segunda-feira, julho 13, 2009

Rede divulga jardins de Angra do Heroísmo


Está criada a Rede de Jardins de Angra, que conta actualmente com 19 jardins. O projecto está, de acordo com a responsável, Margarida Pires, apenas a aguardar a conclusão dos últimos trâmites burocráticos. Na prática, a rede, que surge em consequência do trabalho realizado por Margarida Pires, no âmbito da disciplina de Projecto do curso de licenciatura em Guias da Natureza da Universidade dos Açores, pretende dar visibilidade aos jardins privados e de edifícios públicos existentes no centro histórico de Angra e nas freguesias mais próximas da cidade, bem como incentivar a manutenção destes espaços. A rede terá a parceria da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Delegação de Turismo da Ilha Terceira e Associação Regional de Turismo. “Neste momento falta apenas reunir com a delegação de turismo, Câmara Municipal e ART e dizer os jardins que aderiram e que características têm. Com a câmara talvez seja possível agendar encontros e conferências. Trazer alguém que fale sobre jardins, que esclareça possíveis interessados em aderir, bem como as pessoas e entidades que já fazem parte da rede. Com a delegação de turismo, será feita a articulação com o sector turístico. É preciso também deixar uma base de contactos na delegação de turismo, câmara e ART para que a agências de viagens os usem”, esclarece. Além disso, a Câmara de Angra está disponível para apoiar a recuperação de alguns jardins, enviando um jardineiro ou um técnico para avaliar a situação em que o espaço se encontra e até cedendo plantas.

Turismo

Margarida Pires acredita que os jardins de Angra do Heroísmo podem funcionar como uma atracção turística para nichos de mercado.Os jardins que aderiram à rede serão divulgados na brochura anual da ART. “O ideal seria apostar numa brochura com fotografia cuidada e estou a pensar pedir a alguém como o professor Eduardo Dias, que foi meu mentor neste projecto, que ajude na parte da caracterização dos jardins, a nível das espécies existentes. Alguém como o professor Maduro Dias poderia ajudar com a parte histórica…”, exemplifica.Margarida Pires acredita que existe interesse do mercado turístico: “Sei que no ano passado nos visitaram grupos de franceses que faziam os ‘Jardins do Atlântico’. Na altura visitavam apenas o jardim Duque da Terceira. Agora, existem mais jardins que podem ser visitados”.

Cidade ajardinada

A relação entre Angra do Heroísmo e os jardins é histórica. Desde o século XVI que existem relatos das casas com grandes espaços ajardinados. Muitos, com o passar do tempo, foram-se perdendo.“A impressão com que fiquei é que, depois do sismo de 80, os jardins foram desaparecendo e diminuindo. Na Rua Direita há poucos, existem alguns na zona da Miragaia, inclusive um dos Baldaia, em muito bom estado, muito bonito. Já em São Pedro há uma série de jardins lindíssimos, com dragoeiros com centenas de anos. Em São Carlos também existem jardins de grande dimensão”, adianta.Mesmo assim, a ilha é um jardim. “Muitas das pessoas que não têm espaço em casa usam as varandas floridas. Era tradição, quando apareceram os primeiros povoadores, que uma faixa da casa se destinasse a ser uma zona ajardinada. Essa tradição continua a existir. As pessoas continuam a construir, mesmo fora de Angra, e a ter uma faixazinha destinada ao jardim”, diz.Entre os jardins que aderiram à rede estão a Quinta da Nasce Água e o da casa de Francisco Ernesto, em São Pedro. “O interessante é que temos jardins de todos os tipos, muitos deles com elementos construídos, como fontanários muito antigos… Podem ser espaços com lajes de pedra e canteiros de flores… Muitos dos jardins tem paisagens de excepção ou edifícios históricos associados”.

Dia do Jardim
Além de ter idealizado a Rede de Jardins de Angra, Margarida Pires conseguiu que fosse criado o Dia dos Jardins de Angra, que, este ano, se comemorará a 21 de Setembro.“A Delegação de Turismo assumiu a organização deste dia. O objectivo é que os vários jardins estejam disponíveis para que os turistas os visitem”, adianta Margarida Pires.“Uma outra proposta que tenho para fazer à delegação de Turismo é que, em vez de darmos uma flor aos turistas, se dê um dragoeiro, que é vegetação endémica da Macaronésia. Podíamos ter uma parceria com os serviços agrícolas, que certificariam a planta”, lança.Na opinião de Margarida Pires, “um dragoeiro pequeno pode ir num vaso colorido, com um folheto que explique a sua história, que é a árvore da vida e que dura centenas de anos. É uma prenda duradoura”.

(in Diário Insular)

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sábado, maio 16, 2009

O roseiral da Quinta do Arco

Joaquim Leça

Este texto foi publicado no dia 19 de Abril de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Estamos a menos de uma semana da 54.ª Festa da Flor, que se realiza no Funchal, onde constam a exposição e o concurso de produção florícola regional no Largo da Restauração, o "Muro da Esperança" na Praça do Município e, o cortejo que atrai muitos residentes e forasteiros. É a partir de Abril, que ocorre a floração de diversas espécies, numa exuberante manifestação de cores, perfumes e múltiplas formas, a que ninguém fica indiferente. A esse propósito, este "Agricultando" é dedicado às flores, em especial, as rosas. Localizado na freguesia do Arco de São Jorge, concelho de Santana, o roseiral da Quinta do Arco, pertença do Dr. Miguel Albuquerque, é composto por mais de 1700 espécies e variedades de roseiras, antigas e modernas. Existem 17000 plantas, algumas delas raras, trepadeiras e não trepadeiras, bravas e resultantes de cruzamentos entre espécies, através da hibridação. Este jardim que é um autêntico centro de conservação, experimentação e divulgação, pelo seu vasto património genético e pela actividade experimental na produção de novas variedades de roseira, reveste-se de um grande valor científico e cultural para a Região e para o País. No seguimento desse trabalho desenvolvido ao longo dos tempos, obtiveram-se as roseiras "Quinta do Arco" e "Lagoa", de canteiro e trepadeira, respectivamente. O roseiral que se encontra aberto ao público de Abril a Dezembro, é visitado por inúmeros visitantes, madeirenses e turistas nacionais e estrangeiros. Alguns deles são investigadores universitários, técnicos da área da floricultura, entre outros, de diversas origens, que aproveitam a sua estada na Madeira, para observar e apreciar, uma das maiores colecções de roseiras da Europa. Aqui está mais um bom exemplo que a agricultura, neste caso específico, a floricultura, tem um papel preponderante na economia local, quer pela criação de postos de trabalho quer pela estimulação da hotelaria e restauração da freguesia. Além das flores, é de salientar a produção biológica de hortícolas e frutícolas de clima tropical e subtropical na Quinta do Arco. Lançado em finais de 2006, o livro "Roseiras Antigas de Jardim" da autoria do Dr. Miguel Albuquerque, mostra com detalhe, as roseiras mais importantes da colecção atrás referida e conta a história do aparecimento do roseiral da Quinta do Arco. O seu conhecimento e afeição profundos pela rosa, que muitos consideram a "Rainha das Flores", contribui para que a Madeira seja mais conhecida e visitada.

