sábado, outubro 31, 2009

ETAR volta aos piores “primeiros tempos”


Desde Agosto que os moradores da zona da Grota do Vale, junto à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Angra do Heroísmo, convivem com maus cheiros intensos, a que agora se junta a presença de ratazanas.“Isto apenas se compara aos primeiros tempos da ETAR”, avançou a DI Rui Vasconcelos, um desses moradores.A situação repetiu-se ontem pela manhã, com o cheiro nauseabundo a deixar os moradores à beira do vómito. “A minha mulher saiu para estender a roupa e voltou logo para dentro de casa, porque ninguém aguentava lá fora. Quando eu sai fiquei quase a vomitar. O cheiro chega a provocar náuseas às pessoas, de tão mau que é”, conta.Este morador já escreveu duas cartas a expor a situação aos Serviços Municipalizados de Angra do Heroísmo (SMAH), uma no dia 27 deste mês e outra que seguiu ontem. No documento, Rui Vasconcelos pretende que o município reconheça claramente que o mau cheiro é proveniente da ETAR.O mesmo objectivo motivou Domingos Mendonça, outro morador da zona, a escrever uma carta aos SMAH. “Responderam-me apenas que iam montar um dispositivo capaz de detectar os maus cheiros, mas não tiveram a atitude de reconhecer que o mau cheiro provém da ETAR, uma situação que toda a gente conhece e que todos sabem que é verdadeira”, conclui.
Ratazanas

Rui Vasconcelos lembra ainda que, em meados da década de 90, a Universidade dos Açores apresentou um estudo sobre a forma como a presença da ETAR potencia a existência de pragas na zona. “Por esta altura, quando se cortam os milhos, somos inundados por ratazanas. Sabe quantas ratazanas matei eu, com veneno, no espaço de dois dias? Quinze. E foram as que eu encontrei, porque há as que comem o veneno e vão morrer longe... É com esta situação que temos de viver”, critica.DI contactou, também ontem, a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, mas não foi possível obter uma reacção a esta matéria até ao fecho da edição.Os incómodos provocados pela ETAR aos moradores desta zona têm vindo a ser notícia ao longo de mais de uma década. Existem processos em tribunal contra o município, de moradores que exigem indemnizações por danos morais e patrimoniais (desvalorização de imóveis).

(in Diário Insular)

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quinta-feira, setembro 03, 2009

