domingo, maio 24, 2009

Falta de Chuva na Terceira - Entrevista a Cota Rodrigues

segunda-feira, maio 11, 2009

Saber olhar o passado

RM
A ânsia cega de sermos modernos e evoluídos leva-nos, na maior parte das vezes, a esquecer que olhar para trás é um exercício que pode evitar os erros cometidos e garantir a manutenção das boas soluções já experimentadas. Isto a propósito da repetida discussão por causa da escassez de água na ilha Terceira. No ano passado, os angrenses e os lavradores viveram um Verão complicado: uns sem água dois dias por semanas; os outros obrigados a percorrer quilómetros para que as vacas não morressem de sede. Um ano depois, o cenário tende a repetir-se. Mas, mais do que procurar responsabilidades pela aparente inércia e reivindicar medidas que invertam um cenário cada vez mais real, importa fixar a reflexão de Félix Rodrigues, professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. O académico, no fundo, diz duas coisas: primeiro, meteram canos de água nas explorações agrícolas e nas casas, ficando os antigos tanques, cisternas e talhões cheios de ar, entulho ou flores; segundo, a Região vive o ciclo da vaca, que promoveu a produção extensiva de erva, tornando residuais produções que já provaram ser rentáveis nas ilhas. Quer isto dizer que o arquipélago decidiu trilhar um novo modelo de desenvolvimento, mas, mais uma vez, fez tábua rasa do passado.
E, no fundo, é esta a ideia que pretendemos realçar neste escrito. Quem ocupou estas ilhas, percebeu que a chuva não cai sempre na mesma quantidade. Solução? Toca a armazenar a que ia caindo, não fosse o diabo tecê-las. E percebeu também que numas terras há coisas que crescem melhor do que as outras. Solução? Plantar de acordo com as capacidades da terra. Para ser mais rentável e, ao mesmo tempo, para que se uma falhasse, a outra havia de dar alguma coisa. E onde só dava calhau, toca a plantar as casas. No fundo, a exploração do território foi operada numa lógica de sustentabilidade e rentabilidade, tendo por base a noção que os recursos poderiam ser finitos. As preocupações energéticas das casas construídas nos séculos seguintes ao povoamento são exemplos perfeitos dessa preocupação. Hoje, a importação de lógicas de desenvolvimento tolda-nos a vista e obriga-nos a olhar sempre em frente, mesmo que nessa direcção se rume ao abismo. Não defendemos o regresso à carroça, à burra de milho e às sapatas de sola de pneu. Mas que o tractor, a comida “ligth” e o telemóvel não sejam mais importantes do que o solo que habitamos. Porque é nesse que a vida é possível.
(in Diário Insular)

Etiquetas: , , ,

domingo, maio 10, 2009

Produção intensiva de erva é um erro

A aposta exclusiva na produção intensiva de erva na Terceira é um erro, afirma o professor Félix Rodrigues, que defende um modelo agrícola que assente em várias produções.
Em declarações ao DI, o especialista em alterações climáticas explica que essa diversidade evitaria que a falência de uma produção provocasse o descalabro do sector.
“Temos de ir alterando progressivamente a produção agrícola, adaptando-a às contingências e, acima de tudo, garantindo a sua diversificação. É necessário perceber que, por exemplo, a produção intensiva de erva implica determinados requisitos, nomeadamente a existência de água”, alega o académico.
“Quer isto dizer que a falta de água afectará logo a produção nas zonas baixas. Havendo uma multiplicidade de produções, poderemos, facilmente, ultrapassar os problemas provocados pela quebra produtiva numa determinada produção”, alega.

Novas épocas

Nos últimos dias, o presidente da Associação Agrícola da Terceira, Paulo Simões, alertou que a escassez de chuva nas próximas semanas poderá pôr em risco as sementeiras de milho em curso nas terras baixas.
“Isto significa que, caso se mantenha esta tendência de alteração do ciclo das chuvas, que as épocas de sementeira e de colheita nessas zonas terá de ser repensada”, sublinha Félix Rodrigues.

Água já corre

Na terça-feira, o candidato social-democrata à Câmara de Angra denunciou cortes na água à lavoura no Pico do Vime, na bacia leiteira do Paul.
Na resposta, a secretaria regional da Agricultura garantiu que o problema foi ultrapassado e que os cortes se deveram à necessidade de ligar a lagoa do Cabrito à rede de abastecimento da lavoura devido à redução dos caudais das nascentes que abastecem essa rede.
“O abastecimento de água à pecuária nas zonas do Pico do Vime e Ginjal, na Bacia Leiteira do Paul foi restabelecido ao fim da tarde de terça-feira”, refere uma nota de imprensa divulgada pela secretaria regional da Agricultura e Florestas.
As últimas medições pluviométricas revelam que os primeiros meses deste ano sofreram uma quebra de 75 por cento na chuva, comparativamente ao mesmo período do ano passado.
Para ultrapassar a situação, a secretaria regional da Agricultura salientou que foram convidadas duas empresas especializadas para a realização de “dois furos de sondagem e captação, que serão efectuados nos lugares de Cabouco do Cume e Cabrito”, acrescentando que as propostas estão “em fase de análise”.
O executivo espera ter os furos a funcionar em Agosto.
(In Diário Insular)

Etiquetas: , , , ,

Água em risco nos Açores- Entrevista a Cota Rodrigues e queima das fitas em São Miguel

sábado, maio 09, 2009

Cisternas podem voltar a ser úteis e produção agrícola tem de diversificar-se

A água canalizada tornou obsoletas as cisternas. Mas estas podem ser solução para a falta de água.

