sexta-feira, maio 08, 2009

Falta de água em Angra do Heroísmo preocupa autoridades e população

A falta de água no concelho de Angra do Heroísmo pode agravar-se, segundo alertas recentes, apesar da situação ocorrida no ano passado ter servido para chamar a atenção dos responsáveis públicos para este problema. Os últimos dados disponíveis indicam que a pluviosidade nos primeiros meses deste ano é 75% inferior à registada em igual período do ano passado, o que originou uma quebra de 30% nos caudais das nascentes. Esta situação obrigou os serviços responsáveis a abrir novos furos de captação, para evitar a necessidade de cortes no abastecimento de água como os que ocorreram no ano passado. Na última metade de 2008, segundo dados dos serviços municipalizados, o concelho de Angra do Heroísmo teve “menos 30% de água disponível para distribuir”. Na altura, os especialistas justificaram a falta de água com diversos factores, como os sucessivos rebentamentos em pedreiras ou os furos geotérmicos que poderão ter aberto fissuras nos aquíferos, nomeadamente o da zona do Cabrito. Para além disso, outras situações, como falhas eléctricas nos sistemas de bombagem ou obras na via rápida entre Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, que provocaram rupturas nas condutas, terão levado ao desequilíbrio do sistema e à necessidade de efectuar cortes no abastecimento em várias freguesias do concelho. Na mesma altura, Cota Rodrigues, investigador da Universidade dos Açores, doutorado em Hidrogeologia, surgiu a defender que a falta de água “se deveu ao prolongamento da época estival” e que, por isso, “seria pontual e não devia ser excessivamente empolada”. Na perspectiva da oposição, este problema resultou da "falta de investimento" do executivo municipal socialista, segundo o PSD, ou do "desleixo e falta de fiscalização e planeamento", na opinião do CDS/PP. Para enfrentar o problema, foi implementado um plano de cortes no abastecimento, aplicado por períodos de 24 horas alternados nas várias freguesias, tendo em vista equilibrar o abastecimento de água. A pressão política e popular, que exige respostas concretas para o problema, levou os responsáveis camarários a procurar respostas junto de Lopo Mendonça, considerado um dos principais especialistas em Portugal na área dos recursos hídricos e lençóis de água. Para este especialista, a situação resulta de factores um ano hidrológico muito seco, aliado a arroteamentos de terras junto das nascentes de água. Concluiu o especialista que os arroteamentos junto da Caldeira de Guilherme Moniz-Pico Alto “são uma prática indesejável e prejudicial ao regime de águas”. Perante estas preocupações, o secretário regional do Ambiente, Álamo Meneses, assegurou que seriam "proibidas" junto à caldeira as arroteias de terras, garantindo ainda a reposição da vegetação natural e, "tanto quanto possível", o fim das pastagens. Nesse sentido, Álamo Menezes apresentou um plano de medidas para a correcta gestão do abastecimento de água na ilha Terceira, destinado a evitar rupturas e perdas de qualidade. O plano assenta na “redução do risco de ruptura, no ordenamento do território, na protecção das origens da água e no fomento da gestão integrada dos recursos hídricos”. Para o efeito, vai-se proceder à “abertura de novos furos de captação e ao aumento da capacidade de armazenamento, através de dois novos reservatórios", estando ainda previsto o "aumento da capacidade de tratamento de água e a melhoria da qualidade da água armazenada”. Quanto à gestão integrada dos recursos hídricos da ilha, o executivo pretende efectuar a monitorização contínua das nascentes, além de construir duas novas lagoas artificiais e coordenar a captação de água entre os municípios de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória e o Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA). Álamo Meneses garantiu ainda que a Câmara de Angra do Heroísmo tem a totalidade da sua rede operacional.