(in Agriculturando)

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sexta-feira, maio 01, 2009

O Limoeiro

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/

O limoeiro (Citrus x limon L.) é uma árvore de folha persistente que é originária da Asia. Desde há séculos que é cultivada e utilizada, principalmente para aproveitamento dos seus frutos e nomeadamente pelas maravilhosas propriedades do sumo que os seus frutos possuem. No entanto, também a casca e as próprias folhas são muito utilizadas na preparação de bebidas e tisanas. É dos frutos com maior quantidade de vitamina C (açido ascorbico), mas possui também vitamina A, B1, B2 e B3, é rico em ferro, magnésio, fósforo e potássio. Tem também uma rica concentração de açido citrico que lhe dá o seu gosto extremamente forte. O pH chega a estar compreendido entre 2 e 3.
As utilizações a que este fruto se presta são inúmeras, desde receitas de culinária, a bolos, sumos, refrigerantes, sorvetes, medicamentos, produtos de limpeza, perfumaria e cosmética entre outros. O interesse comercial surgiu mais intensamente quando se descobriu que o limão continha grandes quantidades de Vitamina C e se conservava durante muito tempo, tendo então sido utilizado pela marinha de diversos países no combate ao escorbuto, durante as longas viagens.
Os limoeiros são árvores relativamente pequenas, o que os torna particularmente apetecíveis em jardins de pequena dimensão. Aliás, até há bem pouco tempo, em quase todos os jardins existia um limoeiro, sinal de bom agoiro. Posso dizer-vos que aqui há uns anos atrás (talvez 2), fui solicitado para fazer um pequeno jardim, apenas com uma zona de relva e uma árvore (Limoeiro), quando perguntei o porquê, o cliente respondeu: “porque em casa dos meus pais sempre existiu um limoeiro e quero que essa tradição se mantenha”. Se formos visitar jardins mais antigos encontramos quase sempre um exemplar, mais ou menos cuidado, de limoeiro. É portanto uma árvore importante e emblemática no jardim português (mediterrâneo).
Em relação aos cuidados a ter, o limoeiro não é muito exigente. Deve deixar-se crescer livremente sem grandes podas, eventualmente fazendo algumas correcções em ramos que estejam cruzados, doentes e/ou debilitados, de resto é deixar que ele cresça e se desenvolva.
No entanto o limoeiro cria nas pessoas atitudes diferentes e caricatas que se prendem com a sua produção. O que acontece e é muito comum, é as pessoas ligarem a perguntar: “O limoeiro do meu vizinho está cheio de limões e o meu nem um único tem, será que ele nunca virá a dar fruto, não é melhor cortar este e colocar outro?”
Mesmo em árvores com a mesma idade é comum isso acontecer e claro que as pessoas perguntam mas porquê, porquê a mim…..
Na realidade quando compramos um limoeiro, ele até poderá vir já com alguns limões e no entanto quando o plantamos em nossa casa ele deixa de dar limões.
Causas: é simples, quando plantamos um limoeiro, existe um periodo de adaptação ao novo solo, é necessário que ele enraíze bem para começar a crescer. Uma vez que o terreno de onde proveio o limoeiro é diferente do novo local, o tempo desta nova adaptação depende muito de caso para caso e pode levar um ano ou mais. De qualquer maneira o limoeiro após este periodo de adaptação pode ser teimoso e continuar a não dar frutos, é perfeitamente normal, não desespere. O limoeiro pode ser mesmo bem teimoso. A solução ou truque é fácil. Quando temos alguém teimoso, o que fazemos:
- Ou deixamos andar
- Ou debatemo-nos com ele
Se optar pela primeira solução o seu limoeiro não virá a dar limões nos tempos mais próximos. Se por outro lado decidir enfrenta-lo então eis o que tem a fazer:
Coloque qualquer tipo de peso sobre as suas costas (ramos), pode utilizar pedras, tijolos, ou qualquer outra coisa que o obrigue a vergar. Poderá pendurar nos seus ramos pedras para que fiquem dobrados, mas sem partir. Poderá também dar-lhe uma “coça”, “tareia” recorrendo a um pau ou uma corda (chicote). Procedimento: Pegue no pau e começe a bater no seu limoeiro mas apenas no tronco principal, ele vai ficar com algumas feridas, eventualmente vai até chorar, mas não se preocupe pois no final da tareia ele vai perceber que você é mais teimoso do que ele e passado algum tempo ele irá começar a frutificar.
Atenção deve-se bater e ferir ligeiramente sem nunca chegar ao ponto de o partir, aí sim teríamos de o substituir.
Explicação: O facto prende-se com a circulação das seivas, que são a maneira de a planta se alimentar. Ao darmos uma tareia no tronco vamos provocar um stress na planta e vamos provocar e activar uma maior e mais rápida circulação das seivas, tanto bruta (ascendente), como elaborada (descendente). Isso vai fazer com que a árvore “pense” que pode estar em risco e então, automaticamente entre na fase de produção para garantir a eventual propagação da sua existência criando descendentes (sementes).
Espero ter contribuido para o esclarecimento de algumas dúvidas que por vezes surgem, nos nossos leitores.
Nota: Alguns factos poderão estar ligeiramente fantasiados.
Imagem: Jean-Pol Grandmont
(In Portal do Jardim.com)

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domingo, abril 19, 2009

Um lago no jardim

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/


A criação de um pequeno lago no jardim reveste-se de uma grande importância, já que esse espaço irá atrair diversos animais que de outra maneira acabariam por não aparecer. Um lago é uma estrutura que, para além do efeito estético e paisagistico para o qual foi criado, faz com que a diversidade animal no jardim aumente exponencialmente. Claro que o lago poderá ter sido criado com outro fim, como a meditação, o descanço, o relax, todavia é um espaço natural que irá ser colonizado. Também poderão aparecer a curto prazo animais indesejáveis, como é o caso dos mosquitos.
No entanto após algum tempo outros animais vão aparecer, exactamente por existir uma nova fonte extra de alimento (as larvas de mosquito) que são bastante apreciadas por um sem-número de animais como a rã, o sapo, o tritão e algumas espécies de aves.
E perguntam vocês mas como é os animais aparecem?
Claro que se estivermos no meio de uma cidade, é mais dificil, mas se caminharmos em direcção ao campo esse trabalho fica bastante facilitado, pois esses animais ocorrem naturalmente nesses locais. No entanto eles acabam sempre por aparecer mais depressa do que julgávamos possível. Posso dizer-vos que ao construir um jardim, já me deparei com situações incríveis: Num local aparentemente abandonado há já algum tempo iniciei a construção de uma habitação e logo depois a de um jardim. Por debaixo de umas pedras que iriam servir para um rock garden descobri uma enorme comunidade de rãs. Como terão elas sobrevivido? Na verdade não sei mas a natureza tem destas coisas. E atenção que perto não existe qualquer zona com água. Claro está que após esta descoberta resolvemos construir um pequeno lago, onde essa comunidade se pudesse desenvolver e sobreviver.
Tendo em conta a minha experiência diria que, quando projectamos um lago temos de ter em conta diversos aspectos:
Diferentes profundidades no lago
Sistema de filtragem
Sistema de circulação da água
Escoamento
Vegetação apropriada para as margens
Criação de zonas de sombra
Escolha das plantas aquáticas
Introdução de espécies animais
O lago deve possuir zonas com profundidades distintas, para que na escolha das plantas aquáticas seja possível um maior número de espécies, já que se algumas ficam à superfície e aí se desenvolvem (jacinto de água), outras há que necessitam de estar fixas num substrato (nenúfar). O sistema de filtragem e recirculação da água é muito importante, já que permite que a água não fique estagnada, transformando o local numa fonte de maus cheiros. Deve ser instalado também um sistema de escoamento do lago de forma a facilitar a limpeza e a evitar que necessário andar a retirar a água de balde.
A escolha da vegetação das margens também é importante, pois esse será um local de grande actividade biológica e esconderijo de um elevado número de animais. O papiro (cyperus) e o junco (juncus) são duas espécies muito bem adaptadas a zonas aquáticas, podendo estar ou na margem ou mesmo dentro do lago, nas zonas de profundidade mais baixa. Estas espécies quando desenvolvidas acabam por criar zonas de sombra que protegem o lago e os próprios seres vivos do efeito dos raios solares. Por fim e se desejar poderá fazer a introdução no lago de espécies animais, como os peixes (carpa), as rãs e as tartarugas de água doce, todas elas comercializadas nas lojas da especialidade.
Espero ter contribuído para o aumento da biodiversidade nos nossos jardins com este artigo.
(In Portal do Jardim.com)