As cisternas e os tanques de água nas explorações agrícolas e nas habitações da Terceira podem voltar a ser uma realidade, admite o professor universitário Félix Rodrigues, especialista em alterações climáticas.
Em declarações ao DI, a propósito da escassez de água na ilha, o académico sublinha que o modelo de desenvolvimento assente na água canalizada para as explorações agrícolas, assim como para o abastecimento doméstico, provocou o desaparecimento das cisternas e dos tanques, que garantiam sustentabilidade do abastecimento individual na ilha Terceira.
“Essa mudança – observada hoje – acaba por revelar-se um erro. Obviamente que é fácil dizê-lo agora, quando a água não abunda na ilha e vivemos dois anos consecutivos com pouca chuva. Mas prova que insistimos em substituir modelos de desenvolvimento, assumindo que o novo será infinito”, argumenta Félix Rodrigues.
“Antigamente, os recursos eram geridos de forma mais sustentável. A água era exemplo disso. A chuva era armazenada. E os fios de água eram protegidos. Hoje, com a lógica da água canalizada, assumiu-se que ela era infinita que estaria sempre à distância de uma torneira”, sublinha.

Nova realidade

Félix Rodrigues adianta que a ilha pode ter começado a experimentar o declínio dessa realidade, provocado por alterações climatéricas espelhadas em previsões realizadas.
“Os cenários traçados, de facto, apontam para um clima açoriano com fortes chuvadas no Inverno, a ocorrerem em períodos mais curtos, e Verões secos. A questão que se coloca, actualmente, é se estes dois anos de menor pluviosidade são já reflexo disso, ou se são apenas dois anos atípicos. É cedo para afirmá-lo convictamente, até porque são necessários dados de três décadas para concluirmos uma nova realidade. Mas, para lá disso, o fundamental é usarmos estas novas realidades para nos precavermos, porque podemos estar a aproximarmo-nos da tendência revelada pelos cenários traçados”, explica Félix Rodrigues.
O professor universitário refere que, depois da falta de água em Angra em 2008 e a aparente persistência do problema este ano, muitos terceirenses começaram a procurar soluções, nomeadamente a reactivação de cisternas e tanques.
“É algo que pode continuar, caso o tempo na ilha persista idêntico ao que se registou nestes dois anos”, alega.
“As pessoas tendem a adaptar-se às alterações. Aqui acontecerá o mesmo. O problema será se a chuva regressar nos próximos anos nas quantidades a que nos habituámos, porque isso fará com que se esqueça o que aconteceu nestes anos e regresse tudo ao mesmo”, adverte.

Problema maior

Ontem, no final de mais uma reunião da comissão parlamentar que está a estudar a falta de água em Angra, o presidente da comissão admitiu a existência de “indícios” de que o problema esteja também a atingir outras ilhas do arquipélago.
“Este problema já estará a começar a atingir outras ilhas, como a Graciosa, S. Jorge e Pico”, disse Domingos Cunha, no final da segunda ronda de audições.
Para o responsável, “começa a vislumbrar-se que existem fenómenos que têm ocorrido nos Açores, em particular na ilha Terceira, que são preocupantes e vão requerer uma avaliação e um estudo sério para encontrar soluções”.
Nesse sentido, frisou que “a comissão espera, no relatório final, dar indicações ao parlamento e alertar o governo e as autarquias para implementarem medidas que minimizem ou evitem mesmo o problema da falta de água potável”.

(in Diário Insular)

