quinta-feira, março 05, 2009

Região podia suportar custos acrescidos de alguns cursos


JORNAL da MADEIRA – Em tempo de despedida da reitoria da Universidade da Madeira, como se sente?

Pedro Telhado Pereira – Sinto-me muito bem. Ter sido reitor da UMa foi uma experiência muito positiva, apesar dos sacrifícios que implicou. Agora que cheguei ao final, fiz um levantamento das medidas que me tinha proposto a fazer e, das 70, concretizei 65.

JM – Pode apontar algumas das mais importantes?

PTP – A maneira como se fez a transição para o Processo de Bolonha, que apesar de alguns problemas, correu muito bem. O caso da residência universitária, que era algo que a Região e os nossos alunos pediam e que penso que é uma obra que fica. E um terceiro aspecto que era no sentido de termos uma pequena universidade de investigação, apostando muito na qualidade, que é um factor que determina o sucesso de uma universidade. Há mais pessoas a publicar em revistas internacionais e, por isso, o nome da Universidade da Madeira está cada vez mais reconhecido internacionalmente. Foram vitórias muito importantes para nós.

JM – Disse que também teve de fazer sacrifícios...

PTP – Para conseguirmos atingir os objectivos, foram necessários sacrifícios não só meus mas de várias pessoas que se empenharam. Muitos de nós não tivemos as férias que deveríamos ter usufruído, por termos estado a trabalhar para atingir as vertentes diferentes que uma pequena universidade exige. Os resultados compensaram. É importante nós termos garantido em algumas áreas, que os jovens tenham condições para fazerem investigação na sua universidade e também começa a aparecer conhecimento sobre a própria realidade madeirense, o que seria impossível se não tivéssemos aqui uma universidade de investigação.

JM – Esteve um mandato na reitoria e poderia ter-se recandidatado. Porque não o fez?

PTP – A lei permitia que eu me recandidatasse. Mas, eu preferia o sistema anterior, em que todo o estabelecimento de ensino superior participava na decisão sobre o reitor. Neste momento, os funcionários não docentes não podem participar, o que é extremamente injusto.

JM – Não concorda então com o sistema de eleição do reitor por voto secreto?

PTP – Não acho que a solução para a escolha do reitor de uma universidade seja por voto secreto, porque pode criar abertura para a entrada nas reitorias de pessoas com menos qualidade do que outras. Teria de ser um processo “à americana”, em que há um comité, um “search comity”, que procura o melhor reitor. Depois, a decisão tem de ser justificada. O que pode acontecer, no sistema de voto secreto, é que haja candidatos que, em princípio, seriam muito melhores, mas que acabam por serem preteridos por outros de menor qualidade, por razões completamente exteriores às da qualidade.

JM – Quais são, a seu ver, as qualificações necessárias ao cargo de reitor?

PTP – O reitor tem de ser alguém que tenha feito investigação, desenvolvido projectos e que saiba das dificuldades inerentes a esse trabalho, e que tenha obra publicada. Novamente, poderíamos ir para o sistema “à americana” em que os reitores são profissionais no que fazem, mas com uma mentalidade completamente diferente e não seriam concerteza este tipo de professores que nós temos, devido à actual evolução da academia em Portugal, que são pessoas que saem da vida académica para serem gestores.

JM – Os candidatos à reitoria da UMa cumprem os requisitos que defende?

PTP – Eu penso que, para professores catedráticos em topo de carreira, ser reitor é muito pouco atractivo, porque as suas responsabilidades aumentam muito, com 400 funcionários sensivelmente ao seu encargo. Estamos desde o dia 1 de Janeiro até Dezembro sempre a pensar como é que vamos arranjar dinheiro para pagar os vencimentos, por exemplo. Eu imaginaria que os professores catedráticos seriam os menos receptivos a serem reitores. Por isso, surpreendeu-me haver professores no topo de carreiras, até de fora da Região, a quererem se candidatar, o que significa que a Universidade da Madeira é muito mais atractiva do que a própria imagem que a Madeira tem da sua universidade. Mas, como economista que sou, o melhor para mostrar ao Governo central que um cargo é mal remunerado, seria não aparecerem candidatos. O governo teria de resolver o problema de alguma maneira.

JM – Dos quatro candidatos (Carlos Fino, Castanheira da Costa, Isabel Cabrita e Manuel Teixeira), qual o que, na sua opinião, corresponde melhor ao perfil de reitor?

PTP – Não tenho preferências pelas pessoas. O reitor não vota. O perfil ideal seria alguém com um currículo de investigação, porque temos de defender uma universidade de investigação, ainda mais numa Região com descontinuidade territorial e com problemáticas muito próprias. Quem vier para o cargo, tem de arregaçar as mangas e trabalhar. Devo dizer que qualquer um deles seria uma boa opção.

JM – Para além de não concordar com a eleição do reitor por voto secreto, que outros motivos teve para não se recandidatar?

PTP – Também por causa do estrangulamento financeiro das universidades públicas. Depois de uma luta de três anos, conseguimos ter um reforço orçamental e estamos, nesta altura, tão mal como as outras universidades, o que já foi uma vitória, porque poderíamos estar muito pior. A grande maioria delas, incluindo a da Madeira, vai estar novamente com problemas graves de financiamento. Num ponto em que as universidades públicas estão a ser postas em causa, não me parece que sejam os reitores que devem estar a fazer “a guerra” à política de sub-financiamento. Devem ser os professores e as instituições, apoiando os seus reitores.

JM – A seu ver, as universidades deviam ser mais activas nos protestos?

PTP – Sem dúvida. Estamos com um problema que surgiu de uma solução inteligente do ministro da tutela, que foi pôr as universidades todas a lutarem por um bolo financeiro, o que faz que a solidariedade entre instituições seja muito pequena. Nós temos de definir que estamos no caminho da qualidade, o que exige muito trabalho e sacrifício. Dou o exemplo de um clube de futebol que luta pela primeira divisão, em que os jogadores têm de se sacrificar e de treinar muito. Realmente, há ainda pessoas nas universidades convencidas que se consegue chegar à primeira divisão sem trabalho e sacrifício. Para mim, isso é impossível. Assim, e voltando aos meus motivos para não me recandidatar, penso que, pessoalmente ganho muito mais e a universidade também, se estiver do lado dos que estão a lutar pela investigação, do que ser um reitor, que fica muito limitado. Sendo um investigador, prefiro ser um professor na minha área do que ter de estar em conflitos inerentes ao cargo de reitor e de ter de me abster devido à função desempenhada. Enquanto professor catedrático na UMa, serei muito crítico.

