sexta-feira, setembro 25, 2009

CERIMÓNIA PÚBLICA Escola de Enfermagem de Angra homenageia antigo director

O antigo director a Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo – UAç (ESEnfAH-UAç) foi homenageado em cerimónia pública no âmbito da abertura do ano lectivo 2009/2010 da instituição. A sessão solene decorreu ontem, à tarde, reunindo entidades públicas, docentes, novos alunos, finalistas e funcionários, entre os quais o novo presidente Norberto Messias.
Miguel Gomes fez balanço positivo dos oitos anos do processo de gestão na ESEnfAH-UAç, afirmando que “valeu a pena”. “Feito de momentos bons, menos bons, momentos de angústia, mas o resultado é muito positivo e valeu a pena”, considerou. E continuou: “Faz parte do meu reportório pessoal, das convivências com todos e dos projectos que concretizámos em conjunto”.


Na ocasião, apresentou os pontos principais do exercício das suas funções, em jeito de retrospectiva, em formato ‘power point’, salientando o trabalho realizado em equipa. Salientou ainda os marcos mais importantes da história daquele estabelecimento de ensino superior, desde 1973, ano da sua fundação.
Antes do descerramento da fotografia do antigo presidente, no auditório da Escola, onde teve lugar a cerimónia, Avelino Meneses teceu elogios ao trabalho desenvolvido pelo cessante presidente do concelho directivo. Dedicação e competência foram as palavras expressas pelo reitor da Universidade dos Açores (UAç). “Duas características muito importantes num dirigente”, considerou.
O responsável máximo pela UAç aproveitou a oportunidade para felicitar Miguel Gomes na nova fase da sua vida profissional, a qual, segundo revelou, será marcada pela progressão dos estudos académicos. “Volvido esse tempo como director, aproveite esta época para avançar no caminho do seu doutoramento e mais tarde ou mais cedo retorne ao nosso convívio como dirigente e, obviamente, munidos de mais e novas competências”, declarou.
No final da cerimónia foram entregues flores aos cerca de 44 novos alunos do curso de Enfermagem e aos 27 mestrandos que iniciaram ontem o Mestrado em Gerontologia, especialidade em Gerontologia Social. Foram também agraciadas duas estudantes estrangeiras na Escola ao abrigo do programa Erasmus.
Seguiu-se um convívio com actuação das Tunas Académicas da instituição, precedida pela prova de bolo e champanhe.
Novo ano lectivo

Já a propósito do ano lectivo 2009/2010, o reitor da UAç referiu no âmbito do seu discurso as dificuldades que a ESEnfAh-UAç actualmente enfrenta de preenchimento de vagas, considerando uma situação “impensável há poucos anos”. “A resposta está na diversificação de actividades, está mormente na possibilidade de cursos de tecnologias da saúde”, afirmou Avelino Meneses. E continuou: “A solução foi já intentada este ano mas sem sucesso dada a imposição irredutível do Governo da República”.
Como mensagem final, o responsável pela referida instituição diz esperar por mais sensibilidade por parte das entidades competentes. “Esperemos que no futuro próximo possamos encontrar interlocutores mais clarividentes e mais sensíveis às especificidades de uma instituição periférica e por acréscimo demasiado repartida”, rematou.

(in A União)

Etiquetas: , , , ,

quinta-feira, setembro 24, 2009

Antigo presidente da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores foi homenageado

O antigo presidente da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores foi homenageado ontem em cerimónia pública no âmbito da abertura do ano lectivo 2009/2010
Miguel Gomes, que tem como sucessor Norberto Messias, fez balanço positivo dos oitos anos do processo de gestão afirmando que “valeu a pena”.
Já Avelino Meneses teceu elogios ao trabalho desenvolvido pelo cessante presidente. Habilitação e competência foram as palavras expressas pelo reitor da Universidade dos Açores.
Em relação ao novo ano lectivo, o reitor da Universidade dos Açores referiu as dificuldades que a Escola Superior de Enfermagem de AH actualmente enfrenta de preenchimento de vagas, considerando uma situação “impensável há poucos anos”.
No final da cerimónia foram entregues flores aos cerca de 44 novos alunos do curso de Enfermagem e aos 27 mestrandos que iniciaram ontem o Mestrado em Gerontologia Social.
(in Rádio Atlântida)

