a maior frequência de fenómenos desta natureza com capacidades destrutivas elevadas”, explica Brito de Azevedo.
“Curiosamente, poucos dias antes do furacão Katrina, que afectou Nova Orleães, nos Estados Unidos, um artigo na revista Science noticiava a previsibilidade de os furacões, por causa do aquecimento global, virem a aumentar a sua força destruidora”, alega o professor universitário reconhecendo também que, num prazo de 100 anos, confirmando-se a previsível subida de temperatura da água do mar nos Açores em um grau, a probabilidade do arquipélago “sofrer com estes fenómenos” climáticos aumenta. Os furacões nascem, maioritariamente, junto à costa africana como depressões tropicais, alimentando-se da água quente da Corrente do Golfo. Depois, viajam para Oeste, ganhando maior intensidade e formando tempestades tropicais que, nas quentes águas do Golfo do México, atingem a categoria de furacões, por esta altura do ano. Depois, alguns deles, sobem a Norte, aproveitando braços da Corrente do Golfo, rumando aos Açores. Mas, com a água fria, vão perdendo intensidade, regressando ao estado de tempestades tropicais e, na maioria dos casos, desvanecendo-se.

(In Diário Insular)

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segunda-feira, setembro 03, 2007

Mais um ondógrafo nos Açores: Santa Maria

Com o lançamento de mais uma estação ondógrafo ao largo da Ilha de Sta. Maria (dia 30 de Agosto), o projecto CLIMARCOST (INTERREG-IIIB, Açores, Madeira e Canárias) liderado pelo Professor Eduardo Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, na sequência dos projectos CLIMAAT, alarga a monitorização da agitação marítima de um extremo ao outro do arquipélago dos Açores.
Composta actualmente por seis estações ondógrafo, a rede de monitorização da agitação marítima dos Açores permite, para além da produção de informação de natureza operacional em tempo real (www.climaat.angra.uac.pt), fundamental para todos os sectores que se relacionam no seu dia a dia com o mar, caracterizar de uma forma mais realista o clima marítimo costeiro das deferentes ilhas.
Naturalmente sempre limitadas aos condicionalismos resultantes da sua posição geográfica face a cada uma das ilhas, a informação gerada por cada uma das unidades ondógrafo e, no seu conjunto, por todo o dispositivo, permite produzir informação e desenvolvimento científico sobre a dinâmica oceânica costeira, com importância relevante para todas a actividades que se relacionam com o ambiente marítimo.

De entre os diferentes sectores que beneficiam com este tipo de informação meteo-oceanográfica e climatológica destacam-se os relacionados com a segurança no mar, obras portuárias e infraestruturas costeiras (na fase de projecto e na fase de acompanhamento de obras e comportamento de estruturas), com o sector das pescas, navegação comercial e operação portuária, dinâmica sedimentar e erosão costeira, dinâmica e comportamento dos ecossistemas costeiros. Todos estes domínios revelam-se fundamentais para quem vive em ilhas, e depende de uma forma tão preponderante do ambiente marítimo que as interliga.
No seu conjunto, conjugadas as experiências, a informação gerada pelas diferentes unidades e o trabalho produzido por todos os parceiros envolvidos (Açores, Madeira e Canárias), dando, afinal, cumprimento ao espírito da iniciativa INTERREG-IIIB, o projecto contribui para um estreitamento institucional nos domínios da meteo-oceanografia operacional bem como para o aprofundamento do conhecimento científico de uma vasta zona do Atlântico Norte.
Tal como anteriormente já referido o projecto CLIMARCOST, iniciativa financiada e apoiada localmente pelo Fundo Regional de Coesão do Governo Regional dos Açores, conta com uma parceria activa que envolve, para além da Universidade e Observatório do Ambiente dos Açores, entidades das diferente regiões da Macaronésia,
A estação ondógrafo de Santa é composta por uma unidade de recepção e tratamento de dados em terra, localizada nas instalações da Administração dos Portos de Sta. Maria, e por uma bóia ondógrafo fundeada a cerca de uma milha e meia por sul (S) do porto de Vila do Porto, numa posição aproximada de 36º 55,20 N de latitude e 25º 10,00 W de longitude (com um giro de aproximadamente 500 metros).