JM – Ou seja, continuaremos a ouvir falar de si, será uma voz activa na universidade?

PTP – Sim, serei uma voz activa. Os professores catedráticos têm um papel fundamental a fazer numa altura de possível transição nas carreiras universitárias. Não digo que o problema é todo da má legislação sobre as carreiras. As universidades foram muito culpadas. Não temos mais qualidade porque não exigimos nem demos as condições para exigir, e aí temos de ser responsabilizados. As universidades portuguesas têm muita capacidade, mas entristece-me ver, por exemplo na minha área, que dos dez melhores economistas portugueses, sete estejam em universidades estrangeiras. Algo está errado.

JM – Por outro lado, e num cenário de crise financeira nacional, que afecta também o Ensino Superior, onde se situa a UMa?

PTP – A situação das universidades públicas é anterior à crise. Em 2007, começámos a ter de pagar a Caixa Geral de Aposentações, que representa cerca de 11 por cento da nossa massa salarial. No caso da UMa significa um milhão e 300 mil euros por ano, sem termos tido a transferência correspondente do Estado. As universidades conseguiram respeitar os encargos através dos saldos acumulados que tinham. Este ano, já não terão essa salvaguarda. O que vai acontecer com a maioria das universidades será que, na altura em que tivermos de pagar meses extras, como o subsídio de férias, por exemplo, terão de pedir reforços orçamentais.Parece-me que os reitores estarão numa situação injusta em que terão de estar a pedir dinheiro para pagar salários, numa altura em que existem problemas sociais muito graves que é preciso atender. Ou seja, os professores universitários não são os mais desfavorecidos da sociedade e todo o meio envolvente poderá achar que estará a ser dado dinheiro a pessoas privilegiadas, mas as universidades não terão dinheiro para pagar os salários. Será curioso ver como será resolvida essa situação. O que eu temo é que haja alguma tentação de se utilizar dinheiro de projectos para tentar pagar problemas de curso prazo.

JM – Tem esperanças que o Governo esteja sensível ao vosso problema?

PTP – Não sei se se trata de sensibilidade. Há um problema que é preciso resolver. Estamos a dividir um bolo e não sabemos qual deveria ser o seu tamanho adequado. O que sabemos é que tem estado sempre a diminuir de ano para ano. Era tempo do Governo explicar aos reitores como é que acha que eles vão conseguir fazer milagres. Em época de crise e numa região autónoma como a Madeira, é pracicamente impossível arranjar cerca de um milhão de euros. Não há meio envolvente que nos permita conseguir esses montantes. Da parte das universidades, tem sido uma questão de apagar fogos.

JM – Como economista, que soluções é que poderiam ser criadas para resolver os problemas das universidades?

PTP – A UMa e muitas outras universidades só têm problemas nesta altura, porque têm, de repente, de pagar a Caixa Geral de Aposentações. Na própria Universidade, nós conseguimos pagar cerca de metade. É impossível pagarmos tudo sem pôr em causa o bom funcionamento da instituição. Poderíamos tentar – uma solução poderia ser essa – que caso a caso, o Governo explicasse as contas que temos e as necessidades de contratação existentes. Somos instituições públicas e o Governo não paga os salários de funcionários públicos e têm de ser os reitores a terem de se preocupar com o pagamento dos salários, que correspondem a cerca de 90 por cento das despesas de uma universidade. Pode-se apelar, e algumas universidades têm tido algum sucesso, ao apoio de algumas instituições do meio envolvente que é algo para o qual podemos trabalhar, mas não para os números que estamos a referir. Há ainda a solução da prestação de serviços pelas universidades à sociedade.

JM – No caso concreto da UMa e da sua condição de dupla tutela, apesar do Governo Regional deter apenas poderes administrativos, o que é que este poderia fazer no sentido de ajudar na vertente financeira?

PTP – Penso que na altura da elaboração do regime jurídico, poderia-se ter resolvido o problema. Teria sido o momento ideal. Senti que o Governo da República não estava muito receptivo e também a oposição não fez grande cavalo de batalha. Naquela altura, cheguei a ir ao Parlamento nacional, expor a nossa posição, que era diferente da posição da Universidade dos Açores. Mas não se resolveu o problema, que é de financiamento. A intervenção do Estado nas universidades é muito limitada, acontece em tempo de financiamentos e de abertura de cursos. Neste último aspecto, há regras que não estão muito vocacionadas para as universidades insulares. Temos muito menos alunos do que as outras universidades e, como tal, o número mínimo de alunos para um curso financiado é muito alto para nós. Isso significa que para baixarmos esse montante, também teríamos de ter financiamento não baseado no “per capita”. Aí, e se houvesse uma tutela partilhada, podia ser que o Governo Regional chegasse à conclusão que esses cursos deviam ser ministrados na Região e suportasse o diferencial de custo acrescido nos cursos com poucas pessoas. Nesse caso, e não havendo consideração pelo Governo da República pelos custos acrescidos da descontinuidade territorial, e se o Governo Regional tivesse uma tutela partilhada poderia ser mais sensível a essa questão. Temos o problema da dimensão, porque somos financiados através de uma fórmula baseada no número de alunos, o que não é o mesmo que ter 20 cursos para 500 alunos, ou dois cursos e 500 vagas. Acho que nesse aspecto e em termos de proximidade, poderia vir a ser vantajoso. Não se aproveitou o regime jurídico, não sei quando teremos outra oportunidade, mas espero que haja, da parte dos dois Governos, um interesse para comprender as especificidades das universidades das Regiões insulares. É nesse sentido que fizemos uma rede com as universidades ultraperiféricas, que é algo que deve ficar e que pode mostrar a diferença do financiamento desses estabelecimentos em relação aos portugueses.

JM – E esse financiamento é muito diferente do português?

PTP – É muito diferente. Há outras fórmulas de financiamento, com melhores resultados para as universidades. Por exemplo, as universidades das Canárias também são financiadas pelo governo canário, como tal, é dado muito mais apoio por aluno. Poderíamos ver esse exemplo para a Madeira.

JM - Que conselhos deixa ao seu sucessor?

PTP – O grande conselho que posso dar é acreditar na capacidade das pessoas que estão na Universidade da Madeira. Dando os incentivos certos e as capacidades para as pessoas produzirem, penso que a UMa pode se tornar, ao nível das universidades da nossa dimensão, uma referência, porque nós temos um grande trunfo, que é um mercado ávido de jovens que querem vir para a universidade e que aceitam as modificações necessárias, como veio comprovar a passagem para Bolonha. Os alunos da UMa querem ter qualidade e trabalhar. Aconselho que se insista sempre na tónica da qualidade.