Etiquetas: , , , , , ,

quarta-feira, janeiro 21, 2009

PRECONIZA MIGUEL GOMES "Empreendorismo desenvolvido entre os estudantes de enfermagem"

Sónia Bettencourt - sonia@auniao.com

A Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo – Universidade dos Açores (ESEnfAH – UAc), completou 32 anos de existência (10 de Janeiro), assinalados no passado fim-de-semana, em simultâneo com as III Jornadas da Associação de estudantes dessa Escola.
O nosso jornal conversou com o presidente do conselho directivo da ESEnfAH – UAc, Miguel Gomes, que falou dos cursos, dos modelos de estudo, do sucesso académico e profissional, e das ambições de um estabelecimento de ensino superior que conta, actualmente, com 400 alunos, 26 docentes, e duas tunas: TAESEAH e Neptuna. A União (a U)– O “Empreendorismo na Enfermagem” foi o tema do programa das comemorações do 32º aniversário da ESEnfAH - UAc. No seu entender, os nossos profissionais de saúde, sobretudo os mais jovens, terão “espírito de iniciativa” para colocar esse conceito em prática?
Miguel Gomes (MG) – A pertinência da escolha da temática do Empreendedorismo é de elogiar, uma vez que é uma temática emergente que necessita de ser conhecida e desenvolvida nomeadamente entre os estudantes de enfermagem. Tivemos oportunidade de ouvir conferências de especialistas e docentes dessa área, e constatámos que os portugueses são muitas vezes acomodados às práticas existentes e temem o risco de novas actividades de novos desafios.
Mais do que espírito de iniciativa para promover actividades empreendedoras, julgo que os novos profissionais possuem uma capacidade de reflexão sobre a realidade que os levará a tentar inovar como estratégia de empregabilidade e também de satisfação das necessidades dos novos públicos alvo dos cuidados de enfermagem.
a U – Considera, então, o empreendorismo uma das “alternativas” mais eficazes para a garantia de trabalho, tendo em conta que os recém-licenciados não encontram facilmente lugar nas unidades de saúde públicas?
MG – Certamente os jovens têm de ter a consciência que já não é possível fazer um licenciatura ou outros cursos de 2º e 3º ciclo e procurar emprego junto de casa uma vez que os quadros das instituições de saúde da região estão quase preenchidos por profissionais muito jovens, o que levará ainda muito tempo para a sua renovação. Temos incentivado os estudantes a participarem em programas de mobilidade para o continente e estrangeiro de forma a tomarem contacto com outras realidades e onde as iniciativas empreendedoras são resultados evidentes porque satisfazem as necessidades das populações e porque criam emprego, riqueza e melhores cuidados em rede.
a U - Para onde se dirigem, actualmente, a maior parte dos jovens enfermeiros açorianos quando não encontram emprego na Região?
MG – As escolas possuem um contingente de 50% de vagas de estudantes que vêm do continente e da Madeira. A grande maioria desses regressa à origem, outros optam por ficar nas ilhas. Nos últimos anos alguns dos nossos jovens enfermeiros têm recebido proposta de emprego bastante aliciantes na Espanha, nas Canárias, temos um caso na Irlanda, alguns em Inglaterra.
a U - A ESEnfAH – UAc tem, neste momento, 400 alunos. Este número é superior aos valores registados nos últimos três anos?
MG – Desde 2000 que o número de estudantes da Escola e a tipologia de estudantes modificou-se. Por um lado houve a necessidade de aumentar o número de vagas de ingresso para a licenciatura, depois regressaram à escola todos os enfermeiros bacharéis para completarem um ano de estudos e ficarem com a sua licenciatura em enfermagem. No último ano foram todos os fisioterapeutas da região e ainda este ano virão todos os profissionais (em seis grupos distintos) que possuem o bacharelato adquirido em Escolas de Tecnologias da Saúde e neste ano de transição para o modelo de Bolonha vão adquirir o grau de licenciado. Este é o último grupo de profissionais que acede a este modelo de formação apoiado num protocolo com a Secretaria Regional da Saúde e a Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Instituto Politécnico de Lisboa.
a União - A taxa de sucesso é significativa? No contexto nacional, que atribuições se pode dar a esta Escola que acabou de completar 32 anos de existência?