São Jorge é quinta ilha afectada por térmitas

Está confirmada a presença de térmitas em São Jorge. É agora a quinta ilha afectada pela praga, que se junta, assim, à Terceira, São Miguel, Faial e Santa Maria. De acordo com o especialista em térmitas da Universidade dos Açores, Paulo Borges, trata-se da térmita de madeira seca Cryptotermes brevis, a espécie que tem provocado mais danos no arquipélago. A Cryptotermes brevis afecta várias habitações da Calheta. A espécie foi identificada durante uma visita de vistoria realizada pela especialista em Entomologia Urbana, Teresa Ferreira, a S. Jorge, Pico e Faial.Segundo o portal “SOS TÉRMITAS”, que cita Teresa Ferreira, o foco da praga nesta vila encontra-se ainda num nível de propagação inicial, sendo que apenas algumas casas na zona central da vila se encontram atingidas. Já Paulo Borges considera que o facto da presença de térmitas ter sido identificada com uma vistoria curta e não intensiva pode indicar que a praga já está “bem instalada”.Apesar de a praga não estar espalhada por toda a localidade, afecta algumas habitações há cerca de 15 a 20 anos, acredita ainda Teresa Ferreira. Tal como Paulo Borges, Teresa Ferreira defende agora a realização de mais estudos e vistorias completas à ilha, para obtenção do cenário real do problema.Teresa Ferreira realizou esta visita às ilhas do triângulo no âmbito do seu trabalho de mestrado, na área do estudo genético da praga.A presença de térmitas em São Jorge já tinha sido referida, há vários anos, por uma empresa de restauro de mobiliário e antiguidades. Agora está confirmada.
Açores estudados
Entretanto, o especialista em térmitas Paulo Borges já adiantou a DI que foi submetido a aprovação pelo Governo Regional um projecto que propõe uma vistoria geral às nove ilhas dos Açores, de modo a avaliar a dimensão total da praga no arquipélago.“Se for financiado, o projecto arranca em Novembro”, adianta Paulo Borges, para quem a necessidade de avançar com o estudo ganha agora ainda mais uma justificação.O especialista recomenda à população da Calheta que se informe sobre a praga, nomeadamente através do portal “http://sostermitas.angra.uac.pt”. Deve existir extrema cautela na movimentação e transporte de madeiras entre habitações, localidades, bem como para outras ilhas.
Relatório vai identificar zonas mais problemáticas da cidade
Angra com mapa da praga concluído em Outubro
Deve estar concluído, em Outubro, um relatório que traça o mapa da presença de térmitas na cidade de Angra do Heroísmo. De acordo com o especialista na praga, Paulo Borges, da Universidade dos Açores, o relatório vai ser entregue à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e ao Governo Regional. Paulo Borges explica que o protocolo estabelecido com o município angrense, que permitiu a colocação de armadilhas em dez ruas da cidade, lançou assim a possibilidade de identificar quais as zonas em que a praga está mais presente.“Até agora tivemos bastante sucesso e apanhámos muitas térmitas, até na zona do Corpo Santo, onde se pensava que não existissem muitas. Isto permitiu-nos perceber que as térmitas existem por toda a cidade e saber a situação real, para que as entidades responsáveis possam tomar medidas”, explica, a DI.“Para além de serem colocadas armadilhas na rua foram-no também no interior de várias habitações, o que permite ter uma noção, ainda, do que se passa nas casas”, conclui. Paulo Borges adianta também que já foi entregue o relatório das empresas que estiveram, em Julho, na Terceira, a Thermo Lignum, da Áustria, e a Therma Pure, dos Estados Unidos, que apresentam “soluções interessantes” para a erradicação da praga no arquipélago. Ambas as empresas usam o método de combate pela temperatura“Há abertura do Governo Regional para a realização de testes e para a formação de empresas açorianas nesta área. É um tempo de viragem”, acredita Paulo Borges.

(in Diário Insular)

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quarta-feira, novembro 19, 2008

