Associação Cabo-verdiana de Ciência Regional criada ainda este semestre
“Nós vamos trabalhar com a Uni Piaget e com os académicos para que, no decurso deste semestre, a associação esteja criada, registada e em funcionamento”, assegurou Francisco Tavares.
A ideia da criação desta associação esteve em discussão no seio dos participantes que estiveram reunidos no 1º Congresso de Desenvolvimento Regional de Cabo Verde, na Universidade Jean Piaget de Cabo Verde, de 9 a 11 de Julho.

Segundo Francisco Tavares e o próprio reitor da Uni Piaget, Jorge Brito, os contributos lançados pelos congressistas a nível deste encontro encorajam o prosseguimento dos esforços por parte dos responsáveis nacionais para a criação dessa associação.
Os estatutos jurídicos que vão nortear esta associação estão a ser trabalhados, mas os dois responsáveis garantiram que esses esforços vão ser feitos para que essa associação esteja juridicamente criada ainda este ano.
A Associação Cabo-verdiana de Ciência Regional de Cabo Verde, que será criada sob a égide da Ciência Regional e do Desenvolvimento local, terá como missão promover e incentivar o contacto entre as universidades e os poderes local, regional e central, bem como incentivar o desenvolvimento de pesquisas na área.
A promoção da inserção dos membros nacionais em redes científicas da área do desenvolvimento regional, o apoio às autoridades governamentais e municipais na definição e conceptualização de estratégias sobre o fenómeno de regionalização no país, a valorização de políticas públicas municipais com vista à redução das assimetrias regionais, serão outras funções que deverão vir a ser assumidas por essa associação.
Na sua composição, a associação será formada por académicos, autarcas, planificadores e cientistas que, além de poderem estar inseridos na rede de associações de desenvolvimento regional, terão também a responsabilidade de organizar congressos nacionais no domínio de Desenvolvimento regional.
O presidente da ANMCV, para quem o Congresso realizado pela Uni Piget indica aos políticos e planificadores cabo-verdianos novos conhecimentos de boas práticas e boas experiências que podem ser úteis no processo de desenvolvimento regional de Cabo Verde, é de opinião que Cabo Verde tem ainda um longo caminho a percorrer no que toca ao desenvolvimento local.
Justifica a sua posição com o facto de o país não ter ainda nem regiões administrativas, nem regiões políticas, nem regiões planos, ao mesmo tempo que considerou ser necessário abordar e a adoptar todos estes conceitos para que haja um verdadeiro planeamento regional.
“Este congresso inclusive traz-nos elementos que permitem-nos aferir como valorizar as políticas públicas municipais e também como abordar as políticas públicas nacionais no âmbito do desenvolvimento regional, nesse caso, no âmbito do desenvolvimento municipal. Ou seja, temos todos a ganhar, explorando muito bem os anais produzidos por este congresso, mas também, explorando muito bem os ensinamentos que daqui saíram”, sublinhou.
Na sua avaliação, o reitor da Uni Piaget, Jorge Brito, também atribuiu nota positiva ao congresso não só pelos contributos deixados pelos congressistas para a criação da Associação Cabo-verdiana de Ciência Regional de Cabo Verde, mas também porque, os resultados saídos desse encontro vão ajudar no desenvolvimento curricular de alguns cursos ministrados na Uni Piaget, nomeadamente, o da Administração Pública e Autárquica.
Etiquetas: Cabo Verde, Congresso, Desenvolvimento Regional


Do encontro saiu a declaração que reproduzimos abaixo.
Até ao momento já temos 250 comunicações propostas e esperam-se mais 30 de Cabo Verde e, assim gostaríamos, mais 20 de Angola.
Alguns dos temas presentes no programa são: estratégias de desenvolvimento; redes e desenvolvimento regional; energia, água e sustentabilidade; agricultura e desenvolvimento rural; cultura e desenvolvimento; redes e desenvolvimento regional; requalificação urbana; periferias e espaços rurais; migrações, pobreza e desenvolvimento; economia regional urbana; inovação e difusão tecnológica; gestão e conservação da natureza; turismo e sustentabilidade; entre outros. A inscrição de trabalhos técnicos vai até hoje dia 30 de janeiro. Os detalhes estão no site
Um desses projectos foi um estudo desenvolvido no Serviço de Pediatria do Hospital Agostinho Neto sobre crianças internadas em consequencia de quedas na construção civil. Essa investigação concluiu que o tratamento dessas crianças custou 1,4 milhões de euros em 2008.
O ICE, projecto do INTERREG III-B, Açores, Madeira, Canárias de que a Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo é chefe de fila, englobou uma parceria com a Escola de Enfermagem Manuel Olímpio de Santiago (Cabo Verde) um e recebeu um financiamento de cerca de 350 mil euros do FEDER.