(In Paula Abreu -Jornal da Madeira)

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quinta-feira, fevereiro 26, 2009

"Receitas com Mel-de-Cana"

Joaquim Leça - Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores.

Este texto foi publicado no dia 22 de Fevereiro de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. O título deste "Agricultando" pertence ao livro da autoria do Chefe de Cozinha Octávio Freitas, editado em Outubro de 2008 pela Fábrica de Mel de Cana do Ribeiro Sêco de Vasco Melim, Lda., com uma tiragem de 2 500 exemplares na sua primeira edição. Esta publicação de 185 páginas, com um grafismo muito apelativo e magnificamente ilustrado, apresenta-nos 61 receitas, onde o mel de cana da Madeira é o "actor principal". A parte inicial da obra dedica um capítulo sobre a história da cana-de-açúcar na Madeira, bem como a génese do Engenho do Ribeiro Sêco em 1883 levada a cabo por Aluísio César de Betencourt e a sua evolução até aos dias de hoje, como Fábrica de Mel de Cana do Ribeiro Sêco. Cabe aqui referir que ao longo dos tempos, a empresa tem-se mantido na mesma família do fundador. Há um ano, quando abordei o mel de cana neste espaço, escrevi que era fundamental que, a restauração e a hotelaria da Região continuassem a inovar e a aproveitar as potencialidades deste transformado. Só assim é que se aumenta o seu consumo, garantindo dessa forma, um maior rendimento para os agricultores que se dedicam ao cultivo da cana doce. O livro "Receitas com Mel-de-Cana" que é fruto de uma parceria entre um chefe de cozinha e uma empresa transformadora do sector, é um excelente exemplo dessa criação. Nas seis dezenas de receitas, é notório que Octávio Freitas teve o cuidado de incluir produtos agrícolas regionais de excelência, como a banana, a anona, o maracujá, a castanha, a batata doce, o inhame e a frescura das nossas ervas aromáticas. Com o mel de cana omnipresente nos pratos de entrada, de peixe, de carne, de sobremesa, de doçaria e bebidas, este Chefe de Cozinha descobre novas iguarias e novos hábitos de consumo deste derivado da cana sacarina, contribuindo assim para a renovação da gastronomia tradicional madeirense. Em pleno Carnaval, o mel de cana é utilizado em todas as casas da Região, para acompanhar os "sonhos" e as "malassadas", cujos aromas e sabores dão mais alegria a estes dias de folia. Agora, com esta sugestão, amigo leitor, tem mais motivos para confeccionar pratos com este derivado natural da cana-de-açúcar durante todo o ano.

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sábado, fevereiro 14, 2009

A cenoura

Joaquim Leça
Licenciado emEngenharia Agrícola pela Universidade dos Açores

Este texto foi publicado na revista "Mais" do Diário de Notícias da Madeira. Como é sabido, a cenoura é consumida nas mais variadas formas. Pode ser apreciada crua, inteira ou como parte de uma salada. Quando é cozida, serve-se como sopa, acompanhamento de um prato principal, num refogado ou transformada num delicioso bolo. Além disso, é comum fazer-se sumo de cenoura ao qual se adiciona por vezes, sumo de laranja. É importante ter em conta que este legume deve ser raspado em vez de descascado, para aproveitar ao máximo o seu valor nutritivo e vitamínico. A indústria agro-alimentar utiliza-a para a alimentação infantil e mais recentemente, em produtos de IV Gama como as saladas e as sopas. O que se come na cenoura é a raiz, sendo vendida sem as folhas ou a "rama", como é designada entre nós. O ciclo natural desta cultura é bienal, isto é, prolonga-se de um ano para o outro. No primeiro ano, produz a reserva de raízes, ou seja, a cenoura. No segundo ano, a planta floresce, frutifica e dá sementes. Esta hortaliça que é cultivada há mais de 2 000 anos, tem origens europeia e asiática. É considerada por muitos, como a "Rainha dos vegetais". Na Madeira, a sementeira de cenoura ocorre preferencialmente de Fevereiro a Novembro, devendo os agricultores escolher sempre, sementes de variedades certificadas. As variedades mais cultivadas e melhor adaptadas à Região são a "Chantenay" e a "Nantes". A primeira que predomina na nossa terra e tem melhor aceitação por parte do consumidor, tem forma cónica e resiste bem ao manuseamento e ao transporte e, a segunda é cilíndrica e mais comprida, mas menos resistente que a "Chantenay". Os principais amanhos culturais são a monda, as sachas, o desbaste e a rega. As pragas mais habituais são os nemátodos e a mosca da cenoura e as doenças mais frequentes são o oídio e uma bacteriose que surge próximo da colheita e durante o armazenamento. Para evitar esta última doença e os nemátodos, é conveniente não semear esta hortícola na mesma parcela ao longo dos anos. A colheita decorre de Janeiro a Julho, entre 75 a 100 dias após a sementeira, consoante a localização geográfica, a altitude e as condições climatéricas locais. Apesar de agricultada em toda a Região, os concelhos com maior produção de cenoura são os do Porto Moniz, Ponta do Sol e Calheta, mais concretamente no sítio da Santa e nas freguesias dos Canhas e da Fajã da Ovelha, respectivamente.

(In Agricultando)

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quarta-feira, dezembro 17, 2008

Instituto Açoriano de Cultura apresentou Ilhas Selvagens

O mais recente projecto de Paulo Henrique Silva, ILHAS SELVAGENS 30º 08’ N 15º 54’ W, que deu origem a um CD áudio-multimédia (numa co-edição do Instituo Açoriano de Cultura, da Universidade da Madeira e d’Os Montanheiros) e a uma exposição de fotografia (produzida pela Direcção Regional de Cultura, no âmbito do Projecto Mediat), foi apresentado, Sexta-feira passada, pelas 18h30, na Galeria do IAC. A apresentação destes conteúdos culturais (CD áudio-multimédia e exposição de fotografia) foi feita por Gonçalo Pereira, Director da National Geographic Portugal, que tem seguido os trabalhos de Paulo Henrique Silva na área do património cultural e natural e que, inclusivamente, participa com um texto da sua autoria tanto na edição multimédia como na exposição de fotografia.