Falta de chuva, avarias e arroteias deixaram Angra sem água

A falta de chuva, as arroteias na Caldeira Guilherme Moniz, uma grave avaria nas principais condutas que ligam a nascente do Cabrito à rede de abastecimento de água do concelho e, eventualmente, as explosões na pedreira existente nessa zona são apontadas pelo hidro-geólogo Lopo Mendonça como as causas para a falta de água em Angra do Heroísmo desde o Verão deste ano. O especialista apresentou, ontem à tarde, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, as conclusões do estudo que, em Setembro, realizou sobre os caudais das nascentes e furos de captação que abastecem o concelho.Na sessão pública de apresentação, Lopo Mendonça garantiu que, em termos hidrológicos, o ano de 2008 foi o “mais seco” dos últimos cinco anos.“Inclusivamente, o ano de 2008 é pior que o ano de 2000, que se conseguiu identificar como ano com dificuldades no abastecimento dos Serviços Municipalizados de Angra”, explicou o hidro-geólogo.Em declarações aos jornalistas, após a apresentação das suas conclusões, Lopo Mendonça especificou que houve uma redução, “na ordem dos 250 litros por metro quadrado”, na pluviosidade registada na ilha.“Esta é a principal causa para a falta de água. Ou, pelo menos, aquela que maior contributo deu para o problema”, sublinhou o especialista. Lopo Mendonça assumiu ainda que o arroteamento na Caldeira Guilherme Moniz foi outro factor a contribuir para a descida dos caudais que abastecem o concelho de Angra de água,“O arroteamento de áreas da Caldeira Guilherme Moniz – Pico Alto é uma prática totalmente indesejável e prejudica o regime das águas superficiais e subterrâneas. Agora é impossível recuperar essas zonas. Tal recuperação implica voltar a colocar naquele local todas as espécies vegetais que contribuíam para a retenção da água. E isso, parece-me muito improvável”, afirmou. Além disto, segundo Lopo Mendonça, até à Primavera deste ano, ocorreram perdas na rede de abastecimento do concelho.“Cruzando estes dados [água extraída dos furos, que trabalharam entre o Outono de 2007 e a Primavera de 2008] com os da água turbinada [que segundo o especialista são um bom indicador da água disponível para consumo naquela área] na estação hidroeléctrica da Nasce Água, verifica-se que, de Novembro de 2007 e Junho de 2008, houve excedentes de água que foram turbinados e que poderiam ter sido utilizados no abastecimento. Como conclusão, a dificuldade do abastecimento no Inverno e Primavera de 2008 não terá a ver com questões climatéricas e alteração do regime hidrológico das nascentes; pode ser atribuído a avaria grave no sistema de adução que recebia a água das nascentes e não a aduzia para o sistema distribuidor”, explicou Lopo Mendonça. O hidro-geólogo assumiu ainda que as explosões ocorridas na pedreira na área dos Cinco Picos “pode ter afectado os aquíferos do Cabrito”.“Como não existem registos da intensidade das explosões ali ocorridas (que provocam ondas de choque semelhantes às de um sismo), não é possível determinar até que ponto elas contribuíram para alargar as fissuras existentes nos aquíferos. Mas não se excluí a hipótese de que isso possa ter ocorrido e, assim, provocado perda de água dos aquíferos ali existentes”, argumenta.
Soluções
Para Lopo Mendonça, face às conclusões a que chegou, a resolução do problema (que pode repetir-se no futuro) passa pela abertura de novos furos de captação de água, pela implementação de um sistema informatizado de tele-gestão dos caudais e pela protecção (por lei) das áreas onde existem nascentes e furos de captação. “No continente existe essa legislação, que delimita áreas em redor dessas zonas de água, que impedem intervenções humanas que podem pôr em risco esse recurso”, explica o especialista.“A longo prazo, deve ser estudada a viabilidade de recarga artifical dos aquíferos, aproveitando os excedentes da água das nascentes do Cabrito”, sugeriu ainda.
Investimentos
Após as explicações de Lopo Mendonça, a presidente da Câmara Municipal de Angra apresentou à centena de angrenses que assistiram à apresentação do relatório um conjunto de investimentos que, segundo ela, vão contribuir para minimizar este problema.Andreia Cardoso confirmou que, já em Dezembro, vai iniciar-se a abertura de quatro furos para captação de água subterrânea (um em São Sebastião, dois no Porto Judeu e um na Terra-Chã). “Espero ter esses furos a funcionar em Março de 2009”, explicitou a autarca aos jornalistas. Além disso, Andreia Cardoso garantiu que, quando houver caudais suficientes nas nascentes, os Serviços Municipalizados vão substituir as bombas de dois furos, para garantir mais capacidade de extracção.“Vamos implementar um sistema de telegestão e proceder ao tratamento terciário das águas da ETAR, que podem ser aproveitadas pela indústria e pela lavoura”, adiantou. Andreia Cardoso disse ainda que, em paralelo, a autarquia – com o apoio da Universidade dos Açores – vai estudar a possibilidade da recarga artificial dos aquíferos e “encetar diligências juntos de várias entidades, públicas e privadas, para garantir medidas que permitam proteger as captações de água”. Quanto a responsabilidades, a autarca adiantou aos presentes que “a Câmara de Angra pretender apurá-las, mas que o fará em paralelo com os investimentos necessários”. “Esses investimentos são superiores a cinco milhões de euros”, enfatizou a presidente da autarquia.“Nos últimos dois dias, conseguimos não proceder a cortes de água. A captação de água no Cabrito está a melhorar. Mas ainda é-me impossível dizer quando será possível suspendermos o plano de cortes. O sistema ainda está muito frágil”, concluiu Andreia Cardoso.