Etiquetas: , , ,

sexta-feira, maio 08, 2009

Falta de água em Angra do Heroísmo preocupa autoridades e população

A falta de água no concelho de Angra do Heroísmo pode agravar-se, segundo alertas recentes, apesar da situação ocorrida no ano passado ter servido para chamar a atenção dos responsáveis públicos para este problema. Os últimos dados disponíveis indicam que a pluviosidade nos primeiros meses deste ano é 75% inferior à registada em igual período do ano passado, o que originou uma quebra de 30% nos caudais das nascentes. Esta situação obrigou os serviços responsáveis a abrir novos furos de captação, para evitar a necessidade de cortes no abastecimento de água como os que ocorreram no ano passado. Na última metade de 2008, segundo dados dos serviços municipalizados, o concelho de Angra do Heroísmo teve “menos 30% de água disponível para distribuir”. Na altura, os especialistas justificaram a falta de água com diversos factores, como os sucessivos rebentamentos em pedreiras ou os furos geotérmicos que poderão ter aberto fissuras nos aquíferos, nomeadamente o da zona do Cabrito. Para além disso, outras situações, como falhas eléctricas nos sistemas de bombagem ou obras na via rápida entre Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, que provocaram rupturas nas condutas, terão levado ao desequilíbrio do sistema e à necessidade de efectuar cortes no abastecimento em várias freguesias do concelho. Na mesma altura, Cota Rodrigues, investigador da Universidade dos Açores, doutorado em Hidrogeologia, surgiu a defender que a falta de água “se deveu ao prolongamento da época estival” e que, por isso, “seria pontual e não devia ser excessivamente empolada”. Na perspectiva da oposição, este problema resultou da "falta de investimento" do executivo municipal socialista, segundo o PSD, ou do "desleixo e falta de fiscalização e planeamento", na opinião do CDS/PP. Para enfrentar o problema, foi implementado um plano de cortes no abastecimento, aplicado por períodos de 24 horas alternados nas várias freguesias, tendo em vista equilibrar o abastecimento de água. A pressão política e popular, que exige respostas concretas para o problema, levou os responsáveis camarários a procurar respostas junto de Lopo Mendonça, considerado um dos principais especialistas em Portugal na área dos recursos hídricos e lençóis de água. Para este especialista, a situação resulta de factores um ano hidrológico muito seco, aliado a arroteamentos de terras junto das nascentes de água. Concluiu o especialista que os arroteamentos junto da Caldeira de Guilherme Moniz-Pico Alto “são uma prática indesejável e prejudicial ao regime de águas”. Perante estas preocupações, o secretário regional do Ambiente, Álamo Meneses, assegurou que seriam "proibidas" junto à caldeira as arroteias de terras, garantindo ainda a reposição da vegetação natural e, "tanto quanto possível", o fim das pastagens. Nesse sentido, Álamo Menezes apresentou um plano de medidas para a correcta gestão do abastecimento de água na ilha Terceira, destinado a evitar rupturas e perdas de qualidade. O plano assenta na “redução do risco de ruptura, no ordenamento do território, na protecção das origens da água e no fomento da gestão integrada dos recursos hídricos”. Para o efeito, vai-se proceder à “abertura de novos furos de captação e ao aumento da capacidade de armazenamento, através de dois novos reservatórios", estando ainda previsto o "aumento da capacidade de tratamento de água e a melhoria da qualidade da água armazenada”. Quanto à gestão integrada dos recursos hídricos da ilha, o executivo pretende efectuar a monitorização contínua das nascentes, além de construir duas novas lagoas artificiais e coordenar a captação de água entre os municípios de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória e o Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA). Álamo Meneses garantiu ainda que a Câmara de Angra do Heroísmo tem a totalidade da sua rede operacional.

(in Diário de Notícias)

Etiquetas: , , , ,

sábado, maio 02, 2009

Lavoura terceirense sem água garantida

A lavoura terceirense poderá voltar a ter problemas de abastecimento de água no próximo Verão.
O secretário regional da Agricultura e Florestas, Noé Rodrigues, admitiu, ontem, à saída da audiência com a Comissão Eventual de Inquérito à Ruptura no Abastecimento de Água da Ilha Terceira, que os reduzidos índices de pluviosidade e os níveis baixos dos caudais verificados nesta altura ano podem provocar alguns problemas de abastecimento na rede do Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA). "Espero algumas dificuldades até porque não tem ocorrido grande chuva", explicou.
Noé Rodrigues garantiu que estavam em curso investimentos para assegurar o abastecimento, nomeadamente, a abertura de dois furos para reforçar a rede do IROA.

O governante, perante um cenário de seca, promete manter o transporte de água, colocado em prática no ano anterior para colmatar os problemas criados pela diminuição do caudal da nascente que abastece a Lagoa do Cabrito.
No Verão passado, a falta de água no concelho de Angra do Heroísmo obrigou a cortes periódicos do abastecimento público, escassez essa provocada, essencialmente, pela quebra acentuada de pluviosidade. O governo regional já apresentou um plano para combater casos idênticos e corrigir outras situações que ameacem a sustentabilidade dos recursos hídricos na ilha.
Comissão quer conhecer as causas
O presidente da Comissão de Inquérito à Ruptura no Abastecimento de Água na Terceira afirmou, na ocasião, que os deputados pretendem chegar a conclusões que contribuam para um melhor abastecimento público de água aos habitantes da ilha.
“Vamos, também, tentar perceber todos os fenómenos estruturais e pontuais que, eventualmente, possam estar directamente relacionados com esta temática, no sentido de facultar à própria Assembleia um documento que seja entregue depois ao Governo e às Câmaras para melhorarem a estrutura de abastecimento público de água às populações”, disse o deputado do PS/Açores, Domingos Cunha.
O parlamentar socialista falava em Angra do Heroísmo, após a Comissão de Inquérito ter ouvido o secretário da Agricultura e Florestas, a primeira audição de várias que incluiu, também, professores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Segundo Domingos Cunha, esta Comissão pretende averiguar as razões que levaram a que o abastecimento de água à ilha Terceira, e particularmente ao concelho de Angra do Heroísmo, tenha tido as contingências verificadas o ano passado.
“Estamos em crer que, ouvidos o governo, os investigadores da Universidade dos Açores com experiência nesta matéria e outros técnicos envolvidos nesta problemática, possamos concluir pelas razões que estiveram na causa dos acontecimentos do ano passado”, realçou o deputado socialista.
Perante isso, Domingos Cunha admitiu que, concluídas as audições, será possível que as conclusões da Comissão possam ir “um pouco mais além” e, a partir daí, criar as condições para melhorar o abastecimento de água potável às populações da ilha Terceira e às próprias actividades económicas.
De acordo com parlamentar socialista, a comissão vai solicitar mais audições e aguarda, neste momento, documentos solicitados a outras entidades públicas com competência nesta matéria.
“O objectivo da Comissão é cumprir rigorosamente os prazos que foram dados pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores”, assegurou o presidente, ao explicar que a comissão tem seis meses para elaborar o seu relatório.
(In A União)

