segunda-feira, agosto 10, 2009

Record number of applications for Regional Entrepreneurship Competition

32 projects of young entrepreneurs living in the Azores have applied for the 2009 edition of the Regional Entrepreneurship Competition (CRE). The business plans submitted develop ideas, ranging from tourism and accommodation and services to support companies and individuals to aquaculture or residue management and recycling. The jury of the CRE will analyse the applications until the end of September and will award the three best business plans based on their innovation, on the plan itself and the success probability of the business in the market. The jury is composed by representatives from the University of the Azores, the Chamber of Commerce and Industry of the Azores, the Regional Directorate for Science, Technology and Communications, the Regional Directorate of Youth, the Regional Directorate for Labour, Vocational Training and Consumer Defence and the Regional Directorate for Support to the Investment and to the Competitiveness. The award-winning projects will be made public at the Entrepreneurship Gala, where five thousand Euros will be awarded to first place, four thousand Euros to the second place and three thousand and five hundred Euros to the third best business plan. The Regional Secretariat for the Economy annually promotes the CRE with the purpose of stimulating the participation of youngsters in the economic activity, through the creation of innovative business plans that are feasible and adequate to a market need. This competition also intends to raise the society’s awareness for entrepreneurship, to captivate youngsters for the creation of companies and to encourage an approach to entrepreneurship in the educational system. The Regional Entrepreneurship Competition is addressed at youngsters aged between 18 and 35, who may compete individually or in groups by filing and sending an electronic form. The first three editions of the CRE received 13 applications in 2006, 20 in 2007 and 22 in 2008.
(In GACS/SF)

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sexta-feira, agosto 07, 2009

Número record de candidaturas ao Concurso Regional de Empreendedorismo

Concorreram à edição de 2009 do Concurso Regional de Empreendedorismo (CRE) 32 projectos de jovens empreendedores residentes nos Açores. Os planos de negócios apresentados desenvolvem ideias que vão da animação turística e alojamento, aos serviços de apoio às empresas e aos particulares, passando pela aquacultura ou gestão de resíduos e reciclagem.
O júri do CRE irá analisar as candidaturas até ao final de Setembro e premiará os três melhores planos de negócios com base na sua inovação, na qualidade do próprio plano e na probabilidade de sucesso do negócio no mercado. O júri é composto por representantes da Universidade dos Açores, da Câmara de Comércio e Indústria dos Açores, da Direcção Regional da Ciência, Tecnologia e Comunicações, da Direcção Regional da Juventude, da Direcção Regional do Trabalho, Qualificação Profissional e Defesa do Consumidor e da Direcção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade.
Na Gala do Empreendedor, a realizar no último trimestre de 2009, serão dados a conhecer os projectos vencedores e atribuídos os prémios de cinco mil euros para o primeiro lugar, qautro mil euros para o projecto segundo classificado e três mil e quintos euros para o terceiro melhor plano de negócio.
A secretaria regional da Economia promove, anualmente, o CRE com o objectivo de estimular a participação dos jovens na actividade económica, através da criação de planos de negócio inovadores, exequíveis e adequados a uma necessidade de mercado. Este Concurso permite ainda despertar a sociedade para o empreendedorismo, cativar os jovens para a criação de empresas e fomentar a abordagem ao empreendedorismo no sistema de ensino. O Concurso Regional de Empreendedorismo destina-se a jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, que poderão concorrer, a título individual ou em grupo, mediante o envio de um formulário electrónico.
As primeiras três edições do CRE contaram com 13 candidaturas em 2006, 20 na edição de 2007 e 22 na edição de 2008.
(in Diário dos Açores)

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segunda-feira, junho 22, 2009

Saber ser empreendedor

Blandina Costa
Ensinar a ser empreendedor é uma tarefa a que muitas universidades e escolas do país já aderiram. E querer abrir um negócio próprio não é condição necessária para frequentar os cursos. Afinal, ser empreendedor a trabalhar por conta de outrem é também um factor de sucesso na carreira. O importante é saber escolher. A componente prática dos cursos, em que se testa uma ideia concreta de negócio, e se partilha as experiências de quem já fez o mesmo, permitindo que os alunos auto-avaliem o seu perfil empreendedor, são requisitos importantesA ideia de criar um negócio próprio provavelmente já lhe passou pela cabeça. Por brincadeira, em conversa com amigos ou num tom mais sério lançou a ideia para o ar. Mas se alguns embarcam na aventura, muitos acabam, no entanto, por deixar morrer a ideia do que poderia ser uma alternativa de vida. Sabendo que a falta de conhecimentos básicos sobre como lançar um negócio e dar-lhe vida é, muitas vezes, um travão ao lançamento de um projecto empresarial próprio, muitas universidades e escolas do país lançaram nos últimos anos cursos de empreendedorismo. Não é difícil encontrá-los de Norte a Sul do país, passando pelas regiões autónomas. Mas afinal o que ensinam estes cursos, a quem se destinam e será que são mesmo uma opção para quem quer lançar um negócio próprio?Antes de mais, quem já lida com o ensino do empreendedorismo há alguns anos começa por frisar que os cursos de empreendedorismo não são só para quem quer lançar um negócio, mas destinam-se a criar e a fomentar uma atitude empreendedora, seja para quem quer lançar um negócio próprio seja para quem trabalha por conta de outrem. Francisco Banha, presidente executivo da GesEntrepreneur, uma empresa vocacionada para o ensino do empreendedorismo, e que é também responsável pela disciplina de Entrepreneurship no MBA do ISEG, diz que criar "um negócio no futuro é apenas um resultado. Todos os empregadores querem trabalhadores com um espírito empreendedor." E acrescenta: "A educação em empreendedorismo tem como objectivo desenvolver um conjunto de atitudes e competências como a autonomia, a criatividade, o espírito de iniciativa e a inovação."
Pedro Saraiva Empreendedor é alguém que tem coragem de converter um sonho em realidadeUm curso deve determinar até que ponto se tem ou não um perfil empreendedor. É, por isso, que uma das etapas do curso de empreendedorismo desenvolvido pela Universidade de Coimbra passa pelo preenchimento de um inquérito de auto-avaliação que pretende determinar o perfil de empreendedor de cada aluno. Ser empreendedor, diz Pedro Saraiva, vice-reitor da Universidade de Coimbra, "é ser alguém que tenha capacidade de sonhar, a coragem de converter esses sonhos em realidade, sabendo que vai ser obrigado a tomar decisões em ambiente de incerteza e de risco, que vive em permanente aventura e que vai ter de antecipar mudanças, posicionando-se pela positiva." E é preciso testar e ver se se tem ou não estas características.Com a experiência de dez anos de ensino do empreendedorismo, a Universidade de Coimbra aprendeu também que a componente prática dos cursos é uma vertente importante. "Tentamos que seja uma aprendizagem prática, em que se trabalha uma ideia concreta e o curso é desenvolvido trabalhando essa mesma ideia", explica Pedro Saraiva. Essa é também a filosofia de ensino da GesEntrepreneur ao importar a metodologia do 'learn by doing' que Chris Curtis implementou no Canadá. "A melhor maneira de formar um empreendedor é proporcionar-lhe condições para que ele possa fazer as coisas acontecerem. Assim, em vez de tentarmos levar o mundo exterior à sala de aula, levamos os formandos ao mundo exterior, fazendo-os sair da sua zona de confiança", acrescenta Francisco Banha.
Um viveiro de ciência

