sexta-feira, março 06, 2009

Aquecimento global afecta mais as ilhas

“As ilhas são mais afectadas do que os continentes pelas alterações globais”, explicou Félix Rodrigues.As alterações climáticas, nomeadamente o aquecimento global e as respectivas consequências deste no ciclo hidrológico da ilha Terceira, foram, ontem, o tema de uma conferência, na Escola Secundária Vitorino Nemésio, intitulada: “Alterações climáticas globais - Impactos no ciclo hidrológico da ilha Terceira”, dada pelos professores da Universidade dos Açores Félix Rodrigues e Francisco Cota Rodrigues. “Cada açoriano contribui para o aquecimento global tanto com emissões de dióxido de carbono associadas à queima de combustíveis fósseis, como com emissões de metano associadas à produção agro-pecuária das ilhas”, sustenta Félix Rodrigues.O previsível aumento da temperatura média da Terra provoca um acréscimo do nível médio das águas do mar e aumenta a quantidade de vapor de água na atmosfera. O vapor de água também é um gás de estufa. A sua condensação produzirá inundações, nos períodos mais frios, e secas, nos períodos mais quentes.Análises isotópicas da água da chuva dos Açores fazem concluir que a chuva que aqui chega tem origem em ambientes quentes marítimos, ou seja, dependente da corrente do Golfo. Alterações nessa corrente têm implicações na precipitação e no ciclo hidrológico açoriano.Cota Rodrigues, após uma sucinta explicação da hidrogeologia da Terceira, referiu que a qualidade da água captada para consumo está muito dependente do tipo de aquífero: suspenso ou basal. A importância do coberto vegetal para a recarga dos aquíferos nas ilhas açorianas, foi outro dos pontos falados.Ambos os investigadores apontam a necessidade de um correcto ordenamento do território, para garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos insulares, e uma aposta forte nas energias alternativas como contributo da região para o combate às alterações climáticas globais.“Tentámos explicar os efeitos locais e globais do ciclo hidrológico”, conclui Félix Rodrigues.
(In Diário Insular)