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segunda-feira, abril 06, 2009

Plantas para Pérgolas

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/

Quando estamos a pensar instalar uma pérgola no nosso jardim temos um objectivo em mente: cobrir com vegetação uma determinada área que normalmente está reservada para tempos de lazer e convívio com os amigos.
Mas, que tipo de planta escolher? Que cores? Caduca ou perene? Mix de plantas ou uma só espécie? Queremos mais flores (cor) ou mais verde (vegetação)?
Tudo isto tem de ser levado em linha de conta na escolha final que, como é lógico depende do gosto de cada um. Aqui fica uma breve listagem de plantas trepadeiras disponíveis e bem adaptadas para cobrir pérgolas e outras estruturas de suporte de plantas.
Madresilva (Lonicera japonica) - Trepadeira de crescimento rápido com caules volúveis, ou seja basta terem algo onde se agarrar e sobem a vários metros de altura. Possui flores bastante atractivas e com um odor adocicado. Servem de alimento a muitas borboletas.
Hera (Hedera helix) - Trepadeira de rápido crescimento mas que precisa de ter um apoio para crescer, agarrando-se a tudo através das suas raízes aéreas.
Roseiras de trepar ( Ex: Var. Bela Portuguesa) - Trepadeira, com muitas e grandes flores rosa de aroma moderado, pode atingir os 5 metros de altura. Necessita de ser conduzida recorrendo a tutores.
Clematite (Clematis) - Planta sensível mas com uma enorme variedade de formas, de flores e cores. Os seus caules são volúveis e como tal necessitam de tutores. Esta planta trepadeira é caduca e necessita de poda para se desenvolver e dar cada vez mais flores. super floração não comparável às outras variedades.
Glicínia (wisteria sinensis) - Planta de crescimento muito rápido e com uma floração espectacular, as cores disponíveis são o rosa, o branco e o azul. Os seus ramos são denominados de lianas sendo bastante fortes. Pode atingir vários metros de altura, os seus caules volúveis trepam por tudo, nomeadamente árvores, telhados, varandins, etc…
Bougainvillea (Bougainvillea spectabilis) - Planta trepadeira que necessita de ser conduzida, sobe também por árvores tal como a espécie anterior. Existe nas cores amarelo, branco, vermelho vivo, laranja e roxo, esta última possui uma super floração não comparável às outras variedades.
Trachilospermum (Trachelospermum) - Planta trepadeira de caules volúveis com uma flor muito parecida com o jasmim vulgar, mas sem odor. A floração é bastante abundante, mas devido à enorme quantidade de ramos que se formam, torna-se sensível a determinadas pragas, nomeadamente a cochonilha algodão e alguns afídeos e piolhos.
Jasmim (Jasminum officinale) - Trepadeira de crescimento rápido, com floração abundante e muito perfumada, cujo aroma se sente a vários metros de distância. A cor mais comum é o branco puro mas existem já variedades amarelas e rosa. Tem o inconveniente de com o passar dos anos ficar com as folhas interiores secas sendo bastante dificil de eliminar a não ser cortando totalmente a parte mais velha.
Vinha virgem (Parthenocissus tricuspidata ) - Planta trepadeira de crescimento rápido, que é muito apreciada não pela sua floração mas pela folhagem que varia de um modo espectacular durante o ano. Na Primavera as folhas são de um verde muito vivo. No Verão e início do outono as folhas amarelecem. No final do outono as folhas passam para vermelho vivo. No inverno perde as suas folhas (caduca). Agarra-se sem necessitar de qualquer tipo de sustentação, devido a gavinhas que funcionam como ventosas. Pode ir até aos 15 metros de comprimento.
Bignonia (Bignonia grandiflora) - Esta trepadeira tem uma floração abundante e as suas flores são muito grandes. As cores são variadas mas a mais bela é a variedade que possui flores vermelho alaranjado. Os seus caules são volúveis sendo necessária uma estrutura de suporte. Apresenta sensibilidade à cochonilha e alguns afídeos; quando sofre um corte esta planta liberta uma espécie de leite que é muito apreciado pelos ditos insectos. As suas flores atraem um grande número de espécies de insectos e borboletas.
Poligonium (Polygonum multiflorum) - Planta trepadeira de floração super abundante de cor branca, rosa ou azul consoante a variedade. Sobe bem qualquer tipo de estrutura e forma um conjunto muito denso. As suas flores são muito pequenas mas como são numa enorme quantidade dão um tremendo efeito em qualquer pérgola.
Muelembekia (Mulenbekia Axillaris) - Esta planta trepadeira pode crescer tanto em altura como pode ser utilizada como planta de cobertura. É extremamente bela pois as suas folhas são muito pequenas e muito redondas. O seu crescimento é rápido. Forma um conjunto super denso que pode servir de abrigo para algumas espécies de aves.
Por último pode também recorrer a plantas hortícolas com fins alimentares, exemplos disso são o feijão, a ervilha-de-cheiro que cresce bastante e dá uma floração abundante e com um odor muito agradável. E porque não o tomateiro, o pepino, as abóboras, o melão, a meloa, a vinha, o kiwi, etc. Neste caso (plantas hortícolas) terá de substituir as plantas todos os anos mas acaba por ser interessante ver este tipo de plantas crescer e dar frutos.
Boa jardinagem.
(In Portal do Jardim)