(In Diário Insular)

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À espera de ler o estudo sobre falta de água em Angra

Félix Rodrigues, Professor do Departamento de Ciências Agrárias e Membro da Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo pelo CDS/PP considera que as reflexões do professor Lopo Mendonça, sobre as causas que provocaram a diminuição dos caudais nas nascentes da ilha Terceira neste Verão, são meras “hipóteses explicativas”.
Algumas das causas avançadas pelo professor já foram referidas “quer por mim, quer pelo professor Brito de Azevedo ou pelo professor Cota Rodrigues”, docentes do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, afirma.
Segundo o popular é importante começar a perceber as causas explicativas. “Este problema da falta de água em Angra surgiu em parte pela falta de chuva e em parte pela falta de planeamento”.
O representante do partido popular desconfia que os consumos não estão devidamente estudados em Angra (segundo a autarquia os níveis de consumo de água mantiveram-se praticamente idênticos nos últimos 10 anos) e suspeita ainda que a perda de água na rede deva ser superior a 30 por cento (nível óptimo nas redes urbanas de distribuição de água).
Em relação à análise do professor, Félix Rodrigues espera ter oportunidade de ler atentamente o documento, mas para já, numa primeira análise, considera que são apenas “hipóteses explicativas”.
Carla Bretão, vereadora do PSD, diz não conhecer as conclusões do estudo porque a autarquia não forneceu atempadamente o documento aos partidos da oposição. Recusando falar sobre as recomendações do professor Lopo Mendonça, a autarca garante que o PSD de Angra vai avançar, brevemente, com propostas no sentido de se ter “mais cuidado” com a gestão da água no concelho.
Carla Bretão sugere que Angra do Heroísmo crie rapidamente um Plano Geral da Água para identificar todos os recursos hídricos, proteger as nascentes, enumerar os problemas da rede, os investimentos a médio e a longo prazo e que perspective os consumos para os próximos anos. “É preciso perceber bem o que temos de fazer para manter o abastecimento público de água”, lembra.
Em relação ao relatório do professor Lopo Mendonça, o PSD rejeitou, para já, pronunciar-se sobre o assunto, contudo admite que todas as medidas de protecção das nascentes são boas e revelam que o Plano Regional da Água não está a funcionar na Terceira.

(In A União)

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terça-feira, novembro 04, 2008

Ensino Superior e empreendedorismo

Investigação nacional revela que os estudantes das ilhas são os que menos criam negócios próprios. A vontade até existe e está mesmo acima da manifestada por outras regiões, Lisboa incluída, mas depois não se passam das palavras aos actos. Uma tendência que pode ter consequências no desenvolvimento das ilhas.
Conclusão: entre 33 estabelecimentos do ensino superior em Portugal, a Universidade dos Açores é a terceira com o menor número de alunos a criarem o seu próprio emprego. A questão parece irrelevante, mas, na verdade, assume importância preponderante, sobretudo em tempos dominados pela crise económica em que o desemprego abunda entre os jovens, sobretudo os licenciados. Mas vamos por partes.
Desde a década 90 que é quase unanimemente aceite que o empreeendedorismo é um dos principais motores da economia, sendo fulcral no processo de rejuvenescimento tecnológico – é o surgimento de novas empresas, ávidas de bater a concorrência, que estimula a criação de melhores soluções.
Da mesma forma, desde 1997 que está identificada a relação entre o empreeendedorismo e o nível de desenvolvimento local ou regional. Ou seja, uma certa localidade tem maior tendência a desenvolver-se quantos mais habitantes empreendedores tiver. Por outro lado, a criação de um negócio é uma porta que se abre – muitas vezes a única – para os grupos económica e socialmente marginalizados (nomeadamente as mulheres e as minorias) conseguirem o sucesso e independência financeiros.
Feita a contextualização teórica, convém ainda salientar que, entre 18 países da União Europeia, Portugal tem uma das melhores taxas de empreeendedorismo. Aliás, os nove em cada 100 indivíduos que criaram o seu próprio negócio em 2007 representam uma duplicação da taxa registada apenas três anos antes, em 2004.