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sábado, dezembro 27, 2008

Ainda a questão da água no Concelho de Angra do Heroísmo

João Lopo Mendonça - Hidrogeólogo
Fui convidado pelos Serviços Municipalizados de Angra do Heroísmo para elaborar um relatório onde “tentasse esclarecer eventuais impactes sobre os recursos hídricos subterrâneos da zona do Cabrito provocados por algumas alterações físicas no território para além da diminuição da pluviometria desde o final da Primavera”.Não estranhei o facto, uma vez que já vim mais de duas dezenas de vezes aos Açores resolver questões de recursos hídricos subterrâneos. Fiz o meu trabalho o mais rápido, o melhor que sabia e com a maior das isenções científicas e técnicas, tendo por limites apenas os meus conhecimentos e a minha consciência.Desta vez, porém, parece que a minha vinda foi completamente desnecessária e aparentemente não muito apreciada por alguns. Ou será que os comentários vêm camuflados como técnicos e têm razões políticas? Se assim for, este esclarecimento é desnecessário, o tempo gasto a escrevê-lo considero-o como perdido e os comentários não dignificam os eminentes técnicos e cientistas que os emitiram.O professor Félix Rodrigues (que não tenho o prazer de conhecer) afirmou: as “causas avançadas pelo professor (Lopo Mendonça) já foram referidas quer por mim, quer pelo professor Brito de Azevedo ou pelo professor Cota Rodrigues”. A verdade é que, apesar de tão douto conhecimento, Angra do Heroísmo continuou com cortes de água durante muitos meses. Tivessem-me dito, pelo menos o professor Cota Rodrigues sabia da minha presença e até trocámos impressões sobre o tema, e teria abandonado imediatamente o espaço que, pelos vistos, já pertencia a outros. Por outro lado, é altamente reconfortante ver o meu trabalho escrutinado por tanta gente e num encontro científico que, de acordo com os relatos, teve entre outros objectivos contrariar as minhas opiniões ou aprofundá-las por professores da Universidade dos Açores. Os dados climáticos utilizados no meu estudo foram fornecidos pelo Prof. Brito de Azevedo a quem agradeci no texto do estudo e publicamente quando da apresentação: foram valores das normais (valores médios correspondente a um número de anos suficiente (30 anos) para se poder admitir que ele representa o valor predominante da pluviometria no local considerado) nos postos udométricos do Cabrito e Pico da Bagacina e valores mensais da presente década. As normais para aqueles postos até Agosto são de 2171,9mm e 2006,8 mm, respectivamente.Vem agora o professor Brito de Azevedo adiantar que em Angra do Heroísmo “o ano climático de 2007/2008 (Janeiro de 2007 a Agosto de 2008) insere-se nos anos normais em termos de precipitação, com 1024 mililitros por metro quadrado, ou seja, 91 por cento da precipitação normal em termos médios”. Isto é, embora não seja comparável a precipitação em Angra com a do Cabrito e do Pico da Bagacina afinal a precipitação em Angra foi só 91% (não foram 100% ou mais!) da precipitação normal em termos médio (professor Brito de Azevedo e caro amigo, os números não enganam, são 91%!). Do mesmo modo, em minha opinião, só ficaria bem ao professor Brito de Azevedo dizer que meter no mesmo saco (passe a expressão) Angra do Heroísmo, onde a normal é de 1126mm, com os cerca de 2000mm em Cabrito e Pico da Bagacina é no mínimo criticável.Repare Professor Brito de Azevedo que o objectivo do estudo não foi comparar séries anuais e variações climáticas, que isso é assunto muito sério e como técnico não me interessa. Quanto ao Cabrito e ao Pico da Bagacina, os dados fornecidos pelo professor Brito de Azevedo foram os seguintes para o ano hidrológico de 2007/2008 (até Agosto de 2008): 1924,4 mm e 1761,8mm. Fazendo as duas contas de subtrair (2171,9mm - 1924,4mm = 247,5 e 2006,8 - 1761,8 mm = 245 mm) conclui-se que os valores de 2007/2008 são 245 mm e 247,5 mm inferiores ao valor da precipitação normal em termos médios (isto está no relatório!). Para quem não tem conhecimentos específicos sobre esta matéria, mas sabe distinguir o maior do menor já pode tirar conclusões sobre quem foi rigoroso. Como acréscimo, direi que para uma área de 4 km2, como é aproximadamente a área da Caldeira de Guilherme Moniz, são cerca de um milhão de metros cúbicos de água a menos do que a precipitação normal em termos médios. Um milhão de metros cúbicos de água potável é pouco e desprezível? Para mim não é, mas o leitor ajuizará! Eu sei que haverá sempre quem diga que o copo está meio cheio ou que está meio vazio!Estranha-se também a frase atribuída ao Professor Eduardo Brito Azevedo que sublinhou: “apesar de, na primeira metade de 2008, a temperatura ter estado ligeiramente acima da média, a evapotranspiração real caiu logo a seguir ao início do défice hídrico”. Só pode ser um lapso! A evapotranspiração real depende da temperatura até ao esgotamento da capacidade de água disponível para as plantas no solo. Portanto, a evapotranspiração real aumentou e diminuiu a água que se infiltrou e/ou foi para o mar pelo escoamento superficial.Para justificar este facto ainda houve quem fosse buscar uma pseudo-explicação ainda mais rebuscada (citação atribuída à doutora Emília Novo): “a evapotranspiração real, de facto não foi incrementada até porque as plantas optimizam a “gestão das águas” abrindo e fechando os estomas para regular a perda de água”. Caro leitor, a partir desta nova teoria (não falo da real função dos estomas) porque que é que rega as suas culturas no Verão, gasta tempo, dinheiro e paciência? As plantas têm um sistema regulador que não precisa de água da rega nem da chuva! Já alguma vez viu uma planta seca no Verão? Finalmente, gostaria de referir um dos comentários que o professor Brito Azevedo enfatizou após a minha apresentação do relatório. De acordo com os estudos que vem desenvolvendo estaria a chegar à conclusão que, com um período de retorno de cerca de 5 a 6 anos, estão a ocorrer anos com precipitações abaixo da normal. Na altura, chamou a atenção para os responsáveis e para a assembleia participante e advertiu que se não fossem tomadas medidas os acontecimentos desagradáveis de 2008 se repetiriam. Afinal, caro amigo Eduardo, ainda existe este risco ou desapareceu em duas semanas? Pela minha parte, este assunto está encerrado e, de novo, obrigado pelos dados.