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sábado, março 28, 2009

Plantas para a Beira-Mar

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/
Quando estamos junto ao mar, em zonas no litoral e temos de planear um jardim, muitas vezes somos confrontados com algumas dificuldades: que plantas escolher uma vez que o ar do mar (salitre) pode queimar ou danificar seriamente as plantas que não estejam perfeitamente adaptadas. Quais são essas plantas?
Se formos passear à beira mar verficamos que de facto também lá existem jardins, então o que temos de fazer é observar que tipo de plantas são utilizadas e mais importante, verificar se as plantas que estão nesses jardins se encontram de boa saúde e se estão bem adaptadas. Há casos em que as plantas foram mal escolhidas e acabam por morrer ou definhar.
Em baixo segue uma listagem de plantas e respectivas características que estão perfeitamente adaptadas às zonas maritimas.
O tamarix (Tamarix gallica) é um arbusto/árvore que tem um floração espantosa, cor de rosa e é muito utilizado para formar cortinas corta vento. É especialmente resistente ao ar do mar. Está a ser muito usado em programas contra a desertificação.
O pitosporum (Pitosporum tobira) é também bastante resistente ao ar do mar e pode ser plantado mesmo na primeira linha do mar. A floração é pouco vistosa mas sente-se a vários metros de distância.
O metrosidero (Metrosidero excelsa - foto: Júlio Reis)) é uma árvore de grande porte. A floração é abundante de um vermelho vivo. É a espécie mais resistente ao salitre. Será comum encontrar e observar especímes plantados mesmo sobre a areia. A árvore quando adulta pode emitir raízes aéreas (adventícias) que podem mesmo chegar ao solo formando uma espécie de lianas grossas e muito densas.
O acer (Acer pseudoplatanus) é uma espécie caduca que tolera muito bem o ar do mar. É tambem super resistente aos ventos e inclusivé à poluição. A espécie é um acer mas as folhas são muito semelhantes às do plátano ( daí ser chamado pseudoplatanus)
O crataegus vulgar (Crataegus spp.) é um arbusto resistente ao ar do mar. As suas flores são semelhantes às das rosas silvestres (pertence à família das rosaceas), e com as suas bagas vermelhas podem ser confecionadas diversas receitas.
O pinheiro larício (Pinus nigra) é outra espécie bem adaptada aos climas maritimos. É uma conifera que mantém as suas agulhas durante todo o ano.
O chorão das praias (Carpobrotus edulis) é muito resistente e foi introduzido em Portugal com o objectivo de estabilização de taludes e dunas, devido à sua rápida proliferação foi posteriormente considerada uma invasora. Os seus frutos servem de alimento a diversos animais contribuindo assim para a sua proliferação noutras zonas mais distantes do mar. Para mais informações poderá visitar o site http://www1.ci.uc.pt/invasoras/files/1chorao-da-praia.pdf
Esta espécie não deve ser utilizada nem propagada.
Outras plantas para zonas maritimas: Quercus ilex, Pinus radiata, Atriplex, Elaeagnus, Olearia, Pyracantha, Senécio, Ulex, etc.
(In Portal Jardim)

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terça-feira, março 17, 2009

Árvores de Fruto: Saboreie o seu Jardim!

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/

Todas as árvores são importantes, mas as que produzem frutos, além de terem todas as vantagens das primeiras tem uma mais valia muito interessante: o fruto.
Se agora se fala muito e está na moda, fundir o jardim com a horta, então porque não complementarmos a produção de legumes com a produção de frutos.
E se o conceito parece simples a realidade ainda mais o é.
Na escolha das espécies em vez de selecionarmos um liquidambar porque não uma cerejeira ou ameixieira.
Comparação: são caducas, as folhas variam do verde claro na Primavera ao amarelo escuro no Outono. Ok ao nível das folhas não há comparação possível, o liquidambar passa de amarelo para um vermelho espectacular, mas a cerejeira fica também com um amarelo muito bonito que contrasta bastante com o tronco que é meio avermelhado. Em relação à flor não há nada que se compare à floração da cerejeira, ainda para mais, atrai um sem número de espécies animais: abelhas, borboletas, aves, etc. e no final ainda recebemos uma bela recompensa: as cerejas. Se pensarmos bem, e pusermos ambas na balança eu diria que a cerejeira no final acaba por ter um peso maior. Poder-se-á dizer que a manutenção das árvores de fruto requer mais mão de obra que as árvores ornamentais. De facto por ser necessário fazer todos os anos a poda, e alguns eventuais tratamentos estas requerem uma maior manutenção, mas se compararmos as necessidades destas com as necessidades que iremos ter ao nível da mão de obra para a realização de uma horta poderemos confirmar que não irá ser pelo trabalho que não avançaremos com essa decisão.
Poderemos ainda idealizar uma outra opção - a conjugação de árvores ornamentais com fruteiras. É tudo uma questão de espaço.
Até os famosos jardins japoneses incluíam quase sempre espécies ornamentais: o Acer, por exemplo, e árvores de fruto como as cerejeiras, principalmente para darem cor ao jardim numa determinada altura do ano, nomeadamente na Primavera. Também nós poderemos recorrer a esta conjugação para termos um jardim com mais cor durante mais tempo.

Espécies com floração abundante:
macieira de jardim (para mim, uma das mais bonitas)
cerejeira
ameixieira
pereira
damasqueiro
pessegueiro

Outras espécies com interesse:
citrinos
diospireiro
marmeleiro
nespereira

Frutos secos:
nogueira
castanheiro
aveleira

Outros frutos:
maracujá
kiwi

Também os chamados frutos vermelhos poderão ser uma opção, pelo menos dão bastante vida ao jardim. E que bom chegarmos ao fim de um dia de trabalho e irmos colher os nossos próprios frutos e ou alimentos. Ou levantarmo-nos pela manhã e colhermos umas laranjas para fazer um belo sumo natural. Estão fresquinhos, são naturais e aliviam qualquer stress.

(In Portal do Jardim)

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sábado, março 14, 2009

Mimosas: Essas Maravilhosas Criaturas Infernais

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/
No nosso país ocorrem em grande abundância três espécies de acácias. A Acacia dealbata e a Acacia pycnantha e a Acacia longifolia. O nome comum e pelo qual são conhecidas é mimosa, mas de facto são espécies diferentes. Pertencem ao mesmo género “Acacia” e fazem parte da familia das fabaceae. São plantas originárias da Austrália e foram introduzidas no nosso país pelo seu incontestável valor ornamental. No entanto devido à sua rápida propagação e resistência tornaram-se invasoras. Quer isto dizer que a sua plantação e ou propagação é proibida, mesmo em jardins particulares. Estas espécies ocorrem normalmente lado a lado e como a sua floração é muito idêntica tendem a ser consideradas como uma única espécie (mimosas). As principais diferenças surgem nas folhas que são de facto diferentes.
Quando somos confrontados com esta espécie e porque ela aparece em todo o lado, o que fazer? Se o “ataque” não for muito significativo, basta-nos arrancar o mais depressa possível as plantas de preferência quando forem ainda jovens. Mas quando o ataque fôr superior, que é o que normalmente acontece, devemos tentar eliminar rapidamente as plantas recorrendo a ajuda externa e ou procurar ajuda nos organismos do estado, pois no caso desta espécie quanto mais tempo deixar-mos andar menos eficaz será o seu combate e mais meios será necessário canalizar para o efectivo controle da praga.
O seu alto valor ornamental continua a ser o principal problema da sua propagação por todo o país. Quando vamos passear e observamos estes seres maravilhosos que começam agora, a partir deste mês, a mostrar o seu verdadeiro esplendor (abundante floração) custa a entender que o que estamos a ver está a por em causa uma outra flora muito importante - a autóctone. Sim, porque devido às suas características, estas espécies impedem o desenvolvimento de qualquer outra, tornando-se em poucos anos a espécie dominante e neste caso as únicas, com consequências enormes no que respeita à biodiversidade.
Para mais informações acerca das metodologias a aplicar para o seu controle poderão aceder ao site: http://www.uc.pt/invasoras/ ou ver um texto em http://www1.ci.uc.pt/invasoras/files/18acacia(pycnantha).pdf que foi compilado por Elisabete Marchante e Hélia Marchante desenvolvido no âmbito do projecto Invader (POCTI / BSE / 42335 / 2001) da Universidade de Coimbra. Agradeço às autoras e em especial à amiga Hélia Marchante.
(In Portal Jardim)