Da formação em empreendedorismo que a Universidade de Coimbra tem desenvolvido nos últimos 10 anos já nasceram 107 empresas - a uma média de mais de 10 por ano -, foram criados 1.110 postos de trabalho quase todos de licenciados e doutorados e algumas já estão mesmo presentes noutros países. São sobretudo empresas de base tecnológica que germinaram nas várias faculdades e institutos da universidade, tendo estas um volume de negócios de cerca de 55 milhões de euros por ano. Empresas hoje muito conhecidas como a Critical Software ou a Crioestaminal contam-se entre estes números. O segredo do sucesso está no facto do ensino do empreendedorismo vir associado a um "viveiro de produção de ciência", explica Pedro Saraiva, vice-reitor da Universidade de Coimbra. O universo de 1.500 cientistas e docentes universitários que trabalham em sectores de actividade como as tecnologias de comunicação, ciência viva, energia e ambiente e materiais - áreas onde se pode criar oportunidades de mercado -, mas também noutras faculdades como a de Letras, juntam-se por exemplo ao Instituto Pedro Nunes (incubadora de empresas) para criar um potencial empreendedor pouco habitual em Portugal. O ensino do empreendedorismo na Universidade de Coimbra faz-se em várias frentes: cursos para a população em geral com uma duração em regra de duas semanas, realizada em várias localidades do país e até fora (Lubango em Angola foi um caso de sucesso), e em que se trabalham ideias de negócios com os formandos; iniciativas de sensibilização, como seminários, com empreendedores que servem de modelo; concursos de ideias de negócio; e os cursos de empreendedorismo tecnológico que partem das tecnologias que saem dos laboratórios das universidades e que são trabalhadas por equipas mistas de investigadores e mentores de outros negócios. Prova de que o trabalho tem dado resultados é que, das últimas edições do prémio BES Inovação, os grandes prémios incidiram sobre projectos de ciência e tecnologia desenvolvidos a partir da Universidade de Coimbra. Um terceiro factor fundamental apontado por Pedro Saraiva é o facto de os cursos proporcionarem aos formandos a possibilidade de partilharem a experiência com outras pessoas que passaram pelo mesmo, através de testemunhos práticos.
Francisco Banha

Os empregadores querem trabalhadores com espírito empreendedor "A essência é a atitude empreendedora", resume o vice-reitor da Universidade de Coimbra, explicando que os cursos procuram dosear de forma equilibrada estas componentes com as noções sobre a gestão de um negócio, a análise económico-financeira, a gestão de recursos humanos ou o marketing e estudos de mercado. A componente prática tem sido cada vez mais valorizada e Francisco Banha diz mesmo que essa é a vocação dos cursos de empreendedorismo: "A educação em empreendedorismo pretende esbater a enorme barreira que ainda hoje separa a Escola das restantes organizações sociais" e fazer a ponte entre o campo educativo e o mercado de trabalho.O ensino do empreendedorismo não se limita a cursos específicos sobre o tema. Cada vez mais, as universidades têm optado por criar a disciplina e torná-la acessível a uma diversidade de cursos, nuns casos como opção, noutros como disciplina obrigatória. "Nós acreditamos verdadeiramente que o empreendedorismo deve ser uma área transversal e tanto assim é que criámos a disciplina e temos tentado oferece-la a todas as licenciaturas da Universidade dos Açores", afirma Gualter Couto, director do Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores. Criado em 2006, para colmatar a falta de iniciativa empreendedora, dinamismo, inovação e competitividade da região, o Centro concebeu não só cursos específicos sobre o tema, como tem tentado introduzir a matéria nos vários cursos da universidade. Desde o ano lectivo de 2007/2008, a disciplina é uma opção nas licenciaturas de Economia e Gestão e uma cadeira obrigatória na licenciatura de Serviço Social. Gualter Couto só lamenta que não haja mais adesão interna. "Já oferecemos essa disciplina aos restantes departamentos da Universidade mas infelizmente as mentalidades ainda não estão tão abertas como se desejaria a novas iniciativas como esta."
David Ligeiro

Planeia lançar-se por conta própria no mercado angolano As opiniões dividem-se quando se fala no impacto que o processo de Bolonha (que implicou uma reestruturação dos cursos universitários) teve no ensino do empreendedorismo. Se para Pedro Saraiva, da Universidade de Coimbra, Bolonha trouxe uma cobertura curricular obrigatória ou opcional que antes não existia nos cursos; para João Carvalho das Neves, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, ou ISEG, e com larga experiência de ensino nesta área, veio desestruturar muita coisa que existia, nomeadamente, no ensino do empreendedorismo. "Em licenciaturas de três anos não dá para ter tudo. Era uma cadeira de 4º ano e agora ficou para o segundo ciclo de Bolonha e, como há uma grande variedade de mestrados, não foi possível introduzir a disciplina em todos. O que acaba por não ter expressão", lamenta.Para que o ensino do empreendedorismo no meio académico possa ter sucesso, preparando as gerações futuras, João Carvalho das Neves diz que as várias faculdades e departamentos de uma universidade têm de trabalhar em conjunto, aliando as vertentes da gestão ao trabalho de investigação e tecnologia. Além disso, lança uma ideia: porque é que o Estado, em vez de entregar fundos de capital de risco a uma sociedade gestora, não faz a experiência de entregar esses fundos nas mãos de universidades com um historial comprovado na área do empreendedorismo. O retorno seria, provavelmente, compensador.
A pensar num negócio

David Ligeiro tem 25 anos e, há pouco mais de dois anos, decidiu ir viver e trabalhar em Angola. É funcionário da UniOne, uma empresa de consultoria que apoia empresas que se querem implantar em território angolano, e já tem planos para lançar um negócio próprio no país. Para isso, o curso de empreendedorismo da Universidade de Coimbra, organizado pela primeira vez em 2008 no Lubango, em Angola, tem-se revelado um instrumento precioso para organizar as ideias futuras. "A aprendizagem é fundamental, principalmente para evitar cometer erros básicos que podem facilmente ser evitados utilizando conhecimentos fundamentados, que não sejam apenas empíricos", explica David Ligeiro. E aquilo que aprendeu tem também sido muito útil na organização e desempenho do seu trabalho diário. Sabe que o exemplo é importante e, por isso, decidiu também dar o seu testemunho. A UniOne faz parte do projecto Junior Achievement - uma rede que desenvolve programas de apoio a alunos de diversas escolas a constituir a sua "mini-empresa", ensinando e acompanhando todos os passos de criação e vida de uma empresa - e David Ligeiro é um dos voluntários. Ensina a fazer aquilo que um dia quer pôr em prática: a criação de uma empresa, neste caso, de Imagem, Design e Publicidade. PAlém de ser uma das suas áreas de eleição, sabe que este sector tem pouca oferta em Angola e "o potencial é enorme".

(In Jornal de Negócios)

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sábado, maio 30, 2009

Apoiar a capacidade e a vocação empreendedora

Este é o objectivo do protocolo assinado entre a Universidade dos Açores e a Associação de Mulheres Empresárias dos Açores.
Foi assinado esta semana, um protocolo entre a Universidade dos Açores e a Associação de Mulheres Empresárias dos Açores (MEA). O objectivo do protocolo é estimular e apoiar a capacidade e a vocação empreendedora. O protocolo foi assinado no salão nobre da Reitoria da Universidade dos Açores. De acordo com o documento, nos dois próximos anos, o intuito será estabelecer princípios de cooperação mútua das duas entidades, com o objectivo de identificar, apoiar e desenvolver projectos de criação de micro-empresas, empresas e auto-emprego, particularmente no mercado empresarial feminino.

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sábado, maio 09, 2009

Organizações Filnor vencem prémio empresarial.