(in Diário de Notícias)

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domingo, janeiro 11, 2009

Problemática da falta de água

JML

Quando tudo levava a crer que este problema estava ultrapassado, pois São Pedro (não fosse Ele o apóstolo a quem Jesus Cristo escolheu para fundador da Sua Igreja) veio em socorro destes filhos de Deus residentes no concelho de Angra e, compensando a incompetência das pessoas, enviar uns consideráveis litros do precioso líquido por metro quadrado, eis que surge mais uma polémica. A primeira pessoa que ouvi manifestar a sua surpresa pelo convite endereçado ao hidrogeólogo, dr. João Lopo de Mendonça, foi o dr. Vítor Hugo Forjaz, na RTP-Açores, pois considerava a Universidade dos Açores suficientemente habilitada a explicar o problema. Conhecedor das críticas que lhe foram tecidas, o dr. Lopo de Mendonça, resolveu escrever um artigo em que, não só explicava a sua posição, como também criticava as afirmações dos professores Félix Rodrigues e Eduardo Brito de Azevedo. As respostas dos visados, porém, não se fizeram esperar. Como é óbvio, não estou minimamente habilitado a atribuir razão – ou falta dela – a qualquer dos intervenientes na polémica. No entanto, percebo perfeitamente as intenções da Câmara. Perante tão evidente falta de competência, era necessário convidar alguém cujo estatuto (minuciosamente enunciado pela srª. presidente aquando da apresentação) permitisse fazer afirmações que ninguém usasse contestar. E, para isso, nesta Ilha Terceira de Nosso Senhor Jesus Cristo, quem melhor do que um sr. d’isboa. Pouca sorte!Mas a prova mais concludente de que “o tiro saiu pela culatra” retira-se do próprio artigo do dr. Lopo de Mendonça quando a dado passo escreve e cito: “Fui convidado pelos Serviços Municipalizados de Angra para elaborar um relatório onde “tentasse”esclarecer eventuais impactes sobre os recursos hídricos subterrâneos da zona do Cabrito provocados por algumas alterações físicas no território para além da diminuição da pluviometria desde o final da Primavera”.Mas para quê mais palavras quando a imagem das srªs. presidentes da Câmara e dos Serviços Municipalizados de olhos fixos no orador, como qualquer peregrino fixa no seu milagreiro de estimação, vale por mil.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, janeiro 02, 2009

O relatório hidrogeológico de Lopo Mendonça e o debate na Universidade dos Açores

Eduardo Brito de Azevedo*
Muito embora reconheça que a paciência e a condescendência dos leitores tem limites, e que este assunto bem podia ter sido tratado pessoalmente, vejo-me obrigado a responder pela mesma via ao recente artigo de opinião do Prof. João Lopo Mendonça (DI, 23/12/2008) sobre o já estafado assunto da falta de água em Angra do Heroísmo, onde o meu nome é por várias vezes mencionado (para grande perplexidade minha!), sem que, aparentemente, tivesse tido o cuidado de se informar sobre o verdadeiro conteúdo do que foi tratado no encontro a que se refere, oportunamente e legitimamente promovido pela Universidade dos Açores. Evitaria assim referir de forma incorrecta (no duplo sentido da palavra!) os motivos que me movem, bem como o teor da minha intervenção e as conclusões das matérias que lá foram abordadas.
Teria tido, por exemplo, a oportunidade de saber que falei na precipitação em Angra do Heroísmo mas também na observada no Cabrito e no Pico da Bagacina. Verificaria que as séries de Angra (por serem mais longas) foram utilizadas para enquadrar o problema em relação à pesquisa do sinal climático (o qual necessariamente teria de estar reflectido nos valores de Angra!), enquanto as séries de altitude (Bagacina e Cabrito), mais curtas, foram utilizadas para a interpretação do balanço hídrico sequêncial na zona de recarga aquífera das nascentes do planalto central da ilha Terceira.