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quinta-feira, março 12, 2009

Relvados: Operações de Primavera

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/


Em breve chegará a Primavera. Pode-se dizer que está a chegar a altura de voltar a tratar do jardim. O ideal é nunca deixar de tratar, mesmo no Inverno, pois à sempre coisas a fazer; mas digamos que com o tempo mais quente somos como que convidados a iniciar os trabalhos no jardim. Para quem já tem um relvado instalado, a época é muito importante, pois é agora que se fazem os melhoramentos necessários.
Esses melhoramentos prendem-se com a fertilidade, arejamento, drenagem, rega, ressementeira, combate a pragas, remoção de musgos e ervas daninhas.
A adubação deve ser feita, manual ou mecanicamente, utilizando um adubo de libertação lenta à base de Azoto, para favorecer o crescimento tornando a relva mais verde.
Arejamento / Escarificação
O arejamento / escarificação é muito importante. Pode realizar-se manualmente e ou mecanicamente, recorrendo a solas com bicos (Andando em cima do relvado abrem-se buracos que vão facilitar a entrada de ar e da água), ou com ancinhos próprios. Outro método é utilizando um escarificador que é uma máquina que abre uns rasgos do solo. Esta máquina é muito util pois também é usada para retirar os restos de relva morta e seca que se acumularam durante o ano, serve também para retirar o musgo, pois normalmente possui um cesto de recolha. Ao abrir os rasgos no solo também rompe a camada superficial do terreno, que por vezes se encontra muito compactada.
Esta operação é das mais importantes a fazer na primavera devido à sua multifuncionalidade, acabam por ser quatro operações que são essenciais ao normal desenvolvimento do relvado.
Se o nosso relvado está muito debilitado, então após a operação anterior, pode-se ainda realizar um ressementeira, colocar-se areia e mesmo alguma terra melhorando assim o solo e por conseguinte o seu relvado.
De notar que a escarificação deve ser realizada após o 1º corte da primavera.
Como é lógico a drenagem torna-se melhor evitando possíveis intervenções mais profundas.
Sistema de Rega
A vistoria ao sistema de rega é uma operação que não deve ser descurada: A programação do novo horário, a substituição das pilhas do programador, a substituição, limpeza e afinação dos bicos é recomendada. Também à verificação de fugas e qualquer material danificado deve ser dada a maior importância, já que nos vai permitir que não haja surpresas no final do mês quando chegar a conta da água.
Doenças
Se notar que o seu relvado apresenta manchas, ou qualquer outro tipo de sintomas que nunca apareceram, poderá estar perante uma praga e ou uma doença, não desespere. De facto esta é a melhor altura para tratar, claro que não é fácil saber que tipo de doença ou praga está à nossa frente, por isso se o seu relvado está muito atacado, convém chamar alguém que saiba o que fazer. O uso de fotos poderá ser importante se resolver ir a uma casa da especialidade.
As doenças mais comuns são:
- manchas por fusarium, provocado pela Microdochium nivale
- dollar spot , provocado pela Sclerotinia homeocarpa
- manchas castanhas, provocadas pela Rhizoctonia solani
As pragas que mais ocorrem nos relvados:
- Typula paludosa
- Escarabeídos
- Ralos - Scapteriscus
- Toupeiras
No entanto se a doença estiver localizada, e for pouco evidente, ao tratar do seu relvado convenientemente, estará a debelar esses mesmos problemas já que a relva ficará mais forte e menos susceptível.
Monda
A monda das ervas daninhas é uma operação que deve ser feita assim que apareçam as primeiras ervas e antes do corte da relva. Nunca se devem cortar com a máquina corta relva porque além de as fortalecer, vai porventura espalhar as suas sementes e ajudar na sua disseminação.
(In Portal Jardim)

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sexta-feira, março 06, 2009

A Importância do Jardim

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/.

Um jardim é em temos genéricos uma estrutura fisica criada pelo homem com um determinado objectivo ou objectivos. Os elementos que o compõem diferem muito consoante o seu fim. No entanto há um que é omnipresente em todos eles: a vegetação; qualquer que seja, está sempre presente, sem ela o termo jardim não faria sentido. Outros elementos há que apesar de não serem comuns a todos os jardins estão relacionados com o tipo de espaço que é criado: a água, a esculturas, os caminhos, as pontes, o mobiliário, etc.
E porque criou o homem o jardim?
A resposta levar-nos-ia de certeza a tempos longínquos: ao jardim do Éden, aos jardins suspensos da Babilónia - à história ancestral dos jardins.A minha opinião, e aqui muitos poderão discordar, é que o jardim foi criado recorrendo à imagem que existia da natureza, ou seja:
A paisagem terá sido o primeiro impulsionador na criação.
Reparem no seguinte, os primeiros povos quando se instalaram em casas estavam de certeza inseridos numa determinada paisagem, paisagem essa que provavelmente lhes agradava. À medida que as cidades cresciam, essa paisagem ia-se afastando cada vez mais, certo? Então porque não recriar ou manter o que outrora estava presente.[Na China os jardins das casas dos antigos imperadores não eram mais do que uma porção da paisagem cercada, onde a tarefa do jardineiro se limitava a ordenar o já existente. In Uma viagem pela história dos jardins - Daniel Camara Barcelos ].
Vimos então que o jardim apareceu como forma de manter a paisagem sempre por perto, dos nossos olhos. Também a evolução dos jardins, na forma e conteúdo se entende se tivermos em mente que todos os homens são diferentes. Cada qual terá a sua visão e é também por isso que não existem dois jardins iguais.
Mas então qual a importância destes espaços?
A importância que cada um dá ao “jardim” é como vimos muito diferente, poder-se-á dizer que cada jardim é um espaço próprio criado com um determinado objectivo, mas com usos múltiplos.O criador, apesar de ter de atender a esse objectivo, tende quase sempre a reflectir a ideia que tem de jardim.O uso que, depois, atribuimos a esse espaço é que o pode tornar diferente e mais ou menos importante. Vamos agora supor: para um biólogo ou ornitólogo um jardim pode ser uma fonte de estudo, já para um escritor ou pintor o mesmo jardim poderá ser uma fonte de inspiração, para outros poderá apenas ser para contemplação, descanço, lazer, etc. Quanto aos fins, um jardim poderá ser usado para mostar riqueza, impressionar outros ou ainda tornar-se numa fonte de subsistência.Podemos dizer então que a importância depende do uso e depende também de cada um de nós.
Mas poderemos afirmar que o jardim não faz sentido se não existir um uso prático?
Penso que não, a importância do jardim, apesar de estar intimamente relacionada com as pessoas que dele usufruem, tem também a sua própria importância como espaço criador de vida, de biodiversidade ou ainda e em ultima análise como fonte de oxigénio.

(In Portal do Jardim)

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quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Sementeira ou Tapete de Relva?