A Câmara do Comércio das Ilhas Terceira, Graciosa e S. Jorge, comemorou, a 30 de Abril, o seu 157º aniversário. A data foi celebrada com um jantar convívio, na Terceira Mar Hotel, juntando cerca de duas centenas de convidados, entre órgãos sociais, núcleos empresariais, colaboradores e empresários associados, tendo sido atribuídos dois prémios, Carreira e Empresa Empreendedora. O Prémio Carreira foi entregue à empresa Organizações Filnor, que tem, actualmente, vários negócios na Ilha Graciosa, desde supermercados, pronto-a-vestir, loja de desporto, agência de viagens e loja de utilidades para casa e decoração. Segundo Norberto Machado, proprietário das Organizações Filnor, o prémio é o reconhecimento de um trabalho que começou em 1966, numa iniciativa sua e da sua esposa, continuando até hoje. Sobre a crise que se atravessa, Norberto Machado afirma que há que ser optimistas, porque se assim não for as coisas agravam-se ainda mais. Ser comerciante na Graciosa não é fácil e passados 40 anos os desafios são diferentes, mas o objectivo desta empresa continua a ser servir bem os clientes. O Prémio Empresa Empreendedora foi atribuído à empresa Fisiopraxis, pelas actividades inovadoras, nomeadamente a expansão da técnica de ginástica PNF-Chi na Região, bem como a desenvolvimento de uma linha de cosmética exclusivamente açoriana, criada em convénio para investigação com a Universidade dos Açores. Ambos os vencedores foram eleitos por votação online. Relativamente às principais acções a desenvolver para 2009/2010, o presidente da CC dividiu-as em duas vertentes. Na óptica conjuntural realçou “o trabalho que a CC tem desenvolvido com o Governo Regional na adopção de medidas que reduzam o impacto do constrangimento económico, derivado da crise internacional”. E numa óptica mais estrutural da economia, para uma implementação de médio prazo, destacou “o trabalho que a CC tem desenvolvido”, de que são exemplos “o Plano Açores Logístico, a requalificação do tecido empresarial e seus colaboradores e a aposta na inovação e tecnologia”.ma empresa familiar, que em conjunto com os seus funcionários tem trabalhado em equipa.
(IN Jornal da Rádio Graciosa)

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quinta-feira, abril 16, 2009

Candidaturas ao concurso regional de empreendedorismo abertas a partir de quarta-feira

As candidaturas à edição deste ano do Concurso Regional de Empreendedorismo, criado pelo Governo Regional para estimular a renovação de tecido económico e promover a criação de bons planos de negócios, abrem a partir da próxima quarta-feira. A iniciativa pretende, ainda, proporcionar aos jovens com potencial empreendedor condições facilitadas para reunirem capital próprio para a implementação das suas ideias e a sua transposição para o mundo empresarial. Ao concurso podem candidatar-se projectos sustentados por planos de negócios que sejam inovadores, exequíveis e respondam a necessidades do mercado. Os projectos a concurso deverão ser susceptíveis de dar origem, no mercado onde pretendem actuar, a novos produtos, processos ou sistemas, ou à introdução de melhorias significativas em produtos, processos ou sistemas já existentes, que possam ser inseridos, de forma coerente, em estratégias empresariais. As candidaturas deverão corresponder a projectos originais, que não tenham beneficiado de apoios ou prémios públicos em outras iniciativas semelhantes. Os concorrentes deverão ser pessoas singulares, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, que poderão concorrer individualmente ou em grupo. Ao primeiro, segundo e terceiro melhores planos de negócios serão atribuídos prémios no valor de 5.000, 4.000 e 3.500 euros, respectivamente. Os premiados poderão receber, igualmente, um prémio suplementar, no valor de 5.000 euros, a integrar no capital social de empresas a criar, caso pretendam concretizar os negócios propostos nos 6 meses subsequentes à cerimónia de entrega dos prémios. Ao melhor plano de negócios proveniente da Universidade dos Açores será ainda atribuído um prémio suplementar no valor de 5.000 euros, ao abrigo de um protocolo estabelecido entre aquela academia e o Millennium BCP. O prazo de apresentação das candidaturas decorre entre 15 de Abril e 31 de Julho e encontra-se já disponível no Portal do Governo Regional dos Açores em http://www.azores.gov.pt/ o formulário de candidatura, bem como todas as informações relevantes.
(In Diário dos Açores)

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quarta-feira, janeiro 21, 2009

PRECONIZA MIGUEL GOMES "Empreendorismo desenvolvido entre os estudantes de enfermagem"