Mais uma vez foi possível demonstrar que os registos de qualquer uma das séries, pese embora o facto de terem sido observados valores abaixo da média (mas isso já todos nós aqui sabíamos!), situam-se dentro da variabilidade expectável que determina as respectivas normais (não gostaria de incorrer na indelicadeza de recordar que um valor normal se faz com valores abaixo e acima da média). Neste caso, e com recurso às séries longas de Angra do Heroísmo (é para isso que elas servem!), é possível verificar que a precipitação de 2007/2008 (até ao início do verão!) se enquadrou no intervalo expectável para os anos considerados “normais” (muito próxima do limite superior do segundo quartil da respectiva distribuição de frequência).
Esta minha análise é aliás corroborada pela opinião e registos do Instituto de Meteorologia. E não é “só agora que venho” dizer isto; bastaria ao professor Lopo Mendonça ter lido o material que foi produzido e publicado localmente, e ainda antes do seu relatório ( material que tive o cuidado de lhe enviar!).
Mais ainda. Inclusive com base na curta série de anos abordados pelo professor Lopo Mendonça (de 2000 a 2008), e para períodos hidrológicos equivalentes, é possível verificar que para o ano de 2001/2002 a precipitação no Cabrito fica abaixo da média qualquer coisa como -346.4mm. Menos precipitação, portanto, do que a observada em 2007/08 (-247.5mm). Ora, seguindo o mesmo racicíonio apresentado no artigo de Lopo Mendonça, teriamos tido menos um milhão e quatrocentos mil metros cúbicos de água potável no Cabrito, situação manifestamente mais penalizante da que é apresentada como excepcional para o ano de 2007/08.
E é exactamente este aspecto que está em causa, e até na origem do estudo que lhe foi encomendado sobre a matéria. Saber o que houve de “excepcional” no ano hidrológico 2007/2008 de forma a justificar a situação que este ano se viveu!
Pelos vistos, e em termos estritamente climáticos, não é preciso recuar muito tempo para que se constate aquilo que já tinha afirmado anteriormente; que situações como a que se observou no ano de 2007/2008 podem ocorrer com um período de retorno relativamente curto, e sem que necessariamente se verifiquem cortes de água para os mesmos níveis de consumo.
Depois a questão da evapotranspiração. Tivesse o professor Lopo Mendonça o cuidado de confirmar o que foi falado no debate na UAç para facilmente ter desvanecido as suas dúvidas sobre a forma como calculamos a evapotranspiração. Teria percebido (e poupado muito do seu esforço de escrita) que o que foi discutido e avaliado foi se o grau de grandeza do acréscimo (do acréscimo!) da evapotranspiração real, por via do aumento da temperatura observada para a zona em questão, era suficiente para explicar a situação verificada. Considerando naturalmente o que todos (?) nós sabemos, que a cedência de água do solo para o fenómeno da evapotranspiração em período de déficit hídrico não é linear face à evolução da evapotranspiração potencial.
Em suma, julgo que teriamos poupado algum do nosso tempo de férias de Natal (e do tempo dos nossos eventuais leitores!) caso o amigo Lopo Mendonça tivesse tido a gentileza de me contactar face às dúvidas que o assaltaram sobre o que teria sido dito sobre si, ou sobre o seu relatório, no debate da Universidade dos Açores. Podia ter, inclusive, utilizado o mesmo endereço electrónico com que me contactou a pedir a cedência de dados para o seu trabalho. Mas uma coisa posso desde já acrescentar no sentido de o tranquilizar: que me lembre, pouco ou nada se falou da sua pessoa. Menos ainda do referido relatório. Até porque, convenhamos, tudo o que havia para discutir sobre o assunto estava baseado no material que lhe foi por nós disponibilizado ou em que se fundamentou; designadamente nos meus dados climáticos, no modelo hidrogeológico do colega Cota Rodrigues e no papel do coberto vegetal para a recarga aquífera da ilha Terceira demonstrado pela engenheira Cândida Mendes.

(*Professor de Climatologia Aplicada da Universidade dos Açores)

(In Diário Insular)

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terça-feira, dezembro 30, 2008

Ainda a polémica da água

Trata-se da segunda notícia do Tejornal da RTP-Açores.