Etiquetas: ,

sexta-feira, maio 01, 2009

Embargo à reformulação de cursos e Falta de água na Terceira

domingo, abril 05, 2009

Praia Ambiente abre dois novos furos

A Praia Ambiente, empresa municipal da Praia que gere a recolha de resíduos e o abastecimento de água no concelho, vai abrir dois novos furos de captação de água para, com um, reforçar o abastecimento domiciliário nas freguesias do Cabo da Praia, Fonte do Bastardo e Porto Martins e, com o outro, melhorar a qualidade da água fornecida no concelho.A empreitada foi anunciada ontem pelo presidente da empresa municipal, Paulo Messias, na assinatura de um protocolo com a Universidade dos Açores, cujos especialistas vão apurar as melhores zonas para a realização dos dois furos.“Apesar de não existir falta de água no concelho, esta iniciativa visa precaver o futuro dos praienses”, explicou Paulo Messias. Os trabalhos de prospecção dos investigadores da Universidade dos Açores vão incidir sobre as águas subterrâneas na Fonte do Bastardo, na zona das Fajãs e nos lados Este e Norte da Caldeira dos Cinco Picos.Segundo Cota Rodrigues, presidente executivo da Praia Ambiente, um dos dois novos furos será aberto na Fonte do Bastardo e o outro na zona das Fajãs, nas imediações do Campo de Golfe da ilha. Neste caso, segundo a mesma fonte, a captação nesta zona permitirá a obtenção de água com melhor qualidade físico-química, para juntar à água captada em outros furos na área da Praia da Vitória. No caso do furo da Fonte do Bastardo, este visa garantir maior capacidade de resposta ao consumo nas freguesias da Fonte do Bastardo, Porto Martins e Cabo da Praia, que, actualmente, são abastecidas parcialmente pelo sistema de abastecimento de Angra. A Praia Ambiente vai também reactivar um outro furo na Fonte do Bastardo.“Este, em conjunto com o outro, vai permitir reforçar o abastecimento, tendo em vista o previsível aumento do consumo da zona industrial”, explicou Cota Rodrigues. Até ao final do mês, será assinado o contrato com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que vai apurar a extensão da contaminação dos solos por combustíveis derramados de instalações norte-americanas na Praia da Vitória.

(In Diário Insular)

Etiquetas: , , ,

Protocolo entre Universidade dos Açores e Praia Ambiente para captação de água

terça-feira, março 31, 2009

Furos e Água

Em determinada altura, Duarte Ponte disse a alguns orgãos de comunicação social que, em Santa Maria, havia quem estivesse preocupado com o abastecimento de água ao campo de golfe, dadas as dificuldades de abastecimento à população. O ex-Secretário Regional da Economia afirmou ainda "que ficará a nosso cargo encontrar a água, com certeza por um novo furo” e que a situação tinha sido prevista mediante a realização de um estudo hidrológico feito pelo Departamento de Geociências da Universidade dos Açores e outro ao solo da responsabilidade do Departamento de Ciências Agrárias.
Volvidos que estão sensivelmente 16 meses após estas declarações, mantêm-se as preocupações relativamente a abastecimento público de água e pelo que se pode ler, o concurso recentemente lançado, não prevê a realização de um furo para captação de água mas sim quatro.

(In Santa Maria - O Algarve dos Açores)

Etiquetas: ,

quinta-feira, março 12, 2009

"O ESTADO DA REGIÃO" BE acusa RTP/A de discriminar partido

O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda/Açores estranha não ter sido convidado pela RTP/Açores para estar presente no programa “O Estado da Região”.
O programa pôs frente a frente o secretário regional do Ambiente e do Mar, investigadores da Universidade dos Açores, políticos de diferentes forças partidárias representadas na Assembleia Legislativa e de outras organizações, abordando o tema “A falta de água na ilha Terceira”.
Em comunicado, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda/Açores afirma que “houve discriminação” na forma como foram seleccionadas as forças políticas representadas nesse debate.
Segundo o BE, a argumentação de que apenas deveriam estar presentes as forças políticas com representação nas diferentes assembleias municipais da ilha Terceira “não é uma justificação credível como se pôde constatar durante o debate quando Osvaldo Cabral, jornalista que conduziu o debate, questionou os representantes do Partido Socialista (PS) e do Partido Social Democrata (PSD) sobre o que ambos entendiam ser o papel a desempenhar da comissão de inquérito recentemente criada pelo parlamento para averiguar o problema da ruptura de abastecimento de água na ilha Terceira, comissão essa da qual faz parte a deputada do Bloco de Esquerda/Açores”.
Para o BE, a comissão eventual é fundamental para apurar os factos que estão por detrás das razões da falta de água. Lamentam por isso o posicionamento do representante do PS no debate, ao menosprezar o papel da comissão, mostrando “desinteresse em relação às questões que se colocavam no debate para o qual tinha sido convidado, bem como revelando falta de bom senso ao diminuir a importância fiscalizadora da Assembleia num tema tão sério e tão importante para todos os açorianos e açorianas”.
“A água é um bem essencial, pelo que carece urgentemente que se estabeleça um plano para aumentar a eficiência das redes de abastecimento e a redução do consumo de água”, de modo a ultrapassar os problemas de escassez futura, concretizam os bloquistas.
(In A União)