Oportunamente reportada no rol dos avisos à navegação, a bóia encontra-se devidamente sinalizada produzindo durante a noite um sinal luminoso de cinco relâmpagos amarelos espaçados de dois segundos, seguidos de um período às escuras de 10 segundos.
A operação de mar, coordenada com a autoridade marítima, foi efectuada a bordo do navio “Baía dos Anjos” dos Transportes Marítimos Parece Machado (Lda.), e apoiada pelas embarcações locais da marinha, “Baía dos Reis” (particular) e da APSM.
Nunca será demais salientar que, em todo o projecto CLIMARCOST, iniciativa financiada e apoiada localmente através do Fundo Regional de Coesão do Governo Regional dos Açores, participam e colaboram um conjunto de entidades e de pessoas que, nas respectivas esferas de acção, têm permitido a sua realização. Assim, para além da Universidade e Observatório do Ambiente dos Açores e restantes parceiros da Região da Macaronésia (Universidade de Las Palmas, Instituto Canário de Ciências Marinhas, Administração dos Portos da Madeira), o projecto conta localmente com o apoio fundamental das Administrações dos Portos e Capitanias dos Portos dos Açores.
(In A União)

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terça-feira, agosto 28, 2007

Influência do Anticiclone dos Açores no tempo da Europa

O Anticiclone dos Açores está posicionado mais a Sul do que o habitual, permitindo que haja mais precipitação e tempestades, explica o especialista em climatologia do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Eduardo Brito.

O Verão de 2007, nos Açores e na Europa, está mais chuvoso. Os elevados índices de precipitação devem-se à actual posição do Anticiclone dos Açores, a qual está a influenciar determinantemente o estado de tempo na Europa. De acordo com Eduardo Brito, especialista em climatologia da Universidade dos Açores, “o Anticiclone dos Açores está localizado mais a Sul do que é habitual”. Como tal, “fica mais fraco permitindo a deslocação, igualmente para sul, das frentes polares, ou seja, há mais precipitação e tempestades”. Ao invés, quando o Anticiclone dos Açores está posicionado mais a norte, o tempo fica mais quente.

Eduardo Brito explica, ainda, que a monitorização do Anticiclone pode ser feita através do índice NAO – North Atlantic Oscillation, um processo que avalia diariamente, a pressão atmosférica na Islândia e nos Açores. Através desse índice, é possível verificar que o Anticiclone dos Açores está, há vários meses, localizado mais a sul.

(In Jornal Diário)

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segunda-feira, agosto 27, 2007

Estação de monitorização da agitação marítima

Na sequência dos projectos em que o Observatório do Ambiente dos Açores e o Centro do Clima, Meteorologia e Mudanças Globais do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores se encontram envolvidos, e agora no âmbito do projecto CLIMAR-COST, iniciativa financiada localmente pelo Fundo Regional de Coesão do Governo Regional dos Açores, e pela Comunidade Europeia através do programa INTERREG-IIIB, Açores, Madeira e Canárias, foi recentemente fundeada mais uma bóia ondógrafo ao largo da ilha Graciosa.À semelhança das iniciativas anteriores, o projecto CLIMAR-COST (Clima marítimo e costeiro) tem como objectivo melhorar a informação de natureza operacional e de segurança no mar e contribuir para o aprofundamento do conhecimento científico nos domínios da meteorologia e climatologia insulares e atlânticas, em particular no domínio geográfico da Macaronésia.
A estação ondógrafo da Graciosa é composta por uma unidade de recepção e tratamento de dados em terra, localizada nas instalações da Rádio Graciosa, e por uma boia ondógrafo fundeada a cerca de uma milha e meia a Este do Portinho da Barra de Santa Cruz e a cerca de duas milhas náuticas a NoNordeste do porto da Praia.
Oportunamente reportada no rol dos avisos à navegação, a bóia encontra-se devidamente sinalizada repoduzindo durante a noite um sinal luminoso de cinco relâmpagos amarelos espaçados de dois segundos, seguidos de um período às escuras de 10 segundos.
A informação da agitação marítima proveniente da rede de estações ondógrafos dos Açores, bem como toda uma série de produtos relacionados, é disponibilizada através da página http://www.climaat.angra.uac.pt/ .
Com o desenvolvimento desta iniciativa, à qual se seguirá brevemente a instalação da estação ondógrafo de Santa Maria, o mar dos Açores passa a ser a zona do país melhor monitorizada em termos de agitação marítima costeira.
A responsabilidade desse projecto, está a cargo do Professor Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.