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domingo, dezembro 28, 2008

O Relatório Hidrogeológico

Félix Rodrigues
Na passada terça-feira, o Doutor João Lopo Mendonça, Hidrogeólogo, escreve um artigo de opinião neste jornal, intitulado “Ainda a questão da água no Concelho de Angra do Heroísmo”. Nele tece um conjunto de críticas, directas e indirectas, à minha pessoa e aos meus colegas Francisco Cota Rodrigues e Eduardo Brito de Azevedo. Não me compete defender os colegas do Departamento de Ciências Agrárias anteriormente mencionados, pois eles sabem-no fazer muito bem, nem tão pouco a Doutora Emília Novo, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, também visada e escarnecida nesse artigo, apesar de nunca se ter pronunciado sobre o relatório produzido pelo Doutor Lopo Mendonça.Pensei numa primeira fase em não responder à provocação, todavia, não me pareceu adequado virar as costas a comentários e opiniões que beliscam a minha integridade, apesar da época natalícia, de fraternidade e de perdão.O Doutor Lopo Mendonça afirma, referindo-se à sua última passagem pela ilha Terceira que: “Desta vez, porém, parece que a minha vinda foi completamente desnecessária e aparentemente não muito apreciada por alguns. Ou será que os comentários vêm camuflados como técnicos e têm razões políticas? Se assim for, este esclarecimento é desnecessário, o tempo gasto a escrevê-lo considero-o como perdido e os comentários não dignificam os eminentes técnicos e cientistas que os emitiram.”.Pelo que me diz respeito, a sua vinda não foi depreciada, nem tão pouco o seu trabalho. Não me competia recebê-lo de forma entusiástica, nem tão pouco, pelo facto de o não ter recebido, ter que omitir qualquer opinião sobre um documento tornado público numa conferência de imprensa, na qual esteve presente. Há dois aspectos que gostaria de tornar claros:1- Sou docente universitário e investigador;2- Sou membro da Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo.Nesse contexto, não consigo distinguir, como o fazia a Ivone Silva na Olívia Empregada e Olívia Patroa, os dois aspectos. Sempre tive o cuidado de, consoante o contexto, me posicionar numa posição mais política ou numa posição mais técnica. Não vem mal nenhum ao mundo por se assumir ter uma postura política, onde se assume também que há um conjunto de deveres ao qual um indivíduo, seja investigador ou não, está sujeito em relação à sociedade em que vive. A minha cidadania é um direito e um dever.Quanto aos comentários proferidos que não dignificam os eminentes técnicos e cientistas, acho estranho que seja o primeiro citado nesse artigo quando produzo a seguinte opinião, também ela tornada pública: “…. as causas avançadas pelo professor Lopo Mendonça já foram referidas quer por mim, quer pelo professor Brito de Azevedo ou pelo professor Cota Rodrigues”. O senhor Doutor Lopo Mendonça entra muito tardiamente nessa discussão. Ela começa muito antes da sua vinda à Terceira. É exactamente na sequência dessas discussões públicas que ele acaba por entrar em palco. Não quererá ele, certamente, que paremos de discutir as questões da água no nosso Concelho só porque não está presente ou vive em Lisboa. Antes da sua vinda, já se tinham discutido as questões climáticas, as questões da precipitação oculta e arroteamento, a possível ruptura do imperme dos aquíferos e as questões da gestão integrada da água na ilha Terceira, entre outras. Assim sendo, não percebo a razão pela qual teria que afirmar que o relatório que produzido e tornado público, era inovador. No relatório, aparecem as mesmíssimas hipóteses explicativas que tinham anteriormente sido apresentadas em público. Nada tenho contra a pessoa ou técnico, que diz não me conhecer pessoalmente, apesar de eu o conhecer pessoalmente de discussões semelhantes, há anos atrás, aqui mesmo na ilha Terceira, e em encontros científicos da área noutros locais. Faz algum tempo, é verdade, e todos nós lembramo-nos melhor de umas pessoas do que de outras.O Doutor Lopo Mendonça afirma, ainda, referindo-se à minha pessoa, que “a verdade é que, apesar de tão douto conhecimento, Angra do Heroísmo continuou com cortes de água durante muitos meses”. Essa observação ou essa acusação é, no mínimo, estranha. Teria que ser eu, no exercício da minha cidadania, a resolver o problema de falta de água no Concelho de Angra do Heroísmo? E o Doutor resolveu-o com o seu estudo pago pelo erário público?O Doutor Lopo Mendonça afirma ainda outras coisas estranhas, que só se compreendem pelo facto de ter sido mal informado: “Por outro lado, é altamente reconfortante ver o meu trabalho escrutinado por tanta gente e num encontro científico que, de acordo com os relatos, teve entre outros objectivos contrariar as minhas opiniões ou aprofundá-las por professores da Universidade dos Açores”.O Doutor Lopo Mendonça está-se a referir a um evento realizado durante a Semana da Ciência e Tecnologia”, organizada pelo Departamento de Ciências Agrárias, cujo temática era “Teorizar as crises”. Nessa semana abordaram-se questões sobre alterações climáticas globais, crise da biodiversidade, e entre outros aspectos, também os recursos hídricos na Terceira.No evento que menciona, onde estive presente, não ouvi uma única vez ser proferido o seu nome. Também não foram feitas menções, nem uma única vez, ao relatório que o Doutor Lopo Mendonça produziu para a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.Quando no artigo de opinião a que me refiro, o Doutor Lopo Mendonça afirma “Tivessem-me dito, pelo menos o professor Cota Rodrigues sabia da minha presença e até trocámos impressões sobre o tema, e teria abandonado imediatamente o espaço que, pelos vistos, já pertencia a outros”, até parece que alguém tem algo contra ele ou que havia negócios escuros com a encomenda desse estudo. Se os há ou houve, desconheço. Se alguém sabe de algo que se pronuncie.Todos os comentários que ouvi, sobre a escolha da Câmara Municipal, de ser o Professor Lopo Mendonça a realizar o estudo, foram abonatórios, o que não quer dizer que esse estudo tivesse trazido algo de novo em termos de hipóteses interpretativas, pois todas elas já tinham sido levantadas. Nada acrescentei sobre a qualidade científica do trabalho, para merecer tal ataque desconcertado.Também da minha parte, este assunto fica encerrado.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, novembro 21, 2008