O CD e a exposição ILHAS SELVAGENS 30º 08’ N 15º 54’ W de Paulo Henrique Silva resultam de uma solitária e prolongada estada do autor nestas ilhas para observação e registo da fauna e flora deste território de grande riqueza no contexto do Património Natural da Macaronésia e integra registos fotográficos, vídeo e áudio, para além de textos diversos. Segundo o autor “este trabalho constitui uma ferramenta importante para o conhecimento, promoção ambiental e monitorização da vida selvagem terrestre dependente dos oceanos. A utilização dos meios tecnológicos actuais ao serviço da multimédia faz deste projecto um documento único e inédito sobre um pequeno grupo de ilhas perdido na imensidão do Atlântico, representando um alerta para a protecção e monitorização de lugares como este.” Para Jorge A. Paulus Bruno, Presidente da Direcção do IAC, que desde logo apoiou o autor na realização deste projecto, “Paulo Henrique Silva tem desenvolvido projectos que têm merecido ao IAC a maior atenção, não só pela responsabilidade com que os realiza, como pela qualidade e interesse dos seus conteúdos e ainda dos temas que são abordados. Desta sua viagem resultaram um CD áudio-multimédia, nos Açores co-editado pelo IAC e pelos Montanheiros, e uma exposição de fotografia da responsabilidade da Direcção Regional da Cultura (Projecto Mediat), que o IAC tem agora a grata oportunidade de apresentar conjuntamente na sua Galeria. ”Paulo Henrique Gomes da Silva nasceu na ilha Terceira, Açores, em 1971. Iniciou a sua actividade profissional como técnico de som em 1987 no Rádio Clube de Angra, e está desde 1988 ao serviço da Antena 1 Açores nos estúdios em Angra do Heroísmo. Desde 2001 tem vindo a dedicar grande parte do seu tempo à pesquisa e recolha das tradições orais dos Açores. Algumas das suas recolhas foram utilizadas por grupos musicais nacionais e estrangeiros. Foi responsável pelas gravações do CD À Viola, editado em memória de José Luís Lourenço, e pelos trabalhos de digitalização e restauro de som do CD José da Lata - O Pastor do Verbo, editado pela Direcção Regional da Cultura. É autor do duplo CD Tradições Orais – Corvo, São Jorge e Terceira, editado pelo IAC-Instituto Açoriano de Cultura. Gravou e ilustrou com som de ambientes naturais dos Açores o CD Horizontes da Tranquilidade, da poetisa da Póvoa do Varzim, Benedita Stingl. Foi responsável pela criação do Ecomuseu-Núcleo Museológico dos Altares, sendo autor da exposição fotográfica permanente e dos documentários em vídeo sobre aquela freguesia rural da ilha Terceira. Foi convidado a participar, com imagens sobre a flora endémica dos Açores e em parceria com Paulo Barcelos e Victor Hugo Forjaz, no Atlas Básico dos Açores, editado pelo Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores. É autor do livro de fotografia O Vulcão de Santa Barbara, editado pelo IAC-Instituto Açoriano de Cultura e pela Associação Os Montanheiros, bem como da Instalação de som e imagem intitulada A Madrugada das Cagarras, que incluiu a publicação de um CD áudio multimédia com edição do Museu de Angra do Heroísmo e da Ecoteca da Ilha Terceira. Passou um mês nas Ilhas Selvagens, entre Maio e Junho de 2008, com objectivos conservacionistas e de promoção ambiental a registar a fauna e flora existente naquele sub-arquipélago.
Paulo Borges e Félix Rodrigues, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, aconselharam o autor do trabalho anteriormente referido, nalguns aspectos científicos.
(in viaoceanica.com)

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terça-feira, outubro 14, 2008

Cem espécies mais ameaçadas em livro

Um livro sobre as espécies mais ameaçadas da Macaronesia (Açores, Madeira e Canárias) foi publicado recentemente, no âmbito do projecto Interreg III B - Bionatura.Intitulado “Top 100 - As cem espécies ameaçadas prioritárias em termos de gestão na região europeia biogeográfica da Macaronesia”, o livro contou com a contribuição de Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
(In Diário Insular)

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terça-feira, outubro 07, 2008

Biodiversidade da Madeira

A Madeira tem 1.400 espécies exclusivas contra as 400 existentes nos Açores. Daí que, Paulo Borges, professor de biologia no Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, tenha dito ontem que Madeira é uma ilha fantástica em termos de biodiversidade, sendo que esta deve ser tornada ainda mais visível. Paulo Borges falava à comunicação social na sessão de abertura das jornadas técnicas "Análise da Biodiversidade Terrestre do Arquipélago da Madeira", a qual decorreu, no anfiteatro da Secretaria Regional do Ambiente, e contou com a presença do secretário regional Manuel António Correia.
Paulo Borges adiantou ainda que a Madeira é a segunda, de todas as ilhas da Macaronésia, a seguir a Tenerife, com maior biodiversidade e, comparativamente à sua área, apresenta-se mesmo como a ilha com maior biodiversidade da macaronésia. Por isso, defendeu que «é uma responsabilidade enorme de todas as entidades políticas da Madeira em tornar essa biodiversidade mais visível, atraindo turistas ligados ao eco-turismo e tornando a Região ainda mais conhecida do que já era no campo da biodiversidade». Paulo Borges foi quem fez a coordenação científica do livro "listagem dos fungos, flora e fauna terrestres das ilhas da Madeira e Selvagens", o qual foi também lançado na tarde de ontem. Este responsável referiu ainda que a Madeira tem características de morfologia fantásticas, tornando-a numa ilha fantásica, equivalente às Galápagos, por exemplo, ao nível da sua biodiversidade. Paulo Borges adiantou, contudo, que este livro não responde à pergunta sobre se a biodiversidade da Madeira está a ser bem salvaguardada ou não.
Bernardo Faria, da direcção do Ambiente da Madeira, explicou, por seu lado, que a iniciativa de ontem inseriu-se no projecto bionatura, o qual juntou Açores, Madeira e Canárias, no âmbito do programa comunitário INTERREG III B e contou com a colaboração de 80 especialistas nacionais e estrangeiros. Estes estudaram nove grupos biológicos, entre fungos, moluscos e outros, para além de identificarem sete mil e 543 espécies terrestres para o arquipélago da Madeira. No que diz respeito ao livro lançado ontem, Bernardo Faria considerou que o mesmo vai ser um marco, permitindo que se faça uma melhor conservação da natureza e das suas espécies.