(In Diário Insular)

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domingo, novembro 30, 2008

Apresentações e debates sobre a falta de água no Concelho de Angra do Heroísmo

Realizou-se, na passada Sexta-feira, integrada nas Comemorações do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores da Semana da Ciência e Tecnologia 2008, uma sessão de apresentação de dados e possíveis interpretações para a falta de água verificada neste Verão passado, no Concelho de Angra do Heroísmo, a que se seguiu um debate.
Esta actividade contou com o apoio do Centro de Investigação em Tecnologias Agrárias dos Açores, Centro do Clima, Meteorologia e Alterações Climáticas e Núcleo Regional da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos.
A sessão, coordenada pelo Professor João Madruga, contou com a presença do Professor Álamo de Meneses, naquela que é a primeira participação pública do novel Secretário Regional do Ambiente e do Mar.
Estiveram presentes ainda a Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Drª Andreia Cardoso, a responsável pelos Serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Drª Sofia Couto, autarcas, deputados, alunos e público em geral.
O Professor Eduardo Brito de Azevedo, primeiro interveniente, após uma apresentação dos dados da precipitação dos últimos 120 anos, classificou os diferentes anos em secos, normais e húmidos. De acordo com este especialista, 2008, cai na categoria dos anos normais, com valores de precipitação acumuladas muito próximas da média. A temperatura mais elevada, poderia ter contribuído para uma aumento da evapotranspiração, todavia, o cálculo da evapotranspiração real, demonstra que essa perda é pouco significativa. Assim sendo, justificar a falta de água no Concelho de Angra do Heroísmo por este dois factores, revela-se pouco adequado.
O Professor Félix Rodrigues, apresentou de forma pictórica as anomalias da precipitação e da temperatura, relativamente às normais climatológicas, para 2008. Este investigador concorda com a análise anteriormente apresentada, referindo que até Junho de 2008, a sua interpretação coincide, no entanto, há desvios mais acentuados em Junho, Julho e Agosto que levam a colocar a hipótese de influência climática nos caudais das nascentes. No que se refere à temperatura, os valores médios mensais estiveram todo o ano acima das normais climatológicos, e apesar desse aumento das temperaturas mínima, média e máxima, não contribuir grandemente para a evapotranspiração real, contribuíu certamente para uma diminuição da precipitação oculta.
"Os nevoeiros na ilha, tem uma importância não desprezável na recarga dos aquíferos". Estes formam-se normalmente quando a diferença de temperatura do ar e do ponto de orvalho é inferior a 2,8ºC. As temperaturas elevadas nos meses de Abril, Maio, Junho e Julho, no interior da ilha, reduziram a quantidade de precipitação interceptada pela vegetação. Entendeu também que a escassez de água em Angra do Heroísmo, tem uma explicação multifactorial, relacionada com aspectos climáticos que precisam ser investigados, como por exemplo a forma como choveu, se intensamente ou chuva fraca e sua distribuição ao longo do dia, com os consumos, que apesar do consumo doméstico em 2008 ter sido ligeiramente inferior relativamente aos anos anteriores, não se sabe os gastos de água associados às grandes obras da via rápida da ilha, nem se sabe as perdas relacionadas com os sucessivos acidentes de ruptura das grandes condutas de água, que ocorreram também nas obras da via rápida. Uma análise dos sismos de 2008, tanto da sua intensidade como dos seus epicentros, não indiciam possibilidade de fractura do impermen dos aquíferos.