Etiquetas: , , , , ,

sexta-feira, março 06, 2009

Aquecimento global afecta mais as ilhas

“As ilhas são mais afectadas do que os continentes pelas alterações globais”, explicou Félix Rodrigues.As alterações climáticas, nomeadamente o aquecimento global e as respectivas consequências deste no ciclo hidrológico da ilha Terceira, foram, ontem, o tema de uma conferência, na Escola Secundária Vitorino Nemésio, intitulada: “Alterações climáticas globais - Impactos no ciclo hidrológico da ilha Terceira”, dada pelos professores da Universidade dos Açores Félix Rodrigues e Francisco Cota Rodrigues. “Cada açoriano contribui para o aquecimento global tanto com emissões de dióxido de carbono associadas à queima de combustíveis fósseis, como com emissões de metano associadas à produção agro-pecuária das ilhas”, sustenta Félix Rodrigues.O previsível aumento da temperatura média da Terra provoca um acréscimo do nível médio das águas do mar e aumenta a quantidade de vapor de água na atmosfera. O vapor de água também é um gás de estufa. A sua condensação produzirá inundações, nos períodos mais frios, e secas, nos períodos mais quentes.Análises isotópicas da água da chuva dos Açores fazem concluir que a chuva que aqui chega tem origem em ambientes quentes marítimos, ou seja, dependente da corrente do Golfo. Alterações nessa corrente têm implicações na precipitação e no ciclo hidrológico açoriano.Cota Rodrigues, após uma sucinta explicação da hidrogeologia da Terceira, referiu que a qualidade da água captada para consumo está muito dependente do tipo de aquífero: suspenso ou basal. A importância do coberto vegetal para a recarga dos aquíferos nas ilhas açorianas, foi outro dos pontos falados.Ambos os investigadores apontam a necessidade de um correcto ordenamento do território, para garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos insulares, e uma aposta forte nas energias alternativas como contributo da região para o combate às alterações climáticas globais.“Tentámos explicar os efeitos locais e globais do ciclo hidrológico”, conclui Félix Rodrigues.
(In Diário Insular)

Etiquetas: , , , , , , , ,

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Falta de água

Falta de água em seis ilhas do arquipélago açoriano : Terceira, São Jorge, Graciosa, Pico, São Miguel e Santa Maria. O secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, tem já o problema diagnosticado, mas os especilistas consideram um problema de difícil resolução, devido às características geológicas de algumas ilhas.

Para o especialista em hidrologia, Cota Rodrigues, a falta de água é um problema difícil, devido à estrutura geológica de algumas das ilhas açorianas.

Ouvir notícia aqui.


(In Armando Mendes- RDP Açores)