(In Carla Ribeiro - Jornal da Madeira)

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segunda-feira, maio 26, 2008

O projecto ICE

Duas professoras da Escola de Enfermagem da Universidade da Madeira (UMa) vão hoje para Cabo Verde, onde, no período compreendido entre 25 e 28 de Fevereiro, vão coordenar a recolha de dados que permitirá quantificar a prevalência das conhecidas «escaras» nos hospitais do arquipélago. A iniciativa faz parte do projecto ICE (Investigação Cientifica em Enfermagem) que, depois de Madeira, Açores e Canárias, pretendeu alargar o estudo do fenómeno. Helena Jardim e Luísa Santos, ambas professoras na Escola de Enfermagem da Madeira, partem hoje para Cabo Verde, onde serão coordenadoras numa recolha de dados que visa estudar a prevalência das «úlceras por pressão» naquele arquipélago. A colheita de dados vai realizar-se de 25 a 28 de Fevereiro. A iniciativa insere-se no âmbito do projecto ICE e vai estender, em simultâneo, o estudo de prevalência das «úlceras por pressão» a todas as ilhas da Macarronésia. Depois de divulgados os estudos em relação à Madeira, Açores e Canárias, em Maio de 2007, num Congresso Internacional realizado nos Açores, terminou o primeiro tempo do projecto ICE. Mas o seu reconhecido mérito prolongou o financiamento ao abrigo do Programa INTEREG IIIB por mais um ano, reunindo as condições para a elaboração e planeamento de um estudo que também incluísse Cabo Verde. A coordenação do estudo nas várias ilhas do arquipélago caboverdiano será feita por seis elementos do grupo parceiro no projecto: dois da Madeira, 3 dos Açores e um de Canárias. Helena Jardim e Luísa Santos serão as responsáveis pelo acompanhamento dos trabalhos nas ilhas de Santiago e de Santo Antão, respectivamente. Ao todo, depois de um período de formação decorrente de 14 a 18 de Janeiro, cerca de 1/3 (um terço) dos 500 enfermeiros caboverdianos estarão envolvidos no projecto, divididos pelos seis hospitais das ilhas de Santiago, Fogo, S. Vicente e Santo Antão. A semana de actividade culmina com uma conferência na Universidade de Cabo Verde, organizada pelo grupo ICE, com a comparência das entidades governamentais responsáveis pela Saúde e Educação do arquipélago, tal como com a presença de um perito internacional nesta temática. Contribuir para o atenuar do problema O projecto ICE surgiu em finais de 2005, tendo a Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo – Universidade dos Açores (liderada por Miguel Gomes), a Escola Superior de Enfermagem da Madeira (liderada por Helena Jardim) e o Departamento de Enfermagem da Faculdade das Ciências da Saúde – Universidade de Las Palmas de Gran Canária (liderado por Rodrigo Chácon) como parceiros. O objectivo passava pela partilha de metodologias de investigação em enfermagem, efectuando estudos de interesse para as três regiões e contribuindo para o conhecimento cientifico na área. Em cada instituição foi criado um grupo de trabalho constituído por 18 elementos, apoiados por instituições nacionais e estrangeiras e assessorados por um perito em estatística. São mesmo as estatísticas que apontam para uma prevalência de 11% das úlceras de pressão na Europa. A investigação simultânea realizada na Madeira, Açores e Canárias, cujos resultados foram apresentados em Maio do ano passado, encontrou uma prevalência de 14,2% na população idosa (entre 80 e 89 anos), onde a maioria são mulheres que se encontram no domicílio com a necessidade de cuidados crónicos. O inédito do estudo do ICE prendeu-se com o registo do problema e factores associados, quer em utentes de qualquer idade inscritos em unidades de saúde e carecidos de cuidados domiciliários, quer entre os institucionalizados em hospitais, clínicas ou lares num determinado momento. O grupo ICE acredita que, ao tornar visível a prevalência deste fenómeno nas ilhas - tal como os factores de risco que lhe estão associados - está a contribuir para o desenvolvimento de um plano regional de actuação, mobilizando recursos políticos, sociais e humanos para o combate e prevenção das úlceras de pressão, em prol da saúde dos cidadãos em geral. Porque este é um problema que continua a exigir o dispêndio de muitos recursos, quando ao mesmo tempo a falta de meios humanos e financeiros contribui para a pouca atenção dispensada a este fenómeno.


(In Tribuna da Madeira)

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sábado, maio 24, 2008

CABO VERDE RECEBE I CONGRESSO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO CIENTIFICA EM ENFERMAGEM DA MACARONÉSIA

"Abrir novos horizontes na investigação científica em enfermagem" é lema do I Congresso Internacional de Investigação Cientifica em Enfermagem da Macaronésia que acontece hoje e amanhã, 23 e 24, respectivamente, na cidade da Praia. A iniciativa é da Associação Cabo-verdiana de Enfermagem e o Projecto Investigação Cientifica em Enfermagem, conhecido pela sigla ICE. As conferências "Formação em Enfermagem em Cabo Verde" e "A ancoragem das Instituições de Ensino Superior na Sociedade: A missão da Escola Superior de Saúde" marcam o início do congresso, seguido da Mesa Redonda "Da investigação à Acção", "Cuidar de Feridas", "Novos Horizontes de investigação de enfermaria em Espanha", " Acidentes na Infância: Realidade ou Fatalidade?", " A investigação sobre formação e a formação através da Investigação" e " As UPP como foco de atenção de alta sensibilidade aos cuidados de enfermagem". De acordo com a presidente da Associação Cabo-verdiana de Enfermagem, Maria Luísa Teixeira, com este congresso os promotores querem despertar na classe de enfermagem o interesse pela investigação e o que deverá começar em Cabo Verde com a "Úlcera de perna" e "Pé diabético". Cerca de duzentos enfermeiros nacionais e dos Açores, Madeira e Canárias participam do I Congresso Internacional de Investigação Cientifica em Enfermagem da Macaronésia. A abertura está agendada para esta sexta-feira, 09h 00, numa cerimónia a ser presidida pela directora-geral da Saúde, Jaqueline Pereira, seguido de intervenções dos reitores da Universidade dos Açores, de Cabo Verde, da Madeira e de Las Palmas de Gran Canária.