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/.

No planeamento de um jardim, reservamos quase sempre uma zona para relvado. Será nessa área que estaremos mais tempo e será aí onde desenvolveremos a maior parte das nossas actividades ao ar livre, brincadeiras, etc.
Quando estamos na fase da escolha dos materiais por vezes surge-nos a dúvida semear ou usar tapete de relva?
A resposta depende de diversos factores que vou tentar aqui expôr muito sucintamente, sob a forma de situação - resposta.
Situação: Penso construir o meu jardim na Primavera/Outono, e queria desde logo usufruir dele.
Resposta: Sem dúvida que para poder usufruir imediatamente do jardim terá de optar pelo tapete de relva, depois da colocação apenas deverá esperar 2 ou 3 dias antes de o começar a utlizar (pisar)
Situação: Penso construir o meu jardim na Primavera/Outono, e queria desde logo usufruir do dele, mas não queria gastar muito na sua realização.
Resposta: Se não pretende gastar muito, terá de recorrer à sementeira de relva que é sempre menos onerosa. A semente de relva começa a germinar passados cerca de 6-7 dias (se a temperatura e humidade forem as adequadas) mas só após o primeiro corte (cerca de 15 -20 dias) é que poderá usar o seu relvado.
Situação: Penso construir o meu jardim no Verão, qual a melhor solução?
Resposta: No Verão devido aos picos de calor muito elevados não é aconselhável semear pois o risco de a semente “cozer” e não chegar a germinar são altos. O “cozer” acontece quando a àgua que foi utilizada para regar aquece de tal maneira, que a semente “coze” nessa água perdendo a sua capacidade de germinar. A solução se os custos não forem um problema é utilizar o tapete de relva.
Situação: Penso construir o meu jardim no Verão, mas não queria gastar muito na sua realização.
Resposta: As altas temperaturas podem ser uma condicionante em alguns locais, para minimizar esses efeitos, quando realizar a sementeira de relva, certifique-se que a semente ficou bem enterrada e tenha muita atenção nas regas realizadas. A rega deve ser feita mais abundantemente ao fim do dia, durante a noite e ao inicio da manhã. As regas durante o dia devem ser realizadas apenas para manter o solo húmido e nada mais. Se puder esperar por dias mais frescos será a situação ideal para a instalação do seu relvado.
Situação: Penso construir o meu jardim no Inverno, qual a solução?
Resposta: Para o seu caso, a utilização de tapete de relva é a única solução. Nesta altura do ano e devido às baixas temperaturas que se fazem sentir, a semente de relva não germina, portanto só à mesmo uma solução.
Situação: Estamos no Inverno, e estou a construir o meu jardim, não queria gastar muito muito na sua realização, mas queria evitar ao máximo cometer erros. O que fazer?
Resposta: Uma vez que já iniciou a construção do seu jardim, não tem qualquer problema, poderá continuar a faze-lo colocando as plantas, estruturas, construções, etc. e deixando a zona reservada para o relvado preparada para que na próxima Primavera possa realizar a sementeira de relva e ter sucesso. O jardim estará no seu auge daí a mais ou menos 20 dias.
Gostaria de referir que a diferença que existe entre um relvado de tapete de relva e um relvado de sementeira é o tempo de instalação, já que um fica logo pronto e o outro pode demorar mais algum tempo. No entanto ao fim de algumas semanas já praticamente não se conseguem distinguir. As principais diferenças têm a ver com as operações de instalação e manutenção. Mas isso ficará para uma próxima oportunidade.
Resumidamente, os principais factores que influenciam então a escolha são: os custos de instalação, a época do ano (estação) e o tempo que estamos dispostos a esperar para podermos utilizar o relvado. Claro está que todo o bom senso é também muito importante. As vezes mais esperar do que tentar uma e outra vez uma solução de recurso. Devemos sempre respeitar os timings a que a natureza e as estações do ano nos obrigam.

(In Portal Jardim)

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sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Planeamento de Jardins

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. http://www.monteiroricou.blogspot.com/

Foto: Bruno Rodrigues

O que é o planeamento?
O que significa planear?
O Planeamento é definido como a preparação de decisões para alcançar objectivos específicos, tendo como finalidade melhorar o uso e a gestão dos recursos bem como a qualidade dos ambientes naturais e sociais (in Infopédia, 2007, on-line).
Observando a imagem seguinte facilmente podemos dizer se existiu algum tipo de planeamento.
Na figura podemos observar as vinhas na região do Douro, em que as videiras foram dispostas em linhas segundo as curvas de nível, para evitar problemas de erosão e para melhorar a exposição solar.
Houve, sem sombra de dúvida, planeamento!
E porquê? A existência de objectivos fez com que o planeamento fosse necessário e fundamental.
Para idealizar e construir um jardim também o planeamento é necessário mas para isso necessitamos de ter:
- Uma ideia base de suporte
- Um local para a execução
- E o projecto
As pessoas que nos procuram, normalmente possuem ”o local “. A partir daí as situações são muito diversas, como se mostra em baixo.
Têm muitas ideias e querem ver todas elas aplicadas no seu espaço
Têm ideias mas gostariam de ter outra opinião
Não têm ideia nenhuma
Não fazem a mais pequena ideia se têm ideias ou não
Têm ideias e só elas prevalecem
Ou têm já um projecto bem definido
A grande maioria não tem ideia dos preços, não sabem quanto custa uma árvore, uma planta, a mão-de-obra, a terra, os materiais, já para não falar das plantas de pormenor, projectos de execução, estudos, etc. Por isso, mesmo antes que lhes seja apresentado qualquer esboço ou projecto é normalmente pedido um orçamento. Cabe-nos a nós, técnicos, ouvir as ideias, propor novas que sejam complementares e consonantes e aconselhar o melhor possível.
Muitas vezes não é isso que acontece e depois o resultado final fica aquém do esperado.
“O planeamento começa aqui”
Depois do primeiro contacto deve o técnico procurar investigar, estudar e verificar se a ou as ideias têm pernas para andar, podendo e devendo colocar questões a si próprio. Alguns exemplos estão abaixo discriminados, mas muitos outros poderão ser colocados.
- Tem sentido?
- Vale a pena explorar outras ideias?
- É possível?
- É exequível?
- O que é que é necessário?
- Quais as operações?
A discusão com o cliente aquando da entrega da ” melhor solução” pode ser importante, certificando-se que de facto o projecto corresponde às reais necessidades e desejos do cliente. O cálculo duma possível e futura manutenção do espaço poderá pôr o cliente mais consciente da obra que irá ser executada e eventuais custos à posteriori.
Após esta primeira abordagem, poderemos enumerar as diferentes etapas do planeamento.
Pensar / Estruturar / Definir / Desenhar / Programar / Organizar / Propor / Orçamentar
E por fim realizar
As vantagens do planeamento, funcionam tanto para quem executa, como para o próprio cliente.
Dentro das várias vantagens, a redução de custos, nomeadamente na economia em mão-de-obra, economia em recursos e na poupança de energia; também o cumprimento de prazos é importante pois é reduzido ao mínimo e é o cliente quem acaba por beneficiar, traduzindo-se num excelente resultado final.

(In Portal do Jardim)

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domingo, fevereiro 01, 2009

A Selecção das Espécies para jardins

DIOGO RICOU
Responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores.