O Professor Francisco Cota Rodrigues, apresentou em resenha o estado actual do conhecimento hidrogeológico da ilha Terceira, nomeadamente os comportamentos da água nos estratos geológicos da ilha, os vários tipos de aquíferos existentes, suspensos e basal, os diferentes tipos de captação realizados ao longo dos séculos, como poços, poços de maré, captação de nascentes e furos de captação tanto de aquíferos suspensos como do aquífero basal.
Este investigador apresentou as áreas mais prováveis para a recarga de nascente na ilha, dando ênfase às nascentes do cabrito e do nasce-água.
Para Cota Rodrigues, a maioria das nascentes da ilha Terceira tem caudais muito baixos, tornando-se difícil a sua captação, sendo muito poucas aquelas que tem caudais elevados e que faz com que seja efectivamente eficaz, em termos económicos a sua captação.
Referiu ainda que a precipitação oculta tem grande importância na recarga de aquíferos, especialmente no Cabrito e Nasce-Água.
Os furos de captação de aquíferos suspensos deverão ser bem estudados, entendendo ser necessário que alguns captem o aquífero basal.
A Doutora Emília Novo, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, levantou um vasto conjunto de questões que teriam que ser estudadas para dar uma resposta cabal a esse problema. Acentuou que os aquíferos pequenos, como o caso do Cabrito, são muito vulneráveis à estiagem, possuindo comportamentos imprevisíveis. Considerou que aí a precipitação oculta poderá desempenhar um papel importante na recarga e a forma como choveu tem efectivamente importância na recarga desse mesmo aquífero.
Os dados da precipitação dos últimos anos não apresentam uma tendência clara de modo a se poderem relacionar com alterações climáticas, mas, apesar disso, devem ser devidamente acompanhados porque podem indiciar tendências futuras.
A evapotranspiração real, de facto não foi incrementada até porque as plantas optimizam a "gestão das águas" abrindo e fechando os estomas para regular a perda de água. Referiu que o estudo desse fenómeno é importante no contexto das alterações climáticas.
De acordo com esta investigadora, se o Cabrito é vulneravel à estiagem, o aquífero basal é vulneravel à salinização. Tanto um tipo de exploração como outro necessita de ser monitorizado.
No que se refere à recarga artificial de aquíferos, defendeu que não se deverá avançar para essa solução porque, tal como referido por Cota Rodrigues, o tempo de permanência da água nesses aquíferos é reduzido, o que corresponde a não armazenamento eficaz. Haverá que conhecer muito bem a estrutura dos aquíferos e o seu volume para que tal solução seja eficaz.
O Engº Dinis Pereira, do Gabinete de Ecologia Vegetal do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, apresentou os principais resultados do estudo da distribuição das turfeiras de Sphagnum na ilha Terceira referindo a importância dessas turfeiras na retenção de água na ilha e na regulação de caudais de nascentes. Referiu ainda os impactos que estão associados a arroteias de zonas húmidas na disponibilidade de água na ilha.
Apresentou as principais áreas da ilha sensíveis em termos de arroteias e apresentou estimativas para a avaliação da precipitação oculta nessas zonas.
A Engª Cândida Mendes, explicou a formas como o Sphagnum, acumula água, classificou os vários tipos de turfeiras existentes na ilha e quantificou a quantidade de água que foi perdida numa arroteia realizada nas proximidades das Furnas do Enxofre. Afirmou ser possível a recuperação de zonas húmidas na Terceira e deste modo regular a disponibilidade hídrica. A água armazenada na turfeira arroteada, que exemplificou, era superior à capacidade da Lagoa artificial do Cabrito.