(In Expresso das Ilhas)

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quarta-feira, maio 21, 2008

Governo Regional vai monitorizar águas madeirenses

O Governo Regional tem um projecto, denominado “CLIMARCOST”, em parceria com Açores e Canárias, que vai ajudar a analisar a segurança no mar e ainda várias questões relacionadas com actividades e obras marítimas e costeiras.
O Governo Regional vai promover, através da Administração Portuária da RAM, o estudo da agitação marítima. Um projecto que vai permitir analisar fenómenos de erosão e questões relacionadas com a segurança no mar, com obras portuárias e costeiras e com actividades de navegação e de pesca, entre outras.O projecto “CLIMARCOST” está integrado no âmbito do programa comunitário INTERREG IIIB, envolvendo vários países, sendo parceiros do mesmo a Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira e o Fundo Regional de Coesão (na qualidade de chefe de fila), ambos da Madeira, a Universidade dos Açores, o Instituto Canário de Ciências Marinhas e a Universidade de Las Palmas. O objectivo principal do projecto “CLIMARCOST” (Clima Marítimo e Costeiro) é o de, segundo a administradora da APRAM, Lígia Correia, «contribuir para um aumento da segurança e eficácia das actividades marítima e portuárias das regiões insulares bem como para a defesa das suas zonas costeiras, para além de potenciar uma melhor rentabilidade das actividades económicas relacionadas com o mar e com o litoral».Este projecto, recorde-se, deu continuidade aos projectos “CLIMAAT” e “CLIMAAT-II”, ambos igualmente financiados no âmbito do INTERREG IIIB, «estes somente vocacionados para o estudo da climatologia e meteorologia insulares». O “CLIMARCOST”, destaca a governante, «introduziu uma nova componente, a da agitação marítima, proporcionando de forma consistente a monitorização, o estudo e a divulgação em tempo oportuno de informação necessária aos vários sectores de actividade, designadamente aos relacionados com a segurança no mar, com as actividades de navegação e das pescas, com as obras portuárias e costeiras, com estudos de dinâmica de sedimentação, fenómenos de erosão, acumulação de materiais, etc». O projecto tem três componentes estratégicas, sendo a monitorização, mediante o estabelecimento e manutenção de uma rede de bóias meteo-oceanográficas e estações automáticas de aquisição de informação meteorológica, uma delas. Há ainda a contar com o processamento dos dados, que é efectuada a partir de centros operacionais criados fundamentalmente para a recepção, análise e armazenamento da informação e a valorização científica e a divulgação da informação on-line.Para serem cumpridas, adianta a nossa interlocutora, estas três componentes estratégicas, têm sido proporcionados cursos de formação ao pessoal técnico a trabalhar no projecto com vista a adquirir competências profissionais, nomeadamente no âmbito das tecnologias da informação e tratamento de dados, nas operações de fundamento e manutenção de bóias oceanográficas, na instalação e manutenção de estações meteorológicas, bem como no processamento científico e estatístico de toda a informação produzida».
(In Jornal da Madeira)

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segunda-feira, maio 19, 2008

Exposição CLIMARCOST

De 19 a 21 de Maio, o átrio da Câmara Municipal do Funchal recebe a exposição itinerante do Projecto CLIMARCOST (Clima Marítimo Costeiro-Sistema de Monitorização de Dados Meteo-oceanográficos), no âmbito do programa INTERREG IIIB (Madeira, Açores e Canárias). O objectivo principal deste projecto é contribuir para o aumento da segurança e da eficácia das actividades marítimo-portuárias, proporcionar informação precisa para o melhor dimensionamento das obras marítimas portuárias, bem como para a defesa das áreas litorais e estabelecimento de cooperações de carácter ciêntífico entre as diferentes instituições que compreendem a região da Macaronésia: Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde. A iniciativa, aberta ao público das 9 às 17 horas, é da responsabilidade do Fundo Regional de Coesão da SRE Açores, AEAI (Observatório do Ambiente dos Açores), Universidade dos Açores, Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, Instituto Canario de Ciencias Marinas e ainda da APRAM (Administração dos Portos da Madeira).
(In Jornal da Madeira)

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segunda-feira, maio 12, 2008

CLIMARCOST

Foi apresentado no anfiteatro do novo Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores (UAç) no Pico da Urze, o programa de pesquisas relativas aos climas marítimos e costeiros, o CLIMARCOST, desenvolvido nos Açores com financiamentos comunitários. Como orador convidado, a sessão contou com uma intervenção do director técnico do Instituto Hidrográfico de Portugal, comandante Ventura Soares.

O projecto CLIMARCOST, desenvolvido desde 2006 no âmbito da Iniciativa Comunitária INTERREG III-B (Açores, Madeira e Canárias), e promovido pela Secretaria Regional da Economia através do Fundo Regional de Coesão (na qualidade de Chefe de Fila), tem vindo a ser executado com base numa parceria técnico-científica que envolve a UAç, o Observatório do Ambiente dos Açores, a Administração dos Portos da Madeira, a Universidade de Las Palmas de Gran Canária e o Instituto Canário de Ciências Marinhas. Além de dar continuidade e consolidar os esforços desenvolvidos nos projectos CLIMAAT (Clima e Meteorologia dos Arquipélagos Atlânticos), designadamente nas diferentes componentes relacionadas com a climatologia e meteorologia insulares, o CLIMARCOST reforçou a sua actividade nos domínios da investigação e exploração operacional da informação da agitação marítima e temperatura de superfície das águas do mar, dando contributo significativo para o aprofundamento do conhecimento científico e para uma melhor gestão operacional de todas as actividades que dependem deste meio. De entre os diferentes sectores que beneficiam com este tipo de informação, destacam-se os relacionados com a segurança no mar na sua globalidade, obras portuárias e infra-estruturas costeiras (na fase de projecto e na fase de acompanhamento de obras e comportamento de estruturas), com o sector das pescas, do turismo, da navegação comercial e operação portuária, dinâmica sedimentar, erosão e comportamento dos ecossistemas costeiros. Com o projecto CLIMARCOST, e na sequência dos seus antecessores, foi possível alargar às três regiões da Macaronésia uma rede de estações ondógrafo, a partir das quais é gerada informação de natureza mete-oceanográfica, a que se pode aceder via Internet, no portal http://www.climaat.angra.uac.pt/.

Nos Açores, com o lançamento das estações ondógrafo da Horta, Graciosa e Sta. Maria, foi possível alargar a todo o arquipélago a rede de seis estações actualmente em funcionamento (recorde-se que antes destes projectos, a região dos Açores, malgrado o seu enquadramento marítimo e dependência do estado do mar, era a única do país que não dispunha de informação operacional, em tempo real, desta natureza). Além desta informação, e da gerada por uma rede de estações terrestres e com base numa política de divulgação pública e gratuita da informação, são produzidos e divulgados diariamente um conjunto de produtos de natureza climática e meteorológica, especificamente, adaptados à natureza geográfica dos territórios insulares, os quais abrangem previsões meteorológicas e do estado mar, bem como trabalho científico de natureza sectorial, designadamente nos domínios da climatologia, física e química da atmosfera e hidrologia insulares à escala local (muitas vezes em parceria com outros projectos). A criação da Rede de Monitorização instalada tornou as regiões abrangidas mais seguras e proporcionou a todos os que do mar vivem ou dependem condições de segurança similares às dos países mais desenvolvidos no contexto da União Europeia.