Falhas por resolver

Perante a pertinência do tema, uma professora e investigadora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto quis saber o que pensam os universitários portugueses deste tema, afinal de contas, uma nova geração que teoricamente será a bem mais colocada de sempre para passar das palavras aos actos e ‘fazer pela vida’, como o povo costuma dizer.
E as conclusões gerais não são muito animadoras. Aversão ao risco, baixa criatividade e pouca familiaridade com o processo de criação de novos negócios são alguns dos factores que inibem a criação de novas empresas entre os estudantes portugueses. Apesar de 70% dos 4413 inquiridos em todo o país se mostrarem atraídos pela ideia de poderem abrir o seu próprio negócio e 35% terem intenções de o fazer, as taxas de empreendedorismo efectivo são muito baixas.
Apenas 6,4% dos alunos chegaram mesmo a fundar uma ou mais empresas, enquanto pouco mais de 11% já começaram a dar os primeiros passos para o fazer.
Ou seja, mais de 80% dos estudantes nunca esteve envolvido de qualquer forma neste processo. Mais preocupante será o facto de poucos compreenderem o tipo de assuntos com que um empreendedor é confrontado quando leva uma ideia para o mercado. Diz a autora do estudo que a criação de planos e conceitos de negócios, quais as técnicas que ajudam a perceber o que o mercado necessita, ou mesmo como financiar legalmente um novo conceito de negócios (o conhecido micro-crédito, que até valeu um Nobel da Paz ao seu fundador, é um exemplo) são questões tabu para os jovens.
Além disso, cerca de 16% dos alunos não mostram capacidade para identificar um modelo exemplar de uma pessoa empreendedora ou de uma empresa nacional ou internacional de destaque. Aqueles que o fizeram elegeram Belmiro de Azevedo em Portugal e Bill Gates no Mundo. Refira-se, por último, que as áreas de economia e gestão, seguidas do direito e das ciências sociais, são aquelas em que os estudantes mais se lançam no mercado por sua conta.

Açorianos até têm vontade

Se as falhas apontadas anteriormente pertencem a uma avaliação global que se aplica a todo o país, não deixa de ser verdade que o estudo citado permite uma análise regional deste tema. E aí as coisas pioram para os Açores. Como referido inicialmente, a Universidade dos Açores é a terceira com menor número de estudantes a criarem o seu próprio negócio.
Apenas 2,2% dos alunos que responderam ao inquérito o fizeram. Uma percentagem que fica apenas à frente da Escola Superior Artística do Porto e da Universidade da Beira do Interior, mas distante da média nacional (6,4%) ou do resultado conseguido por regiões de peso semelhante ao dos Açores, como a Madeira (3,3%), Évora (6,3%) ou Bragança (7,9%).
Quando a pergunta passa a ser se, apesar de ainda não ter criado o seu negócio, o estudante já deu algum passo para concretizar esse objectivo, a classificação é ainda pior. Aqui as ilhas saltam para o último lugar, com os mesmos 2,2% - ou seja, por um lado, é positivo que todos aqueles que optam por este caminho consigam concretizá-lo; por outro, é negativo que mais ninguém esteja a tentar juntar-se-lhes.
A percentagem em causa fica longe dos 11,6% de média nacional e, uma vez mais, distante das comparações antes feitas: Madeira (12%), Évora (14,1%) e Bragança (7,9%). Logo, seguindo o princípio enunciado por Malecki em 1997, estas três regiões têm fortes possibilidades de se desenvolverem mais e mais depressa do que os Açores. É que mesmo ao nível das intenções (gostaria de ter o seu próprio negócio?) os universitários que andam por Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta ficam atrás da média: 31,1% contra 35%. Apenas sete instituições são menos ‘aventureiras’ do que a açoriana.
Mas o problema até poderá nem ser ‘humano’, por assim dizer. Tendo em conta a morada permanente dos alunos (o sítio de onde são e não onde estudam), os Açores até surgem a meio da tabela, com 35,1% dos estudantes originários das nove ilhas a revelarem intenções empreendedoras. Percentagem que fica atrás de Algarve (41,1%), Alentejo (40,5%) e Norte (36,3%), mas acima da média nacional (35%) e de regiões como Lisboa (34,1%), Centro (32%) e Madeira (31,5%).
Se bem que depois os açorianos sejam, das sete regiões, os que efectivamente criam menos empresas ou tenham sequer iniciado o processo e depois desistido.

(In João Moniz - A UNião)

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