Etiquetas: , , ,

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Uma turfeira de esperança

O ciclo da água esteve à beira de ser interrompido na Terceira. Leis visionárias que ficaram por cumprir; análises erradas e erros de previsão; uma ideia maligna de desenvolvimento – são causas da destruição do principal sistema natural de armazenamento de água da ilha. Um plano para recuperar o ciclo da água aposta na capacidade de regeneração da natureza entregue a si própria. Todas as esperanças têm agora um nome: chamam-se turfeiras.
Em Agosto de 1977, a então Assembleia Regional dos Açores aprovava a primeira legislação no tempo autonómico sobre a protecção de ribeiras, lagoas e nascentes de água e respectivas bacias hidrográficas. Um documento inovador para a altura, sobretudo em Portugal, mas também ao nível internacional, conforme reconhece o secretário regional do Ambiente, Álamo Meneses, especialista académico na área. Cerca de 31 anos depois, em Janeiro de 2008, a secretário do Ambiente declara o falhanço do aparelho normativo açoriano de protecção dos recursos hídricos e das sucessivas políticas regionais para o sector (ou ausência delas), ao reconhecer que o colapso na produção, captação e distribuição de água na ilha Terceira só pode ser evitado através do regresso à natureza na única zona fiável de produção hídrica, que é constituída pelo complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, sujeito a arroteias (desde 1976 e até ao presente) e consequente destruição da vegetação endémica, em particular as turfeiras, responsáveis pelo armazenamento natural de água e que praticamente desapareceram em vastas extensões da zona.A comunidade científica ligada à Universidade dos Açores na Terceira vinha denunciando a degradação das condições naturais de armazenamento de água desde há vários anos, aparentemente sem ser ouvida. Até que no Verão passado a água faltou nas torneiras dos consumidores do concelho de Angra do Heroísmo, relançando o debate sobre as causas da escassez. Ficou claro no debate que, entre muitas causas – incluindo erros de previsão e de gestão e até diminuição da pluviosidade -, a principal estava na destruição do tecido vegetal natural na zona de recarga dos aquíferos principais (Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto). Ou seja, os cientistas da Universidade dos Açores tinham razão.Álamo Meneses não só veio dar razão aos cientistas da Terra-Chã/Pico da Urze, como agiu no sentido por eles já várias vezes preconizado, ao anunciar o início de um vasto plano de recuperação das condições de recarga natural dos aquíferos, confirmando ser essa a única solução sustentável para garantir o abastecimento de água à ilha Terceira. O plano teve de imediato o apoio, expresso à nossa reportagem, de cientistas como Cota Rodrigues, Félix Rodrigues, Eduardo Brito de Azevedo e Eduardo Dias, os mesmos que desde há vários anos vinham analisando a situação e apontando caminhos até agora não trilhados.Mas o apoio unânime não quer dizer que a medida seja a solução garantida só por si. Eduardo Dias, por exemplo, chama a atenção para o facto de a desarborização em altitude poder influenciar de forma significativa a capacidade de armazenamento de água, mesmo depois de as turfeiras recuperarem. É que as árvores em altitude são auxiliares indispensáveis à precipitação significativa de água nas turfeiras. Quer isto dizer que pode-se chegar a um ponto em que as turfeiras tenham recuperado, mas não estejam a receber água suficiente. É por isso que Eduardo Dias chama a atenção para a necessidade de rearborizar zonas de altitude que comprovadamente interfiram no processo de precipitação na zona Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto.
Colapso do sistema
O complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, situado no centro da Terceira, é a zona principal e mais fiável de produção de água na ilha Terceira. A parte Oeste da ilha é demasiado jovem para produzir água em quantidade e qualidade aceitáveis e a zona da Praia da Vitória, sendo embora antiga, está demasiado fissurada para permitir aproveitamentos significativos de água. Esta análise é partilhada por Álamo Meneses, que neste caso presta declarações enquanto especialista académico, e Cota Rodrigues, especialista em hidráulica.O complexo alimenta três grandes fontes e cerca de uma dezena de outras fontes de menor dimensão, que, em conjunto, garantem a parte de leão do abastecimento de água à ilha Terceira canalizado sem ser a partir de furos. Para mais, trata-se de água que as análises comprovam ser de boa qualidade, ao contrário da água dos furos que se alimentam no aquífero-base (o principal aquífero da ilha, que está em contacto com o mar), sempre sujeita a processos de salinização (mistura entre água doce e água do mar) e susceptível de depositar a poluição que se gera à superfície, em particular os metais pesados, conforme chamam a atenção os especialistas e o próprio secretário Álamo Meneses. A pressão sobre a água da Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto tem várias origens. Desde logo, segundo dados citados por Álamo Meneses, o consumo de água por habitante subiu na Terceira, nos últimos trinta anos, de 100 litros por dia para mais de um metro cúbico, ou seja, subiu mais de dez vezes. Também subiu significativamente o consumo de água pela lavoura. Para além do consumo próprio dos animais, novas regras de higiene e salubridade nas explorações induziram consumos ainda mal calculados. Por outro lado, a pluviosidade tem descido. Dados dos últimos sete meses de 2008 (Centro de Estudos do Clima, Meteorologia e Mudanças Globais da Universidade dos Açores) indicam descidas, em Angra do Heroísmo, Cabrito e Pico da Bagacina, superiores a sessenta por cento à média dos anos 1970/99. A subida do consumo e a descida da pluviosidade - que dados difusos, que não conseguimos confirmar com rigor, remontam há cerca de dois anos, pelo menos no interior da ilha - precipitaram a escassez de água devido às arroteias e à destruição do coberto vegetal na Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto. O ciclo da água foi quebrado nessa zona, conforme explica Cota Rodrigues. A precipitação, independentemente da quantidade, passou a infiltrar-se com rapidez e a água a sair também com rapidez nas nascentes. Perdeu-se o ciclo lento, garantido pelas turfeiras, que armazenavam água no Inverno e continuavam a infiltração para os aquíferos durante a Primavera e o Verão. Conforme explica Álamo Meneses, quanto mais chovesse no Inverno, maiores seriam os caudais nas nascentes nessa estação. Mas, em qualquer caso, as nascentes desceriam sempre para níveis críticos na época de menos chuvas. Conforme reconhece o secretário, a escassez de chuva pode ter precipitado a situação, mas o colapso do sistema era uma questão de tempo, mesmo que chovesse em abundância.