(In Diário dos Açores)

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quarta-feira, maio 07, 2008

4ª Conferência do Atlântico


4ª CONFERÊNCIA DO ATLÂNTICO

"As NOVAS REALIDADES SOCIAIS como consequência das ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS"
Centro Cívico do Estreito de Câmara de Lobos - 08 e 09 de Maio de 2008
(Programa Provisório)

07 de Maio
Chegada dos participantes e conferencistas – Dia livre

08 de Maio
9h00 Registo e entrega de documentação

09h30 Sessão de Abertura

– Dr. Alberto João Jardim
Presidente do Governo Regional da Madeira
– Dr. Manuel António Correia
Secretário Regional do Ambiente e Recursos Naturais
– Professor Doutor Pedro Telhado Pereira
Reitor da Universidade da Madeira
– Professor Doutor Filipe Duarte Santos
Director Cientifico da Conferência
– Dr. Joaquim José Sousa

Presidente da Associação Insular de Geografia
10h15 – Conferência de abertura
Presidente de Mesa: Dr. Alberto João Jardim
- Dr. Francisco Costa
"O Centro Internacional de Negócios da Madeira e a sustentabilidade económica da RAM"

11.00 - Pausa para café ------------------------------------------------------------------

11.h15 - 1ª Sessão – A sociedade fase às Alterações Climáticas

Presidente de Mesa: Dr. Francisco Fernandes
Conferência Introdutória
Prof. Dr. Filipe Duarte Santos
- A problemática das Alterações Climáticas no Sec. XXI
Painel:
Professor Doutor Rodrigo Oliveira
-Cenários Climáticos Futuros e suas incertezas
Professora Doutora Irene Câmara
- Os arquipelagos atlânticos face às alterações climáticas
12.45 - Debate
13.15 – 15.00 pausa para almoço -------------------------------------------------------
15.00 - 2ª Sessão – Causas e consequências dos Tratados Ambientais
Presidente de Mesa: Sr. Arlindo Pinto Gomes
Conferência Introdutória
Professor Doutor Francisco Ferreira
- O Protocolo de Quioto e pós Quioto
Painel:
Mestre Daniel Borrego
- A importância dos Estudos Ambientais - O Relatório CLIMAAT
16.30 Pausa para Café -------------------------------------------------------------------
Professor Doutor Rodrigo Proença de Oliveira
- O impacto das Alterações Climáticas nos recursos hídricos em Portugal
17.15 Debate
09 de Maio

10.00 - 3ª Sessão – Consequências das Alterações Climáticas
Presidente de Mesa: Dr. Jorge Faria
Conferência Introdutória
Professor Doutor Tiago Capela Lourenço
- O impacto das Alterações Climáticas no Turismo
Painel:
Professora Doutora Alexandra Correia
- Impacto das Alterações Climáticas nas Florestas
Professor Doutor Ricardo Aguiar
- Impactos das Alterações Climáticas na Madeira
11.30 Pausa para o café -----------------------------------------------------------------
11.45 Debate
12.30 – 14.30 pausa para almoço -----------------------------------------------------
14.30 - 4ª Sessão – A Macarronésia e as Alterações Climáticas
Presidente de Mesa: Dr. Manuel António Correia
Professor Doutor Leopoldo Alvarez
- As Canárias fase às Alterações Climáticas
Professor Doutor Felix Rodrigues
- Percepções Científicas e Sociais sobre Alterações Climáticas Globais em Ilhas de Pequena Dimensão.

Mestre Uriel Abreu
- Os Ricos Ambientais como consequência das Alterações Climáticas
16.00 Debate
16.30 Pausa para Café
16.45 - Conferência de Encerramento
Presidente de Mesa: Dr. João Cunha e Silva
Professor Doutor Viriato Soromenho-Marques
- As Alterações Climáticas como Desafio Ético
17.30 - Sessão de Encerramento
- Professor Doutor Pedro Telhado Pereira
- Prof. Dr. Filipe Duarte Santos
- Dr. Joaquim José Sousa

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sábado, fevereiro 02, 2008

Investigação de enfermagem foi alargada a Cabo Verde

A Associação Caboverdiana de Enfermagem vai integrar o Projecto Investigação Científica em Enfermagem que está a efectuar um estudo sobre a prevalência de úlceras por pressão nas regiões ultraperiféricas dos Açores, Madeira e Canárias.


O alargamento a Cabo Verde do projecto de investigação financiado pelo programa Interreg III B-Açores, Madeira e Canárias da União Europeia, resulta da assinatura de um acordo de cooperação celebrado, recentemente, na cidade da Praia (Cabo Verde). O documento foi assinado pelo chefe de fila do projecto Interreg III B, Luís Miguel Gomes e a presidente da Associação Caboverdiana de Enfermagem, Maria Luísa Teixeira. De acordo com Luís Miguel Gomes, “o acordo pretende fomentar a maximização de esforços e a articulação de recursos em prol de um mais efectivo conhecimento sobre o fenómeno da enfermagem envolverá pela primeira vez todas as ilhas da Macaronésia”. O Projecto Investigação Científica em Enfermagem tem como parceiros a Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo, Universidade dos Açores, a Escola Superior de Enfermagem da Madeira, Universidade da Madeira e o Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Las Palmas de Gran Canária. A primeira fase do trabalho de investigação científica foi apresentada num congresso internacional realizado em Maio, em Angra do Heroísmo.
(In Diário Insular)