Sónia Bettencourt - sonia@auniao.com

A Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo – Universidade dos Açores (ESEnfAH – UAc), completou 32 anos de existência (10 de Janeiro), assinalados no passado fim-de-semana, em simultâneo com as III Jornadas da Associação de estudantes dessa Escola.
O nosso jornal conversou com o presidente do conselho directivo da ESEnfAH – UAc, Miguel Gomes, que falou dos cursos, dos modelos de estudo, do sucesso académico e profissional, e das ambições de um estabelecimento de ensino superior que conta, actualmente, com 400 alunos, 26 docentes, e duas tunas: TAESEAH e Neptuna. A União (a U)– O “Empreendorismo na Enfermagem” foi o tema do programa das comemorações do 32º aniversário da ESEnfAH - UAc. No seu entender, os nossos profissionais de saúde, sobretudo os mais jovens, terão “espírito de iniciativa” para colocar esse conceito em prática?
Miguel Gomes (MG) – A pertinência da escolha da temática do Empreendedorismo é de elogiar, uma vez que é uma temática emergente que necessita de ser conhecida e desenvolvida nomeadamente entre os estudantes de enfermagem. Tivemos oportunidade de ouvir conferências de especialistas e docentes dessa área, e constatámos que os portugueses são muitas vezes acomodados às práticas existentes e temem o risco de novas actividades de novos desafios.
Mais do que espírito de iniciativa para promover actividades empreendedoras, julgo que os novos profissionais possuem uma capacidade de reflexão sobre a realidade que os levará a tentar inovar como estratégia de empregabilidade e também de satisfação das necessidades dos novos públicos alvo dos cuidados de enfermagem.
a U – Considera, então, o empreendorismo uma das “alternativas” mais eficazes para a garantia de trabalho, tendo em conta que os recém-licenciados não encontram facilmente lugar nas unidades de saúde públicas?
MG – Certamente os jovens têm de ter a consciência que já não é possível fazer um licenciatura ou outros cursos de 2º e 3º ciclo e procurar emprego junto de casa uma vez que os quadros das instituições de saúde da região estão quase preenchidos por profissionais muito jovens, o que levará ainda muito tempo para a sua renovação. Temos incentivado os estudantes a participarem em programas de mobilidade para o continente e estrangeiro de forma a tomarem contacto com outras realidades e onde as iniciativas empreendedoras são resultados evidentes porque satisfazem as necessidades das populações e porque criam emprego, riqueza e melhores cuidados em rede.
a U - Para onde se dirigem, actualmente, a maior parte dos jovens enfermeiros açorianos quando não encontram emprego na Região?
MG – As escolas possuem um contingente de 50% de vagas de estudantes que vêm do continente e da Madeira. A grande maioria desses regressa à origem, outros optam por ficar nas ilhas. Nos últimos anos alguns dos nossos jovens enfermeiros têm recebido proposta de emprego bastante aliciantes na Espanha, nas Canárias, temos um caso na Irlanda, alguns em Inglaterra.
a U - A ESEnfAH – UAc tem, neste momento, 400 alunos. Este número é superior aos valores registados nos últimos três anos?
MG – Desde 2000 que o número de estudantes da Escola e a tipologia de estudantes modificou-se. Por um lado houve a necessidade de aumentar o número de vagas de ingresso para a licenciatura, depois regressaram à escola todos os enfermeiros bacharéis para completarem um ano de estudos e ficarem com a sua licenciatura em enfermagem. No último ano foram todos os fisioterapeutas da região e ainda este ano virão todos os profissionais (em seis grupos distintos) que possuem o bacharelato adquirido em Escolas de Tecnologias da Saúde e neste ano de transição para o modelo de Bolonha vão adquirir o grau de licenciado. Este é o último grupo de profissionais que acede a este modelo de formação apoiado num protocolo com a Secretaria Regional da Saúde e a Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Instituto Politécnico de Lisboa.
a União - A taxa de sucesso é significativa? No contexto nacional, que atribuições se pode dar a esta Escola que acabou de completar 32 anos de existência?
MG – O modelo de formação em enfermagem baseia-se num modelo de formação tutorial onde docente, estudante e tutor (enfermeiro da prática profissional) possuem uma relação pedagógica próxima e muito aberta. Efectivamente o sucesso escolar é elevado. Temos o prazer de receber os jovens enfermeiros que regressam à ilha Terceira e que nos visitam e referem sentirem-se bem preparados para trabalhar em outras instituições do país ou estrangeiro; o retorno da informação dos empregadores é oficioso, mas garantem-nos que o nosso produto é de qualidade, com uma forte formação relacional e uma capacidade de reflexão sobre as práticas e adaptação a novas situações.
Para além da formação científica existe uma forte relação de amizade entre os estudantes e aqueles com quem se relacionaram com maior intensidade. E isso é demonstrado pelas amizades que mantemos com os jovens enfermeiros que num momento são formandos e depois de um período de integração profissional são colegas tutores na formação de novos enfermeiros.
Um recente estudo de investigação demonstrou que é na dimensão relacional que os estudantes de enfermagem desta escola adquirem mais competências.
a U - Que cursos e especialidades estão disponíveis nesta instituição de ensino superior, e que instrumentos de trabalho os alunos têm ao seu alcance?
MG – Este ano lectivo a escola possui em exercício o ciclo de estudos conducente ao grau de licenciatura em enfermagem; o Curso de Pós-graduação em Gestão de Unidades de saúde; e o curso de mediação familiar e mediação de conflitos. No decorrer do 2º semestre estão disponíveis 6 cursos das áreas das tecnologias da saúde para os profissionais que vão adquirir o grau de licenciados na sua área científica de exercício profissional e os cursos livres de Inglês, Alemão e Espanhol. Aguardamos que o Ministério faça o registo do Mestrado em Gerontologia Social, grau associado com mais quatro universidades portuguesas e espanholas e o Curso de Preparatórios de Fisioterapia.
Os estudantes estão sujeitos a um novo paradigma de formação denominado Processo de Bolonha onde existem várias modificações em relação ao modelo anterior, embora no ensino superior politécnico sejam menos evidentes. Como recursos possuem em primeiro lugar o seu próprio modelo de estudo, os docentes, o grupo de estudantes, o centro de documentação bem equipado com as bases de dados adequadas, todos os cursos estão implementados sobre a plataforma de e-learning Moodle.
Uma das maiores qualidades da especificidade da formação em enfermagem encontra-se na componente de ensino clínico que corresponde no mínimo a 50% da carga lectiva, o que permite ao estudante uma aquisição de competências gradual e consciente com o perfil de enfermeiro proposto pela Ordem dos Enfermeiros.
a U - Falou em outras ocasiões da ESEnfAH - UAc transitar para Escola Superior de Saúde. Essa vontade é muito antiga, no entanto espera, sem dúvida, que o desejo se concretize?
MG – O projecto de evolução para Escola Superior de Saúde possui alguns anos e alicerça-se na necessidade de um diversificação da oferta formativa na área da saúde. Novos clientes dos serviços de saúde estão a emergir, os padrões de saúde doença estão a modificar-se e torna-se necessária uma antecipação das instituições formadoras para que não existam lacunas nos cuidados de saúde prestados ou amadorismo nas práticas profissionais.
Não queremos repetir os modelos de formação de 1º ciclo que abundam pelo país a partir do ano 2000, mas sim criar possibilidades de formação pós-graduada e de 2º ciclo de modo a especializar os profissionais já existentes e a criar maior conhecimento uma vez que se deve basear essa formação em estratégias de investigação e de conhecimento das realidades específicas para a partir da evidências modificar os cuidados de saúde prestados.
a U - Que benefícios traria para os Açores enquanto região insular?
MG – Primeiro aumentava a oferta formativa, logo poderia captar novos públicos, mesmo vindo do continente.
Trazia mais conhecimento, melhorava as qualificações profissionais e promovia o trabalho em rede com outras instituições formativas e de saúde o que só beneficia as instituições insulares.
Em termos pragmáticos e institucionais traria mais estudantes à Universidade e à Escola, o que por si só é um indicador de avaliação e financiamento por parte da tutela.
a U - Entretanto, os órgãos internos da Universidade dos Açores serão todos reestruturados em breve. Como responsável desta Escola, que vantagens vai trazer o novo modelo de gestão e organização?
MG - A elaboração dos novos estatutos da Universidade foi um momento de reflexão interna bastante importante. Como é normal não se conseguiu alcançar todas as potencialidades que a nova legislação permitia. Contudo acredito que é uma oportunidade para reestruturar uma Universidade onde todos têm um papel participativo em que são chamados a desenvolver eticamente. Novos elementos irão desempenhar novos cargos de gestão administrativa científica e pedagógica, pelo que por si só corresponde a novas iniciativas, novos projectos e possivelmente a um novo paradigma. Esta Universidade possui um sistema binário de ensino superior, é insular, tripolar em estrutura de campus universitário que pela sua implementação em diferentes ilhas constituem pólos de desenvolvimento económico e social, além do científico e cultural que constituem a sua missão.
a U - Depois de “a casa arrumada” o desafio será as novas instalações? É urgente a mudança da Escola para a Universidade dos Açores, no Pico da Urze?
MG – Em saúde existem dois conceitos muito semelhantes: o emergente e o urgente. O emergente é imediato e o urgente é crucial que seja prestada assistência mas não se corre perigo de vida nas 24 horas seguintes. Utilizando essa metáfora considera-se que para a quantidade de estudantes que já possuímos, para os projectos apresentados e devido ao estado degradado de alguns espaços, torna-se urgente a construção de um edifício no Campus do Pico da Urze. Já existe uma proposta entregue há dois anos que tem sido alvo de atenção de arquitectos e engenheiros e em breve será apresentado à tutela. Faz parte do plano de campus universitário em Angra do Heroísmo a construção de um edifício, e com o evoluir rápido da construção dos dois edifícios que correspondem aos serviços de acção Social e o edifício interdepartamental estou confiante que brevemente se iniciará o edifício em falta.
a U - Até ao final deste ano todos os agrupamentos de Centros de Saúde terão no mínimo uma equipa de apoio domiciliário, no âmbito da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, segundo anunciou há dias a ministra da Saúde. O que pensa desta medida do Governo?
MG – É uma medida sensata e necessária, que deverá ser implementada também na região, uma vez que como já referi novos clientes e novos padrões de saúde doença vão emergindo e é junto das suas áreas de residência junto dos seus espaços socioculturais de origem que os utentes devem ter acesso à satisfação das suas necessidades de saúde. Já se iniciam experiências deste âmbito com grande satisfação para profissionais e utentes e seus familiares melhorando a qualidade de vida e a satisfação dos clientes dos serviços de saúde.
a U - Que outros modelos ou outras estratégias poderiam ser postas em prática para auxiliar os mais vulneráveis da sociedade, nomeadamente os idosos?
MG – Julgo que possuímos já inúmeras iniciativas junto das populações que devem ser analisadas e melhoradas. Os centros de dias são uma realidade de grande importância para a promoção de um envelhecimento activo.
a U - Como enfermeiro como é lidar com a vida e com a morte em simultâneo?
MG – O enfermeiro é o profissional de saúde que vive 24 horas em presença junto do indivíduo família e comunidade. O ciclo de vida é belo, recheado de singularidade e cada pessoa é única, por isso é sempre um desafio para o enfermeiro o encontro com o outro uma vez que o outro por si só tem uma história de vida única e irrepetível. Tanto nascer como crescer e desenvolver-se e por fim morrer são etapas do ciclo de vida que podem e devem ser vividas em plenitude com uma consciência da realidade e da unicidade da pessoa. Os enfermeiros possuem formação adequada e o dever deontológico e ético de se prepararem para satisfazer as necessidades de saúde e doença da pessoa em cada etapa, inseridos numa equipa interdisciplinar.