Crise da água em Angra do Heroísmo

Os dirigentes do PSD e do CDS-PP na Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo assumem que as soluções apresentadas no estudo sobre a falta de água no concelho pecam por defeito, ao não espelharem acções a longo prazo e, no caso dos novos furos, insistirem nas opções actuais.Carla Bretão, pelos social-democratas, defende que a implementação de um plano estratégico de abastecimento de água é a solução mais sensata.“Mais do que soluções pontuais, Angra precisa de ter identificados os seus recursos hídricos e os investimentos necessários a médio e longo prazo para que se evitem novos problemas”, argumenta.A responsável social-democrata diz que a falta de água no concelho não resulta apenas da diminuição do recurso na origem, mas também da falta de investimentos e planeamento na rede de distribuição.“A Câmara limitou-se a distribuir a água que apareceu em abundância. Mas esqueceu-se de precaver o futuro”, sublinha Carla Bretão, que, amanhã, apresenta em reunião de câmara uma proposta para a elaboração do plano estratégico de abastecimento.
Aquífero basal
Da parte do CDS-PP, Félix Rodrigues docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores reconhece a validade do estudo, mas sublinha que as conclusões apresentadas “não fogem ao que já havia sido dito pela Universidade dos Açores”.“Sem ter lido o documento, e partindo do que foi divulgado pela Comunicação Social, a minha atenção vai para a solução que defende novos furos de captação. Concretizá-los para a exploração de aquíferos suspensos é, em minha opinião, um erro. Porque se os furos em actividade incidem sobre aquíferos suspensos e esses falharam, insistir na mesma solução é um erro”, alega.“Fará mais sentido que esses furos avancem até ao aquífero basal. Reconheço que a água daí extraída tem menor qualidade, mas será útil para os períodos estivais. Portanto, parece-me que é fundamental pensar-se com muita cautela a localização de novos furos”, explica. Relativamente à possibilidade de recarga artificial dos aquíferos, Félix Rodrigues diz tratar-se de uma “solução tecnicamente muito difícil e que exige um estudo muito aprofundado” do sistema de aquíferos no concelho. Esta segunda-feira, a Câmara de Angra divulgou as conclusões do hidrogeólogo Lopo Mendonça, que estudou as origens da falta de água em Angra nos últimos meses.
(In Diário Insular)