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domingo, outubro 21, 2007

CLIMARCOST

Decorreu no porto do Caniçal a terceira reunião do projecto CLIMARCOST - Sistema de Monitorização de Dados Meteo-Oceanográficos, desenvolvido no âmbito do programa INTERREG III B, o qual reúne parceiros da Madeira, Açores e Canárias. Nas instalações da Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM) estiveram reunidos os representantes dos parceiros do projecto CLIMARCOST, iniciado em Janeiro de 2006, os quais são o Fundo de Coesão dos Açores (Chefe de Fila), a Universidade dos Açores, a APRAM, S.A., o Instituto Canário de Ciências Mariñas e a Universidade de Las Palmas de Gran Canária. Segundo Lígia Correia, da Administração da APRAM, “o grande objectivo do projecto CLIMARCOST é a recolha de dados sobre toda a área marítima que rodeia as três regiões envolvidas no projecto”. No que se refere à Madeira, salienta que a Região já disponha de duas bóias (Porto da Cruz e Caniçal) para a recolha de dados sobre a direcção e ondulação marítima, que permitia dar o apoio às infra-estruturas marítimas. Lígia Correia realça que o envolvimento da Região no projecto CLIMARCOST vai permitir “ganhar outras valências”, nomeadamente “ter bóias para cobrir toda a Região, uma para colocar no Porto Santo e outra para cobrir o Norte da Madeira (Porto Moniz), além de termos já uma estação meteo-oceanográfica no Funchal e uma outra para recolha de dados sobre os hidrocarbonetes”. “Assim, ficamos com esta questão da segurança marítima, nomeadamente ondulação e qualidade do mar, perfeitamente identificada com dados recolhidos, sendo a leitura feita com o apoio das Universidades e do Instituto Hidrográfico”, sublinha. Por outro lado, o Prof. Eduardo Brito de Azevedo, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, acentuou que o projecto CLIMARCOST “pretende colamatar uma falha, sobretudos nas regiões da Madeira e dos Açores, no que diz respeito à caracterização do clima marinho”. Assim, adianta que todo o projecto “é dirigido para uma caracterização do clima marinho que envolve os arquipélagos, baseado na mais recente tecnologia desenvolvida pelo parceiro das Canárias, que já tem equipado inclusivamente a Madeira com bóias meteo-oceanográficas”. Deste modo, o Prof. Eduardo Brito realça que a tecnologia empregue “permite avaliar uma série de parâmetros sobre a agitação marítima e outros, informação que é depois trabalhada pelas universidades e institutos de maneira a melhorar o conhecimento científico sobre as condições do clima marinho”, acrescentando que “esse conhecimento é depois aplicado nos diferentes sectores que dependem do mar, nomeadamente segurança marítima, navegabilidade, construções portuárias, erosão costeira, navegação de recreio, etc.”. O projecto CLIMARCOST decorre até Junho de 2008, tendo um valor global de cerca de 1,5 milhões de euros, sendo que a comparticipação da RAM é de 349 mil euros, dos quais 85% são componente INTERREG e 15% da APRAM.
(In Jornal da Madeira)

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quinta-feira, setembro 20, 2007

Alterações climáticas globais - Uma agenda sempre actual

Decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, e presenciada por alunos do ensino secundário, uma palestra sobre alterações climáticas que pretendeu alertar para as preocupações prementes da climatologia. Para o docente Eduardo Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, trata-se cada vez mais de uma questão incontornável e universal. Esta é uma discussão está na ordem do dia, enfatizou, e que não está subjacente, defendeu, a qualquer agenda política. Caso disso, está na catástrofe vivida pelos Estados Unidos da América, com a devastação levada a cabo pelo furacão Katrina, que foi referenciada pelo académico como um alertar de consciências naquele país: o furacão Katrina despoletou a política americana a inverter a sua posição nessa matéria. Porém, o poder de destruição levado a cabo por fenómenos climáticos já era previsto pelos especialistas há já algum tempo: alguns dias antes do furacão, um artigo na «Nature» já indicava que esse era um fenómeno previsível dadas as alterações da circulação termoalina, ou seja, o movimento das correntes oceânicas que redistribuem as temperaturas por todo o planeta. As evidências já estavam aí, reforçou. O aumento dos fenómenos climáticos de grande visibilidade, como os furacões, está interligado a outras variáveis que ao longo dos anos têm assumido uma cada vez maior visibilidade, como o aumento de períodos de seca, o degelo dos glaciares, etc.
Eduardo Brito de Azevedo refere que os Açores são um sítio privilegiado para o estudo da climatologia a nível global e que a partilha de estudos, e de dados relativos a este campo do saber já têm sido e estão a ser desenvolvidos, exemplificando com o projecto de medição da concentração de dióxido de carbono e de outros gases, a decorrer no cimo da ilha do Pico e na Serreta na Terceira, cujos dados são usados pelo National Oceanic & Atmospheric Administration (NOAA) ou pelos resultados do SIAM (Climate Change in Portugal) que efectua previsões do clima para o país e ilhas.
Tratando-se esta conferência de uma iniciativa inserida numa campanha dissuasora do uso de combustíveis fósseis, o especialista chama a atenção para a ligação directa entre o gases emitidos pela circulação automóvel e o aumento do efeito do estufa: se cada pessoa se libertasse, ainda que por apenas algum tempo, do uso do seu automóvel, poderia estar a contribuir individualmente para a diminuição do efeito de estufa.
À semelhança do resto do mundo, as alterações climática também vão ser sentidas nos Açores. Mais calor, chuvas mais intensas, aumento do nível do mar este é o quadro generalizado para o país e para as ilhas. As três principais variáveis: temperatura, precipitação e nível do mar sofrerão modificações no decorrer das próximas décadas. Apesar de ser a região do país que apresenta as menores alterações climáticas, os Açores vão ver aumentadas as suas temperaturas em 1 a 2 graus até final deste século. A título comparativo, existem outros pontos do no interior do país que, por exemplo, apontam para um acréscimo da temperatura que oscila entre os 5 e 6 graus. Quanto à precipitação, o cenário moderado é igual, não se prevendo grande variação anual, porém, a sua redistribuição ao longo do ano alterar-se-á, facto que fará com que as chuvas se concentrem nos meses de Inverno, projectando-se Verões mais secos. Em relação ao nível do mar, os estudos feitos apontam para um aumento de 50 cm para todo o país.
As alterações relativas do clima nos Açores tem a seu favor, referem os especialista, o papel modelador e moderador do oceano nas temperaturas insulares. Porém, ficam em alerta os perigos associados à erosão provocada pelas chuvadas fortes sobre os solos insulares, com particular destaque para o surgimento de deslizamento de terras. As secas do Verão, por seu turno, poderão trazer consequências para a ocupação em termos económicos desse solo. Com apresentação de resultados prevista para o fim deste mês, estão as previsões climáticas da Madeira que apontam para um agravamento das condições de tempo. As projecções apontam para uma grande diminuição da precipitação anual que terá impacto nos recursos hídricos. Estes são dados apurados no âmbito do SIAM (Climate Change in Portugal - Scenarios, Impacts and Adaptation Measures) que iniciado em 1999, fez uma previsão até 2100 dos cenários climáticos não só para o território nacional, como das regiões insulares.
Avaliar os impactos sobre um conjunto de sectores sócio-económicos e sistemas biofísicos tão variados como os recursos hídricos, as zonas costeiras, a agricultura, saúde humana, energia, florestas e biodiversidade e pescas foi o principal objectivo desenvolvido por diversos investigadores e instituições.

(In A União)

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