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quarta-feira, novembro 19, 2008

Falta de chuva, avarias e arroteias deixaram Angra sem água

A falta de chuva, as arroteias na Caldeira Guilherme Moniz, uma grave avaria nas principais condutas que ligam a nascente do Cabrito à rede de abastecimento de água do concelho e, eventualmente, as explosões na pedreira existente nessa zona são apontadas pelo hidro-geólogo Lopo Mendonça como as causas para a falta de água em Angra do Heroísmo desde o Verão deste ano. O especialista apresentou, ontem à tarde, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, as conclusões do estudo que, em Setembro, realizou sobre os caudais das nascentes e furos de captação que abastecem o concelho.Na sessão pública de apresentação, Lopo Mendonça garantiu que, em termos hidrológicos, o ano de 2008 foi o “mais seco” dos últimos cinco anos.“Inclusivamente, o ano de 2008 é pior que o ano de 2000, que se conseguiu identificar como ano com dificuldades no abastecimento dos Serviços Municipalizados de Angra”, explicou o hidro-geólogo.Em declarações aos jornalistas, após a apresentação das suas conclusões, Lopo Mendonça especificou que houve uma redução, “na ordem dos 250 litros por metro quadrado”, na pluviosidade registada na ilha.“Esta é a principal causa para a falta de água. Ou, pelo menos, aquela que maior contributo deu para o problema”, sublinhou o especialista. Lopo Mendonça assumiu ainda que o arroteamento na Caldeira Guilherme Moniz foi outro factor a contribuir para a descida dos caudais que abastecem o concelho de Angra de água,“O arroteamento de áreas da Caldeira Guilherme Moniz – Pico Alto é uma prática totalmente indesejável e prejudica o regime das águas superficiais e subterrâneas. Agora é impossível recuperar essas zonas. Tal recuperação implica voltar a colocar naquele local todas as espécies vegetais que contribuíam para a retenção da água. E isso, parece-me muito improvável”, afirmou. Além disto, segundo Lopo Mendonça, até à Primavera deste ano, ocorreram perdas na rede de abastecimento do concelho.“Cruzando estes dados [água extraída dos furos, que trabalharam entre o Outono de 2007 e a Primavera de 2008] com os da água turbinada [que segundo o especialista são um bom indicador da água disponível para consumo naquela área] na estação hidroeléctrica da Nasce Água, verifica-se que, de Novembro de 2007 e Junho de 2008, houve excedentes de água que foram turbinados e que poderiam ter sido utilizados no abastecimento. Como conclusão, a dificuldade do abastecimento no Inverno e Primavera de 2008 não terá a ver com questões climatéricas e alteração do regime hidrológico das nascentes; pode ser atribuído a avaria grave no sistema de adução que recebia a água das nascentes e não a aduzia para o sistema distribuidor”, explicou Lopo Mendonça. O hidro-geólogo assumiu ainda que as explosões ocorridas na pedreira na área dos Cinco Picos “pode ter afectado os aquíferos do Cabrito”.“Como não existem registos da intensidade das explosões ali ocorridas (que provocam ondas de choque semelhantes às de um sismo), não é possível determinar até que ponto elas contribuíram para alargar as fissuras existentes nos aquíferos. Mas não se excluí a hipótese de que isso possa ter ocorrido e, assim, provocado perda de água dos aquíferos ali existentes”, argumenta.
Soluções
Para Lopo Mendonça, face às conclusões a que chegou, a resolução do problema (que pode repetir-se no futuro) passa pela abertura de novos furos de captação de água, pela implementação de um sistema informatizado de tele-gestão dos caudais e pela protecção (por lei) das áreas onde existem nascentes e furos de captação. “No continente existe essa legislação, que delimita áreas em redor dessas zonas de água, que impedem intervenções humanas que podem pôr em risco esse recurso”, explica o especialista.“A longo prazo, deve ser estudada a viabilidade de recarga artifical dos aquíferos, aproveitando os excedentes da água das nascentes do Cabrito”, sugeriu ainda.
Investimentos
Após as explicações de Lopo Mendonça, a presidente da Câmara Municipal de Angra apresentou à centena de angrenses que assistiram à apresentação do relatório um conjunto de investimentos que, segundo ela, vão contribuir para minimizar este problema.Andreia Cardoso confirmou que, já em Dezembro, vai iniciar-se a abertura de quatro furos para captação de água subterrânea (um em São Sebastião, dois no Porto Judeu e um na Terra-Chã). “Espero ter esses furos a funcionar em Março de 2009”, explicitou a autarca aos jornalistas. Além disso, Andreia Cardoso garantiu que, quando houver caudais suficientes nas nascentes, os Serviços Municipalizados vão substituir as bombas de dois furos, para garantir mais capacidade de extracção.“Vamos implementar um sistema de telegestão e proceder ao tratamento terciário das águas da ETAR, que podem ser aproveitadas pela indústria e pela lavoura”, adiantou. Andreia Cardoso disse ainda que, em paralelo, a autarquia – com o apoio da Universidade dos Açores – vai estudar a possibilidade da recarga artificial dos aquíferos e “encetar diligências juntos de várias entidades, públicas e privadas, para garantir medidas que permitam proteger as captações de água”. Quanto a responsabilidades, a autarca adiantou aos presentes que “a Câmara de Angra pretender apurá-las, mas que o fará em paralelo com os investimentos necessários”. “Esses investimentos são superiores a cinco milhões de euros”, enfatizou a presidente da autarquia.“Nos últimos dois dias, conseguimos não proceder a cortes de água. A captação de água no Cabrito está a melhorar. Mas ainda é-me impossível dizer quando será possível suspendermos o plano de cortes. O sistema ainda está muito frágil”, concluiu Andreia Cardoso.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, setembro 28, 2007