MG – O modelo de formação em enfermagem baseia-se num modelo de formação tutorial onde docente, estudante e tutor (enfermeiro da prática profissional) possuem uma relação pedagógica próxima e muito aberta. Efectivamente o sucesso escolar é elevado. Temos o prazer de receber os jovens enfermeiros que regressam à ilha Terceira e que nos visitam e referem sentirem-se bem preparados para trabalhar em outras instituições do país ou estrangeiro; o retorno da informação dos empregadores é oficioso, mas garantem-nos que o nosso produto é de qualidade, com uma forte formação relacional e uma capacidade de reflexão sobre as práticas e adaptação a novas situações.
Para além da formação científica existe uma forte relação de amizade entre os estudantes e aqueles com quem se relacionaram com maior intensidade. E isso é demonstrado pelas amizades que mantemos com os jovens enfermeiros que num momento são formandos e depois de um período de integração profissional são colegas tutores na formação de novos enfermeiros.
Um recente estudo de investigação demonstrou que é na dimensão relacional que os estudantes de enfermagem desta escola adquirem mais competências.
a U - Que cursos e especialidades estão disponíveis nesta instituição de ensino superior, e que instrumentos de trabalho os alunos têm ao seu alcance?
MG – Este ano lectivo a escola possui em exercício o ciclo de estudos conducente ao grau de licenciatura em enfermagem; o Curso de Pós-graduação em Gestão de Unidades de saúde; e o curso de mediação familiar e mediação de conflitos. No decorrer do 2º semestre estão disponíveis 6 cursos das áreas das tecnologias da saúde para os profissionais que vão adquirir o grau de licenciados na sua área científica de exercício profissional e os cursos livres de Inglês, Alemão e Espanhol. Aguardamos que o Ministério faça o registo do Mestrado em Gerontologia Social, grau associado com mais quatro universidades portuguesas e espanholas e o Curso de Preparatórios de Fisioterapia.
Os estudantes estão sujeitos a um novo paradigma de formação denominado Processo de Bolonha onde existem várias modificações em relação ao modelo anterior, embora no ensino superior politécnico sejam menos evidentes. Como recursos possuem em primeiro lugar o seu próprio modelo de estudo, os docentes, o grupo de estudantes, o centro de documentação bem equipado com as bases de dados adequadas, todos os cursos estão implementados sobre a plataforma de e-learning Moodle.
Uma das maiores qualidades da especificidade da formação em enfermagem encontra-se na componente de ensino clínico que corresponde no mínimo a 50% da carga lectiva, o que permite ao estudante uma aquisição de competências gradual e consciente com o perfil de enfermeiro proposto pela Ordem dos Enfermeiros.
a U - Falou em outras ocasiões da ESEnfAH - UAc transitar para Escola Superior de Saúde. Essa vontade é muito antiga, no entanto espera, sem dúvida, que o desejo se concretize?
MG – O projecto de evolução para Escola Superior de Saúde possui alguns anos e alicerça-se na necessidade de um diversificação da oferta formativa na área da saúde. Novos clientes dos serviços de saúde estão a emergir, os padrões de saúde doença estão a modificar-se e torna-se necessária uma antecipação das instituições formadoras para que não existam lacunas nos cuidados de saúde prestados ou amadorismo nas práticas profissionais.
Não queremos repetir os modelos de formação de 1º ciclo que abundam pelo país a partir do ano 2000, mas sim criar possibilidades de formação pós-graduada e de 2º ciclo de modo a especializar os profissionais já existentes e a criar maior conhecimento uma vez que se deve basear essa formação em estratégias de investigação e de conhecimento das realidades específicas para a partir da evidências modificar os cuidados de saúde prestados.
a U - Que benefícios traria para os Açores enquanto região insular?
MG – Primeiro aumentava a oferta formativa, logo poderia captar novos públicos, mesmo vindo do continente.
Trazia mais conhecimento, melhorava as qualificações profissionais e promovia o trabalho em rede com outras instituições formativas e de saúde o que só beneficia as instituições insulares.