(In A União)

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terça-feira, janeiro 20, 2009

Curso de fisioterapia em Angra do Heroísmo

A Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo pode vir a ter, a partir do próximo ano lectivo, o curso de preparatórios de Fisioterapia, anunciou, ontem, o presidente do conselho directivo Luís Miguel Gomes. De acordo com o responsável, que falava na cerimónia comemorativa do 32º aniversário da Escola de Enfermagem de Angra, a proposta já foi remetida ao Ministério do Ensino Superior, sendo que, em caso de resposta positiva, o curso será disponibilizada já ano lectivo de 2009/2010. Este curso de preparatórios seria colocado no terreno em articulação com a Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal. Paralelamente à comemoração do32º aniversário, a escola de enfermagem acolhe as III Jornadas da Associação de Estudantes, intituladas “Empreendedorismo em Enfermagem”, que decorrem até hoje. Também presente na cerimónia esteve o reitor da Universidade dos Açores, Avelino Menezes, que salientou o facto de, este ano, se realizarem eleições para todos os órgãos de gestão da academia. Avelino Menezes quer ver a universidade absorver não só membros do corpo académico, mas também exteriores. “A escolha não se deve reger, como aconteceu no passado, por estratégias e preferências pessoais. Devem ser pessoas de valor reconhecido”, disse.

(In Diário Insular)

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Directora da Saúde valoriza contributo da Escola Superior de Enfermagem de Angra

A directora regional da Saúde expressou o reconhecimento da Região pelo trabalho desenvolvido pela Escola Superior de Enfermagem de Angra “enquanto pólo de conhecimento e de cooperação, não só no campo do ensino como também no domínio da investigação”.
Falando, sábado, na sessão comemorativa do 32º aniversário deste estabelecimento de ensino, Sofia Duarte sublinhou, de igual modo, a importância dos protocolos de cooperação que têm sido implementados entre o Governo Regional e a Universidade dos Açores e que têm contribuído “para um Serviço Regional de Saúde mais presente, mais eficaz e mais próximo do cidadão”.
Na mesma ocasião encerraram as III Jornadas das Associações de Estudantes que abordaram o tema "Empreendedorismo em Enfermagem”.

(In GaCS/AP/RC)

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quinta-feira, janeiro 15, 2009

III Jornadas da Associação de Estudantes da ESEnfAH – UAc “Empreendedorismo em Enfermagem”

terça-feira, janeiro 06, 2009

Leite precisa de concorrência

Para o presidente da AAIT, a Pronicol (que transforma o leite produzido na Terceira) é “o parente pobre do grupo Lactogal”. Daí que as mais-valias reconhecidas ao leite terceirense não estejam a ser rentabilizadas. Paulo Simões diz que é tempo deste modelo ser repensado. E que são necessárias alternativas. No leite. Mas também na carne.
Os lavradores terceirenses não têm qualquer influência na comercialização do leite que produzem. Há, em sua opinião, alguma forma de garantir aos produtores mais alguns ganhos, que, hoje, se perdem entre a transformação e a comercialização?
Existem várias formas. Penso, aliás, que é tempo de se começar a pensar noutras soluções para o leite da ilha Terceira, que não a que temos actualmente. Temos duas queijarias privadas na ilha, que, pelo que sabemos, têm a sua produção vendida. Mas o grosso da produção é absorvido pela Pronicol, através de uma parceria de venda com a Unicol. Essa produção resulta em produtos sem marca que poucas valias trazem. Penso que a própria Unicol terá de repensar a sua posição junto da Pronicol e começar a avançar para uma produção com a marca Açores, uma marca que vende lá fora. Sabemos que os produtos produzidos na Região e com a marca Açores são alvo de apoios importantes, sobretudo ao nível do transporte. Sendo tudo isto mais-valias que não estão a ser aproveitadas.
O que falta para isso acontecer?
Falta aparecer outra empresa que queira transformar leite da Terceira da mesma forma que o faz a Lactaçores, que absorve leite produzido em São Miguel, em São Jorge e no Faial.
Houve algum episódio de quem tenha manifestado intenção de explorar uma unidade de produção na Terceira, para lá da Pronicol?
Há uns anos, tivemos cá empresários que manifestaram a intenção de construir na Terceira uma unidade de transformação de leite. Mas, na altura, o que travou o processo foi a inexistência de produtores que abastecessem essa fábrica. Pelo que sei, terá sido dito por alguém com ligações à Unicol que quem deixasse de vender o seu leite à cooperativa que se as coisas corressem mal não havia regresso. A experiência ficou por aí, porque nenhum produtor quis arriscar.
Seria viável uma solução em que um grupo de produtores se associasse e, através de uma parceria público-privada, um conjunto de gestores profissionais orientasse a transformação e, sobretudo, a comercialização?
A ideia poderia vingar. Mas duvido da eficácia de uma parceria público-privada num projecto dessa natureza. Acredito mais na possibilidade de uma solução cooperativa ou privada.
Falta concorrência na transformação e na comercialização dos produtos agrícolas da ilha?
Pode-se dizer que sim. Mas também não nos podemos esquecer que a Unicol é uma cooperativa…