Aspectos hidrogeológicos da ilha Terceira discutidos em Congresso Internacional

No XXXV Encontro da Associação Internacional de Hidrogeólogos que decorreu em Lisboa, até ao dia 24 de Setembro, os Açores estiveram amplamente representados através de apresentação de trabalhos que abordaram a hidrologia insular açoriana. O Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores apresentou duas comunicações científicas.
A temática deste Encontro centrou-se nas relações entre "Águas subterrâneas e Ecossistemas".
Uma dessas comunicações, da autoria do Eng. Luís Teixeira e dos Professores Francisco Cota Rodrigues, da Universidade dos Açores e Daniel Urish e Reinhard Frohlich, da Universidade de Rhode Island (Estados Unidos da América) examinou a aplicação de processos geoeléctricos à exploração de água subterrânea na Caldeira dos Cinco Picos na Ilha Terceira.

A exploração de técnicas capazes de identificar água subterrânea em todas as ilhas do Arquipélago, reveste-se de especial importância uma vez que a maior parte da água usada nas ilhas tem origem subterrânea, dependendo da água da chuva. O aumento dos períodos de seca, terá impacto no abastecimento de água às populações insulares, daí a necessidade de se inventariarem todos os aquíferos passíveis de exploração.
A aplicação desta técnica à detecção de lençóis de água na zona em estudo, revelou a presença de camadas saturadas, com abundância de água subterrânea que poderá constituir uma boa reserva hídrica para a ilha Terceira nos próximos anos.
A segunda comunicação, da autoria da Engª Celeste Miguel e do Professor Francisco Cota Rodrigues, analisou de forma exaustiva a hidrogeologia do ecossistema do Paúl da Praia da Vitória, profundamente alterado nos últimos 60 anos e de reconhecida importância do ponto de vista ecológico.
Uma vez que o Paúl da Praia da Vitória se localiza num sector costeiro do aquífero basal da ilha Terceira, apresenta condições únicas e específicas, do ponto de vista hidrogeológico, em todo o Arquipélago. O futuro deste ecossistema depende do complexo programa de recuperação que está a ser levado a cabo nesse local, pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, e da capacidade técnica de preservar as correntes difusas de água doce que aí se encontram, responsáveis pela existência de uma vegetação halófita e uma fauna peculiar.

(In Azores Digital)

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quarta-feira, setembro 26, 2007

Visita aos Açores de membros da Associação Internacional de Hidrogeólogos

Na sequência do 35º Congresso da Associação Internacional de Hidrogeólogos, que decorreu no final da semana passada em Lisboa, encontram-se nos Açores um grupo de especialistas em água subterrânea de diversas nacionalidades que incluem Polacos, Alemães, Canadianos, Franceses, Sérvios, Australianos e Portugueses. Na ilha Terceira estes investigadores visitaram os principais pontos turísticos, captações de água subterrânea, estações de tratamento e ainda as obras de recuperação do Paúl da Praia da Vitória. Esta visita foi organizada pelos professores Rui Coutinho e Virgílio Cruz do Departamento de Geociências e Francisco Cota Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Após a passagem pela Terceira, os investigadores deslocaram-se às ilhas do Faial e Pico, onde se encontram neste momento, seguindo, posteriormente, para a ilha de São Miguel.

(In Açoriano Oriental e Diário Insular)

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