Em termos pragmáticos e institucionais traria mais estudantes à Universidade e à Escola, o que por si só é um indicador de avaliação e financiamento por parte da tutela.
a U - Entretanto, os órgãos internos da Universidade dos Açores serão todos reestruturados em breve. Como responsável desta Escola, que vantagens vai trazer o novo modelo de gestão e organização?
MG - A elaboração dos novos estatutos da Universidade foi um momento de reflexão interna bastante importante. Como é normal não se conseguiu alcançar todas as potencialidades que a nova legislação permitia. Contudo acredito que é uma oportunidade para reestruturar uma Universidade onde todos têm um papel participativo em que são chamados a desenvolver eticamente. Novos elementos irão desempenhar novos cargos de gestão administrativa científica e pedagógica, pelo que por si só corresponde a novas iniciativas, novos projectos e possivelmente a um novo paradigma. Esta Universidade possui um sistema binário de ensino superior, é insular, tripolar em estrutura de campus universitário que pela sua implementação em diferentes ilhas constituem pólos de desenvolvimento económico e social, além do científico e cultural que constituem a sua missão.
a U - Depois de “a casa arrumada” o desafio será as novas instalações? É urgente a mudança da Escola para a Universidade dos Açores, no Pico da Urze?
MG – Em saúde existem dois conceitos muito semelhantes: o emergente e o urgente. O emergente é imediato e o urgente é crucial que seja prestada assistência mas não se corre perigo de vida nas 24 horas seguintes. Utilizando essa metáfora considera-se que para a quantidade de estudantes que já possuímos, para os projectos apresentados e devido ao estado degradado de alguns espaços, torna-se urgente a construção de um edifício no Campus do Pico da Urze. Já existe uma proposta entregue há dois anos que tem sido alvo de atenção de arquitectos e engenheiros e em breve será apresentado à tutela. Faz parte do plano de campus universitário em Angra do Heroísmo a construção de um edifício, e com o evoluir rápido da construção dos dois edifícios que correspondem aos serviços de acção Social e o edifício interdepartamental estou confiante que brevemente se iniciará o edifício em falta.
a U - Até ao final deste ano todos os agrupamentos de Centros de Saúde terão no mínimo uma equipa de apoio domiciliário, no âmbito da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, segundo anunciou há dias a ministra da Saúde. O que pensa desta medida do Governo?
MG – É uma medida sensata e necessária, que deverá ser implementada também na região, uma vez que como já referi novos clientes e novos padrões de saúde doença vão emergindo e é junto das suas áreas de residência junto dos seus espaços socioculturais de origem que os utentes devem ter acesso à satisfação das suas necessidades de saúde. Já se iniciam experiências deste âmbito com grande satisfação para profissionais e utentes e seus familiares melhorando a qualidade de vida e a satisfação dos clientes dos serviços de saúde.
a U - Que outros modelos ou outras estratégias poderiam ser postas em prática para auxiliar os mais vulneráveis da sociedade, nomeadamente os idosos?
MG – Julgo que possuímos já inúmeras iniciativas junto das populações que devem ser analisadas e melhoradas. Os centros de dias são uma realidade de grande importância para a promoção de um envelhecimento activo.
a U - Como enfermeiro como é lidar com a vida e com a morte em simultâneo?
MG – O enfermeiro é o profissional de saúde que vive 24 horas em presença junto do indivíduo família e comunidade. O ciclo de vida é belo, recheado de singularidade e cada pessoa é única, por isso é sempre um desafio para o enfermeiro o encontro com o outro uma vez que o outro por si só tem uma história de vida única e irrepetível. Tanto nascer como crescer e desenvolver-se e por fim morrer são etapas do ciclo de vida que podem e devem ser vividas em plenitude com uma consciência da realidade e da unicidade da pessoa. Os enfermeiros possuem formação adequada e o dever deontológico e ético de se prepararem para satisfazer as necessidades de saúde e doença da pessoa em cada etapa, inseridos numa equipa interdisciplinar.