A escolha das espécies pode ser feita utilizando diferentes critérios, sendo os mais comuns:
-a cor,
-o tipo de solo,
-a época do ano,
-interacção com as outras espécies,
COR
A cor num jardim reveste-se da maior importância. As pessoas estão habituadas ao cinzento das cidades e quando contemplam ou desfrutam um jardim querem ver cor. As cores transmitem sensações.
A utilização da cor no jardim tem de ser tratada para que as cores estejam perfeitamente definidas e não completamente confusas. Apenas a título de exemplo, quem é que não gosta de contemplar um prado florido em que a maioria das espécies confere apenas um tom (amarelo, azul ou vermelho); pois bem num jardim é igual, devemos ter espécies de diferentes cores mas a sua floração deverá ocorrer em períodos diferentes, para que o jardim tenha cor o ano inteiro. Todavia há quem goste de misturar tudo e observar o efeito.
TIPO DE SOLO
Todas as plantas têm características que as definem; a sua adaptabilidade ao tipo de solo é muito importante. A planta para se desenvolver necessita de encontrar boas condições de textura, pH e humidade. Na escolha das espécies devemos ter em atenção diversos aspectos, o ideal é escolhermos plantas que se adaptem ao tipo de solo que possuimos e às condições que pretendemos que venham a existir. O solo pode ser totalmente alterado, todavia as intervenções implicam um custo elevado que por vezes inviabilizam a sua realização. Jogando com as espécies podemos reduzir essas intervenções.
Textura
Solo arenoso - Fraca capacidade de retenção da água
Solo argiloso - Boa capacidade de retenção de água
Solo humífero - Elevada capacidade de retenção de água
O ideal é termos um solo com alguma quantidade de argila, areia e com matéria orgânica - (Solo equilibrado).
pH
O pH influencia as disponibilidades de nutrientes, o desenvolvimento das plantas e dos microorganismos. As terras e substratos utilizados nos jardins apresentam-se, em geral, ligeiramente ácidos; a maior parte das espécies vegetais utilizadas nos jardins beneficiam também de solos ácidos, no entanto existem excepções. Deve-se juntar plantas que tenham necessidades semelhantes. Os processos para aumentar ou baixar o pH do solo são caros.
ÉPOCA DO ANO
Hoje em dia é possível plantar durante todo o ano qualquer tipo de planta envasada. É de referir que as plantas de raiz nua (sem recurso a vaso) têm um custo mais baixo, mas isto inviabiliza que possam ser plantadas durante todo o ano. Para estas plantas a melhor época serão os meses de Outubro a Janeiro, dependendo do local. Em locais muito frios, devido ao risco do congelamento esse período avança um pouco, normalmente fins de Janeiro até Março, o mais tardar.
Em termos de tradição normalmente as flores são plantadas durante a Primavera e árvores e arbustos são plantados no Inverno, no seu período de dormência.
Desde alguns anos para cá que se consegue, recorrendo às chamadas plantas da época, que os jardins estejam sempre com flores. As plantas da época são produzidas normalmente em estufas e só entram no circuito comercial quando estão em flor. O período de floração é relativamente curto, o que implica que de três em três meses seja necessária a sua substituição. É um negócio que tem tido um crescimento exponencial nos últimos anos.
Dentro destas plantas existem imensas variedades e pode-se optar por um sem número de cores.
INTERACÇÃO COM OUTRAS ESPÉCIES
A interacção entre espécies ocorre e é desejável que assim aconteça, mas alguns factores são importantes para que esta interacção não se torne insustentável.
Tamanho
O tamanho das plantas que planeamos utilizar na concepção do jardim, também é muito importante. Num ambiente em que toda a vegetação é do tipo arbustivo ou sub-arbustivo não faz grande sentido a colocação de grandes árvores que vão crescer criando uma espécie de muralha e criando situações de stress pela competição pela luz às espécies já existentes.
Nas cidades, em geral, e nos jardins residenciais em particular, a colocação de árvores ou plantas de grande porte implica um conhecimento rigoroso das suas características, sob pena de mais tarde terem de ser realizadas operações de poda e controle do porte, com os consequentes riscos de enfraquecimento e eventual morte da planta.

(In Portal do Jardim)

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quarta-feira, janeiro 14, 2009

Curso para cultivar plantas no Inverno

A responsável pelo mini cursos de jardinagem que se realizam, com grande sucesso, no Jardim da Tapada da Ajuda, em Lisboa, vai estar na Terceira para ensinar a proteger e propagar as plantas durante o Inverno. Na prática, Henriqueta Carvalho irá “divulgar técnicas para proteger e propagar as plantas durante o Inverno, dando exemplos de construção de estufins, túneis, bem como documentação escrita sobre os assuntos abordados”, avança a organização do mini-curso de jardinagem, sob a responsabilidade da Professora Ana Maria Ávila Simões do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. O curso decorre a 24 deste mês no pólo da Universidade dos Açores no Pico da Urze, das 10 às 18h, contando com componentes teóricas e práticas. A inscrição, até dia 20, custa 55 euros.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, janeiro 09, 2009

A gestão da água nos espaços verdes

A água é a substância mais abundante na Terra cobrindo cerca de três quartos da sua superficie. No entanto apenas 3% é considerada água doce e dessa quantidade só um terço está acessível para o abastecimento humano. Ela é essencial à vida. Então porque desperdiçamos um bem tão precioso e escasso? A resposta levar-nos-ia, em minha opinião, ao mais puro descuido e desinteresse que a espécie humana tem pelo seu planeta, mas isso ficará para outra oportunidade. Interessa agora saber como racionalizar essa água.
A solução passa evidentemente pela gestão eficiente da água, mas como?
Quando estamos na presença de um espaço verde ou de um jardim e falamos em gestão da água, toda a gente consegue prever que esse espaço necessitará de água para sobreviver e que o primeiro passo será o de instalar um sistema de rega totalmente automático (ver imagem). A ideia é que esse sistema fará a gestão mais correcta da água, mas será isto verdade? Em parte sim, mas mais importante do que isso é o correcto dimensionamento do sistema e a escolha do tipo de emisores para cada zona do jardim e ou para cada espécie vegetal.
De facto a automatização do sistema é importante pois permite-nos realizar diferentes operações e regulações no que se refere às regas, por exemplo diferentes dotações de água no Verão e no Inverno. Mas se o dimensionamento do sistema não tiver sido devidamente efectuado poderemos vir a ter problemas de cobertura do sistema, ficando áreas que não são regadas e outras que podem estar a ser sobrepostas por mais do que um emisor. Na verdade também o tipo de emissores a instalar depende das espécies e das suas características, e isso deve ser tomado em linha de conta na fase de projecto. Para sebes deve-se usar o sistema gota à gota, para relvados podem usar-se tanto aspersores como pulverizadores (ver imagem), tudo depende das áreas. Para canteiros podem usar-se os brotadores ou gotejadores, já nas caldeiras das árvores devem usar-se gotejadores ou alagadores, também aqui tudo depende das necessidades de cada planta. Mas estudar só estas questões não basta. O facto do sistema ser automático é por si só um problema, uma vez que assumimos que ele é inteligente e não temos de nos preocupar mais com as questões da rega. De facto a inteligência deste tipo de sistemas é digamos que muito rudimentar. Existem sensores que adaptados ao nosso sistema permitem que ele se torne um pouco mais inteligente. Destes aparelhos gostaria de salientar a importância do sensor de humidade ou chuva que ligado ao programador de rega evita os gastos de água. O sensor acciona o programador através de um mecanismo simples bloqueando quando chove uma determinada quantidade de água e vice versa.
Agora que finalmente temos o sistema de rega bem feito e dimensionado para o nosso jardim, poderemos pensar está tudo, atingi o meu objectivo!! Ainda estamos muito longe da perfeição.
O próximo passo é a escolha da fonte de alimentação do nosso sistema e agora sim, um dos aspectos mais importantes. Escolhas acertadas dependem do tipo e tamanho do jardim e da água disponível. Para grandes áreas não é aconselhável usar a água da companhia pois os custos serão enormes, o ideal será recorrer a um furo artesiano. Para pequenos jardins o recurso a um furo aumenta os custos de instalação. Então poder-se-á dizer que não é fácil a sua escolha. De facto, tudo, e cada vez mais, depende dos custos associados, mas penso que se houver algum bom senso a solução acaba por aparecer. É tudo uma questão de se estudarem todas as opções disponíveis.
Em última análise gostaria de referir que quando a disponibilidade de água não é grande ou a ideia principal é: água não jardim sim, poderemos sempre recorer aos chamados jardins xerófitas - que são jardins pensados e projectados para minimizarem ao máximo o uso da água. Utilizam plantas xerófitas ou seja plantas com necessidades de água muito reduzidas e o leque existente não é assim tão pequeno como se possa julgar.