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quarta-feira, novembro 19, 2008

Falta de chuva, avarias e arroteias deixaram Angra sem água

A falta de chuva, as arroteias na Caldeira Guilherme Moniz, uma grave avaria nas principais condutas que ligam a nascente do Cabrito à rede de abastecimento de água do concelho e, eventualmente, as explosões na pedreira existente nessa zona são apontadas pelo hidro-geólogo Lopo Mendonça como as causas para a falta de água em Angra do Heroísmo desde o Verão deste ano. O especialista apresentou, ontem à tarde, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, as conclusões do estudo que, em Setembro, realizou sobre os caudais das nascentes e furos de captação que abastecem o concelho.Na sessão pública de apresentação, Lopo Mendonça garantiu que, em termos hidrológicos, o ano de 2008 foi o “mais seco” dos últimos cinco anos.“Inclusivamente, o ano de 2008 é pior que o ano de 2000, que se conseguiu identificar como ano com dificuldades no abastecimento dos Serviços Municipalizados de Angra”, explicou o hidro-geólogo.Em declarações aos jornalistas, após a apresentação das suas conclusões, Lopo Mendonça especificou que houve uma redução, “na ordem dos 250 litros por metro quadrado”, na pluviosidade registada na ilha.“Esta é a principal causa para a falta de água. Ou, pelo menos, aquela que maior contributo deu para o problema”, sublinhou o especialista. Lopo Mendonça assumiu ainda que o arroteamento na Caldeira Guilherme Moniz foi outro factor a contribuir para a descida dos caudais que abastecem o concelho de Angra de água,“O arroteamento de áreas da Caldeira Guilherme Moniz – Pico Alto é uma prática totalmente indesejável e prejudica o regime das águas superficiais e subterrâneas. Agora é impossível recuperar essas zonas. Tal recuperação implica voltar a colocar naquele local todas as espécies vegetais que contribuíam para a retenção da água. E isso, parece-me muito improvável”, afirmou. Além disto, segundo Lopo Mendonça, até à Primavera deste ano, ocorreram perdas na rede de abastecimento do concelho.“Cruzando estes dados [água extraída dos furos, que trabalharam entre o Outono de 2007 e a Primavera de 2008] com os da água turbinada [que segundo o especialista são um bom indicador da água disponível para consumo naquela área] na estação hidroeléctrica da Nasce Água, verifica-se que, de Novembro de 2007 e Junho de 2008, houve excedentes de água que foram turbinados e que poderiam ter sido utilizados no abastecimento. Como conclusão, a dificuldade do abastecimento no Inverno e Primavera de 2008 não terá a ver com questões climatéricas e alteração do regime hidrológico das nascentes; pode ser atribuído a avaria grave no sistema de adução que recebia a água das nascentes e não a aduzia para o sistema distribuidor”, explicou Lopo Mendonça. O hidro-geólogo assumiu ainda que as explosões ocorridas na pedreira na área dos Cinco Picos “pode ter afectado os aquíferos do Cabrito”.“Como não existem registos da intensidade das explosões ali ocorridas (que provocam ondas de choque semelhantes às de um sismo), não é possível determinar até que ponto elas contribuíram para alargar as fissuras existentes nos aquíferos. Mas não se excluí a hipótese de que isso possa ter ocorrido e, assim, provocado perda de água dos aquíferos ali existentes”, argumenta.
Soluções
Para Lopo Mendonça, face às conclusões a que chegou, a resolução do problema (que pode repetir-se no futuro) passa pela abertura de novos furos de captação de água, pela implementação de um sistema informatizado de tele-gestão dos caudais e pela protecção (por lei) das áreas onde existem nascentes e furos de captação. “No continente existe essa legislação, que delimita áreas em redor dessas zonas de água, que impedem intervenções humanas que podem pôr em risco esse recurso”, explica o especialista.“A longo prazo, deve ser estudada a viabilidade de recarga artifical dos aquíferos, aproveitando os excedentes da água das nascentes do Cabrito”, sugeriu ainda.
Investimentos
Após as explicações de Lopo Mendonça, a presidente da Câmara Municipal de Angra apresentou à centena de angrenses que assistiram à apresentação do relatório um conjunto de investimentos que, segundo ela, vão contribuir para minimizar este problema.Andreia Cardoso confirmou que, já em Dezembro, vai iniciar-se a abertura de quatro furos para captação de água subterrânea (um em São Sebastião, dois no Porto Judeu e um na Terra-Chã). “Espero ter esses furos a funcionar em Março de 2009”, explicitou a autarca aos jornalistas. Além disso, Andreia Cardoso garantiu que, quando houver caudais suficientes nas nascentes, os Serviços Municipalizados vão substituir as bombas de dois furos, para garantir mais capacidade de extracção.“Vamos implementar um sistema de telegestão e proceder ao tratamento terciário das águas da ETAR, que podem ser aproveitadas pela indústria e pela lavoura”, adiantou. Andreia Cardoso disse ainda que, em paralelo, a autarquia – com o apoio da Universidade dos Açores – vai estudar a possibilidade da recarga artificial dos aquíferos e “encetar diligências juntos de várias entidades, públicas e privadas, para garantir medidas que permitam proteger as captações de água”. Quanto a responsabilidades, a autarca adiantou aos presentes que “a Câmara de Angra pretender apurá-las, mas que o fará em paralelo com os investimentos necessários”. “Esses investimentos são superiores a cinco milhões de euros”, enfatizou a presidente da autarquia.“Nos últimos dois dias, conseguimos não proceder a cortes de água. A captação de água no Cabrito está a melhorar. Mas ainda é-me impossível dizer quando será possível suspendermos o plano de cortes. O sistema ainda está muito frágil”, concluiu Andreia Cardoso.