E funciona como tal?
Mais ou menos. Penso que a Unicol tem feito um bom trabalho junto dos agricultores, garantindo-lhes factores de produção a preços razoáveis. Não nos podemos esquecer desse seu papel. Relativamente ao leite, a Unicol, em boa verdade, faz o que pode. Percebo a sua direcção, que se encontra numa posição ingrata: fazem parte da empresa que lhes compra o leite e não têm a maioria nela, sujeitando-se à vontade de outros…
Voltando à falta de concorrência…
É o que lhe dizia: pode dizer-se que a falta de concorrência da transformação causa problemas ao sector. Mas a situação é complexa…
A Associação Agrícola da Terceira poderia ter uma palavra a dizer na transformação e comercialização?
Por que não? A Associação tem vindo a firmar-se como uma prestadora de serviços. E já foi contactada diversas vezes para servir como fornecedora de produtos agrícolas. Daí que já tenhamos pensado em avançar por esse trilho…
Mas a AAIT teria capacidade de se colocar no mercado como uma alternativa comercial?
Acho que poderia ter um papel nesse circuito. Poderia começar-se de baixo, com um pequeno projecto produtivo, aproveitando as estruturas que existem na ilha. Quer para a carne quer para o leite. Estas infra-estruturas existem, mas não estão a dar a resposta esperada pelos produtores. E a AAIT pode inverter essa situação.
Como?
Por exemplo, a associação poderia formar uma pequena cooperativa que comprasse leite e, recorrendo à aquisição de um tanque de frio, uma máquina de pasteurização e outra de empacotamento, poderia colocar no mercado um produto com uma marca diferenciada, que reflectisse as mais valias do leite produzido na ilha. Há apoios governamentais para estas estruturas. E poderíamos avançar para uma comercialização num trajecto de dentro para fora. E esse fora deveria ser para lá da Europa, nomeadamente para África, que procura leite e carne. É uma ideia. Temos conversado na AAIT sobre ela. Claro que falamos aqui numa ajuda, um complemento, e não numa alternativa ao que existe.
Porque a Terceira perdeu as suas marcas?
Perdeu-as a partir do dia em que a Unicol fez a parceria com o grupo Lactogal, através da empresa Pronicol. A Unicol detém 49 por cento da Pronicol, não tendo, por isso, poder dentro da estrutura decisiva. Esta solução apareceu numa altura em que a Unicol atravessava graves problemas financeiros, com muitos lavradores a esperarem seis e sete meses pelos pagamentos do leite. Reconheço que, daí para cá, nunca mais se assistiu a um atraso no pagamento. Mas a permanência num grupo muito mais vasto, que leva à produção de produtos sem marca, não está, actualmente, a garantir mais rendimentos aos produtores da ilha. Somos o parente pobre da Lactogal, porque a Pronicol é a empresa mais pequena do grupo. A empresa todos os anos dá prejuízo, e sabemos porque assim é.
Seria possível a Pronicol manter-se associada ao grupo Lactogal, mas produzir marcas diferenciadas?
Penso que esse seria o caminho mais adequado. Acho que a Unicol tem condições para tal. Não conheço ao pormenor o acordo entre a Pronicol e a Unicol, sobretudo se esta é obrigado a vender todo o leite à Pronicol. Mas parece-me que a Unicol, com algum do leite que compra na ilha, poderia enveredar por produtos de marca e colocá-los no mercado. Aliás, essa colocação poderia até ser feita internacionalmente para evitar concorrência com os produtos da Lactogal.
Isso obrigaria a uma nova fábrica?
Não. As fábricas existem. É uma questão de se acertar a utilização das infra-estruturas já existentes. Porque nãos e pode produzir leite UHT, leite biológico, queijo de marca da ilha e todo um conjunto de produtos que seriam colocados no mercado, garantindo mais algum rendimento. Parece-me ser uma opção mais sensata do que insistir-se na produção de leite em pó, que poucos ganhos significam para os produtores locais.
Tem falado, nos últimos tempos, do leite biológico. Há condições para tal na Terceira?
Sim. Acredito que sim. Aliás, parece-me que, neste momento, há lavradores na ilha a produzir leite biológico sem o saberem. Este leite é produzido à base de erva e silagens de milho e erva e com pouca ração. Ora, isso é a prática comum cá. Estes lavradores podem é não ter cuidado com os fertilizantes que colocam nas pastagens. Mas seria possível regular esta situação e, a partir daí, enveredar por este tipo de produção, que é muito bem aceite nos mercados mundiais…
E há outros produtos?
Exacto. Temos o queijo e a manteiga, produtos reconhecidos pelos consumidores. Tínhamos, por exemplo, o queijo Castelinho, que quase não se vê no mercado. Assim, há derivados que podemos produzir cá que, quase de certeza, terão aceitação no mercado nacional e internacional.
As explorações agrícolas da Terceira estão organizadas como empresas? Ou ainda se aplica aquela ideia de que o agricultor arruma as facturas e demais papelada num saco de plástico…
A grande maioria das explorações na ilha funciona como empresas. Temos uma geração de agricultores nova – até aos 40/50 anos – que evoluiu muito e que vê a Agricultura como um sector produtivo que deve ser gerido num formato de empresas. Aliás, hoje em dia, as pessoas deixaram de ser agricultores e passaram a ser empresários agrícolas. Portanto, essa mentalidade está a enraizar-se cada vez mais. Claro que ainda há uma pequena franja de produtores que não faz contas: paga o que deve e o que sobrar é seu. Mas, como lhe disse, trata-se de um número muito diminuto, porque a maioria conta ao cêntimo os seus custos e os seus ganhos, e sabem onde ganham e perdem dinheiro na sua exploração.
E é esse o caminho?
Sem qualquer dúvida. Quem não funciona como empresário agrícola acabará por sair do sector a médio prazo. Porque não vão conseguir sobreviver sem o rigor contabilístico que se exige actualmente na gestão de uma exploração agrícola, tal como em qualquer negócio.
Fala-me de uma geração nova a singrar hoje na Agricultura terceirense. Mas diz tratar-se de gente até na casa dos 40/50 anos. A lavoura interessa aos jovens? Ou é um negócio de gerações?
Há gente nova interessada, mas são sempre filhos de lavradores a continuarem o negócio dos pais. Aliás, duvido que possa ser de outra forma, porque sem o apoio dos pais e sem a transferência de terras, máquinas agrícolas e gado, é muito difícil começar uma exploração do zero. É quase impossível.
A maior parte das explorações agrícolas no mundo reflecte o cuidado de dimensionamento das infra-estruturas e do parque de máquinas à produção que ela desenvolve. Nota que esse cuidado também existe cá?
Ainda há alguns exageros, sobretudo ao nível da potência das máquinas agrícolas. Aliás, penso que, actualmente, temos máquinas agrícolas a mais na ilha Terceira. Há quem tenha estes recursos, mas os utilize em períodos muitos curtos no ano. No entanto, como a maior parte dos empresários agrícolas está a fazer contas à vida, é natural que comecem a perceber que, muitas vezes, é preferível pagar a uma empresa de prestação de serviços – e, felizmente, já existem várias na ilha e trabalham a preços razoáveis – do que possuir máquinas que são pouco rentabilizadas. Acredito também que esta é a tendência adequada para o sector.
A extensão rural seria uma mais-valia para a Terceira?
Penso que seria uma grande valia…
O que falta para ela ser implementada?
Não sei se vontade política.
O relacionamento entre os lavradores e a Universidade dos Açores acontece? É regular? Ou ainda se encontram muito de costas voltadas?
Não diria que estão totalmente de costas voltadas. Mas, por vezes, caminham sem sentido contrário. Por isso, entendo que há mais a fazer para que as partes gerem sinergias entre elas. De qualquer modo, posso garantir-lhe que, no que diz respeito á Associação Agrícola da Terceira, o Departamento de Ciências Agrárias tem demonstrado grande abertura para cooperar connosco. Acho que, algumas vezes, os produtores não procuram os universitários. Assim, a investigação acaba por não estar tão próxima da produção como deveria estar. Aliás, acho que neste sector a investigação, a produção e o Governo Regional deviam manter uma permanente cooperação. O que não acontece. O que é mau, na minha perspectiva. Tem que haver um maior aprofundamento nesta relação entre produção, investigação e decisores políticos.
A médio prazo, qual é a grande necessidade do lavrador terceirense?
O abastecimento de água e de electricidade nas explorações. Há anos que esta situação se arrasta. Muito tem sido feito, mas ainda há muito por fazer. Estamos bem servidos em termos de estradas, mas esta infra-estruturação é fundamental para que cada empresário agrícola possa melhorar a sua produção.
O emparcelamento é uma solução importante?
Sim. Tem-se feito algum, mas a um ritmo muito pequeno. Só em aquisições de terrenos é que temos verificado essa prática. As trocas são quase inexistentes. Esta é uma solução que devia ter uma concretização mais célere.
O Centro de Leite e de Lacticínios, anunciado pelo Governo Regional, traz alguma valia ao sector?