(In A União)

Etiquetas: , , , , , ,

segunda-feira, maio 26, 2008

O projecto ICE

Duas professoras da Escola de Enfermagem da Universidade da Madeira (UMa) vão hoje para Cabo Verde, onde, no período compreendido entre 25 e 28 de Fevereiro, vão coordenar a recolha de dados que permitirá quantificar a prevalência das conhecidas «escaras» nos hospitais do arquipélago. A iniciativa faz parte do projecto ICE (Investigação Cientifica em Enfermagem) que, depois de Madeira, Açores e Canárias, pretendeu alargar o estudo do fenómeno. Helena Jardim e Luísa Santos, ambas professoras na Escola de Enfermagem da Madeira, partem hoje para Cabo Verde, onde serão coordenadoras numa recolha de dados que visa estudar a prevalência das «úlceras por pressão» naquele arquipélago. A colheita de dados vai realizar-se de 25 a 28 de Fevereiro. A iniciativa insere-se no âmbito do projecto ICE e vai estender, em simultâneo, o estudo de prevalência das «úlceras por pressão» a todas as ilhas da Macarronésia. Depois de divulgados os estudos em relação à Madeira, Açores e Canárias, em Maio de 2007, num Congresso Internacional realizado nos Açores, terminou o primeiro tempo do projecto ICE. Mas o seu reconhecido mérito prolongou o financiamento ao abrigo do Programa INTEREG IIIB por mais um ano, reunindo as condições para a elaboração e planeamento de um estudo que também incluísse Cabo Verde. A coordenação do estudo nas várias ilhas do arquipélago caboverdiano será feita por seis elementos do grupo parceiro no projecto: dois da Madeira, 3 dos Açores e um de Canárias. Helena Jardim e Luísa Santos serão as responsáveis pelo acompanhamento dos trabalhos nas ilhas de Santiago e de Santo Antão, respectivamente. Ao todo, depois de um período de formação decorrente de 14 a 18 de Janeiro, cerca de 1/3 (um terço) dos 500 enfermeiros caboverdianos estarão envolvidos no projecto, divididos pelos seis hospitais das ilhas de Santiago, Fogo, S. Vicente e Santo Antão. A semana de actividade culmina com uma conferência na Universidade de Cabo Verde, organizada pelo grupo ICE, com a comparência das entidades governamentais responsáveis pela Saúde e Educação do arquipélago, tal como com a presença de um perito internacional nesta temática. Contribuir para o atenuar do problema O projecto ICE surgiu em finais de 2005, tendo a Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo – Universidade dos Açores (liderada por Miguel Gomes), a Escola Superior de Enfermagem da Madeira (liderada por Helena Jardim) e o Departamento de Enfermagem da Faculdade das Ciências da Saúde – Universidade de Las Palmas de Gran Canária (liderado por Rodrigo Chácon) como parceiros. O objectivo passava pela partilha de metodologias de investigação em enfermagem, efectuando estudos de interesse para as três regiões e contribuindo para o conhecimento cientifico na área. Em cada instituição foi criado um grupo de trabalho constituído por 18 elementos, apoiados por instituições nacionais e estrangeiras e assessorados por um perito em estatística. São mesmo as estatísticas que apontam para uma prevalência de 11% das úlceras de pressão na Europa. A investigação simultânea realizada na Madeira, Açores e Canárias, cujos resultados foram apresentados em Maio do ano passado, encontrou uma prevalência de 14,2% na população idosa (entre 80 e 89 anos), onde a maioria são mulheres que se encontram no domicílio com a necessidade de cuidados crónicos. O inédito do estudo do ICE prendeu-se com o registo do problema e factores associados, quer em utentes de qualquer idade inscritos em unidades de saúde e carecidos de cuidados domiciliários, quer entre os institucionalizados em hospitais, clínicas ou lares num determinado momento. O grupo ICE acredita que, ao tornar visível a prevalência deste fenómeno nas ilhas - tal como os factores de risco que lhe estão associados - está a contribuir para o desenvolvimento de um plano regional de actuação, mobilizando recursos políticos, sociais e humanos para o combate e prevenção das úlceras de pressão, em prol da saúde dos cidadãos em geral. Porque este é um problema que continua a exigir o dispêndio de muitos recursos, quando ao mesmo tempo a falta de meios humanos e financeiros contribui para a pouca atenção dispensada a este fenómeno.