Os “inocentes” do costume
As arroteias começam a ser realizadas na zona crítica de infiltração de água na segunda metade dos anos setenta do século XX, com o então Plano Pecuário dos Açores (PPA). Este plano, lembra Álamo Meneses, acabou por concretizar nos Açores um sonho antigo, já do século XIX, de arrotear e disponibilizar para a produção pecuária vastas zonas que estavam entregues à natureza e que se consideravam, à base do senso-comum da época, desaproveitadas.No entanto, o PPA avança contra a lei, uma vez que o Decreto Regional nº 12/77, de 20 de Agosto – a tal lei inovadora que se refere no início deste trabalho – já chamava a atenção para aspectos de protecção das nascentes que ainda hoje são considerados actualizados. Por exemplo, os efeitos da actividade humana na degradação da água são referidos, tal como é referida a necessidade de preservar os aquíferos. As bacias hidrográficas são consideradas zonas a proteger e são definidas áreas e medidas de protecção. A lei prevê coimas para os prevaricadores.Ao que tudo indica, a lei regional inovadora, que, aliás, permanece em vigor, não foi aplicada e o mesmo tem acontecido com todas as leis subsequentes, incluindo as directivas europeias. Eduardo Dias lembra que as turfeiras destruídas com as arroteias são protegidas por directivas comunitárias “desrespeitadas sistematicamente”. O resultado desta tábua rasa legal é a transformação do solo em pastagens. O processo que começou há trinta anos na Caldeira Guilherme Moniz continua ainda hoje, conforme a nossa reportagem observou e fotografou. Álamo Meneses entende que não é útil abrir uma caça às bruxas neste processo, mas sim “resolver o problema”. Há arroteias públicas e arroteias privadas autorizadas por organismos públicos. O mais comum foi “uma ideia de desenvolvimento sobrepor-se a outra, que hoje sabemos não ser a mais correcta”. A solução do secretário do Ambiente é aprovar, “com urgência”, legislação que concentre as autorizações para intervir em zonas que devem estar protegidas. “Assim evita-se a dispersão e uniformizam-se os critérios”, disse.No caso da Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, a solução vai passar, “onde se revelar necessário”, por intervir depois do facto consumado, o que significa que a Região deverá avançar para limitações ao uso do solo e expropriações de zonas que sejam indicadas para ficarem entregues à natureza, em nome do interesse público. E do mal feito não haverá procura de culpados.
Turfeiras recuperam depressa e bem
As turfeiras da ilha Terceira são endémicas, o que quer dizer que os estudos realizados em outras áreas podem não se adaptar às turfeiras locais. O que interessa apurar é o modo como as turfeiras recuperam quando um terreno é devolvido à natureza, para assim se tirarem conclusões sobre o tempo que é preciso esperar para que o ciclo da água normalize no complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto. Segundo Eduardo Dias, que tem trabalhado com as turfeiras locais, um bom exemplo pode ser recolhido na Lagoa do Negro. A zona deixou de servir de pastagem para gado há cerca de quinze anos e as turfeiras já têm hoje uma dimensão significativa. Eduardo Dias acredita que em duas décadas poderá ser possível recuperar zonas de turfeiras pré-existentes, tendo mais dúvidas sobre o tempo necessário para reintroduzir turfeiras em zonas onde hoje existem pastos suportados à base de adubação.A reportagem de DI conseguiu observar a recuperação de uma turfeira numa zona do Cabrito onde foi removido um tanque de combustíveis norte-americano há cerca de oito anos. A turfa ainda é pequena, mas já ocupa o solo duma forme significativa. Melhor recuperação evidenciam turfeiras localizadas em pastos abandonados numa zona mais alta, também no Cabrito, situação que a reportagem do DI também observou.Uma turfeira adulta retém cerca de sete litros de água por cada quilo da sua massa e drena essa água lentamente para o interior dos aquíferos sobre os quais se situa. Os especialistas afirmam que, além de ser um método natural, é o melhor método que se conhece de armazenamento de água, sendo que a drenagem acontece normalmente, sem necessidade de intervenção humana.
Soluções engenhosase erros de previsão
As crises de água não são desconhecidas na ilha Terceira. Por exemplo, a literatura refere uma crise significativa na segunda metade do século XIX e a memória colectiva ainda guarda bem viva a crise do início dos anos noventa do século XX, que antecedeu a crise agora em curso.Em cada crise o homem encontra uma solução, melhor ou pior. Na crise do início dos anos noventa do século XX a solução passou pela abertura de furos. Sabe-se hoje que a solução não foi a melhor a médio e longo prazo, sobretudo porque essa crise já anunciava o colapso do complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, que, no entanto, ninguém à altura foi capaz de identificar.O próprio secretário Álamo Meneses, que, à altura, como perito da Universidade dos Açores, estudou a situação e escreveu sobre a crise, confessa hoje que também ele não foi capaz de identificar a situação. “Penso que ninguém à altura identificou o verdadeiro problema, que hoje sabemos ser de ordenamento do território”, enfatizou Meneses.Antes, no século XIX, a falta de água afectou de forma dramática a freguesia de Santa Bárbara, obrigando a população e as autoridades a serem engenhosas. A solução foi a construção de um reservatório de enormes dimensões para a altura e considerado muito dispendioso para as finanças públicas da época.Tal reservatório, inspirado nas cisternas que sempre abasteceram a zona – de fracos recursos hídricos, note-se -, cumpriu a sua missão desde a época em que foi construído até ao sismo de um de Janeiro de 1980, altura em que foi instalada uma rede domiciliária de distribuição de água.O “Reservatório de Santa Bárbara”, como é conhecido, implantado nas margens da Ribeira das Sete, na encosta da Serra de Santa Bárbara, está hoje envolvido por uma zona de lazer e é considerado uma notável construção em alvenaria de pedra, podendo ser visitado pelo público.
(In DI-Revista)