Interesse tem e muito. Na última reunião em que se abordou o assunto, assistimos a um impasse – e não sei se é ele que trava o processo: na formação dos corpos sociais, a indústria pretendia 50 por cento e os produtores os restantes 50 por cento. A Associação Agrícola da Terceira propôs que deve existir uma terceira entidade no processo, a investigação. Mas nunca mais houve contactos connosco sobre este assunto. Penso que são politiquices o que está a suster esse projecto. O Governo Regional diz que o projecto não anda porque os industriais e os produtores não querem. Mas não sei se é bem assim. Se a ideia partiu do executivo, ele devia levá-la até ao fim.
E o parque de exposições da Terceira…
É uma necessidade urgente. Não só pela feira anual, mas sobretudo pelo mercado agrícola semanal. São muitas centenas de pessoas que frequentam esse mercado e este parque de exposições daria melhores condições a essa realidade.
O mercado agrícola devia ser alargado e potenciado?
Sem dúvida. De qualquer forma, entendo que o formato de funcionamento deve ser o que existe hoje. São necessárias melhores condições e, eventualmente, um alargamento do horário. Em vez de funcionar um só dia, poderia funcionar dois. Aquele mercado representa uma fonte de rendimento importante para quem lá vende. E uma boa oportunidade para quem compra. Aquele espaço não deve ser visto como uma coisa paralela, mas como um espaço de actividade económica importante para o sector agrícola.
Que expectativas existem para 2009 no sector agrícola? Será um ano de crise?
Pode não ser, porque os gasóleos têm vindo a descer consideravelmente. As rações também, uma vez que houve uma grande descida no preço dos cereais. Espera-se também que, nos próximos tempos, o preço dos adubos tenha uma descida na ordem dos 30 por cento. Daí que as expectativas sejam positivas. Se a descida no adubo se verificar e não ocorrer mais nenhuma descida no preço do leite pago ao produtor, teremos um ano razoável e equilibrado. Se bem que, dificilmente, será tão bom como 2008.
Porque 2008 foi um bom ano agrícola?
O primeiro semestre, é certo, foi mau. Os cereais, o gasóleo e os adubos subiram consideravelmente de preço. Mas o leite também subiu 15 escudos. No último trimestre, verificou-se uma descida das rações e do gasóleo e o leite manteve o seu preço. Ou seja, tivemos três meses a compensar o primeiro semestre. O que resulta num saldo positivo para os lavradores. Embora a notícia do abaixamento do preço do leite a partir de 01 de Janeiro de 2009 tenha vindo estragar este sentimento.
Actualmente, essa profissão compensa? Manter uma exploração com 30 ou 40 cabeças de gado leiteiro garante um rendimento decente?
Se esse agricultor não tiver muitas rendas a pagar, é viável. Mas se o terreno em uso for todo arrendado e se esse agricultor tiver um compromisso financeiro, a sua vida fica em maus lençóis.
Qual o sentimento dos agricultores terceirenses com o futuro?
Há vários que estão optimistas. Mas os mais pessimistas não acreditam que este sector de actividade tenha futuro. Reconheço que as coisas não estão fáceis. Basta haver uma variação negativa no poder de compra de muitos lavradores para que uma parte considerável deles entre em falência.
Há uma noção de quantas explorações agrícolas na Terceira estão, actualmente, no fio da navalha da sobrevivência?
Penso que uma descida do preço do leite para lá da prevista e a manutenção dos preços dos adubos podem atirar para a falência cerca de 100 explorações agrícolas na ilha. E acredito que durante 2009 alguns lavradores sairão do sector.
Hoje em dia, quantas explorações agrícolas funcionam na Terceira?
Na produção de leite, o número não chega às oito centenas. Em 2009, se o preço do leite baixar mais e o preço do adubo não descer, ficaremos com menos de 700 explorações agrícolas a funcionar na ilha, certamente.
Isso é um problema?
Há quem diga que o número aceitável de explorações na ilha, tendo por base critérios de rentabilidade, é de 500 unidades. Continuo a acreditar que quanta mais gente estiver nesta actividade, melhor para ela. Mas é cada vez mais aceite a teoria de que as explorações agrícolas na Terceira, para serem rentáveis, têm de ser redimensionadas. Os defensores desta visão alegam que o mínimo aceitável no efectivo leiteiro é de 30 a 40 animais por exploração, sendo difícil a sobrevivência abaixo desse número. Embora saibamos que, na ilha, existem explorações com 20 vacas em que o agricultor consegue um bom rendimento. Como existem explorações com mais de 60 cabeças de gado onde o proprietário está em sérias dificuldades financeiras. Mas, durante este quadro comunitário de apoio, os objectivos esperados é conseguir explorações com uma produção de 250 mil litros ao ano, ocupando uma área entre os 25 mil e os 150 e os 200 alqueires de terreno.
Estão previstos mais resgates leiteiros na ilha?
No último Conselho Regional da Agricultura, o secretário regional do sector anunciou um resgate leiteiro em 2010. Penso que ele será aproveitado por vários lavradores na ilha.
Com o abaixamento anunciado do preço do leite na Terceira, há uma noção do seu impacto no rendimento dos agricultores?
As nossas contas indicam que cada agricultor perderá mais de 15 mil euros no seu rendimento anual. Em alguns casos, essa perda pode ascender aos 50 mil ou 75 mil euros. Falo aqui de explorações agrícolas com as suas contas estabilizadas.
Os lavradores conseguem aguentar essas perdas?
Não têm outro remédio senão aguentar. A expectativa é que as coisas não se agravem mais do que o previsto. A tendência dos mercados é de o preço do leite continuar a descer, nomeadamente na Europa, mas não acreditamos que desça muito mais, senão muita gente na Europa ficará no desemprego.
Durante 2008, os lavradores da Terceira, além dos problemas vindos de fora, viveram a braços com a falta de água…
Exacto. O que trouxe mais custos. Não tenho dados que me permitam dizer qual o impacto real nos custos de cada exploração. Mas é certo que houve impacto. Embora não nos possamos esquecer que o Instituto Regional do Ordenamento Agrícola (IROA) e as câmaras municipais, sobretudo a de Angra do Heroísmo, fizeram um grande esforço para atenuar a falta de água na lavoura. Houve camiões-cisterna a carregar água para alguns postos de abastecimento constantemente. Portanto, houve custos, mas nada se podia fazer outra coisa senão isto. Foi uma despesa que não tínhamos previsto, mas teve de ser.
Com o fim da quota leiteira a partir de 2015, como fica o sector?
O Governo tem estado a procurar minimizar esse impacto. Segundo sabemos, a ideia, actualmente, é tentar transformar a quota em POSEI, ou seja, continuar, após 2015, a vinda dos apoios financeiros das quotas sob outro formato. Se isso for conseguido, parece-me que o desaparecimento da quota leiteira não terá grande impacto nos Açores. Se tal não for possível, assistiremos um impacto enorme, porque não temos condições para competir com as grandes potências produtoras da Europa.
É comum dizer-se que a Agricultura é um dos sectores mais dependentes dos apoios governamentais e comunitários. Há quem garanta que, em algumas explorações, 70 por cento do seu rendimento é administrativo. Este é um sector que não consegue existir sem esses apoios?
A lavoura açoriana consegue sobreviver sem esses dinheiros. Os nossos colegas no Continente têm mais custos de produção do que nós, que conseguimos fazer leite com base na pastagem e nas silagens de milho e erva. E com pouco concentrado. Ao invés, no Continente, tudo é comprado. Fazer leite no Continente é mais caro do que o fazer aqui. Daí conseguirmos sobreviver a qualquer crise…
Mas uma exploração cá consegue sobreviver sem esses fundos?
Penso que sim. Mas tal implica um aumento da produção. O que não é possível actualmente, perante os preços tão baixos no mercado. De qualquer forma, convém explicar que os apoios da União Europeia não existem para sustentar os agricultores. Existem para manter os produtos básicos a preços baixos para toda a população. Esse é que é o objectivo dos subsídios comunitários. A Agricultura é acusada de ser uma “papa-subsídios”, mas a verdade é que o sector nunca pediu esses apoios. É uma política da União Europeia. Apenas isso.
A produção de carne continua a não descolar…
Penso que a carne IGP está no seu primeiro ano de comercialização. Tem mercado, embora junto do agricultor não tenha tido o reflexo esperado em termos financeiros. Ela é paga a três euros ao produtor e é vendida a mais de 12 euros, havendo casos em que o seu preço ronda os 20 euros. Quer isto dizer que há valor que poderia ser redistribuído de outra forma, porque ela surgir no mercado com 600 por cento de acréscimo ao seu preço de aquisição ao produtor é errado. Talvez a carne IGP padeça do mesmo mal que o leite: precise de concorrência, ou, pelo menos, de uma alternativa. Parece-me que elas podem aparecer em breve.
De onde? Do seio dos produtores?
Sim…
Num sistema cooperativo?
Sim. Ou mesmo através de outra empresa existente. Independentemente do modelo, entendo que é saudável existir concorrência. Ninguém deve estar sozinho do mercado.