(In Tribuna da Madeira)

Etiquetas: , , , , , ,

terça-feira, novembro 13, 2007

Uma Escola Superior de Saúde captaria mais alunos para a UA

Diário Insular (DI)-Que condições é preciso reunir para que a Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo faça a transição para Escola Superior de Saúde?
Miguel Gomes(MG)-O desejo de evolução da ESEnfAH-da Universidade dos Açores para Escola Superior de Saúde possui mais de uma década e tem vindo a evoluir ou regredir segundo as contingências políticas, os projectos de desenvolvimento e a sua exequibilidade assim como a evolução da rede de estabelecimentos e oferta do Ensino Superior em Portugal. Uma das questões políticas mais prementes que se esperava ver resolvida era a atenuação do sistema binário Universitário/Politécnico, que a legislação actual infelizmente acentua. Como já foi publicamente divulgado, a cópia dos modelos de Escolas Superiores de Saúde que proliferam pelo continente é uma Escola votada ao insucesso (pela oferta de cursos e a relação procura/empregabilidade). A lei 62/2007 do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior coloca um desafio à própria Escola e Universidade na reorganização das suas unidades orgânicas e na gestão adequada de sinergias entre diferentes áreas científicas para uma oferta diversificada de qualidade científica e pedagógica, com empregabilidade no tecido empresarial e do estado a nível regional e nacional, inseridos numa Europa de Bolonha.
DI-O novo cenário que se está a desenhar pela Assembleia Estatutária da Universidade dos Açores pela aplicação da Lei do RJIES, promoverá as condições necessárias para a transição, nomeadamente em novas ofertas formativas transdisciplinares na Academia com ligações protocoladas com outras instituições de Ensino.Em que consistiria essa escola superior de saúde?MG-Seria uma Escola com a oferta formativa que o Campus de Angra do Heroísmo já dispõe e certamente novas ofertas curriculares que surgirão da análise das capacidades e competências das futuras estruturas e unidades orgânicas da Universidade.
DI-Quais seriam as vantagens da ESEnfAH passar a Escola Superior de Saúde?
MG-A principal vantagem seria rentabilizar os recursos científicos e pedagógicos existentes, as infraestruturas que irão ser construídas, e a oferta formativa que satisfaça a procura de profissionais de saúde nas actuais áreas de formação e na diversificação da oferta de novos cursos de 1º e 2º Ciclo no paradigma de Bolonha, pós-graduações e cursos de pequena duração. Promoverá certamente uma maior captação de estudantes do 1º, 2º e 3º Ciclo de formação e uma dinamização da formação da área da Saúde no Campus de Angra do Heroísmo. O Secretário Regional dos Assuntos Sociais já avançou que apoiaria essa transição. É com enorme satisfação que verificamos que existe por parte do Governo Regional uma abertura para apoiar essa transição. Será potencializada a reflexão que neste momento se processa na Universidade dos Açores face à aplicação da Lei do RJIES e será apresentada à comunidade Académica que depois de analisar a proposta e a verter em Estatutos terá um período definido pela lei para a sua implementação, ou seja dentro de sensivelmente dois anos, contudo a última palavra será sempre do Governo Central, nomeadamente, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
(In Diário Insular)

Etiquetas: , , ,