Etiquetas: , , , , , ,

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Pouca chuva até Fevereiro, é falta de água em veraneio

Se não se registar um aumento da pluviosidade até final do próximo mês e os furos de captação de água que vão ser abertos até ao Verão não alcançarem os resultados esperados, a escassez de água sentida em 2008 vai sentir-se também em 2009. O alerta parte de Félix Rodrigues, professor da universidade dos açores (UA). Em declarações ao DI, a propósito do plano governamental para a sustentabilidade dos recursos hídricos da Terceira, o académico sublinha, por isso, que a localização dos furos previstos tem de ser muito bem pensada. “Temos registado baixos índices de pluviosidade até agora. É prematuro fazer previsões, mas se a chuva não cair com regularidade e por um período longo até ao final de Fevereiro, podemos esperar caudais reduzidos nas nascentes que abastecem o concelho de angra”, explica. “Daí que os novos furos de captação representem um investimento importante. Mas para o serem, é preciso que sejam efectuados em zonas que garantam caudais de água razoáveis. Caso contrário, teremos um Verão com falta de água como aconteceu em 2008”, complementa Félix Rodrigues.
“Se tudo correr bem – e acredito que isso acontecerá – o ano de 2009, em termos de abastecimento de água, será razoável”, contrapõe.
Estudos fora de tempo
Para Félix Rodrigues é justificável que os alertas produzidos pela UA para a necessidade de protecção dos recursos hídricos da ilha, particularmente a protecção dos sistemas de turfeiras da Caldeira Guilherme Moniz, não tenham impedido as arroteias naquele local. “Os principais estudos da universidade ocorreram na década de 90. O plano de arroteias começou muito mais cedo, surgindo na sequência do desenvolvimento que defendia a intensificação da produção agrícola, o que implicava a conquista de terrenos ao interior da ilha e a sua transformação em pastagens. Ora, quando os estudos da academia são produzidos, o mal já estava feito”, alega. “O conhecimento e a consciência para o problema não estavam presentes nessa altura”, sublinha.
Na apresentação do plano de recuperação do ciclo da água na Terceira, o secretário regional do ambiente, Álamo Meneses, explicou que as arroteias que ocorreram na Caldeira Guilherme Moniz se inseriram no Plano Pecuário dos Açores: “Foram promovidas dentro duma filosofia que advogava que a recuperação de terrenos para a agricultura era sinal de desenvolvimento. Agora, percebemos que essa política foi errada”, admitiu.

(In Diário Insular)

Etiquetas: , , ,

sábado, janeiro 31, 2009

Turfeiras e falta de água

Cientistas da Universidade dos Açores dizem que a escassez de água na ilha Terceira não tem a ver com a falta de chuva mas sim com a destruição das turfeiras no interior da ilha.

Etiquetas: , ,

terça-feira, janeiro 27, 2009

Governo encerra estrada na Terceira

O Governo dos Açores encerrou a estrada do Cabrito por falta de segurança.
A estrada passa sobre a abobada da Furna de água que corre o risco de desabar.

Etiquetas: , ,

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Governo combate falta de água na Terceira

A médio prazo, recuperar as turfeiras que foram transformadas em pastagens.São as medidas do Governo para acabar com a falta de água na ilha Terceira.

Etiquetas: , , ,

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Detonações e Falta de Água

O rebentamento de explosivos numa pedreira localizada a cerca de um quilómetro da Furna da Água não terá sido a causa dos danos detectados na estrutura daquela nascente do concelho de Angra do Heroísmo.Essa é a convicção de Cota Rodrigues, especialista em recursos hídricos, que argumenta que nenhuma das estruturas que ficam perto da pedreira (escritórios, armazéns, paredes com pedra solta e uma ermida) apresenta sinais de danos provocados pelas vibrações dos rebentamentos de explosivos.“Não é fisicamente possível que as vibrações da pedreira se tivessem apenas dirigido para as nascentes e aquíferos”, afirmou. Cota Rodrigues aponta como causa mais provável para o desabamento de parte de um túnel da Furna da Água da nascente as vibrações provocadas pelo trânsito de veículos. O túnel artificial está localizado por debaixo de uma estrada.No entanto, o especialista em recursos hídricos fez questão de frisar que as suas convicções não assentam “em registos sísmicos” mas na análise dos dados disponíveisReferiu, ainda, que as arroteias que estão a ser efectuadas na Caldeira Guilherme Moniz estão a ter um impacto negativo na retenção e infiltração de água nos aquíferos.Quanto à diminuição dos caudais, assegura que o facto de se ter registado menos 50 por cento de precipitação entre Agosto e Dezembro do ano passado pode ser o motivo porque há escassez de água nas nascentes.

(In Diário Insular)

Etiquetas: , ,