(In Diário Insular)

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À espera de ler o estudo sobre falta de água em Angra

Félix Rodrigues, Professor do Departamento de Ciências Agrárias e Membro da Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo pelo CDS/PP considera que as reflexões do professor Lopo Mendonça, sobre as causas que provocaram a diminuição dos caudais nas nascentes da ilha Terceira neste Verão, são meras “hipóteses explicativas”.
Algumas das causas avançadas pelo professor já foram referidas “quer por mim, quer pelo professor Brito de Azevedo ou pelo professor Cota Rodrigues”, docentes do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, afirma.
Segundo o popular é importante começar a perceber as causas explicativas. “Este problema da falta de água em Angra surgiu em parte pela falta de chuva e em parte pela falta de planeamento”.
O representante do partido popular desconfia que os consumos não estão devidamente estudados em Angra (segundo a autarquia os níveis de consumo de água mantiveram-se praticamente idênticos nos últimos 10 anos) e suspeita ainda que a perda de água na rede deva ser superior a 30 por cento (nível óptimo nas redes urbanas de distribuição de água).
Em relação à análise do professor, Félix Rodrigues espera ter oportunidade de ler atentamente o documento, mas para já, numa primeira análise, considera que são apenas “hipóteses explicativas”.
Carla Bretão, vereadora do PSD, diz não conhecer as conclusões do estudo porque a autarquia não forneceu atempadamente o documento aos partidos da oposição. Recusando falar sobre as recomendações do professor Lopo Mendonça, a autarca garante que o PSD de Angra vai avançar, brevemente, com propostas no sentido de se ter “mais cuidado” com a gestão da água no concelho.
Carla Bretão sugere que Angra do Heroísmo crie rapidamente um Plano Geral da Água para identificar todos os recursos hídricos, proteger as nascentes, enumerar os problemas da rede, os investimentos a médio e a longo prazo e que perspective os consumos para os próximos anos. “É preciso perceber bem o que temos de fazer para manter o abastecimento público de água”, lembra.
Em relação ao relatório do professor Lopo Mendonça, o PSD rejeitou, para já, pronunciar-se sobre o assunto, contudo admite que todas as medidas de protecção das nascentes são boas e revelam que o Plano Regional da Água não está a funcionar na Terceira.

(In A União)

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