Nota sobre o autor -DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/

(in Portal do Jardim.com)

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quinta-feira, dezembro 18, 2008

Bambus: Cuidados a ter na Plantação

O planta do bambu está presente originalmente em todos os continentes com excepção da Europa. Pertence à família das gramíneas e é a planta que possui o mais rápido crescimento alguma vez registado em todo o mundo.
Em Portugal esteve e penso que continua a estar muito na moda, sobretudo para formar sebes. É uma planta agradável esteticamente, transmite uma certa paz, permanece verde todo o ano (perene), apresenta um impressionante e rápido crescimento em altura e uma espectacular expansão ao nível do solo. É também considerada uma exótica com características invasoras e é exactamente por isso que resolvi escolher este tema.
No decorrer da minha actividade têm-me surgido por diversas vezes casos bastante críticos de plantações “mal realizadas” de bambus que acabam por se transformar em verdadeiras tragédias; quando refiro mal realizadas falo mais especificamente na falta de informação que existe no que respeita a esta matéria. Os maus resultados podem ser evitados se se respeitarem alguns princípios básicos.

Quando se pensa na instalação de uma sebe seja de bambus ou outra, importa conhecer as características inerente à espécie. No caso dos bambus e devido às suas particularidades deve ter-se uma atenção especial a sua instalação. É uma planta que se desenvolve e cresce (alastra) através de rizomas subterrâneos que circulam a alguns centímetros de profundidade e que irrompem em todo e qualquer lugar. O único recurso de que necessita é a água em abundância. Por vezes os rizomas aparecem a vários metros de distância da planta mãe e muitas vezes aparecem fora do local que tinha sido predestinado. Neste caso o que fazer?
Mesmo detectado no início da “contaminação”, do solo, já pouco há a fazer; tentar retirar todos os rizomas é uma tarefa que se torna impossível já que basta que apenas tenha restado um pequeno pedaço dum rizoma viável para a situação se voltar a repetir. Substituir totalmente o solo? Esta opção é economicamente pouco recomendável e em jardins com alguma dimensão torna-se completamente irrealizável. Então a solução não passa por “tratamentos curativos mas sim preventivos” ou seja quando se pretende utilizar esta espécie devem ser tomadas todas as precauções para que as raízes e seus rizomas não tenham maneira de se expandir fora da área reservada.Para isso a colocação de uma barreira física sólida impede que haja contaminações exteriores.
Antes da plantação deve ser aberta uma vala com uma profundidade de cerca de 1m e colocada a barreira fisica escolhida. Por exemplo a colocação de uma tela plástica resistente, uma tela anti-raízes, um murete em cimento, ou outra que seja resistente. Devemos ter ainda mais atenção quando a plantação ocorre junto a terrenos vizinhos, pois o risco de o contaminar é grande e mesmo que exista um muro em pedra a separar os terrenos, se não estiver devidamente estabilizado com cimento não constituí uma barreira eficaz, sendo necessário colocar tela nos dois lados da plantação, protegendo por um lado o jardim e por outro o terreno vizinho. Penso que este é o aspecto mais importante a ter em conta na plantação de Bambus e espero com ele ter demonstrado que mais vale prevenir que remediar. Os custos da colocação das telas são muito pequenos se os comparamos aos problemas que poderão surgir na contaminação de um terreno de um vizinho. Por isso não esqueçam das regras básicas e informem-se antes de tormarem qualquer decisão.
Notas sobre o autor: DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo.

(In PortaldoJardim.Com)

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sábado, dezembro 06, 2008

Jardim Vertical: A Gestão Inteligente dos Espaços Verdes

DIOGO RICOU é responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, Lda. Licenciado em engenharia agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. Também dá formação na área da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins. Dá aulas ao curso CEF jardinagem numa escola em Esmoriz, etc.. A Monteiro & Ricou presta serviços, tais como: consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, projectos.
A gestão do espaço é cada vez mais importante nos dias que correm. Esta passa pelo correcto planeamento a todos os níveis nas diversas especialidades, desde o projecto de paisagismo até a conclusão final da obra; todas as etapas devem ser escrupulosamente respeitadas, só assim os resultados tendem a aparecer a curto e médio prazo e normalmente são bastante satisfatórios
Então se o espaço físico é reduzido porque não criar na vertical?
Desde há décadas que se constrói na vertical com os mais diversos fins, então porque não aplicar essa técnica também aos espaços verdes? Respondendo a esta necessidade diversas pessoas, entendidos e empresas têm dedicado parte da sua vida a tentar solucionar o problema da manifesta falta de espaço existente nas nossas cidades. Surge então o conceito de jardim vertical.
Muitos são os sistemas existentes e os seus nomes. Variam sobretudo na sua complexidade mas têm um elemento em comum, o culto do verde.
A ideia inicial partiu do mestre Patrick Blanc, que neste momento tem já implantadas inúmeras obras de referência, como o museu de Quai Branly em Paris e o Caixa Forum em Madrid (ver foto de abertura).
As utilizações deste tipo de sistema são inúmeras e podem funcionar tanto em espaços interiores como no exterior; alguns exemplos disso são: as fachadas de edifícios, cobertura de muros, paredes, labirintos, divisão de espaços, solução para decoração, eventos, etc.
As vantagens centram-se sobretudo na naturalização do espaço urbano, ou seja tornar vivo e verde o que normalmente é “cinzento” e sem vida.
Os jardins verticais apresentam também características que actuam ao nível da acústica e funcionam como uma barreira contra os raios solares (conforto térmico).
Esta gestão do espaço é adaptável a praticamente qualquer tipo de situação da qual deriva um produto com uma enorme mais-valia .

(In Portal do Jardim . Com)

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