(In DI - Revista)

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sábado, dezembro 06, 2008

Jardim Vertical: A Gestão Inteligente dos Espaços Verdes

DIOGO RICOU é responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, Lda. Licenciado em engenharia agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. Também dá formação na área da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins. Dá aulas ao curso CEF jardinagem numa escola em Esmoriz, etc.. A Monteiro & Ricou presta serviços, tais como: consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, projectos.
A gestão do espaço é cada vez mais importante nos dias que correm. Esta passa pelo correcto planeamento a todos os níveis nas diversas especialidades, desde o projecto de paisagismo até a conclusão final da obra; todas as etapas devem ser escrupulosamente respeitadas, só assim os resultados tendem a aparecer a curto e médio prazo e normalmente são bastante satisfatórios
Então se o espaço físico é reduzido porque não criar na vertical?
Desde há décadas que se constrói na vertical com os mais diversos fins, então porque não aplicar essa técnica também aos espaços verdes? Respondendo a esta necessidade diversas pessoas, entendidos e empresas têm dedicado parte da sua vida a tentar solucionar o problema da manifesta falta de espaço existente nas nossas cidades. Surge então o conceito de jardim vertical.
Muitos são os sistemas existentes e os seus nomes. Variam sobretudo na sua complexidade mas têm um elemento em comum, o culto do verde.
A ideia inicial partiu do mestre Patrick Blanc, que neste momento tem já implantadas inúmeras obras de referência, como o museu de Quai Branly em Paris e o Caixa Forum em Madrid (ver foto de abertura).
As utilizações deste tipo de sistema são inúmeras e podem funcionar tanto em espaços interiores como no exterior; alguns exemplos disso são: as fachadas de edifícios, cobertura de muros, paredes, labirintos, divisão de espaços, solução para decoração, eventos, etc.
As vantagens centram-se sobretudo na naturalização do espaço urbano, ou seja tornar vivo e verde o que normalmente é “cinzento” e sem vida.
Os jardins verticais apresentam também características que actuam ao nível da acústica e funcionam como uma barreira contra os raios solares (conforto térmico).
Esta gestão do espaço é adaptável a praticamente qualquer tipo de situação da qual deriva um produto com uma enorme mais-valia .

(In Portal do Jardim . Com)

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terça-feira, novembro 04, 2008

Ensino Superior e empreendedorismo

Investigação nacional revela que os estudantes das ilhas são os que menos criam negócios próprios. A vontade até existe e está mesmo acima da manifestada por outras regiões, Lisboa incluída, mas depois não se passam das palavras aos actos. Uma tendência que pode ter consequências no desenvolvimento das ilhas.
Conclusão: entre 33 estabelecimentos do ensino superior em Portugal, a Universidade dos Açores é a terceira com o menor número de alunos a criarem o seu próprio emprego. A questão parece irrelevante, mas, na verdade, assume importância preponderante, sobretudo em tempos dominados pela crise económica em que o desemprego abunda entre os jovens, sobretudo os licenciados. Mas vamos por partes.
Desde a década 90 que é quase unanimemente aceite que o empreeendedorismo é um dos principais motores da economia, sendo fulcral no processo de rejuvenescimento tecnológico – é o surgimento de novas empresas, ávidas de bater a concorrência, que estimula a criação de melhores soluções.
Da mesma forma, desde 1997 que está identificada a relação entre o empreeendedorismo e o nível de desenvolvimento local ou regional. Ou seja, uma certa localidade tem maior tendência a desenvolver-se quantos mais habitantes empreendedores tiver. Por outro lado, a criação de um negócio é uma porta que se abre – muitas vezes a única – para os grupos económica e socialmente marginalizados (nomeadamente as mulheres e as minorias) conseguirem o sucesso e independência financeiros.
Feita a contextualização teórica, convém ainda salientar que, entre 18 países da União Europeia, Portugal tem uma das melhores taxas de empreeendedorismo. Aliás, os nove em cada 100 indivíduos que criaram o seu próprio negócio em 2007 representam uma duplicação da taxa registada apenas três anos antes, em 2004.

Falhas por resolver

Perante a pertinência do tema, uma professora e investigadora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto quis saber o que pensam os universitários portugueses deste tema, afinal de contas, uma nova geração que teoricamente será a bem mais colocada de sempre para passar das palavras aos actos e ‘fazer pela vida’, como o povo costuma dizer.
E as conclusões gerais não são muito animadoras. Aversão ao risco, baixa criatividade e pouca familiaridade com o processo de criação de novos negócios são alguns dos factores que inibem a criação de novas empresas entre os estudantes portugueses. Apesar de 70% dos 4413 inquiridos em todo o país se mostrarem atraídos pela ideia de poderem abrir o seu próprio negócio e 35% terem intenções de o fazer, as taxas de empreendedorismo efectivo são muito baixas.
Apenas 6,4% dos alunos chegaram mesmo a fundar uma ou mais empresas, enquanto pouco mais de 11% já começaram a dar os primeiros passos para o fazer.
Ou seja, mais de 80% dos estudantes nunca esteve envolvido de qualquer forma neste processo. Mais preocupante será o facto de poucos compreenderem o tipo de assuntos com que um empreendedor é confrontado quando leva uma ideia para o mercado. Diz a autora do estudo que a criação de planos e conceitos de negócios, quais as técnicas que ajudam a perceber o que o mercado necessita, ou mesmo como financiar legalmente um novo conceito de negócios (o conhecido micro-crédito, que até valeu um Nobel da Paz ao seu fundador, é um exemplo) são questões tabu para os jovens.
Além disso, cerca de 16% dos alunos não mostram capacidade para identificar um modelo exemplar de uma pessoa empreendedora ou de uma empresa nacional ou internacional de destaque. Aqueles que o fizeram elegeram Belmiro de Azevedo em Portugal e Bill Gates no Mundo. Refira-se, por último, que as áreas de economia e gestão, seguidas do direito e das ciências sociais, são aquelas em que os estudantes mais se lançam no mercado por sua conta.

Açorianos até têm vontade

Se as falhas apontadas anteriormente pertencem a uma avaliação global que se aplica a todo o país, não deixa de ser verdade que o estudo citado permite uma análise regional deste tema. E aí as coisas pioram para os Açores. Como referido inicialmente, a Universidade dos Açores é a terceira com menor número de estudantes a criarem o seu próprio negócio.
Apenas 2,2% dos alunos que responderam ao inquérito o fizeram. Uma percentagem que fica apenas à frente da Escola Superior Artística do Porto e da Universidade da Beira do Interior, mas distante da média nacional (6,4%) ou do resultado conseguido por regiões de peso semelhante ao dos Açores, como a Madeira (3,3%), Évora (6,3%) ou Bragança (7,9%).
Quando a pergunta passa a ser se, apesar de ainda não ter criado o seu negócio, o estudante já deu algum passo para concretizar esse objectivo, a classificação é ainda pior. Aqui as ilhas saltam para o último lugar, com os mesmos 2,2% - ou seja, por um lado, é positivo que todos aqueles que optam por este caminho consigam concretizá-lo; por outro, é negativo que mais ninguém esteja a tentar juntar-se-lhes.
A percentagem em causa fica longe dos 11,6% de média nacional e, uma vez mais, distante das comparações antes feitas: Madeira (12%), Évora (14,1%) e Bragança (7,9%). Logo, seguindo o princípio enunciado por Malecki em 1997, estas três regiões têm fortes possibilidades de se desenvolverem mais e mais depressa do que os Açores. É que mesmo ao nível das intenções (gostaria de ter o seu próprio negócio?) os universitários que andam por Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta ficam atrás da média: 31,1% contra 35%. Apenas sete instituições são menos ‘aventureiras’ do que a açoriana.
Mas o problema até poderá nem ser ‘humano’, por assim dizer. Tendo em conta a morada permanente dos alunos (o sítio de onde são e não onde estudam), os Açores até surgem a meio da tabela, com 35,1% dos estudantes originários das nove ilhas a revelarem intenções empreendedoras. Percentagem que fica atrás de Algarve (41,1%), Alentejo (40,5%) e Norte (36,3%), mas acima da média nacional (35%) e de regiões como Lisboa (34,1%), Centro (32%) e Madeira (31,5%).
Se bem que depois os açorianos sejam, das sete regiões, os que efectivamente criam menos empresas ou tenham sequer iniciado o processo e depois desistido.

(In João Moniz - A UNião)

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