(In a União)

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quinta-feira, agosto 23, 2007

Os ciclones aumentarão de intensidade.....

O fenómeno irá surgir na sequência das alterações climatéricas que assolam o planeta. Os Açores geralmente escapam à temporada dos furacões, mas não estão fora da sua rota. O Gordon ainda está bem patente na memória colectiva. Os furacões vão ter tendência a aumentar de intensidade com as alterações climatéricas em curso no globo.
Numa altura em que os olhos do planeta estão colocados no furacão “Dean”, Eduardo Brito de Azevedo, investigador do Departamento de Ciencias Agrárias da Universidade dos Açores, admite, contudo, que as alterações climatéricas não vão mudar substancialmente estes fenómenos naturais. O investigador lembra a propósito a predominância do movimento de rotação da terra e a configuração das correntes oceânicas, entre outros factores, nestes fenómenos climatéricos naturais. Mas se a água do mar tiver a tendência para aquecer mais, haverá maior tendência para se registarem fenómenos desta natureza, de forma mais violenta. “Pode não se verificar um aumento do número de furacões, mas a sua capacidade destrutiva será maior”, explica Eduardo Brito de Azevedo.
Apesar de não serem frequentes por estas paragens, o certo é que também os Açores não estão isentos destes fenómenos climatéricos, como se pode verificar em várias cartas disponíveis online. Ainda no ano passado, o furacão Gordon colocou as ilhas em estado de alerta máximo, mas acabou por passar enfraquecido no arquipélago. No passado, existem registos de tempestades tropicais com alguma violência, não sendo este, portanto, um fenómeno novo para os açorianos, como explica Eduardo Brito de Azevedo. No caso específico dos Açores, os furacões percorrem o Atlântico e, quando atingem águas mais frias como as açorianas, dissipam-se. “São furacões que sobem o Atlântico em nossa direcção. Há anos em que isso acontece com maior frequência e outros em que não”, explica o investigador da universidade açoriana, lembrando que 2005 foi um ano em que muitos furacões subiram o Atlântico e alguns vieram dissipar-se próximo das latitudes açorianas, confrontados com águas mais frias. Uma vez que não provocaram danos, não foram alvo de cobertura informativa massiva pelos média, daí o desconhecimento manifestado pela opinião pública.
Os furacões obedecem a circuitos, como se de caminhos se tratassem. Alimentam-se do vapor de água e da temperatura das águas do mar. São tempestades marítimas e perseguem as melhores condições relacionadas com a temperatura superficial das águas do mar. São realimentados pelos processos de compensação do vapor de água em altitude. Na altura do ano em que as temperaturas estão mais altas - como é justamente o caso - nascem tradicionalmente junto à costa africana, atravessam o Atlântico para Oeste e dirigem-se, percorrendo o caminho da água quente, para o continente americano, onde encontram condições mais favoráveis no Golfo do México para “explodir”. Quando passam para terra, perdem intensidade porque lhes falta o “combustível” (vapor de água). A época dos furacões geralmente vai de Junho até Novembro.
Os meteorologistas americanos prevêem que a temporada de furacões na bacia atlântica, que entre Agosto e Outubro atinge sua fase mais crítica, terá uma actividade de ciclones superior ao normal. Cientistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos anunciaram que prevêem a formação de entre 13 e 16 tempestades tropicais para a temporada de furacões de 2007, que começou no dia 1 de Junho e termina em 30 de Novembro. Em Maio de 2006, a NOAA previu a formação de entre 13 e 17 tempestades tropicais, das quais entre sete e dez teriam potencial para se transformar em furacões e destes, entre três e cinco se transformariam em furacões de grande intensidade. O meteorologista americano William Gray previu no dia 3 de Agosto a formação de 15 tempestades e oito ciclones, dos quais quatro seriam intensos, na temporada de furacões do Atlântico.

(In Açoriano Oriental)

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