O ICE, projecto do Interreg III-B, Açores, Madeira, Canárias, de que a Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo é chefe de fila, englobou uma parceria com a Escola de Enfermagem Manuel Olímpio de Santiago (Cabo Verde) e recebeu um financiamento de cerca de 350 mil euros do FEDER.
Contribuir para o atenuar do problema O projecto ICE surgiu em finais de 2005, tendo a Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo – Universidade dos Açores (liderada por Miguel Gomes), a Escola Superior de Enfermagem da Madeira (liderada por Helena Jardim) e o Departamento de Enfermagem da Faculdade das Ciências da Saúde – Universidade de Las Palmas de Gran Canária (liderado por Rodrigo Chácon) como parceiros. O objectivo passava pela partilha de metodologias de investigação em enfermagem, efectuando estudos de interesse para as três regiões e contribuindo para o conhecimento cientifico na área. Em cada instituição foi criado um grupo de trabalho constituído por 18 elementos, apoiados por instituições nacionais e estrangeiras e assessorados por um perito em estatística. São mesmo as estatísticas que apontam para uma prevalência de 11% das úlceras de pressão na Europa. A investigação simultânea realizada na Madeira, Açores e Canárias, cujos resultados foram apresentados em Maio do ano passado, encontrou uma prevalência de 14,2% na população idosa (entre 80 e 89 anos), onde a maioria são mulheres que se encontram no domicílio com a necessidade de cuidados crónicos. O inédito do estudo do ICE prendeu-se com o registo do problema e factores associados, quer em utentes de qualquer idade inscritos em unidades de saúde e carecidos de cuidados domiciliários, quer entre os institucionalizados em hospitais, clínicas ou lares num determinado momento. O grupo ICE acredita que, ao tornar visível a prevalência deste fenómeno nas ilhas - tal como os factores de risco que lhe estão associados - está a contribuir para o desenvolvimento de um plano regional de actuação, mobilizando recursos políticos, sociais e humanos para o combate e prevenção das úlceras de pressão, em prol da saúde dos cidadãos em geral. Porque este é um problema que continua a exigir o dispêndio de muitos recursos, quando ao mesmo tempo a falta de meios humanos e financeiros contribui para a pouca atenção dispensada a este fenómeno.
A iniciativa é da Associação Cabo-verdiana de Enfermagem e o Projecto Investigação Cientifica em Enfermagem, conhecido pela sigla ICE. As conferências "Formação em Enfermagem em Cabo Verde" e "A ancoragem das Instituições de Ensino Superior na Sociedade: A missão da Escola Superior de Saúde" marcam o início do congresso, seguido da Mesa Redonda "Da investigação à Acção", "Cuidar de Feridas", "Novos Horizontes de investigação de enfermaria em Espanha", " Acidentes na Infância: Realidade ou Fatalidade?", " A investigação sobre formação e a formação através da Investigação" e " As UPP como foco de atenção de alta sensibilidade aos cuidados de enfermagem". De acordo com a presidente da Associação Cabo-verdiana de Enfermagem, Maria Luísa Teixeira, com este congresso os promotores querem despertar na classe de enfermagem o interesse pela investigação e o que deverá começar em Cabo Verde com a "Úlcera de perna" e "Pé diabético". Cerca de duzentos enfermeiros nacionais e dos Açores, Madeira e Canárias participam do I Congresso Internacional de Investigação Cientifica em Enfermagem da Macaronésia. A abertura está agendada para esta sexta-feira, 09h 00, numa cerimónia a ser presidida pela directora-geral da Saúde, Jaqueline Pereira, seguido de intervenções dos reitores da Universidade dos Açores, de Cabo Verde, da Madeira e de Las Palmas de Gran Canária.
No âmbito do documento assinado por ambos os chefes de governo ficou assente que na área da intervenção social será estabelecido um acordo para formação, assistência técnica e acções conjuntas em áreas como a pobreza e a exclusão social.Na educação e ensino superior ficou decidida a atribuição de bolsas de pós-graduação e doutoramento, bem como a realização de intercâmbios tecnológico-científicos e de investigação. Na área da cultura, um protocolo estabelece intercâmbios e a realização de trabalho conjunto entre promotores de cultura, investigadores, artistas e grupos culturais. No ambiente ficou privilegiada, em protocolo, a gestão da biodiversidade, dos recursos hídricos, da conservação marinha e costeira, e do turismo ambiental. No que respeita ao ordenamento do território foram fixadas metas para a cooperação e apoio mútuo na elaboração e acompanhamento dos instrumentos de gestão e planeamento territorial. Quanto à agricultura, está previsto um protocolo que vai regular a cooperação em aspectos ligados à inspecção fitossanitária e à certificação de produtos de origem animal e vegetal. No âmbito do acordo assinado entre os governos das duas regiões da macaronésia, o Governo Regional compromete-se a desenvolver esforços para na materialização da parceria especial entre a União Europeia e Cabo Verde.
